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Precisamos acreditar em “tudo o que crê e ensina a Santa Igreja Católica”?
Doutrina

Precisamos acreditar em “tudo o que
crê e ensina a Santa Igreja Católica”?

Precisamos acreditar em “tudo o que crê e ensina a Santa Igreja Católica”?

A pergunta pode parecer uma obviedade para os mais próximos e banal para os mais arredios, mas é a linha que divide os verdadeiros dos falsos católicos.

Equipe Christo Nihil Praeponere22 de Fevereiro de 2018
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Antigamente, quando as crianças recebiam as primeiras instruções na fé católica, elas aprendiam a rezar uma fórmula denominada “ato de fé”. As versões da oração variam um pouco, mas uma delas, indulgenciada pela Igreja e facilmente encontrada na internet, diz o seguinte:

Eu creio firmemente que há um só Deus, em três pessoas realmente distintas, Pai, Filho e Espírito Santo. Creio que o Filho de Deus se fez homem, padeceu e morreu na cruz para nos salvar e ao terceiro dia ressuscitou. Creio em tudo o mais que crê e ensina a Santa Igreja Católica, porque Deus, Verdade infalível, o revelou. Nesta crença quero viver e morrer.

Trata-se de uma oração simples e em plena conformidade com o que professamos no “Creio”, mas, tragicamente, muitos de nossos católicos não seriam mais capazes de fazê-la, pelo menos não de coração sincero e acreditando realmente em tudo o que ela diz.

Afinal de contas, muitos de nós aprendemos no colégio que uma coisa é Jesus Cristo, que veio ao mundo e, como adoram dizer, “não fundou religião nenhuma”; e outra coisa é a Igreja Católica, que apareceu muito tempo depois e que está “cheia de erros”, “de pecados” e de não se sabe mais o quê.

Para boa parcela de nossos católicos hoje, crer em “tudo o mais que crê e ensina a Santa Igreja Católica”, assim, sem mais nem menos, sem saber detalhadamente do que se está falando, soará como “fé cega”, obscurantismo medieval ou até coisa pior.

Mas não tem nada a ver com isso. O problema da “pulga atrás da orelha” de muitos católicos deve-se a um fator chamado ignorância. Infelizmente, nossas catequeses não têm sido muito eficazes em ensinar, tanto a crianças e jovens quanto a adultos, o que seja realmente a realidade da fé.

Por isso, vamos explicar, primeiro, com um exemplo do nosso mundo. Suponhamos que você não tenha ido jamais à Dinamarca. Um grande amigo seu já foi e dá testemunho: ela existe. O seu atlas geográfico, produzido por gente bem mais entendida que seu amigo, também retrata a Dinamarca no mapa da Europa: ela existe. Há por que duvidar? Certamente não. Ainda que nunca tenha posto os pés em território dinamarquês, você é capaz de admitir sem muita dificuldade: “Sim, eu creio, a Dinamarca existe”.

Com a fé católica acontece algo semelhante. Quando dizemos todos os domingos na Missa: “Creio”, o que estamos dizendo é que acreditamos nas verdades reveladas por uma pessoa muito mais confiável que seu melhor amigo e muito mais sábia que o mais competente cientista: Deus.

A comparação com a Dinamarca, como se pode ver, tem seus limites. A fé que prestamos a Deus é de natureza totalmente diferente da que temos na Dinamarca:

  1. Primeiro, porque, como visto, quem nos revela a existência da Dinamarca são seres humanos, falíveis e capazes de enganar (imagine, por exemplo, que todos os geógrafos estivessem “conspirando” em relação à Dinamarca); na fé católica, porém, quem nos revela as coisas é a própria Verdade, Deus, “o qual não pode enganar-se nem enganar” a ninguém [1].
  2. Segundo, porque a Dinamarca é uma realidade humana; as verdades que dizem respeito a Deus, no entanto, todas superam a própria natureza criada, são sobrenaturais.
  3. Como consequência desta segunda diferença, temos de admitir a dificuldade que existe, de nossa parte, em crer nas verdades sobrenaturais, que transcendem a nossa capacidade racional. Por essa razão, mais do que um simples esforço humano, todo ato de fé que o homem realiza só pode acontecer por ação da graça divina. Todo católico que diz com sinceridade: “Creio”, é tocado invisivelmente pela mão de Deus, que ajuda a sua inteligência e fortalece a sua vontade a dar um “sim” a tudo o que crê e ensina a Santa Igreja Católica.

Mas a expressão “tudo o que crê e ensina a Santa Igreja Católica” ainda permanece difícil e insiste em incomodar. É necessário aceitar tudo mesmo, sem restrições? E a Igreja mesma, como entra nessa “equação” da fé?

“Cristo entregando as chaves do Céu a São Pedro”, por Pedro Paulo Rubens.

Para responder a essa questão, é preciso recordar o modo escolhido por Deus para nos revelar as suas verdades. O princípio da Carta aos Hebreus diz que, “muitas vezes e de muitos modos, Deus falou outrora a nossos pais, pelos profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por meio do Filho” (1, 1-2). Depois de todas as revelações que vemos contidas no Antigo Testamento, então, Deus “selou” seu contato com a humanidade, por assim dizer, enviando-nos seu Filho, Jesus Cristo.

Ora, já que com isso Ele quis salvar todos os homens, e não só os de dois mil anos atrás, era necessário que fosse instituído um meio, visível e do qual as pessoas pudessem facilmente se servir, para sua mensagem permanecer preservada ao longo das gerações. Esse instrumento, como ficará claro a quem estudar as Escrituras e investigar a transmissão dos ensinamentos dos primeiros cristãos, é nada mais nada menos do que a Igreja.

A Igreja:

  • presente na pessoa dos Apóstolos, a quem foi dito: “Tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu” (Mt 18, 18), e ainda: “Quem vos ouve, a mim ouve; quem vos rejeita, a mim rejeita, e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou” (Lc 10, 16); e
  • presente especialmente na pessoa do Papa, o único a quem foi dito: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado no céu” (Mt 16, 18-19), e ainda: “Confirma teus irmãos” (Lc 22, 32), e enfim: “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21, 16).

Ao instituir a Igreja, Nosso Senhor quis dar aos homens a segurança de que aquilo que Ele tinha ensinado a seus discípulos seria propagado fielmente. Para isso, Ele mesmo cuidou de dar aos Apóstolos a assistência do Espírito Santo (cf. Jo 16, 7-15) e de garantir-lhes sua presença até a consumação dos séculos (cf. Mt 28, 20).

De fato, até o presente, o único grupo de cristãos que crê nas mesmas coisas e rejeita as mesmas coisas, como acontecia na Igreja primitiva, é a Igreja Católica. O protestantismo, desde que nasceu, dividiu-se em um sem-número de filiais sem uniformidade alguma de fé nem de culto.

São Pedro, Príncipe dos Apóstolos, rogai por nós!

