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Como os americanos estão mudando o debate sobre o aborto
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Como os americanos estão
mudando o debate sobre o aborto

Como os americanos estão mudando o debate sobre o aborto

Um movimento que começou tímido agora é uma das principais forças políticas dos Estados Unidos. Entenda como a Marcha pela Vida mudou o rumo do debate sobre o aborto e o que temos a aprender com ela no Brasil.

Equipe Christo Nihil Praeponere24 de Janeiro de 2020Tempo de leitura: 10 minutos
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Neste dia 24 de janeiro, milhares de pessoas estão nas ruas de Washington D.C., para participarem da Marcha pela Vida, um evento que acontece todos os anos na capital americana, desde 1973, quando a Suprema Corte dos Estados Unidos lamentavelmente aprovou o aborto em todo o país, pelo julgamento “Roe vs. Wade”. A ocasião é propícia para refletirmos um pouco sobre o movimento pró-vida no Brasil e aprendermos de nossos irmãos americanos a como derrotar a “cultura da morte”.

A legalização do aborto nos Estados Unidos foi toda baseada numa peça teatral com a “protagonista perfeita”. Norma McCorvey, a famosa Jane Roe do processo que foi parar na Suprema Corte, queria interromper a gravidez, mas esbarrava na legislação do Texas, que só permitia o aborto em situação de risco para a mãe. Com 22 anos apenas, ela inventou que havia sido violentada. Daí para frente, as suas duas advogadas, Sarah Weddington e Linda Coffe, que já militavam pelos chamados “direitos reprodutivos”, fizeram o trabalho de levar o caso até as últimas instâncias, obtendo dos ministros da Suprema Corte um parecer positivo, sob um questionável argumento de “privacidade” da mulher.

A partir disso, as clínicas de aborto logo se espalharam por todo o território americano, tornando-se uma indústria altamente lucrativa. Estima-se que, de 1973 até os dias atuais, os Estados Unidos já tenham assistido a mais de 60 milhões de abortos. A poderosa Planned Parenthood, fundada pela infame Margaret Sanger, é a principal clínica no ramo, destacando-se desde então pela barbaridade de seus métodos. Em 2015, a empresa se envolveu numa grande polêmica após o vazamento de vários vídeos em que seus funcionários delatavam a existência de uma rede de tráfico de órgãos dentro da própria Planned Parenthood.

Ao fim e ao cabo, a militância pró-aborto teve uma vitória incrível nos Estados Unidos, que surtiu um efeito cascata em todo o mundo. No Brasil, a estratégia tem sido praticamente idêntica, com os mesmos slogans e técnicas para ganhar do Supremo Tribunal Federal a tão desejada legalização. Eles já conseguiram a aprovação do uso de células-tronco embrionárias e o aborto em caso de anencefalia. Atualmente, outros dois casos se encontram nas mãos dos nossos ministros (um sobre o aborto em casos de Zika e outro que pede a legalização da prática até a 12.ª semana da gestação), aguardando a oportunidade de serem julgados. 

Como em “Roe vs. Wade”, os militantes daqui também encontraram alguém para lhes servir como “protagonista perfeito”. O precedente foi aberto pelo ministro Luís Roberto Barroso, que absolveu uma quadrilha de médicos aborteiros, a fim de introduzir um falso direito na Constituição.

“Nós somos a geração pró-vida”. Foto da Marcha pela Vida, dos EUA.

Mas enganar-se-ia quem pensasse que a situação é irreversível. A partir de 1973, o movimento pró-vida americano iniciou a Marcha pela Vida, na garagem da senhora Nellie Gray. Aos poucos, aquela tímida reação foi ganhando corpo e hoje é um dos principais agentes políticos dos Estados Unidos, determinando até as eleições federais. 

Em 2013, início do segundo mandato de Barack Obama, um ardente militante do direito ao aborto, a Marcha pela Vida colocou mais de 600 mil pessoas para marcharem até o Capitólio (na maior edição da história do evento), com uma mensagem clara ao presidente. Com efeito, a última pesquisa a respeito da intenção de voto dos americanos mostra que a maior parte deles está decidida a escolher candidatos contrários ao aborto. Não bastasse isso, o número de estados com legislações mais pró-vida vem aumentando todos os anos.

A invertida da causa pró-vida desperta, obviamente, o medo dos seus adversários. Naquele mesmo ano de 2013, a revista Time publicou toda uma edição dedicada a analisar como “o movimento pró-aborto (pro-choice) vem perdendo” após a farsa de “Roe vs. Wade”. “Conseguir um aborto é mais difícil hoje do que em qualquer época desde a década de 1970”, admitiu a revista. De fato, o número de médicos que se dispõe a fazer a operação diminuiu de lá para cá, porque a série de restrições impostas pelos estados mais pró-vida tem dificultado a permanência de clínicas abertas. E a situação deve piorar ainda mais para eles agora que o presidente Donald Trump colocou na Suprema Corte mais dois juízes conservadores, diminuindo a resistência dos progressistas. 

