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Por que entrarei para um mosteiro em 2021?
Testemunhos

Por que entrarei
para um mosteiro em 2021?

Por que entrarei para um mosteiro em 2021?

Vivemos numa “época sem precedentes”. É por isso que, seguindo o precedente de São Bento, Santa Catarina e Santa Teresinha, entrarei para um mosteiro em 2021. Porque às vezes precisamos abandonar o mundo para amá-lo.

Gretchen ErlichmanTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere6 de Maio de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
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Vivemos numa “época sem precedentes”. Esta frase, repetida com tanta frequência, não apenas tomou as manchetes dos jornais e adornou os lábios de muitos apresentadores, mas também se tornou um mantra sempre presente em nossos encontros cotidianos. “Época sem precedentes” descreve o desconcertante conglomerado de caos político, tensões religiosas e uma sociedade conduzida por uma pandemia.

Porém, são precisamente épocas como esta que estabelecem um precedente para vocações à vida contemplativa: o Império Romano desmoronava, enquanto S. Bento compunha sua regra monástica. O Grande Cisma do Ocidente atormentava o papado, enquanto S. Catarina de Siena fazia penitência pela regeneração da Igreja. As religiosas do Carmelo de Lisieux morriam de gripe asiática, enquanto S. Teresinha rezava pela saúde e regeneração da Europa.

Em poucos meses, seguirei esse precedente, deixando para trás a vida que conheço a fim de entrar como postulante entre as irmãs dominicanas contemplativas do Mosteiro de Nossa Senhora das Graças, em North Guilford, Connecticut. Para mim, essa parece ser a melhor resposta que posso dar ao nosso atual contexto social e à vida, em sentido mais amplo.

Mas talvez essa ideia não seja tão bem compreendida quanto eu esperava. Ao compartilhar essa intenção com outras pessoas, tenho recebido de amigos, familiares, conhecidos e estranhos um número cada vez maior de perguntas em tom de perplexidade, todas elas questionando minha decisão de entrar para um mosteiro. — Por que eu faria isso justamente agora? Por que eu gostaria que minha última experiência do “mundo” fosse a de uma sociedade conduzida por uma pandemia? Por que, em meio ao caos do ambiente político e religioso desta época, eu me trancaria num claustro? — Alguns sugerem que uma pessoa só faria tal escolha com o objetivo de fugir dos problemas do mundo. Outros veem nisso uma negação heróica das coisas “mundanas”. Essas respostas erram o alvo.

É justamente o desejo de me dedicar a esta “época sem precedentes” que fortalece minha determinação de buscar uma vida como religiosa dominicana contemplativa. Não entrarei num mosteiro para fugir do mundo nem para mostrar uma falsa piedade. Entrarei na vida religiosa a fim de seguir a minha vocação particular, através da qual poderei realizar mais perfeitamente minha missão como membro cristã da sociedade humana. Ao renunciar às coisas do mundo, uma religiosa afirma de modo radical a realidade do bem e do mal no mundo. Ao entrar para o claustro, ela se torna livre para penetrar com mais profundidade o sofrimento de um mundo que sofre. E, ao fechar os olhos na oração, ela é capaz de abrir seu coração para um mundo desesperadamente carente.

Um dos lemas da Ordem dos Pregadores é contemplare et contemplata aliis tradere (“contemplar e transmitir aos outros as coisas contempladas”). Depois de discernir pela primeira vez a respeito da vida contemplativa, não sabia ao certo como esse lema se manifestaria na vida de uma irmã de clausura. Hoje, compreendo que é por meio de uma vida contemplativa que me comprometerei de modo pleno e frutífero com um mundo sofredor. Por meio de uma vida de oração e penitência e afastada do mundo, uma irmã contemplativa está intimamente unida em solidariedade àqueles que sofrem no mundo. Esta solidariedade é definida pela oferta plena de si em prol de um bem muito maior do que ela mesma; é um derramamento de sua vida de oração e penitência pelo bem comum do mundo ao redor dela. É por meio desta solidariedade que ela cumpre sua vocação: contemplare et contemplata aliis tradere.    

O Papa S. João Paulo II afirma exatamente isso em sua carta apostólica Salvifici doloris:

É necessário, portanto, cultivar em si próprio esta sensibilidade do coração, que se demonstra na compaixão por quem sofre. Por vezes esta compaixão acaba por ser a única ou a principal expressão do nosso amor e da nossa solidariedade com o homem que sofre (...) Pode-se dizer mesmo que se dá a si próprio, o seu próprio “eu”, ao outro. Tocamos aqui um dos pontos-chave de toda a antropologia cristã. O homem “não pode encontrar a sua própria plenitude a não ser no dom sincero de si mesmo”. Bom Samaritano é o homem capaz, exatamente, de um tal dom de si mesmo (n. 28).

