CNP
Christo Nihil Præponere"A nada dar mais valor do que a Cristo"
Evangelize compartilhando!
Todos os direitos reservados a padrepauloricardo.org®
Tatuagens e piercing: o que pensar à luz da moral católica?
Sociedade

Tatuagens e piercing:
o que pensar à luz da moral católica?

Tatuagens e piercing: o que pensar à luz da moral católica?

Muitas pessoas, especialmente pais e educadores, rejeitam modas como tatuagem, uso de muitos brincos e outros tipos de piercing, mas não sabem dizer muito bem o porquê. Este artigo apresenta alguns critérios relevantes para formar um juízo moral a esse respeito.

Pe. Peter JosephTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere24 de Março de 2021Tempo de leitura: 11 minutos
imprimir

[Este texto não é de autoria do Pe. Paulo Ricardo; foi escrito em 2002 pelo Pe. Peter Joseph e publicado na revista tradicional Latin Mass Magazine, em inglês. A tradução portuguesa abaixo foi feita por nossa equipe.]

Muita gente honesta tem repugnância pelas modas contemporâneas, como tatuagem, uso de muitos brincos e outros tipos de body piercing, mas se sentem despreparadas para formar um juízo claro sobre a moralidade dessas práticas ou para responder à acusação de estarem impondo como código moral suas preferências pessoais. Neste artigo, estabelecerei alguns critérios relevantes para formar um juízo moral a esse respeito.

No Antigo Testamento, o povo eleito recebeu uma ordem específica: “Não fareis incisões na vossa carne por um morto, nem fareis figura alguma no vosso corpo. Eu sou o Senhor” (Lv 19, 28). Inspirado por Deus, S. Paulo nos adverte: “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habi­ta em vós, o qual recebes­tes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis?” (1Cor 6, 19). Por ser templo do Espírito Santo, devemos cuidar de nosso corpo, protegê-lo e tratá-lo com o devido decoro. Em algumas culturas, uma marca ou desenho especial — na testa, por exemplo — simboliza determinada conquista, o estado conjugal ou qualquer outra coisa, e é algo socialmente aceitável. Os cristãos etíopes, para dar um exemplo, tatuam cruzes na testa. Já foi costume em Samoa tatuar o filho mais velho da família dominante local. Nas sociedades ocidentais, brincos e maquiagens são aceitos como parte da moda e da apresentação pública da mulher. Mas certos tipos de body piercing e decorações são considerados extremos e desnecessários em nossa sociedade, e alguns deles têm por motivo sentimentos anticristãos.

Seria impossível formar um juízo sobre todas as ornamentações corporais de uma perspectiva “preto ou branco”. Mas podemos apontar alguns aspectos negativos que deveriam ser motivo de preocupação para um cristão. Salvo indicações em contrário, este artigo se refere apenas às sociedades ocidentais. Abordarei primeiro as preocupações mais graves; em seguida, as menos graves.

1. Imagens diabólicas. — Tatuagens de demônios são relativamente comuns. Porém, nenhum cristão deveria ter a imagem de um demônio ou de um símbolo satânico.

2. Celebração da feiúra. — Essa é uma marca de Satanás, que odeia a beleza da Criação de Deus, tenta destruí-la e impedir que outros a apreciem. Além de serem feios, alguns tipos de body piercing manifestam alegria com a feiúra. 

Reconhecemos o mau gosto de tatuagens, anéis e pinos ao observar sua natureza, tamanho, extensão e lugar no corpo. Ironicamente, tatuagens floridas e coloridas desbotam com o tempo e acabam ficando escuras e feias. Quando pensamos no fato de os prisioneiros de campos de concentração terem sido tratados como animais e marcados com um número no braço, ficamos espantados ao imaginar que, hoje, as pessoas adotam marcas semelhantes como se fossem elegantes ou “estilosas”. Esse é realmente o sinal de um retorno à barbárie, um comportamento de pessoas que não possuem nenhum senso da dignidade da pessoa humana. 

3. Automutilação e autodesfiguração. — São pecados contra o corpo e contra o quinto mandamento. Alguns tipos de body piercing beiram a automutilação. Múltiplos body piercings equivalem a um abuso contra si mesmo. Uma espécie de ódio contra si ou de autorrejeição motiva algumas pessoas a se perfurarem ou enfeitarem de um modo horrível ou nocivo. O corpo humano não foi feito por Deus para ser um porta-alfinetes nem um mural

4. Danos à saúde. — Médicos já falaram publicamente sobre esse tema. Em 2001, pesquisadores da Universidade do Texas e da Universidade Nacional Australiana publicaram um relatório sobre os danos à saúde causados por tatuagens e body piercing. Alguns brincos (no umbigo, língua ou na parte superior da orelha) são prejudiciais e causam infecções ou danos duradouros, como deformidades na pele. Também podem contaminar o sangue por algum tempo (septicemia). Alguns tipos de furo (por exemplo, no nariz, nas sobrancelhas, no lábio, na língua) não fecham nem mesmo depois da remoção do objeto. Esse tipo de perfuração, portanto, é imoral, já que não deveríamos pôr em risco a saúde sem um motivo razoável. Quando feitos sem a devida higiene, tatuagens e piercings causam infecções. Quando não é esterilizado de forma adequada, um instrumento usado pode transmitir hepatite ou HIV. 

