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Precisamos acreditar em “tudo o que crê e ensina a Santa Igreja Católica”?
Doutrina

Precisamos acreditar em “tudo o que
crê e ensina a Santa Igreja Católica”?

Precisamos acreditar em “tudo o que crê e ensina a Santa Igreja Católica”?

A pergunta pode parecer uma obviedade para os mais próximos e banal para os mais arredios, mas é a linha que divide os verdadeiros dos falsos católicos.

Equipe Christo Nihil Praeponere22 de Fevereiro de 2018Tempo de leitura: 7 minutos
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Antigamente, quando as crianças recebiam as primeiras instruções na fé católica, elas aprendiam a rezar uma fórmula denominada “ato de fé”. As versões da oração variam um pouco, mas uma delas, indulgenciada pela Igreja e facilmente encontrada na internet, diz o seguinte:

Eu creio firmemente que há um só Deus, em três pessoas realmente distintas, Pai, Filho e Espírito Santo. Creio que o Filho de Deus se fez homem, padeceu e morreu na cruz para nos salvar e ao terceiro dia ressuscitou. Creio em tudo o mais que crê e ensina a Santa Igreja Católica, porque Deus, Verdade infalível, o revelou. Nesta crença quero viver e morrer.

Trata-se de uma oração simples e em plena conformidade com o que professamos no “Creio”, mas, tragicamente, muitos de nossos católicos não seriam mais capazes de fazê-la, pelo menos não de coração sincero e acreditando realmente em tudo o que ela diz.

Afinal de contas, muitos de nós aprendemos no colégio que uma coisa é Jesus Cristo, que veio ao mundo e, como adoram dizer, “não fundou religião nenhuma”; e outra coisa é a Igreja Católica, que apareceu muito tempo depois e que está “cheia de erros”, “de pecados” e de não se sabe mais o quê.

Para boa parcela de nossos católicos hoje, crer em “tudo o mais que crê e ensina a Santa Igreja Católica”, assim, sem mais nem menos, sem saber detalhadamente do que se está falando, soará como “fé cega”, obscurantismo medieval ou até coisa pior.

Mas não tem nada a ver com isso. O problema da “pulga atrás da orelha” de muitos católicos deve-se a um fator chamado ignorância. Infelizmente, nossas catequeses não têm sido muito eficazes em ensinar, tanto a crianças e jovens quanto a adultos, o que seja realmente a realidade da fé.

Por isso, vamos explicar, primeiro, com um exemplo do nosso mundo. Suponhamos que você não tenha ido jamais à Dinamarca. Um grande amigo seu já foi e dá testemunho: ela existe. O seu atlas geográfico, produzido por gente bem mais entendida que seu amigo, também retrata a Dinamarca no mapa da Europa: ela existe. Há por que duvidar? Certamente não. Ainda que nunca tenha posto os pés em território dinamarquês, você é capaz de admitir sem muita dificuldade: “Sim, eu creio, a Dinamarca existe”.

Com a fé católica acontece algo semelhante. Quando dizemos todos os domingos na Missa: “Creio”, o que estamos dizendo é que acreditamos nas verdades reveladas por uma pessoa muito mais confiável que seu melhor amigo e muito mais sábia que o mais competente cientista: Deus.

A comparação com a Dinamarca, como se pode ver, tem seus limites. A fé que prestamos a Deus é de natureza totalmente diferente da que temos na Dinamarca:

  1. Primeiro, porque, como visto, quem nos revela a existência da Dinamarca são seres humanos, falíveis e capazes de enganar (imagine, por exemplo, que todos os geógrafos estivessem “conspirando” em relação à Dinamarca); na fé católica, porém, quem nos revela as coisas é a própria Verdade, Deus, “o qual não pode enganar-se nem enganar” a ninguém [1].
  2. Segundo, porque a Dinamarca é uma realidade humana; as verdades que dizem respeito a Deus, no entanto, todas superam a própria natureza criada, são sobrenaturais.
  3. Como consequência desta segunda diferença, temos de admitir a dificuldade que existe, de nossa parte, em crer nas verdades sobrenaturais, que transcendem a nossa capacidade racional. Por essa razão, mais do que um simples esforço humano, todo ato de fé que o homem realiza só pode acontecer por ação da graça divina. Todo católico que diz com sinceridade: “Creio”, é tocado invisivelmente pela mão de Deus, que ajuda a sua inteligência e fortalece a sua vontade a dar um “sim” a tudo o que crê e ensina a Santa Igreja Católica.

Mas a expressão “tudo o que crê e ensina a Santa Igreja Católica” ainda permanece difícil e insiste em incomodar. É necessário aceitar tudo mesmo, sem restrições? E a Igreja mesma, como entra nessa “equação” da fé?

