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Gênero e “mudança de sexo”: uma resposta às perguntas mais frequentes
SociedadeFé e Razão

Gênero e “mudança de sexo”: uma
resposta às perguntas mais frequentes

Gênero e “mudança de sexo”: uma resposta às perguntas mais frequentes

Instituto de bioética dos Estados Unidos lança documento importante, respondendo com base científica às perguntas mais frequentes sobre transtornos de gênero e operação de “mudança de sexo”.

Equipe Christo Nihil Praeponere30 de Março de 2017
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A moda do momento é falar sobre transtornos de gênero e operações de "mudança de sexo" (eufemisticamente chamadas, agora, de "transgenitalização"). Em questão de pouquíssimo tempo, a mídia liberal parece não saber tocar em outro assunto. Revistas internacionais fazem o escarcéu. "Especialistas" falam de introduzir o tema em tudo quanto é lugar — inclusive nas escolas, para doutrinar crianças. E, mais recentemente, o programa "Fantástico" — boletim semanal da Rede Globo e um dos programas televisivos mais assistidos no Brasil — parece estar dedicando uma série especial para o assunto.

Ao mesmo tempo, porém, em que são muitas as informações divulgadas a esse respeito, são pouquíssimas as fontes isentas e confiáveis para saber a verdade sobre a "crise de gênero". Mais escassos ainda são os meios que se preocupam em apresentar uma análise moral de toda essa questão. Nada disso é de se espantar, considerando a "ditadura do relativismo" em que estamos imersos, com cada qual se achando o dono do próprio nariz e fazendo o que bem (ou mal) entende consigo mesmo, com sua família ou, o que é pior, com os filhos dos outros.

Nesse cenário caótico de ideologia e desinformação, a declaração a seguir, de autoria do National Catholic Bioethics Center ("Centro Católico Nacional de Bioética", com sede nos Estados Unidos), trata-se de um verdadeiro "oásis" de bom senso. O documento consiste num resumo didático das perguntas mais frequentes quando o assunto é transtornos de gênero e operações de "mudança de sexo". Qual a diferença entre sexo e gênero? Em que consiste uma cirurgia para "mudar de sexo"? É possível que uma pessoa se sinta mulher no corpo de um homem, e vice-versa?

Diferentemente das reportagens da Rede Globo, que se fazem de isentas enquanto tentam inocular uma ideologia no seio das famílias brasileiras, os autores da declaração a seguir não têm nada a esconder: são católicos, sim, e não têm vergonha alguma de exibir publicamente a sua identidade.

Quem quer que se detenha a ler o que eles escrevem, no entanto, não achará na defesa de seus postulados nenhum argumento de cunho religioso, muito menos apelos irracionais a emoções — que parecem ser a grande "cartada" dos ideólogos de gênero nos últimos dias. Os membros dessa instituição de bioética falam a partir de seus conhecimentos científicos e é principalmente por isso, antes de qualquer coisa, que seu parecer merece uma atenção especial.

Não deixem de ler e compartilhar esta peça informativa com seus amigos e familiares (especialmente àqueles que gostam de assistir ao "Fantástico" ou a qualquer outro programa tendencioso da TV aberta).

Perguntas frequentes sobre Transtorno de Identidade de Gênero e Operações de "Mudança de Sexo"

Do que estamos falando?

Operações de mudança de sexo não são necessariamente novas. A primeira ocorreu em 1953, com o ator George Jorgensen (mais conhecido por seu nome feminino, Christine). Mais e mais pessoas, no entanto, estão à procura de tais operações agora. Isso tem forçado instituições cristãs e católicas a abordarem a moralidade dessas operações, dado que elas podem começar a fazer parte de planos de seguro obrigatórios, condições de empregabilidade em escolas católicas ou mandados legislativos requerendo que hospitais católicos executem tais procedimentos.

O que é uma operação de mudança de sexo?

Uma operação típica de mudança de sexo consiste em duas partes. Primeiro, a pessoa é submetida a amplos testes psicológicos. Então, ele ou ela é colocado em um regime hormonal e, em seguida, submetido a cirurgia na qual a genitália (original) é removida e substituída pela genitália desejada. No caso de o procedimento ser a transição de homem para mulher, por exemplo, o pênis é removido juntamente com os testículos e no seu lugar é construída uma vagina de improviso. Na transição de mulher para homem, a mulher passa por uma histerectomia, para retirar o seu útero, e uma mastectomia, para remover os seus seios, sendo-lhe anexado, então, um pênis construído e não-funcional. A operação de mudança de sexo invariavelmente torna a pessoa infértil. Deve-se notar que o regime hormonal continua pelo resto da vida da pessoa, a fim de serem mantidas as características sexuais secundárias, como, por exemplo, a voz mais grave ou mais aguda, a presença ou ausência de pelos faciais etc.

