CNP
Christo Nihil Præponere"A nada dar mais valor do que a Cristo"
Evangelize compartilhando!
Todos os direitos reservados a padrepauloricardo.org®
Por que a “educação sexual” não é a solução
Educação

Por que a “educação
sexual” não é a solução

Por que a “educação sexual” não é a solução

Em um mundo tomado pela pornografia e pela sexualização cada vez mais precoce, não nos resta outro caminho senão educar os jovens para o amor.

Equipe Christo Nihil Praeponere5 de Agosto de 2015Tempo de leitura: 4 minutos
imprimir

Falou-se aqui, há alguns dias, que a pornografia está construindo a "cultura do estupro". É que os homens, imersos no universo do sexo pornográfico, olham para o ato sexual cada vez mais como uma "oportunidade". O que interessa é alcançar o clímax sexual, sejam quais forem os meios. Nessa lógica, as mulheres – que deveriam ser as suas companheiras de vida, respeitadas e amadas – se convertem em mero "instrumento" para a obtenção de um prazer fácil e passageiro.

Transformadas, assim, em objeto de satisfação do ego masculino, a sua dignidade e liberdade são abusivamente jogadas na lata do lixo – primeiro, na mente masculina, deformada pela constante exposição a material pornográfico; depois, na vida real, por meio de abusos concretos. Não existe fronteira que separe o território da pornografia do império da violência.

A pergunta é – e é este o tema deste texto: como solucionar esse problema? No mesmo artigo publicado em The Telegraph, falando sobre a ruína total da adolescência por conta da pornografia, Claire Lilley oferece uma sugestão perigosa para o problema. Para a ativista britânica, cabeça da NSPCC (sigla em inglês para "Sociedade Nacional de Prevenção à Crueldade com Crianças"), o governo deveria ser acordado "para assegurar que os jovens recebam lições claras sobre relações sexuais saudáveis".

A jornalista Allison Pearson, comentando a ideia de Lilley, faz notar, ironicamente, que, no enfrentamento desse problema, de nada adiantam "demonstrações de como colocar camisinha em uma banana".

As suas palavras acendem um alerta para o mundo e fazem recordar um ensinamento da Igreja para o qual o mundo virou as costas. Em 2009, durante viagem a África, o Papa Bento XVI foi questionado se o modo de a Igreja enfrentar a AIDS não era "irrealista e ineficaz", ao que ele afirmou que não se pode superar os problemas relacionados à sexualidade simplesmente com "a distribuição de preservativos". Ao contrário – dizia ele –, eles só "aumentam o problema" [1].

Escândalo! Quando o Papa ousou dizer o óbvio – já atestado inclusive por um especialista no assunto –, o mundo ocidental rasgou as vestes. Mas é isso mesmo. Não se pode simplesmente descartar "as verdades resultantes do conhecimento natural (...), mesmo que essas verdades sejam contemporaneamente ensinadas por uma religião específica, pois a verdade é uma só" [2]. Não é preciso ser católico para reconhecer que uma capa de látex não é solução nenhuma para a decadência moral da sociedade.

Também é muito fácil perceber por que distribuir camisinhas só faz aumentar o problema da degradação sexual. Sem "uma humanização da sexualidade", que renove o homem espiritualmente e "inclua um novo modo de comportar-se um com o outro" [3], a camisinha só torna mais fácil a conquista do prazer venéreo, sem que ele esteja ligado a nenhuma consequência. O preservativo é um material que diz: "Eu uso você, depois me levanto e vou embora". Pode até preservar o casal envolvido de ter um filho ou pegar uma DST, mas não preserva o casal da chaga do egoísmo, nem evita que o ser humano seja destruído em sua dignidade. É apenas uma solução aparente e externa para um problema muito mais profundo, que diz respeito à própria alma humana.

Qual a salvação, então? – alguém perguntará. – Aulas de "educação sexual"? – Absolutamente, não. Ninguém precisa "aprender a fazer sexo". Nenhum ser humano – muito menos uma criança – precisa ser exposto a professores "colocando camisinhas em bananas" ou ensinando a masturbação, sob o pretexto de "prevenção" ou conhecimento do próprio corpo. As pessoas não são descartáveis, sexo não é parque de diversões e, acrescente-se, escolas não são para isso.

O que o homem precisa é ser educado para o amor. É aprender de seu pai como se deve tratar uma dama e sustentar uma família; é receber de sua mãe como se deve ornar o próprio corpo e cuidar do seu lar; é ver na sua casa o sentido por trás de toda a sexualidade humana. Porque o homem não é um animal como qualquer outro. Para além de seu corpo, existe nele uma alma, alma esta que, sem amor, jamais poderá ser plenamente saciada.

