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As origens sombrias da ideologia de gênero
Sociedade

As origens sombrias
da ideologia de gênero

As origens sombrias da ideologia de gênero

Esoterismo, racismo e discriminação: conheça as origens obscuras da agenda de gênero e saiba qual a ligação dessa teoria com a Ku Klux Klan, a maior organização racista dos Estados Unidos.

Massimo Introvigne,  La Nuova Bussola QuotidianaTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere22 de Julho de 2015
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Recentemente, em sua coluna, Renzo Puccetti explicou, com riqueza de argumentos, por que é absurdo comparar a sentença da Suprema Corte dos Estados Unidos, que obriga os estados federados a introduzir o "matrimônio" homossexual, a decisões precedentes tomadas contra a discriminação racial, que declararam ilegítimas as limitações aos matrimônios entre americanos brancos e negros.

Gostaria de dar um passo a mais e devolver a acusação de racismo ao remetente. De fato, embora a informação tenha sido totalmente escondida e censurada, é a própria teoria do gênero que nasce e se desenvolve em ambientes racistas, chegando a estar relacionada com a organização racista por excelência dos Estados Unidos, a Ku Klux Klan.

Em um artigo anterior, no qual respondia à falácia da moda, segundo a qual "a teoria de gênero não existe", trazia à luz as duas versões clássicas, às quais todos os futuros sequazes da gender theory fizeram referência. A primeira é a da filósofa francesa Simone de Beauvoir, para quem "não se nasce mulher, torna-se mulher" [1] e cada um – ainda que ela pensasse sobretudo nas mulheres – tem direito a escolher o próprio gênero, masculino ou feminino, independentemente do sexo biológico. Na segunda versão, teorizada por Judith Butler, o gênero absorve totalmente o sexo e cada um pode decidir que coisa quer ser em uma gama que já não prevê apenas duas possibilidades – homem ou mulher –, mas três, cinco, cinquenta ou infinitas.

É possível traçar ainda um outro itinerário, que a partir de Beauvoir e Butler não segue adiante, mas vai para trás. A teoria do gênero não teria nascido sem uma série de precursores que formularam, muitos anos antes, versões que podemos chamar de prototípicas, ainda que não fossem tão sofisticadas e radicais como as de Butler. A principal dessas proto-teóricas do gênero é a americana Margaret Sanger (1879-1966). Comparadas com as teorias posteriores, as ideias de Sanger parecem ser até moderadas. Mas, sem ela, não existiriam as futuras teorias do gênero.

As biografias oficiais de Sanger apresentam-na como uma heroína feminista que, movida por compaixão para com as mulheres que morriam de parto depois do décimo filho recorrendo a perigosos abortos clandestinos, dedicou a sua vida à propaganda dos anticoncepcionais, aceitando até a prisão e o exílio. Mas a sua verdadeira história é um pouco diferente.

Não se pode compreender Margaret Sanger prescindindo de seus interesses esotéricos. Sanger parte das ideias da Sociedade Teosófica. Em 1936, ela é convidada a falar à sede mundial dessa sociedade, em Adyar, na Índia. O seu discurso, publicado no órgão da Sociedade Teosófica, The Theosophist, explica exatamente a relação entre a sua teoria do feminismo e do gênero e a sua interpretação das doutrinas teosóficas.

Ainda que muito estudada hoje em dia, particularmente pela influência crucial que teve na arte moderna através de pintores do calibre de Kandinsky e Mondrian, a Sociedade Teosófica talvez deva ser brevemente apresentada aos não especialistas. Ela foi fundada em 1875, em Nova Iorque, pelo coronel e advogado americano Henry Stell Olcott e por uma das mais importantes figuras da história do esoterismo, a nobre russa Helena Petrovna Blavatsky. A sua doutrina central é que, com a ajuda dos Mestres, os quais não são espíritos, mas homens particularmente evoluídos que vivem por centenas de anos e residem em um centro misterioso entre a Índia e o Tibete, a humanidade – a qual, no seu estado atual, é o resultado de um processo cósmico de decadência com elementos claramente gnósticos – é chamada a um processo de evolução. Isso se dá através do progressivo aparecimento na Terra de sete raças-raiz, cada uma dividida em sete sub-raças. Segundo Blavatsky, em seu tempo se estava na vigília do aparecimento da sexta sub-raça da quinta raça-raiz, espiritualmente superior à precedente e que se teria manifestado nos Estados Unidos.