É uma questão de tempo até que a absurda decisão do caso “Roe vs. Wade” seja finalmente sepultada. Até porque, a própria senhora McCorvey passou para o movimento pró-vida, em 1995, e desde então até a sua morte, em 2017, ela lutou para reverter o desfecho do seu julgamento. McCorvey explicava assim a razão da sua nova postura:

Pura e simplesmente, eu fui usada. Eu não era ninguém para elas (as advogadas). Elas apenas precisavam de uma mulher grávida para usá-la no caso, e era só isso. Elas estavam preocupadas, não comigo, mas apenas com a legalização do aborto. Mesmo depois do caso, eu nunca fui respeitada — provavelmente porque eu não era nenhuma feminista liberal, educada nas universidades mais prestigiadas, como elas eram.

Todo esse sucesso do movimento pró-vida se deve, segundo a revista Time, a duas coisas: por um lado, uma organizada e bem-executada estratégia, que conseguiu formar uma geração de militantes jovens e dispostos a lutar pela causa; e por outro, o avanço da ciência em técnicas de pré-natal, que permitiu a identificação do feto como alguém verdadeiramente humano. “Graças ao ultrassom pré-natal”, diz a revista, “os americanos agora sabem com o que o feto se parece, e que um bebê nascido por volta da 24.ª semana pode sobreviver”. 

Essas informações foram decisivas para que grande parte dos americanos (principalmente jovens) migrasse para o lado oposto da “cultura da morte”, apesar de toda a campanha midiática e da pressão das grandes fundações internacionais. Enquanto isso, a malfadada Marcha das Mulheres, um dos braços do movimento pró-aborto, sofre para não minguar e desaparecer de vez.

A defesa da vida é uma questão de lei natural. Está no sangue de qualquer ser vivo o desejo de preservar a própria espécie, sobretudo a prole. Por isso, quando ficamos sabendo de pais que abandonaram o filho, ou mesmo de algum animal que se desfez da cria, isso nos causa bastante estranheza. Parece que há algo de errado, algo bastante contrário à natureza das coisas.

O trabalho do movimento pró-vida, nesse sentido, consiste em manter vivo esse sadio “senso comum”, acolhendo as mães em situação de risco, como fazem as várias casas de apoio, e promovendo formações permanentes sobre o valor da vida humana, desde a concepção até a morte natural. Com a ajuda da ciência, esse trabalho tem sido ainda mais fecundo, porque qualquer um pode identificar o ser humano em pleno desenvolvimento no ventre da mulher. Como dizia o doutor Jérôme Lejeune: “Não há diferença [substancial] entre a pessoa que você era no momento da fecundação do óvulo de sua mãe e a pessoa que você é hoje”. Trata-se de um fato que salta aos olhos.

O movimento pró-aborto, por outro lado, precisa remar contra a maré e fazer de tudo para cancelar do espírito humano a sua própria natureza. Na audiência pública para discutir a descriminalização do aborto no Brasil, a antropóloga Débora Diniz fez um discurso muito revelador. Em linhas gerais, a argumentação dela baseou-se em duas premissas: i) a de que não devemos ter “expectativas morais” sobre as mulheres, mas apenas respeitar o desejo delas de abortar; ii) a negação de qualquer aspecto de humanidade ao feto que, para ela, seria apenas uma “bola de sangue”, como já disse em outros momentos. É incrível que em 15 minutos de exposição ela não tenha mencionado o bebê uma única vez. Para o pensamento de Débora Diniz, “abortar ou não” é como a decisão sobre o fumo: usa quem quer.

Mas se concordássemos com esse argumento de que não devemos ter “expectativas morais” sobre as mulheres, mas apenas respeitar a vontade delas de interromper a gestação de uma “bola de sangue”, deveríamos então nos perguntar que tipo de expectativas podemos ter por parte dos homens. Afinal de contas, toda essa celeuma não se baseia na “igualdade de direitos”? Imaginem, portanto, a seguinte situação: o Supremo Tribunal Federal convoca uma audiência pública para discutir o problema do estupro no Brasil. Um renomado antropólogo resolve então defender a ideia do “estupro legal”, com base na premissa de que todo homem é um estuprador em potencial e vai acabar cometendo essa barbaridade mais cedo ou mais tarde.

