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Fertilização “in vitro” com os dias contados!
Sociedade

Fertilização “in vitro”
com os dias contados!

Fertilização “in vitro” com os dias contados!

Quer ter filhos, mas não consegue? Conheça a “naprotecnologia”, uma alternativa católica e muito mais viável do que a “fecundação in vitro”, mas pouco conhecida devido ao preconceito dos médicos e ao lobby anticristão.

Rodolfo CasadeiTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere9 de Outubro de 2018Tempo de leitura: 8 minutos
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Levando em conta a porcentagem de nascimentos entre casais que seguem os tratamentos, seu índice de êxito é o dobro em comparação à fecundação assistida; seu custo é onze vezes menor, apesar de ela ser realizada por poucos médicos em todo o mundo; ela foi boicotada pelos lobbies da proveta e tem sido ignorada pelos sistemas de saúde nacionais. A naprotecnologia nasceu nos Estados Unidos e chegou à Europa há alguns anos, mas segue enfrentando o preconceito de quem a considera uma abordagem confessional da medicina, condicionada por dogmas religiosos.

Nada mais longe da realidade. É verdade que as práticas da naprotecnologia conformam-se rigorosamente à bioética católica; todavia, está comprovado que sua abordagem do problema da esterilidade é científica e clinicamente mais rigorosa do que aquela praticada no âmbito da fecundação assistida. Até por isso ela é mais eficaz: as estatísticas o confirmam.

“A diferença entre a naprotecnologia e a fecundação in vitro consiste no fato de que na primeira a questão fundamental é o diagnóstico das causas de infertilidade”, explica Phill Boyle, ginecologista irlandês que ministra os cursos de formação em naprotecnologia para médicos de toda a Europa, em uma clínica da cidade de Galway. “O que se procura é uma explicação médica do por que um casal não consegue procriar, cuidando assim de eliminar o problema e ‘ajustar’ o mecanismo natural, devolvendo-lhe a harmonia.”

“No procedimento in vitro, ao contrário, o diagnóstico das causas não tem importância, os médicos querem simplesmente ‘ignorar o obstáculo’, levando a cabo uma fecundação artificial. Na naprotecnologia, o tratamento resolve o problema do casal, que depois pode ter outros filhos. Com o método in vitro, os cônjuges não se curam e seguem sendo um casal estéril, e para ter mais filhos deverão sempre confiar em um laboratório.”

A naprotecnologia é a verdadeira fecundação assistida”, ironiza a ginecologista Raffaella Pingitore, a maior especialista de língua italiana no método, e que atua na clínica Moncucco, na cidade suíça de Lugano. “No sentido de que assistimos a concepção do início ao fim, ou seja, desde a fase de distinção dos marcadores de fertilidade na mulher até as intervenções farmacológicas e/ou cirúrgicas necessárias para permitir que o casal chegue de um modo natural à concepção.”

O nome do método deriva do inglês natural procreation technology, “tecnologia de procriação natural”. Mais que uma tecnologia, é um conjunto de técnicas diagnósticas e intervenções médicas que tem como objetivo discernir a causa da infertilidade e sua remoção específica.

Começa-se com as tabelas do modelo Creighton, que descrevem o estado dos biomarcadores da fecundidade durante todo o ciclo menstrual da mulher, e que se baseiam principalmente na observação do estado do muco cervical, feita pela própria mulher. O pilar que sustenta toda a naprotecnologia é a capacidade da mulher de se observar: ela é formada para isso na parte inicial do percurso. As tabelas corretamente preenchidas, com o estado do muco cervical dia após dia e os outros dados, são a base de todos os passos sucessivos. A partir disso já é possível diagnosticar carências hormonais, insuficiências lúteas e outros problemas passíveis de serem tratados com a receita dos hormônios que faltam.

Se a infertilidade persiste, prossegue-se com o exame detalhado do nível dos hormônios no sangue, a ecografia da ovulação e a laparoscopia avançada. Podem ser necessárias, então, intervenções de microcirurgia das trompas ou de laparoscopia avançada para remover as partes prejudicadas pela endometriose. O resultado final é uma porcentagem de nascidos vivos entre 50 e 60% do total dos casais que realizam os tratamentos durante no máximo dois anos (mas a maior parte concebe no primeiro ano), contra uma média de 20 a 30% entre os que recorrem aos ciclos da fecundação in vitro (em geral, seis ciclos).