Esclareçamos de pronto um equívoco, difundido na literatura não especializada. A teoria das raças-raiz de Blavatsky é aberta a várias interpretações, mas a Sociedade Teosófica condenou todas as interpretações de tipo racista, afirmando que as diversas "raças" deveriam, em todo caso, colaborar harmoniosamente entre si. Todavia, as interpretações racistas existem, ainda que a Sociedade Teosófica as tenha denunciado como errôneas. Na Alemanha, desenvolveu-se no início do século XX uma corrente chamada "ariosofia", que interpreta a teoria teosófica das raças na base de um primado racista da raça ariana. Um ávido leitor das publicações "ariosóficas" na Áustria era um rapaz chamado Adolf Hitler. A própria Sanger, como se sabe da leitura dos diários de personalidades teosóficas da época, não foi particularmente bem acolhida em Adyar, ainda que sua conferência esteja publicada na revista da Sociedade Teosófica. Tampouco sua interpretação da "raça nova" correspondia, de fato, àquela da direção teosófica oficial.

Margaret Sanger.

Resta o fato de que, na base de especulações esotéricas, Sanger pensava que estava para surgir uma nova raça, superior às precedentes e que se manifestaria nos Estados Unidos. Que tem a ver tudo isso com o gênero? A própria Sanger explica. As suas ideias de tipo gnóstico levaram-na à convicção de que a diferença sexual entre homem e mulher era algo de mau, assim como o modo como as mulheres traziam os filhos ao mundo. Seriam consequências de um processo de degeneração e não existiriam na idade de ouro originária, aquela do andrógino, ou seja, de uma pessoa humana na qual coexistiriam os caracteres masculinos e femininos e formas de geração diferentes do parto. Libertar a mulher com os anticoncepcionais do seu papel de mãe seria o primeiro passo para permitir às mulheres – e consequentemente também aos homens – que escolhessem o próprio gênero, quem e que coisa gostariam de ser, iniciando um processo de retorno ao andrógino originário. Não se trata ainda da teoria de gênero como a conhecemos hoje, mas já é o seu núcleo fundamental.

nova raça em marcha rumo à superação do sexo biológico poderia emergir, continuava Sanger, só onde a humanidade fosse intelectual e culturalmente mais avançada: na América, e entre os americanos brancos e de origem nórdica e europeia. Dos inúmeros imigrantes italianos Sanger não tinha uma boa opinião. "Os negros e os europeus do sul – escrevia – são intelectualmente inferiores aos americanos nativos": uma expressão que o movimento "nativista" utilizava para excluir do número dos "verdadeiros americanos" os imigrantes vindos da Itália. Em uma famosa citação, Sanger comparava os afroamericanos a uma "erva daninha a extirpar", através de uma severa política de eugenia que deveria incluir a esterilização forçada. Quanto aos aborígenes australianos, considerava-os "apenas um grau acima dos chimpanzés". Certamente, eram muitos os defensores da teoria das raças e da eugenia, mas apenas Margaret Sanger ligava a eugenia ao gênero: extirpada a erva daninha, a "raça nova" poderia finalmente emergir na marcha rumo à androginia e à superação da escravatura biológica da diferenciação sexual.

Mal acolhida pela Sociedade Teosófica, Sanger encontrou terreno fértil para suas ideias na Ku Klux Klan, a organização americana criada para perpetuar a discriminação racial contra os afroamericanos e ao mesmo tempo – o que geralmente se omite – para propagar um anticatolicismo feroz com base no mito da América "branca, anglo-saxã e protestante" (WASP, na sigla em inglês). Muitos filmes apresentam a Ku Klux Klan como uma organização masculina. Os historiadores – a partir da obra fundamental de Kathleen Blee, Women of the Klan ["Mulheres do Klan"] – têm feito notar que, na KKK "histórica", do período entre guerras, as mulheres tiveram, na verdade, um papel essencial.