Para esse antropólogo, o estupro é um caso de “saúde pública”, e o Estado não deveria discutir sobre a moralidade dos “direitos reprodutivos” de ninguém. O antropólogo propõe, então, a descriminalização do estupro para assegurar o direito ao “sexo legal”, a fim de que os homens não precisem recorrer a relações clandestinas, que lhes possam causar sérias doenças, nem corram o risco de terminar atrás das grades, simplesmente por satisfazerem suas necessidades sexuais. Do lado de fora do STF, militantes do coletivo “Marcha dos Vadios” discursam palavras de ordem do tipo “meu corpo, minhas regras” e “estupro legal e seguro”.

Algo assim seria um completo disparate e só a mínima hipótese deve nos causar asco. Todavia, se trocarmos os substantivos “homem” e “estupro” por “mulher” e “aborto”, nós teremos exatamente o discurso de Débora Diniz e de praticamente todo o movimento pró-aborto. A simples ideia de que não devemos criar “expectativas morais” sobre uma pessoa, qualquer que seja, mas apenas aceitar as suas escolhas, mesmo que isso implique um assassinato, é abrir as portas para a insanidade. 

Se só o que vale é a vontade, e sou eu que decido arbitrariamente que vida tem ou não mais valor e dignidade, ninguém deve se espantar com a barbárie; ninguém deve se espantar se uma mãe arranca o filho da barriga para ganhar o Globo de Ouro, como sugeriu a atriz Michelle Willians recentemente, ou se um diretor de cinema assedia as atrizes de seus filmes. Ambos foram igualmente acostumados a não ter “expectativas morais” sobre nada e a simplesmente olhar os outros como objetos descartáveis.

Sabiamente, o movimento pró-vida dos Estados Unidos tem conseguido desmascarar toda a estupidez dos argumentos pró-aborto, mostrando justamente as consequências nefastas que essa ideologia causa à mulher. Baseados na natureza das coisas, eles têm convencido até grandes figurões do lado oposto, como também foi o caso do doutor Bernard Nathanson, um dos fundadores da National Association for Repel of Abortion Laws (NARAL), que se arrependeu após ter assistido ao ultrassom que mostrava a agonia de uma criança durante a sucção. Depois disso, Nathanson veio a público denunciar como os números divulgados pelos defensores do aborto eram falsos, num documentário que ficou famoso no mundo todo: “O Grito Silencioso”.

O movimento pró-vida dos Estados Unidos está organizado em associações de leigos, casas de apoio e grupos de oração que trabalham conjuntamente para esclarecer a opinião pública e dar a ajuda que as gestantes precisam. Uma parte desse trabalho já foi apresentada em filmes como Blood Money, Em busca de um lar e, mais recentemente, no sucesso Unplanned, que devido à grande repercussão, acabou banido de algumas salas de cinema por medo da militância pró-aborto. Porque é só isso que esse grupo consegue fazer: mentir e calar seus oponentes. Mas a tática não está dando certo, como vimos.

O movimento pró-vida brasileiro deve, pois, seguir a mesma agenda, com militância tanto na política, quanto no dia a dia, auxiliando as gestantes e esclarecendo a população, sobretudo os mais jovens, acerca das mentiras do movimento pró-aborto. 

Trata-se de algo que já Bento XVI pedia, lembrando que, nesse campo, “a Igreja lutará pelas respostas que melhor correspondam à justa medida do ser humano”, devendo “fazer todo o possível por criar uma convicção que possa depois traduzir-se em ação política”. Tudo isso porque a defesa da vida não é simplesmente uma questão religiosa, mas também um direito natural, inscrito no coração de cada ser humano; um direito que deve ser promovido, tutelado e preservado a todo custo, desde a concepção até a morte natural, para todas as pessoas, sejam homens, mulheres ou crianças.

E assim também surgirá no Brasil uma geração que porá fim à “cultura da morte”.

Notas

  • A imagem acima é da Marcha pela Vida ocorrida em 22 de janeiro de 1995, na mesma capital americana, Washington.

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Uma reflexão sobre São João Maria Vianney
Santos & Mártires

Uma reflexão sobre
São João Maria Vianney

Uma reflexão sobre São João Maria Vianney

Embora os santos sejam a resposta para as crises do mundo, eles não ambicionam sê-lo — e provavelmente sequer se tornariam santos se o fizessem. O que eles querem é amar a Deus apaixonadamente, apesar das crises.

Michael PakalukTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere4 de Agosto de 2020Tempo de leitura: 5 minutos
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No dia 4 de agosto de 1859 morria, em sua vila na França, João Batista Vianney, aos 73 anos de idade. A isso se seguiria uma das mais rápidas beatificações e canonizações da modernidade (antes das reformas desses processos, realizadas pelo Papa João Paulo II): Pio X beatificou o Cura d’Ars em 1905, e Pio XI o canonizou em 3 de maio de 1925. 