“Cristo entregando as chaves do Céu a São Pedro”, por Pedro Paulo Rubens.

Para responder a essa questão, é preciso recordar o modo escolhido por Deus para nos revelar as suas verdades. O princípio da Carta aos Hebreus diz que, “muitas vezes e de muitos modos, Deus falou outrora a nossos pais, pelos profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por meio do Filho” (1, 1-2). Depois de todas as revelações que vemos contidas no Antigo Testamento, então, Deus “selou” seu contato com a humanidade, por assim dizer, enviando-nos seu Filho, Jesus Cristo.

Ora, já que com isso Ele quis salvar todos os homens, e não só os de dois mil anos atrás, era necessário que fosse instituído um meio, visível e do qual as pessoas pudessem facilmente se servir, para sua mensagem permanecer preservada ao longo das gerações. Esse instrumento, como ficará claro a quem estudar as Escrituras e investigar a transmissão dos ensinamentos dos primeiros cristãos, é nada mais nada menos do que a Igreja.

A Igreja:

  • presente na pessoa dos Apóstolos, a quem foi dito: “Tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu” (Mt 18, 18), e ainda: “Quem vos ouve, a mim ouve; quem vos rejeita, a mim rejeita, e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou” (Lc 10, 16); e
  • presente especialmente na pessoa do Papa, o único a quem foi dito: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado no céu” (Mt 16, 18-19), e ainda: “Confirma teus irmãos” (Lc 22, 32), e enfim: “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21, 16).

Ao instituir a Igreja, Nosso Senhor quis dar aos homens a segurança de que aquilo que Ele tinha ensinado a seus discípulos seria propagado fielmente. Para isso, Ele mesmo cuidou de dar aos Apóstolos a assistência do Espírito Santo (cf. Jo 16, 7-15) e de garantir-lhes sua presença até a consumação dos séculos (cf. Mt 28, 20).

De fato, até o presente, o único grupo de cristãos que crê nas mesmas coisas e rejeita as mesmas coisas, como acontecia na Igreja primitiva, é a Igreja Católica. O protestantismo, desde que nasceu, dividiu-se em um sem-número de filiais sem uniformidade alguma de fé nem de culto.

São Pedro, Príncipe dos Apóstolos, rogai por nós!

O problema da Igreja, como se vê, não é muito difícil de confrontar. Quem quer que se dedique a um estudo sério e desapaixonado de sua história e de sua doutrina, verá que não é possível haver verdadeiro cristianismo fora da religião católica. Nas breves palavras de um filósofo citado certa feita pelo Pe. Leonel Franca: “Se o Messias já veio, devemos ser católicos; se não veio, judeus; em nenhuma hipótese, protestantes”.

Vejamos agora, então, o porquê do “tudo”. Por que só é realmente católico quem aceita “tudo o que crê e ensina a Santa Igreja Católica”?

Nada que Santo Tomás de Aquino não resolva [2]. Sim, é preciso aceitar tudo. E a razão é muito simples. Se o que Deus quis revelar à humanidade para a sua salvação está confiado de uma vez por todas à Igreja Católica, com segurança inabalável, garantida pelo próprio Senhor, alguém ainda duvida que devemos crer em “tudo o que ela crê e ensina”?

É evidente que não se trata de defender todo e qualquer ato ou declaração feito por um Apóstolo, por um bispo ou mesmo por um Papa. Pedro, por exemplo, “negou” Jesus três vezes. Quem ousaria dizer que essa sua atitude seria um modelo a se seguir ou, pior ainda, uma parte do Magistério infalível da Igreja?

Quando nos referimos às coisas que se devem crer, estamos falando daquilo que ficou definido, desde os tempos apostólicos, no Credo; das verdades de fé que foram solenemente proclamadas pelos Pontífices Romanos ao longo da história [3]; e das realidades que foram incontestavelmente definidas por Nosso Senhor nos próprios Evangelhos.

Porque, se Deus nos revelou tudo o que é necessário à nossa salvação e confiou este “depósito da fé” à Igreja, não nos é lícito pegar uma ou duas verdades e dizer: “Aceito todo o resto, mas com isto eu não posso concordar”.

Não, o nome disso é heresia. É o pecado de quem quer “escolher”, das verdades que foram reveladas por Deus, aquela que lhe desagrada ou que não lhe cai bem. Ou acreditamos tanto na virgindade perpétua da Virgem Maria quanto na indissolubilidade do Matrimônio ou, então, somos católicos à nossa própria medida, e não à medida de Cristo.

