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São Francisco, o Sultão e o desejo de ser mártir
Santos & Mártires

São Francisco, o Sultão
e o desejo de ser mártir

São Francisco, o Sultão e o desejo de ser mártir

Quem poderia descrever o amor ardente que abrasava Francisco? O incêndio de amor que o devorava, criava nele uma santa inveja do triunfo glorioso dos santos mártires, a quem ninguém conseguiu apagar a chama da caridade, nem abater a coragem.

São Boaventura9 de Outubro de 2020Tempo de leitura: 9 minutos
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Quem poderia descrever o amor ardente que abrasava Francisco, esse amigo do Esposo? Como um carvão a arder, parecia inteiramente devorado pela chama do amor de Deus. Mal ouvia falar do amor do Senhor, ficava excitado, comovido, inflamado, como se esse som exterior lhe fizesse vibrar lá dentro as cordas do coração. Segundo ele, era uma prodigalidade principesca oferecer, em troco da esmola, o precioso patrimônio do amor de Deus; e dar-lhe menos apreço do que ao dinheiro era tolice rematada, porquanto essa moeda inapreciável do amor divino é a única com que se pode comprar o reino dos Céus, e é um dever natural pagar amor com amor.

A intensidade desse amor sem limites que o impelia para Deus, fez com que também aumentasse a ternura afetuosa para com os que com ele participavam da natureza e da graça. Os sentimentos naturais do seu coração bastavam para o transformar num irmão de todas as criaturas. Não é de admirar, portanto, que o seu amor a Cristo, o tenha tornado ainda mais irmão daqueles que são a imagem do Criador e foram resgatados pelo seu sangue. Não se considerava amigo de Cristo, se não se preocupava com as almas que Ele resgatara. “Nada se devia antepor à salvação das almas”, dizia. E apresentava como prova o fato de o Filho Unigênito de Deus se ter dignado morrer na cruz por amor das almas. Isso explica a sua veemência na oração, a atividade incessante da pregação, e os excessos quando se tratava de dar exemplo. Se lhe censuravam certos exageros de austeridade, respondia que tinha sido dado aos outros como exemplo. Se bem que a sua carne inocente, já sem relutância submetida ao espírito, não merecesse qualquer castigo pelas próprias faltas, no entanto, para dar exemplo, impunha-lhe novos castigos e novos sofrimentos, calcorreando, por amor dos outros, caminhos duros. Ainda que eu falasse, dizia, as línguas dos homens e dos anjos, se não tivesse caridade e não desse exemplo de virtude, isso de nada me serviria a mim, e muito pouco aproveitaria aos outros.

“São Francisco de Assis em êxtase”, pintura do séc. XVII.

O incêndio de amor que o devorava, criava nele uma santa inveja do triunfo glorioso dos santos mártires, a quem ninguém conseguiu apagar a chama da caridade, nem abater a coragem. Também ele, abrasado no mesmo santo amor que rejeita todo o medo, queria oferecer-se ao Senhor como hóstia viva, imolada pelo martírio, para retribuir a Cristo a morte que ele sofreu por nós e incentivar os homens ao amor de Deus. 

Seis anos após a conversão, ardendo em desejos de martírio, resolveu dirigir-se para as bandas da Síria, a pregar a fé cristã e a penitência aos sarracenos e outros infiéis. Mas o navio em que embarcara foi arrastado por ventos contrários para as costas da Eslavônia, onde teve de aportar. Aí se viu forçado a ficar algum tempo, sem conseguir nenhum barco que o transportasse mais além. Percebendo que o seu desejo não seria o do Senhor, e vendo uns marinheiros prestes a desamarrar para Ancona, pediu-lhes que o levassem — mas teria de ser por amor de Deus, pois ele nada tinha com que pagar. Por mais que insistisse, os homenzinhos fizeram ouvidos de mercador. Então o homem de Deus, num extremo de confiança na bondade do Senhor, esgueirou-se sub-repticiamente para o navio, ele e o companheiro. Entre os passageiros encontrava-se um, sem sombra de dúvida enviado por Deus em favor do seu pobrezinho, que levava mantimentos em abundância, e chamando à parte um membro da tripulação que lhe pareceu mais temente a Deus, recomendou-lhe: “Guarda bem estas provisões para uns Irmãos pobrezinhos que vão aqui escondidos no navio, e dá-lhas quando eles precisarem”. Ora aconteceu que os ventos sopraram com tanta violência, que os dias se passavam sem que pudessem aportar em parte alguma. Os marinheiros já não tinham provisões; só restava aquela esmola graciosamente concedida pelo céu ao pobre Francisco. Era muito pouco, não havia dúvida; mas o poder de Deus fez com que esse pouco se transformasse em tanto, que apesar do atraso provocado pela tempestade, o alimento chegou e sobrou para todos até ao porto de Ancona. Os marinheiros, vendo-se libertos dum perigo de morte por intermédio do servo de Deus, imitaram os do Salmo, que depois de terem sentido os perigos horrendos do oceano, testemunharam as obras do Senhor no alto mar; deram graças a Deus todo-poderoso, que se mostra sempre tão amável e tão admirável para com os seus amigos e servidores. 

