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Liturgia Diária

Acompanhe a leitura do dia e também a Homilia do Padre Paulo Ricardo.
Ascensão do Senhor, Solenidade

17 de Maio de 2026

Primeira Leitura
Leitura dos Atos dos ApóstolosAt 1,1-11

1No meu primeiro livro, ó Teófilo, já tratei de tudo o que Jesus fez e ensinou, desde o começo 2até o dia em que foi levado para o céu, depois de ter dado instruções, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que tinha escolhido. 3Foi a eles que Jesus se mostrou vivo depois da sua paixão, com numerosas provas. Durante quarenta dias, apareceu-lhes falando do reino de Deus. 4Durante uma refeição, deu-lhes esta ordem: “Não vos afasteis de Jerusalém, mas esperai a realização da promessa do Pai, da qual vós me ouvistes falar: 5‘João batizou com água; vós, porém, sereis batizados com o Espírito Santo dentro de poucos dias’”. 6Então os que estavam reunidos perguntaram a Jesus: “Senhor, é agora que vais restaurar o reino em Israel?” 7Jesus respondeu: “Não vos cabe saber os tempos e os momentos que o Pai determinou com a sua própria autoridade. 8Mas recebereis o poder do Espírito Santo, que descerá sobre vós para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e na Samaria e até os confins da terra”. 9Depois de dizer isso, Jesus foi levado ao céu à vista deles. Uma nuvem o encobriu, de forma que seus olhos não podiam mais vê-lo. 10Os apóstolos continuavam olhando para o céu, enquanto Jesus subia. Apareceram então dois homens vestidos de branco, 11que lhes disseram: “Homens da Galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu? Esse Jesus, que vos foi levado para o céu, virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu”.

Salmo Responsorial
Por entre aclamações, Deus se elevou, o Senhor subiu ao toque da trombeta.Sl 46(47),2-3.6-7.8-9

Por entre aclamações Deus se elevou,
o Senhor subiu ao toque da trombeta.
Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

2 Povos todos do universo, batei palmas, *
gritai a Deus aclamações de alegria!
3 Porque sublime é o Senhor, o Deus Altíssimo, *
o soberano que domina toda a terra. R.

6 Por entre aclamações Deus se elevou, *
o Senhor subiu ao toque da trombeta.
7 Salmodiai ao nosso Deus ao som da harpa, *
salmodiai ao som da harpa ao nosso Rei! R.

8 Porque Deus é o grande Rei de toda a terra, *
ao som da harpa acompanhai os seus louvores!
9 Deus reina sobre todas as nações, *
está sentado no seu trono glorioso. R.

Segunda Leitura
Leitura da carta de São Paulo aos EfésiosEf 1,17-23

Irmãos, 17o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, vos dê um espírito de sabedoria que vo-lo revele e faça verdadeiramente conhecer. 18Que ele abra o vosso coração à sua luz, para que saibais qual a esperança que o seu chamamento vos dá, qual a riqueza da glória que está na vossa herança com os santos 19e que imenso poder ele exerceu em favor de nós, que cremos, de acordo com a sua ação e força onipotente. 20Ele manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus, 21bem acima de toda autoridade, poder, potência, soberania ou qualquer título que se possa mencionar não somente neste mundo, mas ainda no mundo futuro. 22Sim, ele pôs tudo sob os seus pés e fez dele, que está acima de tudo, a cabeça da Igreja, 23que é o seu corpo, a plenitude daquele que possui a plenitude universal.

Evangelho
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo MateusMt 28,16-20

Naquele tempo, 16os onze discípulos foram para a Galileia, ao monte que Jesus lhes tinha indicado. 17Quando viram Jesus, prostraram-se diante dele. Ainda assim alguns duvidaram. 18Então, Jesus aproximou-se e falou: “Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra. 19Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo 20e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei! Eis que eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo”.

Meditação
A promessa de Jesus e as tribulações da Igreja

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 28, 16-20)

Naquele tempo, Os onze discípulos foram para a Galileia, ao monte que Jesus lhes tinha indicado. Quando viram Jesus, prostraram-se diante dele. Ainda assim alguns duvidaram. Então Jesus aproximou-se e falou: “Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra. Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei! Eis que eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo”.

Nesta Solenidade da Ascensão do Senhor, a Igreja proclama o Evangelho de São Mateus, capítulo 28, versículos do 16 ao 20, que nos introduz no chamado tempo da Igreja, o período que se estende desde a subida de Cristo aos céus até a sua vinda gloriosa para o Juízo Universal. Trata-se de um tempo marcado pela promessa da presença de Cristo: “Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28, 20); presença, portanto, que não é ocasional, mas contínua, embora muitas vezes imperceptível.

Essa presença, porém, não elimina as tribulações; antes, pelo contrário, insere-se nelas, sustentando a Igreja em meios às crises. A consciência dessa presença exige de nós uma leitura de fé diante das dificuldades históricas. Ao longo dos séculos, a Igreja atravessou tempestades que, aos olhos incrédulos, poderiam sugerir que Cristo a tivesse abandonado. No entanto, à luz de sua promessa, toda tribulação há de ser interpretada como ocasião de participarmos na sua Paixão. Jesus é, hoje e sempre, o Senhor da história, a quem “toda a autoridade” foi dada, e o qual governa a Igreja, ainda quando sua ação não seja claramente perceptível.