Toda pessoa é chamada a viver uma manifestação específica desse “sincero dom de si” por meio de sua vocação pessoal: os pais sacrificam o próprio conforto em prol dos filhos; os profissionais da saúde põem as próprias vidas na linha de frente em prol da saúde e do bem-estar dos outros; os membros do clero são obrigados a viver à altura do desafio de viver e pregar a verdade, não importa a que custo. Eu, junto com minhas futuras irmãs, sou chamada a participar de todos esses sofrimentos de modo sobrenatural, por meio do dom da vida contemplativa.

Religiosas contemplativas são chamadas a oferecer orações pela mãe exausta que não consegue rezar após uma noite em claro com seu filho; a fazer penitência pelo homem que está morrendo sozinho e precisa da graça da conversão; a ajoelhar-se diante do Santíssimo Sacramento e implorar pela paz em nossa nação e pela fertilidade da Igreja. Como religiosa, usarei minha vida para unir todos esses sofrimentos ao sofrimento de Cristo na cruz. Cristo fez-se homem e sacrificou sua vida humana pela salvação da humanidade. Dentro das muralhas do mosteiro, religiosas sacrificam suas próprias vidas humanas e as unem à de Cristo, levando assim toda a humanidade para Ele, e Ele para toda a humanidade.  

Assim que eu entrar no mosteiro, minha “janela” para o mundo consistirá numa pequena abertura na grade da capela onde está o ostensório com o Santíssimo Sacramento. Literalmente, verei o mundo exterior através de Cristo. Que expressão perfeita da vida religiosa que eu desejo buscar! G. K. Chesterton escreveu o seguinte: “O voto é para o homem o que o canto é para o pássaro ou o latido para o cão; é a voz pela qual ele é conhecido” (The Barbarism of Berlin). É na busca por uma vida com os votos de pobreza, castidade e obediência no interior das silenciosas muralhas do claustro que desejo ser escutada.

Por isso, estou seguindo o precedente de S. Bento, S. Catarina e S. Teresinha nesta “época sem precedentes” e entrarei para um mosteiro em 2021. Porque às vezes precisamos abandonar o mundo para amá-lo.

Notas

  • A fotografia acima, é da profissão da Irmã Maria Teresa do Sagrado Coração, religiosa dominicana no Mosteiro de Nossa Senhora do Rosário, em Summit, Nova Jersey. Créditos: Toni Greaves.

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A obra-prima do Artista divino
Espiritualidade

A obra-prima do Artista divino

A obra-prima do Artista divino

Ao contrário dos escultores humanos, Deus não trabalha com matéria morta. Não somos um bloco de mármore ou uma massa de argila sem vida. O divino Artista nos deu a liberdade de corresponder (ou não) aos golpes de seu cinzel e ao suave toque de seus dedos.

Elizabeth A. MitchellTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere11 de Junho de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
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Dizem que Michelangelo era capaz de ver as figuras que ele esculpia através dos rudes blocos de mármore. Seu trabalho como escultor consistia em libertar a obra de arte da pedra e fazer a imagem vir à tona. Em correspondência praticamente perfeita com o arquétipo na mente de Michelangelo, sua imagem de Nossa Senhora da Piedade (a Pietà), dolente, silenciosa e amorosamente abandonada à Paixão de Nosso Senhor, irradia o poder de uma obra-prima.

O mesmo se dá com as imagens vivas trabalhadas pelo Artista divino.

O Senhor vê através de cada um de nós sua própria esperança pelo cumprimento perfeito de tudo o que Ele nos criou para ser. Para cada ser humano, há um arquétipo divino dentro do coração de Deus. Nós nos tornamos, em maior ou menor medida, a pessoa que Ele nos chamou a ser, e quando correspondemos mais de perto a seu perfeito ideal para nossas vidas, também nos tornamos uma obra de arte.

E há, todavia, uma diferença. Deus, o divino Artesão, não trabalha com matéria inanimada. Não somos um bloco de mármore ou uma massa de argila sem vida. Nosso Senhor infundiu em nós o seu Espírito Santo, deu-nos a liberdade de corresponder (ou não) a seus golpes artísticos. O gênio amoroso de nosso divino Artesão é que Ele trabalha com matéria viva, que respira e possui livre-arbítrio.

Santa Edith Stein trata desta colaboração entre o Artista divino e sua obra de arte viva no poema espiritual I Am Always in Your Midst [“Eu estou sempre em vosso meio”]:

O eterno Artesão… não mexe com matéria morta;
Na verdade, a sua maior alegria criativa é
Que, debaixo de sua mão, a imagem mexe,
Que a vida, para encontrá-lo, se derrama.
A vida que ele próprio colocou dentro dela
E que agora desde dentro lhe responde
Aos golpes de cinzel ou ao suave toque do dedo.
Assim ajudamos Deus em sua obra de arte [1].

