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As vítimas cristãs do Estado Islâmico
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As vítimas cristãs do Estado Islâmico

As vítimas cristãs do Estado Islâmico

Califado islâmico em perseguição aberta aos cristãos: ou eles se convertem ao islamismo, ou pagam um imposto religioso ou morrem pelo fio da espada.

Equipe Christo Nihil Praeponere15 de Agosto de 2014Tempo de leitura: 4 minutos
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Os habitantes de várias cidades da Síria e do Iraque têm que conviver, nos últimos dias, com uma notícia nenhum pouco encorajadora. As bandeiras negras penduradas nos prédios das cidades de Raqqa e Mosul dizem muito: agora, quem era sírio ou iraquiano pertence ao recém-proclamado “Estado Islâmico".

As milícias do ISIS – sigla em inglês para “Estado Islâmico do Iraque e do Levante" –, agora chamado simplesmente de Estado Islâmico, desfilam nas ruas ostentando tanques de guerra e armamentos pesados, exibindo cabeças decapitadas em praça pública, gritando o nome de Alá e prometendo erguer a bandeira do mais novo califado islâmico até na Casa Branca.

O recado de um prisioneiro do novo Estado é claro: “Quem não crê em Alá será punido, com certeza". Homens denominados hisbah saem às ruas para inspecionar a população e forçar a prática da sharia, vigiando os estabelecimentos comerciais e até mesmo o vestuário das pessoas. As punições para a venda de álcool ou o uso de drogas vão desde o açoitamento até a pena capital. Para os “infiéis", soma-se à morte cruel a vexação pública: vários cristãos já foram crucificados e tiveram seus corpos expostos nas praças, simplesmente por não aceitarem converter-se ao islã.

Em Mosul, a segunda maior cidade do Iraque, hoje tomada pelos radicais jihadistas, a fé dos cristãos foi praticamente empurrada para as catacumbas. Os sinos das igrejas foram silenciados, as mulheres foram forçadas a usar a burca, através de armas, e dezenas de milhares fugiram para não ter que renunciar a Cristo. Nos muros das casas dos cristãos, os radicais picham uma letra do alfabeto árabe, equivalente ao nosso “n", em referência a Jesus, o Nazareno. Aos proprietários dessas casas três opções são oferecidas: converter-se ao islamismo, pagar um imposto religioso ou morrer pelo fio da espada. Uma agência local de notícias reportou que um cristão pobre, não podendo arcar com o dito imposto, teve sua mulher e filha estupradas por soldados do ISIS. O homem cometeu suicídio depois do acontecido.

Os templos religiosos também são alvo das milícias armadas. Ainda em Mosul, uma igreja de vários séculos foi incinerada e o local que se acredita ser o túmulo do profeta Jonas foi profanado. Em Raqqa, outra igreja foi transformada em um centro para a pregação do islamismo. A ideia dos arautos desse novo mundo é criar um “islamismo do ano zero", eliminando qualquer resquício de cristianismo, direitos femininos, democracia ou mesmo piedade humana.

Não é novidade que a situação dos cristãos no Iraque é dramática. A perseguição vem de muito tempo, desde o governo de Saddam Hussein, tendo se intensificado com a invasão do país, em 2003. Para se ter uma ideia, antes do conflito, vivia no país mais ou menos 1,5 milhão de caldeus, sírio-católicos, sírio-ortodoxos, assírios orientais, católicos e ortodoxos armenos. Hoje, particularmente após a ascensão dos sunitas em Bagdá, esse número não passa de 400 mil.

A diferença do quadro anterior para o atual estado da região, no entanto, é enorme. Hoje, está no poder um grupo que fala abertamente de tomar o mundo, ensinando crianças a guerrear, obrigando as pessoas a aceitarem uma única religião e perseguindo sem escrúpulos as minorias religiosas do Oriente Médio, especialmente os cristãos.

A Santa Sé manifestou sua perplexidade e condenou os crimes cometidos no Iraque e na Síria. Em mensagem divulgada no dia 12 de agosto, o Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso enumerou as atrocidades cometidas pelo novo califado islâmico: desde “a desprezível prática da decapitação, crucificação e exposição de corpos em lugares públicos" até “a expulsão forçada de milhares de pessoas, incluindo crianças, idosos, mulheres grávidas e doentes". Na mensagem, o Conselho ressaltou que “nenhuma causa e, certamente, nenhuma religião, pode justificar tamanha barbárie" [1].

