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A visão de João Paulo II: “O Islã invadirá a Europa”
Igreja Católica

A visão de João Paulo II:
“O Islã invadirá a Europa”

A visão de João Paulo II: “O Islã invadirá a Europa”

Sacerdote e amigo pessoal de São João Paulo II revela dado impressionante e até agora desconhecido da biografia do Papa polonês: uma visão aterradora sobre o futuro da Europa e do mundo.

Valerio Pece,  La Nuova Bussola QuotidianaTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere20 de Novembro de 2017
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Vejo a Igreja do terceiro milênio afligida por uma praga mortal. Chama-se Islã. Invadirão a Europa. Vi hordas marcharem do Ocidente para o Oriente, do Marrocos para a Líbia, do Egito para os países orientais”. Esta é a chocante visão de São João Paulo II, até agora desconhecida do público. Mons. Mauro Longhi, sacerdote da Prelazia do Opus Dei, testemunha de uma confissão destinada a provocar convulsões, esteve muitas vezes em contato pessoal com o Papa polonês durante o seu longo pontificado. Ele tornou público o episódio no Eremo dei Santi Pietro e Paolo, em Bienno (norte da Itália), durante uma conferência organizada para celebrar João Paulo II, aos 22 de outubro, dia em que a Igreja celebra a memória litúrgica do santo.

Para fazer os devidos esclarecimentos e dar o contexto da visão profética de Karol Wojtyla, relatada por um sacerdote acima de toda suspeita (Mons. Longhi gozou da estima pessoal não só de João Paulo II, mas também de Bento XVI, a ponto de ter sido chamado, em 1997, para integrar o Dicastério da Congregação para o Clero), é preciso fazer algumas referências geográficas e cronológicas.

Entre 1985 e 1995, o jovem economista da Universidade milanesa Luigi Bocconi, Mauro Longhi (ordenado sacerdote em 1995), acompanhou e hospedou regularmente, de quatro a cinco vezes por ano ao longo de uma década, o Papa Wojtyla em seus famosos passeios de esqui pelas montanhas. Mons. Longhi o hospedava no que hoje em dia corresponde à casa de veraneio do Seminário Internacional da Prelazia do Opus Dei; na época, porém, tratava-se de uma simples casa de campo, reservada aos membros da Obra em preparação para o sacerdócio e o ensino de teologia. Encontramo-nos na província de Áquila, na direção de Piana delle Rocche, fração do Ocre:

O Santo Padre saía de Roma de forma bem discreta, acompanhado geralmente de outro carro, o de seu secretário, Mons. Stanislaw Dziwisz, ou de algum outro amigo polonês. Ao chegar ao pedágio da rodovia, o único lugar em que poderia ser reconhecido, ele costumava fingir uma leitura escondendo-se atrás do jornal.

Assim começou a conferência de Mons. Longhi, dando início a uma série infinita de histórias interessantíssimas (quase sempre acompanhadas, já que contadas por um zeloso pastor, das oportunas explicações teológicas).

Mas foi sem dúvida nenhuma com o Karol Wojtyla místico, com o pouquíssimo que se sabe — secreto e misterioso — acerca do grande protagonista de um dos mais longos pontificados da história da Igreja, que Mons. Longhi entreteve os que subiram a Bienno com o fim de participar do evento. Trata-se do Papa que Mons. Longhi encontrou à noite, na capela da casa da montanha, ajoelhado por horas num banco de madeira desconfortável em frente ao Tabernáculo. É o Papa a quem surpreendia, sempre de noite, falando, às vezes com entusiasmo, com o Senhor ou sua amada Mãe, a Virgem Maria.

Para investigar o místico Karol Wojtyla, Mons. Longhi contou o que certa vez lhe confidenciara Andrzej Deskur, cardeal polaco que foi companheiro de João Paulo II no seminário clandestino de Cracóvia:

Ele tem o dom da visão”, confidenciou-me Andrzej Deskur. Perguntei-lhe então o que isso queria dizer. “Ele fala com Jesus, Deus encarnado; vê-lhe o rosto e também o de sua Mãe”. Desde quando? “Desde a sua primeira Missa, no dia 2 de novembro de 1946, durante a elevação da hóstia. Ele estava na cripta de São Leonardo, na Catedral de Wawel, em Cracóvia, onde celebrou sua primeira Missa, oferecida em sufrágio pela alma de seu pai”.
Andrzej Maria Cardeal Deskur, amigo íntimo de São João Paulo.