A despeito de uma sociedade que considera "normal" vender o próprio corpo e de uma cultura que vulgarizou o sexo e esvaziou totalmente o significado do amor, urge resistir valorosamente, ensinando às crianças – principal e primeiramente dentro de casa – que o mundo real, criado por Deus, não é como ensinam os filmes de Hollywood ou as novelas da Rede Globo. Os jovens precisam descobrir, desde a mais tenra idade, a equação divina inscrita no coração do homem: sexo é sinônimo de família.

Por isso, a solução para o mal da pornografia e para a banalização da sexualidade só tem um nome: família. Enquanto os laços familiares não forem restaurados, não será possível tirar a humanidade do lamaçal de pecado e destruição em que ela se encontra. Que ressoe bem forte nos corações dos pais e educadores o apelo vibrante do Papa São João Paulo II: "Família, torna-te aquilo que és!" [4].

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

O que é hedonismo? Muito mais do que você pensa!
Sociedade

O que é hedonismo?
Muito mais do que você pensa!

O que é hedonismo? Muito mais do que você pensa!

O hedonismo infectou profundamente a mentalidade moderna. O conceito de cruz não é apenas absurdo, mas totalmente “imoral” para a mente hedonista, que vê o prazer como o único bem humano verdadeiro.

Mons. Charles PopeTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere18 de Setembro de 2020Tempo de leitura: 4 minutos
imprimir

Alguns dias atrás, no Evangelho, Jesus expôs a necessidade de aceitar as cruzes da nossa vida e carregá-las (cf. Mt 16, 24). Ora, as cruzes não são apenas os grandes sofrimentos da vida, como doenças, a morte de um ente querido, a perda de um emprego e assim por diante. Existem também as cruzes diárias de autodisciplina, trabalho árduo, obediência, contratempos, consequências das nossas decisões, limites para o que podemos fazer e a cruz de resistir à tentação.

Em oposição a esse ensino do Senhor está o hedonismo. A maioria das pessoas hoje associa o hedonismo ao excesso sexual e talvez à bebida. Mas o hedonismo é uma noção muito mais ampla, e é por isso que S. Paulo disse: “Mas nós pregamos Cristo crucificado, escândalo (pedra de tropeço) para os judeus e loucura para os pagãos” (1Cor 1, 23). Para os judeus, Jesus crucificado era uma pedra de tropeço, pois eles acreditavam que qualquer pessoa pendurada em uma árvore era amaldiçoada por Deus (cf. Dt 21, 22s). Mas, para os gregos e romanos, a cruz era um absurdo, devido à filosofia hedonista difundida entre eles. Então, o que é hedonismo?

“Uma Festa Romana”, de Roberto Bompiani.

Hedonismo é a doutrina segundo a qual o prazer ou a felicidade são o único ou o principal bem da vida. Vem da palavra grega hēdonē, que significa “prazer”, e é semelhante à palavra grega hēdys, que significa “doce”.

É claro que o prazer pode ser desejado e, até certo ponto, procurado, mas não é o único bem da vida. Na verdade, alguns de nossos maiores bens e realizações exigem sacrifício: anos de estudo e preparação para uma carreira; sangue, suor e lágrimas para criar filhos.

O hedonismo busca evitar sacrifícios e sofrimentos a todo custo. É diretamente oposto à teologia da cruz. S. Paulo falou em seus dias dos inimigos da cruz de Cristo. Seu fim é a destruição; seu deus, o estômago; e eles se gloriam da própria desonra, com a mente voltada para os prazeres terrenos (cf. Fl 3, 18s). Como dissemos, ele também ensinou que a cruz era um absurdo para os gentios (cf. 1Cor 1, 23).

As coisas não mudaram, meus amigos. O mundo reage com grande indignação sempre que a cruz ou o sofrimento estão implícitos. Portanto, o mundo clamará, exasperado e perplexo, e perguntará, incrédulo, à Igreja: estais dizendo que uma mulher que foi estuprada deve levar a gestação até o fim, sem poder abortar? Sim, estamos. Estais dizendo que uma pessoa gay deve viver o celibato, sem nunca poder “casar” com seu amante do mesmo sexo? Sim, estamos. Estais dizendo que uma criança deficiente no útero deve ser “condenada” a viver no mundo, sem poder ser abortada e expulsa de sua (ou, mais precisamente, nossa) “miséria”? Sim, estamos. Estais dizendo que uma pessoa que sofre não pode ser sacrificada para evitar a dor? Sim, estamos.

A expressão de choque ante esse tipo de pergunta mostra o quão profundamente o hedonismo infectou a mentalidade moderna. O conceito de cruz não é apenas absurdo, é totalmente “imoral” para a mente hedonista, que vê o prazer como o único bem humano verdadeiro. Para o hedonista, uma vida sem prazer suficiente é uma vida que não vale a pena ser vivida, e qualquer um que busque estabelecer limites para os prazeres legítimos (e, às vezes, ilegais) dos outros é mesquinho, odioso, absurdo, obtuso, intolerante e simplesmente mau.