O Papa Francisco, em carta ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, manifestou a sua preocupação com “o intolerável sofrimento de pessoas que desejam somente viver em paz, harmonia e liberdade na terra de seus antepassados", além de emitir um “apelo urgente à comunidade internacional para intervir e por fim à tragédia humanitária em andamento". “Os ataques violentos que têm se alastrado ao longo do norte do Iraque não podem ficar indiferentes às consciências de todos os homens e mulheres de boa-vontade", disse o Santo Padre. “As trágicas experiências do século XX e a elementar compreensão da dignidade humana exigem que a comunidade internacional (...) faça tudo o que for possível para deter e prevenir novas violências sistemáticas contra as minorias étnicas e religiosas", concluiu.

Outro a pedir uma intervenção internacional na região foi o Patriarca Caldeu da Babilônia, Louis Raphael Sako. Em apelo emitido no dia 13 de agosto, o bispo iraquiano escreve que, “se a situação não mudar, o mundo inteiro deverá assumir a responsabilidade pelo lento genocídio de um componente genuíno e inteiro da sociedade iraquiana e pela perda da sua herança e cultura ancestrais". O alerta do purpurado é iminente: “O ISIS está tentando apagar todos os rastros!"

Que as autoridades internacionais abram os olhos para o calvário dos cristãos no Oriente Médio. E que estes, auxiliados pela graça de Deus, conservem consigo o dom mais precioso que receberam no dia de seus batismos: a fé.

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O testamento de Moisés para os católicos
Liturgia

O testamento
de Moisés para os católicos

O testamento de Moisés para os católicos

Pouco antes de morrer, Moisés compôs um cântico, narrando os benefícios de Deus a Israel e deplorando a ingratidão do povo escolhido. O que para muitos não passaria, porém, da “letra morta” de um testamento, a Igreja até hoje canta em sua liturgia.

Equipe Christo Nihil Praeponere26 de Fevereiro de 2021Tempo de leitura: 8 minutos
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Um dos grandes benefícios de se rezar o Ofício Divino é o contato contínuo que passamos a fazer com toda a história da salvação — contato que realmente nos toca o íntimo, como uma experiência viva, que não só acrescenta “cultura”, mas que também faz aumentar o amor a Deus e a devoção.

Essa é, na verdade, desde muito tempo, a grande diferença entre católicos e protestantes: enquanto estes se gabam de ter um cristianismo “bíblico” — principalmente através do “dogma” da sola Scriptura —, aqueles têm consciência de que sua religião nasceu muito antes da popularização dos livros

Por isso nunca houve, da nossa parte, uma “fixação” com a palavra escrita. A Igreja Católica conserva e venera a Bíblia, sim, mas ela não é uma “religião do livro”; somos também o povo da Missa e do presépio, do Terço e da Liturgia. É através desses instrumentos que entramos em contato com os mistérios da fé: na manjedoura de Belém, aprendemos que Deus se fez homem para nossa salvação e pão para nosso sustento; no Rosário, conhecemos praticamente toda a vida de Jesus; nos sacramentos, mais do que “conhecimento”, é a própria graça de Deus que nos transforma, desde a pia batismal até a Comunhão do Corpo e Sangue de Cristo.

Tudo isso faz da nossa vivência religiosa uma experiência integral, plenamente humana e “católica” (no sentido de universal): mais do que simples leitores do Evangelho, nós também ouvimos, contemplamos e apalpamos o Verbo da vida, para usar uma expressão de S. João (cf. 1Jo 1, 1). Afinal, somos chamados a servir a Deus não só com a visão e o intelecto, mas com todos os nossos sentidos e faculdades: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, com toda a tua força” (Dt 6, 5).

O Segundo Cântico de Moisés

“Moisés no monte Sinai”, por Jacques de Létin.

Falávamos, porém, do Ofício Divino, e digressamos. Queremos chamar a atenção de nossos leitores justamente para uma dessas pérolas que a Igreja reza em sua liturgia e que nos põe em contato com a história da salvação, ao mesmo tempo que a insere na nossa própria vida.

Trata-se do chamado “Segundo Cântico de Moisés”, que se encontra no livro do Deuteronômio (cf. 32, 1-43). Diz-se que é o segundo, porque o primeiro é o famoso hino de vitória composto após a travessia do mar Vermelho, presente em Êxodo 15, 1-19, tão importante que a Igreja chega a cantar na própria liturgia da Vigília Pascal. Por estar já bem próximo do relato da morte do patriarca, esse segundo pode ser chamado também de seu último cântico. É o testamento de Moisés.

Para se ter uma ideia da grandeza desse poema bíblico, o Pe. Matos Soares o avalia como “uma das páginas mais belas da Sagrada Escritura. Mesmo sob o ponto de vista literário não se encontra composição comparável em qualquer literatura humana”.

Na Liturgia das Horas atual, esse cântico é rezado nas Laudes do Sábado da II Semana do Saltério, numa versão bastante abreviada, indo dos versículos 1 a 12. Compartilhamos a tradução litúrgica do Brasil abaixo:

Ó céus, vinde, escutai; eu vou falar,
ouça a terra as palavras de meus lábios!
Minha doutrina se derrame como chuva,
minha palavra se espalhe como orvalho,
como torrentes que transbordam sobre a relva
e aguaceiros a cair por sobre as plantas.