Não se deve confundir uma operação de mudança de sexo com certos tipos de procedimento realizados em pessoas de sexualidade ambígua, por exemplo, aqueles que sofrem de hiperplasia adrenal congênita (uma espécie da chamada síndrome de insensibilidade androgênica), mosaicismo, quimerismo, ou alguma outra causa congênita de identidade sexual mista. Esses transtornos apresentam identidade sexual ambígua e certas operações feitas para confirmar a pessoa no sexo "dominante" visam simplesmente corrigir uma condição patológica. Operações assim não devem ser encaradas como uma forma de mudar o sexo de uma pessoa, mas sim de confirmar o que estava originalmente ambíguo.

O que há de imoral em uma operação de mudança de sexo?

Propriamente falando, uma pessoa não pode mudar a sua identidade sexual. Para pessoas que não sofrem os transtornos mencionados acima (hermafroditismo, por exemplo), uma pessoa ou é homem ou é mulher. Toda pessoa consiste em uma unidade de corpo e alma, e uma "alma" deve ser entendida não como algo imaterial em si, mas aquilo que faz o corpo ser o que é, nomeadamente, uma pessoa humana. Nós somos, enquanto pessoas, ou homens ou mulheres, e nada pode mudar isso. Uma pessoa pode mutilar os seus genitais, mas não pode mudar o seu sexo. Mudar o sexo de uma pessoa é fundamentalmente impossível; esses procedimentos são fundamentalmente atos de mutilação.

A mutilação termina tornando uma pessoa impotente, estéril e dependente, para o resto da vida, de regimes hormonais que a fazem parecer algo que ela não é. Não existe nada de errado com a genitália das pessoas que procuram tais operações. Mas ela é removida a fim de se conformar à crença subjetiva do que a pessoa (ele ou ela) deseja ser. Praticar violência com o próprio corpo, quando não há nada de errado com ele, trata-se de um ato injustificável de mutilação. Ademais, a procura por uma mutilação assim manifesta um ódio de si inconsistente com a caridade que devemos a nós mesmos. As pessoas que procuram por essas operações se sentem claramente desconfortáveis com quem elas são de verdade. Para amá-las da maneira apropriada, é necessário confrontar as crenças e a autocompreensão que dão origem a essa rejeição fundamental de si mesmas.

Não são reducionistas esses argumentos que dizem ser imoral o ato de mudar a biologia de alguém?

Dois esclarecimentos de extrema importância: primeiro, uma pessoa não pode mudar de sexo. Uma pessoa pode mudar a genitália que tem, mas não o sexo. Receber hormônios do sexo oposto e remover a própria genitália não são o suficiente para se mudar de sexo. Identidade sexual não se resume a níveis hormonais ou a genitália; trata-se, ao contrário, de um fato objetivo enraizado na natureza específica da pessoa. Segundo, o que torna imorais as operações de mudança genital é o fato de o corpo da pessoa estar sendo mutilado. Assim como não devemos respeitar o desejo de alguém de se transformar num Cyborg, cortando os seus membros e substituindo-os por próteses, tampouco devemos respeitar o desejo de alguém de se tornar um sexo diferente, cortando e transformando a sua genitália.

Uma pessoa não poderia pensar que realmente pertence ao sexo oposto (ele acreditar ser mulher e ela acreditar ser homem)?

O julgamento moral de que operações de mudança de sexo são imorais não implica que as pessoas não possam ter crenças falsas, ou que os seus sentimentos e atitudes não possam ser irracionais ou desconectados da realidade. A identidade sexual de uma pessoa não é determinada pelas suas crenças subjetivas, desejos ou sentimentos. Trata-se de uma função da sua natureza. Assim como existem dados geométricos numa prova geométrica, a identidade sexual é um dado ontológico. Psicoterapia e a aceitação amorosa dessas pessoas que sofrem de confusão de identidade sexual é a maneira adequada de amá-las. Mutilar os seus corpos não.

Qual é a diferença entre sexo e gênero? [1]

Identidade sexual não é uma construção social, mas um fato objetivo enraizado na nossa natureza enquanto pessoas, ou do sexo feminino ou do sexo masculino. O fato mais óbvio que temos a nosso respeito é que ou somos homens ou somos mulheres.