Margaret Sanger colaborou com a Ku Klux Klan, aperfeiçoou suas ideias sobre raça e gênero em diálogo com as mulheres do Klan e falou com frequência a um público entusiasmado de ativistas da organização racista encapuzadas e aplaudentes. Algumas fotografias que podem ser encontradas na Internet representando Sanger em diálogo com o Klan são falsas, confeccionadas com Photoshop. As reuniões do Klan eram secretas e as fotografias são raras. Mas, para confirmar a ligação entre Sanger e a KKK, incluindo conferências a mulheres encapuzadas, não é preciso reportar-se aos seus críticos ou aos críticos da teoria do gênero. Ela mesma o conta em sua autobiografia, minimizando e justificando, certamente, mas admitindo a relação e falando de "dezenas" de convites por parte da Ku Klux Klan.

Alguém poderia objetar citando atitudes hostis aos homossexuais por parte da Ku Klux Klan. Outros poderiam replicar citando os nomes de um certo número de dirigentes do Klan e de organizações coligadas que eram homossexuais ou bissexuais. Mas é um debate que nos levaria muito longe. O tema deste artigo, de fato, é outro. Quis mostrar como a formulação arquetípica da teoria do gênero, a de Margaret Sanger, nasce de uma interpretação desviada – e não compartilhada pela grande maioria dos teósofos – de ideias sobre a raça da Sociedade Teosófica e nasce em diálogo com o racismo americano representado pela Ku Klux Klan. A ideia central é que essa na qual se pode escolher se se é homem ou mulher é uma nova humanidade, uma "raça nova" que poderá nascer somente entre a elite iluminada "branca, anglo-saxã e protestante" e não entre os negros, os "europeus do sul" e os católicos, "intelectualmente inferiores" e destinados a ser extirpados como erva daninha. Desapareceram essas ideias racistas entre os defensores do gênero? Olhando o ar de superioridade com o qual eles atacam manifestações como a da Praça San Giovanni e a chamam de "medievais", eu não me permitiria estar tão seguro disso [2].

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Conheça e aprenda a rezar a Ladainha da Humildade
Oração

Conheça e aprenda
a rezar a Ladainha da Humildade

Conheça e aprenda a rezar a Ladainha da Humildade

Uma oração simples, mas cativante, composta por um Cardeal da Igreja e amigo íntimo do Papa São Pio X.

Equipe Christo Nihil Praeponere16 de Novembro de 2017
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Nesta oração composta pelo Cardeal Merry del Val, secretário do Estado do Vaticano durante o pontificado de São Pio X, peçamos juntos ao Senhor a graça da humildade de coração, alicerce da vida interior e remédio eficaz contra o pecado da soberba.

Jesus, manso e humilde de coração, ouvi-me.
Do desejo de ser estimado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser amado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser conhecido, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser honrado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser louvado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser preferido, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser consultado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser aprovado, livrai-me, ó Jesus.

Do receio de ser humilhado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser desprezado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de sofrer repulsas, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser caluniado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser esquecido, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser ridicularizado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser difamado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser objeto de suspeita, livrai-me, ó Jesus.

Que os outros sejam amados mais do que eu, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros sejam estimados mais do que eu,
Que os outros possam elevar-se na opinião do mundo, e que eu possa ser diminuído,
Que os outros possam ser escolhidos e eu posto de lado,
Que os outros possam ser louvados e eu desprezado,
Que os outros possam ser preferidos a mim em todas as coisas,
Que os outros possam ser mais santos do que eu, embora me torne o mais santo quanto me for possível, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.

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Onde estava a Igreja de Cristo antes de Lutero?
Igreja Católica

Onde estava a Igreja de Cristo
antes de Lutero?

