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Um organismo decapitado
SociedadeEspiritualidade

Um organismo decapitado

Um organismo decapitado

Além de tentar arrancar do coração humano as virtudes sobrenaturais infundidas por Deus em sua alma, o trabalho do diabo tem ido além.

Equipe Christo Nihil Praeponere7 de Julho de 2014Tempo de leitura: 3 minutos
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Ainda destrinchando as palavras do Papa Pio XII sobre a lenta e gradual destruição da humanidade, é preciso que nos atentemos às seguintes palavras: “Nestes últimos séculos [o “inimigo"] tentou realizar a desagregação intelectual, moral, social, da unidade no organismo misterioso de Cristo" [1].

A que Pio XII queria se referir, nesse discurso, ao falar do “organismo misterioso de Cristo"? Esse Pontífice, que escreveu a bela encíclica Mystici Corporis, “sobre o Corpo Místico de Jesus Cristo e nossa união nele com Cristo" [2], podia muito bem estar falando da Igreja, que é “muito mais excelente que quaisquer outras sociedades humanas" [3]. Mas, dado o contexto – a desestruturação presente em todo o mundo –, também é provável que tenha querido falar da sociedade humana como um todo.

Mas, por que chamar a sociedade de “organismo misterioso de Cristo"? Porque, como atesta Santo Tomás de Aquino, verdadeiramente, Cristo é cabeça de todos os homens:

“Cristo é a cabeça de todos os homens, mas em graus diversos. Assim, primária e principalmente, é a cabeça daqueles que atualmente lhe estão unidos pela glória. Em segundo lugar, dos que lhe estão unidos pela caridade. Em terceiro, dos que lhe estão unidos pela fé. Em quarto, dos que lhe estão unidos só em potência sem ainda terem sido reduzidos ao ato, mas que a este devem ser reduzidos, segundo a divina predestinação. O quinto, enfim, os que lhe estão unidos em potência e nunca serão reduzidos a ato, como os homens que vivem neste mundo e que não são predestinados. Mas que, partindo deste mundo, deixam totalmente de ser membros de Cristo, por já não poderem ser unidos a Cristo." [4]

Ao assumir a natureza humana, Jesus procurou salvar todos os homens. “Como não há, não houve, nem haverá homem algum cuja natureza não foi assumida por Cristo Jesus, nosso Senhor, assim não há homem algum, não houve, nem haverá pelo qual ele não tenha sofrido", diz uma declaração magisterial do século IX. Mas, como “o cálice da salvação humana", “se não for bebido, não salva" [5], o sacrifício de Cristo, embora útil a todos, pode ser ineficaz, não por defeito do resgate operado por Nosso Senhor, mas por ingratidão dos homens. Por isso, o demônio se esforça por transformar aqueles que receberam, pelos méritos de Cristo, a herança eterna, em rebeldes e moradores do inferno.

Em nossos tempos, porém, além de tentar o homem com a falta de fé, com o desespero e com o ódio, tentando arrancar de seu coração as virtudes sobrenaturais infundidas por Deus em sua alma, o trabalho do diabo tem ido além. A própria seiva natural tem sido impiedosamente sugada de suas veias e passam a ser aceitos comportamentos que, em si mesmos, não só entram em choque com preceitos religiosos, mas com a própria realidade das coisas.

Como não deplorar, por exemplo, que o aborto e a eutanásia sejam amplamente aceitos por legislações civis mundo afora? Como não enxergar na promoção de um “estilo de vida homossexual" uma profunda disfunção cultural, que coloca o prazer acima da própria preservação da espécie? Como não se espantar com o agigantamento descontrolado do “Estado-babá", que não só distribui vales e bolsas aos seus cidadãos – que bem podem ser chamados de súditos –, mas chega a arrogar para si o direito de educar as crianças e os jovens?

O “inimigo", indica o Santo Padre, é “astuto". Obscurecendo a compreensão da lei natural, torna praticamente impossível a obra de evangelização entre os homens. Afinal, como se pode ensinar que Deus é um pai amoroso, que “de tal modo amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna" [6], se se aceita que uma mãe que mata seu filho permaneça impune ou, pior, receba toda a assistência do Estado para assassiná-lo? Ou se se entrega aos políticos a responsabilidade de criar as crianças, eliminando lenta e gradualmente as figuras paternas e maternas de seus imaginários? Como se podem ensinar as verdades eternas, cujo fio condutor é a Palavra (o λόγος) que “se fez carne" [7], a uma sociedade que sequer entende a finalidade primária do ato conjugal?

Por esses e outros fatos, é preciso concordar com o Papa: está-se diante de uma verdadeira “desagregação intelectual, moral, social, da unidade do organismo misterioso de Cristo" – que chega a parecer “decapitado". A solução é recuperar como guia e senhor Aquele que é “a cabeça de todos os homens" e procurar, com a oração e com a pregação do Evangelho, integrar todos no Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja.

