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O martírio das carmelitas de Compiègne
Santos & Mártires

O martírio das carmelitas de Compiègne

O martírio das carmelitas de Compiègne

A multidão comprime-se em volta da guilhotina. Entre os condenados, se vêem diversas mulheres de capa branca: são as dezesseis carmelitas do convento de Compiègne...

Henrique Elfes17 de Julho de 2019
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Praça do Trono, 17 de julho de 1794. — São cerca de oito horas da tarde. É verão e o céu ainda está claro. A multidão comprime-se em volta da guilhotina, erguida no centro da antiga Place du Thrône, atual Barriére de Vincennes. Junto dos degraus que conduzem ao cadafalso, o carrasco, Charles-Henri Sanson, espera respeitosamente de pé, flanqueado por dois ajudantes. O calor é opressivo, e em toda a praça reina um odor mefítico de sangue. 

Vindos da cidade, despontam os carroções. Hoje são dois, e vêm bastante cheios: ao todo, serão quarenta vítimas. Recebem-nas as exclamações e ameaças habituais, mas o barulho logo se abafa em murmúrios de espanto. Acontece que, entre os condenados, se vêem diversas mulheres de capa branca: são as dezesseis carmelitas do convento de Compiègne. Ao contrário dos seus companheiros de infortúnio, não deixam pender a cabeça nem choram ou gritam; trazem o rosto erguido, e a linha firme do corpo é sublinhada pelas mãos amarradas às costas. E cantam: aos ouvidos de todos, ressoam as notas quase esquecidas da Salve Rainha em latim e do Te Deum. Até para o mais empedernido dos basbaques presentes, é um espetáculo inaudito.

Quando os carroções param ao pé do cadafalso, o burburinho faz-se silêncio absoluto. Até essas mulheres histéricas, as chamadas “fúrias da guilhotina”, que sempre estão na primeira fila dos espectadores, emudecem.

As primeiras a descer são as carmelitas. Uma delas, a priora, Madre Teresa de Santo Agostinho, aproxima-se do carrasco e pede-lhe que lhes conceda uns minutos para poderem renovar os seus votos e que a deixe ser a última a sofrer a execução, para que possa animar cada uma das suas filhas até o fim. Sanson, o carrasco, alma delicada, concorda de bom grado.

Todas juntas, cantam o Veni Creator Spiritus. A seguir, renovam os seus votos religiosos. Enquanto rezam, uma voz de mulher sussurra na multidão: “Essas boas almas, vejam se não parecem anjos! Pela minha fé, se essas mulheres não forem diretas ao paraíso, é porque o paraíso não existe!…”

A priora recua até a base da escada. Tem nas mãos uma estatueta de cerâmica da Virgem Maria com o Menino Jesus ao colo. A primeira a ser chamada, a mais jovem de todas, é a noviça Constança. Ajoelha-se diante da Madre e pede-lhe a bênção. Segundo uma testemunha, ter-se-ia também acusado nesse momento de não haver terminado o ofício do dia. Com um sorriso, a Madre diz-lhe: “Vai, minha filha, confiança! Acabarás de rezá-lo no Céu”…, e dá-lhe a beijar a imagem. 

Constança sobe rapidamente os degraus, entoando o salmo Laudate Dominum omnes gentes, “Louvai o Senhor, todos os povos”. “Ia alegre, como se se dirigisse para uma festa”. O carrasco e seus ajudantes, com gesto profissional, dispõem-na debaixo da guilhotina. Ouve-se o golpe surdo do contrapeso, o ruído seco da lâmina que cai, o baque da cabeça recolhida num saco de couro. Sem solução de continuidade, o corpo é lançado ao carroção funerário.

Uma por uma, as freiras ajoelham-se diante da priora e pedem-lhe a bênção e permissão para morrer. Cantam o hino iniciado por Constança. Quando chega a vez da Irmã de Jesus Crucificado, que tem 78 anos, os jovens ajudantes do carrasco têm de descer para ajudá-la a vencer os degraus. Ela diz-lhes afavelmente: “Meus amigos, eu vos perdôo de todo o coração, tal como desejo que Deus me perdoe”.

Só falta a Madre. Com gesto simples e firme, beija a estatuinha e confia-a à primeira pessoa que tem ao lado. (Essa imagem foi devolvida mais tarde à Ordem e encontra-se hoje no Carmelo de Compiègne, novamente fundado em 1867.) Tem 41 anos, um rosto expressivo, nem muito bonito nem feio; o porte é, mais do que altivo, descontraído. Os olhos castanhos, sofridos, mas irradiando bondade, procuram os do Pe. Lamarche, que as confessara no dia anterior na prisão e que se encontra entre a multidão. Como quem tem pressa em concluir uma tarefa urgente, sobe por sua vez os degraus.

