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A amizade deve estar “acima de tudo”?
Espiritualidade

A amizade deve estar “acima de tudo”?

A amizade deve estar “acima de tudo”?

Quem seria tão “arrogante”, “intolerante” ou “farisaico” a ponto de exaltar a religião ou a política à custa de suas amizades? As relações físicas, de carne e osso, não contam mais, afinal, do que princípios ideológicos “frios”?

James H. TonerTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere17 de Abril de 2019Tempo de leitura: 9 minutos
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I. Eu faço parte de um pequeno círculo de conhecidos do passado — todos ex-alunos da mesma universidade, em 1968 — que compartilha histórias, piadas, citações, recomendações de livro e vídeos. Recentemente, deparamo-nos com a seguinte declaração, comumente atribuída a Thomas Jefferson: “Eu nunca considerei uma divergência de opinião em política, em religião ou em filosofia como razão para me afastar de um amigo.”

Nem é preciso dizer que a citação foi recebida com unanimidade. Afinal de contas, por que qualquer um de nós, velhos conhecidos, amigos e companheiros que somos, descartaríamos nossos cinquenta anos de parceria devido a uma possível diferença de opinião em assuntos tão “triviais” como política, religião ou filosofia?

Digo que “a citação foi recebida com unanimidade”, exceto por mim (ainda que eu tenha me contido). Às vezes, tudo o que alguém sabe ou tudo aquilo em que acredita é colocado em xeque através de uma simples afirmação. Como professor, diácono, soldado (e também como esposo e pai de família), eu passei praticamente toda a minha vida adulta argumentando contra o ponto de vista expresso nessa declaração atribuída a Thomas Jefferson. Ironicamente, eu aprendi essa lição “antijeffersoniana” na mesma faculdade de que participaram os membros desse nosso “grupo virtual”.

Mas, afinal, quem seria tão arrogante, tão intolerante ou tão farisaico a ponto de exaltar a religião ou a política à custa de suas amizades? As relações físicas, de carne e osso, não contam mais numa escala de valores do que princípios ideológicos “frios”? A lealdade aos amigos não é a maior das virtudes? Não deveríamos dizer, com o romancista Edward Morgan Forster: “Se eu tivesse de escolher entre trair a minha pátria e trair um amigo, eu esperaria ter a coragem de trair o meu país”?

“Proibido nadar”, de Norman Rockwell.

II. Não, não e não.

Em grande parte da boa literatura, a amizade é exaltada com justiça e sabedoria. É possível ler sobre o assunto na Ética Nicomaqueia de Aristóteles e na Sirácida bíblica, especialmente em seu capítulo sexto, sem falar de outras obras de duradoura significância. Com isso somos levados a concluir, prima facie, que Thomas Jefferson deve estar certo: se nos fosse dado escolher entre ser fiel a um princípio abstrato ou ser fiel aos amigos, nós deveríamos escolher este último. E esse é, ao que parece, o consenso de nossos contemporâneos.

Mas a amizade ou é meritória ou é “meretrícia”. Se meretrícia, é falsa, fraudulenta e fugaz; se meritória, é verdadeira, fidedigna e duradoura. Se meretrícia, a amizade é construída sobre a areia da falta de caráter, da frivolidade ou da alegria vã; se meritória, porém, é construída sobre a rocha do que é supremo, permanente e piedoso. É o testemunho que nos dá o Salmo 101: “Detesto o crime de quem vos renega; que não me atraia de modo nenhum! Bem longe de mim, corações depravados, nem nome eu conheço de quem é malvado” (v. 3-4), e é o sentido deste versículo de Eclesiástico 6: “Separa-te daqueles que são teus inimigos, e fica de sobreaviso diante de teus amigos” (v. 13).

Toda as lealdades, amizades e camaradagens — valiosas como são — só se mantêm até certo ponto. Elas são circunstanciais, condicionais e contextuais; são contingentes e devem estar em conformidade com o que é bom, verdadeiro e belo, devem ser consistentes tanto com a razão natural quanto com a revelação (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1954). Quando o que parece ser uma amizade é, na verdade, tentação ao pecado e ao mal, a amizade já está dissolvida.

Suponha que um “amigo” viesse lhe pedir para ajudá-lo a fazer algo manifestamente criminoso ou pecaminoso. Sua resposta deveria ser, primeiro, recusar-se e, segundo, admoestar o pecador, tentando convencê-lo do erro e ganhá-lo de volta para fazer o que é certo.