Na esperança de evitar problemas de saúde, alguns fizeram tatuagens de henna, que são pintadas, não feitas com agulhas. A pintura com henna de desenhos florais nos pés e nas mãos é um antigo costume matrimonial hindu. Um relatório da Associação Médica Alemã publicado em 2002 descobriu que turistas que voltaram para casa com hennas feitas em Bali e Bangkok, entre outros lugares, procuraram um médico por causa de graves infecções na pele e, em alguns casos, alergias permanentes. Em alguns casos, também foi usado um corante que, supostamente, faria a tatuagem desaparecer; mas, depois de algumas semanas de irritação na pele, o desenho reapareceu na forma de uma tatuagem avermelhada, que muitas vezes provocava muitas dores no paciente. Alergias surgiram entre doze horas e uma semana após a aplicação da henna, provocando coceira intensa, vermelhidão, bolhas e descamação.  

5. Desejo de chocar e provocar repugnância. — Pode ser conveniente chocar as pessoas quando, por exemplo, alguém relata o drama de pessoas famintas, ou quando protesta contra crimes ou uma terrível exploração. Isso pode ser algo saudável, se feito de modo apropriado e com o devido cuidado, com o objetivo de tirar as pessoas de uma postura de complacência e fazê-las perceber que algo deve ser feito. No entanto, chocar as pessoas apenas por diversão, sem a intenção de promover a verdade e o bem, não é uma virtude, mas sinal de um senso de valores pervertido

Ao avaliar as tatuagens em função da repugnância, observamos a natureza das imagens, o tamanho, o número de tatuagens e seu lugar no corpo; ao avaliar as perfurações, consideramos, de modo semelhante, sua extensão e localização no corpo. 

6. Indecência e irreverência. — É sempre imoral fazer ou exibir tatuagens de imagens ou frases indecentes, ou imagens satíricas de Nosso Senhor, de Nossa Senhora ou de coisas sagradas. 

7. Sinais de desorientação sexual. — Os piratas eram os únicos homens que usavam brincos (por seja qual for o motivo!), enquanto marinheiros e artistas esquisitos eram praticamente as únicas pessoas com tatuagens. O que outrora era algo restrito hoje está disseminado em amplas partes da sociedade. Na década de 1970, um brinco na orelha de um homem (na esquerda, na direita ou em ambas) era um código para expressar sua “orientação” pessoal e, portanto, uma forma de conseguir parceiros. Era algo flagrantemente imoral e, de regra, uma propaganda da imoralidade do indivíduo. Brincos em garotos e homens são tão comuns hoje, que perderam sua importância; porém, não são nunca uma exigência positiva de nenhuma demanda social, como é o caso do terno e da gravata, socialmente necessários em determinadas ocasiões formais.

Mesmo reconhecendo a falta de um simbolismo claro hoje em dia, eu esperaria que qualquer seminário pedisse a qualquer candidato que removesse brincos ou pinos antes de entrar na instituição, e lhe perguntasse quando e por que razão havia começado a usá-los. Não são socialmente aceitáveis na Igreja Católica um seminarista ou um sacerdote de brinco. Um bom número de paroquianos ficaria em dúvida sobre as razões ou motivações mais profundas para usá-lo. Ninguém que exerce esse tipo de função pública começa a usar brinco sem ter tomado uma decisão deliberada. Como me disse certa vez um velho e sábio padre jesuíta: “Ninguém muda o exterior sem ter mudado o interior”. É aquilo que as pessoas chamam de “causar impacto”. O mesmo código de conduta prevista aplica-se a homens de outras profissões, como policiais ou professores [1].

8. Inadequação. — Às vezes as pessoas fazem a tatuagem de um grande crucifixo ou de outras imagens sacras. O corpo humano é um local bastante inadequado para esse tipo de imagem, ainda que seja uma bela imagem. Sempre que essas pessoas vão nadar, por exemplo, exibem essa imagem de modo inadequado. Nenhum sacerdote iria a um centro de compras usando paramentos litúrgicos, não porque haja algo errado com eles, mas porque há um momento e um local para o uso de símbolos religiosos especiais.

9. Vaidade. — Alguns homens tatuam o antebraço e bíceps para ostentar e parecer imponentes. Querem ser o centro das atenções. Todos os que deparam com eles acabam reparando nas tatuagens, a ponto de se tornarem uma distração constante. Por causa delas, as pessoas deixam de ser o foco, que passa a ser a aparência externa do corpo. O mesmo se pode dizer de um pino na língua, um anel no nariz ou vários brincos nas orelhas e nas sobrancelhas. Essas coisas não fazem parte da nossa cultura; no máximo, são parte de uma determinada subcultura, uma afetação minoritária desprovida de relevância social religiosa ou positiva.

Ninguém está dizendo que é errado vestir-se com elegância: trata-se aqui de uma questão de moderação e discrição. A Sagrada Escritura reconhece implicitamente que é bom que a esposa se enfeite para seu marido, ao comparar a Jerusalém celeste a esse tipo de mulher (cf. Ap 21, 2). É bom que uma dama esteja bem vestida e maquiada quando a ocasião o requer, mas todos sabem quando o enfeite passa dos limites e dá uma aparência sedutora ou vulgar.  