Agora tudo terminou. Pode-se cortar o silêncio como se fosse um queijo. Muitos dos assistentes choram baixinho. Anos mais tarde, encontrar-se-ão — registrados em cartas pessoais, diários íntimos e memoriais — os ecos da emoção que experimentaram e dos efeitos que ela lhes causou: muitos sentiram a necessidade de mudar de vida, de retomar a prática dos sacramentos, um ou outro de ingressar num convento… Um deles, um menino que presenciara a cena das janelas de um prédio situado em frente da guilhotina, guardou dela uma impressão tão profunda que, anos mais tarde, quando fazia o serviço militar, carregava sempre consigo as obras de Santa Teresa de Ávila e acabou por fazer-se sacerdote. “O amor vence sempre”, costumava dizer a Madre priora; “o amor vence tudo”.

Os corpos foram levados às pressas para o antigo convento dos agostinianos do Faubourg de Picpus. Lá foram lançados na fossa comum e cobertos de cal viva. Hoje há ali um gramado cercado de ciprestes, com uma simples cruz de ferro. É um lugar de silêncio e oração.

Na capelinha anexa a esse cemitério, há uma lápide que traz o nome das dezesseis mártires beatificadas em 27 de maio de 1906 por São Pio X.

Referências

  • In: Gertrud von le Fort. A última ao cadafalso: medo e esperança, trad. port. de Roberto Furquim. São Paulo: Quadrante, 1998, pp. 120-123.

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As “almas gêmeas” existem?
Doutrina

As “almas gêmeas” existem?

As “almas gêmeas” existem?

Elas estão na boca e no coração dos românticos e dos casais apaixonados… Mas nós não as veremos nem nas Escrituras nem na Tradição nem em documentos magisteriais. Pode então um católico acreditar nas “almas gêmeas”?

Equipe Christo Nihil Praeponere23 de Agosto de 2019
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Tudo indica que a ideia das “almas gêmeas” remonta ainda à Idade Antiga, estando em O Banquete, de Platão, o seu primeiro registro. Embora o termo possa ser usado para designar uma afinidade qualquer entre duas pessoas, não envolvendo necessariamente o componente erótico, desde o começo esse aspecto está presente: as “almas gêmeas” seriam dois seres humanos de tal modo afins a ponto de encontrarem um no outro a sua plenitude, o seu complemento, a sua realização perfeita, seja espiritual, seja fisicamente.

Nem é preciso dizer o quanto essa ideia soa agradável às mentes românticas e aos casais apaixonados. A literatura sempre esteve repleta de histórias de “almas gêmeas”, as músicas em todo canto melodiam suas aventuras e desventuras, e tudo isso ganha ainda mais vida, hoje, nas telas do cinema.

Sonhos, quem não os tem? Importa, porém, que até aquilo com que sonhamos tenha os pés bem cravados na realidade da nossa natureza, sob o risco de darmos crédito a ilusões, projetando o impossível e passando a vida numa ansiedade sem fundamento e numa decepção que poderiam muito bem ter sido evitadas por um simples exercício de racionalidade e uma sadia religiosidade.

O que as “almas gêmeas” não podem ser

Basta lembrar que, não muito tempo atrás, uma novela da Rede Globo, com o nome Alma Gêmea, contava a história do amor “eterno” de um homem e uma mulher separados de maneira trágica e que, após 20 anos, voltaram a se reencontrar quando ela se “reencarnou” no corpo de outra pessoa. Ou seja, por trás do aparentemente belo caso de duas “almas gêmeas” o que estava sendo propagado eram, na verdade, os erros de uma falsa religião.

De fato, a teoria da “alma gêmea” é muito conveniente a um credo como o espiritismo, para o qual não passamos de um espírito habitando um invólucro físico. Em tempos de hedonismo e materialismo como os nossos, então, a ideia torna-se ainda mais sedutora. 

Ora, que a essência do bom amor humano deva ser de fato espiritual, interna, e que a união das inteligências e das vontades seja muito mais importante do que a união dos corpos, é uma coisa; agora, que sejamos apenas espíritos, como se fossem descartáveis os nossos corpos, já é outra coisa bem diferente. Contra esses erros antigos, a Igreja sempre ensinou que o ser humano é corpore et anima unus, “uno de corpo e alma” (Catecismo da Igreja Católica, n. 364); e que, por mais que na morte nossas almas se separem dos nossos corpos, esse estado é provisório, pois no fim dos tempos, assim como se deu com Nosso Senhor Jesus Cristo, nossa carne ressuscitará e viveremos para sempre com nossos corpos glorificados

Numa sadia teologia cristã, portanto, a “alma gêmea” deveria abranger o todo do ser humano: alma sim, mas também corpo. É por “desencarnar” demais o amor que chegamos em nossa época a loucuras como a ideologia de gênero, para a qual pouco importa a corporeidade, e até mesmo a complementaridade afetivo-sexual entre homem e mulher é posta em questão (podendo a “alma gêmea” de um homem ser outro homem; e a de uma mulher, outra mulher).