“Uma das coisas que mais me escandaliza é a ampla negligência que existe no diagnóstico das causas de infertilidade”, explica Raffaella Pingitore. “Hoje, depois de poucos exames práticos, a mulher é encaminhada aos centros de fecundação assistida. Chegamos ao ponto de, há alguns anos, a ‘Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva’ (American Society for Reproductive Medicine) ter declarado a insuficiência lútea como inexistente, porque não podia ser ‘cientificamente’ diagnosticada. Nós temos condições de diagnosticá-la porque envolvemos a mulher e pedimos a ela que observe e descreva diariamente o estado de seu muco cervical. Esse procedimento nos permite diagnosticar a insuficiência lútea. Mas isso para muitos médicos é impensável: eles se limitam a colher uma amostra no 21.º dia do ciclo menstrual para medir o nível de progesterona. Mas só 20% das pacientes têm um ciclo perfeitamente regular, pelo que esse dado é quase sempre inútil para o diagnóstico.”

“Nos Estados Unidos, em Omaha, no estado de Nebraska, iam visitar o doutor Thomas Hilgers, o verdadeiro criador da naprotecnologia, mulheres às quais a endometriose havia sido descartada depois de uma laparoscopia. Mas, realizando-se uma laparoscopia mais avançada, descobria-se que em 90% dos casos a endometriose existia. Comigo aconteceu muitas vezes a mesma coisa. Uma laparoscopia avançada deveria ser uma prática padrão nos testes de esterilidade, mas, por se tratar de uma intervenção cirúrgica, a hostilidade é grande.”

Que o recurso indiscriminado à fecundação assistida esteja associado à negligência diagnóstica, é algo que se deduz também pelo elevado número de pacientes que recorrem com sucesso à naprotecnologia depois de ciclos fracassados de fecundação in vitro. O doutor Boyle afirma que nos últimos seis anos, no grupo de suas pacientes com menos de 37 anos que já haviam tentado dois ciclos de fecundação assistida, o percentual das que conceberam graças ao método de procriação natural é de 40%.

Raffaella Pingitore conta sua experiência pessoal:

A paciente tinha 36 anos e desejava uma gravidez há oito anos; havia realizado no passado cinco ciclos de fecundação assistida sem êxito. Fiz com que ela registrasse a tabela dos marcadores de fertilidade, e notamos que havia uma fase satisfatória de muco fértil, mas os níveis hormonais estavam um pouco baixos, o que indicava uma ovulação um pouco defeituosa. Havia também sintomas de endometriose; realizei uma laparoscopia, encontrei a endometriose e coagulei os focos da doença no útero, nos ovários e nas trompas. Depois a submeti a uma terapia para que ela ficasse em menopausa durante seis meses: deste modo secavam-se bem todos os focos de endometriose que talvez ainda existissem; depois da terapia continuei com um fármaco, o Antaxone, com a dieta e com apoio da fase lútea com pequenas injeções de gonadotropina. Isso levou ao aumento dos hormônios, e no quarto mês de tratamento havia se alcançado um muco muito bom. No 17.º depois da ovulação realizamos o teste de gravidez, que resultou positivo.

O cuidado do profissional eticamente motivado pode mais do que as técnicas artificiais. Prova-o a história da doutora Pingitore, e provam-no as estatísticas do doutor Boyle. Na Irlanda, ao longo de quatro anos, o ginecologista curou 1.072 casais que há mais de cinco anos lutavam para ter um filho. A idade média das mulheres era de 36 anos, e quase um terço delas já havia tentado ter um filho com a fecundação in vitro. Após seis meses de tratamento naprotecnológico, a eficácia do método foi de 15,9%. Após um ano, 35,5%. Após um ano e meio, 48,5% das pacientes havia ficado grávida. Se o tratamento durava dois anos, quase 65% das pacientes chegavam à gravidez.

Com uma base de pacientes muito menor, a doutora Pingitore, no biênio 2009-2011, obteve uma média de 47,3%. Nos Estados Unidos (país onde não existem leis limitando o número de embriões fecundados que podem ser transferidos para o útero), os índices de sucesso da fecundação assistida depois de seis ciclos são os seguintes: 30-35% para mulheres com idade inferior aos 35 anos; 25% para mulheres entre os 35 e os 37 anos; 15-20% para mulheres entre os 38 e os 40; 6-10% para mulheres com idade superior aos 40 anos.

Depois temos a questão (de modo algum secundária) dos custos, ainda que na Itália ela seja pouco discutida porque, à parte as pacientes com plano privado de saúde, as despesas da fecundação assistida correm a cargo do sistema público de saúde. Em tempos de austeridade econômica e de efeitos deletérios da dívida pública, no entanto, um olhar à relação de custo-benefício deveria valer também para nós. O fato é que, se comparamos os custos de dois anos de tratamento naprotecnológico com os de seis ciclos de fecundação assistida, a segunda custa onze vezes mais do que a primeira.

