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Ratisbona e a intolerância do secularismo ocidental
MarxismoSociedade

Ratisbona e a intolerância
do secularismo ocidental

Ratisbona e a intolerância do secularismo ocidental

Há uma intolerância e um fanatismo vigentes no Ocidente, muito semelhantes, em essência, àqueles que imperam no mundo islâmico. É o que o Papa Bento XVI tentou alertar, sem sucesso, em Ratisbona.

John H. Boyer,  Crisis MagazineTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere14 de Outubro de 2016
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Os ataques terroristas de 11 de setembro acabaram de completar 15 anos. Com eles, no dia seguinte, completou seu décimo aniversário o famoso discurso do Papa Bento XVI em Ratisbona, na Alemanha. Ainda que a controvérsia sobre essa breve exposição se tenha concentrado nos comentários do Papa a respeito do Islã e da violência, a principal crítica do pontífice era direcionada não ao Islã, mas ao Ocidente.

O propósito de Ratzinger era prover "uma crítica à razão moderna a partir do seu interior", mostrando as autorrestrições que ela tem imposto a si mesma e que a têm tornado incapaz de responder a questões fundamentais de moralidade e da existência humana. Essas autorrestrições advêm da ideia de que só seria possível conhecer o que se pode comprovar empiricamente. Dita posição — que encontra em Bacon e em Hume os seus pioneiros e no positivismo lógico do início do século XX, a sua expressão mais forte — é vista muito claramente hoje sob a forma de "cientificismo", ideologia segundo a qual todo conhecimento vem da ciência e qualquer coisa que não possa ser investigada por raciocínio dedutivo-hipotético, usando métodos quantitativos, não passa de crença e superstição irracional. O cientificismo não sustenta que os métodos matemáticos das ciências experimentais (e até das ciências sociais) sejam a melhor forma de descobrir a verdade; eles seriam, na verdade, o único meio de fazê-lo.

Como sublinha o Papa Bento XVI, esse estreitamento da razão acarreta inúmeras consequências. Em primeiro lugar, a razão moderna deve reconhecer que é incapaz de explicar seus próprios pressupostos. O cientificismo deve admitir "a estrutura racional da matéria e a correspondência entre o nosso espírito e as estruturas racionais operativas na natureza como um dado de fato, sobre o qual se baseia o seu percurso metódico". O método científico em si mesmo não pode ser justificado usando o método científico, a ponto de podermos dizer inclusive que esse é um método "exclusivo" das ciências naturais. Em segundo lugar, não cabe à ciência comentar ou avaliar a racionalidade de crenças religiosas e asserções morais. A constrição que impossibilita o Ocidente de criticar ou dialogar com o Islã é a mesma que torna o secularismo ocidental incapaz e desinteressado de ouvir ou mesmo tolerar a moral cristã tradicional no próprio Ocidente.

A descrição de razão moderna feita pelo Pontífice pode ajudar-nos a entender melhor a relutância da esquerda atual em tentar dialogar com religiosos e conservadores no Ocidente. Por um lado, credos religiosos tendem a ser considerados intrinsecamente irracionais. Entendimentos tradicionais a respeito de complementaridade sexual, sexo e gênero, igualdade e justiça são vistos como se não tivessem qualquer base sólida. Isso ajuda a explicar por que, ao descreverem o que consideram intolerância, as pessoas vêm substituindo "ismos" por "fobias".

Ironicamente, a ligação que Ratzinger faz entre voluntarismo e coação, encontrada na teologia violenta da jihad — "está certo porque Deus quer e, se Ele mandar, também podemos impô-lo violentamente" —, aplica-se perfeitamente ao movimento revolucionário moderno. A esquerda secularista moderna é coerciva. Ao invés de tentar convencer seus oponentes raciocinando a partir de princípios comuns, o que ela procura fazer é silenciá-los. A atual ideologia de gênero surgiu praticamente do nada. Isso não significa dizer que não houve nenhuma estrutura intelectual da qual ela tenha advindo. Houve, sim, e trata-se de uma estrutura perturbadora. No entanto, sem qualquer debate ou tentativa de persuasão, pessoas comuns foram simplesmente informadas de que, agora, deveriam aceitar e jurar fidelidade a uma ideologia que reconhece homens travestidos de "mulheres". Quaisquer pessoas que não usem sua voz para louvá-los ou suas mãos para aplaudi-los não são apenas insensíveis como constituem casos de "fanatismo" e "intolerância", provenientes de uma "fobia" profundamente arraigada. Não pode haver nenhuma dissensão.