Em última instância, o próprio sacramento do Matrimônio, com sua indissolubilidade, seus votos de fidelidade e suas exigentes obrigações, encontra-se gravemente ameaçado por essa confusão. Um homem ou uma mulher insatisfeitos em seu casamento podem muito bem se servir do artifício romântico das “almas gêmeas” para fugir das dificuldades inerentes a qualquer relacionamento humano e se aventurar em casos extraconjugais. As alegações podem ser as mais variadas: “O outro não me faz feliz”, “A paixão acabou”, “Encontrei alguém melhor” etc. As consequências objetivas desse subjetivismo todo são bem conhecidas: divórcios, lares arrasados, casais em situação de pecado, filhos órfãos. Uma tragédia, em suma.

Contra essa armadilha sentimentalista, o autor d’O Senhor dos Anéis escrevia a seu filho que: 

Quando o deslumbramento desaparece, ou simplesmente diminui, eles [os casados] acham que cometeram um erro, e que a verdadeira alma gêmea ainda está para ser encontrada. A verdadeira alma gêmea com muita frequência mostra-se como sendo a próxima pessoa sexualmente atrativa que aparecer. Alguém com quem poderiam de fato ter casado de uma maneira muito proveitosa “se ao menos…”. Por isso o divórcio, para fornecer o “se ao menos…”.

E, é claro, via de regra eles estão bastante certos: eles cometeram um erro. Apenas um homem muito sábio no fim de sua vida poderia fazer um julgamento seguro a respeito de com quem, entre todas as oportunidades possíveis, ele deveria ter casado da maneira mais proveitosa! Quase todos os casamentos, mesmo os felizes, são erros: no sentido de que quase certamente (em um mundo mais perfeito, ou mesmo com um pouco mais de cuidado neste mundo muito imperfeito) ambos os parceiros poderiam ter encontrado companheiros mais adequados. 

Mas a “verdadeira alma gêmea” é aquela com a qual você realmente está casado. Na verdade, você faz muito pouco ao escolher: a vida e as circunstâncias encarregam-se da maior parte (apesar de que, se há um Deus, esses devem ser seus instrumentos ou suas aparências). [...] Neste mundo decaído, temos como nossos únicos guias a prudência, a sabedoria (rara na juventude, tardia com a idade), um coração puro e fidelidade de vontade.

As referências de J.R.R. Tolkien ao nosso “mundo decaído” devem fazer-nos lembrar de outra coisa: não há seres humanos perfeitos e impecáveis neste mundo, capazes de nos satisfazer plenamente em nossas carências, necessidades e tudo o mais. “Alma gêmea”, nesse sentido estrito, não existe nem poderá existir.

E não só por causa da nossa situação após a Queda… Se a compreendêssemos bem, é verdade, já seria meio caminho andado, pois “ignorar que o homem tem uma natureza lesada, inclinada ao mal, dá lugar a graves erros no campo da educação, da política, da ação social e dos costumes” (Catecismo da Igreja Católica, n. 407). Sim, se entrássemos num relacionamento qualquer com a expectativa correta, isto é, não a de que o outro nos fará felizes, mas a de que será uma companhia, um auxílio na jornada deste “vale de lágrimas”, poderíamos evitar muitas decepções e dores de cabeça.

Mas, ainda que não estivéssemos manchados pelo pecado, o fim último para o qual fomos feitos é Deus. Parafraseando Santo Agostinho, inquieto estará o nosso coração enquanto não repousar nele. Por mais que, nesta vida, os homens e as mulheres se casem e se dêem em casamento, nós fomos feitos para outro “casamento”: nossa união eterna com Deus, no Céu. 

Por isso, contra a ideia de que haveria alguém neste mundo, escondido em algum buraco, que poderia ser a plenitude, a realização e o complemento perfeito do nosso ser, a doutrina moral cristã sempre nos adverte: o único “felizes para sempre” possível é com Nosso Senhor, na vida eterna. Aqui simplesmente não acontecerá, com ninguém. Até porque… que “para sempre” poderia haver em uma existência destinada a findar-se com a morte? 

As “almas gêmeas” numa visão cristã

Pode haver, entretanto, uma via ortodoxa de se compreender a teoria das “almas gêmeas”.

A começar pela ideia de perenidade sugerida pela expressão: no cristianismo, o amor entre um homem e uma mulher os faz unir-se com toda a força (transformando-os em “uma só carne”), sendo algo destinado a durar por toda a vida (“até que a morte os separe”) e a aperfeiçoar-se no Céu. É a antítese perfeita do hábito moderno do sexo casual, do divórcio e do recém-criado “poliamor”. Nesse sentido, muito melhor as “almas gêmeas” do que as “soltas” e “itinerantes”.