Começou então a percorrer essa província, semeando a boa semente da salvação e colhendo frutos copiosos. Mas como o fruto mais apetecido era o do martírio, e mais desejava a morte por Cristo do que todos os méritos duma vida virtuosa, partiu em direção a Marrocos, com a intenção de anunciar o Evangelho de Cristo ao Miramolim e ao seu povo: podia ser que assim alcançasse a desejada palma do martírio. E era de tal ordem o seu entusiasmo, que sendo embora franzino de corpo, andava sempre à frente do companheiro de viagem, e deslumbrado na ânsia de concretizar o seu sonho, parecia que queria voar. Já tinha chegado à Espanha. Mas a disposição divina reservava-lhe outras incumbências. Sobreveio-lhe uma doença muito grave, que o impediu de realizar o que tanto desejava. Apesar do lucro que para ele representava a morte, compreendeu que a sua vida corporal era imprescindível para a família que gerara. E voltou, para apascentar as ovelhas confiadas aos seus cuidados.

Mas o fervor da caridade continuava a aguilhoá-lo em ânsias de martírio. Uma terceira vez tentou passar a terras de infiéis, para com efusão do sangue favorecer a expansão da fé na Santíssima Trindade. No ano décimo terceiro da sua conversão partiu para o Oriente, exposto constantemente a inúmeros perigos, no intuito de poder contatar pessoalmente com o Sultão de Babilônia. Travava-se então uma guerra implacável entre cristãos e sarracenos. Os dois exércitos encontravam-se frente a frente no campo de batalha. Tentar passar dum lado para o outro era um risco de morte. Além disso, o Sultão publicara um édito cruel prometendo um talento de ouro a quem lhe trouxesse a cabeça dum cristão. Pois, apesar de tudo isso, Francisco, o intrépido cavaleiro de Cristo, na esperança de obter sem mais delongas aquilo por que tanto suspirava, meteu-se a caminho: longe de temer a morte, sentia-se atraído por ela. Depois de fervorosa oração, confortado pelo Senhor, começou a cantar cheio de confiança aquele verso do profeta: Nem que eu tenha de andar no meio da sombra da morte, não terei medo nenhum porque tu estás comigo

Tomando por companheiro Frei Iluminado, um Irmão de fato iluminado no sentido de inteligente, e também corajoso, puseram-se a caminho, quando imediatamente depararam com duas ovelhinhas. Entusiasmado com este encontro, comentou para o companheiro: “Confia no Senhor, meu Irmão. Está-se a realizar em nós aquele aviso do Evangelho: Envio-vos como ovelhas para o meio de lobos…”. 

“São Francisco diante do Sultão do Egito, Malik-al-Kamil”, de Zacarías González Velázquez.

Um bocado mais adiante foram interceptados pelos guardas avançados dos sarracenos. Como lobos em busca de ovelhas lançaram-se brutalmente a eles, agarraram-nos com ódio e crueldade, cumularam-nos de injúrias, espancaram-nos e agrilhoaram-nos. Por fim, depois de maltratados e vexados de mil maneiras, levaram-nos — segundo os desejos do Santo e as disposições da Providência — à presença do Sultão. Quis ele saber quem é que os tinha mandado, com que fim; em que condições, e como é que tinham chegado ali. Com todo o sangue-frio, o servo de Cristo esclareceu que tinha sido enviado de além dos mares, não por qualquer homem mas pelo Deus Altíssimo; que vinha indicar-lhe, a ele e ao seu povo, o caminho da salvação e anunciar-lhe o Evangelho da verdade. Depois pregou ao Sultão os mistérios da Trindade e da Redenção. E fê-lo com tal fervor e entusiasmo, que bem parecia realizar-se nele aquilo do Evangelho: Hei-de pôr-vos na boca uma tal sabedoria, que nenhum dos vossos adversários conseguirá resistir-lhe nem pôr-lhe objeções

Espantado com semelhante entusiasmo e coragem, o Sultão parecia gostar de o ouvir, sugerindo-lhe mesmo que ficasse por ali mais algum tempo com ele. Porém o servo de Cristo, instruído por uma indicação do céu, avançou: “Se de fato queres converter-te a Cristo, tu e o teu povo, eu com todo o prazer, e por amor dele, ficarei convosco. Mas vejo que te sentes indeciso em trocar a lei de Maomé pela de Cristo… Pois bem: manda acender uma grande fogueira, e eu desafio os teus sacerdotes a avançarem comigo para o meio do fogo. Dessa forma se poderão dissipar as dúvidas, acerca de qual das crenças é a mais santa e a mais certa”. “Duvido muito — replicou o Sultão — que algum dos meus sacerdotes se quisesse expor ao fogo ou suportar qualquer tormento em defesa da sua fé…”. De fato não lhe tinha passado despercebido que um dos seus sacerdotes, aliás sincero e venerável, ao ouvir o desafio de Francisco, se esgueirara sem que ele mais o visse. 