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As Têmporas de Pentecostes
Liturgia

As Têmporas de Pentecostes

As Têmporas de Pentecostes

As Têmporas de inverno têm uma característica especial: são três dias de penitência dentro da Oitava de Pentecostes. Os católicos são chamados a jejuar e abster-se de carne ao mesmo tempo que adoram, em festa, o divino Espírito Santo.

Equipe Christo Nihil Praeponere3 de Junho de 2020Tempo de leitura: 4 minutos
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Toda mudança de estação é uma oportunidade para reavivar o costume das Quatro Têmporas

Como já explicamos com mais detalhes noutra oportunidade, as Têmporas são celebrações litúrgicas instituídas para santificar o ano civil e dar graças a Deus pelos frutos da terra. Antes da reforma de Paulo VI, elas eram tempos especiais de vigília e oração, durante os quais novos sacerdotes eram dados à Igreja e o jejum e a abstinência de carne eram obrigatórios.

As Têmporas, normalmente, pedem o roxo na liturgia, mas não as de Pentecostes.

Dizemos que era assim antes de 1970 não porque as Têmporas tenham sido abolidas de fato. Hoje, está sob o encargo das conferências episcopais e das dioceses determinar o tempo e o modo de celebração delas. Como isso não aconteceu em lugar nenhum, no entanto, e a própria Igreja arrancou as Têmporas do calendário litúrgico, desobrigando os católicos de jejuar nesses dias, o resultado prático não foi muito diferente de uma extinção.

Por ser um costume que incutia nos fiéis a necessidade premente da mortificação e praticamente formava a identidade da religião católica, só podemos lamentar que tenha se perdido. Mas o momento é mais do que oportuno para resgatar tradições como essa em família. Com as igrejas fechadas e as Missas suspensas em muitas dioceses, os lares católicos, que já deveriam ser, naturalmente, o primeiro lugar em que as pessoas são educadas sobre a própria fé, tornaram-se praticamente o único refúgio da Igreja nesses tempos de pandemia.

As Têmporas de outono-inverno (no hemisfério sul), por sua vez, têm uma característica toda especial. Embora a mudança de estação só aconteça no dia 21 de junho, a Igreja havia determinado há muito tempo que elas fossem celebradas sempre na quarta, sexta-feira e sábado da semana seguinte a Pentecostes. Considerando que no calendário antigo essa solenidade tinha uma Oitava própria (outra perda que só nos resta lamentar), os fiéis encontravam-se na inusitada situação de fazer penitência em meio a uma verdadeira festa: de fato, na liturgia os sacerdotes tinham de usar paramentos vermelhos (e não o roxo típico das celebrações penitenciais), entoar o Glória, a sequência Veni Creator e o Credo. 

Tratava-se de uma situação litúrgica atípica, sim, mas que nos deveria fazer pensar. O escritor medieval Sicardo de Cremona († 1215), comentando a respeito dessa estranha junção de um jejum e uma festa, dizia:

Presta atenção em que o jejum de hoje das Quatro Têmporas não derroga a solenidade do Espírito Santo, senão que a ilumina; porque os deleites do Espírito Santo trazem consigo o desgosto pelos prazeres carnais, e porque, tirado dos Apóstolos o Esposo, eles deviam jejuar, como o Senhor havia predito (cf. Mt 9, 15). Assim, repletos do Espírito Santo, eles começaram a jejuar espontaneamente (Mitrale, VII, 11: PL 213, 383).

“Os deleites do Espírito Santo trazem consigo o desgosto pelos prazeres carnais”, isto é, quando estamos na graça de Deus e passamos a saborear as coisas espirituais, ao mesmo tempo é necessário que, num verdadeiro exercício da virtude da penitência, desprezemos as coisas da carne.

De fato, nós tendemos a esquecer isso, mas há uma penitência escondida na verdadeira alegria cristã e, ao mesmo tempo, uma alegria escondida no coração de quem faz penitência! Nesta vida, não podemos separar completamente as duas realidades, pois quem ama a Deus deve necessariamente aborrecer o pecado e lutar contra ele. Isso coloca-nos em situação permanente de vigilância: ao me alegrar por alguma coisa — por uma solenidade litúrgica, por exemplo —, não posso esquecer da tristeza que ronda todos os que perdem a Deus, e que esse risco é muito real e próximo de mim. Não está escrito, afinal, que “o vosso adversário, o diabo, rodeia como um leão a rugir, procurando a quem devorar” (1Pd 5, 8)? E porventura diz a glosa ou algum outro versículo que os demônios tiram folga em dias de festa? Não é mais lógico pensar, ao contrário, que o que eles querem é justamente se aproveitar de qualquer desleixo de nossa parte para nos atacar com ainda mais força? 