Onde estava a Igreja de Cristo antes de Lutero?

Se a Igreja Católica foi em algum tempo a verdadeira Igreja, então ela nunca cessou, nunca cessará de o ser, até o fim dos tempos. Do contrário, Jesus Cristo nos enganou.

Pe. Leonel Franca16 de Novembro de 2017
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Da infalibilidade da Igreja deriva um corolário fatal a todas as heresias. Qualquer grupo de almas batizadas que se separa da comunhão dos fiéis e rompe com os ensinamentos e tradições antigas já está condenado pela sua própria novidade.

A Igreja de Cristo é una como a verdade. O Espírito Santo nela habita com a sua assistência continuada todos os dias, até a consumação dos tempos. Impossível assinalar uma época na história em que a Esposa do Verbo se tenha desviado da senda real da ortodoxia. As promessas divinas falhariam, Cristo deixaria de ser Deus e a religião por ele instituída afundaria para sempre no pego imenso das superstições humanas.

Após 15 séculos de cristianismo levante-se um monge no coração da Alemanha e lança ao mundo o pregão de uma reforma. Simples regeneração dos costumes?

Não, reforma doutrinal.

O que então se chamava doutrina cristã admitida pela Igreja universal era uma adulteração profunda do Evangelho, um acervo de superstições e idolatrias, patrocinadas pelo anticristo de Roma. A Igreja se havia apartado da verdadeira fé: era mister reconduzi-la às fontes genuínas do Evangelho.

Cristo errara a mão. Fundara uma sociedade fadada a destinos imortais. Plantara-a no mundo como cidade visível para acolher os eleitos. Mas apenas saída das suas mãos divinas, apenas o mundo pagão, com a paz de Constantino, viera buscar à sombra da cruz a verdade e a vida, a Igreja desfalece, corrompe-se, paganiza-se. Onze séculos de ignorância, de trevas e de superstições ensombraram a obra do Salvador.

"A entrega das chaves a S. Pedro", de Pietro Perugino.

Foi mister que um frade apóstata, sensual e orgulhoso apontasse no horizonte religioso da humanidade para reconduzi-la aos mananciais cristalinos do Evangelho, e, mais feliz, mais próvido, mais sábio, mais poderoso que o Cristo, fundasse uma nova Igreja de vitalidade menos efêmera, Igreja imorredoura e incorruptível, destinada a acolher sob as suas tendas as gerações do porvir. Eis a significação real do protestantismo. Eis outrossim a sua condenação, a seta fatal que se lhe embebeu no peito e há de arrastá-lo à morte inevitável.

Se Cristo é Deus, se Cristo fundou uma Igreja, essa é indefectível e imortal como as obras divinas. Mas se a Igreja caiu no erro, as portas do inferno prevaleceram contra ela e Cristo não manteve a sua promessa. Cristo enganou-nos, Cristo não é Deus, e o cristianismo é uma grande impostura. É tão forte a consequência que muitos protestantes por este motivo abjuraram o cristianismo. É o exemplo de Staudlin, que dizia:

Se na religião partimos de um princípio sobrenatural (como uma revelação, a Bíblia, por exemplo ou o Corão), cumpre necessariamente admitir que a Divindade, comunicando uma revelação ao homem, deve prover outrossim o modo de impedir que o sentido desta revelação não seja abandonado às arbitrariedades do juízo subjetivo. Esta inconsequência de Jesus Cristo não me permite considerá-lo senão como um sábio benfeitor. [1]

Ochin, outro protestante, que no dizer de Calvino, era mais sábio ele só que a Itália inteira, chegava pelo mesmo caminho à mesma conclusão. “Considerando, de um lado, como poderia a Igreja haver sido fundada por Jesus Cristo e regada com o seu sangue, e, do outro, como poderia ela ser fundamentalmente adulterada pelo catolicismo, como estamos vendo, conclui que aquele que a estabeleceu não podia ser o Filho de Deus; faltou-lhe evidentemente a Providência” [2]. E Ochin, renunciando ao protestantismo, fez-se judeu.