Tudo isso exige, no entanto, algo que está em falta nos dias de hoje: fidelidade a normas transcendentes. Essa ideia foi expressa de maneira clara, concisa e cogente pelo Papa São João XXIII em sua encíclica Ad Petri Cathedram, de 1959:

A causa e a raiz de todos os males que, por assim dizer, envenenam os indivíduos, os povos e as nações, e tantas vezes perturbam o espírito de muitos, está na ignorância da verdade. E não só na ignorância, mas às vezes até no desprezo e no temerário afastamento dela. Daqui erros de toda a espécie, que penetram como peste nas profundezas da alma e se infiltram nas estruturas sociais, desorganizando tudo, com grave ruína dos indivíduos e da sociedade humana (n. 4).

III. A citação de Thomas Jefferson transcrita no começo deste artigo deve ser lida, portanto, justamente ao contrário. Nós deveríamos considerar, sim, uma divergência crucial de opinião em política, em religião ou em filosofia, como forte razão para se afastar de um amigo. Mas o que seria, nesse sentido, uma divergência “crucial”?

Na magnífica peça A Man for All Seasons, de Robert Bolt [n.d.t.: da qual há um filme homônimo, em português chamado “O homem que não vendeu a sua alma”], São Thomas More é instado a trair a verdade para se aliar a outros (que já haviam traído a verdade) “por amizade”. O santo então pergunta, quando a consequência da ação de uma pessoa é ela ser mandada ao inferno, se seus amigos a deveriam acompanhar também àquele lugar, só “por amizade”.

Eis o ponto crucial. Quando uma suposta amizade aprova o mal ou nos conduz ao caminho do pecado (algo a que se costuma chamar “cooperação formal ou material com o mal”), nós devemos ter a prudência e a fortaleza de rejeitar esta que é uma “amizade” falsa, fraudulenta e fugaz. Aqueles que nos levam à perdição não são nossos melhores amigos, mas sim nossos piores inimigos, e nós devemos sim nos afastar deles (tendo-os aconselhado primeiro quanto à razão da rejeição).

O Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos tem um ditado segundo o qual “um soldado em dever de guarda não tem amigos”. Tampouco a nós toca ter amigos se o que estamos guardando (cf. 2Tm 1, 14) se encontra ameaçado pelas palavras ou ações daqueles que nós pensávamos ser amigos, aliados, colegas ou companheiros (incluindo nessa lista, a propósito, os homens de colarinho).

“Nós devemos envidar todos os nossos esforços”, diz Aristóteles, “para evitar a iniquidade e ser bons”. É dessa forma que alguém pode se tornar o verdadeiro amigo de outra pessoa. Sem o nosso próprio esforço, supremo e contínuo, pela virtude (cf. 2Pd 1, 3-11), não há fundamento para a amizade. Quando virmos que os outros estão se tornando ou se tornaram corruptos, nossa responsabilidade é nos apartarmos deles, e não nos juntarmos a eles. Provavelmente citando o poeta grego Menandro, São Paulo nos adverte: “Más companhias corrompem bons costumes” (1Cor 15, 33; 5, 11; 6, 9; Pr 13, 20; 2Cor 6, 14).

Há uma forma de entender, por fim, as “amizades” corruptas e nossa obrigação de nos afastarmos (ou mesmo fugirmos) delas. Os verdadeiros amigos, as amizades autênticas podem facilmente se dissolver nos “ácidos morais” de nossa época. Esses “ácidos” vêm do mundo (e de sua insistência em que o aqui e o agora é tudo o que existe), da carne (e de sua insistência em que o prazer físico é o ponto principal de todos os “relacionamentos”) e do diabo (para cujos ardis nós hoje nos encontramos pouquíssimo alertas), os três inimigos da alma, que têm moldado nossos costumes sociais e encontrado sua expressão na música e em outras formas de cultura popular.

IV. Falsas amizades estão sempre fundadas em um destes três males: a crença (irônica) de que Deus não existe, de que a virtude consiste na exaltação soberba de si próprio, e de que podemos imaginar um mundo (pelagiano) no qual somos nós mesmos que fazemos o certo e o errado. (Note-se que Adão e Eva, ao traírem a amizade de Deus, necessariamente prejudicaram o próprio relacionamento entre eles: cf. Gn 3, 5; 6, 5.)

A verdadeira amizade, porém, está sempre fundada, de modo consciente ou não, na piedosa devoção a Deus, no humilde reconhecimento da própria condição de pecador e na nossa necessidade da redenção divina, bem como no entendimento refinado de que existem, de fato, razões profundas para se viver e morrer. Encontrar homens e mulheres que estejam moral e mentalmente vinculados a essas verdades é como descobrir “um tesouro. Nada é comparável a um amigo fiel, o ouro e a prata não merecem ser postos em paralelo com a sinceridade de sua fé” (Eclo 6, 14-15).