Mons. Longhi acrescenta que o segredo revelado pelo cardeal Deskur — aqueles olhos de Deus que se fixam em Wojtyla cada vez que se levantam o cálice e a hóstia — pode ser entendido lendo-se a última Encíclica de João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia. No número 59 da conclusão, o Papa polonês recorda sua primeira Missa e acaba por revelar o mistério que o acompanhou durante toda a vida: “Meus olhos concentram-se sobre a hóstia e sobre o cálice onde o tempo e o espaço de certo modo estão ‘contraídos’ e o drama do Gólgota é representado ao vivo, desvendando a sua misteriosa ‘contemporaneidade’”.

Entre os muitos relatos de Mons. Longhi, porém, o que mais impactou seus ouvintes, e que se insere numa das das tantas caminhadas pelo Maciço do Gran Sasso, é sem dúvida o que se refere ao Islã e à Europa. Naquela ocasião, o Santo Padre e Mons. Longhi, evidentemente mais ligeiros que os outros, haviam-se separado do grupo. O testemunho de Mons. Longhi (com sua referência à proximidade da terrível visão mística do Papa) merece, portanto, ser conhecido na íntegra. Sua conferência está disponível no vídeo acima (a partir do minuto 48 pode-se ouvir o relato de que falamos aqui).

Papa João Paulo II e Monsenhor Mauro Longhi.

Os dois estão encostados numa rocha, um de frente para o outro, comendo um sanduíche e esperando a chegada do grupo. Eis textualmente o relato do Mons.:

Olhei para ele pensando que talvez precisasse de algo; ele percebeu que eu o fitava enquanto sua mão tremia: era o início do Parkinson. “Meu caro Mauro, é a velhice”, disse-me. Respondi-lhe: “Não, Santidade, o senhor ainda é jovem”. Quando o contradizia assim em nossas conversas familiares, ele ficava furioso: “Não é verdade! Se digo que estou velho é porque estou velho!”.

Segundo o Mons., foi precisamente o passar do tempo e o início da doença que levaram o Papa polonês a sentir a urgente necessidade de comunicar a alguém aquela visão mística.

Wojtyla mudou então o tom de voz e, confiando-me uma de suas visões noturnas, disse: “Lembre-o aos que você encontrará na Igreja do terceiro milênio: vejo a Igreja afligida por uma praga mortal, mais profunda, mais dolorosa do que a deste milênio”, disse-o em referência ao comunismo e ao nazismo. “Chama-se islamismo. Invadirão a Europa. Vi hordas marcharem do Ocidente para o Oriente”, e descreveu-me um a um os países, do Marrocos à Líbia e daí ao Egito, até chegar ao Oriente.

O Santo Padre acrescentou: “Invadirão a Europa, a Europa será arruinada, uma sombra do que foi outrora, como uma lembrança de família. Vocês, Igreja do terceiro milênio, têm o dever de conter esta invasão. Mas não com armas: elas não são suficientes; antes, com a sua fé, vivida integralmente”.

Eis o precioso testemunho de alguém que durante anos esteve em contato direto e estreito com o Santo Padre, com quem concelebrou inúmeras vezes. Não é preciso ressaltar que a confissão do Papa Wojtyla remonta-se a março de 1993, há vinte e quatro anos, quando a presença islâmica na Europa era, social e numericamente, muito diferente.

Não é por acaso que na hoje em dia tão esquecida Exortação Apostólica Ecclesia in Europa, de 2003, João Paulo II falava claramente de uma relação com o Islã que deveria ser, ao mesmo tempo, “correta”, conduzida com “prudência, com clareza de ideias acerca das suas possibilidades e dos seus limites” (n. 57). Apesar da linguagem típica de um documento magisterial, sóbrio e contido por natureza, o Santo Padre parecia implorar que os cristãos conhecessem “de modo objetivo o islamismo” (n. 57).

Trata-se, portanto, de um paradigma e uma sensibilidade claras e inequívocas, sobretudo quando se considera outro trecho da Exortação Ecclesia in Europa, no qual o Papa Wojtyla, após estigmatizar “o sentimento de frustração dos cristãos que acolhem, por exemplo na Europa, crentes de outras religiões dando-lhes a possibilidade de exercerem o seu culto, e [...] se vêem proibidos de exercer o culto cristão nos países onde tais crentes são a maioria” (n. 57), afirma a respeito dos fluxos migratórios ser imprescindível “a firme repressão dos abusos” (n. 101).