10. Imaturidade e imprudência. — Uma ação aceitável ou indiferente em si mesma pode se tornar errada se a intenção ou motivação for errada. Alguns jovens aderem a modas ultrajantes por causa de um desejo imaturo de se rebelar contra a sociedade ou os pais. Esse tipo de desobediência é pecaminoso. Alguns o fazem por um desejo imaturo de se adequar ao grupo de amigos; outros, por um desejo igualmente imaturo de se diferenciar das pessoas ao seu redor. Alguns o fazem por tédio, por ser algo diferente, por entusiasmo, por ser algo de que seus amigos gostarão e sobre o qual falarão. A adesão irracional a modas é sempre um sinal de imaturidade. Para jovens que moram com os pais e, portanto, estão sob sua autoridade, basta que estes manifestem sua reprovação de tais modas, para que os filhos saibam que não podem seguir com elas. Alguns jovens ficam ainda mais extremistas e competem uns com os outros para ver quem põe mais piercings em determinada parte do corpo. Os pais devem proibir absolutamente esse tipo de comportamento.

É difícil para os jovens justificar a enorme despesa (sem falar na dor) de uma tatuagem. Além disso, é desnecessário e tolo marcar o próprio corpo para a vida inteira com imagens sem valor ou com o nome da atual pessoa amada. Soube de um exemplo recente que dá uma ideia de tempo e despesa: uma jovem tinha um dos braços todo tatuado. Foram necessárias duas sessões de 4h cada, num total de 1.000 dólares.

Tatuagens são mais sérias do que outros adornos, pois são marcas mais ou menos permanentes no corpo. Muita gente se tatua com gosto na juventude; mas, não muito tempo, depois se arrepende, pois começa a vê-las como uma desfiguração constrangedora. Quando amadurecem, pagam caro pelo “luxo” que é a remoção de uma tatuagem: algo caro, difícil e que pode deixar cicatrizes. A remoção de tatuagens grandes requer às vezes cirurgia com anestesia geral, com todos os riscos potenciais, além dos consideráveis custos médicos e hospitalares. Casos desse tipo, além do mais, podem deixar grandes partes da pele desfiguradas ou manchadas permanentemente, como se a pele tivesse sofrido queimaduras. Muitos adultos se tornam inelegíveis para determinados postos de trabalho, porque há empresas que não contratam pessoas com mãos cobertas de tatuagens, algo impossível de esconder vários anos depois das tolices da juventude.

Critérios universais. — Em qualquer cultura podem surgir costumes que se tornam aceitáveis e passam a fazer parte dela. Mas isso não as torna certas, necessariamente. Eis alguns exemplos de culturas estrangeiras que considero igualmente errados. Em determinada tribo da África, as mulheres usam brincos gigantes e pesados que alteram o formato dos lóbulos. Em outro lugar, as mulheres põem uma espiral em torno do pescoço para que sejam alongados de modo artificial, ou uma placa na boca para que os lábios sejam projetados alguns centímetros. Na China, houve outrora a prática de amarrar os pés das moças firmemente para impedir que eles crescessem, porque os pés pequenos e delicados eram admirados. Estas e outras alterações drásticas no crescimento natural do corpo humano devem ser consideradas imorais, pois são formas de abuso que decorrem da vaidade.

Nem sempre é possível determinar um limite exato e dizer quando se ultrapassou as fronteiras da moderação. Mas isso não significa que não exista um limite. Ninguém pode definir a temperatura exata em que um dia deixa de ser fresco e se torna frio, mas todos sabem que, quando a temperatura está próxima de zero, já não é possível questionar que esteja frio. Jamais devemos cair no truque dos que tentam “provar”, a partir de casos difíceis e excepcionais, que não existem referências ou princípios, nem um justo meio ou a moderação, só porque eles são difíceis de definir. 

O corpo humano deve ser tratado com cuidado, e não maltratado ou desfigurado. Sua dignidade e beleza devem ser preservadas e cultivadas, para que ele seja uma expressão da beleza mais profunda da alma.

Notas

  1. Nesta parte do texto original, o autor vai além e opina que “empregadores e diretores deveriam criar regras para proibir que funcionários e estudantes do sexo masculino usassem esse tipo de adorno”, isto é, brincos ou pinos. O sacerdote argumenta que regras assim poderiam proteger os jovens de si e da pressão dos pares. Além do que, “ainda hoje, brincos são mais comuns entre mulheres, e somente uma minoria de homens os utiliza”. Deslocamos este comentário para o campo das notas a fim de lhe fornecer o devido contexto. De fato, a recomendação do sacerdote poderia ser tranquilamente aplicada numa civilização cristã, regida pela autoridade das famílias e da Igreja. Numa sociedade como a nossa, porém, altamente judicializada e com as famílias em franca decadência, normas como essas dificilmente seriam aplicáveis: ou se tornariam “letra morta”, ou cairiam sob a pressão do “politicamente correto” e da cultura do “cancelamento” (N.T.).

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

Por que é importante a virgindade perpétua de Maria?
Virgem Maria

Por que é importante
a virgindade perpétua de Maria?

Por que é importante a virgindade perpétua de Maria?

Atualmente, a virgindade perpétua de Nossa Senhora é negada pela maioria dos protestantes, embora a maior parte dos reformadores defendesse essa doutrina. Mas a mãe de Jesus foi realmente virgem ao longo de toda a sua vida? E por que isso importa?

Paul SenzTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere6 de Maio de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
imprimir

Um dos principais pontos de discórdia entre católicos e protestantes é a fé na Bem-aventurada Virgem Maria. A tradição católica de venerar a Mãe de Jesus e dogmas como a Imaculada Conceição e a Assunção são frequentemente contestados pelos protestantes. Atualmente, a virgindade perpétua de Maria é negada pela maioria dos protestantes, embora a maioria dos reformadores, alinhados à fé cristã universal de um milênio e meio antes, defendesse essa doutrina.

