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Christo Nihil Praeponere"A nada dar mais valor do que a Cristo"
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Chegamos, enfim, ao terceiro dia do Tríduo Pascal, ao Domingo da Ressurreição do Senhor, vencedor da morte. Satanás e o pecado já tinham sido vencidos sob o peso da cruz na Sexta-feira Santa; era necessário que hoje esse último inimigo — a morte — fosse clamorosamente derrotado. Em Cristo, a vida divina transbordou em abundância; agora, uma vez ressuscitado, a sua humanidade é plenificada ao extremo, iluminada pelos fulgores da divindade a que está indissolúvel e hipostaticamente unida. Ele, que assumiu a forma de servo, deixa agora que a luz de sua divina Pessoa reluza em seu corpo glorificado.

Existe aqui, no entanto, um “problema”: nós não vemos a Jesus ressuscitado. Tudo o que está à nossa volta parece mais vivo e real do que Aquele que é o Senhor da vida. Mas tudo isso que vemos — o sol que se levanta, os ramos que balançam ao vento, os riachos que correm… — é só aparência de vida, porque só Cristo é a vida verdadeira. É por isso que, ao longo dos próximos quarenta dias, Ele se deixará ver pelos discípulos a fim de ressuscitar neles a fé que, diante dos horrores da crucifixão, havia morrido e sido sepultada.

É interessante notar que, nas narrativas das aparições, o Senhor ressuscitado se mostra aos Apóstolos e dá-lhes a certeza do que estão vendo, mas se trata de uma certeza que deixa sempre um espaço para a fé e, portanto, para a dúvida: assim Ele se mostra aos discípulos de Emaús; assim Ele aparece à beira do lago; assim Ele entra no Cenáculo, disposto a mostrar inclusive as chagas de sua Paixão. Mas por que esse modo de agir? Porque o corpo do Ressuscitado, participando das qualidades de seu espírito, torna-se invisível, de maneira que o Senhor pode aparecer sob a figura que quiser. E Ele aparece sempre de um modo que fortalece a fé de quem o vê e, ao mesmo tempo, exige fé para que se veja.

Jesus quer, sim, que nós creiamos e tomemos parte naquela alegria indizível que inundou o coração não só dos Apóstolos e discípulos, mas ainda o seu próprio Coração. Alegria para os primeiros, já que a fé nos dá a garantia certíssima de que fomos e somos muito amados, com um amor infinito e superabundante: “De tal modo Deus amou o mundo”, escreve S. João, “que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16). Amou-nos Ele tanto que nos deu a capacidade de, pela luz da fé, nos sabermos amados.

Alegria também para o Coração de Cristo, porque “sem fé”, como diz o autor da Epístola aos Hebreus, “é impossível agradar a Deus” (Hb 11, 6). É pelo ato de fé, com efeito, que nos unimos ao Ressuscitado, que do alto do céu envia o Espírito Santo para introduzir-nos na comunhão de sua vida divina. Isso significa que, se estamos unidos a Cristo pela fé, é ao próprio Filho que o Pai enxerga quando olha para nós: “Eis meu Filho muito amado”, diz-nos Ele, “em quem ponho minha afeição” (Mt 3, 17). O Pai se alegra, porque pela nossa fé Ele vê Aquele que é o objeto de todo o seu agrado, de todo o seu bem-querer, de toda a sua complacência.

Eis aí a maravilha da Igreja! Cristo ressuscita e, ao ressuscitar, traz de volta à vida os membros do seu Corpo místico. O tempo pascal, nesse sentido, é tempo de grande alegria e tempo de pedirmos continuamente a Deus uma fé católica plena e abundante, com a da Virgem SS., com a dos Apóstolos depois da Ressurreição do Senhor. O nosso corpo miserável e frágil, enquanto caminhamos neste mundo, continuará padecendo, mas pela fé sabemos já que, no fundo de nossa alma, habita Aquele cujo amor vale mais do que a vida presente.

Como membros vivos do Corpo místico de Cristo, que é a Igreja, vivamos o tempo pascal com uma fé luminosa e uma caridade ardente. Que o Pai dos céus nos conceda, por seu Filho muito amado, a graça de vivermos com fidelidade os nossos compromissos batismais e crescermos, dia após dia, nas virtude teologias com que Ele nos enriqueceu. É Páscoa: sejamos os santos que o Senhor deseja unidos a si!

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