“Aos golpes de cinzel ou ao suave toque do dedo”. Nós sabemos os momentos em que o Mestre Artesão nos molda com seu martelo. Já sentimos a natureza dura e contundente dos golpes. Quantas vezes não nos desviamos para evitar sua mira precisa e perfeita! E, então, o seu dedo acaricia. O fino acabamento é acrescentado imperceptivelmente com o menor e mais suave de seus pincéis.

O resultado desta colaboração é o esplendor da alma humana trazida para perto da beleza divina por meio da graça, imagens vivas que declaram o divino Amor ao qual corresponderam, ultrapassando até mesmo as mais impressionantes obras de arte materiais. E nós todos reconhecemos uma tal obra-prima, quando a encontramos.

As imagens vivas que encontrou ao longo de sua conversão chamaram Santa Edith Stein a refletir sobre a origem delas. Em Frankfurt, enquanto pretendia visitar os museus e a catedral, ela se viu paralisada diante de uma mulher que havia simplesmente se ajoelhado para rezar: 

Nós paramos na catedral por alguns minutos e, enquanto olhávamos ao redor com respeitoso silêncio, uma mulher carregando uma cesta de mercado apareceu e se ajoelhou em um dos bancos para rezar rapidamente. Aquilo foi algo inteiramente novo para mim… Jamais pude esquecer isso.

Essa modesta mulher não ficaria sabendo jamais do impacto profundo que seu ato de fé diário teria sobre uma grande mente filosófica à procura da verdade. Não foi um argumento teológico que convenceu Edith Stein da pessoa de Cristo, mas a conversa que ela testemunhou entre uma dona de casa e o seu Senhor.

Antes de entrar na vida religiosa, Edith Stein; antes de entrar na vida definitiva, Santa Teresa Benedita da Cruz.

Mais tarde, a própria Edith Stein se tornaria uma imagem viva, em sua disposição de sofrer o martírio no campo de concentração em Auschwitz. Durante suas horas finais, ela confortava as crianças cujas mães, perturbadas, não conseguiam lhes dar os cuidados convenientes. Conta-se, de fato, que em seus atos de amor e misericórdia ela parecia “uma Pietà viva”, ao carregar aquelas crianças sofridas nos braços, no lugar de Cristo. Com isso, ela dava testemunho pleno de sua fé no Senhor ao qual havia entregado a própria vida.

Nossa Senhora mesma, devotada tão profundamente ao Espírito Santo, viveu como uma obra-prima da Vontade Sacratíssima do Senhor em cada momento de sua vida. Seu Coração sempre foi um com o divino Coração. Sob o seu Imaculado Coração, o Coração divino tomou a carne de um coração humano. Assim, onde quer que estivesse Nossa Senhora, ali a vontade perfeita do Senhor para sua vida se fazia manifesta. Sua entrega fiel e de fé traz os nossos corações ao Coração de seu divino Filho, dispondo-nos a abraçar com total confiança o melhor e mais santo plano de Amor do Pai.

A força de uma tal obra-prima exige uma resposta à altura. Não podemos parar diante do vidro do museu, admirar a imagem e continuar nosso caminho. Precisamos ser mudados interiormente. Escreve Edith Stein: 

Dificilmente haverá um artista que, crendo, não tenha se sentido compelido a retratar Cristo na cruz ou carregando a cruz. Mas o Crucificado exige do artista mais que uma mera representação de sua imagem. Ele exige que o artista, assim como qualquer outra pessoa, o siga: que ele, ao mesmo tempo, se transforme e permita a si mesmo ser transformado numa imagem daquele que carrega a cruz e é crucificado.

Quando nós re-criamos dentro de nossas próprias vidas a verdade e a beleza que a imagem revelou, nós refletimos uma vez mais o majestoso esplendor da magnífica arte de Nosso Senhor. O próprio Cristo mostrou o caminho. Oferecendo a si mesmo aos golpes de martelo do guarda romano no monte Calvário, sua imolação se torna a nossa Redenção. A lança do centurião perfura-lhe o lado, do qual sangue e água jorram como sinal de purificação e da vida de seu Coração glorioso e trespassado, sempre pronto a acolher-nos.

Através dele nós vislumbramos o caminho perfeito. Com Ele, respondemos ao seu chamado, adorando, louvando e correspondendo à graça de sua Santa Cruz, a obra-prima de amor por meio da qual Ele redimiu o mundo.

Notas

  1. The eternal Artist… does not work on dead material; / His greatest creative joy in fact is / That under his hand the image stirs, / That life pours forth to meet him. / The life that he himself has placed within it / And that now answers him from within / To chisel blows or quiet finger stroke. / So we collaborate with God on his work of art. A tradução que fizemos foi feita a partir da versão inglesa do poema.