É claro que há uma importante distinção a fazer, nessa matéria, entre identidade sexual e gênero. Identidade sexual se refere propriamente a ser homem ou mulher. Refere-se ao sexo específico da pessoa humana. Ser macho ou fêmea é uma propriedade essencial de quem nós somos enquanto pessoas. Por exemplo, um homem é simplesmente incapaz de, como homem, gestar crianças. Os homens não têm esse poder, mas as mulheres sim. Portanto, ser homem ou mulher é essencial para o que nós somos. Gênero, por outro lado, refere-se a certas disposições emocionais ou traços característicos da feminilidade ou masculinidade. "Feminilidade" e "masculinidade" são termos de gênero e referem-se a traços ou disposições específicas. Um homem pode ter características femininas; de fato, psicoterapeutas homens possuem muitas características femininas, como saber escutar, cuidar e por aí em diante, mas eles continuam sendo homens sexualmente. Mulheres policiais ou militares possuem muitas características masculinas, mas continuam sendo mulheres sexualmente. Assim, enquanto não há nada de intrinsecamente mau em tentar adquirir certos traços ou características que estão à disposição de qualquer ser humano, é errado mutilar o próprio corpo e a identidade sexual de alguém não pode ser mudada. Procurar por uma operação assim é uma demonstração de desprezo e desrespeito por quem se é fundamentalmente.

A posição acima sublinhada não coloca muita ênfase no corpo, ao invés da mente da pessoa — isto é, aquilo que a pessoa sente e acredita? Quando o estado da mente de uma pessoa não se ajusta com o do seu corpo, alguém pode pensar, porque se deveria dar preferência ao corpo? Porque deixar o corpo ditar a identidade sexual de uma pessoa, e não a sua mente?

Essas questões são importantes e conduzem-nos ao coração do problema. Concede-se e aceita-se bem que a personalidade de alguém — a constelação de suas crenças, desejos, disposições emocionais e traços de caráter — constituem a sua auto-imagem e a compreensão que ela tem de si mesma. Mas também se deve considerar que nem todas as nossas crenças, desejos e autocompreensões estão de acordo com a verdade. A nossa capacidade de raciocínio, a nossa memória e até mesmo nossas sensações mais básicas, como percepções visuais, podem errar e dar margem a crenças falsas. A resposta que damos nesses casos é a de corrigir as crenças falsas. Quando nós pensamos algo falso a respeito de nós mesmos, isso é algo que precisa ser corrigido, não estimulado.

Para responder às perguntas diretamente, aqueles que assumem a posição contrária estão a supor, na verdade, um dualismo entre a mente e o corpo. Propriamente falando, as pessoas são ou homens ou mulheres. O corpo (da pessoa) é um indicador fundamental de qual sexo fazemos parte. Trata-se de uma realidade física e empiricamente verificável, que não muda simplesmente porque nossas crenças e desejos mudam. Uma vez rejeitado o dualismo por trás da questão, e reconhecido pela pessoa o sexo que o seu próprio corpo indica, podemos ver que a identidade sexual é um fato objetivo e prontamente discernível a nosso respeito. Como diriam alguns filósofos, nós somos corpos.

Notas

  1. A definição de "gênero" oferecida pelo National Catholic Bioethics Center é uma contraposição interessante ao conceito formulado pelos ideólogos de gênero. Os autores do texto reconhecem a possibilidade de que alguns homens tenham traços mais femininos e vice-versa, mas essas variações, longe de sugerirem que a masculinidade e a feminilidade não passam de "construção cultural", só reforçam ainda mais as diferenças existentes entre os dois sexos. Um ideólogo ficaria profundamente ofendido ao er, e.g., que atos como "saber escutar" e "cuidar" são típicos das mulheres. Embora realmente seja assim.

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A amiga da Irmã Lúcia que “estará no Purgatório até o fim do mundo”
Doutrina

A amiga da Irmã Lúcia que “estará
no Purgatório até o fim do mundo”

A amiga da Irmã Lúcia que “estará no Purgatório até o fim do mundo”

Mais uma revelação de Nossa Senhora de Fátima muito útil para nos mover a trabalhar com mais afinco por Deus.

Equipe Christo Nihil Praeponere15 de Junho de 2018
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Das Memórias da Irmã Lúcia:

— E eu também vou para o Céu?
— Sim, vais.
— E a Jacinta? 
— Também. 
— E o Francisco? 
— Também, mas tem que rezar muitos terços.