Essa meditação deveria ser suficiente para derrubar qualquer objeção à penitência em dias de alegria, sejam eles a Oitava de Pentecostes ou própria Páscoa que os católicos vivemos todas as semanas, nos domingos. 

À luz da solenidade de Pentecostes, vale a pena ainda insistir um pouco mais nessa oposição entre carne e espírito, tão falada pelo Novo Testamento. Precisamos tomar consciência da guerra que se trava todos os dias dentro de nós, e na qual está em jogo a própria permanência do Espírito Santo em nossas almas. Santo Tomás de Aquino lembra que para vencer a concupiscência importa “trabalhar muito”, já que estamos falando de um “inimigo familiar, que está dentro de nós”, e acrescenta:

Ora, se dois inimigos estivessem em batalha e tu quisesses ajudar um deles, a um terias de prestar auxílio e a outro não. Pois bem, há entre o espírito e carne uma luta constante (praelium continuum). Por isso, é necessário, se desejas que o espírito saia vencedor, que lhe prestes auxílio, e isto se faz pela oração; à carne, porém, o tens de negar, e isto se faz pelo jejum, pois é pelo jejum que se enfraquece a carne (De decem praeceptis, XI).

Unamos, portanto, a nossas súplicas ao divino Espírito Santo, o jejum e a abstinência de carne nesses dias de Têmporas. 

E não nos esqueçamos de os oferecer não só por nossa própria causa, mas também pelo aumento e santificação do clero no mundo inteiro. Era costume da Igreja, nesses três dias, proceder à ordenação de novos sacerdotes, e todo o povo fiel se unia em oração por eles. No escondimento de nossas casas, transformemos esse antigo e piedoso hábito em devoção privada, rezando em família a Ladainha de todos os santos, a Passio Domini ou uma outra oração qualquer pelos sacerdotes.

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Vivamos a Oitava de Pentecostes!
Liturgia

Vivamos a Oitava de Pentecostes!

Vivamos a Oitava de Pentecostes!

Em 1970, ao ver abolida a Oitava de Pentecostes, o próprio Papa Paulo VI teria chorado… Verídica ou não a história, este pode ser um bom ano para intensificarmos essa Oitava como prática devocional, apesar de sua supressão litúrgica.

Pe. Raymond J. de SouzaTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere3 de Junho de 2020Tempo de leitura: 5 minutos
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Há cinquenta anos, o Papa São Paulo VI chorou. Assim diz a tão difundida — mas não confirmada — história sobre o dia em que o Papa Paulo VI foi até a sua capela privada para celebrar a Santa Missa na segunda-feira depois do Pentecostes. Ele ficou surpreso ao ver que estavam separados para ele os paramentos verdes para o Tempo Comum, em vez dos vermelhos usados na Oitava de Pentecostes.

O Papa ficou assustado, e o cerimoniário de plantão relatou que a Oitava havia sido abolida. Desconcertado, o Pontífice quis saber quem havia feito aquilo.

“O senhor, Santidade”, respondeu o cerimoniário. E o Santo Padre chorou.

Giovanni Battista Montini, o Papa Paulo VI, governou a Igreja de 1963 a 1978.

Independentemente da veracidade dessa história, a perda da Oitava de Pentecostes é motivo de tristeza. Depois de cinquenta anos, as lágrimas têm pouca serventia. É melhor compreender por que ela é importante e o que pode ser feito a esse respeito.

A oração pública da Igreja tem aspectos litúrgicos e devocionais. Algumas partes da Tradição são uma combinação de ambos — como a “primeira novena” entre a Quinta-feira da Ascensão e o Domingo de Pentecostes ou, mais recentemente, a novena da Divina Misericórdia, que começa na Sexta-feira da Paixão e continua ao longo da Oitava de Páscoa.

Este pode ser um bom ano para intensificarmos a prática devocional da Oitava de Pentecostes, apesar de sua supressão litúrgica em 1970. Nos últimos anos, tem crescido o interesse por ela, uma consequência positiva do “enriquecimento mútuo” desejado por Bento XVI entre as formas ordinária e extraordinária do Rito Romano. Neste ano em que a vida devocional substituiu em grande medida a vida litúrgica, seria muito conveniente observar a Oitava de Pentecostes com orações diárias e devoções ao Espírito Santo

As Oitavas são muito respeitadas na Tradição da Igreja. Elas ampliam uma festa importante para uma semana inteira (oito dias, pois a própria festa conta como o primeiro dia) e muitas a coroam com outra festa no oitavo dia, também chamada de “oitava”.

O Natal possui uma Oitava, que começa no dia 25 de dezembro e termina em 1.º de janeiro. O oitavo dia é marcado por outra festa, outrora a do Santo Nome de Jesus e hoje a Solenidade de Maria, Mãe de Deus. A maternidade divina de Maria é uma oitava apropriada para o Natal. 