Um sacerdote católico se perguntou certa vez, refletindo, se os ateus poderiam ser bons cidadãos e chegou à conclusão negativa; eu me pergunto, do mesmo modo, se os que não crêem em Deus podem ser bons amigos, e não posso chegar senão à mesma conclusão. Lealdade autêntica e na medida certa a um amigo só pode ser fruto da minha obediência a Deus (cf. Catecismo, n. 144; Rm 1, 5; 16, 26), sem o qual é inevitável que se siga uma abjeta confusão moral.

Se existe um “conserto” para amizades perversas ou pervertidas? É claro que sim. O conserto está sempre à nossa disposição, se tivermos a inteligência agraciada para ver e ouvir, e então nos conformarmos (cf. Rm 12, 2) à vontade de Deus. Mas o discernimento moral das pessoas parece ter sido sacrificado à “divindade” atual: o subjetivismo, que diz a nós que podemos fazer o que quisermos escolher e apartar-nos arrogantemente do Pão da Vida (cf. Jo 6, 35.66).

Nosso Senhor chama-nos seus amigos (cf. Jo 15, 15), mas essa é uma amizade que podemos abandonar a qualquer momento (e, ai de nós!, mui frequentemente nós o fazemos). Quando, então, pelo pecado, nós traímos essa primeira amizade, perde-se o fundamento para todas as outras amizades.

A primeira obrigação de quem deseja ser um bom amigo deve ser, portanto, a fidelidade à Verdade; e a segunda obrigação deriva naturalmente da primeira: tendo nós mesmos reconhecido o que é bom, verdadeiro e belo, devemos generosamente compartilhar essa visão com os outros e resolutamente chamar à conversão nossos amigos que, vivendo no pecado, erram longe do caminho de Deus (cf. Tg 5, 19; Sl 50, 13).

A amizade genuína, como toda comunidade genuína, pode acolher várias pessoas. Ela deve sempre basear-se, no entanto, não sobre uma diversidade incoerente de julgamentos morais (cf. 1Cor 5), mas antes na devota união de certezas quanto ao que é amável de modo absoluto e infinito (Venite adoremus Dominum, “Vinde, adoremos o Senhor”).

Se a frase com que começamos este texto é de fato de Thomas Jefferson, portanto, ele está errado: a verdadeira amizade exige que nos afastemos dos amigos aparentes, que conspurcam ou traem o que é puro, nobre e eterno.

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As Têmporas de Pentecostes
Liturgia

As Têmporas de Pentecostes

As Têmporas de Pentecostes

As Têmporas de inverno têm uma característica especial: são três dias de penitência dentro da Oitava de Pentecostes. Os católicos são chamados a jejuar e abster-se de carne ao mesmo tempo que adoram, em festa, o divino Espírito Santo.

Equipe Christo Nihil Praeponere3 de Junho de 2020Tempo de leitura: 4 minutos
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Toda mudança de estação é uma oportunidade para reavivar o costume das Quatro Têmporas

Como já explicamos com mais detalhes noutra oportunidade, as Têmporas são celebrações litúrgicas instituídas para santificar o ano civil e dar graças a Deus pelos frutos da terra. Antes da reforma de Paulo VI, elas eram tempos especiais de vigília e oração, durante os quais novos sacerdotes eram dados à Igreja e o jejum e a abstinência de carne eram obrigatórios.

As Têmporas, normalmente, pedem o roxo na liturgia, mas não as de Pentecostes.

Dizemos que era assim antes de 1970 não porque as Têmporas tenham sido abolidas de fato. Hoje, está sob o encargo das conferências episcopais e das dioceses determinar o tempo e o modo de celebração delas. Como isso não aconteceu em lugar nenhum, no entanto, e a própria Igreja arrancou as Têmporas do calendário litúrgico, desobrigando os católicos de jejuar nesses dias, o resultado prático não foi muito diferente de uma extinção.

Por ser um costume que incutia nos fiéis a necessidade premente da mortificação e praticamente formava a identidade da religião católica, só podemos lamentar que tenha se perdido. Mas o momento é mais do que oportuno para resgatar tradições como essa em família. Com as igrejas fechadas e as Missas suspensas em muitas dioceses, os lares católicos, que já deveriam ser, naturalmente, o primeiro lugar em que as pessoas são educadas sobre a própria fé, tornaram-se praticamente o único refúgio da Igreja nesses tempos de pandemia.