Referências

  1. Concílio Vaticano I, Constituição Dogmática “Dei Filius” (24 abr. 1870), c. 3: DH 3008.
  2. “É claro que quem adere à doutrina da Igreja como à regra infalível, dá seu assentimento a tudo o que a Igreja ensina. Ao contrário, se do que ela ensina, aceitasse como lhe apraz, umas coisas e não outras, já não aderiria à doutrina da Igreja como regra infalível, mas à própria vontade.” (S. Th. II-II, q. 5, a. 3, co.)
  3. “O Papa se pronuncia ex cathedra, ou infalivelmente, quando ele fala: (1) como Doutor Universal; (2) em nome e com a autoridade dos Apóstolos; (3) em um ponto de fé e moral; (4) com o propósito de obrigar cada membro da Igreja a aceitar e acreditar em sua decisão.” (Cardeal John Henry Newman, The True Notion of Papal Infallibility)

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São Maximiliano: um “cavaleiro da Imaculada” contra a Maçonaria
Santos & Mártires

São Maximiliano: um “cavaleiro
da Imaculada” contra a Maçonaria

São Maximiliano: um “cavaleiro da Imaculada” contra a Maçonaria

No filme polonês “Duas Coroas”, o diretor Michal Kondrat conta como uma marcha maçônica em plena Praça de São Pedro, em 1917, despertou o ardor missionário em São Maximiliano Kolbe, a ponto de fazê-lo dar a própria vida por amor a Cristo.

Equipe Christo Nihil Praeponere5 de Dezembro de 2019Tempo de leitura: 4 minutos
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Em agosto de 1941, um padre franciscano rezava o Rosário e atendia confissões numa das celas de Auschwitz, o terrível campo de concentração nazista, onde milhões de judeus foram vítimas da “solução final”, durante a II Grande Guerra. Ele e outros oito prisioneiros morreriam em poucos dias. Todavia, a morte desse sacerdote católico deixaria, para a história, um valente testemunho de santidade, como cumprimento de uma antiga promessa.

É com esse pano de fundo que o filme polonês “Duas Coroas”, dirigido por Michal Kondrat, narra a história de São Maximiliano Kolbe, o sacerdote católico que pediu a própria morte a um oficial nazista, no lugar de um judeu pai de família. O título da produção refere-se a uma visão do pequeno Maximiliano, quando ainda criança. Conforme a sua biografia, ele teria visto a Virgem Santíssima segurando uma coroa vermelha numa das mãos e uma coroa branca na outra; a vermelha representava o martírio e a branca, a pureza. A Mãe de Deus lhe pedia que escolhesse com qual daquelas joias ele gostaria de ser coroado. E Maximiliano respondeu-lhe: “Eu quero as duas”.

De fato, a vida de Maximiliano Kolbe foi duplamente coroada, com as palmas da pureza e do martírio. Com treze anos de idade, ele ingressou no Seminário dos Frades Menores Conventuais Franciscanos e ali aprenderia as lições fundamentais para o exercício de sua vocação: a castidade, a pobreza e a obediência. Esses três conselhos evangélicos forjariam a sua alma a ponto de formá-lo como um verdadeiro “cavaleiro de Deus”, disposto a empunhar todas as armas necessárias para debelar os erros do pecado e conquistar o prêmio do Céu. Nesse ínterim, a Virgem Maria seria o seu refúgio e inspiração.

“Duas Coroas” mostra o desenvolvimento dessa luta, trazendo informações importantíssimas para a compreensão de nosso personagem, como também uma mensagem clara sobre a sorte da Igreja e dos cristãos nos tempos atuais: quem não estiver ao lado de Maria Santíssima, muito bem enraizado no dogma da fé, na prática das virtudes e na frequência aos sacramentos, não resistirá às investidas da serpente e aos ataques vorazes de seus sequazes.

Só por isso vale a pena conferir o filme. Não se trata de simples entretenimento ou diversão pueril, com doses cavalares de pirotecnias e sensualismo pagão; embora não seja uma grande produção cinematográfica, “Duas Coroas” repete aquelas “palavras de vida eterna” que são a razão de ser de toda pessoa humana. E é isso o que verdadeiramente importa.

Maximiliano Kolbe pensava justamente assim e, conforme os vários depoimentos do filme, via que o uso da mídia deveria ser destinado, sobretudo, à pregação do Evangelho. Aliás, ele se propôs a criar um jornal para a formação dos católicos, logo depois de ter visto, com horror e escândalo, uma marcha maçônica na Praça de São Pedro, por ocasião do bicentenário da seita secreta, em 1917. Nessa manifestação, os maçons empunhavam cartazes com as inscrições: “Satanás deve reinar no Vaticano. O Papa será seu escravo”. E, como revelaria mais tarde o historiador Michael Hesemann, em arquivos secretos do Vaticano, a Maçonaria realmente tramava por aqueles anos a queda das últimas monarquias e o total aniquilamento da religião católica.

