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Catacumbas atestam: Jesus está realmente presente na Eucaristia
Doutrina

Catacumbas atestam: Jesus está
realmente presente na Eucaristia

Catacumbas atestam: Jesus está realmente presente na Eucaristia

Quem quer que faça uma incursão pelas catacumbas dos primeiros cristãos, vai se deparar com uma verdade sublime: desde o começo, os seguidores de Cristo reconheciam a sua presença na celebração da Santa Missa.

Equipe Christo Nihil Praeponere25 de Janeiro de 2016Tempo de leitura: 11 minutos
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Graças à pregação dos Apóstolos, os cristãos começaram a multiplicar-se em todas as cidades, a ponto de o historiador Tácito dizer, no ano 66, que já era grande o seu número na capital do Império [1].

Por isso, não era nada surpreendente que Satanás, antevendo o fim de seu principado, procurasse, através dos mais diversos artifícios, apagar a religião cristã da face da Terra. Os pagãos, para quem a pregação da Cruz era loucura, tanto serviam de instrumentos ao demônio quanto mais a retidão dos cristãos condenava a perversidade do seu modo de vida. "Sereis odiados por todos, por causa do Meu nome" (Mt 10, 22): desde muito cedo a profecia de Cristo começava a cumprir-se.

O misto de simplicidade e mistério que rondava o discreto grupo dos cristãos inquietava cada vez mais os seus inimigos, que não tinham nenhum fato ou testemunho com os quais acusá-los. Por conta disso, todo tipo imaginável de maldade começou a ser atribuída a eles. Pela boca dos judeus, chegava aos seus ouvidos a misteriosa tradição de que, durante as suas festas, os cristãos faziam um sacrifício e, depois, bebiam a carne e o sangue de suas vítimas. Como os cristãos guardavam "a sete chaves" a doutrina da Sagrada Eucaristia e celebravam a Santa Missa sempre em segredo, começaram a circular acusações as mais absurdas, como a de que os cristãos sacrificavam e canibalizavam crianças inocentes.

Eram de tal modo discretas as circunstâncias em que se davam a celebração desse sacramento, que ninguém que não fosse batizado estava autorizado a aprender sobre ela, e os próprios catecúmenos deixavam as igrejas quando a parte mais solene da liturgia começava. Falar dessas coisas aos de fora era um crime tão grave que apenas hereges e apóstatas ousavam fazê-lo.

Não obstante todo o cuidado com que os primeiros cristãos preservavam os seus ensinamentos, eles ainda deixaram atrás de si as mais claras provas de sua fé na presença real do Senhor na Eucaristia, bem como da adoração que eles davam ao Corpo e Sangue do Senhor.

Se, durante as suas assembleias, eles oferecessem e consumissem simplesmente pão e vinho comuns, não haveria nenhum problema de fazê-lo diante de todo o mundo, sem perigo ou medo de perseguição.

O mistério se estendia não só a palavras e escritos, mas até aos lugares onde os nossos primeiros pais na fé se reuniam para o culto divino, em tempos de perigo e perseguição. Nesses lugares, estão conservados memoriais extraordinários, que dão testemunho de sua fé em Tão Sublime Sacramento.

Dentro das catacumbas de Roma

Fora dos muros da cidade de Roma, existe uma cidade subterrânea onde foram sepultados os cristãos dos primeiros séculos da Era Cristã. Antigamente, esses lugares eram chamados simplesmente de "cemitérios" ou "dormitórios", mas, nos tempos modernos, eles são designados pelo nome de "catacumbas". Sob esse título, são entendidos todos os lugares sagrados onde, em tempos de perseguição, os primeiros cristãos enterravam os seus mortos.

As catacumbas consistem em longos labirintos, divididos por passagens, que variam em altura e largura de acordo com a natureza do solo em que foram escavadas. Nelas, existem câmaras, de todos os tipos e tamanhos, ornadas com afrescos. As passagens se encontram próximas umas às outras, em distâncias que variam de três a dez quilômetros dos muros da antiga Roma, ao longo das rodovias. Calcula-se que, unidos, o comprimento desses corredores subterrâneos exceda 560 quilômetros de extensão. Contam-se cerca de 43 catacumbas, 26 maiores e 17 de menor tamanho, de acordo com a extensão dos leitos de tufo calcário, uma rocha vulcânica macia na qual elas foram escavadas pelos cristãos. Tendo em mente que o corpo do Senhor foi deixado em um sepulcro novo escavado na rocha, eles estavam ansiosos por proverem para os seus entes queridos uma tumba parecida, a fim de que também na morte eles seguissem a imitação de Cristo.

Esse modelo de sepultamento era praticado pelos judeus em Roma no primeiro século e algumas famílias romanas antigas ainda mantinham a prática de seus ancestrais etruscos, recusando-se a soterrar os seus mortos. Mas uma característica completamente nova é encontrada nos cemitérios cristãos: a caridade cristã impulsionava muitos da nobreza patrícia que tinham abraçado a fé a enterrar em seus cemitérios privados também os seus irmãos mais humildes, de modo que, já no terceiro século da Era Cristã, cada uma das igrejas paroquiais de Roma tinha o seu próprio cemitério do lado de fora dos muros. Até meados do mesmo século, os cemitérios cristãos continuarão sob a proteção da lei romana, que resguardava todos os túmulos como sagrados e invioláveis.

A história deixou-nos os nomes de muitas nobres mulheres, como Domitila, Lucina, Priscila e Ciríaca, que fizeram as suas propriedades de cemitérios e receberam em suas próprias casas as urnas com os corpos dos Santos Mártires. São Sebastião, São Lourenço, São Nereu e Santo Aquiles são exemplos dos nomes de algumas das catacumbas em que seus respectivos corpos foram sepultados.