O nome do Senhor vou invocar;
vinde todos e dai glória ao nosso Deus!
Ele é a Rocha: suas obras são perfeitas,
seus caminhos todos eles são justiça;
é ele o Deus fiel, sem falsidade,
o Deus justo, sempre reto em seu agir.

Os filhos seus degenerados o ofenderam,
essa raça corrompida e depravada!
É assim que agradeces ao Senhor Deus,
povo louco, povo estulto e insensato?
Não é ele o teu Pai que te gerou,
o Criador que te firmou e te sustenta?

Recorda-te dos dias do passado
e relembra as antigas gerações;
pergunta, e teu pai te contará,
interroga, e teus avós te ensinarão.

Quando o Altíssimo os povos dividiu
e pela terra espalhou os filhos de Adão,
as fronteiras das nações ele marcou
de acordo com o número de seus filhos;
mas a parte do Senhor foi o seu povo,
e Jacó foi a porção de sua herança.

Foi num deserto que o Senhor achou seu povo,
num lugar de solidão desoladora;
cercou-o de cuidados e carinhos
e o guardou como a pupila de seus olhos.

Como a águia, esvoaçando sobre o ninho,
incita os seus filhotes a voar,
ele estendeu as suas asas e o tomou,
e levou-o carregado sobre elas.
O Senhor, somente ele, foi seu guia,
e jamais um outro deus com ele estava.

Sobretudo a imagem final desses versículos é muito consoladora: Deus é comparado à águia, que cuida de seus filhotes como a “pupila de seus olhos”, e que chega a colocá-los sobre suas asas.

Muito belo também é o contraste entre o que Deus fez com Israel e o lugar em que Ele o encontrou. A tradução brasileira diz que o povo estava “num lugar de solidão desoladora”, mas o latim da Vulgata é ainda mais enfático: Israel se encontrava in loco horróris et vastae solitúdinis, isto é, “num lugar de horror e vasta solidão”. A palavra “horror”, em particular, nos ajuda a pôr na recitação desse versículo a nossa própria vida de pecado. Longe de Deus, nossa situação é de “solidão desoladora”, mas também de “horror”. O pecado nos desfigura, torna-nos horríveis e horrorosos. A expressão latina é forte.

No Ofício Divino antigo, esse cântico assumia um caráter ainda mais penitencial, não só porque era rezado nas Laudes dos sábados do Advento e da Quaresma, mas também por conta de seus versículos finais (infelizmente omitidos no rito atual). Trata-se dos versículos 13 a 18, que compartilhamos abaixo, na tradução do Pe. Matos Soares (e cujo conteúdo vem bastante a calhar para os nossos dias): 

Levou-o às alturas da terra,
nutriu-o com os frutos dos campos,
deu-lhe a sugar o mel (que saía) da pedra,
e o azeite (que saía) do rochedo duríssimo.
A manteiga das vacas, o leite das ovelhas,
com gordura dos cordeiros,
e dos carneiros criados em Basan, e dos cabritos,
com a flor de farinha do trigo,
e ele bebeu o mais puro sangue da uva.
Mas Jesurun engordou e recalcitrou;
tendo-se tornado gordo, cheio e nédio,
abandonou a Deus seu criador,
e afastou-se de Deus sua salvação.
Provocaram-no com deuses estranhos,
e excitaram-no à ira com as suas abominações.
Sacrificaram aos demônios e não a Deus,
a deuses que desconheciam,
deuses novos, acabados de chegar,
que seus pais não tinham adorado.
Abandonaste o Deus que te gerou,
e esqueceste-te do Senhor teu criador (Dt 32, 13-18).

Vemos neste pequeno trecho final duas partes bem distintas. 

Primeiro, Moisés continua a narrar os benefícios de Deus a seu povo, só que agora com mais detalhes: Israel foi saciado não só de modo natural — com “os frutos dos campos”, a “manteiga das vacas”, “o leite das ovelhas” e a “gordura dos cordeiros”, com carneiros e cabritos, trigo e uva —, mas também de modo prodigioso, sobrenatural, isto é, com “o mel da pedra” e o “azeite do rochedo duríssimo”. 

Depois, porém, Moisés começa a relatar a ingratidão de Israel: mesmo “gordo, cheio e nédio” — no latim, incrassátus, impinguátus, dilatátus —, Jesurun (nome poético de Israel, que significa o “justo”, empregado aqui ironicamente) “recalcitrou” e voltou as costas para Deus. A descrição do que fez o povo escolhido é pesada, mas resume-se basicamente à idolatria: “Sacrificaram aos demônios e não a Deus”. No fim, os verbos que estavam na terceira pessoa passam à segunda, e somos confrontados com nossos próprios pecados: “Abandonaste o Deus que te gerou, e esqueceste-te do Senhor teu criador”. Assim acaba o cântico no rito antigo, sem afago nem consolação. 