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Religiosa morta em sacrifício satânico é beatificada pela Igreja
Santos & Mártires

Religiosa morta em
sacrifício satânico é beatificada pela Igreja

Religiosa morta em sacrifício satânico é beatificada pela Igreja

Morta por ódio à fé, a religiosa italiana Maria Laura Mainetti teve seu martírio reconhecido pela Igreja. Ela foi vítima de “três meninas influenciadas por uma seita satânica”. As três haviam recebido aulas de catequese da irmã, quando mais novas.

Carol GlatzTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere10 de Junho de 2021Tempo de leitura: 3 minutos
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Uma religiosa brutalmente esfaqueada em um sacrifício satânico foi beatificada como mártir no dia 6 de junho, na cidade do norte da Itália na qual ela servia.

O Papa Francisco exaltou a beatificação da irmã Maria Laura Mainetti, 60 anos, membro da Congregação das Filhas da Cruz, depois de rezar o Angelus no mesmo dia com peregrinos reunidos na Praça de São Pedro:  

[Ela foi] assassinada há vinte e um anos por três meninas influenciadas por uma seita satânica. Que crueldade! Precisamente ela, que amava os jovens mais do que qualquer outra coisa, e que amou e perdoou aquelas mesmas meninas, prisioneiras do mal. A irmã Maria Laura deixa-nos o seu programa de vida: “Fazer cada pequena coisa com fé, amor e entusiasmo”.

A cerimônia de beatificação aconteceu em Chiavenna, na diocese de Como, onde a irmã serviu como professora, catequista e líder de sua comunidade religiosa.

A irmã Maria Laura Mainetti, agora beata.

O Cardeal Marcello Semeraro, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, presidiu a cerimônia de beatificação e a Missa. No altar havia um relicário contendo uma pedra manchada com o sangue da beata; o material foi encontrado no lugar de seu assassinato. 

O Cardeal disse que a religiosa pediu a Deus a graça da “verdadeira caridade”, que significa amar a Deus mais que a si mesmo e ao próximo como a si mesmo.

Nascida em 20 de agosto de 1939, perto de Milão, ela sentiu o chamado à vocação religiosa depois que um padre lhe disse: “Tu deves fazer algo de belo pelos outros”.

Ela começou a dar aulas em 1960, em escolas elementares cuidadas por sua congregação, em diferentes cidades da Itália. Dedicou sua vida a prestar auxílio a pessoas marginalizadas, como dependentes químicos, delinquentes juvenis, miseráveis e prostitutas.

As assassinas da irmã Maria Laura foram três garotas que tiveram aulas de catequese com ela quando mais novas. De acordo com o depoimento que deram ao tribunal, as adolescentes — uma com 16 e duas com 17 anos — queriam sacrificar uma pessoa religiosa a Satanás e escolheram a irmã, ao invés do pároco, por ela ser franzina e mais fácil de atacar.

As três haviam planejado esfaquear a religiosa seis vezes para indicar o número bíblico da Besta, em 6 de junho de 2000, o sexto dia do sexto mês do ano.

Quando a atacaram e capturaram, a religiosa rezou pelas garotas, pedindo a Deus que as perdoasse

As jovens mulheres foram condenadas por homicídio, mas receberam sentenças reduzidas pois o tribunal determinou a sua insanidade parcial à época do crime. Liberadas da prisão, elas receberam novas identidades, passando a viver em cidades diferentes da Itália.

Em junho de 2020, o Papa reconheceu o martírio da irmã Maria Laura Mainetti, por ela sua morte in odium fidei, isto é, “por ódio à fé”. Agora, a canonização da religiosa depende do reconhecimento de um milagre atribuído a sua intercessão.


[Comentário de nossa equipe: Por que “as adolescentes queriam sacrificar uma pessoa religiosa a Satanás”? Porque queriam ajuntar ao crime de homicídio um pecado de sacrilégio. Pode ser que, aos olhos da Justiça secular, essa distinção tenha pouca importância. Mas, para as pessoas envolvidas com o mundo das trevas, ela faz toda a diferença: é um fato que realmente aumenta a gravidade da falta cometida. 

É por essa mesma razão que o furto das espécies eucarísticas consagradas não é um roubo qualquer; que a ofensa feita a um sacerdote é mais grave que a feita a um simples leigo etc. O que é santo, ou o que foi separado para o culto a Deus, tem maior valor. E o que o demônio puder fazer para “manchar” a obra de Deus, profanando as coisas (ou, no caso, as pessoas) consagradas a Ele, ele fará, como se pode ver.

O que deixa os anjos maus sem dúvida ainda mais revoltados, é que até mesmo os atos pecaminosos que eles incitam, no entanto, terminam redundando na glória de Deus e dos seus santos. Foi justamente o caso desta religiosa, agora beatificada pela Igreja. A brutalidade de que ela foi vítima, o perdão que concedeu a seus algozes na hora da morte, o sacrifício que ela, em seu coração, ofereceu a Deus — enquanto suas assassinas pensavam estar favorecendo o reino de Satanás… Tudo não passou de instrumentos nas mãos da divina Providência.