O Santo mais se encheu de coragem: “Se quiseres prometer-me, em teu nome pessoal e no do teu povo, que abraçareis a religião de Cristo no caso de eu sair ileso do fogo, eu irei para lá mesmo sozinho. Nota porém uma coisa: se eu me vier a queimar, isso será devido única e exclusivamente aos meus pecados! Pelo contrário, se o poder de Deus me proteger, é para que reconheçais por verdadeiro Deus, Senhor e Salvador de todos os homens, a Jesus Cristo, poder e sabedoria de Deus”. Não se atreveu o Sultão a aceitar o repto, por medo duma possível sublevação do povo. Preferiu oferecer-lhe numerosos e ricos presentes, que o homem de Deus rejeitou com desprezo: ele era ganancioso, é certo, mas não das riquezas do mundo, senão somente da salvação das almas. Esta atitude granjeou-lhe ainda maior estima por parte do Sultão, assombrado de ver um homem tão desprendido dos bens mundanos. Apesar de tudo, não quis, ou talvez melhor, não teve coragem de abraçar a fé cristã. Ainda assim, pediu ao servo de Cristo que aceitasse os presentes e os desse a cristãos necessitados ou igrejas pobres: esse gesto, pensava ele, era um passo no caminho da salvação. Mas o Santo, que por um lado tinha horror ao dinheiro, e por outro lado não descobria na alma do Sultão profundas raízes de verdadeira fé, recusou-se terminantemente a aceitar qualquer presente. 

Verificou também com tristeza que nada conseguia quanto à conversão dessa gente, nem tão-pouco pressentia poder realizar o seu desejo de martírio… Uma revelação divina, de resto, veio dissipar-lhe as dúvidas. E voltou novamente para terras de cristãos. O que Deus em sua bondade decretara e o Santo por sua generosidade merecera, era ter Francisco conseguido o martírio de desejo. Pelo grande amor que dedicava a Cristo, tinha-se exposto a morrer por Ele sem o conseguir: mas haveria de ser marcado mais tarde com um selo e um símbolo desse martírio. O fogo divino que lhe ardia cada vez mais em labaredas no coração havia de alastrar até à carne. Ditoso de verdade, aquele cuja carne, sem ser ferida pelo ferro de um tirano, não deixou de apresentar tão perfeita semelhança com o Cordeiro Imolado! Plenamente ditoso de verdade, aquele a quem “a espada do perseguidor não tirou a vida, sem, no entanto, perder a palma do martírio!”.

Notas

  • É de tal modo célebre esse episódio da vida de S. Francisco de Assis, que consta não só de sua Legenda maior, escrita por S. Boaventura, mas também de sua Legenda menor (c. 3, 9), de seus Fioretti (c. 24) e de sua Primeira vida (l. 1, c. 20, 57), escrita por Tomás de Celano.
  • Esse texto foi transcrito e levemente adaptado de: S. Boaventura. Legenda maior (c. 9, 1.4-9), trad. Frei José Maria da Fonseca Guimarães, OFM. Editorial Franciscana, pp. 80-88. As referências do original foram omitidas desta publicação, os grifos em negrito são nossos e os em itálico fazem alusão a trechos das Sagradas Escrituras.

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E se a morte chegasse para você hoje?
Espiritualidade

E se a morte
chegasse para você hoje?

E se a morte chegasse para você hoje?

Dinheiro, honras, modas, posições brilhantes, triunfos políticos e literários, vaidades, prazeres… De tudo se preocupa o homem, exceto do principal: salvar a sua alma. E a morte aí vem e lá se vão as ilusões!

Mons. Ascânio Brandão29 de Outubro de 2020Tempo de leitura: 2 minutos
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— Qual é o teu nome? — perguntou a um mocinho Luís XI, rei da França.
— Eu me chamo Estevão.
— Qual o teu emprego?
— Ajudante de cozinheiro.
— Quanto ganhas?
— Tanto quanto Vossa Majestade.
— E isso é possível?
— Sim, senhor! Porque Vossa Majestade, governando, e eu, no meu humilde trabalho, ganhamos o céu ou o inferno.

O Rei, maravilhado pela sabedoria da resposta, que revelou tão bom senso e “fidelidade”, nomeou Estevão camareiro seu.

Que adianta ao homem”, diz Nosso Senhor, “ganhar o mundo inteiro, se vem a perder a sua própria alma?” (Mt 16, 26). Perdida a alma, tudo perdido! Salva a nossa alma, tudo está salvo! Cuidemos do essencial. O resto é acidental. O essencial é a salvação da alma. O resto… o resto… vaidade, fumaça, ilusão, loucura.

A Sagrada Escritura diz que é infinito o número dos insensatos: Stultorum infinitus est numerus. Quem são estes insensatos? Os que pensam em tudo neste mundo, exceto no grande negócio da eterna salvação.

Dinheiro, honras, modas, posições brilhantes, triunfos políticos e literários, vaidades, prazeres, de tudo se preocupa o homem, exceto do principal: salvar a sua alma!

E a morte aí vem e lá se vão as ilusões! Que levamos para a sepultura? Ai! nada, nada do que no mundo cobiçamos e desejamos loucamente. Só nos acompanham as obras boas ou más. As boas, para a recompensa, as más, para a perdição eterna.

S. Filipe Néri chamava louco quem não cuida da sua salvação. O único bem deste mundo é salvar-se, dizia S. Francisco Xavier, o único mal, condenar-se. E Santa Teresa repetia, cheia de aflições, às suas irmãs pedindo-lhes que rezassem pelos pecadores: “Minhas filhas, uma alma, uma eternidade! Uma alma que é perdida, tudo perdido!

A salvação é, pois, negócio importantíssimo. Único negócio! Negócio de uma perda irreparável. Perdem-se riquezas, bens, parentes, amigos, etc. Nem tudo está perdido! Perde-se a alma! Tudo perdido e para sempre!