Mas Maria foi virgem por toda a vida? E por que isso importa?

Este não é um fórum para resumir as evidências que demonstram a virgindade perpétua de Maria. Esses argumentos já foram defendidos muitas vezes em respostas de apologistas católicos. Aqui, preocupamo-nos principalmente em saber por que é importante a resposta a essa questão.

A primeira razão pela qual a virgindade perpétua de Maria é importante é que se trata de uma verdade, não de opinião, e o fato é que a Igreja tem defendido infalivelmente essa doutrina desde os seus primeiros dias. Certamente, os Padres da Igreja, por exemplo, não defenderiam uma inverdade; afinal, veritas vos liberabit, “a verdade vos libertará” (Jo 8, 32). A virgindade perpétua de Maria raramente foi desafiada na história cristã. Até mesmo os principais reformadores protestantes reconheceram que a virgindade perpétua de Maria é ensinada nas Escrituras, e todos os Padres da Igreja a sustentaram como verdadeira.

Nomes de peso como Tertuliano, S. Atanásio, S. João Crisóstomo, S. Ambrósio e S. Agostinho argumentaram, com base nas Escrituras, que Maria permaneceu virgem por toda a vida. Isso era verdade para os cristãos em todo o mundo conhecido, latino e grego, do Oriente e do Ocidente. Orígenes de Alexandria, por exemplo, escreveu: “Não há filho de Maria, exceto Jesus, segundo a opinião dos que pensam corretamente sobre ela” (Comentário a João I 4). S. Jerônimo, o magnífico tradutor e erudito bíblico, afirmou claramente: acreditamos que Maria permaneceu virgem por toda a vida, porque lemos isso nas Escrituras (cf. Contra Helvídio 21).

O proto-evangelho de Tiago, embora não seja escritura canônica, é um importante documento histórico que nos diz muito sobre o que a Igreja primitiva acreditava. Escrito no século II d.C., não muito depois do fim da vida terrena de Maria, este documento faz um grande esforço para defender a virgindade perpétua de Maria. Na verdade, alguns estudiosos — incluindo Johannes Quasten, o grande estudioso da patrística do século XX — pensaram que esse era o objetivo principal do texto. Entre outras coisas, é do protoevangelium que colhemos a tradição segundo a qual Maria foi consagrada para o serviço no Templo quando jovem, o que significaria uma vida de virgindade perpétua. De fato, o texto indica que Maria foi confiada a José para que ele lhe protegesse a virgindade.

No II Concílio de Constantinopla, de 553 d.C., Maria recebeu oficialmente o título de “sempre Virgem”. Um século depois, o Papa Martinho I esclareceu que, com isso, a Igreja quer dizer que Maria foi virgem antes, durante e depois do nascimento de Cristo (ante partum, in partu, et post partum). Este é um ponto crucial — o parto virginal é essencialmente incontestável entre os cristãos. É na questão de saber se Maria permaneceu virgem que muitos protestantes discordam da Igreja Católica.

Martinho Lutero, Ulrico Zuínglio, João Calvino (pelo menos no início da carreira) e outras primeiras figuras protestantes reconheceram que a virgindade perpétua de Maria é ensinada na Bíblia. Infelizmente, ao longo dos séculos desde a Reforma, seus descendentes teológicos se perderam nesse aspecto. Hoje, poucos protestantes reconhecem a verdade, muito menos a base bíblica, da virgindade perpétua de Maria.

Novamente, não estou tentando provar o caso aqui com um apelo a uma ampla variedade de autoridades. Ofereço esta breve pesquisa de história da Igreja sobre a questão para mostrar que a Igreja frequente e inequivocamente defendeu a doutrina como verdadeira, porque sua verdade é importante, ao passo que sua negação é um desenvolvimento relativamente recente na história da Igreja.

Em segundo lugar, a virgindade perpétua de Maria é importante porque sua verdade tem implicações importantes para todos nós, a saber: aponta para além de sua vida, para o mundo que está por vir, um mundo em que não haverá mais casamento e todos seremos como Maria foi. “Na ressurreição, os homens não terão mulheres nem as mulheres, maridos; mas serão como os anjos de Deus no céu” (Mt 22, 30), disse Jesus aos saduceus. A virgindade de Maria é uma prefiguração do céu, a recompensa para aqueles que dizem a Deus, com Maria: “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38).

Em terceiro, a virgindade perpétua de Maria é um dos muitos atributos que a tornam um belo símbolo da Igreja, como a Noiva virgem de Cristo e a Mãe fecunda dos cristãos. S. Ambrósio escreveu: “Apropriadamente, [Maria] é desposada mas Virgem, porque ela prefigura a Igreja imaculada mas casada. Uma Virgem concebeu do Espírito, uma Virgem dá à luz sem dores” (Sobre Lucas 2, 6-7).

Em quarto lugar, a virgindade perpétua de Maria diz muito sobre seu relacionamento com todos nós. Quando Cristo estava morrendo na cruz, disse a João: “Eis aí tua mãe”, e a Maria: “Mulher, eis aí teu filho” (Jo 19, 26-27). A Igreja sempre reconheceu nessa passagem não somente um filho preocupado com o cuidado da mãe depois de sua morte, mas também Cristo a entregar sua Mãe a cada um de nós. Ela também é nossa Mãe. Isso não faria sentido se Maria tivesse outros filhos, já que eles teriam sido encarregados de cuidar dela após a morte de Jesus. E isso deve importar para todos os cristãos.