A Oitava de Páscoa é tão importante que não são permitidas outras festas dentro dela, e seu oitavo dia é outro domingo, atualmente o Domingo da Divina Misericórdia.

Com o passar dos anos, outras festas foram elevadas à condição de oitava. Por exemplo, os católicos ingleses podem se perguntar por que São Thomas More, escrevendo para a sua filha Meg na véspera de sua execução, refere-se àquele dia como a “vigília de Pedro”. Ele foi executado em 6 de julho de 1535, oitavo dia da Solenidade de São Pedro e São Paulo, que então era considerada uma extensão daquela solene festa apostólica. 

Por volta da década de 1950, o calendário litúrgico tinha dezoito (!) Oitavas, e era urgente fazer uma poda. Porém, a árvore mal sobreviveu, já que o Venerável Papa Pio XII suprimiu todas elas, exceto a do Natal, a da Páscoa e a de Pentecostes, que sobreviveu por mais quinze anos.   

Ainda há sinais de Oitavas no calendário revisado. O oitavo dia da Solenidade da Assunção (15 de agosto) é a festa de Maria Rainha (22 de agosto): o quarto e o quinto mistérios gloriosos do Rosário claramente fazem parte de uma mesma realidade. É possível até identificar Oitavas ocultas, como a que existe entre Santa Maria Madalena (22 de julho) e Santa Marta (29 de julho), que provavelmente surgiu da tradição (não inconteste) de que Maria Madalena era irmã de Marta.  

Há resquícios da Oitava de Pentecostes, cujas orações no Ofício Divino São John Henry Newman considerava as mais “grandiosas” de todo o ano. O ponto culminante da Oitava suprimida ainda é o Domingo da Santíssima Trindade. O Espírito Santo nos dá a capacidade de professar que Jesus é o Senhor (cf. 1Cor 12, 3) e de clamar “Aba! Pai!” (Rm 8, 15; Gl 4, 6). Portanto, é apropriado que a Solenidade da Santíssima Trindade suceda a descida do Espírito Santo.

Resta ainda uma curiosa anotação no Missal Romano que diz o seguinte: nos lugares em que “é costume ou obrigação dos fiéis” assistir à Missa na “segunda ou mesmo na terça” depois de Pentecostes, os textos da Missa do Domingo de Pentecostes podem ser repetidos. Trata-se de uma referência à Baviera e à Áustria, onde esses dias já foram feriados civis. Na Inglaterra, era a Segunda-feira de Pentecostes, um eco da Oitava de Páscoa, particularmente da Segunda-feira de Páscoa.

Em 2018, o Papa Francisco determinou a obrigatoriedade de uma nova festa na segunda-feira depois de Pentecostes: Maria, Mãe da Igreja. Alguns alegaram que isso tornou impraticável qualquer vestígio da Oitava de Pentecostes, pois foi removida a opção de repetir a Missa de Pentecostes naquele dia ou até a de celebrar uma Missa votiva do Espírito Santo. Trata-se de uma objeção fraca, pois “Mãe da Igreja” é um título mariano inextricavelmente ligado à vinda do Espírito Santo. É Ele quem cobre Maria na Anunciação em Nazaré, e ela está mais uma vez presente em Pentecostes, quando o Espírito desce sobre a Igreja nascente. 

Em vez disso, pode-se dizer que, com o próprio Pentecostes, a nova festa mariana, o Domingo da Trindade e a sua vigília, quatro dos oito dias da Oitava já estão cobertos. Missas votivas do Espírito Santo poderão preencher o restante, se não forem impedidas por uma festa obrigatória.

Mas isso só se aplica às orações que o sacerdote usa na Santa Missa. Há plena liberdade para orações devocionais feitas em privado ou com familiares e amigos. Ladainhas do Espírito Santo, atos de consagração ao Espírito Santo, imagens do Espírito Santo para adornar o lar, o canto do Veni, Creator Spiritus e do Veni, Sancte Spiritus — podemos fazer tudo isso para vivenciar a Oitava de Pentecostes.

Esta época de pandemia, em que a oração nos lares se tornou mais regular e mais criativa, é um período ideal para fazermos exatamente isto — a novidade pode ser usada para se recuperar uma tradição antiga. — Vinde, Espírito Santo!

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Um santo em meio à epidemia
Santos & Mártires

Um santo em meio à epidemia

Um santo em meio à epidemia

Milão, 1576: em meio a uma grave epidemia, um santo se sobressai por seu heroísmo, deixando um testemunho para a eternidade. Confira nesta matéria o que São Carlos Borromeu pode ensinar à nossa época, vitimada pela pandemia da COVID-19.