S. Luís e S. Zélia Martin, modelos para os casais.

Além disso, se por “alma gêmea” se entende, dentro de uma visão de mundo cristã, uma pessoa que Deus predestinou, desde toda a eternidade, para se casar com você, e para que vocês passassem a vida juntos a fim de um ajudar o outro a chegar à verdadeira “terra sem males”, que é o Céu… acreditar nisso não é simplesmente extensão de nossa fé na Providência divina, que cuida de seus filhos com muito mais desvelo que dos pássaros do céu e das ervas do campo? 

Como duvidar, por exemplo, olhando para um São Luís e uma Santa Zélia Martin, que Deus realmente predestinou os dois para se encontrarem, formarem a família que formaram e darem à Igreja uma Santa Teresinha do Menino Jesus? Ou que Deus desde toda a eternidade havia preparado Maria Santíssima para São José, e José para Maria, a fim de se santificarem mutuamente, educarem o Verbo de Deus feito carne e cooperarem na obra da Redenção? 

À luz dessa visão sadia da realidade, seria perfeitamente cabível não só falar de “almas gêmeas”, mas também rezar para que elas se encontrem, formem santas amizades e, para o bem da Igreja e da humanidade, se unam em santo Matrimônio! Como ensina o sempre oportuno mons. Tihamer Toth:

Os que desejam se unir para sempre devem antes examinar se eles se convêm um ao outro, como duas metades de um coração dividido em dois. Tem o homem o sentimento de suas imensas responsabilidades? A mulher ama o seu lar? E, principalmente, anima-os um fervoroso amor de Deus?

Milhares e milhares de corações palpitam neste velho globo terrestre. Corações ardorosos e frementes de moços e moças. Para cada coração de jovem, Deus criou o coração de uma jovem, e tanto a felicidade de cada um, como o interesse geral, a boa ordem social, a paz da vida humana, a sorte temporal e eterna, dependem do encontro da cada coração com o outro que Deus lhe criou (Casamento e Família, p. 71).

Essas linhas são tão belas quanto verdadeiras. Deus tem um plano para todos os seus filhos. Se Ele, portanto, realmente chamou você para o Matrimônio e se “para cada coração de jovem, Deus criou o coração de uma jovem”, é preciso que você, moça, e você, rapaz, procure seu companheiro e companheira em Deus, pois é no Coração dele que estão, desde sempre, o seu “José” ou a sua “Maria” (ainda que, certamente, você não deva esperar ninguém concebido sem pecado original…).

Diante de tudo isso, o termo “alma gêmea” não passa de licença poética… Não veremos essa expressão nem nas Escrituras nem na Tradição nem em documentos magisteriais. O floreio e o romantismo, a Igreja os deixa aos poetas; a ela, propriamente, o que cabe é alertar-nos, a fim de que, como já dito, nossos projetos e orações estejam bem calcados na realidade das coisas, e não em sonhos quiméricos ou em ideias religiosas falsas, que só o que farão é tornar-nos infelizes, nesta e na outra vida.

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A Missa é a Missa, “seja lá como for”?
Liturgia

A Missa é a Missa, “seja lá como for”?

A Missa é a Missa, “seja lá como for”?

Sim, a Sagrada Eucaristia é sempre a Sagrada Eucaristia, mas e nós? Estamos nos acercando deste augusto mistério com a reverência, o temor, a concentração e a efusão de beleza devidas ao Santíssimo Sacramento?

Peter KwasniewskiTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere23 de Agosto de 2019
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É comum que os católicos amantes da liturgia tradicional — ou que pelo menos desejam ver a moderna celebrada em clara continuidade com a precedente — ouçam de algumas pessoas algo parecido com isto:

Você está fazendo muito caso de coisas marginais. Não importa a forma ou o estilo, é a mesma Eucaristia, não? No latim ou em língua vernácula, Tridentina ou Novus Ordo, cantada ou rezada, em um auditório na América ou em uma catedral na Europa, a Eucaristia ainda está presente, e ainda somos alimentados por ela. Comparado a isso, nada mais realmente importa, não acha? O resto é acidental, externo, discutível, mutável. Na verdade, alguém que se prende a cerimônias, rubricas, cantos e por aí vai, só demonstra estar alheio ao que é essencial. Afinal de contas, seja como for, a Missa é a Missa.