Estamos diante de uma leitura politicamente incorreta do Islã, feita aliás por um Papa canonizado pela Igreja Católica: uma leitura “profética”, num primeiro momento, convertida depois em ensinamento magisterial (não é difícil imaginar que aquela chocante visão o tenha influenciado na hora de escrever a Exortação Ecclesia in Europa). “Seremos invadidos pelo Islã”. E talvez já o estejamos sendo. Enquanto isso, de modo inexorável, vai-se apagando a luz da Europa, reduzida a pó e recordações. “Karol, o Grande Papa”, alertou-nos e ainda hoje nos convida a resistir à invasão com uma fé vivida na sua integridade.

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O Natal não é a festa de aniversário de Jesus
Liturgia

O Natal não é a festa
de aniversário de Jesus

O Natal não é a festa de aniversário de Jesus

Alguns pensam que celebrar o Natal é comemorar o aniversário de Jesus, e chegam até a cantar “parabéns pra você”. Mas esse nunca foi o sentir da Igreja a respeito deste tempo litúrgico.

Dom Henrique Soares da Costa14 de Dezembro de 2017
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Alguns pensam que celebrar o Natal é comemorar o aniversário de Jesus; alguns chegam até a cantar “parabéns pra você”! Coisa totalmente fora de propósito, contrária ao sentimento da Igreja e fora do sentido da celebração dos cristãos. Então, se não celebramos o aniversário de Jesus, o que fazemos no Natal?

Antes de tudo é necessário entender o que é a Liturgia, a Celebração da Igreja.

Vejamos. O nosso Deus, quando quis nos salvar, agiu na nossa história. Primeiramente agiu na história de toda a humanidade, guiando de modo secreto e sábio todos os seres humanos e sua história. Basta que pensemos nos santos pagãos do Antigo Testamento — santos que não pertenceram ao povo de Israel: Sto. Abel, Sto. Henoc, São Matusalém, São Noé, São Melquisedec, São Jó, São Balaão… Nenhum destes pertencia ao povo de Deus… e no entanto, Deus agia através deles… Depois, Deus agiu de modo forte, aberto, intenso na história do povo de Israel, com as palavras de fogo dos profetas, com a mão estendida e o braço potente nas obras maravilhosas em benefício do seu povo eleito.

Dom Henrique Soares é bispo da Diocese de Palmares, Pernambuco.

Finalmente, Deus agiu de modo pleno e total, fazendo-se pessoalmente presente, em Jesus Cristo, que é o cume, o centro e a finalidade da revelação e da ação de Deus: em Jesus, tudo quanto Deus sonhou para nós se realizou de modo pleno, único, absoluto, completo e definitivo! Então, o nosso Deus não se revela principalmente com ensinamentos, com doutrinas e conselhos, mas com ações concretas e palavras concretas de amor! E tudo isso chegou à plenitude na vida, nos gestos, palavras e ações de Jesus Cristo!

Pois bem: são estas obras salvíficas de Deus, realizadas de modo pleno em Jesus, que nós tornamos presente na nossa vida quando celebramos a Santa Liturgia, sobretudo a Eucaristia! Na força do Espírito Santo de Jesus, através das palavras, dos gestos e dos símbolos litúrgicos, os acontecimentos do passado — todos resumidos em Cristo: na sua Encarnação, no seu Nascimento, Ministério, Morte e Ressurreição e no Dom do seu Espírito — tornam-se presentes na nossa vida.

Vejamos, agora, o caso do Natal. Quando a Igreja celebra as cinco festas do Natal, ela quer celebrar não o aniversarinho do menininho Jesus… O que ela quer fazer e faz é tornar presente para nós, na força do Espírito Santo, a graça da vinda do Cristo! Celebrando a liturgia do Natal, o acontecimento do passado (a Manifestação do Filho de Deus) torna-se presente no hoje da nossa vida! Na liturgia do Natal a Igreja não diz: “Há dois mil anos nasceu Jesus”! Nada disso! O que ela diz é: “Alegremo-nos todos no Senhor: hoje nasceu o Salvador do mundo, desceu do céu a verdadeira paz!” (Antífona de Entrada da Missa da Noite do Natal).

Então, celebrando as santas festas do Natal, celebramos a Manifestação do Salvador no nosso hoje, na nossa vida, no nosso mundo! A liturgia tem essa característica: na força do Santo Espírito torna presente realmente, de verdade, aquele acontecimento ocorrido no passado. Não é uma repetição do acontecimento, nem uma recordação! É, ao invés, aquilo que a Bíblia chama de memorial, isto é, tornar presente os atos de salvação de Deus!