Citando a Lumen Gentium, o Catecismo da Igreja Católica afirma que “o nascimento de Cristo ‘não diminuiu, antes consagrou a integridade virginal’ da sua Mãe” (§ 499). E este ponto merece destaque especial: o nascimento virginal não foi apenas um “truque”, um milagre usado para “empolgar” as pessoas, sinalizando que algo especial aconteceu. Foi um claro indício de que Maria foi consagrada (reservada, por seu fiat) para o serviço a Deus, conformando sua vontade com a de Deus. Ela foi separada por sua virgindade, e sua virgindade foi santificada por Nosso Senhor em seu nascimento.

O parto virginal e a virgindade perpétua de Maria são sinais da sua consagração total a Deus, de serviço sincero a Ele e de um abandono total à sua vontade. Ao longo dos séculos, cristãos de todos os matizes têm defendido essa doutrina, às vezes com veemência em face de oposições. O fato da sua virgindade perpétua é importante, porque Maria foi dada a todos nós como Mãe espiritual, símbolo da Igreja. Todos os cristãos fariam bem em se voltar para Nossa Senhora e ver, em sua virgindade perpétua, um sinal da Providência de Deus.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

Por que entrarei para um mosteiro em 2021?
Testemunhos

Por que entrarei
para um mosteiro em 2021?

Por que entrarei para um mosteiro em 2021?

Vivemos numa “época sem precedentes”. É por isso que, seguindo o precedente de São Bento, Santa Catarina e Santa Teresinha, entrarei para um mosteiro em 2021. Porque às vezes precisamos abandonar o mundo para amá-lo.

Gretchen ErlichmanTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere6 de Maio de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
imprimir

Vivemos numa “época sem precedentes”. Esta frase, repetida com tanta frequência, não apenas tomou as manchetes dos jornais e adornou os lábios de muitos apresentadores, mas também se tornou um mantra sempre presente em nossos encontros cotidianos. “Época sem precedentes” descreve o desconcertante conglomerado de caos político, tensões religiosas e uma sociedade conduzida por uma pandemia.

Porém, são precisamente épocas como esta que estabelecem um precedente para vocações à vida contemplativa: o Império Romano desmoronava, enquanto S. Bento compunha sua regra monástica. O Grande Cisma do Ocidente atormentava o papado, enquanto S. Catarina de Siena fazia penitência pela regeneração da Igreja. As religiosas do Carmelo de Lisieux morriam de gripe asiática, enquanto S. Teresinha rezava pela saúde e regeneração da Europa.

Em poucos meses, seguirei esse precedente, deixando para trás a vida que conheço a fim de entrar como postulante entre as irmãs dominicanas contemplativas do Mosteiro de Nossa Senhora das Graças, em North Guilford, Connecticut. Para mim, essa parece ser a melhor resposta que posso dar ao nosso atual contexto social e à vida, em sentido mais amplo.

Mas talvez essa ideia não seja tão bem compreendida quanto eu esperava. Ao compartilhar essa intenção com outras pessoas, tenho recebido de amigos, familiares, conhecidos e estranhos um número cada vez maior de perguntas em tom de perplexidade, todas elas questionando minha decisão de entrar para um mosteiro. — Por que eu faria isso justamente agora? Por que eu gostaria que minha última experiência do “mundo” fosse a de uma sociedade conduzida por uma pandemia? Por que, em meio ao caos do ambiente político e religioso desta época, eu me trancaria num claustro? — Alguns sugerem que uma pessoa só faria tal escolha com o objetivo de fugir dos problemas do mundo. Outros veem nisso uma negação heróica das coisas “mundanas”. Essas respostas erram o alvo.

É justamente o desejo de me dedicar a esta “época sem precedentes” que fortalece minha determinação de buscar uma vida como religiosa dominicana contemplativa. Não entrarei num mosteiro para fugir do mundo nem para mostrar uma falsa piedade. Entrarei na vida religiosa a fim de seguir a minha vocação particular, através da qual poderei realizar mais perfeitamente minha missão como membro cristã da sociedade humana. Ao renunciar às coisas do mundo, uma religiosa afirma de modo radical a realidade do bem e do mal no mundo. Ao entrar para o claustro, ela se torna livre para penetrar com mais profundidade o sofrimento de um mundo que sofre. E, ao fechar os olhos na oração, ela é capaz de abrir seu coração para um mundo desesperadamente carente.

Um dos lemas da Ordem dos Pregadores é contemplare et contemplata aliis tradere (“contemplar e transmitir aos outros as coisas contempladas”). Depois de discernir pela primeira vez a respeito da vida contemplativa, não sabia ao certo como esse lema se manifestaria na vida de uma irmã de clausura. Hoje, compreendo que é por meio de uma vida contemplativa que me comprometerei de modo pleno e frutífero com um mundo sofredor. Por meio de uma vida de oração e penitência e afastada do mundo, uma irmã contemplativa está intimamente unida em solidariedade àqueles que sofrem no mundo. Esta solidariedade é definida pela oferta plena de si em prol de um bem muito maior do que ela mesma; é um derramamento de sua vida de oração e penitência pelo bem comum do mundo ao redor dela. É por meio desta solidariedade que ela cumpre sua vocação: contemplare et contemplata aliis tradere.    