E há tanta gente que brinca com a salvação! Tantos gozadores da vida que aí sorriem da eternidade como se se tratasse de uma ilusão de devotas ou de um conto de fadas.

Tratemos desde já de preparar a nossa alma para a vida eterna. A morte aí vem. Tens certeza de viver longo tempo ainda? E se a morte te surpreender hoje? Em que estado a tua alma iria se apresentar a Deus? E o juízo? E o inferno? E a eternidade?

Vamos! É tempo de arrumar os negócios e sobretudo o grande negócio da salvação! Não se brinca com Deus, com a alma e a eternidade.

Salva tua alma! Olhemos as coisas do mundo tais como são na realidade: puro nada, vaidade e loucura! Haja paz em nossa alma. Pensemos um pouco no que é eterno. Dizia Santa Teresa: “Nada te perturbe, nada te assuste, tudo passa, Deus não muda, quando se tem Deus nada falta, só Deus basta”.

Referências

  • Transcrito e levemente adaptado de Meu ponto de meditação, do Padre Ascânio Brandão, Taubaté: Editora SCJ, 1941, p. 21s.

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Os católicos acreditam em fantasmas?
Doutrina

Os católicos
acreditam em fantasmas?

Os católicos acreditam em fantasmas?

Embora muitos zombem da ideia como fantasiosa ou supersticiosa, a crença em fantasmas parece ser universal nas culturas humanas desde o início da história. Mas o que a Igreja tem a dizer a esse respeito em sua doutrina e na vida de seus santos?

Paul ThigpenTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere29 de Outubro de 2020Tempo de leitura: 6 minutos
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Quando eu era editor da revista The Catholic Answer, nesta época do ano, com a aproximação do Halloween, sempre recebíamos a mesma pergunta dos leitores: e os fantasmas? Eles têm lugar na fé católica?

Alguns podem zombar da ideia como fantasiosa ou supersticiosa. Mas a crença em fantasmas parece ser universal nas culturas humanas desde o início da história e é baseada, ao menos em parte, em inúmeros relatos de encontros reais com eles. Devido ao significado especial que “fenômenos fantasmagóricos” genuínos têm para a teologia, os católicos não deveriam ignorar tão facilmente a possibilidade.

Os fantasmas existem?

Nossa primeira tarefa é abordar a questão fundamental aqui: os fantasmas existem de fato? Para responder a essa pergunta, devemos definir “fantasma”.

De acordo com o dicionário Webster’s, a palavra significa “a alma de uma pessoa morta, um espírito desencarnado” [1]. Parece que isso se encaixa melhor no uso popular do termo, então vamos aceitá-lo como uma definição de trabalho. Por conseguinte, devemos ter em mente que, na presente discussão, “fantasma” não se refere a um anjo ou demônio, a um “poltergeist” ou mesmo a um extraterrestre. “Fantasma” é a parte de um ser humano que não é corporal (física) e foi separada do corpo pela morte.

Com essa definição, os católicos devem afirmar prontamente que os fantasmas de fato existem. Afinal, é uma parte fundamental da crença católica que o ser humano é um composto de alma e corpo; que, na morte, a alma se separa do corpo; e que, após a morte, embora o corpo de regra se corrompa, a alma sobrevive, aguardando o Juízo Final, quando o corpo, finalmente ressuscitado, se unirá a ela.

Da perspectiva católica, portanto, não apenas as almas do inferno e do purgatório, mas também as dos santos do céu podem ser chamadas de “fantasmas” (com exceção de Nossa Senhora, que não é um espírito desencarnado, porque seu corpo foi assunto ao céu). A questão para os católicos, então, não é se os fantasmas realmente existem. Eles existem. A questão mais premente é se as almas humanas separadas, no tempo presente antes do Juízo Final, são capazes de se manifestar aos que ainda estão vivos na Terra.

Evidência das Escrituras

Os mortos podem aparecer para os vivos? As Escrituras mostram que sim. O exemplo bíblico mais claro da aparição de um “fantasma” é o relato evangélico da Transfiguração de Nosso Senhor na montanha, quando Moisés (morto séculos antes) apareceu a conversar com Jesus a três de seus Apóstolos (cf. Mt 17, 1ss). Não incluímos Elias nesta passagem como um “fantasma”, porque as Escrituras parecem indicar que ele não morreu, mas que foi levado da Terra (cf. 2Rs 2, 11s).

“A sombra de Samuel invocada por Saul”, de Salvator Rosa.

No Antigo Testamento, um exemplo em debate de uma visita fantasmagórica é o do falecido profeta Samuel, que apareceu ao rei Saul (cf. 1Sm 28, 3-20). Alguns autores pensam que a aparição era, na verdade, uma falsificação diabólica, uma vez que ocorreu por ordem de um necromante (o que hoje seria chamado de médium), prática proibida por Deus. No entanto, já que o próprio texto das Escrituras se refere repetidamente ao “fantasma” como Samuel, S. Agostinho e outros intérpretes competentes insistem em que se tratava, realmente, de um “fantasma”, e não de um demônio.