Agora vejamos: a Eucaristia é a celebração, o memorial da Páscoa do Senhor. Como é, então, que no Natal a gente celebra a Missa, que é a Páscoa? Como é que já no Natal a Igreja mete a celebração da Páscoa? É que a Eucaristia não é simplesmente a celebração da paixão, morte e ressurreição de Cristo! Essa seria uma idéia muito mesquinha, estreita! Em cada Missa é todo o mistério da nossa salvação que se faz presente, é tudo aquilo que Deus realizou por nós, desde a criação até agora… e tudo isso tem o seu centro em Jesus: na sua Encarnação, na sua vida e na sua pregação, e alcança seu cume na sua morte e ressurreição, na sua ascensão e no dom do Santo Espírito. Então, celebramos as cinco festas do Natal celebrando a Missa, porque aí o mistério, o acontecimento da nossa salvação se torna presente e atuante na nossa vida.

Voltando para casa após a Missa do Natal, podemos dizer: “Hoje eu vi, hoje eu ouvi, hoje eu experimentei, hoje eu testemunhei e hoje eu anuncio: nasceu para nós, nasceu para o mundo um Salvador! Ele veio, ele não nos deixou, ele se fez nosso companheiro de estrada!” Celebrando a Eucaristia do Natal, recebemos a graça do Natal, entramos em comunhão com o Cristo que veio no Natal, porque recebemos no Corpo e Sangue do Senhor o próprio Cristo que nasceu para nós, e, agora, Cristo ressuscitado, pleno do Santo Espírito! É incrível, mas a graça do Natal chega a nós mais do que chegou para Maria e José e os pastores e os magos. Porque eles viram um menininho no presépio, enquanto nós o recebemos dentro de nós, seu Corpo no nosso corpo, seu Sangue no nosso sangue, sua Alma na nossa alma, seu Espírito no nosso espírito… e não mais um menininho frágil, com esta nossa vidinha humana, mas o próprio Filho agora glorificado, com uma natureza humana imortal e gloriosa, que nos transformará para a vida eterna.

Então, que neste Natal ninguém cante parabéns para o Menino Jesus, nem fique com inveja dos pastores e dos magos… Também para nós hoje nasceu um Salvador: o Cristo ressuscitado, glorioso, que recebemos no seu Corpo e Sangue e cujo mistério celebramos nos gestos, palavras e símbolos da liturgia!

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O que Deus pede de nós em tempos de crise?
EspiritualidadeHistória da Igreja

O que Deus pede
de nós em tempos de crise?

O que Deus pede de nós em tempos de crise?

Nosso Senhor não irá nos julgar por aquilo que um padre, um bispo ou seja lá quem for disse, fez ou deixou de fazer. A pergunta que Ele nos fará é: você fez o que eu lhe pedi para fazer? E o caso será encerrado.

Robert B. Greving,  Crisis MagazineTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere12 de Dezembro de 2017
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Ronald Knox disse certa vez que “quem viaja a bordo da barca de São Pedro seria melhor que não olhasse muito de perto para o interior da sala de máquinas”. A menos que você tenha vivido dentro de uma caverna pelos últimos cinco, dez ou cinquenta anos, saiba que a barca tem atravessado alguns mares turbulentos. Alguns diriam que estamos com Colombo navegando rumo a um novo mundo; outros, que o nome escrito na lateral da barca é Titanic. De qualquer modo, vale a pena ressaltar que, seja lá qual for a maneira de ler o sinais dos tempos, em certo sentido, em um sentido bem verdadeiro, nada disso importa.

Não digo que não devamos rezar pela Igreja ou pelo Papa e os bispos, nem que não devamos ficar preocupados quando padres ou prelados, e até mesmo aqueles do mais alto escalão, dizem coisas que nos fazem ficar com a pulga atrás da orelha, para dizer o mínimo. Não digo que não devamos confrontar o erro, chamar as coisas pelo nome, ou que devamos fechar os olhos para o escândalo. O que quero dizer é que, em certo sentido, em um sentido bem verdadeiro, não nos devemos preocupar com nada disso, porque a única coisa com a qual devemos realmente nos preocupar não é, de forma nenhuma, afetada por tais problemas. E essa única coisa é a nossa própria alma.