O problema da Igreja, como se vê, não é muito difícil de confrontar. Quem quer que se dedique a um estudo sério e desapaixonado de sua história e de sua doutrina, verá que não é possível haver verdadeiro cristianismo fora da religião católica. Nas breves palavras de um filósofo citado certa feita pelo Pe. Leonel Franca: “Se o Messias já veio, devemos ser católicos; se não veio, judeus; em nenhuma hipótese, protestantes”.

Vejamos agora, então, o porquê do “tudo”. Por que só é realmente católico quem aceita “tudo o que crê e ensina a Santa Igreja Católica”?

Nada que Santo Tomás de Aquino não resolva [2]. Sim, é preciso aceitar tudo. E a razão é muito simples. Se o que Deus quis revelar à humanidade para a sua salvação está confiado de uma vez por todas à Igreja Católica, com segurança inabalável, garantida pelo próprio Senhor, alguém ainda duvida que devemos crer em “tudo o que ela crê e ensina”?

É evidente que não se trata de defender todo e qualquer ato ou declaração feito por um Apóstolo, por um bispo ou mesmo por um Papa. Pedro, por exemplo, “negou” Jesus três vezes. Quem ousaria dizer que essa sua atitude seria um modelo a se seguir ou, pior ainda, uma parte do Magistério infalível da Igreja?

Quando nos referimos às coisas que se devem crer, estamos falando daquilo que ficou definido, desde os tempos apostólicos, no Credo; das verdades de fé que foram solenemente proclamadas pelos Pontífices Romanos ao longo da história [3]; e das realidades que foram incontestavelmente definidas por Nosso Senhor nos próprios Evangelhos.

Porque, se Deus nos revelou tudo o que é necessário à nossa salvação e confiou este “depósito da fé” à Igreja, não nos é lícito pegar uma ou duas verdades e dizer: “Aceito todo o resto, mas com isto eu não posso concordar”.

Não, o nome disso é heresia. É o pecado de quem quer “escolher”, das verdades que foram reveladas por Deus, aquela que lhe desagrada ou que não lhe cai bem. Ou acreditamos tanto na virgindade perpétua da Virgem Maria quanto na indissolubilidade do Matrimônio ou, então, somos católicos à nossa própria medida, e não à medida de Cristo.

Referências

  1. Concílio Vaticano I, Constituição Dogmática “Dei Filius” (24 abr. 1870), c. 3: DH 3008.
  2. “É claro que quem adere à doutrina da Igreja como à regra infalível, dá seu assentimento a tudo o que a Igreja ensina. Ao contrário, se do que ela ensina, aceitasse como lhe apraz, umas coisas e não outras, já não aderiria à doutrina da Igreja como regra infalível, mas à própria vontade.” (S. Th. II-II, q. 5, a. 3, co.)
  3. “O Papa se pronuncia ex cathedra, ou infalivelmente, quando ele fala: (1) como Doutor Universal; (2) em nome e com a autoridade dos Apóstolos; (3) em um ponto de fé e moral; (4) com o propósito de obrigar cada membro da Igreja a aceitar e acreditar em sua decisão.” (Cardeal John Henry Newman, The True Notion of Papal Infallibility)

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Quem não se recolhe, não escuta o Espírito Santo
Espiritualidade

Quem não se recolhe,
não escuta o Espírito Santo

Quem não se recolhe, não escuta o Espírito Santo

“Se deixássemos de lado todas as coisas da terra e nos recolhêssemos em silêncio e paz em nosso próprio interior, ouviríamos sem dúvida” a doce voz do Espírito Santo “e as insinuações do seu amor”.

Equipe Christo Nihil Praeponere14 de Junho de 2019
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“O homem espiritual não se move principalmente a realizar alguma coisa pelo movimento de sua própria vontade, senão pelo instinto do Espírito Santo.”

(Pe. Antonio Royo Marín)

Depois de termos falado da “vida na carne” em seu sentido mais literal, por assim dizer, ou seja, de quem vive na lama do pecado mortal e vai se arrastando miseravelmente, dia após dia, até a condenação eterna, é chegado o momento de falarmos sobre a “vida na carne” que levam inclusive os que se encontram em estado de graça. A ideia aqui é darmos um passo a mais, deixando de lado o fosso e olhando para as pessoas que já entraram no “castelo interior” de suas almas.

Sim, porque ainda que o pecado grave continue sendo “uma tragédia possível para todos”, “para as almas fervorosas ou desejosas de sê-lo, o problema constante não é a luta contra o pecado, mas o esforço positivo pela perfeição” [1].

Ou seja, os cristãos precisamos tomar consciência de que não basta observar os Mandamentos: o jovem rico, depois de dizer ao Senhor que não matava, não cometia adultério, não furtava, não mentia etc., teve ainda de ouvir do Mestre: “Uma coisa te falta” (Mc 10, 21). Jesus fixou nele o olhar e amou a sua vida, mas não é suficiente deixar, ainda que sob o impulso do Espírito Santo, de fazer as coisas erradas; é preciso invocar o auxílio do mesmo Espírito também para fazer as coisas certas, e fazê-las bem.

Afastemos aqui, desde já, um grande erro: o de acharmos que a intervenção divina na história cessou com a vinda de Cristo, ou que se limita à vida de alguns poucos escolhidos, a uma “casta” separada para chegar à sétima morada, e pronto. A muitos parecerá “presunção”, de fato, esse clamor pelo Espírito, para que nos oriente e ilumine os caminhos que devemos seguir, mas o pe. Antonio Royo Marín garante que, considerando que a terceira Pessoa da Santíssima Trindade habita na alma do justo,

se deixássemos de lado todas as coisas da terra e nos recolhêssemos em silêncio e paz em nosso próprio interior, ouviríamos sem dúvida sua doce voz e as insinuações do seu amor. Não se trata de uma graça extraordinária, mas totalmente normal e ordinária em uma vida cristã seriamente vivida [2].

Essa doutrina é confirmada por ninguém menos que Santo Tomás de Aquino, o qual explica que os filhos de Deus, que se deixam mover pelo Espírito Santo, “são regidos como por certo condutor e diretor, que é o que faz em nós o Espírito, enquanto nos ilumina interiormente sobre o que devemos fazer [illuminat nos interius quid facere debeamus]” [3].

Ainda que seja um exemplo tomado das alturas, olhemos para como São José, pensando em abandonar em segredo a Santíssima Virgem, foi visitado pelo Anjo e decidiu desposá-la. Sua primeira ideia não era pecaminosa; era a postura correta e que se esperava de um “homem justo”. A santidade, no entanto, pede que sejamos não apenas justos, no sentido mais comezinho da palavra, mas que ajamos sobrenaturalmente. Foi o que fez São José, preterindo sua primeira resolução e dispondo-se a seguir o conselho do Anjo. Não o tivesse feito, em que apuros não teriam ficado Maria e seu divino Filho? E a obra de nossa salvação, que riscos não teria corrido?