Eis uma meditação muito oportuna não só para este tempo quaresmal, mas para toda a nossa vida. De um lado, está a prodigalidade de Deus, que nos cumula de toda sorte de bênçãos espirituais (cf. Ef 1, 3) e, pelo Batismo, nos faz não mais hóspedes ou estrangeiros, mas “concidadãos dos santos e membros da família de Deus” (Ef 2, 19); do outro, está a nossa ingratidão, muito pior que a de Israel, pois, quanto maiores os benefícios que recebemos, maior a dívida que contraímos. 

Mesmo com todas as graças e com toda a misericórdia que recebemos de Deus, nós teimamos em lhe voltar as costas e, cedendo aos pecados, sacrificamos aos demônios. Apesar de, no clima atual de indiferentismo e relativismo religioso, essas palavras guardarem o seu sentido literal estrito, também nós precisamos considerar pessoalmente que, todas as vezes que consentimos no pecado, é com os demônios que estamos tratando. Nas palavras de Santo Tomás, tentari humanum est, sed consentire diabolicum: “Ser tentado é humano, mas consentir é diabólico” (Exp. in orat. dom., a. 6).

É Quaresma; é tempo de nos arrependermos de nossos pecados e buscarmos a Deus de coração contrito e humilhado. Isso vale muito mais aos seus olhos do que os sacrifícios externos que fazemos (cf. Sl 50, 18-19). Deixemos que calem em nossos corações as palavras severas do testamento de Moisés: Abandonaste a Deus; esqueceste-te dele

Sim, reconheçamos, não neguemos: sou eu o filho gordo e ingrato do cântico de Moisés; fui eu que dei as costas a Deus e sacrifiquei aos demônios; “Senhor, pequei. Tende piedade e misericórdia de mim.”

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A “primeira quaresma” da história
Espiritualidade

A “primeira quaresma” da história

A “primeira quaresma” da história

A Quaresma recorda tanto os quarenta anos do povo de Israel no deserto quanto os quarenta dias de jejum de Jesus, também no deserto. Mas há uma outra “quaresma”, do Antigo Testamento, da qual muitas vezes não nos lembramos...

Equipe Christo Nihil Praeponere24 de Fevereiro de 2021Tempo de leitura: 6 minutos
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A Quaresma faz referência aos quarenta anos do povo de Israel no deserto e aos quarenta dias de jejum de Jesus, também no deserto. Mas uma referência da qual muitas vezes não nos lembramos é que, pela mesma quantidade de dias, graças à pregação do profeta Jonas, o povo de Nínive jejuou e conseguiu poupar a cidade da destruição. Foi a “primeira quaresma” da história.

É tão forte a relação entre esse tempo litúrgico e a história de Nínive que, nas orações tradicionais que os sacerdotes faziam sobre as cinzas, no primeiro dia da Quaresma, a Igreja toda chegava a pedir a Deus a graça de imitar os ninivitas em sua penitência: 

Orémus: Omnípotens sempitérne Deus, qui Ninivítis in cínere et cilício paeniténtibus, indulgéntiae tuae remédia praestitísti: concéde propítius; ut sic eos imitémur hábitu, quátenus véniae prosequámur obténtu. Per Christum Dóminum nostrum. — Oremos: Deus eterno e todo-poderoso, que destes aos ninivitas, por fazerem penitência na cinza e no cilício, os remédios de vossa indulgência: concedei-nos, propício, imitá-los de tal modo na mortificação, que alcancemos como eles o vosso perdão. Por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Hoje, apesar de as orações sobre as cinzas terem sido bastante simplificadas no novo Missal, a referência a Jonas e Nínive continua presente no Lecionário, mais especificamente na quarta-feira da 1.ª Semana da Quaresma (o primeiro dia das Têmporas de Outono). A leitura é tirada de Jn 3, 1-10 e o Evangelho, de Lc 11, 29-32.

“Jonas pregando aos ninivitas”, de Gustave Doré.

Tomando porém o relato veterotestamentário na íntegra, desde a fuga de Jonas da presença de Deus, passando por seu cativeiro no ventre de uma baleia, até a sua revolta em ver poupada a cidade de Nínive, o que mais chama atenção é a vontade firme que Deus tem de salvar os ninivitas. Toda a história do livro de Jonas é, na verdade, a da salvação de Nínive. De nenhuma outra missão foi encarregado o profeta, senão desta: “Levanta-te, vai a Nínive, a grande cidade, e profere contra ela os teus oráculos, porque sua iniquidade chegou até a minha presença” (Jn 1, 2). 