As Têmporas de outono-inverno (no hemisfério sul), por sua vez, têm uma característica toda especial. Embora a mudança de estação só aconteça no dia 21 de junho, a Igreja havia determinado há muito tempo que elas fossem celebradas sempre na quarta, sexta-feira e sábado da semana seguinte a Pentecostes. Considerando que no calendário antigo essa solenidade tinha uma Oitava própria (outra perda que só nos resta lamentar), os fiéis encontravam-se na inusitada situação de fazer penitência em meio a uma verdadeira festa: de fato, na liturgia os sacerdotes tinham de usar paramentos vermelhos (e não o roxo típico das celebrações penitenciais), entoar o Glória, a sequência Veni Creator e o Credo. 

Tratava-se de uma situação litúrgica atípica, sim, mas que nos deveria fazer pensar. O escritor medieval Sicardo de Cremona († 1215), comentando a respeito dessa estranha junção de um jejum e uma festa, dizia:

Presta atenção em que o jejum de hoje das Quatro Têmporas não derroga a solenidade do Espírito Santo, senão que a ilumina; porque os deleites do Espírito Santo trazem consigo o desgosto pelos prazeres carnais, e porque, tirado dos Apóstolos o Esposo, eles deviam jejuar, como o Senhor havia predito (cf. Mt 9, 15). Assim, repletos do Espírito Santo, eles começaram a jejuar espontaneamente (Mitrale, VII, 11: PL 213, 383).

“Os deleites do Espírito Santo trazem consigo o desgosto pelos prazeres carnais”, isto é, quando estamos na graça de Deus e passamos a saborear as coisas espirituais, ao mesmo tempo é necessário que, num verdadeiro exercício da virtude da penitência, desprezemos as coisas da carne.

De fato, nós tendemos a esquecer isso, mas há uma penitência escondida na verdadeira alegria cristã e, ao mesmo tempo, uma alegria escondida no coração de quem faz penitência! Nesta vida, não podemos separar completamente as duas realidades, pois quem ama a Deus deve necessariamente aborrecer o pecado e lutar contra ele. Isso coloca-nos em situação permanente de vigilância: ao me alegrar por alguma coisa — por uma solenidade litúrgica, por exemplo —, não posso esquecer da tristeza que ronda todos os que perdem a Deus, e que esse risco é muito real e próximo de mim. Não está escrito, afinal, que “o vosso adversário, o diabo, rodeia como um leão a rugir, procurando a quem devorar” (1Pd 5, 8)? E porventura diz a glosa ou algum outro versículo que os demônios tiram folga em dias de festa? Não é mais lógico pensar, ao contrário, que o que eles querem é justamente se aproveitar de qualquer desleixo de nossa parte para nos atacar com ainda mais força? 

Essa meditação deveria ser suficiente para derrubar qualquer objeção à penitência em dias de alegria, sejam eles a Oitava de Pentecostes ou própria Páscoa que os católicos vivemos todas as semanas, nos domingos. 

À luz da solenidade de Pentecostes, vale a pena ainda insistir um pouco mais nessa oposição entre carne e espírito, tão falada pelo Novo Testamento. Precisamos tomar consciência da guerra que se trava todos os dias dentro de nós, e na qual está em jogo a própria permanência do Espírito Santo em nossas almas. Santo Tomás de Aquino lembra que para vencer a concupiscência importa “trabalhar muito”, já que estamos falando de um “inimigo familiar, que está dentro de nós”, e acrescenta:

Ora, se dois inimigos estivessem em batalha e tu quisesses ajudar um deles, a um terias de prestar auxílio e a outro não. Pois bem, há entre o espírito e carne uma luta constante (praelium continuum). Por isso, é necessário, se desejas que o espírito saia vencedor, que lhe prestes auxílio, e isto se faz pela oração; à carne, porém, o tens de negar, e isto se faz pelo jejum, pois é pelo jejum que se enfraquece a carne (De decem praeceptis, XI).

Unamos, portanto, a nossas súplicas ao divino Espírito Santo, o jejum e a abstinência de carne nesses dias de Têmporas. 

E não nos esqueçamos de os oferecer não só por nossa própria causa, mas também pelo aumento e santificação do clero no mundo inteiro. Era costume da Igreja, nesses três dias, proceder à ordenação de novos sacerdotes, e todo o povo fiel se unia em oração por eles. No escondimento de nossas casas, transformemos esse antigo e piedoso hábito em devoção privada, rezando em família a Ladainha de todos os santos, a Passio Domini ou uma outra oração qualquer pelos sacerdotes.