O problema com essa forma de pensar é que ela subestima radicalmente quer a influência que tem sobre aquilo em que cremos o modo como adoramos (lex orandi, lex credendi), quer a disposição em que nos é capaz de colocar para receber Nosso Senhor um espírito correto de adoração e humildade. Ela reflete a antropologia materialista moderna onde nada importa a não ser “finalizar o trabalho”; se ele é feito de maneira nobre ou medíocre parece não fazer a mínima importância. Ela demonstra, ainda, uma incrível ingenuidade quanto à sutil interseção da economia sacramental com a psicologia humana. E representa, por fim, uma ruptura com vinte séculos de pensamento e prática católicas.

Sim, a Sagrada Eucaristia é sempre a Sagrada Eucaristia, mas e nós? Estamos nos acercando deste augusto mistério com a reverência silenciosa, o temor vivo de Deus, a solene concentração e a generosa efusão de beleza que são devidas ao Sanctissimum? E se não estamos, por que não o fazemos? O que isso diz a respeito da pureza da nossa fé e do ardor da nossa caridade? Teriam os sagrados mistérios cessado de nos impressionar, de nos encher de admiração, de nos colocar de joelhos, de requerer o melhor da nossa cultura? Com quem temos brincado — com Deus ou com nós mesmos? 

A Missa é sempre a Missa no que diz respeito à confecção da Eucaristia, mas uma Missa que tem como marca a reverência e a solenidade é muito diferente para nós e para o nosso relacionamento com Deus do que uma Missa rápida e insípida, ou uma que seja longa e cheia de abusos. Na verdade, se deformamos demais os aspectos ditos “externos” da Missa, terminamos por minar nossa fé na presença real de Jesus na Eucaristia.

O Santíssimo Sacramento é o maior tesouro da Igreja, o seu dom mais precioso, o seu maior mistério, a sua maior fonte de prodígios, o seu segredo mais privilegiado. É o coração pulsante de toda a sua vida apostólica e contemplativa. E o santo sacrifício da Missa é o único meio através do qual esse dom chega até nós, renovado para cada geração de discípulos. Desonre a Santa Missa ou abuse dela, faça-a parecer menos bela e misteriosa do que ela é, e você estará tirando a honra e abusando de ninguém menos que Aquele que vem até nós, e só através dela; você estará deformando a fé e os fiéis.

A música sacra é a veste da palavra — e que bela veste ela deve ser, para ser digna dessa divina pronúncia! O templo é o lugar em que Nosso Senhor eucarístico vem fazer sua morada: Emanuel, Deus conosco. Também ele deve parecer o que de fato é, sem lugar a confusões. Paramentos, objetos, ações rituais — em suma, tudo o que diz respeito à ação litúrgica — devem ser como o Corpo e o Sangue de Cristo: santo, sagrado, separado. Tudo o que não é o Senhor deve ser o seu trono visível, o seu domínio sagrado, belo, solene e admirável, a fim de que tomemos consciência: estamos recebendo nosso Rei quando Ele vem ao seu Reino. 

Por isso, na próxima vez que alguém lhe disser: “A Missa é a Missa, seja lá como for”, considere responder assim: “Jesus não é Jesus, Ele é o Filho de Deus, o Rei de todas as coisas, o Juiz dos vivos e mortos; e a Missa não é a Missa, ela é o santo sacrifício do Calvário presente de novo em nosso meio. E assim como qualquer pessoa sã cairia de joelhos diante de Jesus e daria a Ele o melhor possível de si, nós todos devemos fazer o mesmo com o santo sacrifício da Missa, durante o qual nós verdadeiramente nos prostramos diante do Senhor do céu e da terra — e isso é o mínimo que se deve exigir de todo sacerdote e leigo católico que ousar colocar os seus pés em uma igreja”.

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As pessoas continuarão casadas no céu?
Doutrina

As pessoas continuarão casadas no céu?

As pessoas continuarão casadas no céu?

No céu, o nosso corpo e a nossa alma serão perfeitos e, portanto, também o serão os nossos relacionamentos fundamentais, tanto conjugais como familiares. Eles não serão jogados fora nem simplesmente esquecidos.

Mons. Charles PopeTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere20 de Agosto de 2019
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É comum, depois da morte do marido ou da mulher, que os viúvos me façam perguntas parecidas com esta:

Eu perdi recentemente o meu marido, de 46 anos, e desejo muito reencontrá-lo um dia. Mas algumas pessoas têm-me dito que, com a morte dele, o nosso casamento acabou e que Jesus disse que não seremos mais esposos nem considerados marido e mulher no céu. Para mim, isso é muito difícil de entender. No céu, nós iremos nos conhecer? Haverá entre nós alguma relação especial?