O trabalho de escavar esses corredores dos mortos – com os túmulos e as capelas mortuárias que eles continham – foi confiado à confraria dos fossores (escavadores, em latim). Esses homens devotos, que pertenciam em sua maior parte às classes operárias, podiam ser comparados ao venerável Tobias, que escondia os mortos de dia para dar-lhes uma sepultura à noite (cf. Tb 1, 18; 2, 7). O ofício deles, além de extremamente árduo, era cheio de perigos. Com que coragem eles não penetravam nos canais da terra e, com a luz opaca de suas lamparinas, talhavam aqueles corredores na tufa sólida! Nas paredes das passagens, os túmulos eram escavados um em cima do outro, em número de seis ou mais, de acordo com a altura da passagem. Quando um corredor ficava cheio de defuntos, ele era aprofundado e dava espaço para mais corpos. Se isso não pudesse ser feito com segurança, um novo conjunto de passagens era escavado embaixo do primeiro e, dessa forma, os corredores iam sendo formados um sobre o outro, com vários cruzamentos em diferentes direções.

Nos túmulos, eram enterrados um e às vezes dois corpos. Os cristãos não poupavam esforços para tirar as relíquias dos mártires das mãos de seus executores. Muitos chegavam a tomá-los dos magistrados e levá-los para longe da vista dos guardas, às catacumbas, onde eles finalmente banhavam, embalsamavam e davam a eles uma sepultura. O túmulo era cuidadosamente fechado com ladrilhos ou uma laje de mármore e revestido com uma inscrição rudimentar do ano, da idade e do dia do enterro, acompanhada de algumas breves palavras de consolo, como: In pace, Vivas in Deo, Vivas in aeternum. A família e a posição social dos falecidos são raramente mencionadas. O importante mesmo era ser concidadão dos santos e pertencer à família de Deus (cf. Ef 2, 19).

Além desses túmulos nas paredes dos corredores, os fossores escavaram valas separadas para algumas famílias cristãs particulares. Para esse propósito, eram abertas câmaras espaçosas e abobadadas, com tetos ricamente adornados, como se pode ver nas Catacumbas de São Calisto.

Em muitos desses cubículos ficava reservado um lugar especial, sobre o terreno plano, para um caixão de pedra ou uma tampa de mármore. Aí, um, dois ou até mais corpos dos Santos Mártires eram colocados e a parte de cima do caixão era usada como altar. Esse tipo de memorial dos mortos era chamado de arcosolium e as câmaras em que eles se encontravam eram às vezes usadas como capelas. Alguns compartimentos tinham uma abertura para a superfície de cima, permitindo a passagem de luz e de ar, e eram chamados de cubicula clara.

A fé dos primeiros cristãos no sacramento da Eucaristia

Afresco na cripta de Santa Lucina. Especialistas avaliam que a arte seja do século II.

Como já se disse, as terríveis calúnias contra os cristãos – aliadas às blasfêmias com que os gnósticos parodiavam os ritos sagrados –, fizeram os fiéis guardar com a mais estrita discrição tudo o que dizia respeito ao Augustíssimo Sacramento do Altar. Durante os anos de perseguição, a própria Divina Liturgia parecia ser transmitida mais por memória do que por escrito. Com exceção das explanações de Tertuliano e de São Justino Mártir, em suas Apologias, não era permitido ao mundo profano nenhum acesso aos "Sagrados Mistérios". Teria sido, na verdade, totalmente espúrio ao espírito do cristianismo primitivo que eles representassem em pinturas ou esculturas uma ação tão sagrada quanto a do Santo Sacrifício da Missa.

Por isso, não é difícil que os protestantes façam a sua própria ideia da ausência dessas imagens nos afrescos das catacumbas, argumentando que, por não se verem representações de padres paramentados, altares com luzes e incenso, essas cerimônias eram desconhecidas dos cristãos primitivos. Uma explicação desse tipo, no entanto, só satisfaz quem quer ficar satisfeito com ela. Qualquer pesquisador sério procurará descobrir o significado das figuras encontradas nas paredes das capelas subterrâneas, interpretando-as à luz, não da imaginação agitada dos polemistas, mas das expressões comumente usadas pelos escritores cristãos do mesmo período.

Em uma das câmaras da cripta de Santa Lucina, próxima à tumba de São Cornélio, por exemplo, é possível ver um peixe, pintado mais de duas vezes, que traz em seu dorso uma cesta cheia de pães, através da qual é possível ver, em uma passagem aberta na cesta, um cálice pintado de vermelho, como se contivesse um líquido dessa cor. Os especialistas avaliam que a câmara e os seus afrescos sejam do século II.

A pergunta é: o que o artista queria dizer com essa estranha combinação? Os mais imaginativos podem sugerir inúmeras interpretações, mas o mais apropriado é procurar a explicação entre os autores cristãos dessa época.

Santo Abércio de Hierápolis, que foi bispo na Frígia até o fim do século II, descreve em seu epitáfio as suas viagens pela Síria e a Roma, e conclui:

"Por toda parte a fé me levou adiante, e me proveu como alimento um Peixe, grande e perfeito, que uma virgem santa pescou com suas mãos de uma fonte e sempre dá aos seus amigos para comer, acompanhado de um vinho misturado com água, e servindo-o juntamente com pão. (...) Aquele que for capaz de entender essas coisas, reze por Abércio."

Aqui constam, evidentemente, os mesmos símbolos – o peixe, o pão e o vinho. Está bem claro o significado do peixe, mas qualquer ambiguidade é removida por Tertuliano, que, por volta do ano 200, escreveu que "nós, pequenos peixes, segundo nosso Peixe (ΙΧΘΥΝ) Jesus Cristo, de nenhum outro modo somos salvos senão permanecendo na água, da qual nascemos" [2].