Há uma famosa citação de São Josemaria Escrivá, de que as crises no mundo são crises de santos (cf. Caminho, 301). Podemos concordar entusiasticamente com a afirmação sem entender precisamente o que ela significa. Seu sentido parece variar tanto quanto podem variar o indivíduo, a crise e a própria santidade. Pensemos em exemplos pertinentes: São Juan Diego, São Thomas More, São John Henry Newman, Santa Teresa de Calcutá e São João Paulo II. Hoje, porém, vamos refletir sobre São João Maria Vianney.

Olhando para trás, Vianney parece ser um dos muitos grandes sacerdotes e religiosos educados logo após a Revolução Francesa e o Período do Terror. Ele testemunhou a execução de sacerdotes e o fechamento de igrejas sob ordens das autoridades civis. Para ele, no entanto, a necessidade de sacerdotes tornou-se mais palpável, não menos. E ele não estava só: entre os que foram ordenados ao diaconato com ele em Lyon estavam Marcelino Champagnat (canonizado por João Paulo II em 1999) e Jean-Claude Colin — fundador dos Maristas.

Embora os santos sejam a resposta para as crises, eles não ambicionam ser “respostas para crises” — e provavelmente sequer se tornariam santos se o fizessem. O que eles desejam é amar a Deus apaixonadamente, apesar das crises. O biógrafo de São João Vianney, Joseph Vianney, interpreta sob esse prisma os famosos esforços dele com o latim e a filosofia.

De uma perspectiva humana, diz Joseph, alguém poderia ter pensado que a crise na França teria sido enfrentada com mais eficácia por uma apologética brilhante na Sorbonne, ou por uma oratória atraente na catedral de Notre-Dame. Mas a Igreja precisava ainda mais de pastores do campo “para demonstrar com a santidade de suas vidas a verdade do Evangelho, no qual as pessoas já não acreditavam mais. A criança de Dardilly fora escolhida dentre todas as outras para ser o modelo daqueles sacerdotes santos, que são indispensáveis para a execução do plano divino”.

Posteriormente, um clérigo levou ao confessionário em Ars um complexo caso de consciência para pedir aconselhamento ao Cura. Ele viu, então, um problema, que havia deixado perplexos os maiores especialistas em teologia moral, ser resolvido de pronto pelo simples pastor, com elegância e persuasão. Questionado por seu irmão no sacerdócio sobre onde havia adquirido um conhecimento teológico tão perspicaz, o santo respondeu apontando para seu genuflexório.

O Cura estava profundamente convencido de suas indignidades, não recebia consolações por causa de sua virtude e orava com fervor para jamais ser alvo de atenção. Por exemplo, através de suas orações, milhares de peregrinos que se dirigiam a Ars eram curados de doenças físicas. Mas, aparentemente, em resposta às orações dele, as pessoas raramente eram curadas no local. Em vez disso, ele lhes dizia para retornarem a casa e fazerem a novena de Santa Filomena — e, no nono dia, elas ficavam curadas, sem alarde e estando bem longe de Ars.

É bastante conhecido o fato de que ele passava de 16 a 17 horas por dia no confessionário. Esse número já é, por si mesmo, impressionante o suficiente. Mas é preciso lembrar, também, de que não havia sistema de aquecimento em sua igreja. Ele costumava gracejar que, no fim do dia, durante o inverno, ele primeiro via os seus pés para só depois os sentir. Dizia ele que costumava apalpar os pés para ter certeza de que ainda estavam lá.

No calor intenso do verão, os peregrinos que esperavam na fila podiam sair da igreja por um momento a fim de tomar um pouco de ar fresco e não desmaiar. Ele, porém, ficava o tempo inteiro atrás de uma cortina, numa caixa, sentindo o hálito dos penitentes e muitas vezes o seu odor, já que a maioria deles era pobre.

E então ele se punha a escutar pecados por 16 ou 17 horas. Era essa a grande causa de seu sofrimento. “Sou tomado pela melancolia nesta terra miserável”, disse ele certa vez a um companheiro no sacerdócio, “minha alma se entristece até à morte. Meus ouvidos não escutam senão coisas dolorosas que me tomam o coração de tristeza”. Seu biógrafo compara a situação a São Pedro sendo obrigado a testemunhar a Paixão 17 horas por dia.