Para saber mais a respeito da ação dos anjos bons e maus, não se esqueça do curso que Pe. Paulo Ricardo está preparando justamente sobre esse assunto: “Anjos e Demônios”.]

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Corpus Christi não acabou!
Liturgia

Corpus Christi não acabou!

Corpus Christi não acabou!

A Eucaristia é um mistério tão grandioso que, antigamente, a Igreja dedicava uma semana inteira só para meditar a seu respeito. Era a oitava de Corpus Christi, que se encerrava com a festa do Coração de Jesus. Saiba como viver ainda hoje essa tradição.

Equipe Christo Nihil Praeponere9 de Junho de 2021Tempo de leitura: 10 minutos
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Há não muito tempo, a festa de Corpus Christi, assim como a Páscoa, o Natal e Pentecostes, tinha uma oitava [1], como explica neste texto o professor Peter Kwasniewski:

Corpus Christi foi originalmente instituído como uma oitava. Quem quer que acredite que Nosso Senhor está real, verdadeira e substancialmente presente no Santíssimo Sacramento, não seria capaz de celebrar esse “incompreensível mistério de amor” por apenas um dia e então ir embora, como quem risca uma tarefa numa lista de afazeres para cumprir a próxima. Não, é preciso que haja o louvor completo, pleno e pródigo de oito dias: o tempo pára, e nós nos deleitamos na glória do Deus encarnado em nosso meio até que se findem os tempos e cessem os sinais.

É tão óbvio esse instinto eclesial que, quando Nosso Senhor mesmo apareceu a Santa Margarida Maria Alacoque para pedir a instituição de uma festa em honra ao seu Sagrado Coração, Ele especificou que a queria “na sexta-feira depois da oitava de Corpus Christi. É por isso que ela ocorre na sexta-feira da semana seguinte a essa festa. Ela [a festa do Sagrado Coração] manteve seu lugar nos calendários de 1962 e 1969, uma posição que poderia parecer aleatória na ausência da oitava [...].

Ou seja, a festa do Corpo do Senhor [2], na quinta-feira após a festa da Santíssima Trindade, tem uma relação muito próxima com a festa do Sagrado Coração de Jesus, celebrada na sexta-feira da semana seguinte. (Foi em 1955, ainda sob Pio XII, que caiu a oitava de Corpus Christi.)

Neste texto, porém, gostaríamos de apresentar outra razão para que, não obstante a supressão dessa oitava, os fiéis com suas famílias continuem a honrar o Santíssimo Sacramento por mais uma semana — e os sacerdotes, se possível, celebrem nas igrejas Missas votivas em honra desse mistério. O motivo é bem simples e pode ser apresentado nestas cinco expressões: Lauda Sion, Pange lingua, Adoro te devote, Sacris solemniis e Verbum supernum prodiens. Esses são os títulos dos poemas que Santo Tomás de Aquino compôs sobre a Eucaristia, textos de uma riqueza grandiosa, que não podem ser esgotados em um único dia.

Essas pérolas foram escritas em latim, evidentemente, mas possuem versões portuguesas que podem ser encontradas com facilidade na internet. Mas, por belas que sejam as traduções, é sempre melhor acessar e procurar entender os originais latinos, especialmente por terem vindo da pena do “mais santo dos sábios e mais sábio dos santos”.

A sequência de Corpus Christi

Temos, em primeiro lugar, a mais extensa das sequências para Missa que foram preservadas no rito romano: o Lauda Sion, composta de 24 estrofes. É tão longo esse texto que uma alternativa menor é oferecida na liturgia, a começar por sua 21.ª estrofe: Ecce panis angelorum (na tradução litúrgica brasileira: “Eis o pão que os anjos comem”). 

Este canto é um verdadeiro tratado sobre a Eucaristia e um cumprimento quase literal de três de seus versos: Quantum potes tantum aude, quia maior omni laude, nec laudare sufficis (lit., “Quanto podes, tanto ousa, porque é maior que toda loa, nem de louvá-lo és capaz”; na tradução litúrgica brasileira: “Tanto possas, tanto ouses, em louvá-lo não repouses: sempre excede o teu louvor!”). Ou seja, Santo Tomás compôs toda esta sequência em honra ao Santíssimo Corpo do Senhor — e, como vimos, não só esta sequência, mas muitos outros cantos —, e ainda assim não foi o suficiente… Afinal, do próprio Deus presente no Santíssimo Sacramento nunca falaremos o suficiente.