Nada, com efeito, mais diametralmente oposto aos ensinamentos e promessas do Evangelho do que a ideia de uma Igreja que pode desgarrar da sua primeira instituição, pregar o erro e a corrupção. O Espírito de Verdade habitará nela para todo o sempre: prometeu-o formalmente Cristo. Formalmente mandou-nos o Senhor que obedecêssemos à Igreja em todos os tempos e em todos os lugares. Não nos disse: Escutai a Igreja durante 300 ou 1.000 anos, mas ouvi-a sempre, sem nenhum limite de tempo, sem nenhuma reserva, sem nenhuma restrição. “Quem não ouve a Igreja, seja considerado como pagão ou pecador” (Mt 18, 17).

Ora, evidentemente, antes de Lutero existia uma Igreja, a Igreja católica, que por uma sucessão ininterrupta de pastores ascendia aos apóstolos, e, por meio dos apóstolos, ao próprio Cristo. Esta era a Igreja instituída pelo Salvador, esta a Igreja de que falam as promessas evangélicas. Fora dela, a história não conhece outra.

Quando nasceram as igrejas luteranas, calvinistas e anglicanas, já a Igreja católica tinha uma existência quinze vezes secular. Desde Jesus Cristo só há uma Igreja, a grande Igreja, como a chamavam os pagãos, a Igreja, simplesmente, sem epítetos derivados de nomes humanos, como a chamamos nós. Diante deste fato, afirmai agora que essa Igreja entrou a corromper-se no 4.º século e de todo adulterou a doutrina evangélica nas “trevas caliginosas da Idade Média” e tereis anulado as promessas de sua Providência, atributo distintivo da Divindade. Staudlin e Ochin são lógicos. Entre o catolicismo e o naturalismo deísta não há racionalmente meio termo. Se a Igreja católica foi em algum tempo a verdadeira Igreja, nunca cessou, nunca cessará de o ser, até o fim dos tempos [3]. Se não, Jesus Cristo enganou-nos. Seitas cristãs acatólicas são superfetação parasitária destinada a uma existência efêmera.

Por uma feliz incoerência, porém, muitos protestantes não resvalaram até ao fundo do abismo. Parando à meia encosta, esforçam-se por conservar alguns restos de cristianismo. Mas nem estes deixaram de sentir o fio cortante do argumento: onde estava a Igreja antes de Lutero?

Pergunta capciosa? Não, pergunta molesta, pergunta irrespondível, pergunta que vale por si uma apologia inteira, pergunta inexoravelmente fatal ao protestantismo.

Referências

  1. Magazin de l’histoire de la religion, 3e. partie, p. 83.
  2. Citado na obra Dialogues sur le protestantisme, p. 55.
  3. Bem dizia aquele filósofo: Se o Messias já veio, devemos ser católicos; se não veio, judeus; em nenhuma hipótese, protestantes.

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Preguiçoso não entra no Céu
Espiritualidade

Preguiçoso não entra no Céu

Preguiçoso não entra no Céu

A preguiça leva a todos os vícios, à miséria neste mundo e à condenação eterna no outro.

Mons. Ascânio Brandão14 de Novembro de 2017
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A Sagrada Escritura diz que a ociosidade é a mãe de todos os vícios, porque ensina muita maldade (cf. Eclo 33, 29).

Comentando esta passagem, escreve S. Bernardo:

O ferro se enferruja quando não se usa. O ar se corrompe e gera doenças quando não é agitado por muito tempo. A água sem correnteza torna-se fétida e nela se desenvolvem os insetos. Assim também o corpo que se corrompe pela preguiça torna-se uma sede de todas as más inclinações.

A ociosidade é má conselheira. Por isto um Padre da Igreja dizia: “Um homem ocupado só tem um demônio para o tentar. O preguiçoso tem cem”.

A preguiça é um grande mal. É mãe de todos os males. Preguiçoso não entra no céu. O Reino dos Céus padece violência. Só quem luta o alcança.