Aqui fica patente, desde o princípio, uma realidade da qual hoje muito pouco se fala: Deus é justo e castiga os homens por seus pecados. “Verdade ultrapassada”, alguns podem dizer. Ao que respondemos, simplesmente: se Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre, e se Ele declarou ser a própria Verdade, é simples arrogância nossa querer impor um “prazo de validade” às suas palavras. Se Deus de fato castigava no Antigo Testamento, por que deixaria de fazê-lo agora — especialmente agora em que, mais agraciados por Ele, aumenta em nós o dever de corresponder ao seu amor?

Não sem razão o Papa S. João Paulo II recordava, em sua Carta Apostólica Salvifici Doloris (n. 10), que:

Ao mal moral do pecado corresponde o castigo, que garante a ordem moral no mesmo sentido transcendente em que esta ordem foi estabelecida pela vontade do Criador e Supremo Legislador. Daqui se segue também uma das verdades fundamentais da fé religiosa, baseada igualmente na Revelação; ou seja, que Deus é juiz justo, que premeia o bem e castiga o mal: “Vós, Senhor, sois justo em tudo o que fizestes; todas as vossas obras são verdadeiras, retos os vossos caminhos, todos os vossos juízos se baseiam na verdade, e tomastes decisões conforme a verdade em tudo o que fizestes que nos sobreviesse e à cidade santa dos nossos pais, Jerusalém. Sim, em verdade e justiça nos infligistes todos estes castigos por causa de nossos pecados” (Dn 3, 27ss).

Deus, porém, não é um ser vingativo que quer simplesmente “fulminar” suas criaturas. É à luz do desejo de Deus por nossa salvação que devemos ler todos os relatos bíblicos sobre a “ira” e os “castigos” divinos. Como diz uma antífona que rezamos continuamente na Quaresma: Vivo ego, dicit Dóminus: nolo mortem peccatóris, sed ut magis convertátur, et vivat, “Vivo, diz o Senhor: não quero a morte do pecador, mas antes que se converta e viva”. É, pois, para que nos emendemos, para que mudemos de vida, que Deus nos busca. Muitas vezes com o chicote.

E Ele nos busca como buscou os ninivitas, persistindo com Jonas, apesar de sua teimosia e resistência, para que profetizasse em Nínive. Busca-nos também como buscou os judeus do tempo de Jesus. Estes, porém, diferentemente daqueles, fizeram ouvidos moucos à voz de Deus e não trilharam o caminho da penitência. Por isso diz Nosso Senhor no Evangelho: 

Esta geração é uma geração má. Ela busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas. Com efeito, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim também será o Filho do Homem para esta geração. [...] No dia do julgamento, os ninivitas se levantarão juntamente com esta geração e a condenarão. Porque eles se converteram quando ouviram a pregação de Jonas. E aqui está quem é maior do que Jonas (Lc 11, 29-30.32).

O relato da conversão dos ninivitas é, de fato, prodigioso. Apesar de toda a má vontade de Jonas, que não queria a salvação de Nínive e percorreu a cidade dizendo simplesmente: “Daqui a quarenta dias, Nínive será destruída” (Jn 3, 4), o próprio rei da cidade “levantou-se de seu trono, tirou o manto, cobriu-se de saco e sentou-se sobre a cinza” (v. 6); depois, publicou pela cidade um decreto proibindo “aos homens e aos animais, tanto do gado maior como do menor, comer o que quer que seja, assim como pastar ou beber” (v. 7). Ou seja, diante do aviso do castigo de Deus, a reação dos ninivitas foi de prontidão. Imediatamente se puseram a fazer penitência, implorando a Deus misericórdia pela cidade. 

O que aconteceu, então, em consequência? “Diante de uma tal atitude, vendo como renunciavam aos seus maus caminhos, Deus arrependeu-se do mal que resolvera fazer-lhes, e não o executou” (v. 10). O arrependimento dos homens gera o “arrependimento” de Deus. Lembrando sempre, porém, que essa é uma linguagem metafórica; ou seja, a verdade é que Deus, desde toda a eternidade, já havia decidido salvar a cidade de Nínive, mas Ele queria fazer isso através da pregação de Jonas e da penitência dos ninivitas. Sendo onipotente, Ele poderia fazer tudo isso de outro modo, mas — parafraseando S. Agostinho — o Deus que nos criou sem a nossa ajuda não a dispensa para nos salvar.

Também hoje, Deus quer a nossa penitência. A Quaresma é um tempo litúrgico favorável para que nós, ouvindo a voz de Cristo, da sua Igreja, dos seus santos, dos seus sacerdotes, nos voltemos para nós mesmos, reconheçamos os nossos pecados e mudemos de mentalidade e de vida. Nem Jonas nem Jesus vieram para encontrar “elementos positivos” em nossos pecados, como hoje, infelizmente, muitos procuram fazer, às vezes dentro da própria Igreja. Não, a mensagem que vieram trazer — e que os santos têm repetido ao longo desses dois mil anos de história da Igreja — é apenas esta: “Se não vos converterdes, perecereis todos” (Lc 13, 5).