Para impedir tais planos diabólicos, São Maximiliano fundou a “Milícia da Imaculada”, abriu uma gráfica e mandou imprimir várias edições de um jornal dedicado a Nossa Senhora, que explicava a fé católica com clareza. O diretor Kondrat teve o cuidado de colocar esses dados no filme, mostrando como o santo precisou enfrentar a desconfiança e a incompreensão dos próprios correligionários, a fim de defender a causa de Cristo. Apesar disso, a Providência divina o acompanhou, levando seu apostolado até o Japão, em 1930, onde pôde exercer um fecundo trabalho apostólico na cidade de Nagasaki — cuja tragédia da bomba atômica ele havia previsto com alguns anos de antecedência.

Em 1939, porém, Maximiliano teve de retornar à Polônia, para cumprir uma nova missão. A esse respeito, o filme “Duas Coroas” propõe uma leitura sobrenatural: explica-se que os esforços apostólicos do “cavaleiro da Imaculada” não se dissiparam após o retorno do Japão, mas teriam o grande desfecho da configuração a Cristo. Depois de ter contemplado o sofrimento de Nosso Senhor em seus irmãos japoneses, ele mesmo viria a experimentar tal dor, para ratificar na própria carne o que ele publicava em seus jornais. Quando acabou preso em Auschwitz, o santo foi capaz de transmitir amor e esperança aos prisioneiros, transformando a sua cela num verdadeiro oratório.

Nesse sentido, vale lembrar as palavras com as quais São João Paulo II descreveu esse sacrifício: “Maximiliano não morreu, mas ‘deu a vida... pelo irmão’”. Em “Duas Coroas”, o espectador pode vislumbrar em que circunstâncias misteriosas e, sem dúvida, abençoadas aconteceu o coroamento do intrépido homem, que foi digno de receber a glória do martírio. Maximiliano venceu corajosamente as hostes infernais e, “de modo admirável, perdura na Igreja e no mundo o fruto desta morte heroica” [1]. O regime nazista findou como uma página negra da história, ao passo que o martírio de São Maximiliano “se tornou um sinal de vitória” [2].

Definitivamente, “Duas Coroas” é um documentário para ser visto por todos os católicos, sobretudo nestes últimos tempos. Embora estejamos a mais de um século de distância das terríveis tribulações que se abateram sobre a Europa e toda a Igreja Católica, no início do século XX, os seus protagonistas ainda estão entre nós, e com a mesma sanha anticristã de outrora. Por isso, o modelo virtuoso de São Maximiliano Kolbe deve nos levar para o fronte de guerra, com os estandartes da Cruz e do Rosário, em defesa da Igreja e de nosso Cristo Rei.

Referências

  1. São João Paulo, Homilia na missa de Canonização de Maximiliano Kolbe (10 de outubro de 1982). 
  2. Ibidem.

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Quem são os misóginos mesmo?
Sociedade

Quem são os misóginos mesmo?

Quem são os misóginos mesmo?

Eis uma verdade inconveniente e “politicamente incorreta”, mas que está inscrita na natureza mesma das coisas, e no Magistério recente dos Papas: as mulheres precisam dar prioridade a seus lares e a suas famílias.

Jerry SalyerTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere4 de Dezembro de 2019Tempo de leitura: 5 minutos
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Imagem: Howard R. Hollem/Getty Images.

“Trabalhos há”, escreve Leão XIII na Rerum Novarum, “que não se adaptam tanto à mulher, a qual a natureza destina de preferência aos arranjos domésticos, que, por outro lado, salvaguardam admiravelmente a honestidade do sexo, e correspondem melhor, pela sua natureza, ao que pede a boa educação dos filhos e a prosperidade da família”.

Num primeiro momento, é desconcertante como essas declarações não receberam muita atenção, visto que a encíclica Rerum Novarum, com frequência, tem sido ocasião de debates entre comunitaristas e integralistas católicos, por um lado, e os defensores católicos da economia de livre mercado, por outro. Suspeito que a razão disso seja uma relutância dos católicos em confrontar as sensibilidades modernas, principalmente as que estão arraigadas na consciência popular. Certamente eles raciocinam assim: nós já temos de explicar aos ouvintes antipáticos por que hesitamos em admitir “casamento” gay e banheiros transgêneros, então por que ir ainda mais longe questionando o entendimento moderno da igualdade entre homens e mulheres?

Esse raciocínio é totalmente equivocado. Ou Leão XIII deve ser levado a sério ou não; e se aceitarmos a visão politicamente correta do século XXI, que caracterizaria as observações do Papa sobre as mulheres não apenas como erradas, mas como indiscutivelmente estúpidas e intolerantes, então em maior ou menor medida nós lhe reservamos a segunda alternativa. Em outras palavras, ou Leão XIII não é um pensador robusto, ou a afirmação surpreendente de que “certas ocupações não são adequadas para as mulheres” não é tão monstruosa quanto sugere a sabedoria convencional.