Também a nós é pedido que sigamos, no caminho da perfeição, algo mais do que a justiça simplesmente humana, sob pena de levarmos uma vida “na carne”, e não no Espírito: “A maior parte das pessoas religiosas, mesmo as boas e virtuosas, não seguem em sua conduta particular e na dos outros senão a razão e o bom senso, no qual muitos deles se sobressaem. Essa regra é boa, mas não é suficiente para a perfeição cristã” [4].

É por isso que, só para citar o exemplo de algo que faziam todos os santos, o Beato Carlos da Áustria, “antes de qualquer escolha importante, [...] retirava-se para a capela, sozinho, para poder ponderar a sua decisão diante do Santíssimo e ‘rezar a seu respeito’, como costumava dizer” [5]. Era um homem que tinha fé menos em cálculos humanos que no Espírito, o qual não só “nos ilumina interiormente sobre o que devemos fazer”, como dá todas as forças necessárias para que ponhamos mãos à obra.

A essas iluminações e forças que a terceira Pessoa da Trindade transmite a nossas almas a teologia mística dá o nome de graças atuais, e é da fidelidade a elas que depende o grande negócio da nossa salvação eterna. O Santo Cura d’Ars dizia que, “se se perguntasse aos condenados: por que estais no inferno?, eles responderiam: por ter resistido ao Espírito Santo; e se se perguntasse aos santos: por que estais no céu?, estes responderiam: por haver escutado o Espírito Santo” [6].

Mas — batamos uma vez mais nessa tecla, porque há muitos falando do Espírito, mas poucos vivendo nEle — quem poderá escutar a voz de Deus sem oração, sem “retiro” e sem recolhimento? Quem poderá sentir-lhe as inspirações estando no barulho de uma rave? Como poderá ser guiado pelo Espírito Santo quem o que faz é deixar-se conduzir, a todo momento, pelas solicitações do mundo? Como ouvirá a voz do doce Hóspede da alma quem o que faz é atender aos impulsos da própria carne? Como perceberá o toque suave da graça quem não é capaz de desligar, por alguns minutos que seja, as notificações do seu smartphone, as séries da sua Netflix ou as músicas de seu serviço de streaming?

Se deixássemos de lado todas as coisas da terra” — atentemo-nos de novo ao que diz o Pe. Royo Marín — “e nos recolhêssemos em silêncio e paz em nosso próprio interior, ouviríamos sem dúvida” a voz de Deus “e as insinuações do seu amor”. Se não o ouvimos, portanto, nostra culpa, nostra maxima culpa: falta-nos “uma vida cristã seriamente vivida”; falta-nos deixarmos de lado as coisas da terra. Exemplo sumamente perfeito desse recolhimento tão necessário foi o de Jesus Cristo, o Verbo de Deus encarnado: antes de seu ministério público,

quarenta dias de deserto precedidos de trinta anos de silêncio. A este preço se salva o mundo. Recolher-se, e somente depois de recolher-se, dar-se. A “solidão” é quem nos julga. Não sejamos jamais “o vagabundo que nunca está em casa”. E recordemos sempre que “mede-se o valor de uma pessoa pela capacidade de isolamento que nela existe” [7].

Convençamo-nos de uma vez que não há outra forma de nos tornarmos cristãos de verdade senão silenciando e rezando; senão se recolhendo e, depois, entregando-se; senão correspondendo, em tudo o que fizermos — e não apenas em uma área específica da nossa vida, e não apenas indo à Missa aos domingos, e não apenas realizando este ou aquele ato de piedade —, às graças atuais com que Deus quer nos fazer santos, e grandes santos.

Se nos parece demasiado alta a meta, não nos deixemos desanimar! Exorcizemos de nossos corações a tristeza com que o jovem rico deixou a famosa cena evangélica; inflamemo-los diante do nobre ideal que Deus nos coloca diante dos olhos; combatamos com todas as forças esse espírito de tibieza, essa pusilanimidade, esse “ânimo pequeno” e falta de “ambição” espiritual, que pouco a pouco vai debilitando e paralisando, até a inércia — isso quando não faz voltar à vida velha nos pecados mortais... pois é certo que, na vida espiritual, quem não avança inevitavelmente recua.

Referências

  1. Pe. Raul Plus, La fidelidad a la gracia, trad. esp. de A. de Miguel Miguel, [s.l.: s.n.], 1951, p. 59.
  2. Pe. Antonio Royo Marín, Teología de la perfección cristiana (n. 638), 14.ª ed., Madri: BAC, 2015, p. 781.
  3. Santo Tomás de Aquino, Super Epistulam ad Romanos, c. VIII, l. 3.
  4. Pe. Antonio Royo Marín, op. cit. (n. 637), p. 780.
  5. Giovanna Brizi, A vida religiosa do Beato Carlos da Áustria, 2.ª ed., Rio de Janeiro, Edições Lumen Christi, 2014, p. 41.
  6. Apud Pe. Raul Plus, op. cit., p. 6.
  7. Id., p. 36.

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São José, o maior de todos os santos
Santos & Mártires

São José, o maior de todos os santos

São José, o maior de todos os santos

“Constituído chefe da Sagrada Família, posto imediatamente a serviço do Deus-Homem”, São José “transcende em dignidade todos os outros santos”, pois “foi estabelecido em uma ordem superior a todas as outras na Igreja”.

Edward Healy ThompsonTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere12 de Junho de 2019
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Tudo o que Deus ordena está disposto em maravilhosa e perfeita ordem. Por isso, a Igreja que Jesus veio fundar na terra imita a Sião celestial. Como no céu existem hierarquias angélicas, e nessas hierarquias há ordens diferentes, assim também na terra existe uma hierarquia de graça, e nessa hierarquia estão incluídas várias ordens ou ministérios que, de acordo com o Doutor Angélico, Santo Tomás de Aquino, destacam-se em proporção à sua proximidade a Deus (cf. STh I, q. 107, a. 6).

A mais alta de todas essas ordens, sejam elas angélicas ou humanas, é a ordem da união hipostática, à qual pertence Jesus Cristo, Deus e homem. Por união hipostática entende-se que o Filho eterno de Deus, em sua Encarnação, assumiu a natureza humana e uniu-se a ela em unidade de pessoa. Em outras palavras, a única Pessoa divina de Jesus Cristo subsiste  em duas naturezas, divina e humana, distintas em si mesmas, mas agora inseparáveis e para sempre unidas.

Se é maravilhosa a ordem que se vê em todas as obras da natureza, é sumamente perfeita a que existe em todas as obras da graça, especialmente por sua relação com a Encarnação do Verbo. Entre essas ordens da graça, algumas precedem no tempo o mistério da Encarnação, enquanto outras o seguem.