“Perecereis”, diz o Senhor. Mas entendamos bem: o que está em jogo não é a destruição de uma cidade, tampouco a morte física, o perecimento natural de nossos corpos. O que está em xeque é a nossa salvação eterna

Uma última coisa, a respeito da palavra “cilício”, presente na oração que transcrevemos acima: o uso desse instrumento jamais foi reprovado pela Igreja. Ninguém vai ouvir, hoje, recomendações públicas do uso específico do cilício; e quem o usa, evidentemente, tampouco sairá por aí anunciando o fato aos quatro ventos. O que precisamos saber é que se trata de um instrumento legítimo de penitência, e não de “tortura” — como tem procurado fazer crer, em nossa época, uma forte propaganda anticatólica.

Para quem quiser entender em que, de fato, consiste esse objeto e qual a sua finalidade, recomendamos que assistam ao vídeo a seguir, de nosso programa “A Resposta Católica”.

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O jejum da Quaresma purifica a Igreja
Liturgia

O jejum da Quaresma purifica a Igreja

O jejum da Quaresma purifica a Igreja

Segundo alguns dos Santos Padres, a prática de jejuar ao longo da Quaresma data dos Apóstolos. Mas, ainda que se trate de uma invenção posterior, é Deus quem usa esse tempo de penitência para purificar a sua Igreja.

Michael P. FoleyTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere21 de Fevereiro de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
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A maior diferença entre os tempos da Quaresma no calendário de 1962 e no de 1969 está na matéria do jejum. Com efeito, o calendário de 1962 pressupõe que os fiéis manterão o antigo jejum quaresmal de quarenta dias, ordenando a partir disso suas orações e leituras. É possível dizer inclusive que, no Missal antigo, as próprias da Quaresma servem justamente para a santificação individual através do jejum e da abstinência. O Missal de 1969, por outro lado, foi publicado na esteira da Constituição Apostólica de 1966 Paenitemini, do Papa Paulo VI, que tornou facultativo o jejum quaresmal [1]. 

Enquanto o Missal antigo fala da prática do jejum — mencionando-o, explicando-o e rezando por ele — em todos os dias da Quaresma até a Semana Santa (o Prefácio do rito tradicional para a Quaresma, usado diariamente desde as Cinzas até o Tempo da Paixão, é suplementado quase que todos os dias com referências adicionais ao jejum nas orações próprias), o novo Missal em apenas três ocasiões manda que se faça referência ao jejum dos fiéis [2]: 

  • na Quarta-feira de Cinzas (um dos dois dias obrigatórios de jejum que restaram no ano): “Concedei-nos, ó Deus todo-poderoso, iniciar com este dia de jejum o tempo da Quaresma, para que a penitência nos fortaleça no combate contra o espírito do mal. Por Nosso Senhor…”;
  • na Coleta para o 3.º Domingo da Quaresma: “Ó Deus, fonte de toda misericórdia e de toda bondade, vós nos indicastes o jejum, a esmola e a oração como remédio contra o pecado. Acolhei esta confissão da nossa fraqueza para que, humilhados pela consciência de nossas faltas, sejamos confortados pela vossa misericórdia. Por Nosso Senhor...”; e 
  • na Oração sobre as Oferendas do Sábado da 5.ª Semana da Quaresma: Accépta tibi sint, Dómine, quaésumus, nostri dona ieiúnii, quae expiándo nos tuae gratiae dignos effíciant et ad sempitérna promíssa perdúcant. Per Christum., “Recebei, ó Senhor, nós vos pedimos, os dons do nosso jejum, a fim de que, em expiação, nos tornem dignos da vossa graça e nos conduzam às promessas eternas. Por Cristo…” [N.T.: infelizmente, na tradução litúrgica oficial do Brasil, não consta nesta oração a palavra “jejum”]. 

O Prefácio tradicional para a Quaresma, embora mantido no novo Missal como o 4.º do tempo, tornou-se facultativo; o 1.º Domingo da Quaresma do Novus Ordo refere-se ao jejum de Cristo no deserto, mas não há indicação de que os fiéis devam seguir-lhe o exemplo. Em geral, o novo Missal oferece poucas orientações a respeito do jejum e quase nenhuma oração por seu êxito.