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Vivamos a Oitava de Pentecostes!
Liturgia

Vivamos a Oitava de Pentecostes!

Vivamos a Oitava de Pentecostes!

Em 1970, ao ver abolida a Oitava de Pentecostes, o próprio Papa Paulo VI teria chorado… Verídica ou não a história, este pode ser um bom ano para intensificarmos essa Oitava como prática devocional, apesar de sua supressão litúrgica.

Pe. Raymond J. de SouzaTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere3 de Junho de 2020Tempo de leitura: 5 minutos
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Há cinquenta anos, o Papa São Paulo VI chorou. Assim diz a tão difundida — mas não confirmada — história sobre o dia em que o Papa Paulo VI foi até a sua capela privada para celebrar a Santa Missa na segunda-feira depois do Pentecostes. Ele ficou surpreso ao ver que estavam separados para ele os paramentos verdes para o Tempo Comum, em vez dos vermelhos usados na Oitava de Pentecostes.

O Papa ficou assustado, e o cerimoniário de plantão relatou que a Oitava havia sido abolida. Desconcertado, o Pontífice quis saber quem havia feito aquilo.

“O senhor, Santidade”, respondeu o cerimoniário. E o Santo Padre chorou.

Giovanni Battista Montini, o Papa Paulo VI, governou a Igreja de 1963 a 1978.

Independentemente da veracidade dessa história, a perda da Oitava de Pentecostes é motivo de tristeza. Depois de cinquenta anos, as lágrimas têm pouca serventia. É melhor compreender por que ela é importante e o que pode ser feito a esse respeito.

A oração pública da Igreja tem aspectos litúrgicos e devocionais. Algumas partes da Tradição são uma combinação de ambos — como a “primeira novena” entre a Quinta-feira da Ascensão e o Domingo de Pentecostes ou, mais recentemente, a novena da Divina Misericórdia, que começa na Sexta-feira da Paixão e continua ao longo da Oitava de Páscoa.

Este pode ser um bom ano para intensificarmos a prática devocional da Oitava de Pentecostes, apesar de sua supressão litúrgica em 1970. Nos últimos anos, tem crescido o interesse por ela, uma consequência positiva do “enriquecimento mútuo” desejado por Bento XVI entre as formas ordinária e extraordinária do Rito Romano. Neste ano em que a vida devocional substituiu em grande medida a vida litúrgica, seria muito conveniente observar a Oitava de Pentecostes com orações diárias e devoções ao Espírito Santo

As Oitavas são muito respeitadas na Tradição da Igreja. Elas ampliam uma festa importante para uma semana inteira (oito dias, pois a própria festa conta como o primeiro dia) e muitas a coroam com outra festa no oitavo dia, também chamada de “oitava”.

O Natal possui uma Oitava, que começa no dia 25 de dezembro e termina em 1.º de janeiro. O oitavo dia é marcado por outra festa, outrora a do Santo Nome de Jesus e hoje a Solenidade de Maria, Mãe de Deus. A maternidade divina de Maria é uma oitava apropriada para o Natal. 

A Oitava de Páscoa é tão importante que não são permitidas outras festas dentro dela, e seu oitavo dia é outro domingo, atualmente o Domingo da Divina Misericórdia.

Com o passar dos anos, outras festas foram elevadas à condição de oitava. Por exemplo, os católicos ingleses podem se perguntar por que São Thomas More, escrevendo para a sua filha Meg na véspera de sua execução, refere-se àquele dia como a “vigília de Pedro”. Ele foi executado em 6 de julho de 1535, oitavo dia da Solenidade de São Pedro e São Paulo, que então era considerada uma extensão daquela solene festa apostólica. 

Por volta da década de 1950, o calendário litúrgico tinha dezoito (!) Oitavas, e era urgente fazer uma poda. Porém, a árvore mal sobreviveu, já que o Venerável Papa Pio XII suprimiu todas elas, exceto a do Natal, a da Páscoa e a de Pentecostes, que sobreviveu por mais quinze anos.   

Ainda há sinais de Oitavas no calendário revisado. O oitavo dia da Solenidade da Assunção (15 de agosto) é a festa de Maria Rainha (22 de agosto): o quarto e o quinto mistérios gloriosos do Rosário claramente fazem parte de uma mesma realidade. É possível até identificar Oitavas ocultas, como a que existe entre Santa Maria Madalena (22 de julho) e Santa Marta (29 de julho), que provavelmente surgiu da tradição (não inconteste) de que Maria Madalena era irmã de Marta.  