É fácil sentir a dor com que a pergunta é formulada. Trata-se, talvez, de uma dor desnecessária, nascida de uma leitura excessivamente estrita das palavras de Jesus no Evangelho segundo São Marcos. Ali, Jesus está respondendo a uma questão hipotética levantada pelos saduceus sobre uma mulher que fora casada sucessivamente com sete irmãos, nenhum dos quais lhe deu filhos. Os saduceus formulam o problema não tanto para atacar o matrimônio como para mostrar o aparente “absurdo” da ressurreição dos mortos. Jesus contesta da seguinte maneira: 

Vieram ter com ele os saduceus, que afirmam não haver ressurreição, e perguntaram-lhe: “Mestre, Moisés prescreveu-nos: Se morrer o irmão de alguém, e deixar mulher sem filhos, seu irmão despose a viúva e suscite posteridade a seu irmão. Ora, havia sete irmãos; o primeiro casou e morreu sem deixar descendência. Então, o segundo desposou a viúva, e morreu sem deixar posteridade. Do mesmo modo o terceiro. E assim tomaram-na os sete, e não deixaram filhos. Por último, morreu também a mulher. Na ressurreição, a quem desses pertencerá a mulher? Pois os sete a tiveram por mulher”.

Jesus respondeu-lhes: “Errais, não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus. Na ressurreição dos mortos, os homens não tomarão mulheres, nem as mulheres, maridos, mas serão como os anjos nos céus. Mas, quanto à ressurreição dos mortos, não lestes no livro de Moisés como Deus lhe falou da sarça, dizendo: ‘Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó’ (Ex 3, 6)? Ele não é Deus de mortos, senão de vivos. Portanto, estais muito errados” (Mc 12, 18-27).

A primeira coisa que devemos notar é que Jesus se refere ao matrimônio apenas de passagem. Sua resposta à estranha pergunta dos saduceus pretende ser um solene ensinamento sobre a realidade da ressurreição dos mortos. Nela, portanto, Jesus não desenvolve com profundidade uma doutrina sobre a experiência que terão os esposos no céu.

Por isso, não devemos ser apressados e afirmar que um casamento duradouro nesta vida não terá valor algum na futura. No céu, o nosso corpo e a nossa alma serão perfeitos e, portanto, também o serão os nossos relacionamentos fundamentais, tanto conjugais como familiares. Eles não serão jogados fora nem simplesmente esquecidos. Decerto, os que foram casados neste mundo terão no céu uma união muito mais perfeita: eles se entenderão e amarão plenamente e terão uma intimidade espiritual muito maior do que poderiam ter um dia sequer imaginado. E eles estarão assim tão unidos porque, antes de tudo, estiveram unidos a Deus: com, em e por meio de Deus, eles estarão unidos numa união perfeitíssima. Isso também se aplica aos nossos outros relacionamentos familiares e de amizade, cada um segundo o que lhe é próprio e perfeito. Os casados, é claro, o terão em grau supremo, já que os vínculos matrimoniais são abençoados na terra com graças especiais.

Eis o que diz Tertuliano, escritor dos primeiros séculos da Igreja:

Além do que, havemos de estar unidos às nossas falecidas esposas, porque estamos destinados a um melhor estado […], a uma união espiritual […]. Por conseguinte, os que estamos unidos a Deus hemos de permanecer juntos […]. Na vida eterna, portanto, Deus não irá separar os que Ele uniu nesta vida, na qual Ele mesmo proíbe que se separem” (Sobre a monogamia, 10). 

Na verdade, alguns aspectos do matrimônio terminam mesmo com a morte de um dos esposos. Por exemplo, os votos matrimoniais que unem o casal em um relacionamento exclusivo só permanecem válidos até a morte de um deles. Logo, a morte do cônjuge permite, sim, ao esposo supérstite casar outra vez. Em alguns casos, aliás, sobretudo nos nossos tempos, as segundas núpcias podem até ser necessárias aos viúvos por motivos financeiros ou familiares. 

Ora, que o casamento termine quando um dos esposos morre é algo que diz respeito mais às realidades terrenas do que às celestes. Mas daí não se segue que um casamento contraído na terra não tenha mais valor no céu. Mesmo que uma pessoa se case novamente após a morte do primeiro esposo, não há dúvida de que ambos os relacionamentos se tornarão perfeitos no céu, sem exceção. Como a união espiritual entre eles será perfeita, não haverá ciúmes nem ressentimentos entre o primeiro e o segundo cônjuge.

No entanto, ao responder aos saduceus, Jesus afirma claramente que não haverá no céu novos matrimônios. Não haverá nem sinos nem cerimônias, porque o céu já é, por definição, a grande boda entre Cristo e sua Esposa, a Igreja.