O mesmo pode ser observado na chamada teoria do "privilégio" e na sua prática nos campus das universidades. O apelo "Reveja seus privilégios" (Check your privilege), constante em sites de esquerda norte-americanos, não serve senão para afirmar que homens brancos, heterossexuais e "cisgêneros" devem reconhecer que possuem vantagens imerecidas na sociedade. É uma declaração de que eles não têm nenhum direito de opinar sobre questões de "interseccionalidade". Isso equivale à reivindicação de que as minorias detêm um lugar privilegiado para julgar o que é justo e injusto com base puramente em seu tom de pele, em sua "orientação sexual", em sua "identidade de gênero" etc. Se alguém de qualquer uma dessas classes "oprimidas" se sentir minimamente agredido, então o que quer que tenha acionado esses sentimentos de opressão deve ser considerado injusto e imoral. Não se trata de um juízo moral baseado em princípios comuns de racionalidade. "Eu não gosto, então está errado e você tem que respeitar os meus sentimentos" é um exemplo textual do ressentimento nietzscheniano, a "vontade de poder" exercida pelos ressentidos.

Analisando essa situação a partir dos comentários do Papa, percebemos que tudo isso não passa de uma forma diferente de voluntarismo. A esquerda não quer usar argumentos recorrendo à razão; o que ela quer é encerrar toda e qualquer discussão. Acontece que a expressão "cala a boca" não é racionalidade, mas arbítrio puro e simples. Será que deveríamos surpreender-nos, no entanto, com um desenvolvimento desse tipo, quando o conceito moderno de razão definiu que questões morais e existenciais estão para além dos limites da investigação racional? Essa é a consequência de estreitar a esfera da razão ao que é puramente matemático. Raciocínios filosóficos sobre moralidade deixaram de ser científicos ou racionais. Se é assim, não há necessidade alguma de tentar convencer aqueles que discordam de você. Os outros devem simplesmente ser silenciados.

Isso tudo é bastante irônico, é claro. Os proponentes da "liberação" sexual, da confusão de gênero e de todas essas coisas demonizam a moral cristã como objetivamente retrógrada e errada — e falam com certeza e segurança morais. Acontece que o mesmo argumento, de que a fé cristã deve ser rejeitada como irracional por não ser científica, aplica-se igualmente à nova ortodoxia da esquerda. Como católicos, porém, não devemos meramente contentar-nos em apontar essa inconsistência. Afinal, se nosso único argumento for tu quoque ("você também"), acabamos abandonando a premissa de que os ensinamentos da Igreja têm fundamento e podem ser conhecidos e defendidos racionalmente.

Se é verdade que devemos defender nossa liberdade religiosa, não podemos simplesmente dizer: "Eu me oponho ao casamento gay porque sou católico". Precisamos explicar que nos opomos a isso porque se trata de uma incompreensão e de uma perversão do casamento, baseada em um falso entendimento da natureza humana, do sexo e do amor. Do mesmo modo, não nos opomos ao aborto simplesmente porque o Papa nos diz para fazê-lo. Opomo-nos a isso pela mesma razão por que o Papa se opõe: porque é algo objetivamente mau, e nós podemos usar a razão para demonstrá-lo.

Em seu discurso, o Papa Bento XVI defendeu por que é imperativo à academia reconhecer que os amplos horizontes da investigação racional incluem questões de fé, de moral e de metafísica. Para aqueles que não estão na educação superior, que nada têm a dizer sobre esse departamento, nós devemos continuar a educar-nos e prover defesas claras e racionais de nossos princípios morais. Não devemos pressupor que a fé é a crença cega em afirmações que não podem ser amparadas ou fundamentadas pela razão. Apelar para a liberdade religiosa como argumento único é implicitamente conceder que a religião é algo irracional e, no fim das contas, sequer seremos capazes de explicar por que nos é devida essa liberdade, em primeiro lugar.

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Conheça e aprenda a rezar a Ladainha da Humildade
Oração

Conheça e aprenda
a rezar a Ladainha da Humildade

Conheça e aprenda a rezar a Ladainha da Humildade

Uma oração simples, mas cativante, composta por um Cardeal da Igreja e amigo íntimo do Papa São Pio X.

