Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 17, 14-20)
Naquele tempo, chegando Jesus e seus discípulos junto da multidão, um homem aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se e disse: “Senhor, tem piedade do meu filho. Ele é epilético, e sofre ataques tão fortes que muitas vezes cai no fogo ou na água. Levei-o aos teus discípulos, mas eles não conseguiram curá-lo!” Jesus respondeu: “Ó gente sem fé e perversa! Até quando deverei ficar convosco? Até quando vos suportarei? Trazei aqui o menino”. Então Jesus o ameaçou e o demônio saiu dele. Na mesma hora o menino ficou curado. Então, os discípulos aproximaram-se de Jesus e lhe perguntaram em particular: “Por que nós não conseguimos expulsar o demônio?” Jesus respondeu: “Porque a vossa fé é demasiado pequena. Em verdade vos digo, se vós tiverdes fé do tamanho de uma semente de mostarda, direis a esta montanha: ‘Vai daqui para lá’ e ela irá. E nada vos será impossível”.
Celebramos hoje, com grande alegria, a memória de São Domingos de Gusmão, o fundador dos dominicanos. Ele foi escolhido por Deus para uma vocação necessária na Igreja da Idade Média e também na Igreja atual: iluminar os corações com a luz sobrenatural da fé e a luz natural da razão.
Domingos era um padre espanhol que, em uma peregrinação a Roma, descobriu o estado lastimável da Igreja no sul da França, a qual estava sendo dizimada por hereges denominados cátaros.
Essa heresia era tão perniciosa e má que possuía uma aparência de virtude. Os cátaros eram apelidados, popularmente, como os “bons homens”, pois levavam uma vida que, comparada com a de outras pessoas, era virtuosa. Eles faziam jejuns tremendos e se abstinham de sexo, por exemplo. Em contraste, muitos clérigos eram pouco exemplares: frades com amantes, muito dados ao vinho e apegados ao dinheiro, aos bens materiais e às suas carreiras.
Portanto, havia aqueles que pregavam a Verdade com uma vida pouco exemplar e aqueles que propagavam o veneno da mentira com uma vida aparentemente virtuosa. Evidentemente, os hereges saíam ganhando. Alguns hoje podem até achar que os cátaros não eram tão ruins, mas a questão é a seguinte: eles fechavam a porta do Céu para os fiéis, propagando a heresia de que os Sacramentos não existiam.
Infelizmente, isso ainda acontece hoje, por meio dos protestantes. Na hora da morte, não há um padre que possa confessá-los, perdoar seus pecados e dar-lhes a Unção dos Enfermos. Eles também não possuem o sustento diário da Santa Eucaristia. Portanto, perdem todos os instrumentos essenciais da salvação.
Segundo os cátaros, bastava as pessoas serem iluminadas pela sua ideologia para serem salvas. No entanto, sabemos que a luz da ideologia não salva ninguém. Mesmo que aquele clero levasse uma vida pouco exemplar, eles tinham os Sacramentos, as chaves para abrir a porta do Reino dos Céus. Por isso, Domingos ficou desolado diante dessa tragédia e decidiu fundar a Ordem dos Dominicanos. Estes, com sua pobreza evangélica e sua vida exemplar, dedicavam-se a argumentar e debater com os cátaros para desmascarar suas mentiras e fazer brilhar entre os fiéis a luz da Verdade.
Peçamos, pois, a intercessão de São Domingos e dos seus seguidores dominicanos que tiveram sucesso naquilo que se propunham: iluminar os corações com a luz sobrenatural da fé e a luz natural da razão, debelar a heresia, tirar as pessoas da sedução da ideologia cátara e conduzi-los, mais uma vez, ao seio da santa Igreja Católica, a qual nos dá os santos Sacramentos.



























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