Joseph PearceTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere2 de Junho de 2020Tempo de leitura: 8 minutos
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Num artigo recente para o Catholic World Report, apresentei algumas “lições da literatura sobre o coronavírus”, centrando-me nos três capítulos da clássica novela de Manzoni, Os Noivos, sobre a praga que atingiu a cidade de Milão em 1630. Neste artigo complementar, gostaria de apresentar algumas lições da história sobre o coronavírus, focando numa epidemia anterior que afligiu Milão, em 1576, e no heroísmo de um grande santo durante aquela época de pestilência.

São Carlos Borromeu, cardeal arcebispo de Milão, viveu numa época de grande corrupção na Igreja, exemplificada na frouxidão do clero. Segundo um de seus biógrafos, ele ficou chocado com “a negligência, a ignorância e a flagrante imoralidade de muitos sacerdotes e religiosos”. Muitos sacerdotes sequer sabiam as fórmulas corretas da confissão e absolvição, e muitos outros levavam vidas escandalosas. As coisas andavam tão mal que um provérbio popular entre os camponeses expressava o desprezo com o qual era tratado o clero: “Se queres ir para o inferno, torna-te sacerdote”. 

Nas viagens por sua diocese, São Carlos descobriu que muitas igrejas do campo estavam “em ruínas, abandonadas e sujas, com os vasos e paramentos sagrados estragados por causa da oxidação e das traças”. Quanto aos leigos, não tiravam proveito dos sacramentos e não sabiam nem o Pai-nosso nem a Ave-Maria, e muitas vezes sequer sabiam fazer o sinal da cruz corretamente.

Em meio a essa lamentável situação, o Concílio de Trento mostrou-se o catalisador da grande Reforma Católica. Particularmente caras a Carlos foram a leitura e a aprovação do Decreto de Reforma Geral, com a sua insistência na simplicidade de vida entre cardeais e bispos. É desnecessário dizer que os sacerdotes e religiosos mais laxistas e apáticos, bem como os nobres de mentalidade mais mundana, não ficaram satisfeitos com aquele novo espírito de zelo. Enquanto Carlos prosseguia com a reforma de Ordens religiosas decadentes (como a dos humiliati, uma ordem de monges, supostamente oblatos beneditinos, que se tornaram muito ricos e viviam em casas de luxo particulares sem qualquer supervisão eclesiástica), a oposição a tal iniciativa atingiu novos e perigosos patamares. Em 26 de outubro de 1569, enquanto o arcebispo se ajoelhava perante o altar nas Vésperas, um pretenso assassino aproximou-se dele e disparou à queima-roupa. A vítima cambaleou, mas permaneceu ereta, sinalizando ao coro para prosseguir com o canto. As Vésperas continuaram. Terminada a oração, descobriram com assombro que a bala só havia passado de raspão e nem sequer perfurara a pele do arcebispo. Para os habitantes de Milão, a vida do arcebispo havia sido preservada de forma milagrosa. 

“S. Carlos Borromeu ministrando a Comunhão as vítimas da praga”, por Pierre Mignard.

Mesmo tendo suportado muitos reveses em sua luta para reformar a Igreja, a maior provação de São Carlos ainda estava por vir. Em agosto de 1576, Milão foi afligida por uma epidemia. Os ricos deixaram a cidade quase imediatamente, incluindo o governador. Na ausência dele, o santo assumiu a função de governante secular de facto, além da função de pastor do rebanho de jure. Já acostumado aos rigores de uma vida mortificada, aderiu a privações ainda mais exigentes, oferecendo-se como vítima de sacrifício em expiação dos seus e dos pecados de seu rebanho sofrido. Nas poucas horas de descanso que se permitia, cochilava em tábuas descobertas ou ficava sentado em uma cadeira. Já acostumado a uma dieta exígua, reduziu-a a pão e água com poucos vegetais mais. Caminhava pelas ruas todos os dias para visitar os doentes e moribundos.

O leprosário da cidade fora convertido num hospital de emergência para as vítimas da epidemia. Seus trezentos quartos ficaram lotados. Os que sofriam da peste eram amontoados perto dos corpos já vitimados por ela. Não havia camas, enfermeiras, comida nem sacerdotes. Quando Carlos chegou ao local, olhou horrorizado para os rostos manchados e furiosos, pressionados contra as barras de ferro implorando por comida, bebida, um sacerdote ou uma bênção. Ouvia lá de dentro os gritos e lamentos dos moribundos. 

Perplexo e sentindo-se impotente diante da magnitude do problema, mas consciente de que milhares estavam morrendo sem a presença de um sacerdote que ministrasse os últimos sacramentos, o santo arcebispo redigiu Testamento e a Última Vontade da Alma, impresso e amplamente distribuído em toda a cidade. Os doentes assinavam um exemplar como se fosse uma “apólice de seguro espiritual”, afirmando o desejo de receber o sacramento da Extrema-Unção; o gesto, além disso, servia também como uma “confissão de desejo” na ausência de um sacerdote. Dessa forma, o santo pastor dava ao rebanho doente uma fórmula de preparação para uma morte santa em circunstâncias difíceis. 