Um único ciclo de fecundação in vitro custa na Itália em torno de 3.750 euros, mais 1.000 euros de medicação, pelo que seis ciclos custariam 28.500 euros, aos quais se acrescentam outros 800 para o congelamento e a manutenção dos embriões, e 1.200 para a transferência dos mesmos, em um total de 30.500 (R$ 131.812, hoje). Por outro lado, ainda que se alargasse para dois anos o tratamento com a naprotecnologia, seus custos são modestos: 300 euros para o curso de formação nos métodos naturais, 800 para as consultas médicas e 1.500 para os medicamentos, em um total de apenas 2.600 euros. É provável que os parlamentos e os ministros da saúde europeus não sejam muito sensíveis aos temas bioéticos, mas eles dificilmente poderão fingir-se de surdos a pedidos para que se verifique a relação de custo-benefício entre os dois métodos.

“A naprotecnologia tem tudo para se difundir, ainda que seja só por um discurso ligado aos custos, nos quais vão incluídos também os efeitos colaterais da prática de fecundação assistida: não nos esqueçamos que as crianças que nascem com esta técnica têm mais probabilidade de malformações e problemas de saúde do que aquelas que nascem de forma natural”, recorda Raffaella Pingitore. “Em primeiro lugar, porém, é necessário vencer o lobby da procriação assistida. Trata-se de um lobby bilionário, que enriquece centenas de pessoas e que não deixará tão facilmente que se lhe coloque o bastão entre as rodas.”

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São Maximiliano: um “cavaleiro da Imaculada” contra a Maçonaria
Santos & Mártires

São Maximiliano: um “cavaleiro
da Imaculada” contra a Maçonaria

São Maximiliano: um “cavaleiro da Imaculada” contra a Maçonaria

No filme polonês “Duas Coroas”, o diretor Michal Kondrat conta como uma marcha maçônica em plena Praça de São Pedro, em 1917, despertou o ardor missionário em São Maximiliano Kolbe, a ponto de fazê-lo dar a própria vida por amor a Cristo.

Equipe Christo Nihil Praeponere5 de Dezembro de 2019Tempo de leitura: 4 minutos
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Em agosto de 1941, um padre franciscano rezava o Rosário e atendia confissões numa das celas de Auschwitz, o terrível campo de concentração nazista, onde milhões de judeus foram vítimas da “solução final”, durante a II Grande Guerra. Ele e outros oito prisioneiros morreriam em poucos dias. Todavia, a morte desse sacerdote católico deixaria, para a história, um valente testemunho de santidade, como cumprimento de uma antiga promessa.

É com esse pano de fundo que o filme polonês “Duas Coroas”, dirigido por Michal Kondrat, narra a história de São Maximiliano Kolbe, o sacerdote católico que pediu a própria morte a um oficial nazista, no lugar de um judeu pai de família. O título da produção refere-se a uma visão do pequeno Maximiliano, quando ainda criança. Conforme a sua biografia, ele teria visto a Virgem Santíssima segurando uma coroa vermelha numa das mãos e uma coroa branca na outra; a vermelha representava o martírio e a branca, a pureza. A Mãe de Deus lhe pedia que escolhesse com qual daquelas joias ele gostaria de ser coroado. E Maximiliano respondeu-lhe: “Eu quero as duas”.

De fato, a vida de Maximiliano Kolbe foi duplamente coroada, com as palmas da pureza e do martírio. Com treze anos de idade, ele ingressou no Seminário dos Frades Menores Conventuais Franciscanos e ali aprenderia as lições fundamentais para o exercício de sua vocação: a castidade, a pobreza e a obediência. Esses três conselhos evangélicos forjariam a sua alma a ponto de formá-lo como um verdadeiro “cavaleiro de Deus”, disposto a empunhar todas as armas necessárias para debelar os erros do pecado e conquistar o prêmio do Céu. Nesse ínterim, a Virgem Maria seria o seu refúgio e inspiração.

“Duas Coroas” mostra o desenvolvimento dessa luta, trazendo informações importantíssimas para a compreensão de nosso personagem, como também uma mensagem clara sobre a sorte da Igreja e dos cristãos nos tempos atuais: quem não estiver ao lado de Maria Santíssima, muito bem enraizado no dogma da fé, na prática das virtudes e na frequência aos sacramentos, não resistirá às investidas da serpente e aos ataques vorazes de seus sequazes.

Só por isso vale a pena conferir o filme. Não se trata de simples entretenimento ou diversão pueril, com doses cavalares de pirotecnias e sensualismo pagão; embora não seja uma grande produção cinematográfica, “Duas Coroas” repete aquelas “palavras de vida eterna” que são a razão de ser de toda pessoa humana. E é isso o que verdadeiramente importa.

Maximiliano Kolbe pensava justamente assim e, conforme os vários depoimentos do filme, via que o uso da mídia deveria ser destinado, sobretudo, à pregação do Evangelho. Aliás, ele se propôs a criar um jornal para a formação dos católicos, logo depois de ter visto, com horror e escândalo, uma marcha maçônica na Praça de São Pedro, por ocasião do bicentenário da seita secreta, em 1917. Nessa manifestação, os maçons empunhavam cartazes com as inscrições: “Satanás deve reinar no Vaticano. O Papa será seu escravo”. E, como revelaria mais tarde o historiador Michael Hesemann, em arquivos secretos do Vaticano, a Maçonaria realmente tramava por aqueles anos a queda das últimas monarquias e o total aniquilamento da religião católica.