  • Entre as que o precedem, a mais remota é a dos Patriarcas, escolhidos como progenitores de Jesus, até São Joaquim e Sant’Ana. A alguns deles, como Abraão e Davi, foi expressamente revelado que de seu sangue e família o Salvador dos homens havia de vir ao mundo.
  • A ordem seguinte é a levítica e sacerdotal, que foi predestinada por Deus como prefiguração, em todos os seus ritos, do sacerdócio de Jesus, de sua Igreja e sacramentos, do sangrento Sacrifício da cruz e do sublime Sacrifício do Altar.
  • A terceira é a dos profetas, destinados a predizer e anunciar ao mundo, tantos séculos antes da vinda de Jesus, seu nascimento de uma Virgem, seu país, o lugar de sua Natividade, sua fuga para o Egito, seus Apóstolos, sua pregação e milagres, sua Paixão, Morte e Ressurreição e sua Ascensão gloriosa ao céu. O maior de todos esses profetas foi João Batista (cf. Lc 7, 28), predestinado a ser o Precursor imediato de Cristo, a fim de apontar que Ele estava realmente presente na terra; donde o próprio Jesus ter afirmado que entre os nascidos de mulher não havia nenhum profeta maior do que João Batista.

São essas as ordens que sob a Antiga Lei precederam Nosso Senhor.

Outras ordens o sucederam, e estas são as várias ordens ou ministérios que, na Santa Igreja, formam a hierarquia eclesiástica, começando pelos Apóstolos.

São José, Patrono da Igreja, em um altar lateral da Basílica do Sagrado Coração, em Roma.

Os Apóstolos deviam dar à terra inteira e todas as idades o seu solene testemunho da divindade de Jesus Cristo. Eles deviam anunciar toda a sua doutrina, sua Lei, seus sacramentos; deviam difundir a sua Igreja por todo o mundo, para que todos possam alcançar a salvação eterna. E como a ordem apostólica era a mais próxima do que qualquer outra a Jesus, por isso mesmo, diz o Angélico Doutor, os Apóstolos receberam mais graça do que qualquer santo nas demais ordens da Igreja (cf. In Epistolam ad Ephes. I, 8). Das ordens inferiores não precisamos falar aqui.

Acima de todas estas se ergue supremamente a ordem da união hipostática. Todas as outras ordens, incluindo as angélicas, estão subordinadas e sujeitas a ela. Por esse motivo, Jesus é o princípio, o autor e a cabeça desta ordem, e de Jesus, como príncipe soberano, depende toda hierarquia, todo principado sagrado no céu e na terra, visto que Ele, como diz o Apóstolo, é o fim de toda a Lei (cf. Rm 10, 4). Jesus é a pedra angular sobre a qual repousa todo o edifício sagrado da Igreja (cf. Ef 2, 20). Jesus, de acordo com o profeta Isaías (11, 10.12), é o estandarte para o povo, é o desejo de todas as nações, é o centro da esperança universal. É Ele a única e verdadeira fonte de salvação para todos os homens.

Pela fé naquele que viria, foram salvos todos os que viveram desde Adão até a Natividade de Cristo; e todos os que viveram e viverão em justiça, desde a sua vinda, foram e serão salvos por Ele. Somente nele, a partir dele, e somente através dele, está a verdade, a salvação e a vida, de modo que, assim como os planetas no firmamento giram ao redor do Sol, recebendo dele luz, calor e poder, assim também ao redor de Jesus, Sol eterno de justiça, todas as várias ordens da graça circulam, dele mesmo recebendo a sua luz, a sua virtude e o seu poder, para cumprir fielmente os santos ofícios para os quais foram ordenados. E tanto o mais como o menos agraciado dele recebem graça, segundo a medida em que estão mais ou menos próximos de Jesus, Autor da graça, segundo seus ministérios próprios, assim como o que está mais perto do fogo participa mais amplamente do seu calor. É evidente, portanto, que a ordem da união hipostática transcende e ultrapassa as outras ordens subordinadas, da mesma forma como o Sol transcende as estrelas inferiores.

Pois bem, São José, por divina predestinação, foi colocado nesta ordem soberana. Apenas três tiveram essa honra, e foram justamente Jesus, Maria e José. Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem; Maria é verdadeira Mãe de Deus e Mãe dos homens; José, por sua vez, é o verdadeiro esposo de Maria e pai adotivo e virginal de Nosso Senhor. Jesus é o centro da Encarnação e o Redentor do mundo; Maria é a imediata cooperadora e aquela em cujo seio se deu a Encarnação; José, enfim, é o fiel depositário dessas duas dádivas preciosas, a fim de garantir que este sublime mistério da Encarnação e da Redenção fosse realizado da melhor forma possível, preservando intacta a honra da Mãe e do Filho.

Que São José deveria estar compreendido nesta ordem suprema não é uma mera opinião devota ou fruto de piedosa meditação. É, antes, uma conclusão segura da mais sensata teologia. Suárez, o eminente teólogo, depois de ter falado da ordem dos Apóstolos, à qual disse terem sido concedidas as maiores graças, prossegue afirmando:

Há outros ministérios relativos à ordem da união hipostática, que em sua espécie é a mais perfeita, como afirmamos a respeito da dignidade da Mãe de Deus, e nesta ordem está constituído o ministério de São José; e, embora esteja no grau mais baixo dela, no entanto, supera todas as outras, porque subsiste em uma ordem em si mesma superior.

Assim falou Suárez, mais de quatrocentos anos atrás, quando a opinião dos fiéis a respeito de São José e da devoção a ele devida não tinha ainda sido tão aberta e geralmente proclamada.

Mas os Doutores que se lhe seguiram falaram com ainda maior clareza. Giovanni di Cartagena, contemporâneo de Belarmino e Barônio, muito querido do Papa São Pio V por sua piedade e ciência, das numerosas homilias que redigiu, treze quis dedicar aos louvores de São José. Após falar da ordem apostólica, ele passa a tratar da ordem da união hipostática e diz que, em sua espécie, é ela a mais perfeita que as anteriores, e que nessa ordem o primeiro lugar é ocupado pela humanidade de Cristo, que está substancialmente unida à Pessoa do Verbo; o segundo lugar é ocupado pela Santíssima Virgem, que concebeu e trouxe em seu ventre a Palavra encarnada; o terceiro lugar, enfim, é ocupado por São José, a quem foi confiado por Deus o cuidado especial, nunca dado a ninguém mais, de alimentar, educar e proteger o Deus feito homem. Depois de Cartagena vem Giuseppe Antonio Patrignani, muito elogiado por Bento XIV, que, três séculos atrás, assim escreveu de São José: “Ele, constituído chefe da Sagrada Família, posto imediatamente a serviço do Deus-Homem, transcende em dignidade todos os outros santos. Ele, por conseguinte, foi estabelecido em uma ordem que é superior a todas as outras ordens na Igreja” (Il Divoto di S. Giuseppe, Novena, Gior. VI).