Ao longo do último mês de novembro, a Igreja nos levou a refletir sobre os Novíssimos — literalmente, as “últimas coisas” —, indicando que nossa preocupação última deve ser a nossa santidade pessoal. É fácil, e talvez desculpável, ficar perturbado com o que algum padre, bispo, político “católico” ou escola “católica” disse, fez ou deixou de fazer. Eu sou o primeiro a admitir que posso, sim, ficar mordido com essas coisas. E, como disse, há alguma justiça nisso. Nós amamos a Igreja e, devemos reconhecer, é mesmo preocupante vê-la em um estado de “diluição”. A Igreja deveria ser nossa “rocha”, mas a sensação atual, para muitos de nós, é a de que ela se assemelha mais à areia movediça. Mas, é aí que está o ponto, o que devemos fazer diante de tudo isso?

Quando morrermos — e esta é a única coisa com a qual devemos nos preocupar —, Nosso Senhor não irá nos julgar a partir do que um padre, um bispo, um Papa ou seja lá quem for disse, fez ou deixou de fazer. Ao contrário, Ele nos julgará por um critério bem simples: você fez aquilo que eu lhe pedi para fazer? E o caso será encerrado.

No romance Emma, de Jane Austen, a personagem que dá nome ao livro e seu amigo, sr. Knightley, conversam sobre outra personagem, Frank Churchill, que aparentemente fracassou em seus deveres como filho. Enquanto Emma busca todas as razões possíveis para desculpar o jovem, ao sr. Knightley não acode nenhuma. Ele finalmente diz: “Há uma coisa, Emma, que um homem pode sempre fazer se ele quiser, e essa coisa é o dever, não por interesse e vaidade, mas por força e resolução”. Essa também deveria ser a nossa atitude.

Vejamos por outro ângulo. Houve alguma vez na história uma época em que a Igreja, do Papa ao pároco, e deste ao paroquiano no banco da igreja, tenha sido perfeita? Não. São Paulo pareceu ter gasto a maior parte do seu tempo resolvendo disputas e corrigindo heresias. Os primeiros cinco séculos da história da Igreja (pelo menos) foram gastos formando-se um credo e, mesmo então, ao menos uma vez, a maioria (formada por arianos) não o professou corretamente. A Idade Média viu o Papa mudar-se para Avignon e lá ficar por quase 70 anos, e ainda depois, por mais 25 anos, tivemos três homens reivindicando o papado. E nem se fale da Renascença. O século XVII teve os jansenistas; o XVIII, os iluministas e a Revolução Francesa. No século XIX, o Concílio Vaticano I foi suspenso porque tropas italianas invadiram a Cidade Eterna.

Santa Joana d’Arc, por John Everett Millais.

Muitos ainda falam da “época de ouro” da Igreja antes do Vaticano II. Embora possa existir certa verdade nisso, a questão que deve ser levantada é: onde e quando as sementes do dilúvio do “espírito do Vaticano II” foram lançadas senão naquela “época de ouro”? A Igreja — em seus membros — nunca foi perfeita.

No entanto, também sempre houve santos. Sempre existiram aqueles poucos indivíduos que, como temos dito, não se transtornavam por causa do que alguém fazia ou deixava de fazer; em vez disso, fizeram eles mesmos o que deviam fazer, por mais humilde ou simples que fosse o trabalho. Eles perseguiam sua própria santidade. E faziam-no com os mesmos meios que você e eu temos à nossa disposição — oração, sacramentos, a graça de Deus e a própria vontade. Nenhum deles dependeu da santidade pessoal de outras pessoas na Igreja. Em todos estes tempos difíceis, houve grandes santos.

Eu disse acima que não deveríamos falar da Renascença, mas vamos fazer isso agora. O papado sangrava por conta de escândalos pessoais e da heresia de Martinho Lutero. Na Inglaterra, todos os bispos, exceto um, submeteram-se a Henrique VIII. Mesmo assim, Thomas More tornou-se um santo, indo calmamente para a guilhotina e fazendo piadas, não porque seu pároco fizesse ótimos sermões ou porque houvesse um ótimo projeto pastoral em sua diocese, não por causa da pureza ou clareza doutrinária do clero, mas porque ele mesmo levou uma vida de santidade. (E o fez ao mesmo tempo em que sustentava uma família, trabalhava como advogado e estava envolvido em todos os tipos de assuntos políticos.) Ele não murmurou, não reclamou nem apresentou desculpas, mas olhou para sua própria alma.