Jesus Cristo é, portanto, o grande peixe, sempre servido em "vinho misturado com água" e "juntamente com pão". Esses símbolos aparentemente estranhos são, na verdade, a expressão pictórica dos primeiros cristãos para expressar a sua fé na presença real de Jesus na Eucaristia. Também para eles, assim como para nós, sempre foi certo que – como ensina o Concílio de Trento –, "no sublime sacramento da santa Eucaristia, depois da consagração do pão e do vinho, nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, está contido verdadeira, real e substancialmente sob a aparência das coisas sensíveis" [3].

São Justino Mártir expressa a mesma verdade quando escreve que:

"Depois da ação de graças do presidente e da resposta do povo, os diáconos, como se chamam entre nós, distribuem o pão e o vinho entre os que pronunciaram a ação de graças e não os tomamos como alimento e bebida comuns; do mesmo modo como nos foi ensinado que, pela palavra de Deus, Jesus Cristo Nosso Senhor se encarnou, assim também estes alimentos, para os que tenham pronunciado as palavras de petição e ação de graças, são a verdadeira carne e sangue daquele Jesus que se fez homem e que entra na nossa carne quando o recebemos." [4]

Não se sabe ao certo quando e como o peixe se tornou o símbolo universalmente reconhecido por Cristo, mas é digno de nota que, na passagem há pouco citada de Tertuliano, o escritor latino usa a palavra grega para peixe (ΙΧΘΥΣ), sublinhando que essa expressão é composta das letras iniciais para as palavras Jesus, Cristo, Deus, Filho e Salvador. O peixe, portanto, sugeria aos cristãos um compêndio da sua fé, enquanto permanecia completamente ininteligível para os de fora. Os oficiais pagãos, que inspecionavam as catacumbas que estavam sob a lei romana, não viam nada de ofensivo em um símbolo tão inócuo. Mas a sua multiplicação das mais variadas formas mostra quão precioso ele era para os cristãos.

Alguém poderia nos acusar de estarmos tentando conectar o símbolo do peixe com a doutrina da transubstanciação. Defendemo-nos dizendo que... é isso mesmo. Embora a terminologia que hoje usamos para falar da Eucaristia só tenha surgido séculos mais tarde, está provado, por abundantes testemunhos, que, quando o peixe e o pão eram representados juntos nos antigos monumentos cristãos, estava sempre implícita uma referência à Sagrada Eucaristia, da qual o pão denota a realidade aparente e visível, enquanto o peixe mostra a realidade invisível e escondida, que é "a carne de nosso Salvador Jesus Cristo, carne que padeceu por nossos pecados e que o Pai, em Sua bondade, ressuscitou" [5].

"Por isso – cabe perguntar, com São Cirilo de Jerusalém –, quando Ele mesmo pronunciou as palavras, dizendo do pão: 'Isto é o meu corpo', quem ousará ainda duvidar? Quando Ele mesmo asseverou e disse: 'Este é o meu sangue', quem poderá ainda pôr em dúvida que esse é o Seu sangue?" Ainda que o gosto sensível do que comungamos seja de pão, a hóstia consagrada não é pão, mas o Corpo de Cristo; ainda que se perceba o gosto de vinho, o que se bebe do cálice sagrado não é vinho, mas o sangue de Cristo. Mesmo hoje essas palavras podem parecer muito duras aos ouvidos dos mais céticos (cf. Jo 6, 60). Isso, todavia, não pode minimizar a grandeza do "mistério da fé": "Minha carne é verdadeira comida e meu sangue é verdadeira bebida" (Jo 6, 55). Negar a presença real de Jesus na Eucaristia é negar o próprio Evangelho.

Com informações da obra "Legends of the Blessed Sacrament".

Referências

  1. Tácito, Anais, XV, 44.
  2. Tertuliano, De Baptismo, I (PL 1, 1198-1199).
  3. Concílio de Trento, Decreto sobre o sacramento da Eucaristia (XIII) (11 de outubro de 1551), 1: DH 1636.
  4. São Justino Mártir, Apologias, I, 65-66 (PG 6, 427-430).
  5. Santo Inácio de Antioquia, Epístola aos Esmirnenses, 7 (PG 5, 713-714).
  6. São Cirilo de Jerusalém, Catequeses Mistagógicas, IV (PG 33, 1097-1106).

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Ladainha do Espírito Santo
Oração

Ladainha do Espírito Santo

Ladainha do Espírito Santo

Repleta de invocações à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, esta conhecida ladainha é muito recomendável, especialmente para estes dias que precedem a grande festa de Pentecostes.

Equipe Christo Nihil Praeponere17 de Maio de 2021Tempo de leitura: 3 minutos
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Ainda que de uso privado, é muito tradicional esta ladainha em honra ao divino Espírito Santo. Por suas inúmeras invocações à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, ela costuma ser adicionada às novenas de Pentecostes. Para os que se consagram à Santíssima Virgem pelo método de S. Luís Maria Grignion de Montfort, trata-se de uma das orações preparatórias que se rezam ao longo de vários dias. 

Nestes dias que precedem a grande festa do Espírito Santo, é muito apropriada a sua recitação, individualmente ou em família.


Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós

Divino Espírito Santo, ouvi-nos.
Espírito Paráclito, atendei-nos

Deus Pai dos céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Espírito da verdade, tende piedade de nós.
Espírito da sabedoria, tende piedade de nós.
Espírito da inteligência, tende piedade de nós.
Espírito da fortaleza, tende piedade de nós.
Espírito da piedade, tende piedade de nós.
Espírito do bom conselho, tende piedade de nós.
Espírito da ciência, tende piedade de nós.
Espírito do santo temor, tende piedade de nós.
Espírito da caridade, tende piedade de nós.
Espírito da alegria, tende piedade de nós.
Espírito da paz, tende piedade de nós.
Espírito das virtudes, tende piedade de nós.
Espírito de toda a graça, tende piedade de nós.
Espírito da adoção dos filhos de Deus, tende piedade de nós.
Purificador das nossas almas, tende piedade de nós.
Santificador e guia da Igreja Católica, tende piedade de nós.
Distribuidor dos dons celestes, tende piedade de nós.
Conhecedor dos pensamentos e das intenções do coração, tende piedade de nós.
Doçura dos que começam a vos servir, tende piedade de nós.
Coroa dos perfeitos, tende piedade de nós.
Alegria dos anjos, tende piedade de nós.
Luz dos patriarcas, tende piedade de nós.
Inspiração dos profetas, tende piedade de nós.
Palavra e sabedoria dos apóstolos, tende piedade de nós.
Vitória dos mártires, tende piedade de nós.
Ciência dos confessores, tende piedade de nós.
Pureza das virgens, tende piedade de nós.
Unção de todos os santos, tende piedade de nós.

Sede-nos propício, perdoai-nos, Senhor.
Sede-nos propício, atendei-nos, Senhor

De todo o pecado, livrai-nos, Senhor.
De todas as tentações e ciladas do demônio, livrai-nos, Senhor.
De toda a presunção e desesperação, livrai-nos, Senhor.
Do ataque à verdade conhecida, livrai-nos, Senhor.
Da inveja da graça fraterna, livrai-nos, Senhor.
De toda a obstinação e impenitência, livrai-nos, Senhor.
De toda a negligência e tepor do espírito, livrai-nos, Senhor.
De toda a impureza da mente e do corpo, livrai-nos, Senhor.
De todas as heresias e erros, livrai-nos, Senhor.
De todo o mau espírito, livrai-nos, Senhor.
Da morte má e eterna, livrai-nos, Senhor.
Pela vossa eterna procedência do Pai e do Filho, livrai-nos, Senhor.
Pela milagrosa conceição do Filho de Deus, livrai-nos, Senhor.
Pela vossa descida sobre Jesus Cristo batizado, livrai-nos, Senhor.
Pela vossa santa aparição na transfiguração do Senhor, livrai-nos, Senhor.
Pela vossa vinda sobre os discípulos do Senhor, livrai-nos, Senhor.
No dia do juízo, livrai-nos, Senhor

Ainda que pecadores, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que nos perdoeis, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis vivificar e santificar todos os membros da Igreja, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis conceder-nos o dom da verdadeira piedade, devoção e oração, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis inspirar-nos sinceros afetos de misericórdia e de caridade, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis criar em nós um espírito novo e um coração puro, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis conceder-nos verdadeira paz e tranquilidade do coração, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis fazer-nos dignos e fortes, para suportar as perseguições pela justiça, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis confirmar-nos em vossa graça, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis receber-nos no número dos vossos eleitos, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis ouvir-nos, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Espírito de Deus, nós vos rogamos, ouvi-nos

Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, enviai-nos o Espírito Santo.
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, mandai-nos o Espírito prometido do Pai.
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, dai-nos o Espírito bom

Espírito Santo, ouvi-nos.
Espírito consolador, atendei-nos

℣. Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e tudo será criado,
℟. E renovareis a face da terra.

Oremos. Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

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5 razões pelas quais os cristãos são o inimigo público número um
Sociedade

5 razões pelas quais os cristãos
são o inimigo público número um

5 razões pelas quais os cristãos são o inimigo público número um

Qualquer ideologia é completamente incompatível com a religião cristã. Quando surge uma nova ideologia, somos nós que dizemos, coçando a cabeça: “Isso não está certo”. Somos aqueles que estão dispostos a dizer: “Se alguém prometer o céu na terra, não morda a isca”.

Jennifer Roback MorseTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere13 de Maio de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
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Irmãos em Cristo, já tiveram a impressão de que estamos na mira de todo tipo de grupo ideológico? Eu, sem dúvida, já tive. Pensei muito sobre isso, e acho que descobri um padrão que explica por que sempre temos problemas com “a mais recente, a maior e a derradeira moda ideológica”. 

Descobri esse padrão pela primeira vez em meu estudo sobre a revolução sexual. 

1.º passo: Alguém vende ao público um ideal utópico, um paraíso na terra, algo que parece atraente, mas completamente impossível. Até boas ideias e objetivos nobres podem ser corrompidos ao serem transformados em ideologias utópicas. Por exemplo, o sonho utópico dos comunistas é o paraíso dos trabalhadores da economia perfeita e da igualdade social. Ora, podemos eliminar parte da desigualdade, mas jamais teremos a perfeita igualdade em todas as dimensões. Isto é completamente impossível.

Alguns ambientalistas querem eliminar toda a poluição, todas as emissões de carbono. Impossível. Reduzir a poluição? Com certeza podemos fazer isso. Mas eliminá-la não é possível.

Algumas pessoas do establishment da saúde pública querem eliminar todos os casos de Covid. Reduzir o número de casos? Com certeza. Eliminar todos? Impossível.

Naturalmente, a revolução sexual resume-se a criar um paraíso sexual na terra, onde cada adulto poderá ter as relações sexuais que quiser, e nenhum mal jamais ocorrerá. 