Ele dormia em tábuas por apenas algumas horas na noite e tinha de suportar uma dor crônica. Somente a graça e o amor podem explicar a energia que ele tinha ao longo do dia. Não era possível que uma pessoa sobrevivesse por meios naturais ingerindo uma quantidade tão pequena de comida. Numa etapa posterior de sua vida, por obediência ele passou a comer um pouco de pão e tomar um pouco de leite após a Missa. Seu biógrafo narra este incidente emblemático: “Irmão Jerônimo, que muitas vezes estava presente nessa ligeira refeição, logo percebeu que ele sempre comia primeiro o pão e depois tomava o leite. ‘Mas, senhor cura’, observou um dia quando notou a dificuldade com que o pão era engolido, ‘seria muito melhor se molhasse o pão no leite’. ‘Sim, eu sei’, foi a sua resposta gentil.” 

E era muito mais difícil para um pároco do que para um religioso, ele dizia: “Um sacerdote precisa de reflexão, oração e união íntima com Deus. O cura, no entanto, vive no mundo; ele conversa, envolve-se com política, lê os jornais, fica com a cabeça cheia deles; depois, lê o breviário e celebra a Missa, e infelizmente faz isso como se fosse uma coisa comum!”

De fato… infelizmente! As palavras dele se aplicam a leigos e a sacerdotes seculares. E “estas crises mundiais são crises de santos”.

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Orações para discernir a própria vocação
Oração

Orações para discernir a própria vocação

Orações para discernir a própria vocação

Aos que ainda estão escolhendo o próprio estado de vida, oferecemos abaixo algumas orações a fim de pedir a Deus luzes para conhecer o caminho que Ele nos tem preparado, força para começar a jornada e constância para percorrê-lo até o fim.

Wilhelm NakatenusTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere4 de Agosto de 2020Tempo de leitura: 4 minutos
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“Na empresa da própria santificação”, escreve o Pe. Antonio Royo Marín, “cada um há de pôr a suprema esperança de sua vida, o máximo interesse, empregando todas as forças recebidas de Deus segundo a medida do dom de Cristo. Só a este preço alcançará o cristão sua plena perfeição sobrenatural, que se traduzirá depois em um peso incomensurável de glória para toda a eternidade” (2Cor 4, 17) [1].

Mas esse belo empreendimento, o único que realmente vale a pena, não se leva a cabo de forma genérica, impalpável, no limbo dos “bons desejos”, mas nas circunstâncias concretas em que o Senhor põe a cada um de nós. Por isso, poucas coisas são tão necessárias ao fiel do que escolher o gênero de vida em que há de realizar, com matizes próprios, a única santidade cristã, a mesma que cultivam, substancialmente, os sacerdotes, no estado eclesiástico; os religiosos, na vida consagrada; os esposos e pais, nas ocupações da família; e os leigos celibatários, como fermentos de pureza na massa da sociedade.

Ora, como nenhuma decisão séria que tenha ressonâncias de eternidade deve ser feita com leviandade e sem reflexão, a escolha do próprio estado de vida, convém prepará-la com muita oração, imitando nisso o exemplo de Cristo, que dirigia ao Pai frequentes orações antes dos principais momentos de sua missão na terra. Com a intenção de ajudar os leitores que ainda estão discernindo a própria vocação, oferecemos abaixo algumas orações para pedir a Deus luzes para conhecer o caminho que Ele nos tem preparado, força para começar a jornada e a constância para percorrê-lo até o fim.


Orações para discernir e escolher o estado de vida
(Coeleste palmetum, XXXII, pp. 365–366)

1. Oração a Deus Pai para pedir a divina sabedoria e o Espírito Santo (cf. Sb 9). — Deus eterno e todo-poderoso, que todas as coisas criastes pela Vossa palavra e que, por Vossa sabedoria, formastes o homem: fazei-a descer do Vosso santo céu e enviai-a do trono de Vossa glória, para que, junto de mim, tome parte em meus trabalhos, e para que eu saiba o que Vos agrada. Que homem pode conhecer os desígnios de Deus, e penetrar nas determinações do Senhor? Tímidos são os pensamentos dos mortais, e incertas as nossas concepções; porque o corpo corruptível torna pesada a alma, e a morada terrestre oprime o espírito carregado de cuidados. E quem conhece Vossas intenções, se Vós não lhe dais a sabedoria, e se do mais alto dos céus não lhe enviais o Vosso Espírito Santo? Assim se tornaram direitas as veredas dos que estão na terra.

Hino Vinde, Espírito Santo. — Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos Vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra. — Oremos: Ó Deus, que instruíste os corações dos Vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, concedei-nos amar, no mesmo Espírito, o que é reto e gozar sempre a sua consolação. Por Cristo, Senhor Nosso. Amém.