“Estas crises mundiais são crises de santos”, dizia São Josemaria Escrivá, que derramou lágrimas quando a Igreja parecia ruir durante as décadas de 1960 e 1970. Isso quer dizer que essas crises não são, em primeiro lugar, crises de Papas, bispos, padres, ou de universitários, teólogos e políticos, mas, sim, de você e eu, que deveríamos ser santos no lugar em que Deus nos colocou. Hoje nós temos um fardo ainda maior nessa matéria, porque com a quantidade de pregações e conselhos espirituais disponíveis em livros e outras mídias, nós realmente não temos nenhuma desculpa para não conhecer nosso dever e o modo de cumpri-lo. Quanto esforço temos empregado nisso?

Ninguém pode impedir que sejamos santos exceto nós mesmos! Por isso, por todos os meios possíveis, corrijamos e exortemos os outros, ajudemos financeiramente aqueles que são dignos e boicotemos aqueles que não o são, mas, em primeiro lugar e acima de tudo, rezemos, frequentemos os sacramentos, imploremos pela graça de Deus e façamos, enfim, a única coisa que podemos fazer: ser santos. É tudo que Deus nos pede.

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O Papa que veio do Purgatório pedir orações a uma santa
Santos & Mártires

O Papa que veio do
Purgatório pedir orações a uma santa

O Papa que veio do Purgatório pedir orações a uma santa

Surpresa por ver um espectro envolto em chamas, esta santa descobriu que estava diante de ninguém menos que o Papa. Conheça a história desta impressionante aparição.

Pe. François Xavier SchouppeTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere7 de Dezembro de 2017
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Permitam-me contar-lhes uma famosa aparição de um Papa a uma santa.

O Papa Inocêncio III morreu no dia 16 de julho de 1216. No mesmo dia, ele apareceu a Santa Lutgarda, no monastério de Aywières, região central da Bélgica. Surpresa por ver um espectro envolto em chamas, ela perguntou de quem se tratava e o que queria.

“Sou o Papa Inocêncio”, ele respondeu.

“Mas seria possível que o senhor, nosso pai comum, se encontrasse em um estado assim?”, ela perguntou.

“Sim, eu de fato me encontro neste lugar”, ele respondeu. “Estou expiando três faltas que teriam causado minha perdição eterna. Graças à bem-aventurada Virgem Maria, obtive o perdão delas, mas tenho de fazer reparação. Ai de mim! Aqui é terrível e isto durará por séculos, se tu não vieres em meu auxílio. Em nome de Maria, que obteve para mim o favor de recorrer a ti, ajuda-me.”

Depois de dizer estas palavras, ele desapareceu.

Lutgarda anunciou a morte do Papa a suas irmãs, e juntas elas se dedicaram à oração e a obras penitenciais em favor do augusto e venerável Pontífice, cujo falecimento lhes foi comunicado algumas semanas depois, vindo de outra fonte.

Efígie do Papa Inocêncio III, representado como um dos maiores legisladores da história, esculpida por Joseph Kiselewski em 1950 e presente no Capitólio dos EUA.

Devo admitir que a leitura deste incidente me impactou muito e eu com prazer o deixaria passar em silêncio, pois relutava em pensar que um Papa, e ainda mais este Papa, tivesse se condenado a um Purgatório tão longo e terrível.

Sabemos que Inocêncio III, que presidiu em 1215 o célebre Concílio de Latrão, foi um dos maiores Pontífices a se sentar no trono de S. Pedro. Seu zelo e sua piedade levaram-no a realizar grandes feitos pela Igreja de Deus e pela santa disciplina. Como admitir, então, que um homem dessa estirpe fosse julgado com tamanha severidade pelo Tribunal Supremo? Como reconciliar essa revelação de Santa Lutgarda com a misericórdia divina?

Por conta dessas questões, passei a tratar essa aparição como algo ilusório, procurando por razões que dessem suporte a essa ideia.

O que descobri, no entanto, ao contrário disso, foi que a veracidade dessa aparição é admitida pelos mais sérios autores, não sendo rejeitada por nenhum sequer. Ademais, o biógrafo dessa santa, Tomás de Cantimpré, é muito transparente ao escrever e, ao mesmo tempo, bastante reservado. “Devo explicar, leitor”, ele escreve ao fim de sua narrativa, “que foi da própria boca da piedosa Lutgarda que eu ouvi as faltas reveladas pelo defunto, as quais eu omito aqui por respeito a um tão grande Pontífice.”

À parte isso, considerando o evento em si mesmo, poderíamos encontrar uma boa razão para questioná-lo? Não sabemos nós, afinal de contas, que Deus não faz acepção de pessoas — e que os Papas aparecem diante do seu tribunal, portanto, assim como o mais humilde dos fiéis —, que todos, grandes e pequenos, são iguais diante dEle, e que cada um recebe de acordo com suas obras? Não sabemos igualmente que aqueles que governam os outros têm uma grande responsabilidade, e terão de fazer uma severa prestação de contas?