Há resquícios da Oitava de Pentecostes, cujas orações no Ofício Divino São John Henry Newman considerava as mais “grandiosas” de todo o ano. O ponto culminante da Oitava suprimida ainda é o Domingo da Santíssima Trindade. O Espírito Santo nos dá a capacidade de professar que Jesus é o Senhor (cf. 1Cor 12, 3) e de clamar “Aba! Pai!” (Rm 8, 15; Gl 4, 6). Portanto, é apropriado que a Solenidade da Santíssima Trindade suceda a descida do Espírito Santo.

Resta ainda uma curiosa anotação no Missal Romano que diz o seguinte: nos lugares em que “é costume ou obrigação dos fiéis” assistir à Missa na “segunda ou mesmo na terça” depois de Pentecostes, os textos da Missa do Domingo de Pentecostes podem ser repetidos. Trata-se de uma referência à Baviera e à Áustria, onde esses dias já foram feriados civis. Na Inglaterra, era a Segunda-feira de Pentecostes, um eco da Oitava de Páscoa, particularmente da Segunda-feira de Páscoa.

Em 2018, o Papa Francisco determinou a obrigatoriedade de uma nova festa na segunda-feira depois de Pentecostes: Maria, Mãe da Igreja. Alguns alegaram que isso tornou impraticável qualquer vestígio da Oitava de Pentecostes, pois foi removida a opção de repetir a Missa de Pentecostes naquele dia ou até a de celebrar uma Missa votiva do Espírito Santo. Trata-se de uma objeção fraca, pois “Mãe da Igreja” é um título mariano inextricavelmente ligado à vinda do Espírito Santo. É Ele quem cobre Maria na Anunciação em Nazaré, e ela está mais uma vez presente em Pentecostes, quando o Espírito desce sobre a Igreja nascente. 

Em vez disso, pode-se dizer que, com o próprio Pentecostes, a nova festa mariana, o Domingo da Trindade e a sua vigília, quatro dos oito dias da Oitava já estão cobertos. Missas votivas do Espírito Santo poderão preencher o restante, se não forem impedidas por uma festa obrigatória.

Mas isso só se aplica às orações que o sacerdote usa na Santa Missa. Há plena liberdade para orações devocionais feitas em privado ou com familiares e amigos. Ladainhas do Espírito Santo, atos de consagração ao Espírito Santo, imagens do Espírito Santo para adornar o lar, o canto do Veni, Creator Spiritus e do Veni, Sancte Spiritus — podemos fazer tudo isso para vivenciar a Oitava de Pentecostes.

Esta época de pandemia, em que a oração nos lares se tornou mais regular e mais criativa, é um período ideal para fazermos exatamente isto — a novidade pode ser usada para se recuperar uma tradição antiga. — Vinde, Espírito Santo!

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Posso “reconfessar” os meus pecados?
Doutrina

Posso “reconfessar” os meus pecados?

Posso “reconfessar” os meus pecados?

Um pecado já confessado e devidamente perdoado não precisa ser acusado de novo no sacramento da Confissão, isso é certo. Mas essa prática é possível? E, mais do que isso, será que é conveniente? O que ensina a Igreja?

Equipe Christo Nihil Praeponere2 de Junho de 2020Tempo de leitura: 5 minutos
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Um pecado já confessado e perdoado pode ser novamente acusado no sacramento da Confissão? 

Antes de respondermos à pergunta, observemos desde já que não se está pondo em questão aqui se a absolvição do pecado anteriormente confessado aconteceu ou não aconteceu. Que fique bem claro: se uma pessoa se aproximou do tribunal da Penitência, arrependida, acusou ao sacerdote seus pecados e ele, pelo poder das chaves, traçou sobre elas o sinal da Cruz, pronunciando a fórmula de absolvição, perdoados estão esses pecados dessa pessoa, e não há o que discutir. 

Alguém até pode pensar ou dizer: “não consigo me livrar dessa culpa”, “não me sinto perdoada por Deus”, “estou condenada”, mas, nesse caso, é preciso pedir aos nossos fantasmas que se calem e ouçam a voz da Igreja. “Reconfessar” os próprios pecados por não se crer perdoado (e quando não há nada, é claro, que permita duvidar da validade da primeira confissão) seria um flagrante ultraje à misericórdia divina, pois pelas palavras do sacramento Deus realmente opera uma transformação na alma do penitente. Embora essa transformação interna reverbere muitas vezes no corpo, trazendo leveza e bons sentimentos, não é necessário sentir-se perdoado ao deixar o confessionário; basta que tenhamos fé.