2. Oração a Jesus, para oferecer-se com indiferença a todos os estados. — Eis-me aqui, ó meu Jesus, de pé diante de Vós, indiferente a todos os estados; seguirei sem demora aquele a que Vós me chamardes. Quereis que deixe minha terra, família e casa paterna? Meu coração está firme! Nem a pátria nem os parentes, nem riquezas nem cobiças me hão de reter. Quereis que, tendo a tudo abdicado, Vos sirva na pobreza, na castidade e na obediência religiosa? Meu coração está firme! Quereis que viva em estado eclesiástico? Meu coração está firme! Só Vos peço não me permitais ali chegar por vias ilícitas nem ali viver indignamente. Chamai-me antes deste mundo a Vós por uma morte súbita! Quereis que viva célibe no mundo ou contraia santo matrimônio? Dai-me conhecer Vosso beneplácito: meu coração está firme! Às alegrias e tristezas, às doçuras e asperezas me ofereço. Estou pronto a ir convosco tanto para a prisão como para a morte (cf. Lc 22, 33).

3. Oração à Bem-aventurada Virgem. — A vós, ó Estrela do Mar, entre as vagas instáveis desta vida, elevo meu olhar! Dirigi, ó Mãe da Eterna Luz, o meu coração ao Polo, vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, e guiai-me àquele estado de vida em que eu dignamente sirva a este mesmo Filho vosso e chegue, enfim, ao tão ansiado porto da pátria celeste. Amém.

4. Oração ao Anjo da guarda. — Ó meu Anjo, a cuja tutela fui confiado por Deus; ó guia e companheiro de minha peregrinação, assisti-me neste tão grave negócio de minha salvação! Mostrai-me que caminho devo escolher para alcançar o fim para o qual fui criado, isto é, a eterna bem-aventurança, a fim de merecer contemplar e louvar convosco o meu Deus para sempre. Amém.

5. Oração para perseverar no bom propósito. — Ó benigníssimo Deus, mostrastes-me o caminho que hei de trilhar; manifestastes-me Vossos juízos e leis, dando-me saber que desejais ser servido neste estado… Concedei-me, pois, a Vossa graça, para perseverar constante neste meu propósito e alcançar a eterna salvação. Amém.

Referências

  1. Espiritualidad de los seglares. Madrid: BAC, 1967, p. 28.

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Cristãos “esquisitos”?
Sociedade

Cristãos “esquisitos”?

Cristãos “esquisitos”?

Incenso, véus, canto gregoriano e sacramentais estão de volta… E a iniciativa é justamente dos jovens! Mas de onde vem o interesse das novas gerações pela religião? E por que elas se sentem tão atraídas pelas formas tradicionais de culto?

John Horvat IITradução: Equipe Christo Nihil Praeponere4 de Agosto de 2020Tempo de leitura: 4 minutos
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Muitos autores de esquerda têm dificuldade em explicar a atração dos jovens pela religião, particularmente em suas formas mais tradicionais. Em tese, essa atração não deveria existir. Ela dá curto-circuito na lógica das narrativas prediletas da esquerda. Jovens deveriam sentir-se atraídos por narrativas revolucionárias que pregam o progresso e a igualdade. A história, dizem os esquerdistas, é uma sucessão de disputas de poder que dividem as pessoas entre exploradores e explorados. Jovens religiosos não se encaixam na narrativa porque buscam um Deus que é amor e perdão.

Quando esse autores não conseguem identificar a luta de classes nessa atração religiosa, resolvem elaborar uma ladainha de acusações, tachando os jovens crentes de “racistas”, “misóginos”, “homofóbicos” e até “elitistas”.

Recentemente, a jornalista Tara Isabella Burton causou alvoroço com um ensaio publicado em The New York Times, intitulado Christianity Gets Weird [“O cristianismo torna-se esquisito”]. Ela se identifica como uma jovem cristã tradicional, atraída pelas formas externas mais antigas. Ama incenso, véus, canto gregoriano e sacramentais. No entanto, como moça pós-moderna alheia às principais narrativas ocidentais, ela acha difícil explicar sua atração pelo esplendor medieval e pela “pompa histórica” do culto em latim.

Os liberais que acompanham a tendência sentem uma perplexidade semelhante. Eles tentam minimizar essa atração rotulando-a como uma “moda” da juventude. Dizem que a culpa disso é o apego superficial e fetichista a uma “estética sobrenatural”, que os deixa exasperados, e rotulam de “esquisito” aquilo que não conseguem entender. Isabella e muitos outros que se unem a ela online adotaram o rótulo com certa ironia.

Portanto, cristãos “esquisitos” estão aparecendo na cena cultural, muitas vezes em espaços na internet onde podem se reunir e compartilhar suas opiniões.

A jornalista afirma que “cada vez mais jovens cristãos, desiludidos com binarismos políticos, incertezas econômicas e com o vazio espiritual que define a América moderna, encontram alívio numa visão da fé claramente antimoderna”. 