Poderíamos aduzir outros Doutores de elevada autoridade, mas continuaremos a considerar algumas das consequências legítimas que fluem dessa doutrina:

1. É uma grande honra para São José ser compreendido na mesma ordem em que está Jesus, o próprio Filho de Deus, o Rei dos reis, e Maria, Mãe de Deus e Rainha do universo, para se unir a eles nas mais íntimas relações e desfrutar da sua maior confiança.

Os nobres da terra consideram-se altamente honrados por poderem desfrutar de íntima relação com monarcas conhecidos, ocupando os lugares mais importantes em seus tribunais e sendo os mais confiáveis em seus conselhos. O que diremos, então, do glorioso São José, que, colocado na ordem da união hipostática, foi destinado por Deus não apenas para ser o primeiro em sua corte e o mais próximo em sua confiança, mas ainda para ser honrado como pai do Rei dos reis, e para ser não só o amigo confidencial, mas o cônjuge exaltado da Imperatriz do universo? Ao lado da maternidade divina, nenhuma honra no mundo é comparável a isso.

2. Ser compreendido na ordem da união hipostática implica ser, depois de Jesus e Maria, superior a todos os outros santos, tanto do Antigo como do Novo Testamento. E a razão disto é clara: como esta ordem é superior a todas as outras ordens na Igreja, segue-se que quem quer que tenha nela um lugar, ainda que seja em seu mais baixo grau, como José, é anterior a todos os que estão no grau mais elevado das ordens inferiores, como a dos Apóstolos, que é a mais eminente entre elas.

3. Daí se segue que São José é superior, não em natureza, mas em dignidade, aos próprios anjos, já que as ordens angélicas estão subordinadas à ordem da união hipostática, por estarem sujeitas a Jesus, seu Rei e Cabeça, e a Maria Santíssima, sua Rainha. Logo, como declara o Apóstolo, quando o Pai eterno enviou seu Filho divino à terra, Ele ordenou que todos os anjos o adorassem (cf. Hb 1, 6). E por causa de Jesus, os anjos se tornaram sujeitos também a Maria e a São José. Não é acaso assim que os vemos na Escritura, a servi-lo, avisá-lo, consolá-lo de bom grado: uma vez, para assegurá-lo de que sua esposa concebera o Filho de Deus; outra, para o fazer conhecer a trama de Herodes; depois, para que ele pusesse a Virgem e seu divino Filho em segurança, fugindo para o Egito; e, enfim, para lhe anunciar que era já seguro retornar à terra de Israel (cf. Mt 1, 20-21; 2, 13.19-20)?

4. Podemos concluir ainda que José foi compreendido nesta ordem porque era, verdadeiramente, o chefe e guardião da Sagrada Família. Maria e José, exaltados segundo a sua dignidade, eram no entanto apenas criaturas; mas Jesus quis dar exemplo da mais perfeita humildade. Foi vontade sua engrandecer o nosso santo e conceder-lhe esta alta glória, fazendo dele cabeça e guardião de sua Família, de modo que José tivesse verdadeiro domínio e autoridade sobre o próprio Filho de Deus e sobre a Mãe do Filho encarnado. São José, estando assim destinado a ser defensor e guardião de Jesus, cabeça e defensor de Maria, tornou-se ao mesmo tempo Patrono e guardião de toda a Santa Igreja, que é a esposa de Cristo e, de certo modo, filha de Maria Santíssima. Daí que o Papa Pio IX, de feliz memória, ao proclamar São José Patrono da Igreja, não só lhe conferiu um novo título de honra como, ademais, confirmou e declarou esta sua prerrogativa, que não tinha antes sido tão expressamente promulgada pela Igreja.

5. Segue-se, além disso, que José foi posto nessa ordem e Família em função da mais elevada missão que é possível conceber, na medida em que ele foi constituído representante do Pai divino, a quem cabe o direito de chamar a Jesus seu Filho natural, por gerá-lo desde toda a eternidade. E esse mesmo Deus, que pela boca do profeta Isaías (42, 8) protestou que nunca daria sua glória a outrem; esse Deus, que ao comunicar ao Verbo e ao Espírito Santo sua única e indivisa essência divina, não lhes transmite contudo sua divina paternidade, foi, não obstante, tão generoso para com São José, que lhe quis conceder sua glória e comunicar-lhe seu nome e paternidade: não em sentido próprio, pois isso seria impossível, mas de modo que ele pudesse estar em seu lugar e ser chamado pai do Verbo Divino, e que o próprio Verbo o pudesse chamar com este dulcíssimo nome, para que, assim, a São José se pudesse apropriar felizmente aquela passagem na Sagrada Escritura: “Eu serei para ele um pai e ele será para mim um filho” (Hb 1, 5).

Aqui vemos, pois, manifestar-se o grande amor que as três Pessoas da Santíssima Trindade têm para com São José e a confiança que nele depositam, porquanto o Pai eterno incumbiu-o totalmente do cuidado de seu Filho bem-amado; o Filho divino, por seu turno, entregou-se-lhe inteiramente, tanto aos seu cuidados como à sua vontade; e o Espírito Santo, por fim, encomendou-lhe sua esposa imaculada. Tudo isto para que a Sagrada Família, da qual José foi constituído chefe, fosse como que outra trindade na terra,  imagem resplandecente da Santíssima Trindade no céu: José, representante do Pai eterno; Jesus representando e sendo em verdade a Palavra eterna; e Maria, representando o Amor eterno, o Espírito Santo. Este pensamento, tomamo-lo de empréstimo a São Francisco de Sales, Doutor da Igreja (Entretien, 19): “Podemos dizer”, são palavras dele, “que a Sagrada Família foi como uma trindade na terra, que representava de certa forma a própria Trindade celestial”.

6. Finalmente, conclui-se que José, por estar compreendido nesta ordem sublime, superior à de todos os outros santos, deve, como consequência natural, ter sido predestinado a receber maiores dons e graças do que todos os outros santos, de maneira que ele fosse digno de estar tão perto de Jesus e Maria e, além disso, preparado para cumprir mais fielmente os altos ministérios para os quais foi escolhido. Confirma-o o piedoso Bernardino de Bustis com ousada afirmação:

Uma vez que José havia de ser o guardião, companheiro e governante da Santíssima Virgem e do Menino Jesus, é quiçá possível conceber que Deus pudesse ter cometido um erro em sua eleição? Ou que Ele pudesse ter permitido que São José fosse imperfeito em algum aspecto? Ou pudesse ainda ter falhado em torná-lo perfeito? A própria ideia soa como o erro mais grosseiro. Quando Deus escolhe alguém para realizar um grande trabalho, Ele concede toda a virtude necessária à sua realização (Mariale, Sermo XII).

Alegremo-nos, pois, com o nosso Patriarca amorosíssimo, porque ele foi exaltado a uma ordem tão sublime e obteve tamanha graça, poder e dignidade como ninguém mais, depois de Jesus e Maria, jamais recebeu, para a glória de Deus, que o fez tão grande, e para nosso bem e de toda a Igreja.