Quando o prazer é o único objetivo ou bem da vida, você, a Igreja ou qualquer pessoa não pode ousar estabelecer limites, muito menos sugerir que o caminho da cruz seja melhor ou obrigatório! Se você o fizer, será banido, silenciado, destruído.

Muitos católicos fiéis, nos bancos de nossas igrejas, estão profundamente infectados com a ilusão do hedonismo. Por isso, assumem uma postura de perplexidade, raiva e zombaria sempre que a Igreja aponta para a cruz e insiste na abnegação, no sacrifício e em fazer a coisa certa, mesmo quando o custo a ser pago é alto. Nas igrejas, em geral, o balançar negativo das cabeças é visível quando um padre ousa pregar que o aborto, a eutanásia, a fertilização in vitro e a contracepção são errados, independentemente do preço a pagar, ou quando se fala sobre a realidade da cruz. Os fiéis que nadam nas águas de uma cultura hedonista geralmente ficam chocados com qualquer coisa que possa limitar o prazer que desejam.

O hedonismo faz os mistérios cristãos centrais, da cruz e do sofrimento redentor, parecerem coisa de um planeta distante ou de um universo paralelo e estranho. A palavra que sai da boca de Jesus: “Arrependei-vos”, soa estranha ao mundo hedonista. Tanto, que este chegou até mesmo a “reconstruir” Jesus como alguém que quer que “sejamos felizes e contentes”. As vozes se elevam, mesmo entre os fiéis: “Deus não quer que eu seja feliz?” Ora, com base nisso, qualquer tipo de comportamento pecaminoso deveria ser tolerado, já que insistir no contrário é “difícil” e pode parecer “mau” falar da cruz ou de autodisciplina em uma cultura hedonista.

Trazer as pessoas de volta para o verdadeiro Jesus e a verdadeira mensagem do Evangelho, que apresenta a cruz como o caminho para a glória, exige muito trabalho e longas conversas. Devemos estar preparados para ter uma longa conversa com as pessoas.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

Há heresias que começam da cintura para baixo
Doutrina

Há heresias
que começam da cintura para baixo

Há heresias que começam da cintura para baixo

“Existe um nexo entre a pureza do coração, do corpo e da fé”. Por isso, quando uma pessoa faz da impureza um projeto de vida, padece não só a sua carne, mas também a sua mente e o seu espírito. São as heresias que começam da cintura para baixo.

Dave ArmstrongTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere16 de Setembro de 2020Tempo de leitura: 6 minutos
imprimir

Existe um nexo entre a pureza do coração, do corpo e da fé” (CIC 2518): essa famosa citação expressa a ideia de que os desejos, impulsos e atos sexuais (a saber, fora do matrimônio heterossexual e da procriação) são contrários à teologia, que os define como intrinsecamente imorais. Portanto, quem se deleita com esses pensamentos e atos tende a querer rejeitar também a teologia, ao invés da própria sexualidade mal vivida. Por causa disso, começa a cair em heresia.

Talvez a manifestação clássica dessa mentalidade seja a afirmação do escritor e filósofo inglês Aldous Huxley (1894-1963), autor de quase cinquenta livros e muito famoso por ter escrito Admirável Mundo Novo (1932). Por coincidência, ele morreu no mesmo dia em que C. S. Lewis e John Kennedy. Numa coleção de ensaios publicada em 1937, Huxley escreveu o seguinte:

Eu tinha motivos para não desejar que o mundo tivesse um sentido; consequentemente, presumi que não tinha sentido algum e pude, sem qualquer dificuldade, encontrar razões satisfatórias para esse pressuposto. O filósofo que não vê sentido no mundo não está preocupado apenas com um problema de metafísica pura. Ele também se preocupa em provar que não há uma razão válida pela qual ele não deveria fazer o que quer fazer. Para mim, e sem dúvida para a maioria dos meus amigos, a filosofia da falta de sentido era, em essência, um instrumento de libertação de certo sistema de moralidade. Contestamos a moralidade porque ela interfere em nossa liberdade sexual.  

Lendo a conceituada biografia de Lewis escrita por seu amigo George Sayer, intitulada Jack: C. S. Lewis and His Times (“Jack: C. S. Lewis e sua Época”, sem trad. portuguesa), fiquei surpreso ao saber que, para ele, Lewis (quando tinha entre 13 e 15 anos) perdeu a fé cristã da infância por causa da imoralidade sexual.

Isso confirma minha argumentação como apologista, segundo a qual a perda da fé e a apostasia muitas vezes (senão frequentemente) são o resultado de processos e impulsos não racionais, e não do fracasso do cristianismo ao ser submetido a uma análise intelectual séria. Sayer afirma o seguinte na página 31 do livro:

Ele começou a se masturbar […]. Fez o firme propósito de jamais fazer isso outra vez, e então sofreu repetidas vezes com a humilhação de não conseguir perseverar. Ele diz que sentia aquilo que São Paulo descreve na Carta aos Romanos (cf. 7, 19-24): “Não faço o bem que quereria, mas o mal que não quero”. Ele também rezava, e como suas orações não eram escutadas, logo perdeu a fé […]. Para alcançar um equilíbrio psicológico, teve de reprimir os fortes sentimentos de culpa, o que ele realizou ao rejeitar o cristianismo e sua moralidade.