Equipe Christo Nihil Praeponere16 de Novembro de 2017
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Nesta oração composta pelo Cardeal Merry del Val, secretário do Estado do Vaticano durante o pontificado de São Pio X, peçamos juntos ao Senhor a graça da humildade de coração, alicerce da vida interior e remédio eficaz contra o pecado da soberba.

Jesus, manso e humilde de coração, ouvi-me.
Do desejo de ser estimado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser amado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser conhecido, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser honrado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser louvado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser preferido, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser consultado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser aprovado, livrai-me, ó Jesus.

Do receio de ser humilhado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser desprezado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de sofrer repulsas, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser caluniado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser esquecido, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser ridicularizado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser difamado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser objeto de suspeita, livrai-me, ó Jesus.

Que os outros sejam amados mais do que eu, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros sejam estimados mais do que eu,
Que os outros possam elevar-se na opinião do mundo, e que eu possa ser diminuído,
Que os outros possam ser escolhidos e eu posto de lado,
Que os outros possam ser louvados e eu desprezado,
Que os outros possam ser preferidos a mim em todas as coisas,
Que os outros possam ser mais santos do que eu, embora me torne o mais santo quanto me for possível, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.

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Onde estava a Igreja de Cristo antes de Lutero?
Igreja Católica

Onde estava a Igreja de Cristo
antes de Lutero?

Onde estava a Igreja de Cristo antes de Lutero?

Se a Igreja Católica foi em algum tempo a verdadeira Igreja, então ela nunca cessou, nunca cessará de o ser, até o fim dos tempos. Do contrário, Jesus Cristo nos enganou.

Pe. Leonel Franca16 de Novembro de 2017
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Da infalibilidade da Igreja deriva um corolário fatal a todas as heresias. Qualquer grupo de almas batizadas que se separa da comunhão dos fiéis e rompe com os ensinamentos e tradições antigas já está condenado pela sua própria novidade.

A Igreja de Cristo é una como a verdade. O Espírito Santo nela habita com a sua assistência continuada todos os dias, até a consumação dos tempos. Impossível assinalar uma época na história em que a Esposa do Verbo se tenha desviado da senda real da ortodoxia. As promessas divinas falhariam, Cristo deixaria de ser Deus e a religião por ele instituída afundaria para sempre no pego imenso das superstições humanas.

Após 15 séculos de cristianismo levante-se um monge no coração da Alemanha e lança ao mundo o pregão de uma reforma. Simples regeneração dos costumes?

Não, reforma doutrinal.

O que então se chamava doutrina cristã admitida pela Igreja universal era uma adulteração profunda do Evangelho, um acervo de superstições e idolatrias, patrocinadas pelo anticristo de Roma. A Igreja se havia apartado da verdadeira fé: era mister reconduzi-la às fontes genuínas do Evangelho.

Cristo errara a mão. Fundara uma sociedade fadada a destinos imortais. Plantara-a no mundo como cidade visível para acolher os eleitos. Mas apenas saída das suas mãos divinas, apenas o mundo pagão, com a paz de Constantino, viera buscar à sombra da cruz a verdade e a vida, a Igreja desfalece, corrompe-se, paganiza-se. Onze séculos de ignorância, de trevas e de superstições ensombraram a obra do Salvador.

"A entrega das chaves a S. Pedro", de Pietro Perugino.

Foi mister que um frade apóstata, sensual e orgulhoso apontasse no horizonte religioso da humanidade para reconduzi-la aos mananciais cristalinos do Evangelho, e, mais feliz, mais próvido, mais sábio, mais poderoso que o Cristo, fundasse uma nova Igreja de vitalidade menos efêmera, Igreja imorredoura e incorruptível, destinada a acolher sob as suas tendas as gerações do porvir. Eis a significação real do protestantismo. Eis outrossim a sua condenação, a seta fatal que se lhe embebeu no peito e há de arrastá-lo à morte inevitável.