Lembrei-me então de perguntar por duas raparigas que tinham morrido há pouco. Eram minhas amigas e estavam em minha casa a aprender a tecedeiras com minha irmã mais velha. 
— A Maria das Neves já está no Céu? 
— Sim, está.
Parece-me que devia ter uns 16 anos. 
— E a Amélia? 
Estará no purgatório até ao fim do mundo. [1]

Talvez a revelação da Virgem Santíssima à Irmã Lúcia assuste-nos um pouco. É de fato impressionante a ideia de uma alma sofrendo no Purgatório até a consumação dos tempos. Movidos pela curiosidade, podemos chegar a nos perguntar o que teria feito Amélia para merecer uma punição assim tão severa da justiça divina.

O que mais nos aproveita, porém, é pensar que todos nós podemos muito bem ter a mesma sorte dessa amiga da Irmã Lúcia, caso levemos uma vida medíocre, “mais ou menos”, sem peso; caso não queiramos pagar, nesta existência, o alto preço do amor. O Purgatório é, afinal, o lugar para onde vão as almas que, embora se tenham salvo, não quiseram se entregar totalmente a Deus; embora se tenham salvo, ainda estavam muito apegadas às coisas deste mundo.

A pena de Amélia leva-nos a lembrar, também, daquela visão de Santa Francisca Romana, segundo a qual “por cada pecado mortal perdoado”, restaria “à alma culpada passar por um sofrimento de sete anos” no Purgatório. A amiga da Irmã Lúcia talvez tenha sido uma dessas almas que acumularam em vida inúmeros pecados mortais, dos quais se arrependeram, sem que tenham tido tempo, no entanto, para repará-los nesta vida.

Com revelações como essa, Deus quer fazer um apelo à nossa indiferença, dar um grito para romper a nossa surdez. Não se entra no Céu senão por meio de muitos sofrimentos (cf. At 14, 22). Se não quisermos sofrer aqui, teremos de sofrer no outro mundo. E daí não saíremos enquanto não houvermos pago “até o último centavo” (Mt 5, 26).

Cumpre dizer, de outro lado, para não retratar o Purgatório com cores demasiado duras, que evidentemente é bem mais consoladora a sorte de Amélia que a das inúmeras almas que os pastorinhos de Fátima viram precipitando-se no Inferno. É evidente que os dois estados não podem ser equiparados, por mais doloroso e duradouro que seja o Purgatório.

O problema de muitos de nós é o quão longe estamos da meta, o quão mesquinha é muitas vezes a lógica com que vivemos a nossa fé. Quantas vezes não pensamos, por exemplo, ou até dizemos: “Se eu chegar ao Purgatório, já me darei por satisfeito”, ou: “Se for ao Purgatório, já estarei no lucro”?

Não que isso não seja verdade, mas é uma verdade contada pela metade. É como a história do jovem rico (cf. Mc 10, 17-27), que poderia ser um grande discípulo de Cristo, e não foi.

Poderíamos até nos perguntar se essa personagem anônima dos Evangelhos, da qual não mais tivemos notícia, realmente se salvou. Talvez até tenha tido a “sorte” de passar o Purgatório com Amélia até o fim do mundo. Talvez já esteja no Céu agora, tendo passado por um brevíssimo Purgatório. A verdade é que, do jeito como ele deixou a famosa cena do Evangelho, seu lugar ainda não era o Céu. Porque o Céu não é simplesmente o lugar de quem não tem pecados (como o jovem rico parecia não ter); o Céu é o lugar dos que amam, dos que querem se unir a Deus mais do que qualquer coisa nesta vida.

Mas e nós, queremos isso? Queremos amar a Deus de todo o coração, ou nos contentaremos com garantir nossa salvação? Queremos viver plenamente o chamado de Deus para nós ou nos bastará “garantir uma vaga” no Purgatório?

Ninguém pense que se trata de desejos vãos. O quanto quisermos indicará a medida com que trabalharemos. Quem pensa em atingir o Purgatório, se esforçará o necessário para chegar aí. Se trabalharmos para o Céu, no entanto, tudo mudará. Inclusive nossa sorte na outra vida.

Que o exemplo dessa amiga da Irmã Lúcia nos ajude a imitar os pastorinhos de Fátima, que viveram sua vocação com heroísmo e, como recompensa, foram acolhidos sem demora no Reino dos Céus. Quanto à alma de Amélia, só o que lhe resta é contar com as nossas orações… “até ao fim do mundo”.