Judicium durissimum his, qui praesunt, fiet: “Será duríssimo o juízo dos que governam” (Sb 6, 6). É o Espírito Santo quem o declara. Pois bem, Inocêncio III reinou por dezoito anos e durante tempos muito turbulentos; além disso, acrescentam os Bolandistas, não está escrito que os julgamentos de Deus são inescrutáveis, e com frequência muito diferentes dos julgamentos dos homens? Judicia tua abyssus multa: “Teus juízos são como o grande abismo” (Sl 35, 7).

A realidade dessa aparição não pode, portanto, ser razoavelmente posta em dúvida e eu não vejo nenhuma razão para omiti-la, dado que Deus não revela mistérios dessa natureza senão com o fim de que sejam conhecidos para a edificação de sua Igreja.

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O presépio dos egoístas
Sociedade

O presépio dos egoístas

O presépio dos egoístas

Para muitas pessoas, a Sagrada Família não cabe mais no presépio de Natal. São aqueles que abandonaram o projeto cristão para “ter a vida só para si mesmos”.
Equipe Christo Nihil Praeponere7 de Dezembro de 2017
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Vocês vão ter de nos perdoar a insistência sobre o tal presépio com dois “Josés”, mas é uma oportunidade única para falarmos sobre a guerra cultural que se trava hoje, diante de nossos olhos. Se em nosso último texto evitamos falar sobre o aspecto sexual dessa batalha, agora se nos torna inevitável analisá-lo, dado o caráter claramente sexual da própria blasfêmia em análise.

Nós sabemos, não é incomum aparecerem pessoas dizendo que os cristãos conservadores falam de moral sexual com uma obsessão quase fanatizante. — Existem tantos outros pecados a serem abordados nas pregações! Por que a insistência nisto? — Concordamos com a afirmação de que pecados há outros muito piores. A soberba e a inveja, que são os pecados dos anjos decaídos, são muito mais graves do que os pecados ditos carnais. A verdade porém é que, conforme o juízo de Santo Afonso de Ligório, doutor da Igreja, “noventa e nove por cento dos réprobos é pelo pecado da impureza que se condenaram” [1]. E Nossa Senhora de Fátima disse aos três pastorinhos que “vão mais almas para o inferno por causa dos pecados da carne do que por qualquer outra razão”. Talvez devêssemos acusar este santo doutor e esta santa Senhora de obsessão também? Certamente não.

Além do mais, os que acusam os religiosos, com o dedo em riste, de falarem demais sobre sexualidade, normalmente o fazem não por oposição sólida e fundamentada, mas por uma questão de incômodo mesmo. Naturalmente, as pessoas não gostam de ver os próprios pecados denunciados em público. Ainda que seus nomes não sejam pronunciados, ainda que os olhares de quem prega sequer estejam dirigidos a elas, as verdades de fora despertam aquilo que está dentro delas: suas consciências.

E, nos nossos tempos, quantas não são as pessoas a tentarem abafar essa voz! Quantos não são os cristãos que, não se esforçando por viverem de acordo com a sua fé, terminam por acreditar no modo como vivem! Quantos outros, ainda, não vão ainda mais longe, militando pelo novo “estilo de vida” que decidem seguir — e contrariando abertamente o Evangelho e a doutrina de Cristo!

É isso o que fica patente no presépio dos dois Josés. Ali não há nenhuma proposta concreta de Natal, mas tão somente uma desconstrução do que é o verdadeiro Natal, do que é verdadeiramente a religião cristã, do que significa realmente a Sagrada Família.

Mais do que criticar, no entanto, essa “problematização”, é preciso deixar bem claro contra o que, bem concretamente, nossa modernidade está lutando.

Detalhe de “Adoração dos Pastores”, do Fr. Juan Bautista Maíno.

Para tanto, vamos nos servir de um ensinamento lapidar de Santo Tomás de Aquino, que, perguntando se Cristo devia nascer de uma virgem dada em casamento, apresenta-nos uma razão especial: “A Mãe do Senhor foi casada e virgem, porque na sua pessoa é honrada tanto a virgindade como o matrimônio, contra os heréticos que detratam aquela e este.”

Ora, o que se pode dizer aqui a respeito de Maria Santíssima é igualmente aplicável à figura de São José: os dois foram virgens e realmente casados um com o outro, e com isso Deus procurava ensinar a todos os homens o valor que têm tanto o celibato e a virgindade consagrados a Deus, quanto o matrimônio.