2.º passo: As mesmas pessoas que vendem a fantasia também vendem a si mesmas como a potencial classe salvadora que pode tornar esse sonho uma realidade. Bastaria…

3.º passo: Dar a elas poder suficiente. Fazer o impossível requer muito poder. Portanto, a autointitulada “classe salvadora” exige poder ilimitado para transformar em realidade a fantasia onírica. Mas, mesmo com muito poder, essas pessoas não podem fazer o impossível. Portanto, têm de encher a sociedade… 

4.º passo: De propaganda ilimitada, que mantém as pessoas convencidas de que o sonho é desejável e possível. Finalmente (e isso muito importante), a propaganda deve fazer com que a atenção das pessoas se volte para… 

5.º passo: A classe que serve de bode expiatório. O cenário onírico jamais se materializará. Portanto, a classe salvadora precisa culpar alguém. Todas as ideologias totalitárias tiveram uma classe que lhes servisse de bode expiatório. Os comunistas culparam os kulaks, os camponeses ricos e os criptocapitalistas. Os nazistas culparam os judeus. Os revolucionários sexuais tratam como bode expiatório os cristãos que se recusam a aceitar a cartilha. 

Qualquer ideologia é completamente incompatível com a religião cristã. Revisemos os cinco elementos para entender a razão disso.

“Mártires cristãos adentrando o anfiteatro”, de Léon-François Benouville.

1. Uma ideologia promete primeiro o céu na terra. Mas Jesus nunca nos prometeu o céu na terra. Na verdade, Ele prometeu que seríamos perseguidos e teríamos problemas. Ele nos disse: “Tome cada um a sua cruz e siga-me”. Disse que deveríamos abandonar nossas famílias, nossos pertences e nossas reputações, qualquer coisa que interfira na cruz. Jesus não promete o paraíso na terra. Promete o paraíso no céu

2. A ideologia forja a necessidade de uma classe salvadora que possa tornar real esse paraíso na terra. Jesus nos proíbe de buscar uma classe salvadora. Ele é o único salvador. A religião cristã nos proíbe especificamente de atribuir o título de “salvador” a qualquer um, exceto a Jesus.

3. A classe salvadora pode nos salvar, desde que lhe concedamos poder suficiente para realizar a tarefa impossível que nos determinaram. Como cristãos, não temos permissão para fazer esse acordo. Temos o dever de dar a Deus o que é de Deus e a César o que é de César. Não é preciso dizer que não temos permissão para conceder poder ilimitado às elites políticas ou tecnocráticas. Temos de ouvir com respeito os especialistas de qualquer área, mas não devemos a eles obediência cega. Na verdade, eles devem oferecer respostas respeitosas às nossas dúvidas e preocupações. Afinal de contas, os especialistas em saúde pública, na chamada educação sexual, em ciência climática ou em economia global são cidadãos comuns como todos nós.

Nós, cristãos, temos essa ideia maluca de que as pessoas que detêm o poder não podem fazer o que bem entendem, e isso nos torna ainda mais incômodos para as elites no poder. Quem detém o poder não pode fazer o que quiser. A história do cristianismo está literalmente repleta de corpos de pessoas que enfrentaram os detentores do poder. Mais do que qualquer outra coisa, isso fez com que os cristãos enfrentassem problemas com as classes dominantes ao longo da história.

4. As ideologias precisam de propaganda ilimitada. Sejamos claros: a propaganda é uma forma de engano. Quando uma ideologia confere a si mesma a permissão para enganar, a fim de alcançar o sonho pretendido, o fiel cristão deve opor-se. O cristianismo afirma que existe uma coisa chamada verdade, que pode ser descoberta por meio da razão e da revelação, e que todos têm a responsabilidade de viver na verdade

5. Finalmente, a ideologia precisa culpar alguém quando as coisas não saem como planejado. Mas a religião cristã nos proíbe especificamente de tratar as pessoas como bodes expiatórios. Por acreditarmos no pecado original, não esperamos poder livrar a espécie humana de todo mal, se nos livrarmos de tais ou quais pessoas más. Quando o assunto é pecado, estamos todos no mesmo barco. Como disse Solzhenitsyn numa frase que ficou famosa: “A linha que divide o bem e o mal existe no coração de cada ser humano”. Naturalmente, existem graus de delitos pessoais. Há sociedades melhores e piores, é claro. Mas, independentemente do progresso que se possa atingir, jamais alcançaremos a perfeição. A promessa de que algum dia, de algum modo, chegaremos à perfeição está preparando o nosso caminho para o fracasso e a decepção

São as pessoas de fé a pedra no caminho da ideologia da moda. Quando surge uma nova ideologia, somos nós que dizemos, coçando a cabeça: “Isso não está certo”. Somos aqueles que estão dispostos a dizer: “Se alguém prometer o céu na terra, não morda a isca. Se é algo que parece muito bom para ser verdade, provavelmente não é nem bom nem verdadeiro”. 

Por isso os cristãos são o inimigo público número um.

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O segredo de Fátima do qual ninguém fala
Virgem Maria

O segredo de Fátima
do qual ninguém fala

O segredo de Fátima do qual ninguém fala

Mais de cem anos depois das aparições de Fátima, é hora de olhar bem de perto para os dois primeiros segredos revelados por Nossa Senhora aos três pastorinhos, e dos quais, infelizmente, não queremos ouvir falar...

Joseph PronechenTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere12 de Maio de 2021Tempo de leitura: 9 minutos
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Por que a maioria das pessoas ignora os dois primeiros segredos revelados por Nossa Senhora em Fátima num mês de julho, há 104 anos? O primeiro é sobre o inferno. Queremos realmente prestar atenção nele? A resposta parece ser não. A resposta se opõe ao caminho que o mundo tem seguido, particularmente nos últimos anos.

O primeiro segredo. — Em julho de 1941, a Irmã Lúcia revelou os dois primeiros segredos em suas Memórias, escritas sob orientação de seu bispo. Ela escreveu: “O segredo é composto de três partes distintas, duas das quais revelarei agora. A primeira parte é a visão do inferno”. 

Lúcia prosseguiu com a descrição:

Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de fogo que parecia estar debaixo da terra. Mergulhados nesse fogo, os demônios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas, com forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saíam juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faúlhas nos grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor. Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes e negros. 

