Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 7, 31-35)
Naquele tempo, disse Jesus: “Com quem hei de comparar os homens desta geração? Com quem eles se parecem? São como crianças que se sentam nas praças, e se dirigem aos colegas, dizendo: ‘Tocamos flauta para vós e não dançastes; fizemos lamentações e não chorastes!’. Pois veio João Batista, que não comia pão nem bebia vinho, e vós dissestes: ‘Ele está com um demônio!’. Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e vós dizeis: ‘Ele é um comilão e beberrão, amigo dos publicanos e dos pecadores!’. Mas a sabedoria foi justificada por todos os seus filhos”.
Celebramos hoje, com grande alegria, a memória de dois grandes mártires: São Cornélio, Papa, e São Cipriano, Bispo, os quais viveram na mesma época e derramaram o seu sangue por Jesus Cristo no tempo das perseguições.
Não devemos romantizar achando que todos os cristãos que eram entregues aos pagãos, presos e levados para o cárcere professavam a fé triunfantes e morriam como mártires. Sim, milhares de cristãos gloriosamente alcançaram a palma do martírio, mas também muitos — chamados lapsi, ou seja, os caídos — fraquejaram. Os cristãos que, levados diante dos tribunais pagãos, terminaram oferecendo sacrifício a César, abjurando a fé cristã ou entregando os livros sagrados cometeram gravíssimos pecados, ofenderam a Deus e, portanto, perderam o estado de graça.
Então, arrependidos de seus maus feitos, muitos começaram a pedir à Igreja o regresso, mas surgiu uma grande controvérsia: bispos e padres mais rigoristas adotaram uma postura intransigente, que, na prática, significava não receber de volta esses cristãos, pois acreditavam que a chance de ser fiel a Cristo era apenas uma. No entanto, os verdadeiros pastores da Igreja, homens muito virtuosos e capazes de derramar o seu sangue pela fé, como São Cornélio e São Cipriano, souberam acolher de volta essas ovelhas perdidas. E, ao fazerem isso, manifestaram o coração amoroso de Nosso Senhor.
São Cornélio e São Cipriano, pois, mostram-se filhos de uma profunda sabedoria: a de compreender que a Igreja, ao mesmo tempo que nos desafia para a conversão e a santidade, também está pronta para nos acolher se, verdadeiramente arrependidos, nós abandonarmos o mau caminho.
Desse modo, os dois extraordinários mártires de hoje nos revelam as duas faces da santidade da Igreja: constituída por homens e mulheres capazes de serem fiéis a Deus até o derramamento do próprio sangue, mas também com o coração tão semelhante ao de Cristo, que acolhem amorosamente os pecadores verdadeiramente arrependidos.
Que São Cornélio e São Cipriano intercedam por nós lá do Céu e ajudem-nos a trilhar o caminho seguro da salvação, a fim de que permaneçamos firmes na fé e confiantes na misericórdia de Deus.

























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