Nosso Senhor no Evangelho nos fala tanto da luta, da penitência, da cruz, do sacrifício, da guerra às paixões. Como seguir o Mestre de braços cruzados, na ociosidade?

O preguiçoso não pode se salvar. A preguiça leva a todos os vícios, à miséria neste mundo e à condenação eterna no outro.

Cuidado! Há uma preguiça espiritual verdadeiramente desastrada na piedade. É o mal dos nossos dias.

"Uma leitura interessante", de Miguel Jadraque y Sánchez Ocaña.

Muitos cristãos não perseveram na virtude por uma preguiça que os domina quando se trata das coisas eternas, do sacrifício, da luta pelo bem.

E queres saber quando nos domina esta preguiça espiritual? Eis os sinais:

  • Infidelidades contínuas à voz da consciência.
  • Um desprezo secreto das pessoas piedosas.
  • Distrações voluntárias e contínuas na oração.
  • Sacramentos recebidos com frieza e sem fruto.
  • Aborrecimento das coisas santas.
  • Inúmeras faltas repetidas e ausência de qualquer esforço para se corrigir.

Como sair deste triste estado?

Só há dois recursos: — Trabalho e Mortificação.

Referências

  • Transcrito e levemente adaptado de Meu ponto de meditação, do Padre Ascânio Brandão, Taubaté: Editora SCJ, 1941, p. 49s.

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Os fundamentos da escravidão à Virgem Santíssima
Virgem MariaTeologia

Os fundamentos da
escravidão à Virgem Santíssima

Os fundamentos da escravidão à Virgem Santíssima

O culto de escravidão sintetiza todos os cultos que devemos a Nossa Senhora, como Rainha que ela é de todo o universo.

Pe. Gabriel M. RoschiniTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere14 de Novembro de 2017
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Além do culto de veneração, de amor, de gratidão, de invocação e de imitação, à Virgem SS. é devido, como Rainha de todo o universo, um culto de escravidão. É este último ato de culto mariano que sintetiza todos os demais.

  • O escravo fiel à sua Rainha, se realmente o é, venera-a antes de tudo, reconhecendo sua singular excelência.
  • Em segundo lugar, ama-a e faz tudo o que a agrada, evitando tudo o que possa aborrecê-la.
  • Enche-se de gratidão por Ela, devido aos grandes favores que dela recebeu.
  • Está cheio de confiança em sua Rainha, se sabe que Ela conhece, pode e quer socorrê-lo em todas as suas necessidades.
  • O servo fiel à sua Rainha, enfim, se o é realmente, trata de imitá-la, uma vez que reconhece nEla o seu modelo ideal.

Eis aqui, portanto, como o ato de escravidão sintetiza todos os outros atos do culto singular que devemos a Maria SS., Mãe de Deus, Mãe dos homens, Corredentora do gênero humano, dispensadora de todas as graças divinas, modelo insuperável de nossa vida.

No conhecido Salmo 44, em que se celebram as núpcias do Rei messiânico, o autor inspirado não se esquece de ressaltar o culto de servidão tributado ao Rei incomparável e à Rainha, sua esposa, representada à sua direita. Diz-se do Rei que a ele se submeterão os povos (v. 6); põe-se de relevo a homenagem que lhe tributam suas filhas (v. 9). Depois, referindo-se à Rainha, o hagiógrafo nota como os habitantes de Tiro, uma das cidades ricas de então, vêm a Ela com seus presentes, e como os próceres do povo tratam de conquistar o seu favor (v. 13). Em outra parte, a Rainha é representada com um cortejo de virgens à sua volta, companheiras e servas suas, símbolo evidente daquela inumerável corte de almas — todas as almas verdadeiramente cristãs — que haveriam de servi-la.

Em outro lugar, prediz-se que todos os povos hão de servir o Rei messiânico: “Omnes gentes servient ei” (Sl 72, 11). Ora, não deveria dizer-se o mesmo da Rainha, Mãe e Esposa sua? Assim como Ela compartilha com Ele o domínio real sobre todas coisas, assim também deve compartilhar com Ele o culto de escravidão que lhe temos de tributar todos nós, já que o Rei e a Rainha constituem uma única pessoa moral.