Os membros das gerações Y e Z percebem o vazio do deserto cultural pós-moderno. Também rejeitam o vazio das principais igrejas protestantes, que atenuaram as verdades sobrenaturais e exaltaram trivialidades. Esses peregrinos online detestam os aspectos estéreis, feios e cruéis da vida moderna.

Eles anseiam por algo verdadeiro e profundo. Sua propensão a “voltar” à Idade Média e à fé tradicional é o pior pesadelo de um esquerdista. Este fica perturbado não apenas por causa da atração que esses jovens sentem por um cristianismo vigoroso, mas também por sua rejeição dos fundamentos antimetafísicos da ordem de esquerda, que foram intensificados pela desagregação política e econômica dessa ordem, provocada pelo coronavírus.

O problema dessa corrente contracultural é a sua dificuldade em se definir e se expressar. Seus seguidores jamais conheceram o mundo tradicional, e agora o admiram. São vítimas de uma cultura pós-moderna caótica, destituída de estrutura e estabilidade. Isabella afirma que uma rebeldia “punk” caracteriza o movimento, que parece ser contrário a tudo o que faz parte do establishment, inclusive a economia moderna.  

Esses jovens são movidos pela “ânsia de algo que está além do que a cultura americana contemporânea lhes pode oferecer, algo transcendente, politicamente significativo e pessoalmente desafiador”.

Eles não sabem exatamente o que estão a buscar, mas detectam algo que os fascina e se apegam a isso com paixão. Críticos superficiais rejeitam esse apego, pois acham que a adesão a aspectos externos pode levar a vários perigos.

Mas esses críticos estão errados.

Existe um nome para o que esses jovens cristãos buscam e encontram nas formas tradicionais de culto, como nas Missas em latim, no incenso e nas Vésperas solenes. Eles encontram uma beleza autêntica que toca e eleva sua alma, fazendo-os distanciar-se da feiura da modernidade. O pensamento filosófico ocidental chama essa beleza de sublime.

É com acerto que Edmund Burke considera o sublime a “emoção mais forte que a mente é capaz de sentir”. Ele consiste em coisas transcendentes que provocam fascínio por causa de sua magnificência. É algo que nos convida a superar o egoísmo e a autossatisfação e a olhar para coisas mais elevadas — o bem comum, a santidade e, em última análise, Deus —, coisas que dão sentido e propósito à vida.  

Quer se manifeste em obras de arte, em grandes feitos ou na liturgia religiosa, o sublime fomenta sentimentos de lealdade, dedicação e devoção que podem preencher o vazio do deserto pós-moderno. 

A Igreja se cerca de coisas sublimes, coisas que sem dúvida atraem e convertem as pessoas para o culto e o serviço a Deus (coisas que, infelizmente, foram abandonadas pelos progressistas). Elas são manifestações externas que revelam algo da própria grandiosidade de Deus. A natureza humana se sente naturalmente atraída por elas e por princípios e doutrinas que fascinam o intelecto, em razão de sua lógica e sabedoria.

Os jovens cristãos estão certos ao presumir que as coisas que provocam fascínio são parte de um modo de vida distinto daquele que encontram hoje no mundo. Também estão corretos em sua percepção do colapso irreversível da ordem esquerdista, que nada lhes oferece de sublime. Não há nada de “esquisito” em sua descoberta de uma ordem social cristã que trilha o caminho oposto das alternativas individualistas e estéreis, que são, elas sim, a verdadeira esquisitice na história humana.

Os esquerdistas pós-modernos não se sentem ameaçados quando o cristianismo tradicional aceita ser apenas mais um de tantos elementos no bufê cultural. Porém, quando as pessoas rejeitam a infraestrutura filosófica que sustenta o esquerdismo, eles perdem toda a tranquilidade. 

O problema, para esse sedentos jovens cristãos, não está no objeto de seu fascínio, mas em como dar os próximos passos que levariam, normalmente, a um aprofundamento de sua fé. É preciso ir além da “esquisitice” e abraçar com sinceridade o sublime, em toda a sua plenitude e autenticidade.

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Jejuar ainda? Por quê?
Espiritualidade

Jejuar ainda? Por quê?

Jejuar ainda? Por quê?

O jejum é um dos costumes religiosos mais antigos da história. Sua prática, no entanto, tem sido bastante desprezada por nossa sociedade consumista e sem autocontrole. Por que, então, mesmo assim, a Igreja continua a recomendá-la?

Pe. Blake BrittonTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere31 de Julho de 2020Tempo de leitura: 4 minutos
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O jejum é uma das práticas religiosas mais antigas da história. Hoje, porém, numa sociedade dominada pelo consumismo, pelo materialismo e por uma falta de autocontrole generalizada, a disciplina do jejum é bastante desprezada. A Igreja Católica ainda é uma das poucas instituições no mundo que defende a dignidade dessa prática e a sua importância para a vida espiritual. Portanto, devemos nos perguntar: por que a Igreja é tão “inflexível” a respeito desse antigo costume e quais as origens dele?