Em todo caso, a distinção entre os sexos masculino e feminino dificilmente é um aspecto irrelevante, e Leão XIII adota, como um de seus princípios, uma antropologia que a maioria das figuras públicas contemporâneas negaria de forma resoluta. É realmente estranho que os católicos discutam sobre o significado de um ensinamento papal, ignorando o fato de que uma contrarrevolução extraordinária contra o feminismo seria necessária muito antes que tal ensinamento pudesse ser colocado em prática.

Leão XIII não está sozinho ao tratar das diferenças entre homem e mulher. Pio XI fez observações semelhantes sobre o assunto na Quadragesimo Anno:

As mães de família devem trabalhar em casa ou nas suas adjacências, dando-se aos cuidados domésticos. É um péssimo abuso, que deve a todo o custo cessar, o de as obrigar, por causa da mesquinhez do salário paterno, a ganharem a vida fora das paredes domésticas, descurando os cuidados e deveres próprios e sobretudo a educação dos filhos.

“Deve pois procurar-se com todas as veras”, conclui o pontífice, “que os pais de família recebam uma paga bastante a cobrir as despesas ordinárias da casa”.

Sejamos francos. Para nós, as instruções de Pio XI não parecem apenas politicamente incorretas, mas também ilegais. Ou seja, qualquer empregador que prestasse atenção à exortação para pagar mais aos “pais de família” imediatamente se encontraria na iminência de um processo judicial. E se os paladinos da justiça social da Ethika Politika ou seus inimigos que lutam pela liberdade no Instituto Acton alguma vez expressaram a devida indignação pelo fato de ser ilegal para um católico seguir o conselho de Pio XI, isso passou-me despercebido [1]. Ainda, cabe questionar se a afirmação de Pio XI sobre o patriarcado econômico é menos relevante nos ensinamentos católicos do que, digamos, o direito putativo dos migrantes de ocupar o país de outras pessoas. Quanto aos defensores do livre mercado, se eles não estão preocupados com a liberdade do empresário católico de administrar seus negócios de acordo com os ensinamentos papais, com que liberdade eles se preocupam?

Não faz sentido fingir admirar alguém quando insistimos em filtrar e omitir os seus ensinamentos a fim de se encaixarem nas nossas ideias preconcebidas. Para dar um exemplo que não esteja vinculado à autoridade papal, pode ser instrutivo considerar o economista Ernst Friedrich Schumacher. Embora atraído pela religião oriental quando compôs sua famosa obra Small is beautiful (traduzido para o português sob o título O negócio é ser pequeno), Schumacher atravessaria o rio Tibre pouco antes da publicação do livro, tornando-se um dos principais defensores católicos da economia em pequena escala e para a comunidade local. No entanto, se até mesmo os admiradores irrestritos de Schumacher costumam encobrir sua conversão religiosa, precisam ignorar muito mais sua afirmação de que “as mulheres, em geral, não precisam de um emprego ‘fora’”, e que “o emprego de mulheres, em larga escala, em escritórios ou fábricas seria considerado um sinal de grave fracasso econômico”, em qualquer sociedade equilibrada.

Essas palavras não são apartes irrelevantes em sua obra, pois Schumacher estava convencido de que apenas um tolo “deixaria mães de crianças pequenas trabalharem em fábricas enquanto as crianças são deixadas ao deus-dará”. Longe de fomentar o discurso sobre a justiça social e o bem-estar da próxima geração, tais observações — evidentes por si mesmas — hoje levariam alguém a ser demitido de imediato. Poucos “conservadores” católicos parecem ter muito problema com isso, e até mesmo alguns “tradicionalistas” encobrem o assunto, preferindo o caminho muito mais cômodo de se opor ao capitalismo. Evidentemente, todos deveríamos nos calar e engolir o “dogma” bizarro e irracional de que os filhos podem ser educados efetivamente tanto pelas funcionárias das creches quanto por uma mãe que fica em casa.

Apenas para que não haja mal-entendidos, se a tradição católica é “sexista” — no sentido de reconhecer que existe o sexo masculino e o feminino —, isso dificilmente pode ser considerado misógino. Afinal, veneramos uma Rainha e, mais do que ninguém, é o católico que celebra as virtudes inequivocamente femininas, mesmo sendo suficientemente flexível para prestar homenagem à habilidade militar de uma Joana d’Arc ou à sabedoria mística de uma Catarina de Siena.