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O Espírito que deixamos do lado de fora
Espiritualidade

O Espírito que deixamos do lado de fora

O Espírito que deixamos do lado de fora

“Eis que estou à porta e bato”, diz o Espírito Santo. Mas e se ninguém lhe ouvir a voz? E se ninguém lhe abrir a porta? Então não acontecerá comunhão alguma e o Espírito… ficará do lado de fora.

Equipe Christo Nihil Praeponere11 de Junho de 2019
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— Ora, se “o Espírito Santo não toca em carne morta”, então você há de convir que estão todos perdidos, não?

— Comecemos por lembrar que essa frase não é nossa, mas de São João d’Ávila, Doutor da Igreja, e nós não temos pretensão alguma de “corrigir” o santo ou sua linguagem.

Não nos custa fazer, todavia, os devidos esclarecimentos, porque a frase, isolada, pode sim gerar confusão. Se, absolutamente, o Espírito Santo não tocasse em carne morta — isto é, nas pessoas que estão vivendo na carne e, de modo mais específico, nas que se encontram afastadas de Deus pelo pecado mortal —, então estaríamos de fato todos perdidos. Afinal de contas, é justamente por ação da graça que os pecadores podem vir à conversão. Não é o esforço do pecador que precede a vinda do Espírito Santo; ao contrário, é a graça que tudo precede, ela vem antes. Por isso, a teologia lhe dá o nome de graça preveniente. Todos os homens recebem de Deus luzes para se converter; a ninguém Ele priva de sua graça suficiente.

Dizer o contrário disso seria pelagianismo ou, na “melhor” das hipóteses, semipelagianismo (mas ambas as ideias estão erradas). É Deus quem opera em nós, diz o Apóstolo, o querer e o fazer (Fl 2, 13). Assim, continuando na analogia da “carne morta”, esta só poderia se vivificar pela ação do Espírito Santo. Sem o toque da graça, nenhuma carne morta pode “ressuscitar”, nenhuma alma em pecado pode se reconciliar com Deus.

Mas voltemos à ideia da graça suficiente, cujo significado, muito simples, é: Deus quer a conversão de todos os homens. Quando o Espírito Santo disse pela boca de São João: “Eis que estou à porta e bato” (Ap 3, 20), é da porta do coração de todos os homens que Ele falava, sem exceção.

Só que existe uma grande diferença — e é isso que muitos não entendem (ou se recusam a entender) — entre o Espírito Santo que está à porta, bate, mas permanece do lado de fora, e o Espírito que está à porta, bate e é convidado a entrar. Deste o Apocalipse continua a dizer: “Se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo” (Ap 3, 20). Mas e se ninguém ouvir a voz do Espírito? E se ninguém lhe abrir a porta? Então não acontecerá comunhão alguma e o Espírito… ficará de fora.

Continuando com a linguagem da porta, poderíamos dizer que o Espírito Santo não “arromba” os corações. A Igreja canta que Ele é hospes animae, não burgator animae; Ele é “hóspede da alma”, e um hóspede só entra num lugar em que é convidado; quem arromba, quem entra sem ser chamado, é ladrão e salteador.

Quando São João d’Ávila, portanto, diz que “o Espírito Santo não toca em carne morta”, ele está se referindo à obstinação daqueles que, dentro de suas casas, vivendo nas obras da carne de que fala o Apóstolo — “fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes” (Gl 5, 19-21) —, não querem deixar os seus pecados, mas ainda assim querem se dizer espirituais, “católicos”... O Espírito está fora; vivendo no pecado grave, essas pessoas escorraçaram o Espírito de suas almas… talvez até lhe dêem algum prato de comida, até lhe façam algum “agrado” — ou seja, talvez até clamem por seu nome, talvez até digam “Senhor, Senhor” — mas o Senhor, no entanto, permanece do lado de fora.

Porque, lembremo-nos das palavras do próprio Cristo:

Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade do meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não pregamos nós em vosso nome, e não foi em vosso nome que expulsamos os demônios e fizemos muitos milagres? E, no entanto, eu lhes direi: Nunca vos conheci. Retirai-vos de mim, operários maus (Mt 7, 21-23)!

Com esses versículos, retomamos a ideia do último texto: não bastam os carismas! Esses dons não são nada em comparação com a graça santificante, que nos torna agradáveis a Deus. Pois de nada adianta ter o nome do Senhor nos lábios, de nada adianta clamar pelo Espírito Santo, pregar, expulsar demônios e até fazer milagres em seu nome, se Ele não atravessa a porta de nossa alma e não ceia no íntimo de nosso coração!

É dessa máxima presença de Deus na alma que o Papa Leão XIII fala em sua encíclica Divinum Illud Munus:

Deus está presente e dentro de todas as coisas: “por seu poder, enquanto tudo está sujeito à sua potestade; por sua presença, enquanto tudo está descoberto a seus olhos; por sua essência, enquanto é a causa da existência de todos os seres” (STh I, q. 8, a. 3). No homem, porém, Deus está presente não apenas como nas coisas; mais que isso, é por ele conhecido e amado, pois a mesma natureza nos impele a que espontaneamente amemos, cobicemos e procuremos alcançar o bem. Enfim, Deus, pela sua graça, reside na alma do justo como em templo, de maneira completamente íntima e singular; daí os fortes liames de caridade que estreitissimamente unem a alma a Deus, sobrepujando a amizade do amigo ao melhor dos amigos, e a fazem gozá-lo em delícias inexcedíveis.

Essa admirável união, denominada “inabitação”, não difere, a não ser por sua condição ou estado, daquela que possuem os habitantes do céu na posse beatífica de Deus; e, não obstante seja um efeito realíssimo de toda a Trindade divina: “Viremos a ele e faremos nele nossa habitação” (Jo 14, 23), é, contudo, considerada obra peculiar do Espírito Santo. Porquanto também no homem perverso podemos deparar reflexos do poder e sabedoria de Deus; mas só o justo participa do amor divino, característica do Espírito Santo (Papa Leão XIII, Carta Encíclica Divinum Illud Munus, de 15 mai. 1897, n. 15-16).

O problema é que muitos de nós já não cremos nisso. Não acreditamos mais na distinção entre “justos” e “perversos”, entre peixes bons e maus, entre joio e trigo, entre os que subirão ao Céu e os que descerão ao Inferno (ainda que tenha sido o próprio Senhor a falar de tudo isso). Fomos tomados por uma visão igualitarista não só de sociedade, mas também de salvação. Nossos discursos se limitam a chavões como: “Deus te ama do jeito que você é”, “Deus não condena ninguém”, “Todo o mundo é igual”; nossas pregações parecem mais palestras motivacionais do que sermões religiosos, mais trechos de livros de autoajuda que trechos do Evangelho.

E por quê?