Quod non capis, quod non vides, animosa firmat fides, praeter rerum ordinem (lit., “O que não entendes, o que não vês, garante-o a fé ardente, além da ordem das coisas”; na tradução litúrgica brasileira: “Se não vês nem compreendes, gosto e vista tu transcendes, elevado pela fé”). Essa ideia é uma constante nas composições de Santo Tomás, ressaltando a fé como uma espécie de “sexto sentido”, que supre o defeito dos outros cinco — como diz o Pange lingua: Praestet fides supplementum sensuum defectui (lit., “Seja a fé suplemento ao defeito dos sentidos”; na tradução litúrgica brasileira: “Venha a fé por suplemento os sentidos completar”). 

De fato, quando olhamos para o altar, após a consagração, o que vemos é pão; quando comungamos, tanto a hóstia quanto o vinho consagrados têm gosto de pão e vinho… A fé, porém, nos diz que, pelo milagre da transubstanciação, todo o pão e todo o vinho foram realmente transformados no Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor. Não há mais pão nem vinho, embora nossos sentidos experimentem o contrário. Por isso diz, também, o Adoro te devote: visus, tactus, gustus in te fállitur, sed audítu solo tuto créditur (lit., “Adoro-te com devoção: a vista, o tato, o gosto sobre ti se enganam, mas crê-se sem medo com a só audição”).

Caro cibus, sanguis potus: manet tamen Christus totus, sub utráque specie (lit., “A carne, comida; o sangue, bebida: está porém o Cristo todo sob ambas as espécies”; na tradução litúrgica brasileira: “Alimento verdadeiro, permanece o Cristo inteiro quer no vinho, quer no pão”). Outra lição importante é passada aqui: como Jesus, depois da Ressurreição, não pode mais morrer; como seu Corpo e Sangue estão para sempre unidos, sem possibilidade de separação, quando o sacerdote consagra o pão e o vinho, fica presente, tanto em um quanto em outro, Nosso Senhor inteiro. É por isso que nós, católicos, não precisamos comungar sob as duas espécies; “no que diz respeito ao fruto, os que recebem uma só espécie não são privados de nenhuma graça necessária à salvação” [3].

Nessa mesma linha, continua o canto, o Deus que se dá a um fiel é o mesmo que se dá ao outro, sem divisão: A suménte non concísus, non confráctus, non divísus: intéger accípitur. Sumit unus, sumunt mille: quantum isti, tantum ille: nec sumptus consúmitur (lit., “Por quem toma não partido, nem quebrado ou dividido, mas é íntegro recebido. Toma um, tomam mil, tantos estes quanto aquele, mas nem tomado é consumido”; na tradução litúrgica brasileira: “É por todos recebido, não em parte ou dividido, pois inteiro é que se dá! Um ou mil comungam dele, tanto este quanto aquele: multiplica-se o Senhor”).

O problema das comunhões sacrílegas

Outra lição valiosíssima dessa sequência, infelizmente esquecida em nossos dias, é o das comunhões indignas. Diz Santo Tomás: Sumunt boni, sumunt mali: sorte tamen inaequáli, vitae vel intéritus. Mors est malis, vita bonis: vide paris sumptionis quam sit dispar éxitus (lit., “Tomam bons, tomam maus, com sorte porém desigual, de vida ou de ruína. A morte é para os maus, a vida para os bons: vê como da mesma mesa haja tão diversa saída”; na tradução litúrgica brasileira, “Dá-se ao bom como ao perverso, mas o efeito é bem diverso: vida e morte traz em si. Pensa bem: igual comida, se ao que é bom enche de vida, traz a morte para o mau”). 

Sim, essas palavras são apenas um eco de São Paulo: “Todo aquele que comer este pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpado quanto ao corpo e sangue do Senhor” (1Cor 11, 27). Mas esse versículo, curiosamente, não consta em nenhum lugar no atual lecionário — e considerando que, devido a sua extensão, a primeira parte do Lauda Sion dificilmente é cantada em nossas paróquias, o resultado prático é que as pessoas simplesmente jamais ouvem falar da possibilidade (muitíssimo real, muitíssimo frequente) das comunhões sacrílegas. A esse respeito, observa ainda o prof. Peter Kwasniewski:

O alerta de São Paulo para que evitemos receber o Corpo e o Sangue do Senhor indignamente, isto é, para a nossa própria condenação, foi omitido de todas as Missas no Novus Ordo por quase meio século. E, no entanto, na Missa latina tradicional, esses versículos são escutados ao menos três vezes todos os anos: uma na Quinta-feira Santa [...] e duas em Corpus Christi [...]. Os católicos que frequentam o usus antiquior sempre terão essas palavras desafiadoras colocadas diante de suas consciências. Sejamos francos: o conceito de uma Comunhão indigna simplesmente desapareceu da consciência católica em geral.

Como consequência do silêncio (e apostasia) do clero — e da má catequese de nossos dias —, então, o pão dos filhos é tragicamente “lançado aos cães” (conforme expressão da própria sequência: Ecce panis angelorum, factus cibus viatorum, vere panis filiorum, non mittendus canibus; lit., “Eis o pão dos anjos, feito pão dos viandantes, verdadeiro pão dos filhos, que não se deve dar aos cães”). 