Além disso, nesta vida, os homens e as mulheres se dão em casamento, fundamentalmente, para a propagação da espécie humana mediante a geração de novas vidas. E esta necessidade não mais existirá no céu, onde a morte não tem lugar. Os Padres da Igreja enfatizam este ponto em seus escritos:

  • “Com efeito, quando ressuscitarem dentre os mortos, eles já não se casarão nem se darão em casamento, mas serão como os anjos do céu, como disse o Senhor. Haverá certa restauração celeste e angelical à vida, de modo que não mais sofreremos nem mudaremos; e é por esta razão que irá cessar o matrimônio. De fato, este existe agora em função do nosso estado decaído e porque é necessário que as gerações se sucedam. Um dia, porém, seremos como os anjos do céu, nos quais não há sucessão de gerações e cuja raça dura para sempre” (Teofilacto, citado em Catena Aurea).
  • “Na ressurreição, os homens serão como os anjos de Deus, isto é, nenhum homem lá poderá morrer, nenhum irá nascer: não haverá crianças nem velhos” (Pseudo-Jerônimo, citado em Catena Aurea).
  • “Ora, o matrimônio existe para a geração de filhos, estes existem para a sucessão de gerações, e esta é necessária por causa da morte do indivíduo. Ora, onde não há morte, não há casamentos; e, por isso, os filhos da ressurreição serão como os anjos de Deus” (Agostinho, citado em Catena Aurea).

Quanto ao fato de que viveremos como anjos, o Senhor se refere à imortalidade, mas também a que não haverá mais necessidade de relações sexuais. Isso pode parecer frustrante para algumas pessoas, sobretudo nesta nossa época superssexualizada. No entanto, a intimidade entre os esposos no céu será muito maior do que qualquer união meramente física. Haverá entre eles uma alegria tão grande que tornará opacos os demais prazeres. Aqui também os Padres da Igreja são unânimes:

  • “Nosso Senhor nos indica que na ressurreição não haverá relações carnais” (Teofilacto, citado em Catena Aurea).
  • “Dado que será destruída toda luxúria carnal […], os homens se tornarão semelhantes aos santos anjos” (Cirilo de Alexandria, Hom. 136 super Luc.).

Os casais devem olhar com esperança para um relacionamento que será pleno e perfeito no céu, e não uma vaga lembrança. Embora, é verdade, os aspectos jurídicos do matrimônio cheguem ao fim com a morte, a união de vida e corações não passará. Em Cristo, permanece uma conexão espiritual, uma aliança de amor que se estende dos céus à terra, e no céu o Senhor irá com certeza levar à plenitude o que Ele uniu na terra, dando aos esposos uma alegria e união inimagináveis:

Põe-me como um selo sobre o teu coração, como um selo sobre os teus braços; porque o amor é forte como a morte, a paixão é violenta como o Sheol. Suas centelhas são centelhas de fogo, uma chama divina. As torrentes não poderiam extinguir o amor, nem os rios o poderiam submergir. Se alguém desse toda a riqueza de sua casa em troca do amor, só obteria desprezo (Ct 6, 7-8).

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Cinco lições que a Assunção tem a nos ensinar
Virgem Maria

Cinco lições
que a Assunção tem a nos ensinar

Cinco lições que a Assunção tem a nos ensinar

A bela festa da Assunção da bem-aventurada Virgem Maria é um dos “lembretes” mais poderosos do nosso glorioso destino e do poder infinito de Deus para nos levar de volta para casa.

Peter KwasniewskiTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere16 de Agosto de 2019
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Diante da enxurrada de males que inundam hoje a Igreja de Cristo, acabamos facilmente perdendo de vista o que deve ser para nós um consolo e estímulo constantes à prática da virtude: a única finalidade dos nossos esforços é a vida eterna no Reino de Deus, a Jerusalém celeste, a Igreja em sua perfeição materna e imaculada, junto de Nosso Senhor, de Nossa Senhora e de todos os anjos e santos.

O caminho que devemos percorrer até lá chegar é a caridade e a busca da santidade. E a belíssima festa da Assunção da bem-aventurada Virgem Maria é um dos “lembretes” mais poderosos do nosso glorioso destino e do poder infinito de Deus para nos levar de volta para casa.

Esta festa tem muito a ensinar; consideremos, porém, somente cinco coisas:

1) Em primeiro lugar, não temos morada definitiva nesta terra, este vale de lágrimas mortal, passageiro, infestado de pecados. Em sua imutável eternidade, Deus pensou em cada um de nós, criou-nos para si mesmo e colocou-nos no jardim deste mundo para cultivá-lo e guardá-lo, até que chegasse o momento de conduzir-nos àquele grande e belo paraíso do qual este mundo é sombra opaca, ou precipitar-nos para todo o sempre no inferno, por causa da nossa preguiça, desobediência e desprezo pelo chamado que nos fizera o nosso Criador.