Consigo imaginar um ateu ou alguém que, sob outros aspectos, seja cético em relação ao cristianismo (ou particularmente ao catolicismo) dizendo: “Bem, como podemos culpar o jovem Lewis? Afinal de contas, ele decidiu com sinceridade abandonar a prática da masturbação, algo que [erradamente] considerava errado, e rezou sinceramente a Deus para conseguir ajuda no cumprimento daquela decisão, e Deus [supondo, a título de argumentação, que realmente existe] o decepcionou. Portanto, não teria sido culpa de Deus, e não dele?”

Há várias condutas muito viciantes ou obsessivas que os seres humanos assumem voluntariamente, mas depois descobrem que foram escravizados, gostariam de parar e, infelizmente, não conseguem. De modo geral, de início não se vê que essa condutas se tornarão tão controladoras ou viciantes; mas, depois que alguém é dominado por esse tipo de conduta, é muito difícil escapar.

Quem é o culpado disso? Deus ou a pessoa que iniciou a jornada em direção àquele comportamento? Eu digo que é a pessoa e que acusar a Deus é transferir a culpa a outrem. Podemos pensar em muitos vícios: por exemplo, fumar, consumir drogas, agredir a esposa, ser guloso ou viver a promiscuidade sexual desenfreada. Mesmo coisas intrinsecamente boas podem tornar-se viciantes e destrutivas: pensemos, por exemplo, num homem que queira ler livros ou praticar a jardinagem o dia inteiro, negligenciando assim sua obrigação de sustentar a família.  

Somos nós que começamos essas coisas; mas, por causa de um orgulho bobo, queremos culpar outra pessoa, quando é evidente que somos nós os envolvidos em condutas prejudiciais e destrutivas. Deus é o alvo errado, porque sempre nos podemos convencer de que “Deus deve me dar a capacidade de parar, se eu lho pedir”. Logo, se Ele não o fizer, poderemos dizer que Ele ou é impotente ou não existe.

Na verdade, há uma coisa chamada graça, um poder divino de superar o pecado e o mal (ver, por exemplo, Rm 8, 37 e Fp 4, 13). Eu e praticamente todo cristão sério experimentamos esse auxílio diversas vezes e, na verdade, grupos muito bem-sucedidos como os Alcoólicos Anônimos pressupõem que ela existe e pode ajudar os alcoólatras a largarem a bebida.

O que quero dizer é que é irracional exigir que Deus (um ser onisciente e infinitamente superior a nós e, portanto, muitas vezes inexplicável, como nós o seríamos para uma formiga) faça neste exato momento aquilo que eu desejo, por medo de ser rejeitado ou desacreditado caso não faça nada.

Deus não tem obrigação de realizar milagre algum nem de atender a todas as nossas orações. Ele faz o que faz em seu próprio ritmo, por suas próprias razões inescrutáveis e objetivos providenciais. Deus não é uma varinha mágica nem um boneco de meia que pode ser usado ao nosso bel prazer. 

Dizer “ou Deus faz X ou não quero mais saber dele!” é ter uma espiritualidade infantilóide, é racionalizar os próprios caprichos, é ter um exagerado senso de (falsa) liberdade. É o pecado original de Adão, Eva e o demônio: escolher a própria vontade no lugar da vontade de Deus. Aldous Huxley reconheceu (de modo admirável) que fazia exatamente isso. E creio que o jovem C. S. Lewis (supondo que a opinião de Sayer esteja correta) também fazia a mesma coisa, e isso era irracional e insensato pelas razões acima apresentadas. Mais tarde, Lewis explicou como e por que a moralidade sexual é tão importante

[Nota da Equipe CNP: A esse propósito, leia-se abaixo um trecho de carta de Lewis a Keith Masson (3 jun. 1956), publicada em The Collected Letters of C. S. Lewis, Vol. III: Narnia, Cambridge, and Joy 1950-1963, editado por Walter Hooper, Harper San Francisco, 2007:

Você supõe que um princípio moral tradicional deva apresentar uma prova de sua validade antes de ser aceito. Eu suponho o contrário: ele deve ser aceito até que alguém apresente uma refutação definitiva.

Além disso, concordo que seja idiotice falar em “desperdício de fluidos vitais”. Para mim, o verdadeiro mal da masturbação reside no fato de ela usar um desejo que, se aplicado de forma correta, conduz a pessoa para fora de si, de modo que possa completar (e corrigir) sua própria personalidade na de outra pessoa (e finalmente nos filhos e netos) e o inverte, enviando o homem novamente à prisão de seu ego a fim de que lá ele possa manter um harém de noivas imaginárias. Depois de ser aceito, esse harém impede que o homem se liberte de si mesmo e se una verdadeiramente a uma mulher real.