Referências

  1. Aparição de 13 de maio de 1917. Em: Memórias da Irmã Lúcia. 13.ª ed. Fátima: Secretariado dos Pastorinhos, 2007, p. 173.

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Obrigado, Padre Paulo Ricardo!
Padre Paulo Ricardo

Obrigado, Padre Paulo Ricardo!

Obrigado, Padre Paulo Ricardo!

Obrigado, Padre Paulo Ricardo, por se esvaziar de si mesmo e ser para nós, neste mundo, “um testemunho do Deus invisível”.

Equipe Christo Nihil Praeponere14 de Junho de 2018
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Reverendíssimo Padre Paulo Ricardo,

Em 1959, por ocasião do primeiro centenário da morte de São João Maria Vianney, o Papa São João XXIII escrevia que, “hoje, os cristãos fervorosos esperam muito do padre. Querem ver nele, neste mundo onde triunfa com frequência o poderio do dinheiro, a sedução dos sentidos, o prestígio da técnica, um testemunho do Deus invisível, um homem de fé, esquecido de si mesmo e cheio de caridade” [1].

Essa descrição de sacerdócio — que, digamo-lo mais claramente, não é apenas a expectativa dos cristãos de hoje, mas o desejo constante de Deus para os padres — vem bem a calhar neste dia 14 de junho de 2018, em que o senhor completa 26 anos de ministério sacerdotal.

Não porque o senhor seja santo, nem porque queiramos adulá-lo — o senhor nunca permitiu que o tratássemos dessa forma —, mas porque é justamente essa visão de sacerdócio que o senhor promove com suas pregações e, dia após dia, também com seu exemplo.

Nenhum de nós que convivemos com o senhor pode negar, por exemplo, que o senhor é “um homem de fé”. Sem se apegar a opiniões próprias, o que o senhor quer nos dar é “A Resposta Católica”. Sem querer ser “original”, a fé que o senhor (tanto!) nos ensina a pedir é “em tudo o que crê e ensina a Santa Igreja Católica”. Nada mais, nada menos.

Por isso, só por isso já receba, Padre Paulo Ricardo, a nossa mais profunda gratidão, pois sabe Deus o que seria de nós, por que vales tenebrosos estaríamos errando, a que ideias mirabolantes estaríamos servindo, não fosse o senhor a emprestar humildemente a sua voz à de Nosso Senhor e conduzir-nos ao aprisco da Santa Igreja Católica.

Obrigado, Padre, porque a doutrina que o senhor nos ensina não é sua, mas de Jesus Cristo.

Nenhum de nós pode negar também que, como um verdadeiro pai, o senhor vive “esquecido de si mesmo” — e ainda nos ensina a fazer o mesmo, para que a nossa vida realmente ganhe sentido!

Com uma história que o senhor vive repetindo (e que não nos cansamos de escutar), nós aprendemos, por exemplo, que “nós não temos vida” para nós mesmos, que “a nossa vida é para os outros”! E isso, justamente por ser algo que nos perturba e inquieta, é também algo que nos encoraja, que nos faz querer ser grandes, que nos motiva na busca da santidade!

Por isso, obrigado, Padre, obrigado por nos apresentar a medida do amor, que é amar sem medidas. Obrigado por nos ensinar que há vida para além do “salário mínimo” de nossas obrigações; por nos ensinar que a santidade não consiste em não pecar, mas em amar a Deus de todo o coração, com toda a nossa alma e todo o nosso entendimento!

Ninguém pode negar, enfim, Padre, que o senhor é um homem “cheio de caridade”. É o que vemos em suas meditações, tantas vezes embargadas de emoção, ao falar de Nosso Senhor. É o que vemos em suas exortações insistentes para que tenhamos vida de oração e amemos nosso Salvador, escondido no íntimo de nosso coração.

Por isso, obrigado, Padre, obrigado por nos recordar constantemente a importância da oração!

Quantos vivem no mundo, angustiados por não saber o que lhes falta! Aparentemente têm tudo: um lugar para morar, uma companhia com que passar o resto de seus dias, um automóvel para ir aonde quiserem, uma conta gorda no banco… Mas vivem infelizes, e sequer sabem onde procurar! “Ó Israel, felizes somos nós, porque nos é dado conhecer o que agrada a Deus” (Br 4, 4). Felizes somos nós porque sabemos a razão dessa inquietude em nosso ser: e sabemos onde saná-la. E tantos de nós só aprendemos isso porque o ouvimos do senhor!