Não, a Igreja Católica não acredita que todas as pessoas foram feitas para se casarem. O próprio Jesus Cristo não achava isso: “Porque há eunucos”, Ele dizia, “que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus” (Mt 19, 12). Evidentemente, não se trata aqui de mutilar os próprios genitais, como fez Orígenes no início da Igreja. Jesus Cristo está falando de um sacrifício espiritual — cujo sentido “nem todos são capazes de compreender” (v. 11) —, mas que realmente faz parte da vivência dos discípulos do Senhor, desde o começo da Igreja.

Duas são, portanto, as decisões de vida simbolizadas no presépio, nas imagens da Sagrada Família: a decisão, “por toda a vida”, do Matrimônio; e o voto, também perpétuo, de quem se abstém da sexualidade por amor a Deus. Parecem dois extremos contraditórios, mas não o são. São compromissos profundamente ligados um ao outro, de modo que as grandes crises humanas, quando afetam uma dessas vocações, terminam inevitavelmente atingindo a outra.

O grande problema do celibato sacerdotal, por exemplo, que os homens de nossa época parecem não querer mais assumir, anda de mãos dadas com o grande fracasso moderno do matrimônio, como notou certa vez, com grande perspicácia, o Papa emérito Bento XVI:

Num certo sentido, esta crítica permanente contra o celibato pode surpreender, num tempo em que está cada vez mais na moda não casar. Mas este não-casar é uma coisa total, fundamentalmente diversa do celibato, porque o não-casar se baseia na vontade de viver só para si mesmo, de não aceitar qualquer vínculo definitivo, de ter a vida em todos os momentos em plena autonomia, decidir em qualquer momento como fazer, o que tirar da vida; e portanto um “não” ao vínculo, um “não” à definitividade, um ter a vida só para si mesmos.

Enquanto o celibato é precisamente o contrário: é um “sim” definitivo, é um deixar-se guiar pela mão de Deus, entregar-se nas mãos do Senhor, no seu “eu”, e portanto é um ato de fidelidade e de confiança, um ato que supõe também a fidelidade do matrimônio; é precisamente o contrário deste “não”, desta autonomia que não se quer comprometer, que não quer entrar num vínculo; é precisamente o “sim” definitivo que supõe, confirma o “sim” definitivo do matrimônio. [...] E se isto desaparecer, será destruída a raiz da nossa cultura. Por isso, o celibato confirma o “sim” do matrimônio com o seu “sim” ao mundo futuro, e assim queremos ir em frente e tornar presente este escândalo de uma fé que baseia toda a existência em Deus. [2]

Aqui chegamos, então, ao ponto central da crítica moderna tanto ao casamento quanto à virgindade. As pessoas que morrem de ódio por verem um padre ou uma freira que não se casaram são, por incrível que pareça, as mesmas que ficam aturdidas ao se depararem com uma família de filhos numerosos. Esquizofrenia? Incoerência? Não! A ojeriza da modernidade não é tanto à mortalha eclesiástica ou à aliança matrimonial, mas a qualquer coisa que represente compromisso, doação e fidelidade. O sintoma de que falamos aqui é outro, mas a doença é a mesma. Seu nome é egolatria.

O mais triste é que, não obstante o relativismo com que muitas vezes as pessoas tratam esses assuntos, todos sem exceção são capazes de reconhecer os frutos maduros do verdadeiro amor. No Natal, por exemplo, todos gostariam de ver as próprias casas abarrotadas de gente, com filhos, netos e sobrinhos correndo de um lado para o outro, um cônjuge do lado e muitos amigos com quem se reunir. Fatalmente, porém, muitas das escolhas que nós, os jovens, fazemos no presente só nos levarão para a solidão, para a tristeza e para o desespero. Esses frutos amargos, também, todos somos capazes de enxergar: são os frutos que inevitavelmente colhem todos os que deram “um ‘não’ ao vínculo, um ‘não’ à definitividade”, preferindo “ter a vida só para si mesmos”.

Cabe a nós decidir, em grande parte, o destino que vamos ter, tudo dependendo do exemplo que nos dispusermos a seguir. Se nossas casas estarão enfeitadas, neste Natal, com um belo presépio, que nossas famílias imitem, então, a verdadeira família de Nazaré — e não a família “fake” de quem preferiu dar corda às próprias paixões ao invés de se gastar por Deus e pelos outros.

Afinal de contas, como é triste a vida de quem se deixa levar pelo egoísmo!

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