Pois o harém é sempre acessível e subserviente, não exige sacrifícios ou ajustes, além de ser dotado de atrações eróticas e psicológicas com as quais nenhuma mulher verdadeira pode competir. O rapaz é sempre adorado pelas noivas sombrias, é sempre considerado o amante perfeito: não exigem nada de seu altruísmo, jamais é imposta à sua vaidade alguma mortificação. No final das contas, elas se tornam apenas o meio pelo qual ele cada vez mais cultua a si mesmo… A faculdade do amor não é a única a ser esterilizada e a ter de retroceder, mas também a faculdade da imaginação...

A masturbação implica esse abuso da imaginação em temas eróticos (que eu considero mau em si) e, portanto, estimula um abuso semelhante dela em todas as esferas. Afinal de contas, a principal tarefa da vida é praticamente sairmos de nós, da pequena e obscura prisão na qual nascemos. A masturbação deve ser evitada, bem como todas as coisas que retardam esse processo. O perigo que nos ronda é o de acabar amando a prisão.]

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

Ex-protestante: “Foi a Bíblia que me converteu à fé católica”
Testemunhos

Ex-protestante: “Foi a Bíblia
que me converteu à fé católica”

Ex-protestante: “Foi a Bíblia que me converteu à fé católica”

“A Escritura alimentava minha vida cristã, ajudava-me a crescer espiritualmente e a aproximar-me cada vez mais de Cristo. E, no final das contas, foi a própria Escritura que acabou me convencendo da verdade do catolicismo.”

Lois DayTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere16 de Setembro de 2020Tempo de leitura: 4 minutos
imprimir

Quando, aos dezoito anos, aceitei Jesus Cristo como meu Senhor e Salvador, comecei pela primeira vez na vida a ler a Bíblia com vontade e interesse. Eu acabara de entrar em um novo relacionamento de fé e amor com Cristo, e era nas páginas da Escritura que eu podia aprender o que era necessário saber sobre Ele. Passei um verão inteiro a ler o Novo Testamento de cabo a rabo. Era como se verdades me saltassem aos olhos; intuições e rios de sabedoria manavam daquelas páginas. Surpreendi-me de achar as Escrituras tão fascinantes. “Isso é por causa do Espírito Santo”, disse-me um amigo, que me tinha levado para o Senhor. “Ele está com você, revelando o que significa a Palavra de Deus”.

Durante os dez anos seguintes, tendo pertencido a uma grande variedade de igrejas, a Bíblia permaneceu a pedra-de-toque da minha fé em Cristo. Tudo em que eu tinha de acreditar como cristã poderia encontrar-se na Bíblia; era ela a minha única autoridade em matéria de fé, e eu a considerava totalmente fiável. Eu a li várias vezes ao longo daqueles anos e tornei-me familiar com muitas de suas passagens. Eu amava a Bíblia, porque era nela que podiam ser descobertas a vontade de Deus e a resposta a todas as perguntas vitais. A Escritura alimentava minha vida cristã, ajudava-me a crescer espiritualmente e a aproximar-me cada vez mais de Cristo. E, no final das contas, foi a própria Escritura que acabou me convencendo da verdade do catolicismo

Quando uma amiga próxima contou-me que estava se tornando católica, eu fiquei chocada. Para mim, a Igreja Católica era uma grande e misteriosa organização, de caráter duvidosamente cristão e cheia de ensinamentos errôneos e contrários à Bíblia. Eu não podia entender como alguém com verdadeira fé em Cristo, tendo com Ele um relacionamento pessoal, poderia virar católico. Por isso, decidi ir atrás da resposta. Mas onde encontrá-la? Ora, onde mais, senão na Bíblia mesmo?

A minha postura era como a dos judeus da Beréia, que, após ouvir a pregação de Paulo, receberam a palavra “com ansioso desejo, indagando todos os dias, nas Escrituras, se essas coisas eram de fato assim” (At 17, 11). A Igreja Católica propunha-me como verdade algumas doutrinas, e eu, como os bereanos, queria examinar a Escritura a respeito dessas doutrinas, para determinar se de fato elas eram ou não verdadeiras. Se a doutrina católica não estivesse de acordo com a Escritura, então ela podia ser rejeitada sem maiores problemas. E eu tinha certeza de que era isso que ia acontecer.

A Bíblia não diz quanto tempo levaram os bereanos para descobrir que o ensinamento de Paulo estava de acordo com a Escritura, ao fim do que “muitos deles creram” (At 17, 12). Para mim, foram precisos cinco anos. Eu estudei os ensinamentos da catolicismo à luz da Escritura, sempre me baseando na Bíblia como em minha única autoridade para encontrar a verdade. E, no final de tudo, descobri que a doutrina católica é, sem sombra de dúvida, escriturística. Tendo-o descoberto, eu devia me comportar como os bereanos. A Escritura tinha-me mostrado que o catolicismo é verdade, e eu então acreditei.