Eis uma visão horripilante para qualquer um!

Ao relembrar o episódio, Lúcia explicou: 

Esta vista foi um momento, e graças à nossa boa Mãe do Céu, que antes nos tinha prevenido com a promessa de nos levar para o Céu (na primeira aparição)! Se assim não fosse, creio que teríamos morrido de susto e pavor. Em seguida, levantamos os olhos para Nossa Senhora que nos disse com bondade e tristeza: ‘Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores; para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção a Meu Imaculado Coração.’” 

Naquele mesmo instante Nossa Senhora deu a solução, o caminho seguro para evitar o fogo eterno.

Embora queiramos nos concentrar nessa parte do primeiro segredo, vejamos o que Nossa Senhora continuou dizendo naquela ocasião.

Ela prosseguiu: 

Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar. Mas, se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite, alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai a punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre.

Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia a Meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a Meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja; os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas, por fim o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz. 

Embora hoje muitas pessoas não queiram “assustar” adultos com a ideia de “inferno” ou com a palavra, Nosso Senhor não teve vergonha de usá-la (basta verificar os Evangelhos) e tampouco sua Mãe, tudo para o nosso bem e para o triunfo final: chegar ao Céu.

Lembre-se que esses videntes eram crianças na época. Lúcia tinha 10 anos, São Francisco, 9, e Santa Jacinta, 7.

Mais tarde no convento, Lúcia escreveu o seguinte ao seu bispo: “Até as pessoas devotas às vezes têm medo de falar com as crianças sobre o inferno para que não fiquem amedrontadas, mas Deus não hesitou em mostrá-lo a três crianças [...] bem sabendo que elas ficariam horrorizadas a ponto de (eu ousaria dizer) terem ficado paralisadas de medo.” Porém, quantos adultos ainda nunca ouviram falar sobre o inferno?

Santa Jacinta responde. — A pequena Jacinta ficou tão abalada e emocionada, que respondeu imediatamente. 

Tenho tanta pena dos pecadores! Se eu pudesse mostrar o inferno a eles!”, exclamou. Ela se agarrava a Lúcia e dizia: “Eu vou para o Céu; mas tu que ficas cá, se Nossa Senhora te deixar, diz a toda a gente como é o inferno, para que não façam mais pecados e não vão para lá.” 

Em outras ocasiões, depois de refletir por um tempo, ela dizia: “Tanta gente a cair no inferno, tanta gente no inferno!”

Para tranquilizá-la, Lúcia dizia: “Não tenhas medo; tu vais para o Céu.”

“Pois vou”, dizia com paz, “mas eu queria que toda aquela gente para lá fosse também!”

Ela obedeceria ao pedido feito por Nossa Senhora para ajudar a converter os pecadores e salvá-los do inferno. Por exemplo, embora estivesse muito doente, ainda assistia à Missa durante a semana. Quando Lúcia a exortou: “Jacinta, não venhas; tu não podes”, sua prima respondeu: “Não importa. Vou pelos pecadores que nem ao domingo vão.” 

Lúcia acreditava que Deus havia dado à sua jovem prima uma graça especial para isso por meio do Imaculado Coração de Maria. Jacinta “olhara para o inferno e vira a ruína das almas que para lá vão”. Muitas vezes se sentava no chão e, pensativa, exclamava: “O inferno! o inferno! que pena eu tenho das almas que vão para o inferno! E as pessoas lá vivas a arder como a lenha no fogo!”

Quando Lúcia a via muitas vezes mergulhada em alguma reflexão e lhe perguntava sobre o que estava pensando, Jacinta frequentemente respondia: “Nessa guerra que há-de vir, tem tanta gente que há-de morrer e ir para o inferno. Que pena! Se deixassem de ofender a Deus, nem vinha a guerra, nem iam para o inferno!”

Jacinta dizia que os pecados da carne são os que mais ofendem a Deus

Porém, para salvar os pecadores, Jacinta sempre fazia algo por causa dos temores que sentia por eles. Ela ajoelhava e rezava a oração que Nossa Senhora havia ensinado às crianças: “Ó, meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente as que mais precisarem.”

Lúcia relatou como Jacinta permanecia de joelhos por longos períodos, dizendo a mesma oração repetidas vezes.

Quando rezavam o Rosário, as crianças nunca se esqueciam de incluir depois de cada dezena a oração que Nossa Senhora também quer que rezemos após cada dezena. 

Muito tempo depois, numa carta escrita em 1941, Lúcia afirmou ao bispo: “Agora, Ex.mo e Rev.mo Senhor Bispo, já V. Ex.cia Rev.ma compreenderá por que a mim me ficou a impressão de que as últimas palavras desta oração se referiam às almas que se encontram em maior perigo ou mais iminente de condenação.”

Jacinta mostrava ter grande compaixão ao dizer (referindo-se a um pecador em particular): “Temos que rezar e oferecer sacrifícios a Nosso Senhor, para que o converta e não vá para o inferno, coitadinho!”

Ela motivava sua prima e o irmão dela, Francisco, a rezar pelos pecadores junto com ela. “Temos de rezar muito para salvar as almas do inferno!”, repetia. “Tantas almas vão para lá! Tantas!”

Ela seguia a recomendação de Nossa Senhora de Fátima para usar a prática da mortificação: “Rezai, rezai muito, e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno, por não haver quem se sacrifique e peça por elas.”

Quando Jacinta ficava especialmente preocupada, seu irmão Francisco lhe dizia: “Não penses tanto no inferno! Pensa antes em Nosso Senhor e Nossa Senhora. Eu não penso nele, para não ter medo.”