O Papa S. João Paulo II afirma exatamente isso em sua carta apostólica Salvifici doloris:

É necessário, portanto, cultivar em si próprio esta sensibilidade do coração, que se demonstra na compaixão por quem sofre. Por vezes esta compaixão acaba por ser a única ou a principal expressão do nosso amor e da nossa solidariedade com o homem que sofre (...) Pode-se dizer mesmo que se dá a si próprio, o seu próprio “eu”, ao outro. Tocamos aqui um dos pontos-chave de toda a antropologia cristã. O homem “não pode encontrar a sua própria plenitude a não ser no dom sincero de si mesmo”. Bom Samaritano é o homem capaz, exatamente, de um tal dom de si mesmo (n. 28).

Toda pessoa é chamada a viver uma manifestação específica desse “sincero dom de si” por meio de sua vocação pessoal: os pais sacrificam o próprio conforto em prol dos filhos; os profissionais da saúde põem as próprias vidas na linha de frente em prol da saúde e do bem-estar dos outros; os membros do clero são obrigados a viver à altura do desafio de viver e pregar a verdade, não importa a que custo. Eu, junto com minhas futuras irmãs, sou chamada a participar de todos esses sofrimentos de modo sobrenatural, por meio do dom da vida contemplativa.

Religiosas contemplativas são chamadas a oferecer orações pela mãe exausta que não consegue rezar após uma noite em claro com seu filho; a fazer penitência pelo homem que está morrendo sozinho e precisa da graça da conversão; a ajoelhar-se diante do Santíssimo Sacramento e implorar pela paz em nossa nação e pela fertilidade da Igreja. Como religiosa, usarei minha vida para unir todos esses sofrimentos ao sofrimento de Cristo na cruz. Cristo fez-se homem e sacrificou sua vida humana pela salvação da humanidade. Dentro das muralhas do mosteiro, religiosas sacrificam suas próprias vidas humanas e as unem à de Cristo, levando assim toda a humanidade para Ele, e Ele para toda a humanidade.  

Assim que eu entrar no mosteiro, minha “janela” para o mundo consistirá numa pequena abertura na grade da capela onde está o ostensório com o Santíssimo Sacramento. Literalmente, verei o mundo exterior através de Cristo. Que expressão perfeita da vida religiosa que eu desejo buscar! G. K. Chesterton escreveu o seguinte: “O voto é para o homem o que o canto é para o pássaro ou o latido para o cão; é a voz pela qual ele é conhecido” (The Barbarism of Berlin). É na busca por uma vida com os votos de pobreza, castidade e obediência no interior das silenciosas muralhas do claustro que desejo ser escutada.

Por isso, estou seguindo o precedente de S. Bento, S. Catarina e S. Teresinha nesta “época sem precedentes” e entrarei para um mosteiro em 2021. Porque às vezes precisamos abandonar o mundo para amá-lo.

Notas

  • A fotografia acima, é da profissão da Irmã Maria Teresa do Sagrado Coração, religiosa dominicana no Mosteiro de Nossa Senhora do Rosário, em Summit, Nova Jersey. Créditos: Toni Greaves.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

Novena em honra a Nossa Senhora de Fátima
Oração

Novena em honra a
Nossa Senhora de Fátima

Novena em honra a Nossa Senhora de Fátima

No dia 13 de maio de 1917, a Santíssima Virgem Maria apareceu na cidade portuguesa de Fátima, deixando a todos os homens uma mensagem de salvação. Prepare-se para celebrar este acontecimento, rezando conosco esta novena.

Equipe Christo Nihil Praeponere3 de Maio de 2021Tempo de leitura: 7 minutos
imprimir

Esta novena em honra a Nossa Senhora de Fátima pode ser rezada a qualquer tempo, mas é particularmente recomendada nos nove dias que precedem a sua festa, isto é, de 4 a 12 de maio. 

O texto abaixo encontra-se em inúmeros lugares da internet, com pequenas variações de forma e conteúdo. Inclui uma oração litúrgica e outras que os próprios pastorinhos de Fátima aprenderam das aparições que receberam do céu. As demais são, também, muito belas e apropriadas, mas sua fonte é desconhecida. O trabalho de nossa equipe foi apenas no sentido de revisar e organizar o que encontramos.

Cada um é livre para adaptar a novena às próprias necessidades, acrescentando-lhe outras leituras e orações que aumentem a devoção. Pois as fórmulas a seguir não são “palavras mágicas”, que basta pronunciar para ver atendida a sua prece. Se a mente e o coração não acompanham nossas palavras, elas de nada servem; são como um “corpo sem alma”. 

Além disso, ao apresentarmos a Deus nossos pedidos, devemos sempre submetê-los à sua vontade. Pois, muitas vezes, o que imaginamos como uma graça para nós, pode não o ser de fato. Deus sabe mais e melhor o que convém a nós e à nossa eterna salvação.


Orações iniciais. — Ó meu Deus! Eu creio, adoro, espero e vos amo. Peço-vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não vos amam. Ó Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo! Eu vos adoro profundamente e vos ofereço o preciosíssimo corpo, sangue, alma e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido, e pelos méritos infinitos do seu Sacratíssimo Coração e do Imaculado Coração de Maria, peço-vos a conversão dos pobres pecadores.

Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente as que mais precisarem.

Ó Santíssima Virgem Maria, Rainha do Rosário e Mãe de Misericórdia, que vos dignastes manifestar em Fátima a ternura do vosso Imaculado Coração, trazendo-nos mensagens de salvação e paz, confiados em vossa misericórdia maternal e agradecidos das bondades de vosso amantíssimo Coração, viemos a vossos pés para render-vos o tributo de nossa veneração e amor. Concedei-nos as graças de que necessitamos para cumprir fielmente vossa mensagem de amor e as que vos pedimos nesta novena (pedir as graças), se forem elas para maior glória de Deus, honra vossa e proveito de nossas almas. Assim seja.