As orações para o 1.º Domingo da Quaresma no Missal de 1962, por outro lado, ao mesmo tempo que pedem por um jejum frutuoso, explicam a importância dessa prática. A Coleta diz: 

Deus, qui Ecclésiam tuam ánnua quadragesimáli observatióne puríficas: praesta famíliae tuae: ut, quod a te obtinére abstinendo nítitur, hoc bonis opéribus exsequátur. Per Dóminum… — Deus, que pela observância anual da Quaresma purificais a vossa Igreja, concedei à vossa família assegurar pela prática das boas obras o que ela se esforça por obter de vós através da abstinência. Por Nosso Senhor...

Segundo alguns Padres da Igreja, o Grande Jejum da Quaresma foi iniciado pelos Apóstolos. Mas, ainda que se trate de uma invenção do século III ou IV, a Coleta afirma que é Deus quem usa esse tempo de jejum para purificar a sua Igreja. O jejum religioso é diferente do jejum médico, ou do que somos tentados a chamar jejum cosmético (fazer dieta com o fim de cultivar uma boa aparência): sua meta é purificar a alma. Mas, ao contrário do que pretendia Pelágio, a alma não pode purificar a si mesma; o êxito do jejum religioso depende inteiramente da graça de Deus

De modo similar, a Pós-comunhão do dia pede por uma purificação a vetustáte, “da vetustade” — isto é, das coisas antigas, das coisas passadas. A Coleta não estipula o que exatamente a família de Deus está procurando alcançar, seja pela abstinência, seja pelas boas obras, mas a oração de Pós-comunhão o faz, ao pedir que entremos “na posse comum do mistério da salvação” (in mystérii salutáris fáciat transíre consórtium).

“A Tentação de Cristo pelo Demônio”, de Félix Joseph Barrias.

A lógica operativa é similar, embora não idêntica, a “deixar o que é ruim e ficar com o que é bom”: a comida da qual nos abstemos não é má, mas o ato de se abster serve para corrigir um apego malsão aos alimentos. A bela Secreta põe desta forma: ut, cum epulárum restrictióne carnálium, a nóxiis voluptátibus temperémus; isto é, que, “pela restrição dos alimentos corporais” sejamos ajudados “a não cair nos prazeres pecaminosos”

Uma vez livres de prazeres nocivos ou viciosos, devemos preencher esse espaço com o que é bom. Com isso, somos lembrados do Evangelho que será o do 3.º Domingo da Quaresma: Lc 11, 14-28. Ele fala de um espírito impuro que, depois de ser exorcizado, retorna para uma casa limpa, porém vazia, com sete outros demônios. Em outras palavras: preencha a casa de coisas boas, antes que o mal retorne.

O jejum é, portanto, uma atividade importante, mas não se trata de um cura-tudo. Nosso Senhor menciona que alguns demônios só podem ser expulsos através de jejum e oração (cf. Mt 17, 21); os dois devem andar juntos. A Coleta pede a Deus que alcancemos pelas boas obras o que não pode ser alcançado pela abstinência: elas suplementam as deficiências do jejum; sem elas, de fato, a Quaresma não está completa. Vários Padres da Igreja ensinavam que o dinheiro poupado com o jejum devia ir para os menos afortunados. O Papa São Leão Magno coloca desta forma: “Possa a abstinência dos que jejuam ser o alívio dos pobres” (Serm., XIII). Nas palavras da bela liturgia maronita: “Quão esplêndido é o jejum, quando adornado com a caridade! Parti o pão generosamente com o que tem fome; do contrário, não é jejum o que fazeis, mas economia!” (Vésperas da Quinta-feira na Quaresma).

O Evangelho de hoje nos diz que “Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, a fim de ser tentado pelo demônio” por quarenta dias e quarenta noites (Mt 4, 1). Deixemo-nos guiar, pois, pelo Espírito da liturgia rumo ao deserto e confrontemos nossos demônios através do jejum, da oração e das boas obras.

Notas

  1. Para conhecer um pouco mais as mudanças que ocorreram ao longo da história nesta disciplina, desde os seus rigores primevos até as dispensas e relaxamentos atuais, cf. Dom Próspero Guéranger, El Año Litúrgico, v. II: Septuagésima, Cuaresma y Pasión. Trad. de los Monjes de Santo Domingo de Silos. Burgos: Editorial Aldecoa, 1956, pp. 127-153.
  2. A partir deste trecho, o texto foi levemente adaptado, aqui e ali, tendo em vista esclarecer melhor algumas coisas do original e trazer na íntegra referências apenas mencionadas.

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O demônio do aborto revela o seu nome
Testemunhos

O demônio do aborto revela o seu nome

O demônio do aborto revela o seu nome

Com arrependimento sincero, todos os pecados podem ser perdoados na Confissão. Isso não significa, porém, que os demônios deixem de imediato a vida das pessoas que os cometem. Especialmente se o mal de que estamos falando é o gravíssimo pecado do aborto.

