O breve texto a seguir não é de autoria do Padre Paulo Ricardo; foi escrito pelo Monsenhor Stephen Rossetti, que exerce a função de exorcista na Arquidiocese de Washington, capital dos Estados Unidos, há mais de 12 anos. A tradução para a língua portuguesa é de nossa equipe.


Eu estava andando pelo corredor de um prédio, profundamente infestado [por demônios], com uma de nossas mais sensíveis agentes espirituais [1]. Estávamos planejando exorcizar o prédio logo em seguida. Ela me disse: “Eu posso ouvi-los. Eles estão gritando de medo”. Perguntei: “Por que isso?” Ela respondeu: “Eles sabem o que você faz”.

Em discussões sobre este ministério, as pessoas sempre me perguntam: “Como exorcista enfrentando demônios, você não tem medo?” Eu respondo: “Não. São os demônios que ficam aterrorizados”.

“A Queda dos Anjos Rebeldes”, de Luca Giordano.

Na mesma linha, muitas vezes pergunto às pessoas possuídas como se sentem ao se aproximarem de nossa capela para um exorcismo. Não é incomum que, quanto mais perto elas cheguem, mais assustadas fiquem. Explico-lhes que essas emoções são dos demônios possessores. São eles que têm medo do que está prestes a acontecer.

Por baixo de toda a bravata e arrogância de Satanás e seus asseclas está um horror subjacente a Cristo e tudo o que é sagrado. Isso causa neles uma dor incalculável. E eles sabem que seu tempo é curto (cf. Ap 12, 12). Eles sentem pavor, e com razão, da segunda vinda de Cristo. Como o demônio chamado Legião [2] disse a Jesus: “Vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?” (Mt 8, 29).

Talvez um dos erros de nossos dias seja glorificar inadvertidamente Satanás e seus demônios. Os demônios são apenas raivosos, narcisistas, malignos, pequenas criaturas voltadas para o caos, a raiva e a destruição. Não há uma gota de coragem neles. Lá no fundo de tudo isso, eles são covardes.

Por outro lado, fico muitas vezes edificado com a coragem dos possessos que nos procuram, muitos deles jovens na casa dos 20 ou 30 anos. Eles são insultados, ameaçados e torturados por demônios. Em meio a seus exorcismos, repetidas vezes, eles renunciam aos demônios na cara deles e dizem para os deixar. Os demônios retaliam e os fazem sofrer. Mas essas pessoas não se rendem.

É uma batalha. Demônios, covardes, não são páreo para essas almas humanas corajosas, cheias da força e confiança do Espírito. Não há dúvida de quem vencerá no final.

Notas

  1. No original inglês, one of our most gifted spiritual sensitives. O autor está falando de pessoas de fé católica particularmente sensíveis ao mundo espiritual, que ajudam o padre em seu ministério de exorcista. Não confundi-las com as figuras dos “médiuns” espíritas, infelizmente tão comuns em terras brasileiras, que realizam evocação dos mortos e outras práticas proibidas pela lei de Deus (N.T.).
  2. No texto em inglês, o padre fala de Legião como um único demônio. Embora o próprio Evangelho fale de “demônios” no plural, preferimos manter a fidelidade ao relato original (N.T.).