Em outras palavras, as feministas se entregam a um “mundo de faz-de-conta” quando agem como se tivessem “descoberto” que algumas mulheres se destacaram em âmbitos tradicionalmente masculinos. Ao mesmo tempo, deve-se acrescentar que as exceções tendem a justificar a regra, pois as mulheres que alcançaram grandes conquistas raramente estiveram motivadas pelo carreirismo. Em vez disso, elas geralmente são impelidas por alguma devoção apaixonada que pouco ou nada tem a ver com a causa feminista. Joana d’Arc não estava empenhada em abrir um caminho revolucionário para as mulheres, mas apenas em libertar a França; Catarina de Siena não estava interessada no empoderamento feminino, mas em reparar os danos do Grande Cisma do Ocidente.

Quanto às mulheres que vivem no anonimato, precisamos reconhecer que, de fato, estamos em um mundo de cabeça para baixo, no qual as advogadas de corporações e as políticas egoístas são consideradas cidadãs mais valiosas do que aquelas mulheres que “apenas” educam os filhos e cuidam do lar. Assim, os verdadeiros misóginos são aqueles que se recusam a honrar a maternidade como uma vocação elevada de tempo integral, e os quais não aceitam que Deus fez o homem e a mulher como complementares, e não iguais.

Notas

  1. Nota de tradução: Aqui, o autor recorre ao antagonismo existente entre dois grupos de católicos — mais conhecidos no contexto norte-americano — para exemplificar que muitos embates são travados em torno de diversas questões da doutrina social da Igreja, exceto em relação ao trabalho externo das mulheres, tema que é frequentemente ignorado.

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O que ouviremos de Jesus se nos condenarmos?
Espiritualidade

O que ouviremos
de Jesus se nos condenarmos?

O que ouviremos de Jesus se nos condenarmos?

Porque escolheste antes estar para sempre sem mim no inferno, que comigo no céu; tua é, e não minha, a sentença que logo ouvirás com os outros mal-aventurados: “Ide, malditos, para o fogo eterno”.

Pe. António Vieira4 de Dezembro de 2019Tempo de leitura: 5 minutos
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Quid est quod debui ultra facere vineae meae, et non feci ei? “Que mais poderia eu ter feito pela minha vinha que não lhe tenha feito?” (Is 5, 4) Que coisa há, que eu devesse fazer-te, ó homem, ou devesse fazer por ti, que não tenha feito? De nada te era devedor, e como se o fora, de quanto tenho, de quanto posso, e de quanto sou, tudo empreguei e despendi contigo. Criei-te quando não eras, tirando-te dos abismos do não ser ao ser; dei-te um corpo formado com minhas mãos, o mais perfeito; dei-te uma alma tirada de minhas entranhas, e feita à imagem e semelhança; ornei, e habilitei um e outro, com as mais excelentes potências, e os mais nobres sentidos, para que fossem os instrumentos com que me servisses e amasses; e tu, ingrato, que fizeste? 

Dá conta dos cuidados, pensamentos e máquinas do teu entendimento; das lembranças e esquecimentos da tua memória; dos desejos e afeições da tua vontade. Dá conta de todos os passos de teus pés, de todas as obras de tuas mãos, de todas as vistas dos teus olhos, de todas as atenções dos teus ouvidos, de todas as palavras de tua língua, e de tudo mais que tu sabes, e não cabe em palavras. Depois de criado, que seria de ti, se eu com o mesmo poder e providência te não conservara? De repente perderias o ser e tornarias ao nada donde saíste. Para tua conservação, te dei não só o necessário, senão o superabundante, e tanta imensidade de criaturas no céu e na terra, todas sujeitas a ti, e ocupadas em teu serviço. 

Dei-te um anjo, que de dia e de noite, velando e dormindo, te assistisse e guardasse, como sempre assistiu e guardou. Agora te revelo os perigos secretos e ocultos, de que foste livre por seu meio; e tu lembra-te dos públicos e manifestos, que experimentaste e viste. Quantos pereceram em outros muito menores? Quantos mais moços que tu acabaram de mortes desastradas e repentinas, sem tempo, nem lugar de arrependimento e emenda, que eu sempre te concedi? Dá, pois, conta da vida, dá conta da saúde, dá conta dos anos, dá conta dos dias, dá conta das horas, sendo mui poucas, e contadas as que não empregaste em me ofender. 

