05 de Julho de 2026
Assim diz o Senhor: 9“Exulta, cidade de Sião! Rejubila, cidade de Jerusalém. Eis que vem teu rei ao teu encontro; ele é justo, ele salva; é humilde e vem montado num jumento, um potro, cria de jumenta. 10Eliminará os carros de Efraim, os cavalos de Jerusalém; ele quebrará o arco de guerreiro, anunciará a paz às nações. Seu domínio se estenderá de um mar a outro mar e desde o rio até os confins da terra”.
Bendirei, eternamente, vosso nome, ó Senhor!Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.
1 Ó meu Deus, quero exaltar-vos, ó meu Rei,*
e bendizer o vosso nome pelos séculos.
2 Todos os dias haverei de bendizer-vos,*
hei de louvar o vosso nome para sempre. R.
8 Misericórdia e piedade é o Senhor,*
ele é amor, é paciência, é compaixão.
9 O Senhor é muito bom para com todos,*
sua ternura abraça toda criatura. R.
10 Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem,*
e os vossos santos com louvores vos bendigam!
11 Narrem a glória e o esplendor do vosso reino*
e saibam proclamar vosso poder! R.
13cd O Senhor é amor fiel em sua palavra,*
é santidade em toda obra que ele faz.
14 Ele sustenta todo aquele que vacila*
e levanta todo aquele que tombou. R.
Irmãos, 9vós não viveis segundo a carne, mas segundo o espírito, se realmente o Espírito de Deus mora em vós. Se alguém não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo. 11E, se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos mora em vós, então aquele que ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos vivificará também vossos corpos mortais por meio do seu Espírito, que mora em vós. 12Portanto, irmãos, temos uma dívida, mas não para com a carne, para vivermos segundo a carne. 13Pois, se viverdes segundo a carne, morrereis, mas se, pelo espírito, matardes o procedimento carnal, então vivereis.
25Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. 26Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 27Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. 28Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. 29Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. 30Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 11, 25-30)
Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.
Neste 14.º Domingo do Tempo Comum, a Igreja proclama o Evangelho de São Mateus, capítulo 11, versículos de 25 a 30, que nos apresenta duas das mais belas palavras de Cristo. Primeiro, seu louvor ao Pai por revelar aos pequeninos os mistérios do seu Reino. Em seguida, o convite ou brado do Redentor: “Vinde a mim vós todos que estais cansados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso”.
Para compreender esta passagem, é importante olharmos para o seu contexto. Pouco antes, Nosso Senhor fora repudiado pelos chefes de Israel, que chegaram a atribuir ao demônio a realização de seus milagres. Os que deviam conduzir o povo se haviam convertido em pastores verdadeiramente perversos, incapazes de reconhecer o Messias.
Por isso, compadecido das multidões, que eram como “ovelhas sem pastor”, Jesus escolhe os Doze e envia-os em missão. Quando os discípulos retornam trazendo notícias dos frutos da sua evangelização, o Senhor exulta de santa alegria por terem acolhido os humildes, isto é, os de coração simples e dócil, totalmente o contrário do que estavam fazendo os sábios e entendidos da época.
Em seguida, Jesus afirma que apenas Ele, o Filho, conhece o Pai e, por isso, é o único que o pode dar a conhecer aos outros. Aos segredos do coração de Deus só tem acesso quem entra na intimidade de Cristo. Trata-se do mesmo mistério proclamado no Prólogo do Evangelho de São João: o Filho, que vive desde sempre voltado para o seio do Pai, veio nos revelar quem Deus é (cf. Jo 1, 18).
Se o Filho conhece o Pai porque vive com Ele em perfeita comunhão não só de vontade como de substância, também nós, cuja vida tem de ser reflexo da de Cristo, somos convidados a repousar sobre o Coração d’Ele. Aqui, a imagem do discípulo amado reclinado no peito de Jesus durante a Última Ceia é como que a representação em miniatura do que a vida espiritual deve ser.
É na intimidade de Cristo que se conhece o que é o amor do Pai e como ele deve ser correspondido. Também a Eucaristia, de modo ainda mais particular, chama-nos a estreitar essa relação de intimidade. Não é à toa que o altar reúne em si tanto a mesa da Última Ceia quanto o Calvário, onde o Coração de Cristo foi traspassado por amor aos homens.
O convite presente no Evangelho de hoje, Jesus o dirige especialmente aos que estão cansados e sobrecarregados. Ora, o maior peso que podemos nos impor é o de buscar a felicidade longe de Deus. E é isso que faz o pecado: ele nos promete liberdade, mas nos acorrenta a senhores cada vez piores. Como o filho pródigo, procuramos satisfazer com bens finitos e passageiros nosso desejo infinito por um bem que não passa. Daí se originam nossos sentimentos tão frequentes de vazio, tristeza e desilusão… São os fardos do nosso egoísmo, das nossas paixões desordenadas e, em última análise, da nossa inimizade com Deus que vão tornando a vida cada vez mais pesada.
No lugar deles, Jesus nos oferece um jugo leve, o da caridade, do amor vivido em união com Ele. Naturalmente, ninguém é capaz por si só de amar como Cristo ama. Mas quem está unido a Ele tem, por isso mesmo, a força sobrenatural da graça. E quando vivemos na graça divina, nossa cruz não desaparece, mas já não a carregamos sozinhos.
Quem segue a Cristo, ainda que tenha muito que suportar, tem na cruz um motivo mais de alívio que de tormento, porque é uma cruz para ser levada na companhia do Senhor, que está dentro de nós como um cirineu ajudando-nos a carregá-la.
E, como a vida dos santos o demonstra, o amor faz do sacrifício um caminho de liberdade, de modo que aquilo que aos olhos do mundo parece pesado é, para quem ama, leve e suave.
Notemos também que o descanso prometido por Nosso Senhor está reservado para os humildes. Precisamos reconhecer nossa pobreza e indigência, abandonar toda prepotência e voltar-nos a Deus como filhos pródigos de volta à casa do Pai. Cristo acolhe quem dele se aproxima com confiança e arrependimento sincero e o introduz em sua própria intimidade. Nela, o discípulo aprende que o descanso cristão não está na ausência da cruz, mas na presença do amor.
O Evangelho de hoje é, numa palavra, um convite pessoal de Cristo. Ele está ainda hoje de braços abertos, chamando para junto de si a todos que andam cansados de buscar a felicidade onde ela não se encontra. Quem aceita esse convite se aproxima do seu Sagrado Coração, o único refúgio em que se pode aprender a mansidão e descobrir as profundezas do amor de Deus, por cuja graça não há fardo impossível de carregar, por mais pesado que seja.
Portanto, o verdadeiro descanso, que Cristo veio nos dar, só será alcançado se abandonarmos o fardo do pecado e tomarmos sobre nós o jugo suave da humildade, que fez o filho pródigo voltar para casa e dizer ao Pai: “Recebe-me como empregado”. Então, poderemos reclinar nossa cabeça no peito do Senhor, que é “manso e humilde de coração”, e ali encontraremos descanso, porque é suave o jugo do amor, e leve o fardo da caridade.
© Leituras extraídas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.