Para impedir tais planos diabólicos, São Maximiliano fundou a “Milícia da Imaculada”, abriu uma gráfica e mandou imprimir várias edições de um jornal dedicado a Nossa Senhora, que explicava a fé católica com clareza. O diretor Kondrat teve o cuidado de colocar esses dados no filme, mostrando como o santo precisou enfrentar a desconfiança e a incompreensão dos próprios correligionários, a fim de defender a causa de Cristo. Apesar disso, a Providência divina o acompanhou, levando seu apostolado até o Japão, em 1930, onde pôde exercer um fecundo trabalho apostólico na cidade de Nagasaki — cuja tragédia da bomba atômica ele havia previsto com alguns anos de antecedência.

Em 1939, porém, Maximiliano teve de retornar à Polônia, para cumprir uma nova missão. A esse respeito, o filme “Duas Coroas” propõe uma leitura sobrenatural: explica-se que os esforços apostólicos do “cavaleiro da Imaculada” não se dissiparam após o retorno do Japão, mas teriam o grande desfecho da configuração a Cristo. Depois de ter contemplado o sofrimento de Nosso Senhor em seus irmãos japoneses, ele mesmo viria a experimentar tal dor, para ratificar na própria carne o que ele publicava em seus jornais. Quando acabou preso em Auschwitz, o santo foi capaz de transmitir amor e esperança aos prisioneiros, transformando a sua cela num verdadeiro oratório.

Nesse sentido, vale lembrar as palavras com as quais São João Paulo II descreveu esse sacrifício: “Maximiliano não morreu, mas ‘deu a vida... pelo irmão’”. Em “Duas Coroas”, o espectador pode vislumbrar em que circunstâncias misteriosas e, sem dúvida, abençoadas aconteceu o coroamento do intrépido homem, que foi digno de receber a glória do martírio. Maximiliano venceu corajosamente as hostes infernais e, “de modo admirável, perdura na Igreja e no mundo o fruto desta morte heroica” [1]. O regime nazista findou como uma página negra da história, ao passo que o martírio de São Maximiliano “se tornou um sinal de vitória” [2].

Definitivamente, “Duas Coroas” é um documentário para ser visto por todos os católicos, sobretudo nestes últimos tempos. Embora estejamos a mais de um século de distância das terríveis tribulações que se abateram sobre a Europa e toda a Igreja Católica, no início do século XX, os seus protagonistas ainda estão entre nós, e com a mesma sanha anticristã de outrora. Por isso, o modelo virtuoso de São Maximiliano Kolbe deve nos levar para o fronte de guerra, com os estandartes da Cruz e do Rosário, em defesa da Igreja e de nosso Cristo Rei.

Referências

  1. São João Paulo, Homilia na missa de Canonização de Maximiliano Kolbe (10 de outubro de 1982). 
  2. Ibidem.

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Quem são os misóginos mesmo?
Sociedade

Quem são os misóginos mesmo?

Quem são os misóginos mesmo?

Eis uma verdade inconveniente e “politicamente incorreta”, mas que está inscrita na natureza mesma das coisas, e no Magistério recente dos Papas: as mulheres precisam dar prioridade a seus lares e a suas famílias.

Jerry SalyerTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere4 de Dezembro de 2019Tempo de leitura: 5 minutos
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Imagem: Howard R. Hollem/Getty Images.

“Trabalhos há”, escreve Leão XIII na Rerum Novarum, “que não se adaptam tanto à mulher, a qual a natureza destina de preferência aos arranjos domésticos, que, por outro lado, salvaguardam admiravelmente a honestidade do sexo, e correspondem melhor, pela sua natureza, ao que pede a boa educação dos filhos e a prosperidade da família”.

Num primeiro momento, é desconcertante como essas declarações não receberam muita atenção, visto que a encíclica Rerum Novarum, com frequência, tem sido ocasião de debates entre comunitaristas e integralistas católicos, por um lado, e os defensores católicos da economia de livre mercado, por outro. Suspeito que a razão disso seja uma relutância dos católicos em confrontar as sensibilidades modernas, principalmente as que estão arraigadas na consciência popular. Certamente eles raciocinam assim: nós já temos de explicar aos ouvintes antipáticos por que hesitamos em admitir “casamento” gay e banheiros transgêneros, então por que ir ainda mais longe questionando o entendimento moderno da igualdade entre homens e mulheres?