1.º dia — Penitência e reparação

Ó Santíssima Virgem Maria, Mãe dos pobres pecadores, que, aparecendo em Fátima, deixastes transparecer em vosso rosto celestial uma leve sombra de tristeza, para indicar a dor que causam os pecados dos homens, a quem, com maternal compaixão, exortastes a não afligir mais a vosso Filho com a culpa e a reparar os pecados com a mortificação e a penitência: dai-nos a graça de uma sincera dor dos pecados cometidos e a resolução generosa de reparar com obras de penitência e mortificação todas as ofensas contra o vosso divino Filho e o vosso Coração Imaculado. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

2.º dia — Santidade de vida

Ó Santíssima Virgem Maria, Mãe da divina graça, que, vestida de nívea brancura, aparecestes aos pastorinhos singelos e inocentes, ensinando-lhes assim o quanto devemos amar e procurar a inocência da alma, e que pedistes, por meio deles, a emenda dos costumes e a santidade de uma vida cristã perfeita: concedei-nos misericordiosamente a graça de saber apreciar a dignidade de nossa condição de cristãos e levar uma vida conforme as promessas batismais.

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

3.º dia — Amor à oração

Ó Santíssima Virgem Maria, Vaso insigne de devoção, que aparecestes em Fátima tendo pendente de vossas mãos o santo Rosário e que insistentemente repetias: “Orai, orai muito” para conseguir findar, por meio da oração, os males que nos ameaçam: concedei-nos o dom e o espírito de oração, a graça de sermos fiéis no cumprimento do grande preceito de orar, fazendo-o todos os dias, para assim observar bem os santos Mandamentos, vencer as tentações e chegar ao conhecimento e ao amor de Jesus Cristo nesta vida e à união feliz com Ele na outra. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

4.º dia — Amor à Igreja

Ó Santíssima Virgem Maria, Rainha da Igreja, que exortastes os pastorinhos de Fátima a rogar pelo Papa e infundistes em suas almas sinceras uma grande veneração e amor por ele, como Vigário de vosso Filho e seu representante na Terra, infundi também em nós o espírito de veneração e docilidade à autoridade do Romano Pontífice, de adesão inquebrantável aos seus ensinamentos e, nele e com ele, um grande amor e respeito a todos os ministros da Santa Igreja, por meio dos quais participamos da vida da graça nos sacramentos. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

5.º dia — Maria, Saúde dos enfermos

Ó Santíssima Virgem Maria, Saúde dos enfermos e Amparo dos aflitos, que, movida pelo rogo dos pastorinhos, fizestes já curas em vossas aparições em Fátima e haveis convertido este lugar, santificado por vossa presença, em oficina de vossas misericórdias maternais em favor de todos os aflitos, ao vosso Coração maternal acudimos cheios de filial confiança, mostrando as enfermidades de nossas almas e as aflições e doenças todas de nossa vida: lançai sobre elas um olhar de compaixão e remediai-as com a ternura de vossas mãos, para que assim vos possamos servir e amar com todo o nosso coração e com todo o nosso ser. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

6.º dia — Maria, Refúgio dos pecadores

Ó Santíssima Virgem Maria, Refúgio dos pecadores, que ensinastes aos pastorinhos de Fátima a rogar incessantemente ao Senhor, para que os desgraçados não caiam nas penas eternas do inferno, e que manifestastes a um dos três que os pecados da carne são os que mais almas arrastam àquelas terríveis chamas: colocai em nossas almas um grande horror ao pecado e o temor santo da justiça divina; ao mesmo tempo, despertai em nós compaixão pelos pobres pecadores e um santo zelo para trabalhar, com nossas orações, exemplos e palavras, por sua conversão. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

7.º dia — Maria, Alívio das almas do purgatório

Ó Santíssima Virgem Maria, Rainha do purgatório, que ensinastes aos pastorinhos de Fátima a rogar a Deus pelas almas do purgatório, especialmente pelas mais abandonadas, encomendamos à inesgotável ternura de vosso maternal Coração todas as almas que padecem naquele lugar de purificação, em particular as de todos os nossos conhecidos e familiares e as mais abandonadas e necessitadas. Aliviai suas penas e levai-as prontas à região da luz e da paz, para ali cantarem perpetuamente vossas misericórdias.

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

8.º dia — Maria, Rainha do Rosário

Ó Santíssima Virgem Maria, que em vossa última aparição vos destes a conhecer como Rainha do santíssimo Rosário e em todas as aparições recomendastes a récita dessa devoção como remédio mais seguro e eficaz para todos os males e calamidades que nos afligem, tanto de alma quanto de corpo, tanto públicas quanto privadas: colocai em nossas almas uma profunda estima pelos mistérios de nossa Redenção, que se comemoram na récita do Rosário, para assim vivermos sempre de seus frutos. Concedei-nos a graça de sermos sempre fiéis à prática de rezá-lo diariamente, para vos honrarmos a vós, acompanhando vossas alegrias, dores e glórias, e assim merecermos vossa maternal proteção e assistência em todos os momentos da vida, mais especialmente na hora da morte.