Até agora te referi as dívidas exteriores do poder; agora me responderás às interiores e pessoais do amor, e do muito que fiz e padeci por ti. Por ti depois de te fazer à minha imagem e semelhança, me fiz à tua, fazendo-me homem; por ti nasci nos desamparos de um presépio; por ti fui desterrado ao Egito; por ti vivi trinta anos sujeito à obediência de um oficial, ajudando o trabalho de suas mãos com as minhas, e acompanhando o suor do seu rosto com o meu; por ti, e para ti, saí ao mundo a pregar o reino do céu; por ti nas peregrinações de toda a Judéia e Galiléia, sempre a pé, e muitas vezes descalço, padeci fomes, sedes, pobrezas, sem ter lugar de descanso, nem onde reclinar a cabeça, por ti recebi ingratidões por benefícios, ódios por amor, perseguições por boas obras; por ti suei sangue; por ti fui preso; por ti fui afrontado; por ti esbofeteado; por ti cuspido; por ti açoitado; por ti escarnecido; por ti coroado de espinhos; por ti, enfim, crucificado entre ladrões, aberto em quatro fontes de sangue, atormentado e afligido de angústias e agonias mortais, e ainda depois de morto, atravessado o coração com uma lança. 

De tudo isto pedi por ti perdão a Deus, e o pago que tu me deste foi não me perdoar tornando-me a crucificar tantas vezes, quantas gravemente pecaste, como te mandei declarar pelo meu apóstolo: Rursum crucifigentes Filium Dei, “crucificando novamente o Filho de Deus” (Hb 6, 6). Se as gotas de sangue que derramei por ti, tiveram conta, nem de uma só me pudera dar boa conta, ainda que padeceras por mim mil mortes; mas os milhares e os milhões foram das vezes que pisaste o mesmo sangue, sacrificando o infinito valor e merecimento dele, aos ídolos do teu apetite

Ainda em certo modo a maior dívida, a de que agora te pedirei conta é a da vocação. Reservei o saíres à luz deste mundo para o tempo da lei da graça; chamei-te à fé antes de me poderes ouvir, antecipou-se o meu amor ao teu uso da razão, e fiz-te meu amigo pelo batismo. Com o leite e doutrina da Igreja, te dei o verdadeiro conhecimento de mim, benefício que por meus justos juízos em quatro e cinco mil anos não concedi a tantos, e de que ainda nos teus dias careceram muitos. Não tiveste juízo, nem consideração, para ponderar e pasmar, de que tendo a minha justiça razões para condenar um gentio que me não conheceu, as tivesse minha misericórdia para perdoar a um cristão, que conhecendo-me, tanto me ofendia

Perdida a graça da primeira vocação, caíste, e tornei-te a chamar, e dar a mão, para que te levantasses; levantado tornaste a reincidir uma e tantas vezes, e eu, posto que tão repetidamente ofendido, e com tão continuadas experiências da pouca firmeza de teus propósitos, e falsidade de tuas promessas, não cessei de te oferecer de novo meus braços, e te receber sempre com eles abertos; até que infiel, rebelde, e obstinado, cerrando totalmente os ouvidos a minhas vozes, te deixaste jazer no profundo letargo da impenitência final. Dá agora conta de tantas inspirações interiores minhas, de tantos conselhos dos confessores e amigos, de tantas vozes e ameaças dos pregadores, que ou não querias ouvir, ou ouvias por curiosidade e cerimônia; e também ta pudera pedir, de eu mesmo te não chamar eficazmente na hora da morte, porque o desmereceste na vida.

Sete fontes de graça deixei na minha Igreja (que é o benefício da justificação) para que nelas se lavassem as almas de seus pecados, e com elas se regassem e crescessem nas virtudes. Em uma te facilitei em tal forma o remédio para todas as culpas, que só com as confessar te prometi o perdão, que tu não quiseste aceitar, fugindo da benignidade daquele sacramento como rigoroso, e amando mais as mesmas culpas, que estimando o perdão. Em outra te dei a comer minha carne e a beber meu sangue, e juntamente os tesouros infinitos de toda a minha divindade, em penhor da glória e bem-aventurança eterna, que foi o altíssimo fim para que te criei. 

Desprezaste o fim, não quiseste usar dos meios; e porque escolheste antes estar para sempre sem mim no inferno, que comigo no céu; tua é, e não minha, a sentença que logo ouvirás com os outros mal-aventurados: Ite maledicti in ignem aeternum, “Ide, malditos, para o fogo eterno”.

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Onde puseram o Menino Jesus?
Espiritualidade

Onde puseram o Menino Jesus?

Onde puseram o Menino Jesus?

Antes que comece o Natal, e as trocas de presentes em família, antes que todos comecem a fazer festa, permitam-nos apregoar em voz alta, permitam-nos colar cartazes com “procura-se”, permitam-nos denunciar: roubaram o Menino Jesus!

Equipe Christo Nihil Praeponere3 de Dezembro de 2019Tempo de leitura: 4 minutos
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Antes que comece o Natal, e as trocas de presentes em família, antes que todos comecem a fazer festa, permitam-nos apregoar em voz alta, permitam-nos colar cartazes com “procura-se”, permitam-nos denunciar que roubaram o Menino Jesus!