Muito bem, um pecado já confessado e perdoado não precisa ser acusado de novo no sacramento da Confissão, não é obrigatório fazê-lo e ponto final [1]. Mas nossa pergunta inicial não era quanto à necessidade dessa prática, senão quanto à sua possibilidade e conveniência.

A resposta talvez impressione alguns, mas sim, é perfeitamente possível repetir os pecados já confessados em uma confissão posterior, e não por “complexo de culpa” ou angústia parecida, mas para ganhar de Deus mais graças no caminho da santidade.

Compreendamos primeiro a ordem em que se dá a nossa reconciliação com Deus na Confissão. Não é que Ele esteja segurando uma “lista” de nossos pecados e, à medida que os vamos confessando, Ele os vai riscando um a um e… (passe de mágica!) estamos perdoados. Não, o sacramento apaga os pecados porque infunde a graça de Deus em quem o recebe; ele é sinal e realidade, opera o que significa (cf. STh III 62, 1): este é o efeito principal de todo sacramento. O da Penitência, porém, juntamente com o do Batismo, são chamados “sacramentos de mortos”, pois têm o poder de restituir completamente à alma a vida da graça que fôra perdida. (Os demais sacramentos chamam-se “de vivos”, pois devem ser recebidos sempre em estado de graça.)

Lembremo-nos agora, com o Catecismo da Igreja Católica (§ 1472), que

o pecado tem uma dupla consequência. O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, consequentemente, nos torna incapazes da vida eterna; esta privação se chama “pena eterna” do pecado. Por outro lado, todo pecado, mesmo venial, acarreta um apego prejudicial às criaturas que exige purificação, quer aqui na terra, quer depois da morte, no estado chamado “purgatório”. Esta purificação liberta da chamada “pena temporal” do pecado

Perdoados então os pecados mortais, resta-nos expiar a “pena temporal” devida pelo pecado. Aqui na terra, ela pode ser eliminada de vários modos: ao se rezar uma oração indulgenciada, ao se realizar uma obra de caridade qualquer e, também — com o que voltamos a nossa questão inicial —, ao se receber com as devidas disposições os sacramentos da Igreja.

Portanto, para que “recontar” em confissão as faltas graves de que já nos acusamos, senão para ir eliminando esses resquícios que delas ficaram? (Ou seremos tão cegos a ponto de achar que nossos pecados passados não deixaram “marcas” em nossas vidas?) Dando-nos uma razão teológica para essa prática, Santo Tomás de Aquino explica ainda que:

Também na segunda absolvição o poder das chaves perdoa algo da pena, porque esta segunda absolvição aumenta a graça, e quanto mais graça se recebe, menos impureza do pecado anterior fica e menos pena a purificar. Disso resulta que também na primeira absolvição se perdoa a alguém mais ou menos pena, de acordo com sua disposição para receber as graças, podendo ser tão grande a disposição, que em virtude da contrição desapareça toda a pena [...]. Igualmente, não há dificuldade em admitir que por sucessivas confissões desapareça toda a pena, de maneira que fique totalmente sem castigo um pecado pelo qual já satisfez a paixão de Cristo (Suppl. 18, 2 ad 4). 

Que fique bem claro, portanto, mais uma vez: a acusação reiterada de um pecado não se faz aqui por desconfiança da misericórdia de Deus, mas sim para fortalecer no próprio coração o arrependimento das culpas passadas, ajudar-nos a evitá-las no futuro e, também, abreviar o nosso purgatório na outra vida.

Existe outra razão, ainda, por que essa prática é conveniente, e ela diz respeito às chamadas “confissões devocionais”, que as pessoas mais piedosas fazem frequentemente com vistas não tanto a acusar pecados mortais recentes (pois não mais os cometem), mas procurando livrar-se de suas faltas veniais e aumentar o fervor de sua devoção. O Pe. Antonio Royo Marín (Teología de la Perfección Cristiana, n. 309) explica que, nesses casos,

é mais fácil do que se crê a invalidade da absolvição por falta de verdadeiro arrependimento, ocasionado pela própria insignificância dessas culpas e pelo espírito de rotina com que são confessadas. Por isso, tendo em vista a validade das absolvições, é preferível não se acusar das faltas ligeiras das quais não haja vontade de livrar-se a todo custo — já que não é obrigatória a acusação das faltas veniais, e seria irreverência e grande abuso acusar-se sem arrependimento nem propósito de emenda —, fazendo recair a dor e o propósito sobre algum pecado grave da vida passada do qual a pessoa volte a se acusar ou sobre alguma falta atual pela qual exista dor de verdade e o sério propósito de não voltar a cometê-la.