Se considerarmos também visitas de fantasmas em sonhos ou visões, podemos citar a história bíblica de Judas Macabeu. Ele teve uma visão de Onias, um sumo sacerdote falecido, orando pelos judeus. (Este é, a propósito, também um exemplo bíblico da intercessão dos santos pelos vivos). A Onias seguiu-se o falecido profeta Jeremias, que falou com Judas e lhe deu uma espada de ouro (cf. 2Mc 15, 11-16).

Evidência da Tradição

Além dos exemplos nas Escrituras, há numerosos relatos de aparições de fantasmas que chegaram até nós pela Tradição católica desde os tempos bíblicos. O Papa S. Gregório Magno, do séc. VI, por exemplo, contou vários exemplos em seus famosos Diálogos. Para Gregório, assim como para S. Agostinho e outros Doutores da Igreja, as aparições de fantasmas certamente têm seu lugar em uma visão católica de mundo

Segundo esses relatos, às vezes a figura aparecida era um santo conhecido. Outras vezes, a aparição era de um santo, homem ou mulher, recentemente falecido que veio ajudar os vivos. Em outros relatos, uma alma perturbada, presumivelmente no purgatório, veio pedir ajuda aos que ainda estavam na Terra.

Sem dúvida, muitas dessas histórias podem ser vistas como “lendas” ou “superstições” piedosas, brincadeiras ou alucinações. Mas algumas delas são difíceis de descartar. Os relatos mais convincentes chegaram até nós através de várias testemunhas de bom juízo e caráter impecável, e geralmente datam de tempos bastante recentes. São relatos de primeira mão, sem possibilidade de acréscimos lendários. Entre essas, estariam algumas das aparições post mortem bem conhecidas de S. Pio de Pietrelcina (1887-1968).

Uma história bem conhecida vem de S. João Bosco (1815-1888). Como seminarista, recordou S. João que, certa vez, havia concordado com um colega chamado Comollo que, se algum deles morresse primeiro, daria ao outro alguma indicação sobre o estado de sua própria alma. Comollo morreu em 2 de abril de 1839 e, na noite seguinte ao funeral, veio a “indicação”.

Junto com outros vinte estudantes de teologia reunidos na mesma sala, João de repente ouviu um rugido poderoso e contínuo que sacudiu o prédio. Então, eles viram a porta se abrir violentamente por vontade própria. Uma luz fraca apareceu e se ouviu com clareza uma voz, dizendo: “Bosco, Bosco, eu estou salvo…”. 

“Por muito tempo”, concluiu São João, recordando o sucedido, “não se falou de outra coisa no seminário”.

Por que eles aparecem?

No final do séc. XIX e início do séc. XX, vários estudiosos católicos respeitados coletaram diversos relatos confiáveis de “fenômenos fantasmagóricos”, colhidos de testemunhas oculares contemporâneas, documentos oficiais da polícia e médicos.

Eles tentaram explicar esses relatos, juntamente com relatos de outros “fenômenos ocultos”, dentro de uma estrutura da teologia católica tradicional (geralmente tomista) e das descobertas da psicologia e parapsicologia modernas. Talvez os mais conhecidos desses pesquisadores teólogos tenham sido os padres jesuítas Herbert Thurston e F. X. Schouppe, além do abade trapista Alois Wiesinger [2].

Um padrão já observado se repete em muitos dos relatos reunidos por estudiosos: quando os falecidos aparecem, eles geralmente vêm para ajudar ou pedir ajuda aos vivos. Eles podem pedir, por exemplo, que orações e Missas lhes sejam oferecidas ou que certos papéis de natureza confidencial sejam destruídos. Às vezes, um parente falecido de uma pessoa necessitada dos sacramentos vem informar um padre da situação e mostrar-lhe onde encontrar o necessitado.

Histórias como essas sugerem uma resposta aos desafios comumente levantados pelos cristãos mais céticos quanto à possibilidade de “visitas fantasmagóricas” se encaixarem em uma perspectiva de fé. Como — costumam perguntar — os mortos conseguiriam o poder de visitar os vivos? S. Agostinho respondeu simplesmente: “Por uma disposição secreta de Deus”. Isso acontece com a permissão divina e graças ao poder divino.

E por que Deus permitiria a visita de “fantasmas”? Ao que tudo indica, para realizar alguma missão espiritual.

É por isso que, se você topar com algum tipo de “aparição”, a melhor coisa a fazer é orar pela alma e pedir que se rezem Missas pelo descanso eterno dela.

Um aviso final

Por fim, devemos enfatizar que a Igreja sempre proibiu qualquer tentativa de estabelecer comunicação com os mortos por meios “mediúnicos”, sessões espíritas ou tabuleiros de Ouija. A razão é clara: tais tentativas de “evocação dos mortos […] escondem uma vontade de poder […], ao mesmo tempo que um desejo de ganhar para si os poderes ocultos” (Catecismo da Igreja Católica, §2116).

Os perigos são abundantes: os demônios podem se apresentar como espíritos dos mortos e tirar proveito dessas práticas ocultas para manipular e oprimir as pessoas. Por isso, devemos tratar com muita cautela e discernimento quaisquer encontros que possamos ter com fenômenos inexplicáveis ou relatos ouvidos de outras pessoas. Aparições fantasmagóricas genuínas, não procuradas pelos vivos e permitidas pela graça de Deus, parecem ser extremamente raras.