Gostaríamos muito que se tratasse apenas de uma anedota, como no tal Natal de Ângela, em que uma mocinha “rouba” de uma igreja a imagem do Divino Infante só porque achava, em sua inocência, que o menino estava com frio e precisava agasalhar-se. Mas não... Estamos diante de um roubo criminoso, sem arrependimento e intenção alguma de restituição. Roubaram o Menino Jesus e, poderíamos dizer com o Evangelho, “não sabemos onde o puseram” (Jo 20, 2).

Roubaram o Menino Jesus do ambiente público, no qual Ele sempre teve lugar de destaque, especialmente nesta época do ano. Os enfeites natalinos nas praças, comércios e repartições públicas incluem Papais Noéis, renas voadoras, árvores decoradas, mas o presépio cristão está cada vez mais difícil de encontrar. Em muitos lugares, especialmente na Europa, hoje tomada por muçulmanos, os termos natalinos cristãos são banidos em nome da tolerância e do respeito às outras religiões. O “Feliz Natal” de sempre há muito que se converteu em um vago e laico “Boas Festas” (ou Férias). O acontecimento histórico que deu origem à celebração foi reduzido a um artigo de fé meramente privada, de forma que, se uma pessoa quiser passar essa época do ano sem ouvir uma única vez o nome de Jesus (dependendo, é claro, dos ambientes que ela frequenta ou deixa de frequentar), o certo é que não terá muitas dificuldades em fazê-lo.

Roubaram o Menino Jesus do seio de nossas famílias trocando orações, novenas e idas à Missa por começões, bebedeiras e visitas ao shopping. O Natal se converteu quase que literalmente em uma “magia”: é preciso rir ainda que não se saiba por quê, é preciso festejar ainda que não se saiba o quê, é preciso seguir em frente ainda que não se saiba para onde. Pois foi roubado o Único que poderia dar real sentido à celebração, e verdadeira felicidade aos que celebram.

Roubaram o Menino Jesus de nossas casas, onde Ele deveria ocupar uma posição toda especial, ensinando às crianças que Deus, dois mil anos atrás, escolheu descer à baixeza e inocência delas. 

Mas que crianças, se também elas foram roubadas dos lares, antes mesmo de serem concebidas, trocadas pelas mais novas tecnologias do momento, pelo último lançamento de um carro e pelas viagens anuais à praia? Que crianças, se as famílias modernas decidiram não as ter e, se as tiveram, já cuidaram de sacrificá-las impiedosamente ao mundo, deixando que consumissem tudo o que ele lhes oferece, e que lhes fosse roubada desde cedo justamente a inocência que fazia delas crianças? Se todas as vezes que alguém recebesse uma criança, receberia o próprio Senhor, como Ele mesmo declarou (cf. Mt 18, 5), não é verdade que nossa aversão aos filhos é também uma aversão ao próprio Jesus? Que a recusa dos casais em serem fecundos impede que o próprio Menino Jesus nasça em suas casas?

Roubaram o Menino Jesus também de nossas igrejas, e isso nunca se poderá deplorar o suficiente. Primeiro, tiraram-no dos cibórios para o atirarem ao chão, porque não trataram com zelo o Santíssimo Sacramento. Depois, substituíram a celebração do Deus que se fez criança para nossa salvação por uma celebração grotesca do próprio “eu”. Nossas liturgias estão cada vez mais voltadas para o homem e menos centradas nEle. As pessoas sequer sabem direito o que estão fazendo na Missa, perdidas em meio aos teatros, às dancinhas e às músicas cada vez mais barulhentas dos “ministérios”, às criatividades cada vez mais absurdas dos celebrantes e às palmas cada vez mais efusivas do “auditório”. O padre fala com o povo, o povo fala com o padre, mas com Deus mesmo ninguém fala.

Roubaram o Menino Jesus, isso é triste; roubaram-no, mas ninguém se deu conta, e isso é pior ainda.

Repetimos acima a frase de Santa Maria Madalena, que não sabia onde haviam colocado o Senhor, mas agora não é o caso: nós sabemos onde o Menino Jesus está. A doutrina católica diz que, numa alma que crê e está em estado de graça, habita a Santíssima Trindade como um amigo. Pela fé, portanto, sabemos onde se esconde o Deus menino: Ele se encontra em toda alma que procura amá-lo e cumprir com os seus mandamentos. 

Talvez seja ao redor dessas almas que devamos celebrar o nosso Natal, ao redor de amigos que buscam a Deus. Mas se, infelizmente, as circunstâncias fazem com que nossas famílias, com quem passaremos esses dias, ainda estejam distantes de Cristo, que nossas conversas e nosso modo de viver possam despertar em seus corações a ânsia de procurar pelo Menino que há tanto tempo foi roubado de seus corações… sem que eles sequer lhe tenham notado a ausência.

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