O primeiro dos Padres da Igreja que se declarou expressamente “servo de Maria” foi, ao que parece, o diácono S. Efrém, o Sírio (306-373), chamado de “sol dos Sírios”, “harpa do Espírito Santo”, “o cantor de Maria”. Depois de proclamá-la “Senhora de todos os mortais”, S. Efrém se declara humildemente um “indigno servo seu”. Em seu primeiro canto de louvor a Maria, o santo lhe dirige esta ardente oração:

Ó Imaculada Virgem Maria, Mãe de Deus, Rainha do universo, esperança dos mais desesperados, gloriosíssima, ótima e honorabilíssima Senhora Nossa! Ó grande Princesa e Rainha, incomparável Virgem, puríssima e castíssima Senhora de todos os senhores, Mãe de Deus, nós nos entregamos e consagramos ao vosso serviço desde nossa infância. Levamos o nome de servos vossos.

Não permitais, pois, que Satanás, o espírito maligno, nos arraste para o inferno. Enchei de agora em diante a minha boca, ó Santa Senhora, com a doçura da vossa graça. Aceitai, ó Virgem Santa, que o teu humílimo servo vos louve e vos diga: Saúdo-vos, ó vaso magnifico e precioso de Deus! Saúdo-vos, Maria, Soberana minha cheia de graça! Saúdo-vos, Soberana de todas as criaturas! Saúdo-vos, cântico dos querubins, doce harmonia dos anjos! Saúdo-vos, hino dos solitários! Saúdo-vos, Soberana, que tendes em mãos o cetro sobre os vossos fiéis servos!

Fundamentos racionais. O fundamento último do culto mariano de singular servidão apóia-se no domínio completamente singular que a bem-aventurada Virgem exerce sobre todas as criaturas, como Rainha do universo. “O servo”, observa o Angélico, “diz relação a seu Senhor”. Onde há, pois, uma especial razão de senhorio e de domínio, haverá também uma razão especial de servidão.

Ora, que na Virgem SS. exista uma especial razão de domínio e de senhorio sobre todas as coisas, é algo que se segue de sua universal realeza. Podemos, portanto, concluir com Dionísio, o Cartuxo: “Ela domina e pode mandar em todas as criaturas, no céu e na terra”; ou com S. Bernardino de Sena: “Tantas são as criaturas que servem a Maria quantas são as que servem a SS. Trindade”.

O servo fiel de qualquer rainha da terra está contínua e habitualmente perto dela, sem nunca abandoná-la. É isto que tem de fazer, de modo análogo, o servo fiel da Rainha dos céus. Deve estar sempre junto dEla, não perdê-la nunca de vista, ou seja, deve ter o seu pensamento constantemente nEla. Pensar habitualmente em Maria SS. lhe tornará mais fácil pensar habitualmente em Deus. Viver, pois, na presença de Maria é viver, com maior facilidade, na presença de Deus.

Ora, o meio mais eficaz para vivermos assim, continuamente — tanto quanto for possível —, na presença de Maria, é estar profundamente persuadido de que a Virgem SS., de uma maneira misteriosa, está sempre presente em cada um de nós, com o pensamento, com o afeto, com as ações. Ela está conosco

  • pelo pensamento, já que continuamente nos vê em Deus;
  • pelo afeto, pois está presente ali onde está o seu amor, e a Virgem SS. nos ama a todos com um amor inefável de Mãe; e
  • pelas ações, uma vez que todas as graças que preservam e fazem desabrochar a nossa vida sobrenatural passam, como por um canal, pelas mãos de Maria.

Referências

  • Transcrito e adaptado da obra La Madre de Dios según la Fe y la Teología. Trad. esp. de Eduardo Espert. 2.ª ed., Madrid: Apostolado de la Prensa, 1958, vol. 2, pp. 363-389.

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