Se Cristo é Deus, se Cristo fundou uma Igreja, essa é indefectível e imortal como as obras divinas. Mas se a Igreja caiu no erro, as portas do inferno prevaleceram contra ela e Cristo não manteve a sua promessa. Cristo enganou-nos, Cristo não é Deus, e o cristianismo é uma grande impostura. É tão forte a consequência que muitos protestantes por este motivo abjuraram o cristianismo. É o exemplo de Staudlin, que dizia:

Se na religião partimos de um princípio sobrenatural (como uma revelação, a Bíblia, por exemplo ou o Corão), cumpre necessariamente admitir que a Divindade, comunicando uma revelação ao homem, deve prover outrossim o modo de impedir que o sentido desta revelação não seja abandonado às arbitrariedades do juízo subjetivo. Esta inconsequência de Jesus Cristo não me permite considerá-lo senão como um sábio benfeitor. [1]

Ochin, outro protestante, que no dizer de Calvino, era mais sábio ele só que a Itália inteira, chegava pelo mesmo caminho à mesma conclusão. “Considerando, de um lado, como poderia a Igreja haver sido fundada por Jesus Cristo e regada com o seu sangue, e, do outro, como poderia ela ser fundamentalmente adulterada pelo catolicismo, como estamos vendo, conclui que aquele que a estabeleceu não podia ser o Filho de Deus; faltou-lhe evidentemente a Providência” [2]. E Ochin, renunciando ao protestantismo, fez-se judeu.

Nada, com efeito, mais diametralmente oposto aos ensinamentos e promessas do Evangelho do que a ideia de uma Igreja que pode desgarrar da sua primeira instituição, pregar o erro e a corrupção. O Espírito de Verdade habitará nela para todo o sempre: prometeu-o formalmente Cristo. Formalmente mandou-nos o Senhor que obedecêssemos à Igreja em todos os tempos e em todos os lugares. Não nos disse: Escutai a Igreja durante 300 ou 1.000 anos, mas ouvi-a sempre, sem nenhum limite de tempo, sem nenhuma reserva, sem nenhuma restrição. “Quem não ouve a Igreja, seja considerado como pagão ou pecador” (Mt 18, 17).

Ora, evidentemente, antes de Lutero existia uma Igreja, a Igreja católica, que por uma sucessão ininterrupta de pastores ascendia aos apóstolos, e, por meio dos apóstolos, ao próprio Cristo. Esta era a Igreja instituída pelo Salvador, esta a Igreja de que falam as promessas evangélicas. Fora dela, a história não conhece outra.

Quando nasceram as igrejas luteranas, calvinistas e anglicanas, já a Igreja católica tinha uma existência quinze vezes secular. Desde Jesus Cristo só há uma Igreja, a grande Igreja, como a chamavam os pagãos, a Igreja, simplesmente, sem epítetos derivados de nomes humanos, como a chamamos nós. Diante deste fato, afirmai agora que essa Igreja entrou a corromper-se no 4.º século e de todo adulterou a doutrina evangélica nas “trevas caliginosas da Idade Média” e tereis anulado as promessas de sua Providência, atributo distintivo da Divindade. Staudlin e Ochin são lógicos. Entre o catolicismo e o naturalismo deísta não há racionalmente meio termo. Se a Igreja católica foi em algum tempo a verdadeira Igreja, nunca cessou, nunca cessará de o ser, até o fim dos tempos [3]. Se não, Jesus Cristo enganou-nos. Seitas cristãs acatólicas são superfetação parasitária destinada a uma existência efêmera.

Por uma feliz incoerência, porém, muitos protestantes não resvalaram até ao fundo do abismo. Parando à meia encosta, esforçam-se por conservar alguns restos de cristianismo. Mas nem estes deixaram de sentir o fio cortante do argumento: onde estava a Igreja antes de Lutero?

Pergunta capciosa? Não, pergunta molesta, pergunta irrespondível, pergunta que vale por si uma apologia inteira, pergunta inexoravelmente fatal ao protestantismo.

Referências

  1. Magazin de l’histoire de la religion, 3e. partie, p. 83.
  2. Citado na obra Dialogues sur le protestantisme, p. 55.
  3. Bem dizia aquele filósofo: Se o Messias já veio, devemos ser católicos; se não veio, judeus; em nenhuma hipótese, protestantes.

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Preguiçoso não entra no Céu
Espiritualidade

Preguiçoso não entra no Céu

Preguiçoso não entra no Céu

A preguiça leva a todos os vícios, à miséria neste mundo e à condenação eterna no outro.

Mons. Ascânio Brandão14 de Novembro de 2017
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A Sagrada Escritura diz que a ociosidade é a mãe de todos os vícios, porque ensina muita maldade (cf. Eclo 33, 29).