A discussão, por exemplo, que está acontecendo nos Estados Unidos a respeito da Comunhão para pessoas em pecado público (especialmente políticos favoráveis ao aborto) nem sequer é tocada no Brasil, quando deveria ser óbvio para qualquer católico que uma pessoa que defende o assassinato de crianças no ventre materno não deveria jamais se aproximar da Sagrada Eucaristia; e, se ela promove publicamente essa causa, deve sim ter a Comunhão negada pelos ministros da Igreja. 

Santo Tomás (cf. STh III 80 6c.) e dois mil anos de Tradição e Magistério o afirmam claramente; nosso Código de Direito Canônico o ordena expressamente (cf. Cân. 915: “Não sejam admitidos à sagrada comunhão os excomungados e os interditos, depois da aplicação ou declaração da pena, e outros que obstinadamente perseverem em pecado grave manifesto”); mas, pelo visto, nossa época é mais sábia que os santos e Doutores que nos precederam...

“Quanto podes, tanto ousa”

Dos hinos compostos por Santo Tomás, o Pange lingua é sem dúvida o mais conhecido, principalmente por suas duas últimas estrofes, iniciadas em Tantum ergo sacramentum (“Tão sublime sacramento”). É prescrito pela liturgia que ele seja cantado nas Vésperas do ofício de Corpus Christi, bem como durante as bênçãos com o Santíssimo.

Também muito belo e conhecido é o Adoro te devote, onde Santo Tomás recorda que, do Sangue de Nosso Senhor, uma única gota seria suficiente para remir o mundo inteiro (Cuius una stilla salvum fácere totum mundum quit ab omni scélere; lit., “Do qual uma só gota o mundo inteiro salvar pode de todo crime”).

Menos conhecidos, mas nem por isso menos bem elaborados, são os hinos Sacris solemniis e Verbum supernum prodiens, prescritos respectivamente para as Matinas (atual Ofício das Leituras) e Laudes de Corpus Christi. Deles são extraídos os cantos menores Panis angelicus (“Pão angélico”) e O salutaris hostia (“Ó Hóstia salutar”).

No primeiro, apresenta-se uma verdade, também questionada hoje por teólogos modernos: a de que a celebração da Eucaristia está reservada somente aos sacerdotes, e a mais ninguém: Sic sacrificium istud instituit, cuius officium committi voluit solis presbyteris, quibus sic congruit, ut sumant, et dent ceteris (lit., “Assim este sacrifício instituiu, cujo ofício só aos presbíteros quis reservar, aos quais compete tomá-lo e dá-lo aos demais; na tradução litúrgica brasileira, o solis desaparece: “Instituído estava o sacrifício, que aos seus ministros Cristo confiou. Devem tomá-lo e dá-lo aos seus irmãos, seguindo assim as ordens do Senhor”).

No segundo canto, brilha um dos mais belos versos de todas as composições do Aquinate: O res mirabilis: manducat Dominum pauper, servus et humilis (lit., “Ó coisa admirável: come ao Senhor o pobre, o servo e o humilde”; na tradução litúrgica brasileira, “Oh maravilha: a carne do Senhor é dada a pobres, frágeis criaturas”.

Todos os cantos se encerram com súplicas escatológicas: no Adoro te devote, por exemplo, o fiel que canta ao Santíssimo Sacramento pede a Deus a graça de contemplá-lo um dia face a face, no Céu: Jesu, quem velátum nunc aspício, oro fiat illud quod tam sítio; ut te reveláta cernens fácie, visu sim beátus tuae glóriae (lit., “Ó Jesus, a quem velado agora vejo, peço venha logo aquilo que tanto desejo: que, vendo-te de face desvelada, seja eu feliz com a visão da tua glória”).

É uma pena que o latim encontre tão poucos amantes; que nossas liturgias não usem mais o canto gregoriano; que a teologia de Santo Tomás seja tão desprezada em nossos dias. Resgatar tudo isso, porém, pode ser um ótimo começo para redescobrirmos a grandeza da Santíssima Eucaristia. Não percamos tempo, portanto, e empreguemos não só estes dias, mas toda a nossa vida, na meditação desse precioso mistério.

Notas

  1. Também sobre esse assunto, pontifica Gregory DiPippo: “As oitavas são para a contemplação de mistérios que são grandes demais para um dia só, e é certamente verdadeiro que repetita juvant (‘as coisas repetidas agradam’), um provérbio que o rito romano, com seu conservadorismo habitual, historicamente levou muito ao coração.”
  2. Também vale a pena notar que, no rito antigo, a festa de Corpus Christi se limitava a celebrar o Corpo do Senhor; no dia 1.º de julho, havia uma festa de I classe (o equivalente às solenidades de hoje) reservada só ao Preciosíssimo Sangue de Cristo. Infelizmente, a reforma de Paulo VI aboliu essa celebração, que está restrita agora ao âmbito das Missas votivas.
  3. Concílio de Trento, Doutrina e cânones sobre a comunhão sob as duas espécies e a comunhão das crianças, 16 jul. 1562, s. XXI, c. 3 (DH 1729).