S. Basílio Magno, em suas homilias para a Quaresma, observa que o jejum é tão antigo quanto a humanidade. Na verdade, foi a primeira ordem que os seres humanos receberam de Deus: “Não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal” (Gn 2, 17). De acordo com S. Basílio, foi a incapacidade de jejuar que levou à Queda no Éden. O jejum como tal é um dos remédios para recuperar a dignidade original de nossa identidade como filhos de Deus: “Fomos banidos do Paraíso porque não jejuamos. Portanto, jejuemos para retornar a ele” (Hom. 1 sobre o jejum).

S. Basílio reconhece um duplo propósito nessa ordem primordial de jejuar. Primeiro, o jejum ajuda a alma a amadurecer. Qualquer psicólogo reconhecerá que a falta de disciplina e autocontrole são sinais claros de imaturidade. A incapacidade de ser paciente, tomar decisões sensatas e desfrutar com responsabilidade de comida, bebida ou relacionamentos representa uma grave lacuna no desenvolvimento humano. É por isso que a prática regular da autodisciplina por meio do jejum é tão crucial para a vida espiritual. Não se trata apenas de renunciar a algo porque a Igreja assim o determina. Quanto mais praticamos a abstinência, mais maduros nos tornamos, saindo da imaturidade da satisfação imediata para a maturidade do consumo regrado. Pois o jejum é o “companheiro da sobriedade e o artesão do autocontrole” (Ibid.).  

Portanto, o jejum nos ajuda a fomentar uma virtude específica — a saber, o autocontrole, uma qualidade não muito comentada em nossa época. São Paulo o identifica como um dos frutos do Espírito Santo: “O fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança” (Gl 5, 22–23). O termo grego usado por Paulo é enkrateia (ἐγκράτεια), que é composto de duas outras palavras: en (de dentro) e kratos (de uma raiz que significa “aperfeiçoar”). Portanto, ter autocontrole significa literalmente “aperfeiçoar-se desde dentro”. Essa definição nos ajuda a entender melhor a segunda afirmação de S. Basílio a respeito das consequências do jejum.

Para S. Basílio, o jejum feito de forma correta ordena os apetites do nosso corpo para o bem da alma: “Quanto mais negar a carne, mais radiante de saúde espiritual se tornará a alma” (Hom. 2 sobre o jejum). Aqui vemos a influência dos Padres do Deserto na espiritualidade de S. Basílio. Esses cristãos da Antiguidade eram inflexíveis quanto à reconquista da dignidade perdida por Adão no Éden. Reconheciam que o erro de Adão estava relacionado à falta de disciplina. Ele cedeu aos seus desejos mais básicos, perdeu de vista a elevada vocação da humanidade como imago Dei (a “imagem e semelhança de Deus”). Assim, monges como Abbá João (525 d.C.) fizeram o seguinte alerta: “Deveríamos sempre evitar o apego [às coisas terrenas], pois isso é prejudicial à alma”. 

Jesus mesmo ensina que “não só de pão vive o homem” (Mt 4, 4). Os seres humanos não são meros animais. Temos apetites que vão além do carnal. Nossa vontade não está orientada pelo instinto. Deve haver uma razão mais profunda para as nossas ações. Quando meu estômago ronca por causa do jejum, tenho nisso um lembrete da fome espiritual que a minha alma experimenta em todos os momentos da minha existência. Essa também é a lógica do jejum antes da recepção da Sagrada Eucaristia. Por meio do jejum eucarístico, meu corpo fica temporariamente “fundido” à fome da minha alma por Cristo no Santíssimo Sacramento.

A alma anseia constantemente pela misericórdia e bondade de Deus. Estamos alimentando esse desejo ou deixamos a nossa alma faminta? Estamos alimentando o nosso espírito com os alimentos nutritivos da Eucaristia, da Confissão, da Sagrada Escritura e da oração contemplativa? 

Sabemos que o jejum foi parte integrante da vida de Jesus, tanto que passou quarenta dias no deserto abstendo-se de alimento terreno. O Senhor não faz nada por acaso ou sem planejar. Todos os acontecimentos de sua vida nos ensinam algo profundo sobre a nossa própria existência como pessoas e a nossa vocação como cristãos. Encontramos no jejum de Cristo uma forma de participar da vida divina de Deus. Ao crescermos no autocontrole a partir dos nossos impulsos imaturos e ao alimentarmos a nossa alma de forma adequada por meio do jejum, sem dúvida cresceremos na intimidade com o Senhor, que nos ama.

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