A Escritura convenceu-me de todo o ensinamento católico, mas em nenhum outro ponto ela era mais clara do que na Eucaristia, entendida como verdadeiro Corpo e Sangue de Cristo. Enquanto protestante, eu acreditava que Cristo, ao falar em Jo 6 que nos daria de comer sua própria carne, estava se expressando em termos simbólicos, e não literais. “Comer a sua carne”, pensava eu, era o mesmo que dizer, em linguagem figurada, “acreditar nele”. No entanto, a própria Bíblia mostrou-me que essa crença não é escriturística. Toda a minha formação como protestante consistira em ler a Bíblia literalmente, em tomar as palavras da Escritura ao pé da letra, sem tentar “interpretá-las” de forma alguma. Ora, Cristo disse que nos daria de comer sua verdadeira carne e, na Última Ceia, Ele tomou pão e disse: “Isto é o meu Corpo”. Ao ler isso na Bíblia, perguntei a mim mesma: “Se a Bíblia há de entender-se literal, e não simbolicamente, por que não aqui?” Parecia-me claro que, se Cristo disse que a sua carne é verdadeira comida (cf. Jo 6, 55), nós poderíamos supor com segurança que Ele quis dizer exatamente o que disse.

Eu sou católica há seis anos. Como católica, qual é a minha postura diante da Bíblia? Eu amava a Bíblia quando era protestante; ela era a Palavra de Deus, e nela eu encontrava os tesouros de sua sabedoria. Eu me baseava nela como meu guia para a verdade. Agora que sou católica, eu amo a Bíblia ainda mais — se é que é possível —, porque, além de tudo o que ela representava para mim enquanto protestante, eu a reconheço agora como o que ela realmente é: um livro católico, que pertence essencialmente à Igreja Católica.

E foi a própria Escritura que me mostrou onde devo procurar, se desejo saber que doutrinas são verdadeiras: ela me levou até a “casa de Deus, que é a Igreja de Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade” (1Tm 3, 15).

Notas

  • Lois Day, a autora deste breve testemunho, vive na Virgínia do Norte e é dona de casa. Ela também dá aulas de grego neotestamentário e é membro da Legião de Maria.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

Um católico pode ser espírita?
Doutrina

Um católico pode ser espírita?

Um católico pode ser espírita?

O espiritismo nega quase todo o Credo, e a reencarnação se opõe à pregação de Cristo em pontos essenciais, colocando em xeque toda a doutrina da salvação. Por isso, o católico que resolve tornar-se espírita, por esse fato, exclui a si mesmo da Igreja.

Frei Boaventura Kloppenburg15 de Setembro de 2020Tempo de leitura: 9 minutos
imprimir

Este texto do frei Boaventura Kloppenburg, extraído de sua excelente obra Espiritismo: orientação para católicos [1], contém orientações canônicas preciosas. Pedimos atenção, no entanto, porque foi escrito como uma advertência para católicos. Contém uma linguagem um pouco incomum nos dias atuais, pois fala de coisas como “heresia” e “excomunhão”. Explicar o que elas significam não é o escopo deste artigo; para entender melhor o que é heresia, por exemplo, este vídeo do Pe. Paulo Ricardo talvez ajude.

Escrevemos isso porque, infelizmente, muitos chegarão aqui “de paraquedas”, por assim dizer, com o dedo em riste e acusando-nos disto e daquilo. Mas a intenção desta publicação não é acirrar ânimos nem criar discussões desnecessárias. Trata-se simplesmente de chamar os católicos à coerência, para que vivam de acordo com a fé que alegam professar, abandonando aquelas filosofias ou doutrinas religiosas que contradizem o Credo. Nada mais.

Dito isso, vamos ao texto.


Em 1953 a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil reafirmou a determinação feita pelo Episcopado Nacional na Pastoral Coletiva de 1915, revista pelos bispos em 1948 nestes termos:

Os espíritas devem ser tratados, tanto no foro interno como no foro externo, como verdadeiros hereges e fautores de heresias, e não podem ser admitidos à recepção dos sacramentos, sem que antes reparem os escândalos dados, abjurem o espiritismo e façam a profissão de fé. 

Segundo o novo Direito Canônico (de 1983), “chama-se heresia a negação pertinaz, após a recepção do batismo, de qualquer verdade que se deve crer com fé divina e católica, ou a dúvida pertinaz a respeito dela” (cân. 751). E no cânon 1364 § 1, a nova legislação eclesiástica determina que “o herege incorre automaticamente em excomunhão”, isto é: deve ser excluído da recepção dos sacramentos (cân. 1331 § 1), não pode ser padrinho de batismo (cân. 874), nem da confirmação (cân. 892) e não lhe será lícito receber o sacramento do matrimônio sem licença especial do bispo (cân. 1071) e sem as condições indicadas pelo cânon 1125. Também não pode ser membro de associação ou irmandade católica (cân. 316). 