Esse deveria ser um pensamento reconfortante da próxima vez que você estiver sozinho no escuro…

Notas

  1. Não se confunda um “espírito desencarnado”, em sentido católico, com a “desencarnação espírita”, noção estranha ao pensamento cristão e baseada numa concepção quase-material (“fluídica”, como diziam os espíritas franceses do séc. XIX) de alma e na tese de que a união entre ela e o corpo é extrínseca e acidental, além de ser mediada por um suposto “perispírito”. Embora fosse bom evitar a expressão, muito associada no Brasil ao espiritismo kardecista, um católico pode sem escrúpulos falar de “espírito desencarnado” no sentido de “alma separada” (de seu correspondente corpo).
  2. Do Pe. François Xavier Schouppe, a propósito, já publicamos aqui numerosos textos, extraídos todos de seu excelente livro Purgatory: Explained by the Lives and Legends of the Saints, Londres: Burns & Oates, 1893.

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Gênero no STF: seu filho em perigo!
Educação

Gênero no STF:
seu filho em perigo!

Gênero no STF: seu filho em perigo!

Este texto é um esclarecimento e um alerta aos pais, para que reajam à ADI 5.668, impetrada pelo PSOL no STF, que pretende impor a obrigatoriedade do ensino da Teoria de Gênero em todas as escolas do Brasil.

Equipe Christo Nihil Praeponere29 de Outubro de 2020Tempo de leitura: 7 minutos
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Este texto, de autor anônimo, deve ser amplamente disseminado. Trata-se de um apelo aos pais, para que reajam à ADI 5.668, impetrada pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) no Supremo Tribunal Federal, que pretende impor a obrigatoriedade do ensino da Teoria de Gênero em todas as escolas do Brasil.

1. O que está acontecendo?

O STF marcou para o dia 11 de novembro de 2020 o julgamento da ADI 5.668, impetrada pelo PSOL. Esta ação pretende impor a obrigatoriedade do ensino da Teoria de Gênero em todas as escolas do Brasil.

A Teoria de Gênero já foi amplamente rejeitada pela população brasileira, através dos legisladores dos quase 5.600 municípios, das 27 unidades federativas, do Congresso Nacional, e dos pais do Brasil inteiro que se mobilizaram para que essa ideologia não fosse aprovada no Plano Nacional de Educação (2014), nos Planos Estaduais de Educação (2015), nos Planos Municipais de Educação (2015) e na BNCC, Base Nacional Comum Curricular (2017). A rejeição democrática da Teoria de Gênero é massiva!

2. Histórico do Gênero no Brasil

Em 2014, quando foi votado o Plano Nacional de Educação (PNE), tentou-se incluir a Teoria de Gênero como tema transversal em todo o currículo escolar. Quando os pais perceberam o que estava acontecendo, eles se dirigiram ao Congresso Nacional e explicaram para senadores e deputados que não queriam isso para seus filhos. Então o Gênero foi removido do PNE.

Na sequência, tentou-se inserir o ensino do Gênero nos Planos Estaduais de Educação das 27 unidades federativas do Brasil, com o pretexto de que, embora não houvesse sido incluído no Plano Nacional de Educação, tratava-se de uma meta do Terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos e das Conferências Nacionais de Educação, e por isso os estados deveriam incluí-la nos Planos Estaduais de Educação (PEE). Novamente os pais dirigiram-se às assembleias estaduais e o Gênero foi retirado de todos os currículos estaduais.

Mesmo assim o Ministério da Educação tentou orientar os municípios de todo o Brasil para que a Teoria de Gênero fosse incluída, desta vez, nos Planos Municipais de Educação. Deu-se então o fato extraordinário de que os pais dos cerca de 5.600 municípios brasileiros dirigiram-se aos vereadores de suas cidades e a Ideologia de Gênero foi rejeitada em praticamente todas as casas legislativas.

Ainda assim, ao ser apresentada em 2017 e 2018 a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), houve uma nova tentativa de incluir-se a Teoria de Gênero no currículo das escolas nacionais. Os pais intervieram novamente e o MEC viu-se obrigado a retirar o Gênero da BNCC. Nas audiências públicas abertas em todas as regiões do Brasil, quase a terça parte das intervenções consistia em oradores que se pronunciavam para manifestar a rejeição de pais e mestres à inclusão da Ideologia de Gênero na BNCC.

Foi então que o PSOL, incorformado com essa situação, impetrou em 2017 a ADI 5.668 no Supremo Tribunal Federal para exigir a obrigatoriedade do ensino da Teoria de Gênero no currículo de todas as escolas do Brasil, ignorando as decisões dos legisladores dos quase 5.600 municípios, das 27 assembleias estaduais, da Câmara e do Senado federais e dos pais de todo o país, que haviam democraticamente rejeitado a Teoria de Gênero para seus filhos.

3. O argumento do PSOL

A ação impetrada pelo PSOL afirma que todos esses pais e legisladores que se opuseram à inclusão da Teoria de Gênero no currículo escolar são ideólogos. Segundo afirma o texto da ADI 5668, ideologia é a negação de uma realidade manifesta. Negar um fato evidente com base em ideias configura uma ideologia. Ora, segundo os autores, são fatos evidentes a existência de gays, lésbicas, transgêneros e travestis, e também que esses cidadãos sofrem discriminação por causa de suas orientações sexuais. Essas pessoas, ademais, frequentam as escolas. Desconsiderar essas realidades e não fazer caso para a discriminação daí decorrente, portanto, configuraria ideologia. Reconhecer, em vez disso, a pluralidade de gêneros e com base nisso combater a discriminação por gênero seria uma realidade científica. Portanto, devido ao preceito constitucional que veda todo tipo de discriminação e à Lei de Diretrizes e Bases da Educação que, seguindo a Constituição, propõe o combate à discriminação como um dos objetivos da educação nacional, o PSOL pede que os Ministros do STF imponham a obrigatoriedade da inclusão da Teoria de Gênero no currículo escolar.