O mistério da Ascensão nos revela a condição atual de Nosso Senhor. Exaltado à destra de Deus, Ele exerce um senhorio real e eficaz. Essa verdade, professada no Credo: “Está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso”, encarna-se no presente da vida cristã. A Solenidade da Ascensão não é a simples memória de um evento passado nem simples espera do juízo futuro; é um meio de reconhecer, aqui e agora, a soberania que sustenta e orienta, sem cessar, a Igreja em sua peregrinação pelo mundo. A confiança do fiel, pois, deve repousar, não em circunstâncias visíveis e à primeira vista favoráveis, mas na autoridade invisível de Cristo, que se faz valer até das situações mais adversas.

A partir dessa base, compreende-se o sentido purificador das tribulações. O sofrimento não é simplesmente tolerado por Deus, mas é integrado, por meios quase sempre misteriosos, em um desígnio de santificação. Ao permitir que a Igreja passe por crises, Cristo nos chama a responder ao seu amor com um amor acrisolado. É, por assim dizer, uma forma de pedagogia espiritual pela qual aprendemos a amar a Deus não só na consolação e na paz, mas também na dor e no desconcerto, configurando-nos, assim, a Cristo crucificado.

O Evangelho delineia ainda os elementos constitutivos do tempo da Igreja, explicitados logo ao final, no mandato missionário (“Ide; fazei discípulos”), a saber: os sacramentos (“batizando-os”) e a pregação (“ensinando-os”), que correspondem, respectivamente, à comunicação da graça e à transmissão da verdade. A vida cristã, para ser autêntica, exige a integração desses dois pólos, por assim dizer — participação assídua nos sacramentos e fidelidade à doutrina recebida —, os quais, separados, tornam-se estéreis e, unidos, constituem o nosso caminho de santidade.

Com efeito, a vida sacramental não é um complemento acessório, mas o meio ordinário pelo qual a graça de Cristo nos é comunicada e sustentada. Se o Batismo inaugura em nós a vida divina, a Confirmação a fortalece, a Eucaristia a alimenta e a Confissão, quando necessário, a restaura. Enquanto os sacramentos, aprofundando, cada um ao seu modo, nossa comunhão com Deus, tornam possível nossa resposta concreta de amor, o ensinamento da Igreja forma nossa inteligência e orienta nossa ação, assegurando que a fé, professada pela boca, seja bem compreendida e vivida pelas boas obras.

Eis por que o discipulado cristão não se esgota em receber; ele implica necessariamente uma missão: “Ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei!” (Mt 28, 19-20). É uma exigência interna da caridade, mais do que uma estratégia de expansão. Afinal, quem recebeu o amor de Cristo é impelido a comunicá-lo, razão por que a ausência de impulso missionário é sintoma de enfraquecimento da vida cristã, uma vez que a fé, como aliás todo bem verdadeiro, tende a difundir-se por si mesma.

Abre-se nesse horizonte a dinâmica própria da novena de Pentecostes, que, ligando a Ascensão à efusão do Espírito Santo cinquenta dias depois da Páscoa, recorda-nos, ano após ano, a necessidade de nos prepararmos interiormente para a ação divina. De fato, ainda que o Espírito Santo já habite na alma em estado de graça, sua atuação depende de moções que atualizem e tornem operantes os dons dele recebidos.

Para compreender essa distinção, podemos recorrer à seguinte comparação. Os dons do Espírito Santo são como as velas de um navio, as quais, mesmo abertas e desembaraçadas, permanecem inertes se não houver vento. O sopro são as moções atuais do Espírito, que levam a ato os hábitos infusos na alma em estado de graça. Eis por que a vida espiritual do cristão não consiste só em possuir determinadas disposições interiores, mas em corresponder às moções divinas que as põem em movimento.

Daí a necessidade da oração, da súplica constante pela ação do Espírito Santo — súplica humilde, que reconhece a própria insuficiência; súplica confiante, que se ampara nas promessas divinas; súplica perseverante, que mantém vivo o desejo ao longo do tempo; enfim, súplica atenta, que não perde de vista o que pede nem por que o pede. São essas as disposições do fiel que, pela oração, se abre às graças atuais que fazem passar da potência ao ato o amor de Deus, isto é, a caridade divina.

Amarremos as pontas desta breve reflexão: o tempo da Igreja é o tempo da presença invisível, da autoridade soberana e da ação santificadora de Jesus Cristo por meio dos sacramentos, da pregação da doutrina e da ação do Espírito Santo. É o tempo em que o fiel cristão é chamado a viver na fé, a crescer no amor e a colaborar na missão da Igreja, sustentado pela oração e pela confiança na promessa daquele que há de permanecer conosco até o fim dos tempos.

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