Nessa situação, a nova confissão de um pecado passado funciona também como uma forma de “garantia”, para que não venhamos a receber invalidamente o sacramento da Confissão. Embora a falta em questão já tenha sido perdoada, a graça sacramental atua aqui sobre as sequelas que ela deixou, curando-as e dando forças à alma para seguir no combate contra o mal — que, como sabemos, dura até a morte.

(Cabe deixar um último conselho a respeito dessa prática: ao acusar-se de um pecado devidamente confessado e do qual já se recebeu o perdão, é preciso dizer expressamente que se trata de uma falta do passado já confessada, sob o risco de induzirmos em erro o sacerdote a respeito do tempo em que foi praticado o pecado.)

Por fim, essas considerações todas devem aumentar em nós a gratidão a Deus e o amor por esse sacramento que Ele, em sua misericórdia, nos deixou à disposição. Pela fé no poder das chaves, exercido todas as vezes que o padre diz: “Eu te absolvo dos teus pecados”, temos a segurança de estar recebendo do próprio Cristo o abraço que nós, como filhos pródigos, tanto precisamos receber.

Notas

  1. Notemos o que diz a esse respeito o atual Código de Direito Canônico: “O fiel tem obrigação de confessar, na sua espécie e número, todos os pecados graves, de que se lembrar após diligente exame de consciência, cometidos depois do batismo e ainda não diretamente perdoados pelo poder das chaves da Igreja nem acusados em confissão individual” (Cân. 988, §1).

Recomendações

  • Pe. Antonio Royo Marín, Teología moral para seglares. 3.ª ed., Madri: BAC, 1995, vol. 2, pp. 270-271.

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Ladainha do Sagrado Coração de Jesus
Oração

Ladainha do Sagrado Coração de Jesus

Ladainha do Sagrado Coração de Jesus

Nas 33 invocações desta litania em honra ao Sagrado Coração de Jesus, uma para cada ano de sua santíssima vida na terra, temos um verdadeiro guia de meditação para este mês de junho e, no fundo, para toda a nossa vida cristã.

Equipe Christo Nihil Praeponere1 de Junho de 2020Tempo de leitura: 3 minutos
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Em 1899, o Papa Leão XIII aprovou esta Ladainha do Sagrado Coração de Jesus para uso público. Sua estrutura constitui, na verdade, uma síntese de várias outras litanias que remontam ao século XVII. A versão final delas, aprovada pela Sagrada Congregação para os Ritos, perfaz um total de 33 invocações ao Coração divino de Nosso Senhor, um para cada ano de sua santíssima vida.

Quem recita devotamente esta oração lucra indulgências parciais (cf. Enchr. Indulg., conc. 22). Para acessar a versão latina da ladainha, clique aqui.


Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.

Pai celeste, que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Coração de Jesus, Filho do Pai eterno, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, formado pelo Espírito Santo no seio da Virgem Mãe, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, unido substancialmente ao Verbo de Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, de majestade infinita, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, templo santo de Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, tabernáculo do Altíssimo, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, casa de Deus e porta do Céu, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, receptáculo de justiça e de amor, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, cheio de bondade e de amor, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, abismo de todas as virtudes, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, digníssimo de todo o louvor, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, Rei e centro de todos os corações, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual estão todos os tesouros da sabedoria e ciência, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual habita toda a plenitude da divindade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual o Pai põe todas as suas complacências, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, de cuja plenitude todos nós participamos, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, desejado das colinas eternas, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, paciente e de muita misericórdia, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, rico para todos que vos invocam, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, fonte de vida e santidade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, propiciação por nossos pecados, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, saturado de opróbrios, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, esmagado de dor por causa dos nossos pecados, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, feito obediente até a morte, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, transpassado pela lança, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, fonte de toda consolação, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, nossa vida e ressurreição, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, nossa paz e reconciliação, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, vítima dos pecadores, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, salvação dos que em vós esperam, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, esperança dos que morrem em vós, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, delícias de todos os santos, tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós, Senhor.

V. Jesus, manso e humilde de coração,
R. Fazei o nosso coração semelhante ao vosso.

Oremos:
Deus eterno e todo-poderoso, olhai para o Coração do vosso diletíssimo Filho e para os louvores e satisfações que Ele, em nome dos pecadores, vos tem tributado; e, deixando-vos aplacar, perdoai aos que imploram a vossa misericórdia, em nome de vosso mesmo Filho, Jesus Cristo, que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo. Amém.

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