O Testamento declarava que o signatário afirmava o seu desejo de 

passar desta vida armado com o último sacramento da Extrema-Unção e, caso não possa recebê-lo por qualquer impedimento ou obstáculo, também o meu desejo e anseio de o receber naquele momento, suplicando à divina majestade o favor de ungir os meus sentidos internos e externos com o óleo sagrado de sua infinita misericórdia, e que me perdoe todos os meus pecados cometidos por meio da vista, da fala, dos afetos, do olfato, da audição, do tato ou qualquer outro meio.

O item VII do Testamento declarava que o signatário se arrependia de seus pecados de “murmuração contra Deus ou a fé católica” ou de ter dado “qualquer sinal de mau exemplo”, renunciando a “todo mal que possa ter feito ou dito”.

O item IX dava “infinitas graças” a Deus por todos os benefícios recebidos pelo signatário, incluindo a “vocação para o santo conhecimento dEle e de sua verdadeira fé católica”. O item X invocava a comunhão dos santos com a Santíssima Virgem, chamada de “principal Executora testamentária”:

Desejo real e infinitamente, anseio humildemente que deste meu último desejo e testamento a gloriosa e sempre Virgem Maria, Mãe de Deus, Refúgio e Advogada dos pecadores (a quem honro especialmente acima de todos os santos), possa ser a principal Executora testamentária, junto com esses outros santos, meus padroeiros, aos quais invoco e suplico que estejam presentes na hora da minha morte. Que ela e eles possam confortar-me com a sua desejada presença, e imploro ao doce Jesus que receba a minha alma na paz.

Estou muito angustiado”, lamentava o arcebispo referindo-se à relutância de muitos sacerdotes em arriscar a vida para cuidar das famílias atingidas pela praga. Até alguns dos seus próprios companheiros fugiram e muitos dos que ficaram se recusaram a acompanhá-lo nas visitas aos lares infectados. Ante um medo como aquele, Carlos escreveu um apelo apaixonado aos sacerdotes de Milão:

Só temos uma vida, e devemos dedicá-la a Jesus Cristo e às almas, não como desejamos, mas no tempo e do modo que Deus quiser. Deixar de fazer isso, com a desculpa de que Deus não poderia nos substituir por outros mais capazes de trabalhar por sua glória, seria uma grande amostra de presunção e negligência em relação ao nosso dever de serviço a Deus. Isso não quer dizer que devais negligenciar os meios humanos, tais como profiláticos, remédios, médicos e tudo o que podeis usar para evitar a própria infecção, pois tais meios não se opõem de modo algum ao cumprimento da nossa obrigação.

A advertência definitiva foi um chamado ao heroísmo da santidade: “Não sejais tão negligentes com vosso sacerdócio a ponto de preferirdes uma morte tardia a uma morte santa”. Com um líder tão santo e heróico, os sacerdotes começaram a ficar junto dele e dos milhares de milaneses doentes e moribundos. Os sacerdotes seculares foram os primeiros a se unir, mas talvez os capuchinhos tenham sido os mais heróicos, tendo-se dedicado a trabalhar com os infectados no leprosário. Surpreendentemente, nenhum dos companheiros do arcebispo contraiu a doença, e o único convento afetado foi um que permanecera indiferente, recusando-se a ajudar apesar das súplicas do arcebispo. Quanto ao heroísmo do próprio Carlos, temos o testemunho de um capuchinho, o irmão Tiago:

Ele vai com frequência ao leprosário para consolar os doentes […], vai a casebres e casas particulares para falar-lhes, confortá-los e suprir-lhes as necessidades. Não tem medo de nada. É inútil tentar assustá-lo. É verdade que ele se expõe bastante ao perigo, mas até o momento ele tem sido protegido pela graça de Deus; ele diz que não pode agir de outra forma. Realmente, a cidade não tem outro auxílio ou consolo.

São abundantes as histórias sobre o heroísmo de Carlos. Conta-se que ele andava pelas ruas de Milão, numa de suas jornadas diárias, quando ouviu chorar um bebê no que parecia uma casa deserta. Após subir uma escada e entrar por um janela superior, donde o som parecia vir, deparou com um bebê vivo, mas angustiado, deitado entre os cadáveres dos pais. Enrolou o bebê, quase congelado, em sua túnica, desceu a escada e o carregou até encontrar um lar para ele. Abriu uma casa para crianças e a proveu de cabras, para que na ausência das mães os bebês pudessem ter leite.