Esse raciocínio é totalmente equivocado. Ou Leão XIII deve ser levado a sério ou não; e se aceitarmos a visão politicamente correta do século XXI, que caracterizaria as observações do Papa sobre as mulheres não apenas como erradas, mas como indiscutivelmente estúpidas e intolerantes, então em maior ou menor medida nós lhe reservamos a segunda alternativa. Em outras palavras, ou Leão XIII não é um pensador robusto, ou a afirmação surpreendente de que “certas ocupações não são adequadas para as mulheres” não é tão monstruosa quanto sugere a sabedoria convencional.

Em todo caso, a distinção entre os sexos masculino e feminino dificilmente é um aspecto irrelevante, e Leão XIII adota, como um de seus princípios, uma antropologia que a maioria das figuras públicas contemporâneas negaria de forma resoluta. É realmente estranho que os católicos discutam sobre o significado de um ensinamento papal, ignorando o fato de que uma contrarrevolução extraordinária contra o feminismo seria necessária muito antes que tal ensinamento pudesse ser colocado em prática.

Leão XIII não está sozinho ao tratar das diferenças entre homem e mulher. Pio XI fez observações semelhantes sobre o assunto na Quadragesimo Anno:

As mães de família devem trabalhar em casa ou nas suas adjacências, dando-se aos cuidados domésticos. É um péssimo abuso, que deve a todo o custo cessar, o de as obrigar, por causa da mesquinhez do salário paterno, a ganharem a vida fora das paredes domésticas, descurando os cuidados e deveres próprios e sobretudo a educação dos filhos.

“Deve pois procurar-se com todas as veras”, conclui o pontífice, “que os pais de família recebam uma paga bastante a cobrir as despesas ordinárias da casa”.

Sejamos francos. Para nós, as instruções de Pio XI não parecem apenas politicamente incorretas, mas também ilegais. Ou seja, qualquer empregador que prestasse atenção à exortação para pagar mais aos “pais de família” imediatamente se encontraria na iminência de um processo judicial. E se os paladinos da justiça social da Ethika Politika ou seus inimigos que lutam pela liberdade no Instituto Acton alguma vez expressaram a devida indignação pelo fato de ser ilegal para um católico seguir o conselho de Pio XI, isso passou-me despercebido [1]. Ainda, cabe questionar se a afirmação de Pio XI sobre o patriarcado econômico é menos relevante nos ensinamentos católicos do que, digamos, o direito putativo dos migrantes de ocupar o país de outras pessoas. Quanto aos defensores do livre mercado, se eles não estão preocupados com a liberdade do empresário católico de administrar seus negócios de acordo com os ensinamentos papais, com que liberdade eles se preocupam?

Não faz sentido fingir admirar alguém quando insistimos em filtrar e omitir os seus ensinamentos a fim de se encaixarem nas nossas ideias preconcebidas. Para dar um exemplo que não esteja vinculado à autoridade papal, pode ser instrutivo considerar o economista Ernst Friedrich Schumacher. Embora atraído pela religião oriental quando compôs sua famosa obra Small is beautiful (traduzido para o português sob o título O negócio é ser pequeno), Schumacher atravessaria o rio Tibre pouco antes da publicação do livro, tornando-se um dos principais defensores católicos da economia em pequena escala e para a comunidade local. No entanto, se até mesmo os admiradores irrestritos de Schumacher costumam encobrir sua conversão religiosa, precisam ignorar muito mais sua afirmação de que “as mulheres, em geral, não precisam de um emprego ‘fora’”, e que “o emprego de mulheres, em larga escala, em escritórios ou fábricas seria considerado um sinal de grave fracasso econômico”, em qualquer sociedade equilibrada.

Essas palavras não são apartes irrelevantes em sua obra, pois Schumacher estava convencido de que apenas um tolo “deixaria mães de crianças pequenas trabalharem em fábricas enquanto as crianças são deixadas ao deus-dará”. Longe de fomentar o discurso sobre a justiça social e o bem-estar da próxima geração, tais observações — evidentes por si mesmas — hoje levariam alguém a ser demitido de imediato. Poucos “conservadores” católicos parecem ter muito problema com isso, e até mesmo alguns “tradicionalistas” encobrem o assunto, preferindo o caminho muito mais cômodo de se opor ao capitalismo. Evidentemente, todos deveríamos nos calar e engolir o “dogma” bizarro e irracional de que os filhos podem ser educados efetivamente tanto pelas funcionárias das creches quanto por uma mãe que fica em casa.

Apenas para que não haja mal-entendidos, se a tradição católica é “sexista” — no sentido de reconhecer que existe o sexo masculino e o feminino —, isso dificilmente pode ser considerado misógino. Afinal, veneramos uma Rainha e, mais do que ninguém, é o católico que celebra as virtudes inequivocamente femininas, mesmo sendo suficientemente flexível para prestar homenagem à habilidade militar de uma Joana d’Arc ou à sabedoria mística de uma Catarina de Siena.