Porque é mais fácil falar o que as pessoas querem ouvir do que pregar o que sempre ensinou a Igreja — a vida sobrenatural! — e, com isso, desagradar as pessoas, incomodá-las e chamá-las à conversão; é mais fácil falar do Espírito que “afaga e consola” que falar do Espírito desprezado, à porta de nossas almas, e que tantos não deixamos entrar por causa de nossas vidas depravadas…!

Para que clamamos pelo Espírito Santo, afinal? Para que fazemos novenas de Pentecostes e cantamos tantos hinos em seu nome? É para que Ele simplesmente venha saciar nossos desejos mundanos, ou é para que Ele venha realmente renovar os nossos corações a fim de nos tornar justos, a fim de nos tornar dignos do Céu?

Paremos de criar ilusões para justificar uma vida levada na carne. Não queiramos igualar as pessoas na mediocridade. Falemos do Céu, falemos da vida eterna, falemos da santidade! Isso irá, sim, separar os homens entre bons e maus, entre justos e injustos… Mas essa “santa desigualdade”, Nosso Senhor não pediu a ninguém, a nenhum apóstolo, que a eliminasse. Ela é simplesmente consequência do livre-arbítrio humano, que pode dizer “sim” ao Espírito ou preferir… a “carne morta”.

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“O Espírito Santo não toca em carne morta”
Espiritualidade

“O Espírito Santo
não toca em carne morta”

“O Espírito Santo não toca em carne morta”

“Desenganem-se os carnais, que a nenhum deles virá o Espírito Santo… O corvo come a carne morta, mas a pomba a detesta. A pomba é figura do Espírito, e o Espírito Santo não toca em carne morta.”

Equipe Christo Nihil Praeponere6 de Junho de 2019
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Sem sombra de dúvida, um grande desafio a ser encarado por todas as pessoas que já estão (teoricamente) caminhando com Deus é o de viver não segundo a carne, mas segundo o Espírito Santo. Às vésperas que estamos da grande solenidade de Pentecostes, poucas reflexões são tão necessárias quanto essa.

É trágico, de fato, que haja tanta gente “de igreja”, batizada, indo à Missa e até confessando e comungando com frequência, mas sem que suas vidas tomem impulso, sem que seus corações sejam mudados, sem que se note algo de real e substancialmente diferente em suas conversas e condutas. Sem o Espírito Santo, os católicos são como sal que não salga, luz que não ilumina, e em nada parecem diferir dos demais homens.

Consideremos nestas linhas, por exemplo, como nada pode haver de mais deplorável do que estarmos na Igreja apenas “de corpo presente”, mas com a alma em pecado mortal — sem dúvida, a ilustração mais crua do que é viver segundo a carne. Sim, porque as pessoas nesse estado não só não vivem segundo o Espírito, como aborrecem esse mesmo Espírito, não o têm em suas almas. Em suas vidas, o que sobressai é justamente o oposto: o espírito maligno, o espírito das trevas. Nas palavras do Apóstolo:

Digo, pois: deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne. Porque os desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes aos da carne; pois são contrários uns aos outros… Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas vos previno, como já vos preveni: os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus!... Pois os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as paixões e concupiscências. Se vivemos pelo Espírito, andemos também de acordo com o Espírito (Gl 5, 16-17.19-21.24-25).

São Paulo está dizendo com muita simplicidade: não é possível ser ao mesmo tempo de Deus e do demônio, e nesta matéria não há meio-termo. Ou se está com Cristo, ou se está longe dEle (cf. Mt 12, 30). Os pecados que ele enumera, de modo especial, têm uma característica em comum: são, em sua maioria, pecados externos, que realmente “separam” os cristãos, destroem a ilusão de que eles podem ser “como todo o mundo”, estabelecem uma espécie de “limite” que quem deseja ser de Cristo não deve ultrapassar. Trata-se de obras carnais as mais grosseiras, por assim dizer, e quem quer que as pratique não só não tem o Espírito Santo, adverte o Apóstolo, como não herdará o Reino de Deus

Como comentário a essa passagem tão contundente das Escrituras, atentemo-nos ao que diz São João d’Ávila em um de seus sermões:

Que quereis? O Espírito Santo? Pois sabei que Ele não é amigo da carne [...].

Desenganem-se os amancebados, desenganem-se os carnais, que a nenhum deles virá o Espírito Santo. A pomba que saiu da arca de Noé tomou um raminho de oliveira e não quis pôr o pé sobre corpo morto; voltou limpa à arca. O corvo come a carne morta; a pomba detesta-a. A pomba é figura do Espírito, e o Espírito Santo não toca em carne morta. Limpai, pois, vossos corações dos desejos carnais. Jejuai nesta semana os que tiverem forças para isso; pois, já que quer carne, seja a carne mortificada e com jejuns enfraquecida. E como alvíssara e favor vo-lo peço, varrei com muita devoção a vossa casa mediante a confissão, pois há de vir vosso Hóspede, e não convém que encontre suja a casa [1].

A mensagem deste Doutor da Igreja é muito clara, tão clara que dispensa maiores comentários. Se não fugirmos das obras da carne, será impossível receber o Espírito Santo. Sem isso, não haverá Pentecostes em nossas vidas.

Expliquemos, antes de mais nada, que é o próprio Espírito que inspira a alma a buscá-lo e a evitar o pecado, de modo que a inspiração mesma de procurar fazer a vontade divina só acontece por obra da graça. Deus busca a todos, não privando ninguém do auxílio necessário para a própria salvação. Mas na alma daquele que corresponde a esse chamado de Deus acontece uma união que não acontece na alma em que se extinguiu a chama da caridade. Nas palavras do Papa Leão XIII, explicando o mistério da inabitação trinitária: “Também no homem perverso podemos deparar reflexos do poder e sabedoria de Deus; mas só o justo participa do amor divino, característica do Espírito Santo” [2].

Concentremo-nos, porém, nestas palavras do santo: “Desenganem-se os carnais”. Se ele diz “desenganem-se”, é porque andam enganados os que vivem segundo a carne: estão como que com os olhos vendados, são incapazes de ver a realidade, encontram-se aprisionados longe da verdade. Talvez os seus pecados lhes tenham inclusive cegado a mente, como Santo Tomás de Aquino diz que sói acontecer com quem vive na carne, especialmente com quem se entrega aos pecados sexuais (cf. STh II-II, q. 15, a. 3).

Mas de que modo andam enganados os carnais? Com o que eles se enganam? Perguntando com mais propriedade: com o que tantos de nós mesmos nos enganamos?

Nossa falta de fé no que ensina a Igreja nos denuncia com muita facilidade: encontramo-nos iludidos com “novas” doutrinas que não a de Cristo, possuídos por um “espírito” que, ousaríamos dizer, de santo não tem nada.