Mons. Stephen RossettiTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere19 de Fevereiro de 2021Tempo de leitura: 3 minutos
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Este texto é um breve relato de exorcismo acompanhado pelo Monsenhor Stephen Rossetti, que exerce a função de exorcista na Arquidiocese de Washington, capital dos Estados Unidos, há mais de 12 anos. Ele mantém um sítio na internet Catholic Exorcism — onde conta muitos de seus casos (uma das quais, inclusive, já tivemos a oportunidade de comentar aqui).

Algumas pessoas podem achar o registro abaixo perturbador, e outras tantas talvez até reajam com ceticismo ao que é contado por este sacerdote. Pensamos, porém, que a experiência pessoal de um padre idôneo, que lida no dia a dia com os demônios, não deve ser simplesmente “descartada” como se nada fosse

Evidentemente, ninguém é obrigado a acreditar no que ele relata. Sua história não é um “artigo de fé católica”. Na verdade, porém, de que os demônios existem, e na ilicitude do aborto provocado, todos os católicos devemos crer: é o que ensina a Igreja de dois mil anos e é o que nos dita a própria lei natural, inscrita no coração de todo ser humano.


“Lúcia” está possuída e sendo torturada todas as noites pelos demônios. Eles a insultam, ferem-lhe o corpo com arranhões e queimaduras, afirmam que são seus donos e frequentemente torcem sua perna machucada, causando-lhe imensa dor. Os demônios são impiedosos e implacáveis.

Depois de várias sessões intensas de exorcismo, os demônios estavam enfraquecendo. Pareceu-me que eles poderiam estar vulneráveis o suficiente para serem compelidos, pelo poder de Jesus, a revelarem seus nomes. Saber os nomes dos demônios garante um poder adicional para expulsá-los e sugere que o tempo de sua saída está se aproximando.

Por isso, repeti várias vezes: Dicas mihi nomen tuum, “Dize-me o teu nome”. Essa frase é uma citação direta do Ritual de Exorcismo tradicional. O demônio resistiu fortemente. Finalmente, com grande relutância, ele entregou seu nome: Abizu.

A Virgem de Guadalupe.

Eu procurei saber sobre ele. Várias fontes concordam: Abizu (também soletrado Abizou, Obizu, Obizou ou Bizu) é o nome de um demônio “feminino” [1], no Oriente Próximo, acusado de causar abortos espontâneos e a morte de crianças.

Fazia todo o sentido. Infelizmente, Lúcia tinha realizado um aborto. Ela se arrependeu sinceramente, confessou-se e permaneceu em profunda contrição. Embora todo e qualquer pecado seja perdoado na Confissão, isso não significa que os demônios associados a esses pecados sejam imediatamente expulsos. Não raro, um tempo de purgação é necessário. Devido à gravidade do pecado e à morte trágica da criança — que esse pecado provocou —, seria uma luta expulsar aquele demônio.

Abizu zombou de Lúcia por ter feito um aborto. O demônio disse que ela nunca seria perdoada. Ele explorou seu profundo sentimento de culpa e tentou arrastá-la para a escuridão do desânimo e do desespero.

Esse é um comportamento tipicamente demoníaco. Os demônios não apenas nos tentam a cometer um pecado; se o praticamos, eles também nos insultam e envergonham por isso. Assegurei a Lúcia que seu pecado foi verdadeiramente perdoado e fizemos uma oração por seu bebê. Por causa disso, ela talvez precise também de aconselhamento pós-aborto e/ou de trabalhar com grupos de cura pós-aborto.

Durante a sessão, um dos exorcistas teve a inspiração de segurar um ícone de Nossa Senhora de Guadalupe, o que fez o demônio ter uma grande convulsão. Então, invocamos várias vezes este título de Nossa Senhora, e o demônio convulsionou em todos os momentos que o ícone foi colocado diante dele.

A eficácia dessa imagem sagrada não é por acaso. O ícone de Nossa Senhora de Guadalupe apresenta Maria grávida, e ela é frequentemente invocada com esse título para a proteção dos nascituros. Além disso, sob seus pés está um símbolo da lua e das trevas, uma referência ao diabo. Juan Diego, em cuja tilma apareceu a imagem, referiu-se a ela em sua língua nativa como: Te Coatlazopeuh, isto é, “aquela que esmaga a serpente”.

O aborto é um pecado grave. Mas Lúcia e todas as pessoas deveriam saber que existe uma fonte divina de cura e de paz. Além disso, temos em Nossa Senhora de Guadalupe uma grande defensora, que esmagou Abizu e trouxe-nos a cura de Deus. 

Nossa Senhora de Guadalupe, Rosa mística, rogai por nós!

Notas

  1. Os demônios não têm corpo físico nem sexo; portanto, tecnicamente, não podem ser classificados como “homem” ou “mulher” (N.A.).

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