Em outras palavras, as feministas se entregam a um “mundo de faz-de-conta” quando agem como se tivessem “descoberto” que algumas mulheres se destacaram em âmbitos tradicionalmente masculinos. Ao mesmo tempo, deve-se acrescentar que as exceções tendem a justificar a regra, pois as mulheres que alcançaram grandes conquistas raramente estiveram motivadas pelo carreirismo. Em vez disso, elas geralmente são impelidas por alguma devoção apaixonada que pouco ou nada tem a ver com a causa feminista. Joana d’Arc não estava empenhada em abrir um caminho revolucionário para as mulheres, mas apenas em libertar a França; Catarina de Siena não estava interessada no empoderamento feminino, mas em reparar os danos do Grande Cisma do Ocidente.

Quanto às mulheres que vivem no anonimato, precisamos reconhecer que, de fato, estamos em um mundo de cabeça para baixo, no qual as advogadas de corporações e as políticas egoístas são consideradas cidadãs mais valiosas do que aquelas mulheres que “apenas” educam os filhos e cuidam do lar. Assim, os verdadeiros misóginos são aqueles que se recusam a honrar a maternidade como uma vocação elevada de tempo integral, e os quais não aceitam que Deus fez o homem e a mulher como complementares, e não iguais.

Notas

  1. Nota de tradução: Aqui, o autor recorre ao antagonismo existente entre dois grupos de católicos — mais conhecidos no contexto norte-americano — para exemplificar que muitos embates são travados em torno de diversas questões da doutrina social da Igreja, exceto em relação ao trabalho externo das mulheres, tema que é frequentemente ignorado.

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O que ouviremos de Jesus se nos condenarmos?
Espiritualidade

O que ouviremos
de Jesus se nos condenarmos?

O que ouviremos de Jesus se nos condenarmos?

Porque escolheste antes estar para sempre sem mim no inferno, que comigo no céu; tua é, e não minha, a sentença que logo ouvirás com os outros mal-aventurados: “Ide, malditos, para o fogo eterno”.

Pe. António Vieira4 de Dezembro de 2019Tempo de leitura: 5 minutos
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Quid est quod debui ultra facere vineae meae, et non feci ei? “Que mais poderia eu ter feito pela minha vinha que não lhe tenha feito?” (Is 5, 4) Que coisa há, que eu devesse fazer-te, ó homem, ou devesse fazer por ti, que não tenha feito? De nada te era devedor, e como se o fora, de quanto tenho, de quanto posso, e de quanto sou, tudo empreguei e despendi contigo. Criei-te quando não eras, tirando-te dos abismos do não ser ao ser; dei-te um corpo formado com minhas mãos, o mais perfeito; dei-te uma alma tirada de minhas entranhas, e feita à imagem e semelhança; ornei, e habilitei um e outro, com as mais excelentes potências, e os mais nobres sentidos, para que fossem os instrumentos com que me servisses e amasses; e tu, ingrato, que fizeste? 

Dá conta dos cuidados, pensamentos e máquinas do teu entendimento; das lembranças e esquecimentos da tua memória; dos desejos e afeições da tua vontade. Dá conta de todos os passos de teus pés, de todas as obras de tuas mãos, de todas as vistas dos teus olhos, de todas as atenções dos teus ouvidos, de todas as palavras de tua língua, e de tudo mais que tu sabes, e não cabe em palavras. Depois de criado, que seria de ti, se eu com o mesmo poder e providência te não conservara? De repente perderias o ser e tornarias ao nada donde saíste. Para tua conservação, te dei não só o necessário, senão o superabundante, e tanta imensidade de criaturas no céu e na terra, todas sujeitas a ti, e ocupadas em teu serviço. 

Dei-te um anjo, que de dia e de noite, velando e dormindo, te assistisse e guardasse, como sempre assistiu e guardou. Agora te revelo os perigos secretos e ocultos, de que foste livre por seu meio; e tu lembra-te dos públicos e manifestos, que experimentaste e viste. Quantos pereceram em outros muito menores? Quantos mais moços que tu acabaram de mortes desastradas e repentinas, sem tempo, nem lugar de arrependimento e emenda, que eu sempre te concedi? Dá, pois, conta da vida, dá conta da saúde, dá conta dos anos, dá conta dos dias, dá conta das horas, sendo mui poucas, e contadas as que não empregaste em me ofender. 