Depois de dezesseis meses expiatórios, dominados pela praga e aparentemente intermináveis, a peste finalmente deixou a cidade em 1578. O número de mortos na cidade foi estimado em 17 mil, além dos 8 mil que faleceram na zona rural. Além de cuidar dos doentes durante a praga, o arcebispo fundou várias instituições beneficentes como resposta à epidemia, incluindo um albergue para mendigos e sem-teto, orfanatos para meninos e meninas, um lar para prostitutas convertidas, outro para órfãs, e também outro para mulheres casadas em busca de proteção contra maridos violentos, o que o hoje seria chamado de abrigo para mulheres.

Durante os poucos anos que lhe restaram depois do fim da praga, São Carlos Borromeu continuou a praticar o que pregava, inspirando a todos com sua vida de oração e devoção  abnegada. Morreu em paz na noite de 3 de novembro de 1584, desejoso do descanso merecido por seus trabalhos. O amor que havia inspirado era evidente pelo fluxo contínuo de milaneses que faziam fila na capela da catedral em que o seu corpo estava exposto e pelos milagres atribuídos à sua intercessão. Foi canonizado no Dia de Todos os Santos em 1610. “Foi sempre um foco de luz”, disse o panegírico do santo recém-canonizado, “nenhuma nuvem de fraqueza ou paixão jamais conseguiu obscurecer aquela luz. Nenhum obstáculo físico conseguiu obscurecê-la […]. Ele não foi destruído ao deixar este mundo, mas começou uma vida eterna no céu, para de lá iluminar a Igreja que amou tão profundamente”.

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Posso “reconfessar” os meus pecados?
Doutrina

Posso “reconfessar” os meus pecados?

Posso “reconfessar” os meus pecados?

Um pecado já confessado e devidamente perdoado não precisa ser acusado de novo no sacramento da Confissão, isso é certo. Mas essa prática é possível? E, mais do que isso, será que é conveniente? O que ensina a Igreja?

Equipe Christo Nihil Praeponere2 de Junho de 2020Tempo de leitura: 5 minutos
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Um pecado já confessado e perdoado pode ser novamente acusado no sacramento da Confissão? 

Antes de respondermos à pergunta, observemos desde já que não se está pondo em questão aqui se a absolvição do pecado anteriormente confessado aconteceu ou não aconteceu. Que fique bem claro: se uma pessoa se aproximou do tribunal da Penitência, arrependida, acusou ao sacerdote seus pecados e ele, pelo poder das chaves, traçou sobre elas o sinal da Cruz, pronunciando a fórmula de absolvição, perdoados estão esses pecados dessa pessoa, e não há o que discutir. 

Alguém até pode pensar ou dizer: “não consigo me livrar dessa culpa”, “não me sinto perdoada por Deus”, “estou condenada”, mas, nesse caso, é preciso pedir aos nossos fantasmas que se calem e ouçam a voz da Igreja. “Reconfessar” os próprios pecados por não se crer perdoado (e quando não há nada, é claro, que permita duvidar da validade da primeira confissão) seria um flagrante ultraje à misericórdia divina, pois pelas palavras do sacramento Deus realmente opera uma transformação na alma do penitente. Embora essa transformação interna reverbere muitas vezes no corpo, trazendo leveza e bons sentimentos, não é necessário sentir-se perdoado ao deixar o confessionário; basta que tenhamos fé.

Muito bem, um pecado já confessado e perdoado não precisa ser acusado de novo no sacramento da Confissão, não é obrigatório fazê-lo e ponto final [1]. Mas nossa pergunta inicial não era quanto à necessidade dessa prática, senão quanto à sua possibilidade e conveniência.

A resposta talvez impressione alguns, mas sim, é perfeitamente possível repetir os pecados já confessados em uma confissão posterior, e não por “complexo de culpa” ou angústia parecida, mas para ganhar de Deus mais graças no caminho da santidade.

Compreendamos primeiro a ordem em que se dá a nossa reconciliação com Deus na Confissão. Não é que Ele esteja segurando uma “lista” de nossos pecados e, à medida que os vamos confessando, Ele os vai riscando um a um e… (passe de mágica!) estamos perdoados. Não, o sacramento apaga os pecados porque infunde a graça de Deus em quem o recebe; ele é sinal e realidade, opera o que significa (cf. STh III 62, 1): este é o efeito principal de todo sacramento. O da Penitência, porém, juntamente com o do Batismo, são chamados “sacramentos de mortos”, pois têm o poder de restituir completamente à alma a vida da graça que fôra perdida. (Os demais sacramentos chamam-se “de vivos”, pois devem ser recebidos sempre em estado de graça.)