Naturalmente, ela não temia por si, mas pelos pecadores. Esta era sua atitude constante: “Perdoa-lhes, meu Jesus, e converte-os. Decerto não sabem que, com isto, ofendem a Deus. Que pena, meu Jesus! Eu rezo por eles…”. E imediatamente repetia a oração que Nossa Senhora ensinara: “Ó meu Jesus, perdoai-nos…”.

Sabemos que outro santo levou tudo isso a sério. Dom Paolo Carta, bispo italiano, recordando as solicitações de Nossa Senhora de Fátima, disse: “A ansiedade materna do Imaculado Coração de Maria pelas almas que vão para o inferno invadiu de forma profunda e completa o coração do Padre Pio, que fez de sua vida inteira um grande sacrifício a Nosso Senhor para afastar as almas da condenação eterna.”

O bispo observa que, em Fátima, Nossa Senhora pediu particularmente a récita do Rosário. “E quem poderia contar as horas que Padre Pio passou em oração pela conversão e salvação dos pecadores?”

Havia também a devoção dos cinco primeiros sábados, que deveríamos “praticar por toda a vida pelo bem de nossa alma e das almas dos nossos próximos também. Nossa Senhora nos disse que almas estão se perdendo no inferno porque não havia ninguém que fizesse reparação por seus pecados. Ela implora que façamos isso por eles. Como podemos negar-lhe isso?”

O presidente internacional do World Apostolate of Fatima, Américo Pablo Lopez-Ortiz, revelou que os videntes de Fátima descobriram “o infinito oceano de amor e misericórdia que é Deus”, e por meio do coração de Maria descobriram “a infinita misericórdia de Deus com os pobres pecadores e a terrível ameaça que enfrentam: a existência do inferno, criado para aqueles que por orgulho não aceitam a misericórdia de Deus”. 

O autor e escultor Pe. Thomas McGlynn, que esteve em Fátima, acreditava no seguinte: “A enormidade da rebelião da humanidade contra Deus e a infinita aversão de Deus ao pecado formam o fundamento da mensagem de Fátima. Então, Ele dá esperança ao pecador ao revelar que aceitará o arrependimento feito por meio do Imaculado Coração de Maria. Fátima manifesta os mais incompreendidos dos atributos divinos: justiça e misericórdia.” Nossa Senhora “veio para nos dizer como não ir para o inferno!”

Mas quantos escutam Nossa Senhora?

A Irmã Lúcia e São João Paulo II.

Esperança de evitar o inferno. — Depois de revelar o primeiro segredo, Lúcia revelou a seu bispo o segundo, que diz respeito a todos nós. O segundo segredo nos enche de esperança, porque mostra o caminho para o céu.

Lúcia escreveu: “A segunda parte diz respeito à devoção ao Imaculado Coração de Maria.”

Jacinta disse o seguinte a Lúcia: “Aquela Senhora disse que o Seu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá a Deus. Não gostas tanto? Eu gosto tanto do seu Coração! É tão bom!”

Quando Jacinta ia colher flores silvestres, cantava: “Doce Coração de Maria, sede a minha salvação! Imaculado Coração de Maria, converte os pecadores, livra as almas do inferno!

Lúcia disse ao bispo: “Nossa Senhora nos disse no segredo de julho que Deus queria estabelecer no mundo a devoção ao Imaculado Coração de Maria — estarei sempre convosco, e meu Imaculado Coração será vosso consolo e o caminho que vos levará a Deus. E Nossa Senhora garantiu: ‘No final, meu Imaculado Coração triunfará’”.

Isso fará com que mudemos de direção e tenhamos certeza de estar a caminho do céu.

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Rogações: o que são e por que resgatá-las?
Liturgia

Rogações: o que são
e por que resgatá-las?

Rogações: o que são e por que resgatá-las?

O que fazer diante de doenças, guerras ou desastres naturais? Os santos e a liturgia tradicional da Igreja têm a resposta! Saiba em que consistem as “Rogações” e como podemos pôr em prática, ainda hoje, esse costume da Igreja.

Equipe Christo Nihil Praeponere7 de Maio de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
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Não é novidade para ninguém que vivemos um tempo de descrença generalizada. Mas o que os cristãos faziam antigamente, ao confrontar fome, guerras, terremotos e desastres naturais em geral? Que resposta eles dariam, por exemplo, à atual pandemia do coronavírus?

Muito simples: eles se voltariam a Deus

Foi num ambiente de fé católica assim que nasceram as Rogações, “dias de oração, e antigamente também de jejum, instituídos pela Igreja para aplacar a ira de Deus sobre as transgressões dos homens, para pedir proteção em meio às calamidades e para obter uma boa e abundante colheita”.

Até a reforma litúrgica ocorrida após o Concílio Vaticano II, havia no calendário romano geral duas celebrações específicas nesse sentido. 

A primeira, chamada de “Ladainhas maiores” e regulada por S. Gregório Magno († 604), acontecia em 25 de abril, dia em que seria instituída, posteriormente, a festa de S. Marcos:

As Ladainhas maiores foram instituídas para cristianizar uma procissão pagã que todos os anos, a 25 de abril, saindo para lá dos muros de Roma, ia para o campo imolar um cordeiro em honra de Robigus, deus do gelo. Tornada cristã, a procissão acabava pela missa em S. Pedro. Tais como as Ladainhas menores ou Rogações, de data mais recente, estas orações públicas pedem a Deus que afaste os flagelos e espalhe a sua bênção sobre as colheitas [1].