Até agora te referi as dívidas exteriores do poder; agora me responderás às interiores e pessoais do amor, e do muito que fiz e padeci por ti. Por ti depois de te fazer à minha imagem e semelhança, me fiz à tua, fazendo-me homem; por ti nasci nos desamparos de um presépio; por ti fui desterrado ao Egito; por ti vivi trinta anos sujeito à obediência de um oficial, ajudando o trabalho de suas mãos com as minhas, e acompanhando o suor do seu rosto com o meu; por ti, e para ti, saí ao mundo a pregar o reino do céu; por ti nas peregrinações de toda a Judéia e Galiléia, sempre a pé, e muitas vezes descalço, padeci fomes, sedes, pobrezas, sem ter lugar de descanso, nem onde reclinar a cabeça, por ti recebi ingratidões por benefícios, ódios por amor, perseguições por boas obras; por ti suei sangue; por ti fui preso; por ti fui afrontado; por ti esbofeteado; por ti cuspido; por ti açoitado; por ti escarnecido; por ti coroado de espinhos; por ti, enfim, crucificado entre ladrões, aberto em quatro fontes de sangue, atormentado e afligido de angústias e agonias mortais, e ainda depois de morto, atravessado o coração com uma lança. 

De tudo isto pedi por ti perdão a Deus, e o pago que tu me deste foi não me perdoar tornando-me a crucificar tantas vezes, quantas gravemente pecaste, como te mandei declarar pelo meu apóstolo: Rursum crucifigentes Filium Dei, “crucificando novamente o Filho de Deus” (Hb 6, 6). Se as gotas de sangue que derramei por ti, tiveram conta, nem de uma só me pudera dar boa conta, ainda que padeceras por mim mil mortes; mas os milhares e os milhões foram das vezes que pisaste o mesmo sangue, sacrificando o infinito valor e merecimento dele, aos ídolos do teu apetite

Ainda em certo modo a maior dívida, a de que agora te pedirei conta é a da vocação. Reservei o saíres à luz deste mundo para o tempo da lei da graça; chamei-te à fé antes de me poderes ouvir, antecipou-se o meu amor ao teu uso da razão, e fiz-te meu amigo pelo batismo. Com o leite e doutrina da Igreja, te dei o verdadeiro conhecimento de mim, benefício que por meus justos juízos em quatro e cinco mil anos não concedi a tantos, e de que ainda nos teus dias careceram muitos. Não tiveste juízo, nem consideração, para ponderar e pasmar, de que tendo a minha justiça razões para condenar um gentio que me não conheceu, as tivesse minha misericórdia para perdoar a um cristão, que conhecendo-me, tanto me ofendia

Perdida a graça da primeira vocação, caíste, e tornei-te a chamar, e dar a mão, para que te levantasses; levantado tornaste a reincidir uma e tantas vezes, e eu, posto que tão repetidamente ofendido, e com tão continuadas experiências da pouca firmeza de teus propósitos, e falsidade de tuas promessas, não cessei de te oferecer de novo meus braços, e te receber sempre com eles abertos; até que infiel, rebelde, e obstinado, cerrando totalmente os ouvidos a minhas vozes, te deixaste jazer no profundo letargo da impenitência final. Dá agora conta de tantas inspirações interiores minhas, de tantos conselhos dos confessores e amigos, de tantas vozes e ameaças dos pregadores, que ou não querias ouvir, ou ouvias por curiosidade e cerimônia; e também ta pudera pedir, de eu mesmo te não chamar eficazmente na hora da morte, porque o desmereceste na vida.

Sete fontes de graça deixei na minha Igreja (que é o benefício da justificação) para que nelas se lavassem as almas de seus pecados, e com elas se regassem e crescessem nas virtudes. Em uma te facilitei em tal forma o remédio para todas as culpas, que só com as confessar te prometi o perdão, que tu não quiseste aceitar, fugindo da benignidade daquele sacramento como rigoroso, e amando mais as mesmas culpas, que estimando o perdão. Em outra te dei a comer minha carne e a beber meu sangue, e juntamente os tesouros infinitos de toda a minha divindade, em penhor da glória e bem-aventurança eterna, que foi o altíssimo fim para que te criei. 

Desprezaste o fim, não quiseste usar dos meios; e porque escolheste antes estar para sempre sem mim no inferno, que comigo no céu; tua é, e não minha, a sentença que logo ouvirás com os outros mal-aventurados: Ite maledicti in ignem aeternum, “Ide, malditos, para o fogo eterno”.

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Onde puseram o Menino Jesus?
Espiritualidade

Onde puseram o Menino Jesus?

Onde puseram o Menino Jesus?

Antes que comece o Natal, e as trocas de presentes em família, antes que todos comecem a fazer festa, permitam-nos apregoar em voz alta, permitam-nos colar cartazes com “procura-se”, permitam-nos denunciar: roubaram o Menino Jesus!

Equipe Christo Nihil Praeponere3 de Dezembro de 2019Tempo de leitura: 4 minutos
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Antes que comece o Natal, e as trocas de presentes em família, antes que todos comecem a fazer festa, permitam-nos apregoar em voz alta, permitam-nos colar cartazes com “procura-se”, permitam-nos denunciar que roubaram o Menino Jesus!