Mas por que — alguém poderia pensar — temos nós de permanecer neste mundo por algum tempo antes de sermos elevados à morada eterna dos santos? Os seres humanos, sendo criaturas racionais, devem alcançar seu próprio fim passo a passo, e não de imediato, com um único ato (como foi o caso dos anjos, logo após serem criados). A condição humana, tal como Deus a quis, consiste em crescer até a maturidade, em crescer no conhecimento e na entrega de si mesmo. A nossa vida na terra, portanto, é uma escola de virtudes, de oração e amor, é um período de prova para saber o que realmente valemos e para onde queremos ir por toda a eternidade. E vemos que Nossa Senhora foi a melhor aluna desta escola: é aquela que escutou o Pai, recebeu sua Palavra e a deu livremente ao mundo.

A Assunção da Virgem, pintada por Murillo.

2) Em segundo, a nossa condição real não é a de um fantasma, nem a de uma ideia ou de um anjo, puramente espiritual. Não, somos feitos de carne e osso, somos o ponto de encontro entre o visível e o invisível. O Verbo se faz carne para redimir e divinizar este animal racional que somos nós, para lhe aperfeiçoar tanto a racionalidade como a animalidade. Em Cristo ressuscitado vemos, pois, perfeição tanto de espírito como de matéria. Eis aí o nosso destino: ressuscitar dos mortos, com nossas carnes íntegras e nossa alma unida ao corpo — a pessoa humana inteira, criada por Deus do pó da terra e insuflada com o sopro divino.

É o que já aconteceu com a Virgem Maria: ela, que não conheceu a corrupção do pecado, não havia de conhecer a corrupção do sepulcro; ela, em cujo ventre habitou a Palavra viva e vivificante, não havia de ser acorrentada pela morte: antes, pelo contrário, em toda a beleza de sua natureza humana, intacta, íntegra e cheia de graça, ela foi assunta em corpo e alma à glória do céu, tendo já alcançado plenamente a promessa da ressurreição.

3) Em terceiro lugar, a festa da Assunção nos ensina que as leis da natureza, por terem em Deus sua origem última, não limitam o poder e a vontade divina. Nossa Senhora foi elevada aos céus, contrariando assim o que chamamos de “leis físicas”, mas em total harmonia com a lei suprema que é a vontade de Deus. Ela entrou em outra dimensão, que não é medida pelo movimento de corpos corruptíveis e pelo tempo que eles levam para ir de um lugar a outro, uma dimensão muito acima do nosso espaço e tempo. Assim também aconteceu com Nosso Senhor em sua Ascensão, isto é, quando Ele subiu ao céu e “uma nuvem o ocultou aos olhos” dos Apóstolos (At 1, 9). Foi o jeito que o evangelista encontrou de dizer que Jesus saiu deste mundo criado e entrou na dimensão própria de Deus, a sua “terra pátria”, misteriosa e inefável, oculta a olhos mortais, mas agora aberta, graças à sua Paixão e Cruz, a quantos forem salvos.

4) Em quarto, a festa de hoje nos ensina a enorme dignidade do corpo humano, templo do Espírito Santo, que não deveríamos nunca profanar com lascívia ou impureza, desfigurar com mutilação e tatuagens, destruir com vícios e indolências, idolatrar com certa obsessão por esportes e exercícios, nem aparentemente desprezar pela cremação de seus restos mortais. O corpo é a digníssima morada de uma alma imortal e do Corpo de Cristo na Santíssima Eucaristia; é o digníssimo instrumento de que Deus se serve para transmitir a vida humana; é o meio essencial por que realizamos obras de caridade espiritual e material. E é este mesmo corpo que há de ressuscitar no último dia. Não é o corpo, contudo, que nos faz humanos nem aquilo em virtude do qual nos tornamos filhos de Deus: isto quem o faz é a nossa alma espiritual, que dá vida ao corpo e, por meio dos sacramentos, recebe o dom da graça santificante. Reconhecer o valor do corpo à luz de sua ordenação à alma e à vida eterna é a chave para debelar vários males atuais que tão mal fazem à carne.

5) Em quinto e último lugar, a Assunção nos revela que Nossa Senhora está perto, muito perto de Nosso Senhor: ela vê nossas necessidades e intercede por nós junto a Ele, assim como fizera outrora nas bodas de Caná: “Eles não têm mais vinho”. Ela sabe do que precisamos, ela escuta os pedidos de seus filhos e lhes providencia o necessário, como faria toda mãe amorosa, e ela é a mais amorosa de todas. E Jesus, que já sabe do que precisamos, como já sabia da falta de vinho nas bodas de Caná, está disposto a ouvir sua Mãe, dando-lhe assim a dignidade de cooperar para a nossa salvação.

A Assunção, pois, traz Nossa Senhora para mais perto de nós do que nunca, justamente por elevá-la para junto do Senhor, que está presente sempre e em todos os lugares. Não temos nada a temer, porque temos uma Mãe tão atenciosa e um Redentor tão generoso.

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