Por isso, Padre Paulo Ricardo, muito obrigado! Obrigado por se esvaziar de si mesmo e ser para nós “um testemunho do Deus invisível”. Que Deus o continue guardando no Coração Eucarístico de Jesus, para que o senhor não deixe nunca de nos apontar, com suas palavras e com seu exemplo, o caminho do Céu!

Referências

  1. Papa S. João XXIII, Carta Encíclica Sacerdotii Nostri Primordia (1.º de agosto de 1959), n. 61.

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Formulário para a Missa do Coração Eucarístico de Jesus
Liturgia

Formulário para a Missa
do Coração Eucarístico de Jesus

Formulário para a Missa do Coração Eucarístico de Jesus

Embora não conste em nosso Missal, existe um formulário para os sacerdotes que desejam celebrar, nesta quinta-feira, a festa em honra ao Coração Eucarístico de Nosso Senhor.

Equipe Christo Nihil Praeponere13 de Junho de 2018
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Existe um formulário para os sacerdotes que desejam celebrar, amanhã, a festa do Coração Eucarístico de Jesus. Para acessá-lo, basta clicar aqui.

Substancialmente, o culto prestado pela Igreja ao Coração Eucarístico de Jesus é o mesmo que ela tributa ao seu Sacratíssimo Coração. Todos os fiéis — e, de um modo particular, os sacerdotes — são convidados a venerar com respeito, amor e gratidão, o símbolo do amor supremo pelo qual Jesus Cristo instituiu o sacramento da Eucaristia, para permanecer conosco permanentemente. Com todo o direito se venera, com culto especial, esse adorável desígnio do Coração de Jesus Cristo, demonstração suprema de seu amor.

Por isso, o Papa Leão XIII erigiu na igreja de São Joaquim, em Roma, confiada à Congregação do Santíssimo Redentor, uma arquiconfraria sob o título de Coração Eucarístico de Jesus. E é também no Missal próprio dos redentoristas que consta, ainda hoje, o formulário para esta festa, instituída pelo Papa Bento XV, em 1921.

O formulário que tornamos disponível acima pode ser usado tranquilamente pelos padres que celebram na Forma Ordinária do Rito Romano. Aos que rezam a Missa na Forma Extraordinária, basta acessar o formulário da Missa aqui.

O mais importante, de qualquer modo, é que todos possamos meditar, com a vida, a grandeza do mistério que a liturgia nos coloca diante dos olhos. Para tanto, não deixem de assistir ao episódio abaixo, de nosso programa "Ao vivo com Padre Paulo Ricardo", sobre o Coração Eucarístico de Nosso Senhor:

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Por que Santo Antônio está abraçando o Menino Jesus?
Santos & Mártires

Por que Santo Antônio
está abraçando o Menino Jesus?

Por que Santo Antônio está abraçando o Menino Jesus?

Estando em pregação numa certa cidade, Santo Antônio encontrou pousada na casa de um generoso fidalgo. Ali, recolhido a sós em seu aposento, o santo de Lisboa teve uma surpresa…

13 de Junho de 2018
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Santo Antônio entrou certa vez numa cidade para lá pregar, e o senhor fidalgo que ali o acolheu reservou-lhe um aposento bem retirado, a fim de não o perturbarem no estudo e na oração.

Estava o santo recolhido e a sós em seu quarto quando o senhor fidalgo, andando pela casa a tratar de seus assuntos, achou-se por acaso diante do aposento de Antônio e, levado por devota curiosidade, espreitou pela porta, às escondidas, através de uma fresta que dava para o lugar em que o santo descansava. E o que haviam de ver os seus olhos! Um Menino muito belo e alegre nos braços de Santo Antônio, e este a contemplar-lhe o rosto, a apertá-lo ao peito e a cobri-lo de beijos.

O fidalgo, maravilhado com a beleza do Menino, ficou espantado, sem saber como explicar donde teria vindo aquela Criança tão bela e graciosa.

O Menino, que não era senão Nosso Senhor Jesus Cristo, revelou a Santo Antônio que o seu hospedeiro o estava espiando pela porta.

Por causa disso, Santo Antônio, após terminar uma longa oração, chamou o senhor fidalgo e humildemente lhe pediu que, enquanto ele estivesse vivo, a ninguém revelasse a visão que tivera.

Foi só depois da morte do santo que o senhor fidalgo, com lágrimas santas, contou o milagre que os seus olhos indiscretos tinham contemplado. Em louvor de Cristo. Amém.

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