Gostaríamos muito que se tratasse apenas de uma anedota, como no tal Natal de Ângela, em que uma mocinha “rouba” de uma igreja a imagem do Divino Infante só porque achava, em sua inocência, que o menino estava com frio e precisava agasalhar-se. Mas não... Estamos diante de um roubo criminoso, sem arrependimento e intenção alguma de restituição. Roubaram o Menino Jesus e, poderíamos dizer com o Evangelho, “não sabemos onde o puseram” (Jo 20, 2).

Roubaram o Menino Jesus do ambiente público, no qual Ele sempre teve lugar de destaque, especialmente nesta época do ano. Os enfeites natalinos nas praças, comércios e repartições públicas incluem Papais Noéis, renas voadoras, árvores decoradas, mas o presépio cristão está cada vez mais difícil de encontrar. Em muitos lugares, especialmente na Europa, hoje tomada por muçulmanos, os termos natalinos cristãos são banidos em nome da tolerância e do respeito às outras religiões. O “Feliz Natal” de sempre há muito que se converteu em um vago e laico “Boas Festas” (ou Férias). O acontecimento histórico que deu origem à celebração foi reduzido a um artigo de fé meramente privada, de forma que, se uma pessoa quiser passar essa época do ano sem ouvir uma única vez o nome de Jesus (dependendo, é claro, dos ambientes que ela frequenta ou deixa de frequentar), o certo é que não terá muitas dificuldades em fazê-lo.

Roubaram o Menino Jesus do seio de nossas famílias trocando orações, novenas e idas à Missa por começões, bebedeiras e visitas ao shopping. O Natal se converteu quase que literalmente em uma “magia”: é preciso rir ainda que não se saiba por quê, é preciso festejar ainda que não se saiba o quê, é preciso seguir em frente ainda que não se saiba para onde. Pois foi roubado o Único que poderia dar real sentido à celebração, e verdadeira felicidade aos que celebram.

Roubaram o Menino Jesus de nossas casas, onde Ele deveria ocupar uma posição toda especial, ensinando às crianças que Deus, dois mil anos atrás, escolheu descer à baixeza e inocência delas. 

Mas que crianças, se também elas foram roubadas dos lares, antes mesmo de serem concebidas, trocadas pelas mais novas tecnologias do momento, pelo último lançamento de um carro e pelas viagens anuais à praia? Que crianças, se as famílias modernas decidiram não as ter e, se as tiveram, já cuidaram de sacrificá-las impiedosamente ao mundo, deixando que consumissem tudo o que ele lhes oferece, e que lhes fosse roubada desde cedo justamente a inocência que fazia delas crianças? Se todas as vezes que alguém recebesse uma criança, receberia o próprio Senhor, como Ele mesmo declarou (cf. Mt 18, 5), não é verdade que nossa aversão aos filhos é também uma aversão ao próprio Jesus? Que a recusa dos casais em serem fecundos impede que o próprio Menino Jesus nasça em suas casas?

Roubaram o Menino Jesus também de nossas igrejas, e isso nunca se poderá deplorar o suficiente. Primeiro, tiraram-no dos cibórios para o atirarem ao chão, porque não trataram com zelo o Santíssimo Sacramento. Depois, substituíram a celebração do Deus que se fez criança para nossa salvação por uma celebração grotesca do próprio “eu”. Nossas liturgias estão cada vez mais voltadas para o homem e menos centradas nEle. As pessoas sequer sabem direito o que estão fazendo na Missa, perdidas em meio aos teatros, às dancinhas e às músicas cada vez mais barulhentas dos “ministérios”, às criatividades cada vez mais absurdas dos celebrantes e às palmas cada vez mais efusivas do “auditório”. O padre fala com o povo, o povo fala com o padre, mas com Deus mesmo ninguém fala.

Roubaram o Menino Jesus, isso é triste; roubaram-no, mas ninguém se deu conta, e isso é pior ainda.

Repetimos acima a frase de Santa Maria Madalena, que não sabia onde haviam colocado o Senhor, mas agora não é o caso: nós sabemos onde o Menino Jesus está. A doutrina católica diz que, numa alma que crê e está em estado de graça, habita a Santíssima Trindade como um amigo. Pela fé, portanto, sabemos onde se esconde o Deus menino: Ele se encontra em toda alma que procura amá-lo e cumprir com os seus mandamentos. 

Talvez seja ao redor dessas almas que devamos celebrar o nosso Natal, ao redor de amigos que buscam a Deus. Mas se, infelizmente, as circunstâncias fazem com que nossas famílias, com quem passaremos esses dias, ainda estejam distantes de Cristo, que nossas conversas e nosso modo de viver possam despertar em seus corações a ânsia de procurar pelo Menino que há tanto tempo foi roubado de seus corações… sem que eles sequer lhe tenham notado a ausência.

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