Comentando esta passagem, escreve S. Bernardo:

O ferro se enferruja quando não se usa. O ar se corrompe e gera doenças quando não é agitado por muito tempo. A água sem correnteza torna-se fétida e nela se desenvolvem os insetos. Assim também o corpo que se corrompe pela preguiça torna-se uma sede de todas as más inclinações.

A ociosidade é má conselheira. Por isto um Padre da Igreja dizia: “Um homem ocupado só tem um demônio para o tentar. O preguiçoso tem cem”.

A preguiça é um grande mal. É mãe de todos os males. Preguiçoso não entra no céu. O Reino dos Céus padece violência. Só quem luta o alcança.

Nosso Senhor no Evangelho nos fala tanto da luta, da penitência, da cruz, do sacrifício, da guerra às paixões. Como seguir o Mestre de braços cruzados, na ociosidade?

O preguiçoso não pode se salvar. A preguiça leva a todos os vícios, à miséria neste mundo e à condenação eterna no outro.

Cuidado! Há uma preguiça espiritual verdadeiramente desastrada na piedade. É o mal dos nossos dias.

"Uma leitura interessante", de Miguel Jadraque y Sánchez Ocaña.

Muitos cristãos não perseveram na virtude por uma preguiça que os domina quando se trata das coisas eternas, do sacrifício, da luta pelo bem.

E queres saber quando nos domina esta preguiça espiritual? Eis os sinais:

  • Infidelidades contínuas à voz da consciência.
  • Um desprezo secreto das pessoas piedosas.
  • Distrações voluntárias e contínuas na oração.
  • Sacramentos recebidos com frieza e sem fruto.
  • Aborrecimento das coisas santas.
  • Inúmeras faltas repetidas e ausência de qualquer esforço para se corrigir.

Como sair deste triste estado?

Só há dois recursos: — Trabalho e Mortificação.

Referências

  • Transcrito e levemente adaptado de Meu ponto de meditação, do Padre Ascânio Brandão, Taubaté: Editora SCJ, 1941, p. 49s.

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Os fundamentos da escravidão à Virgem Santíssima
Virgem MariaTeologia

Os fundamentos da
escravidão à Virgem Santíssima

Os fundamentos da escravidão à Virgem Santíssima

O culto de escravidão sintetiza todos os cultos que devemos a Nossa Senhora, como Rainha que ela é de todo o universo.

Pe. Gabriel M. RoschiniTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere14 de Novembro de 2017
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Além do culto de veneração, de amor, de gratidão, de invocação e de imitação, à Virgem SS. é devido, como Rainha de todo o universo, um culto de escravidão. É este último ato de culto mariano que sintetiza todos os demais.

  • O escravo fiel à sua Rainha, se realmente o é, venera-a antes de tudo, reconhecendo sua singular excelência.
  • Em segundo lugar, ama-a e faz tudo o que a agrada, evitando tudo o que possa aborrecê-la.
  • Enche-se de gratidão por Ela, devido aos grandes favores que dela recebeu.
  • Está cheio de confiança em sua Rainha, se sabe que Ela conhece, pode e quer socorrê-lo em todas as suas necessidades.
  • O servo fiel à sua Rainha, enfim, se o é realmente, trata de imitá-la, uma vez que reconhece nEla o seu modelo ideal.

Eis aqui, portanto, como o ato de escravidão sintetiza todos os outros atos do culto singular que devemos a Maria SS., Mãe de Deus, Mãe dos homens, Corredentora do gênero humano, dispensadora de todas as graças divinas, modelo insuperável de nossa vida.

No conhecido Salmo 44, em que se celebram as núpcias do Rei messiânico, o autor inspirado não se esquece de ressaltar o culto de servidão tributado ao Rei incomparável e à Rainha, sua esposa, representada à sua direita. Diz-se do Rei que a ele se submeterão os povos (v. 6); põe-se de relevo a homenagem que lhe tributam suas filhas (v. 9). Depois, referindo-se à Rainha, o hagiógrafo nota como os habitantes de Tiro, uma das cidades ricas de então, vêm a Ela com seus presentes, e como os próceres do povo tratam de conquistar o seu favor (v. 13). Em outra parte, a Rainha é representada com um cortejo de virgens à sua volta, companheiras e servas suas, símbolo evidente daquela inumerável corte de almas — todas as almas verdadeiramente cristãs — que haveriam de servi-la.