Lembremo-nos agora, com o Catecismo da Igreja Católica (§ 1472), que

o pecado tem uma dupla consequência. O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, consequentemente, nos torna incapazes da vida eterna; esta privação se chama “pena eterna” do pecado. Por outro lado, todo pecado, mesmo venial, acarreta um apego prejudicial às criaturas que exige purificação, quer aqui na terra, quer depois da morte, no estado chamado “purgatório”. Esta purificação liberta da chamada “pena temporal” do pecado

Perdoados então os pecados mortais, resta-nos expiar a “pena temporal” devida pelo pecado. Aqui na terra, ela pode ser eliminada de vários modos: ao se rezar uma oração indulgenciada, ao se realizar uma obra de caridade qualquer e, também — com o que voltamos a nossa questão inicial —, ao se receber com as devidas disposições os sacramentos da Igreja.

Portanto, para que “recontar” em confissão as faltas graves de que já nos acusamos, senão para ir eliminando esses resquícios que delas ficaram? (Ou seremos tão cegos a ponto de achar que nossos pecados passados não deixaram “marcas” em nossas vidas?) Dando-nos uma razão teológica para essa prática, Santo Tomás de Aquino explica ainda que:

Também na segunda absolvição o poder das chaves perdoa algo da pena, porque esta segunda absolvição aumenta a graça, e quanto mais graça se recebe, menos impureza do pecado anterior fica e menos pena a purificar. Disso resulta que também na primeira absolvição se perdoa a alguém mais ou menos pena, de acordo com sua disposição para receber as graças, podendo ser tão grande a disposição, que em virtude da contrição desapareça toda a pena [...]. Igualmente, não há dificuldade em admitir que por sucessivas confissões desapareça toda a pena, de maneira que fique totalmente sem castigo um pecado pelo qual já satisfez a paixão de Cristo (Suppl. 18, 2 ad 4). 

Que fique bem claro, portanto, mais uma vez: a acusação reiterada de um pecado não se faz aqui por desconfiança da misericórdia de Deus, mas sim para fortalecer no próprio coração o arrependimento das culpas passadas, ajudar-nos a evitá-las no futuro e, também, abreviar o nosso purgatório na outra vida.

Existe outra razão, ainda, por que essa prática é conveniente, e ela diz respeito às chamadas “confissões devocionais”, que as pessoas mais piedosas fazem frequentemente com vistas não tanto a acusar pecados mortais recentes (pois não mais os cometem), mas procurando livrar-se de suas faltas veniais e aumentar o fervor de sua devoção. O Pe. Antonio Royo Marín (Teología de la Perfección Cristiana, n. 309) explica que, nesses casos,

é mais fácil do que se crê a invalidade da absolvição por falta de verdadeiro arrependimento, ocasionado pela própria insignificância dessas culpas e pelo espírito de rotina com que são confessadas. Por isso, tendo em vista a validade das absolvições, é preferível não se acusar das faltas ligeiras das quais não haja vontade de livrar-se a todo custo — já que não é obrigatória a acusação das faltas veniais, e seria irreverência e grande abuso acusar-se sem arrependimento nem propósito de emenda —, fazendo recair a dor e o propósito sobre algum pecado grave da vida passada do qual a pessoa volte a se acusar ou sobre alguma falta atual pela qual exista dor de verdade e o sério propósito de não voltar a cometê-la.

Nessa situação, a nova confissão de um pecado passado funciona também como uma forma de “garantia”, para que não venhamos a receber invalidamente o sacramento da Confissão. Embora a falta em questão já tenha sido perdoada, a graça sacramental atua aqui sobre as sequelas que ela deixou, curando-as e dando forças à alma para seguir no combate contra o mal — que, como sabemos, dura até a morte.

(Cabe deixar um último conselho a respeito dessa prática: ao acusar-se de um pecado devidamente confessado e do qual já se recebeu o perdão, é preciso dizer expressamente que se trata de uma falta do passado já confessada, sob o risco de induzirmos em erro o sacerdote a respeito do tempo em que foi praticado o pecado.)

Por fim, essas considerações todas devem aumentar em nós a gratidão a Deus e o amor por esse sacramento que Ele, em sua misericórdia, nos deixou à disposição. Pela fé no poder das chaves, exercido todas as vezes que o padre diz: “Eu te absolvo dos teus pecados”, temos a segurança de estar recebendo do próprio Cristo o abraço que nós, como filhos pródigos, tanto precisamos receber.

Notas

  1. Notemos o que diz a esse respeito o atual Código de Direito Canônico: “O fiel tem obrigação de confessar, na sua espécie e número, todos os pecados graves, de que se lembrar após diligente exame de consciência, cometidos depois do batismo e ainda não diretamente perdoados pelo poder das chaves da Igreja nem acusados em confissão individual” (Cân. 988, §1).

Recomendações

  • Pe. Antonio Royo Marín, Teología moral para seglares. 3.ª ed., Madri: BAC, 1995, vol. 2, pp. 270-271.

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