O argumento da ADI, porém, está equivocado porque este não é o conteúdo da Teoria de Gênero. A teoria pretende desconstruir a heterossexualidade, a qual é denominada por ela de heteronormatividade, afirmando que nenhuma orientação sexual tem base biológica, mas é apenas uma construção arbitrariamente imposta sobre as pessoas. Com isto pretende-se descontruir a identidade sexual das pessoas e, a partir daí, destruir as próprias bases em que se sustenta a instituição familiar.

4. O que é a Teoria de Gênero

A Teoria de Gênero afirma que ninguém nasce homem ou mulher, mas deve aprender a construir sua própria identidade de gênero, em vez de recebê-la como algo arbitrariamente imposto a partir de seus órgãos sexuais. O gênero deveria ser uma construção pessoal, não um papel imposto pela sociedade, e ninguém deveria ser identificado a priori, já desde o nascimento, como “homem” ou “mulher”, mas, em vez disso, deveria ser auxiliado pela escola a construir cada qual a sua própria identidade.

Homem e mulher seriam apenas papéis sociais inventados dos quais a maioria das pessoas deveriam ser libertados. Se há quem se sinta bem no papel de homem ou mulher, isso deve-se ao fato de terem sido assim ensinados desde a mais tenra infância. Em vez deste modelo educacional, cada criança deveria ser progressivamente levada à experiência das mais variadas formas de expressão sexual, até adaptar-se por si mesma a algum gênero já existente ou construir outro gênero novo que seja mais próprio para si mesmo. Em um horizonte mais distante, a finalidade última seria a completa desconstrução da heterossexualidade ou, como a teoria prefere nomeá-la, da heteronormatividade, até reconstruir a sociedade em uma nova estrutura não mais baseada na família natural ou, como preferem chamá-la, na família patriarcal.

Portanto, a Teoria de Gênero que pretendem impor aos nossos filhos não diz respeito ao combate ao preconceito, mas à desconstrução da identidade sexual. Se nós, pais e mães, não nos mobilizarmos, a partir de fevereiro do próximo ano de 2021 nossos filhos serão progressivamente educados na Teoria de Gênero, com resultados desastrosos.

Será que pais e mães conseguem imaginar o que se passa na cabeça de seus filhos quando no colégio lhe dizem que ele não nasceu homem nem mulher, mas que eles podem transformar sua identidade sexual segundo o seu desejo? Quando a escola ensina a suas filhas que elas podem namorar com a sua melhor amiga, que isso é normal e que todas as crianças devem experimentar todas as formas de sexualidade possíveis até encontrarem um gênero para si mesmas?

Pois isto é a Teoria de Gênero, e sua entrada no sistema educacional começa pela introdução dos conceitos de gênero, identidade de gênero e orientação sexual.

Hoje, em que o Gênero ainda não é lei, já há várias creches no Brasil onde as prefeituras exigem dos que têm a concessão de funcionamento que não mais possuam banheiros masculino e feminino separados, mas que as crianças usem todas um mesmo banheiro comum. Exigem também que os meninos tenham de brincar de boneca e as meninas tenham de jogar bola, e posteriormente serão incentivadas a experimentarem o namoro de meninos com meninos e um variado leque de diversas experiências sexuais, até obter uma gradativa desconstrução de sua identidade sexual. Isso sim é ideologia, pois inúmeros estudos científicos mostram haver diferença de comportamento nas crianças segundo suas diferenças sexuais logo após o nascimento, antes que elas possam ter entrado em contato com a cultura.

5. O que os pais devem fazer

A Constituição brasileira afirma que todo poder emana do povo, que é representado pelo Congresso eleito pelos cidadãos. Por este motivo, utilize as redes sociais para falar com os congressistas. Fale em nome do seu filho. O Congresso possui as prerrogativas constitucionais para defender-se da intromissão dos demais poderes nas prerrogativas exclusivas do Poder Legislativo.

Recomendamos gravar um vídeo dirigido aos deputados, curto mas objetivo, posicionando-nos contra a obrigatoriedade do ensino da Teoria de Gênero nas escolas e pedindo aos parlamentares que votem imediatamente o Projeto de Lei 4.754/2016, que caracteriza a usurpação de competência exclusiva do Poder Legislativo por parte dos Ministros do Supremo Tribunal Federal como crime de responsabilidade passível de impeachment. Nesta época de eleições em que o Congresso está parcialmente inativo, este vídeo poderia ser postado preferencialmente no Instagram.

Na sequência, conviria comentar o próprio vídeo e incluir o endereço do Instagram dos deputados federais (por exemplo, @FulanoDeTal). Aqui se encontra uma lista com as direções do Instagram dos deputados federais atualmente em exercício. Ao marcarmos um comentário no Instagram com os endereços de alguns deputados, o próprio Instagram irá encaminhar o vídeo e a mensagem ao Instagram do deputado marcado. Não deixe de incluir na postagem a hashtag: #aprovapl4754.