Vejamos por exemplo como tantos hoje se dizem porta-vozes do Espírito Santo, ao mesmo tempo que se esquecem de uma verdade elementar: só se tem o Espírito de Cristo na medida em que se ama o Corpo de Cristo, que é a Igreja [3]; falam tanto do novo, mas se esquecem que “a novidade nunca foi por si mesma um critério de verdade, e só pode ser louvável quando confirma a verdade e leva à retidão e à virtude” [4]; falam tanto de “renovação” — pois, de fato, o Espírito vem renovar a face da terra (cf. Sl 103, 30) —, mas se esquecem do que disse Jesus antes de subir aos céus: “O Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome [...] vos recordará tudo o que vos tenho dito” (Jo 14, 26).

Ou seja, a terceira Pessoa da Santíssima Trindade não viria aos homens para lhes ensinar nada de diferente do que havia ensinado Nosso Senhor. (Era o que faltava, afinal, a Trindade contradizer a própria Trindade!) Se há um tal “espírito”, não é o Espírito Santo; está mais ou para um “espírito revolucionário”, que perverte a doutrina e mantém as pessoas no egoísmo de seus pecados, ou para um “espírito de confusão”, que obscurece a doutrina, mas cujo resultado prático é o mesmo.

Por que tantos se rendem a essas “novidades” não é difícil compreender: quem vive na carne e não quer deixar de viver segundo a carne, para justificar seus comportamentos, precisa recorrer a algum subterfúgio. “Quem não vive conforme aquilo em que acredita”, diz um velho adágio, “termina acreditando no modo como vive”.

O que aparece, então? A ilusão da “graça barata”, do Deus que tudo aceita, que com tudo condescende e que a todos salvará. O Espírito consolador do Evangelho é transformado, assim, em um ente abstrato que vem para afagar os nossos sentimentos, ao invés de nos chamar ao que realmente importa, e que constitui a essência da vida cristã: nossa conversão.

Nesse ponto pessoas até bem intencionadas terminam perdendo de vista o essencial. Até com o fim de não “causar problemas”, elas falam do Divino Espírito Santo exclusivamente como Doador de dons carismáticos extraordinários  — as graças chamadas gratis datae —, mas o mais importante, que é a vida de união com Deus, é solenemente ignorado.

Talvez lhes fosse necessário recordar que o Espírito Santo é o Espírito das profecias, é o Espírito das línguas, é o Espírito das curas, sim; mas é também — e principalmente — o Espírito da conversão e da mudança de vida. Porque, não nos esqueçamos, o máximo milagre de Deus é a justificação do pecador (muito mais do que falar línguas estranhas, operar curas físicas e profetizar). Como explica o Doutor Angélico (STh I-II, q. 111, a. 5):

O Apóstolo, depois de enumerar as graças gratis datas (cf. 1Cor 12, 4-11), acrescenta: “Vou mostrar-vos um caminho ainda mais perfeito”. E como fica claro pelo que segue, fala da caridade que se refere à graça que torna agradável a Deus. Portanto, a graça que torna agradável a Deus é superior à graça gratis data [...].

Uma virtude é tanto mais excelente na medida em que se ordena a um bem mais elevado. Pois sempre o fim está acima daquilo que é apenas um meio em vista do fim. Ora, a graça que torna agradável a Deus ordena o homem imediatamente à união com o fim último. As graças gratis datae, ao contrário, ordenam o homem ao que é uma preparação para o fim último. Assim, a profecia, o milagre e tudo o que é do mesmo gênero nos levam ao que une ao fim último. Eis por que a graça que torna agradável a Deus é bem superior à graça gratis data.

Dizendo bem claramente, nós, que temos pedido tanto a efusão do Espírito Santo com orações, canções e pedidos de carismas, em que medida temos procurado realmente viver segundo o Espírito, dando o primeiro passo de abandonar as obras da carne, que lhe são contrárias? Importa muito que o amor que certos grupos e movimentos dentro da Igreja mantêm ao Espírito Santo — ouçamos o conselho do Papa Leão XIII, muito próximo da Beata Elena Guerra — “não se limite a umas áridas noções teóricas e a uma homenagem puramente exterior, mas que se distinga pela pronta ação, principalmente pela fuga do pecado, o qual de modo muito particular ofende o Espírito Santo” [5].

Se acreditamos, pois, que o Espírito de Deus realmente intervém na história humana, que Ele realmente age na vida das pessoas, qual é o principal fim com que Ele atua, senão para nos levar à vida divina, à vida da graça, à vida sobrenatural? E como chegaremos aí se continuarmos afundados na lama do pecado mortal, sem fazer uma Confissão sincera, bem feita e com um propósito firme de emenda? Como o Espírito agirá em nós se continuarmos fingindo clamorosamente ser espirituais, enquanto, no fundo, vivemos na carne?

— Que quereis? O Espírito Santo? — pergunta-nos São João d’Ávila. — Pois sabei que Ele não é amigo da carne.

Nunca se insistirá o suficiente nisso. Nós, católicos, não somos protestantes, que nos acreditamos salvos por uma imputação jurídica, ainda que nosso coração esteja podre, apegado ao pecado e aferrado ao mal… Não, a graça realmente opera uma transformação em nossa alma e, a menos que procuremos com sinceridade conformar o nosso coração ao que Deus quer de nós (ao invés de tentarmos encaixar Deus em nossos esquemas humanos), não acontecerá em nós a salvação que o Espírito Santo quer operar em nossa alma.

Fujamos, pois, da tentação de um “espiritualismo” sem doutrina, autorreferencial, inventado por nós mesmos. Uma religião assim não salva verdadeiramente; só engana. Ser de fato guiado pelo Espírito Santo significa ser transformado profundamente por Ele, significa não se deixar arrastar pelo que enumera o Apóstolo: “fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias”. Se estivermos nessas coisas, ainda que clamemos mil vezes o Espírito Santo, ainda que cantemos, ainda que nos agitemos, não haverá Pentecostes em nossas almas.

Por isso, aproveitemos a solenidade que se aproxima e fujamos das obras da carne. Convertamo-nos. Desfaçamo-nos de nossa cegueira. “Se viverdes segundo a carne, haveis de morrer”, diz o Apóstolo, “mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8, 13-14).

“Todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”. Mas quem não é conduzido pelo Espírito é simplesmente… carne morta. E à carne morta só o que resta é entregar aos corvos.

Não seja esse o nosso destino.

Referências

  1. Quem não tem o Espírito de Cristo não é de Cristo, Sermão no Domingo da infra-oitava da Ascensão, 29 de maio de 1552, in: Sermões do Espírito Santo, trad. Roberto Leal Ferreira, São Paulo: Molokai, 2018, pp. 57-58.
  2. Papa Leão XIII, Carta Encíclica Divinum Illud Munus (15 de maio de 1897), n. 16.
  3. Cf. Santo Agostinho, In Evangelium Ioannis, t. 26, 13 (PL 35): “Queres pois viver também tu do Espírito de Cristo? Faz-te, portanto, membro do Corpo de Cristo.”
  4. Papa Pio XII, Carta Encíclica Menti Nostrae (23 de setembro de 1950), n. 110.
  5. Papa Leão XIII, op. cit., n. 22.

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