Em outro lugar, prediz-se que todos os povos hão de servir o Rei messiânico: “Omnes gentes servient ei” (Sl 72, 11). Ora, não deveria dizer-se o mesmo da Rainha, Mãe e Esposa sua? Assim como Ela compartilha com Ele o domínio real sobre todas coisas, assim também deve compartilhar com Ele o culto de escravidão que lhe temos de tributar todos nós, já que o Rei e a Rainha constituem uma única pessoa moral.

O primeiro dos Padres da Igreja que se declarou expressamente “servo de Maria” foi, ao que parece, o diácono S. Efrém, o Sírio (306-373), chamado de “sol dos Sírios”, “harpa do Espírito Santo”, “o cantor de Maria”. Depois de proclamá-la “Senhora de todos os mortais”, S. Efrém se declara humildemente um “indigno servo seu”. Em seu primeiro canto de louvor a Maria, o santo lhe dirige esta ardente oração:

Ó Imaculada Virgem Maria, Mãe de Deus, Rainha do universo, esperança dos mais desesperados, gloriosíssima, ótima e honorabilíssima Senhora Nossa! Ó grande Princesa e Rainha, incomparável Virgem, puríssima e castíssima Senhora de todos os senhores, Mãe de Deus, nós nos entregamos e consagramos ao vosso serviço desde nossa infância. Levamos o nome de servos vossos.

Não permitais, pois, que Satanás, o espírito maligno, nos arraste para o inferno. Enchei de agora em diante a minha boca, ó Santa Senhora, com a doçura da vossa graça. Aceitai, ó Virgem Santa, que o teu humílimo servo vos louve e vos diga: Saúdo-vos, ó vaso magnifico e precioso de Deus! Saúdo-vos, Maria, Soberana minha cheia de graça! Saúdo-vos, Soberana de todas as criaturas! Saúdo-vos, cântico dos querubins, doce harmonia dos anjos! Saúdo-vos, hino dos solitários! Saúdo-vos, Soberana, que tendes em mãos o cetro sobre os vossos fiéis servos!

Fundamentos racionais. O fundamento último do culto mariano de singular servidão apóia-se no domínio completamente singular que a bem-aventurada Virgem exerce sobre todas as criaturas, como Rainha do universo. “O servo”, observa o Angélico, “diz relação a seu Senhor”. Onde há, pois, uma especial razão de senhorio e de domínio, haverá também uma razão especial de servidão.

Ora, que na Virgem SS. exista uma especial razão de domínio e de senhorio sobre todas as coisas, é algo que se segue de sua universal realeza. Podemos, portanto, concluir com Dionísio, o Cartuxo: “Ela domina e pode mandar em todas as criaturas, no céu e na terra”; ou com S. Bernardino de Sena: “Tantas são as criaturas que servem a Maria quantas são as que servem a SS. Trindade”.

O servo fiel de qualquer rainha da terra está contínua e habitualmente perto dela, sem nunca abandoná-la. É isto que tem de fazer, de modo análogo, o servo fiel da Rainha dos céus. Deve estar sempre junto dEla, não perdê-la nunca de vista, ou seja, deve ter o seu pensamento constantemente nEla. Pensar habitualmente em Maria SS. lhe tornará mais fácil pensar habitualmente em Deus. Viver, pois, na presença de Maria é viver, com maior facilidade, na presença de Deus.

Ora, o meio mais eficaz para vivermos assim, continuamente — tanto quanto for possível —, na presença de Maria, é estar profundamente persuadido de que a Virgem SS., de uma maneira misteriosa, está sempre presente em cada um de nós, com o pensamento, com o afeto, com as ações. Ela está conosco

  • pelo pensamento, já que continuamente nos vê em Deus;
  • pelo afeto, pois está presente ali onde está o seu amor, e a Virgem SS. nos ama a todos com um amor inefável de Mãe; e
  • pelas ações, uma vez que todas as graças que preservam e fazem desabrochar a nossa vida sobrenatural passam, como por um canal, pelas mãos de Maria.

Referências

  • Transcrito e adaptado da obra La Madre de Dios según la Fe y la Teología. Trad. esp. de Eduardo Espert. 2.ª ed., Madrid: Apostolado de la Prensa, 1958, vol. 2, pp. 363-389.

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