Devido à época de eleições e à proximidade do julgamento da ADI 5668, convém priorizar o contato com os parlamentares através de vídeo e mensagem de Instagram. Quem não possui uma conta de Instagram não terá dificuldade em abrir uma. Mas não deixe de manifestar-se também através do e-mail, telefone e das demais redes sociais!

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Indulgências “pro defunctis” prorrogadas devido à COVID-19
Igreja Católica

Indulgências “pro defunctis”
prorrogadas devido à COVID-19

Indulgências “pro defunctis” prorrogadas devido à COVID-19

Neste ano, devido à pandemia do novo coronavírus, as indulgências plenárias pelos fiéis defuntos, que normalmente se ganham nos oito primeiros dias de novembro, poderão lucrar-se ao longo de todo o mês das almas.

Santa SéTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere26 de Outubro de 2020Tempo de leitura: 3 minutos
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DECRETO

Neste ano, por causa da pandemia da doença de COVID-19,
as indulgências plenárias pelos fiéis defuntos
prorrogam-se por todo o mês de novembro,
comutadas as condições e obras pias, em vista da segurança do povo cristão

Chegaram há pouco a esta Penitenciaria Apostólica muitas súplicas da parte de sagrados pastores, pelas quais se pedia que neste ano, por causa da pandemia da doença de COVID-19, se comutassem as obras para lucrar as indulgências plenárias aplicáveis somente às almas do Purgatório, segundo a norma do Manual de Indulgências (conc. 29, §1). Por isso, a mesma Penitenciaria Apostólica, por especial mandado do SS. Padre, o Papa Francisco, de bom grado determinou e deliberou, para evitar aglomerações, proibidas ou ao menos desaconselhadas em algumas nações e territórios, que neste ano: 

a) A indulgência plenária para os que piedosamente visitarem cemitérios e, ainda que apenas mentalmente, rezarem pelos defuntos — limitada, segundo a norma, apenas aos oito primeiros dias de novembro —, possa, para comodidade dos fiéis, ser transferida dentro do mês de novembro para outro período de até oito dias, ainda que descontínuos, de livre escolha de cada fiel;

b) A indulgência plenária do dia 2 de novembro, na Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, para os que piedosamente visitarem uma igreja ou oratório e ali recitarem um Pai-nosso e um Creio, possa ser transferida não somente para o domingo anterior ou posterior ou para o dia da solenidade de Todos os Santos, mas também para outro dia, dentro do mês de novembro, de livre escolha de cada fiel; 

Os idosos, os doentes e os que, por causa grave, não podem sair de casa (v.gr., por força de decretos que proíbam os fiéis de se reunirem nos lugares sagrados), poderão lucrar a indulgência plenária, desde que, unindo-se em ânimo e voto aos que fizerem as piedosas visitas de que se falou acima, tendo detestado os próprios pecados e feito a intenção de cumprir, assim que possível, as três condições de costume (confissão sacramental, comunhão eucarística e oração pelas intenções do sumo Pontífice), recitem diante de qualquer imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo ou da Bem-aventurada Virgem Maria piedosas preces pelos defuntos (v.gr., as Laudes e as Vésperas do Ofício dos defuntos, o Rosário mariano, a coroa da Divina Misericórdia, e outras preces pelos defuntos mais caras aos fiéis), ou leiam, a título de leitura espiritual, o Evangelho da Liturgia dos defuntos, ou realizem uma obra de misericórdia, entregando a Deus clemente suas dores ou os incômodos da própria vida.

A fim, pois, de tornar mais fácil, por caridade pastoral, o acesso ao perdão divino, alcançável pelas chaves da Igreja, esta Penitenciaria roga insistentemente que os sacerdotes legitimamente facultados, de ânimo pronto e generoso, celebrem a Penitência e administrem a sagrada comunhão aos doentes.

No entanto, no que diz respeito às condições espirituais para lucrar plenamente a indulgência, está sempre em vigor a Nota desta Penitenciaria Apostólica sobre a celebração do sacramento da Reconciliação em tempos de pandemia da doença de COVID-19.

Por último, uma vez que as almas do Purgatório são ajudadas pelos sufrágios dos fiéis, sobretudo pelo santo sacrifício do Altar (cf. Concílio de Trento, sess. 25.ª, Decreto sobre o Purgatório), roga-se insistentemente a todos os sacerdotes que, no dia da Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, celebrem a Missa três vezes, segundo a norma da Constituição Apostólica “Incruentum Altaris”, do Papa Bento XV, de venerável memória, do dia 10 ago. 1915.

Valerá o presente Decreto por todo o mês de novembro, não obstante quaisquer disposições em contrário.

Dado em Roma, nas dependências da Penitenciaria Apostólica, no dia 22 de outubro de 2020, na memória de S. João Paulo II.

Maurus Card. Piacenza
Penitenciário-Mor

Christophorus Nykiel
Regente

Notas

  • Esta tradução foi feita por nossa equipe a partir do original latino do decreto da Penitenciaria Apostólica, tornado disponível pelo site do Boletim da Sala da Imprensa da Santa Sé. Não se trata, portanto, da tradução oficial do documento.

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