Os tempos modernos não só carecem das verdadeiras virtudes, como padecem de sérios e graves vícios. Mais do que pecar, o homem tem exaltado o pecado como "modelo" de comportamento. E sua conduta, infelizmente, acaba refletindo na maneira como ele produz a arte.

O vaso sanitário de Marcel Duchamp exposto nas galerias artísticas é um exemplo de como a arte tem deixado de buscar a beleza para retratar a frivolidade do cotidiano. A indecência, o despudor e a banalização da sexualidade são considerados pelas classes falantes temas "artísticos" e aquilo que deveria ser um oásis converte-se em terreno mais terrível que o próprio deserto. Como destacou o Papa Bento XVI em encontro com artistas na Capela Sistina:

"Com muita frequência, a beleza propagada é ilusória e falsa, superficial e sedutora até ao aturdimento e, em vez de fazer sair os homens de si e de os abrir a horizontes de verdadeira liberdade atraindo-os para o alto, aprisiona-os em si mesmos e torna-os ainda mais escravos, privados de esperança e de alegria. Trata-se de uma beleza sedutora mas hipócrita, que desperta a cupidez, a vontade de poder, de posse, de prepotência sobre o outro e que se transforma, muito depressa, no seu contrário, assumindo o rosto do obsceno, da transgressão ou da provocação gratuita." [1]

Como consequência de um mundo cada vez mais materialista e fechado para o transcendente, presencia-se um triste fenômeno de decadência. Os homens submetem tudo à sua medida e mesmo aquilo que já foi inscrito definitivamente na natureza não aparece mais como um pressuposto. O resultado é uma "confusão dos diabos" – com toda a carga negativa que a expressão traz: legisladores que se acham "inspirados"; juízes que, com suas sentenças arbitrárias, se fazem deuses; "artistas" que transformam a indolência e a dissolução em "obras de arte".

Os jornais publicaram, na última semana, uma manchete dantesca: "Universitário vai perder virgindade anal (sic) em performance artística" [2]. O título do projeto é Art School Stole My Virginity ["A escola de arte roubou minha virgindade"]. Em resumo, um jovem inglês decidiu estrelar publicamente um ato homossexual, em uma galeria de Londres.

É o cúmulo da decadência? Pois a atitude de Clayton Pettet tem um "significado": destruir a virgindade, tal como é conhecida pela moral judaico-cristã. Em entrevista ao site Vice Brasil [3], ele afirma que a virgindade não passa de "um conceito usado para dar valores às mulheres, um termo heteronormativo que é constantemente usado para indicar o valor de alguém". Assim, "a virgindade é usada para ditar seu valor dependendo do seu gênero".

O universitário europeu vai além e diz que isto "é algo para contar para os netos". "Quero que isso seja algo a ser lembrado, como qualquer artista", revelou.

Se isto já parece absurdo demais, é preciso esclarecer que se trata apenas da "ponta do iceberg", por assim dizer. Por trás de uma exibição como essa, com a intenção de chocar, existe um trabalho ideológico pesado. Está a se falar de várias pessoas financiadas e comprometidas com a malfadada agenda de gênero - que procura eliminar, de modo arbitrário, as diferenças inerentes aos sexos masculino e feminino - e com o que chamam de "desconstrução da heteronormatividade" - uma expressão eufemística para mascarar a destruição da família e da relação conjugal entre homem e mulher. Assim, ao mesmo tempo em que se expõe o ridículo em uma galeria de arte, prepara-se o indecente e o imoral para ser colocado nas cartilhas de educação para crianças e adolescentes.

De fato, a destruição da arte e o fato de que ela não mais se preocupe em retratar a beleza é apenas sintoma de um problema muito maior, que envolve o próprio fundamento da existência humana. Se é verdade, como dizia Paulo VI, que "o mundo em que vivemos tem necessidade de beleza para não cair no desespero" [4], não resta dúvida de que este século já enlouqueceu há muito tempo.