Já vimos, ao expor as linhas gerais da doutrina espírita e cotejar este ensinamento com a doutrina cristã, que o espiritismo kardecista de fato nega quase todo o credo apostólico. E quando analisamos a reencarnação [2], ficou claro que a palingenesia se opõe, em pontos essenciais, à pregação de Nosso Senhor Jesus Cristo, negando, principalmente, toda a soteriologia cristã. É, pois, evidente que o católico, quando adota a doutrina espírita, se enquadra perfeitamente na descrição que o citado cânon 751 faz da heresia, cometendo um “delito contra a religião”, segundo a terminologia do novo Direito Eclesiástico, e incorre na penalidade prevista pelo cânon 1364 § 1. Ou, falando mais exatamente: o católico que resolve tornar-se espírita, por este fato, exclui-se a si mesmo da Igreja Católica, perdendo todos os direitos de católico

Mas na prática pastoral a aplicação destas determinações jurídicas encontra a seguinte dificuldade: o vocábulo “espírita” é, de fato, entre nós, polivalente. Já Allan Kardec observava em suas Obras póstumas (20.ª edição, pp. 367s):

O qualificativo de espírita, aplicado sucessivamente a todos os graus de crença, comporta uma infinidade de matizes, desde o da simples crença nas manifestações, até as mais altas deduções morais e filosóficas; desde aquele que, detendo-se na superfície, não vê nas manifestações mais do que um passatempo, até aquele que procura a concordância dos seus princípios com as leis universais e a aplicação dos mesmos princípios aos interesses gerais da humanidade; enfim, desde aquele que não vê nas manifestações senão um meio de exploração em proveito próprio, até o que haure delas elementos para seu próprio melhoramento moral. Dizer-se alguém espírita, mesmo espírita convicto, não indica, pois, de modo algum, a medida da crença; essa palavra exprime muito com relação a uns, e muito pouco, relativamente a outros. Uma assembléia para a qual se convocassem todos os que se dizem espíritas apresentaria um amálgama de opiniões divergentes, que não poderiam assimilar-se reciprocamente, e nada de sério chegaria a realizar, sem falar dos interessados a suscitarem no seu seio as discussões a que ela abrisse ensejo.

Mas pondo de lado as ambigüidades, pode-se dizer que, segundo AK, “espírita” é todo espiritualista que admite a prática da evocação dos falecidos. Sobre esta base mínima podem construir-se os mais variados sistemas doutrinários. Assim são “espíritas” os adeptos do espiritismo anglo-saxão que não aceitam a doutrina da reencarnação, como são “espíritas” os seguidores de AK que fazem das idéias reencarnacionistas o ponto central de sua filosofia. E porque os partidários da umbanda praticam assiduamente a evocação dos falecidos (e, aliás, endossam a doutrina da metensomatose), também eles são “espíritas” verdadeiros, no sentido original em que AK entendia o vocábulo por ele criado (cf. acima, p. 251). 

E como não existe nenhum nexo necessário entre a prática da evocação dos falecidos e a doutrina da reencarnação, é perfeitamente imaginável que alguém aceite e pratique a necromancia sem admitir a palingenesia, como é igualmente concebível que alguém adote a filosofia da pluralidade das existências sem endossar a prática da evocação das almas dos que morreram. Mas a dimensão herética (isto é, negadora da doutrina de fé cristã) do espiritismo está principalmente na reencarnação. Pode-se admitir ainda que alguém professe sinceramente toda a doutrina cristã, tal como é proposta pela Igreja Católica, e ao mesmo tempo julgue ser possível e lícito evocar os falecidos. 

Já é evidente que nem todos, embora se digam ou sejam chamados “espíritas”, podem ou devem ser considerados ou tratados da mesma maneira. Há evidente necessidade de distinguir: 

1. Os que dirigem ou organizam o espiritismo (em qualquer de seus ramos) ou um centro espírita ou terreiro de umbanda e os que tomam parte ativa nas sessões (médiuns): são espíritas no sentido mais estrito do termo, valendo para eles a determinação do episcopado nacional: “Devem ser tratados como hereges”. Mas esta norma vale apenas para aqueles que antes eram ou diziam ser católicos. O mesmo não vale para os que já nasceram num ambiente espírita e nele foram educados. Os espíritas convictos e coerentes já não fazem batizar seus filhos, visto que, como lhes fez saber em 1952 o Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira, “o espiritismo é religião sem ritos, sem liturgia e sem sacramentos”. Por conseguinte, já não são nem cristãos e devem ser considerados e tratados como os demais adeptos de religiões não-cristãs. 