A segunda, denominada “Ladainhas menores” e prescrita para toda a Igreja por Leão III († 816), acontecia ao longo de três dias — a segunda, terça e quarta-feiras precedentes à festa da Ascensão do Senhor [2]:

Por motivo de calamidades públicas, que, no século V, flagelaram a diocese de Viena, no Delfinado, S. Mamerto estabeleceu uma procissão solene de penitência, nos dias que precedem a festa da Ascensão. Uma prescrição do concílio de Orleans, de 511, espalhou este uso em toda a França. Não tardou a estender-se à Igreja universal. Sem deixar de implorar as bênçãos de Deus para toda a Igreja, as Rogações tornaram-se, atualmente, uma prece para obter a bênção de Deus para as colheitas.

O canto das ladainhas dos santos levou a dar a estes dias de preces públicas a designação de dias de rogações; mas, porque em Roma existia já uma procissão semelhante, no dia 25 de abril, as Rogações começaram a denominar-se Ladainhas menores, e a procissão de 25 de abril, Ladainhas maiores [3].

Em ambas as celebrações, o sacerdote vestia o violáceo penitencial, cantava-se a Ladainha de Todos os Santos e realizava-se uma procissão logo após a primeira invocação de Nossa Senhora. Se necessário, repetia-se a ladainha e se cantavam alguns dos salmos penitenciais ou graduais. Depois, rezava-se a Missa votiva das Rogações, com textos próprios que ressaltavam principalmente a eficácia de nossas orações, quando feitas com humildade, confiança e perseverança. A Epístola, por exemplo, tomada de S. Tiago, ensinava que 

a oração fervorosa do justo pode muito. Elias era um homem sujeito ao sofrimento como nós: orou com instância, para que não chovesse sobre a terra, e durante três anos e seis meses não choveu. Depois, orou de novo, e o céu deu chuva, e a terra os seus frutos (Tg 5, 16s). 

O Evangelho, por sua vez, narrava a parábola do amigo inoportuno e concluía com a célebre ordem de Nosso Senhor: “Pedi e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á” (Lc 11, 9).

Mas o que aconteceu com esses dias especiais de súplica na Igreja? 

“Bênção dos campos de trigo em Artois”, por Jules Breton.

Infelizmente, no Novus Ordo, eles sumiram do mapa. A exemplo das Quatro Têmporas, porém — sobre a qual já falamos aqui —, tampouco as Rogações foram abolidas. O Cerimonial dos Bispos prevê a sua celebração: “Nas rogações e nas quatro têmporas a Igreja costuma orar ao Senhor pelas várias necessidades dos homens, sobretudo pelos frutos da terra e pelos trabalhos dos homens e render-lhe publicamente ação de graças” (n. 381). E o Missal Romano, em suas “Normas universais para o ano litúrgico”, prescreve: “Para que as Rogações e as Quatro Têmporas do ano possam adaptar-se às diversas necessidades dos lugares e dos fiéis, convém que as Conferências Episcopais determinem o tempo e o modo como devem ser celebradas”. 

No Brasil, a CNBB decidiu, durante Assembleia Geral, em 1971, “que a regulamentação da celebração das Têmporas e Rogações fique a critério das Comissões Episcopais Regionais”. Como não se tem notícia de nenhuma previsão nesse sentido, só restou aos católicos uma forma de celebrar esses dias: privadamente

Fica pois a sugestão para o dia 25 de abril e os outros três que antecedem a Ascensão do Senhor (neste ano de 2021, trata-se dos dias 10, 11 e 12 de maio). Em casa, nestas datas, além da récita do santo Terço e das devoções habituais em família, é possível acrescentar a Ladainha de Todos os Santos e a oração de um ou mais salmos penitenciais — e as intenções das orações podem ser tantas quantas são as necessidades dos homens: desde os problemas particulares de cada pessoa e família até a crise sanitária e política que estamos vivendo a nível mundial. O importante é usar esse tempo para intensificar as nossas orações, sabendo que Deus quer derramar graças abundantes sobre nós.

Os paramentos violáceos que se usavam nestes dias, em pleno Tempo de Páscoa, também podem ser para nós um sadio lembrete de que, neste mundo, não podemos dispensar por completo a prática da mortificação. Pois “o vosso adversário, o diabo, rodeia como um leão a rugir, procurando a quem devorar” (1Pd 5, 8). Se o inimigo de nossa alma não descansa nem nos festivos dias de Páscoa, tampouco nós podemos descuidar da grande obra de nossa salvação eterna. Por isso, se possível, não deixemos de oferecer nesses dias, também, alguma penitência a Deus.

É claro que, para os fiéis que assistem à Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano — agora amplamente disseminada, graças ao Summorum Pontificum, do Papa Bento XVI —, as Rogações continuam a ser uma realidade litúrgica viva, um elemento importante do culto público da Igreja. Para a maioria de nós, porém, fica a esperança de que, num futuro não muito distante, tradições como essa sejam resgatadas e ganhem de novo lugar de honra na liturgia católica.

Lembremo-nos da história: essas preces públicas e procissões penitenciais começaram humildes e despretensiosas, numa e outra diocese, e a Providência cuidou do resto. Quem sabe se não é a partir de iniciativas pequenas, em nossas famílias e paróquias, que as Rogações voltarão a ser praticadas em toda a Igreja — alcançando também agora, como antes, os favores do céu?

Notas

  1. Missal Romano Quotidiano, por D. Gaspar Lefebvre e os Monges Beneditinos de S. André. Trad. dos Monges Beneditinos de Singeverga. Bruges: Biblica, 1963, p. 1040.
  2. Lembrando que, assim como Jesus subiu aos céus quarenta dias após ressuscitar, na liturgia, a Ascensão do Senhor também é celebrada quarenta dias após a Páscoa da Ressurreição, ou seja, na quinta-feira da 6.ª Semana da Páscoa. No Brasil, essa festa é transferida para o domingo seguinte, sobrepondo-se ao 7.º Domingo da Páscoa. 
  3. Missal Romano Quotidiano, p. 521s.

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