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

9.º dia — Imaculado Coração de Maria

Ó Santíssima Virgem Maria, nossa Mãe dulcíssima, que escolhestes os pastorinhos de Fátima para mostrar ao mundo as ternuras de vosso Coração misericordioso e lhes propusestes a devoção a ele como o meio pelo qual Deus quer dar a paz ao mundo, como o caminho para levar as almas a Ele e como penhor supremo de salvação: fazei, ó Coração da mais terna das mães, que possamos compreender vossa mensagem de amor e misericórdia, que a abracemos com filial adesão e que a pratiquemos sempre com fervor. Assim seja vosso Coração nosso refúgio, nossa esperança e o caminho que nos conduz ao amor e à união com vosso filho Jesus. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

Oração final. — Ó Deus, cujo Filho unigênito, por sua vida, morte e ressurreição, nos mereceu as recompensas da salvação eterna: concedei-nos, nós vos pedimos, que, recordando pelo santíssimo Rosário estes mistérios da bem-aventurada Virgem Maria, imitemos o que encerram e obtenhamos o que prometem. Pelo mesmo Jesus Cristo, Senhor nosso. Amém.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

PL contra ativismo judicial pode ser aprovado amanhã!
Notícias

PL contra ativismo judicial
pode ser aprovado amanhã!

PL contra ativismo judicial pode ser aprovado amanhã!

O Projeto de Lei 4754/2016, que tipifica como crime de responsabilidade, passível de impeachment, a usurpação de competência do Poder Legislativo ou Executivo pelos ministros do STF, está pautado para votação nesta terça-feira, 4 de maio.

Equipe Christo Nihil Praeponere3 de Maio de 2021Tempo de leitura: 3 minutos
imprimir

O Projeto de Lei 4754/2016, que tipifica como crime de responsabilidade passível de impeachment a usurpação de competência do Poder Legislativo ou do Poder Executivo por parte dos ministros do Supremo Tribunal Federal, está pautado para ser votado nesta terça-feira na Comissão de Constitucionalidade e Justiça da Câmara dos Deputados.

A previsão é que, contrariamente a situações anteriores e diante do novo ambiente político, o projeto tenha grande probabilidade de ser aprovado. A manifestação dos cidadãos pode ser o fator decisivo

Os ministros do Supremo Tribunal Federal têm abusado de suas competências para legislar e modificar a Constituição. Os abusos são tão constantes e notórios que não é necessário enumerá-los. A menos que não se crie a legislação adequada para que os poderes Executivo e Legislativo possam defender-se destes abusos, o STF poderá proximamente impor o ensino obrigatório da ideologia de gênero para todo o sistema escolar e aprovar o aborto totalmente livre no país. 

O PL 4754/2016 não irá remediar o problema, mas é o pressuposto jurídico para que os verdadeiros remédios possam ser elaborados. O ativismo judicial é crime gravíssimo, mas antes que se possam elaborar medidas legislativas contra qualquer crime, o próprio crime tem de ser tipificado e reconhecido como tal pela lei. É isto o que faz o PL 4754/2016. 

A justificativa deste Projeto de Lei é simples e curta, consistindo apenas de um único parágrafo: 

A Constituição atribui competências específicas a cada um dos três poderes, exigindo que estes zelem pela preservação das mesmas. A Lei 1079/1950, que define os crimes de responsabilidade, é pródiga ao listar os crimes de responsabilidade do Presidente da República e dos Ministros de Estado, mas lacônica ao fazer o mesmo com os membros do judiciário. Sem dúvida este fato se deve ao modo exemplar como os juízes têm desempenhado suas funções em nosso país. Sabe-se, entretanto, que a doutrina jurídica recente tem realizado diversas tentativas para justificar o ativismo judiciário, algo praticamente inexistente em nosso país nos anos 50, época em que foi promulgada a lei que define os crimes de responsabilidade. Este ativismo, se aceito como doutrina pela comunidade jurídica, fará com que o Poder Judiciário possa usurpar a competência legislativa do Congresso. Não existem atualmente, por outro lado, normas jurídicas que estabeleçam como, diante desta eventualidade, esta casa poderia zelar pela preservação de suas competências. De onde decorre a importância da aprovação deste projeto.

O PL 4754 é, portanto, bastante simples. Ele só explicita o que é pressuposto da própria Constituição: que os três poderes são independentes e um não pode se imiscuir nas competências do outro.

Pedimos, pois, a todos os que receberem esta mensagem, que telefonem, enviem e-mails e se comuniquem com os deputados da Comissão de Justiça e Constitucionalidade da Câmara através de suas redes sociais, para que votem favoravelmente à matéria pautada. Abaixo se encontram: 

No momento de se comunicar com os deputados, sejam eles quais forem, seja educado ao extremo, mas firme e claro na expressão de suas posições. Mais importante do que o e-mail é telefonar de viva voz e manifestar-se nas redes sociais.

Ligue primeiro para os deputados de seu estado e identifique-se como cidadão desta unidade da federação. Você é eleitor deles, eles representam você, e lhe darão mais atenção se for do mesmo estado. Em seguida, ligue também para os deputados dos demais estados. É muito importante explicar claramente aos assessores dos deputados a importância do PL 4754/2016. 

Estamos em uma democracia, e não numa monarquia ou aristocracia. Insistam em comunicar-se e fazer com que mais pessoas entrem em contato. Não deixem a tarefa apenas para autoridades e especialistas. Isso vai fazer toda a diferença. 

Ao deixar sua mensagem, não copie e cole. Não faça nada padronizado. Use suas próprias palavras. Seja você mesmo. Mostre que o que você diz é a expressão de sua própria cidadania, e não da dos outros. Não delegue suas obrigações políticas aos outros.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.