2. Os que se inscreveram como sócios em alguma entidade espírita. Os espíritas costumam controlar a fidelidade de seus sócios mediante caderneta individual, carimbada cada mês. O sócio que durante seis meses deixar de cumprir seus deveres de sócio é excluído. Segundo os Preceitos gerais publicados pela Federação Espírita Brasileira e válidos para todas as sociedades espíritas do Brasil, os sócios inscritos têm os seguintes deveres: a) estudar a doutrina espírita (que aqui no Brasil é reencarnacionista); b) freqüentar regularmente as sessões de estudo da doutrina; c) pagar pontualmente suas contribuições pecuniárias. Deve-se, pois, supor que todo sócio de mais de seis meses não é apenas necromante, mas também reencarnacionista, e, como tal, herege, e assim há de ser tratado. 

3. Os que, embora não inscritos, freqüentam habitualmente por mais de seis meses sessões para consultar os mortos, receber receitas ou passes etc. As assim chamadas “sessões públicas de estudo” são franqueadas a todos indistintamente. Mas toda sessão desta espécie é doutrinária: nela se ensina e administra a doutrina espírita (reencarnacionista). Por conseguinte, quem por mais de meio ano assiste habitualmente a tais sessões já não pode ser tido apenas como necromante, mas com razão é considerado adepto da doutrina reencarnacionista. Logo, é herege e deve ser tratado como tal. 

4. Os que esporadicamente vão às sessões para consultar os falecidos, receber passes, receitas etc., levados, talvez, pela necessidade (doença, tristeza pela morte de alguém de sua família, situação embaraçosa) ou a convite insistente de amigos, vizinhos etc. Supondo que não vão por mera curiosidade, eles não são necessariamente reencarnacionistas; são, todavia, necromantes ou “espíritas” no sentido lato do termo, tal como foi definido por AK. Se admitem a reencarnação, são sem dúvida hereges e como tais deverão ser tratados. Se não aceitam a pluralidade das existências, mas apenas a prática da evocação, serão também hereges? A Santa Sé declarou que este tipo de práticas inclui um “engano inteiramente ilícito e herético” (em latim: deceptio omnino illicita et haereticalis, cf. DH 2823-2825). Neste documento, de 1856 (naqueles anos começava na França a prática da evocação dos falecidos) a Santa Sé repete duas vezes ser pecado de heresia querer aplicar meios puramente naturais com o fim de obter efeitos não-naturais ou supranaturais. Por conseguinte, o espiritismo como evocação dos mortos, seja na forma de necromancia ou de magia, já é herético e, aliás, puro “engano”. É preciso atender bem a este particular: tais práticas são rejeitadas não apenas como ilícitas (nisto está o pecado, pois, como vimos, a evocação é um ato severamente interditado por Deus) ou contra a moral, mas também como heréticas ou contrárias à fé cristã. A heresia está na suposição de poder produzir efeitos não-naturais com meios naturais. 

5. Os que vão de quando em quando às sessões espíritas por motivo de estudo ou divertimento ou de mera curiosidade. A suposição é que não são reencarnacionistas, nem querem praticar a evocação. Estes devem ser divididos em duas categorias: a) Os que fazem isso sem nenhuma licença: não são espíritas (é a suposição), mas praticam um ato ilícito e expressamente proibido pela Igreja, como vimos. Pois, pelo decreto de 24-4-1917, declarava a Santa Sé ser ilícito “assistir a sessões ou manifestações espiritistas, sejam elas realizadas ou não com o auxílio de um médium, com ou sem hipnotismo, sejam quais forem estas sessões ou manifestações, mesmo que aparentemente simulem honestidade ou piedade; quer interrogando almas ou espíritos, ou ouvindo-lhes as respostas, quer assistindo a elas com o pretexto tácito ou expresso de não querer ter qualquer relação com espíritos malignos”. — b) Os que fazem isso devidamente autorizados. Bons moralistas interpretam a citada decisão de 1917 de tal maneira que pode ser dispensada em casos particulares, em favor de médicos, sociólogos ou outros estudiosos que vão, não por curiosidade, não apenas para ver, mas para estudar. Excluída, pois, toda evocação e com a condição de que não ocorra perigo nenhum de perversão própria, nem de escândalo para outros, poderia o bispo permitir a assistência. 

6. Os que nunca assistem às sessões, mas por qualquer motivo ajudam moral ou materialmente na construção ou manutenção de obras e empresas espíritas. São os fautores do espiritismo no Brasil. Tal cooperação consciente seria ilícita. É evidente, porém, que não devem ser tratados como espíritas ou hereges e sim como “fautores de heresia”, conceito que já não ocorre na nova legislação canônica, mas que nem por isso deixa de ter seu valor. 

7. Os que assistem às sessões ou apóiam moral ou materialmente o espiritismo por ignorância. No Brasil, são muitos. Devem ser tratados como ignorantes, isto é: devem ser instruídos. O presente livro foi escrito com este objetivo. Não são hereges. 

8. Os que não querem praticar nem a necromancia nem a magia, não assistem às sessões espíritas, mas professam a doutrina da reencarnação, como os esoteristas, rosacruzes, teósofos e outros ocultistas. São hereges formais e como tais devem ser tratados.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.