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Vejo vocês na Eucaristia
Espiritualidade

Vejo vocês na Eucaristia

Vejo vocês na Eucaristia

A Eucaristia nos une numa só Igreja, santa, católica e apostólica. Pode ser que jamais nos conheçamos pessoalmente, mas a recepção da Sagrada Comunhão nos une no Corpo místico de Cristo. Não devemos esquecer essa verdade jamais.

Christina Marie SorrentinoTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere2 de Junho de 2021Tempo de leitura: 3 minutos
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“Jovens, exorto-vos com toda a força de minha alma a que vos aproximeis da mesa da Comunhão sempre que puderdes. Alimentai-vos desse pão dos anjos, do qual haveis de obter toda a energia necessária para travar as batalhas interiores. Porque a verdadeira felicidade, caros amigos, não consiste nos prazeres do mundo nem nas coisas terrenas, mas na paz de consciência, que só obteremos se nosso coração e nossa mente forem puros.” — Beato Pier Giorgio Frassati

Quando entendi pela primeira vez que Jesus está realmente presente na Eucaristia? 

Pensei nessa pergunta recentemente durante uma hora de adoração eucarística. Não podia deixar de pensar nisso enquanto estava na igreja, olhando fixamente para a hóstia pequena e branca, o Cristo escondido perante meus olhos.

Lembro-me do momento em que meu coração foi completamente cativado por Cristo. Na época, eu tinha seis anos, e o episódio ocorreu após a celebração de uma Missa dominical. Minha mãe perguntara ao sacerdote se ele poderia explicar-me o que era a Missa. Lembro-me do sorriso radiante no rosto dele enquanto me levava gentilmente pela mão até o altar. Curiosa, olhei para a bela estrutura de mármore enquanto ele pegava o cálice e apontava para a pedra ao lado dele (era a pedra da aliança de casamento de sua avó). O padre me disse que era um cálice especial usado para armazenar o precioso sangue de Cristo. Não pronunciei nenhuma palavra, pois certamente estava tentando compreender aquilo da melhor maneira possível. Tinha apenas seis anos.

Então, o padre virou-se e apontou para a caixa dourada atrás do altar. Ajoelhou-se ao meu lado e me perguntou: “Sabe quem está ali?” O silêncio tomou conta de mim, enquanto permanecia de pé e refletia profundamente, até sussurrar que ali estavam as hóstias. Em seguida ele disse: “Sim, mas quem está ali?” Olhei vagamente para o tabernáculo. Meus olhos estavam fixos na estrutura dourada. Finalmente o padre apontou de novo e disse: “Jesus está ali. Jesus está no sacrário.”

Fiquei completamente admirada com suas palavras, e minha vida nunca mais foi a mesma. A partir daquele momento, depois de cada Missa eu me ajoelhava sobre os genuflexórios revestidos de veludo azul, localizados na capela de Nossa Senhora, de onde era possível ver o santuário. Lá eu permanecia, olhando fixamente para o tabernáculo durante o período que podia permanecer na igreja. Sempre que minha mãe e eu passávamos de carro diante de uma igreja, eu sempre ficava com vontade de entrar nela para ver Jesus.

Depois que aprendemos que Jesus Cristo, Deus feito homem, está real e verdadeiramente na Eucaristia, como poderíamos negar a verdade? Cristo se entrega a nós na Eucaristia — Corpo, Sangue, Alma e Divindade — e quer que recebamos as graças preciosas que Ele nos comunica por meio da Sagrada Comunhão, para que nos unamos à Trindade numa relação ainda mais profunda. Cristo quer que o desejemos e espera por nós em todos os sacrários espalhados pelo mundo. Ele está realmente presente para nós na Eucaristia.   

O dom de si que Jesus nos faz na Eucaristia é um amor que está além das palavras. Naquela pequena hóstia está o mais profundo amor que se pode imaginar, dado a nós pelo dom do sacerdócio em cada Missa que se celebra. O Filho de Deus vem até mim, apesar da minha fraqueza e dos meus pecados.

Nós, católicos, estamos unidos em torno da mesa do Senhor por meio da recepção do verdadeiro Corpo e Sangue de Cristo. A Eucaristia supera a divisão e nos une numa só Igreja, santa, católica e apostólica. Pode ser que jamais nos conheçamos pessoalmente, mas a recepção da Sagrada Comunhão nos une no Corpo místico de Cristo

Não devemos esquecer essa verdade jamais. “Vejo vocês” na Eucaristia.

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