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Ele substituiu o Natal pelo aniversário da própria avó

Ele é ninguém menos que Kim Jong Un, o ditador comunista da Coreia do Norte que, vendo o seu poderio ameaçado pelo nascimento de Cristo, ordenou que todos os seus súditos O substituíssem pelo “deus” da revolução.

Por que nos referirmos a fatos do passado para mostrar o ódio dos poderosos deste mundo ao presépio de Belém? Não é necessário voltar até Herodes, nem falar dos puritanos proibindo o Natal nos Estados Unidos. Um jornal reporta que o ditador comunista da Coreia do Norte, Kim Jong Un, decidiu banir oficialmente a tradicionalíssima celebração cristã, substituindo-a por nada menos que… o aniversário de sua avó.

Eis a informação traduzida, tal como a recolhemos de New York Post:

Kim Jong Un é o novo "Grinch" que roubou o Natal. O atarracado tirano da Coreia do Norte quer que os poucos cristãos, que vivem como eremitas no país, espalhem alegria apenas para celebrar a sua avó, Kim Jong Suk — não o nascimento de Jesus. Jong Suk — que nasceu na Vigília de Natal, em 1919 — era uma guerrilheira antinipônica e ativista comunista, mulher do primeiro ditador da Coreia do Norte, Kim Il Sung, e mãe do último líder do país, Kim Jong Il. Muitos prestam tributo à "Sagrada Mãe da Revolução", que morreu sob condições misteriosas em 1949, visitando o seu túmulo.

O excêntrico ditador é tão obcecado em banir o Natal a ponto de se ter inquietado, em 2014, quando descobriu que a Coreia do Sul planejava erigir uma grande árvore de Natal ao longo da fronteira entre os dois países. Em meio a ameaças de uma guerra total, a árvore nunca foi colocada.

Apesar da aversão de Kim por árvores natalinas, elas podem ser encontradas na capital Pyongyang — especialmente em lojas de luxo e restaurantes —, sendo largamente despojadas, todavia, de símbolos religiosos. Pyongyang costumava ter mais cristãos que qualquer outra cidade na Coreia — chegando a ter inclusive um bispo católico. Tudo isso mudou no início dos anos 1950, quando as autoridades reprimiram todas as atividades cristãs no país.

Grupos ligados aos direitos humanos estimam que haja entre 50 e 70 mil cristãos aprisionados em campos de concentração simplesmente por causa de sua fé.

A notícia dispensa comentários mais elaborados. Trata-se de um exemplo concreto (mais um) de como, na prática, não existem "ateus", mas idólatras. O ser humano é, em essência, um adorador: se não se prostra diante do Deus verdadeiro, sempre cuida de ajustar para si um ou outro ídolo, mais ou menos sofisticado, para (tentar) satisfazer o seu anseio de transcendência. O mesmo se repete, em escala maior, com as coletividades e as sociedades civis como um todo. Na Coreia do Norte, a festa do Natal não foi substituída por nada, não foi simplesmente abolida por razões de "laicidade do Estado" ou coisa parecida; em seu lugar, foi instituída uma nova cerimônia "religiosa", criou-se o culto à "Sagrada Mãe da Revolução".

Verdadeiramente, "quando se deixa de acreditar em Deus", já dizia o escritor britânico G. K. Chesterton, "passa-se a acreditar em qualquer coisa". A isenção e a indiferença em matéria religiosa conduzem fatalmente à divinização das coisas deste mundo, à idolatria do prazer, das riquezas e das outras coisas criadas (dentre elas, o homem e o próprio Estado). Ninguém se iluda pensando que, ao "livrar-se" de uma confissão de fé e proclamar a sua "independência" de Deus, poderá erradicar ou diminuir a verdade religiosa de seu ser. Vai muito difundida em nossa época a ideia de que um governo ideal seria um absolutamente livre de qualquer ingerência religiosa, como se fosse possível abolir dos corações de quem governa a submissão a Deus e as suas convicções de fé. O Congresso brasileiro, por exemplo, é frequentemente criticado pelos paladinos do "Estado laico", por estar repleto de cristãos "fundamentalistas" que gostariam de submeter as leis de nosso país, eles dizem, à regra da Bíblia.

É preciso responder a esses ataques dizendo, em primeiro lugar, que o sistema religioso no qual poder civil e espiritual sempre se confundem não é o Cristianismo, mas o Islã. A religião fundada por Cristo foi orientada, desde o começo, pelo princípio basilar de que César não é um "deus", nem Deus, tendo vindo ao mundo, teve a pretensão de ser um César. O mesmo não se pode dizer das hordas árabes que, encabeçadas por Maomé, dominaram militarmente em questão de um século todo o norte da África e puseram os pés em território europeu. Quem quer que se detenha a estudar a história das duas religiões, perceberá que não, definitivamente, não é verdade que "todas as religiões são a mesma coisa". Saiam de uma vez do discurso corrente e procurem conhecer os fatos históricos.

Em segundo lugar, não é verdade que os cristãos querem ver o Brasil regido pelas Sagradas Escrituras, até porque não é essa a finalidade dos livros inspirados de nossa religião. Nas páginas da Bíblia está contida a história da revelação de Deus através dos tempos, não um manual legal para ser aplicado ipsis litteris na vida das nações. Os pecados de que falam o Antigo e o Novo Testamento, ao mesmo tempo, tampouco devem ser transformados todos em crimes pelos ordenamentos civis. Não é nada razoável que as coisas sejam deste modo porque, como já dito, a César se dá o que é de César, a Deus o que é de Deus (cf. Mt 22, 21): a submissão que devemos à autoridade divina supera em todos os sentidos aquela que devemos às legítimas autoridades humanas.

Em terceiro lugar, cumpre dizer que é essa mesmíssima lição, extraída dos ensinamentos de Nosso Senhor e repassada ao longo dos séculos pela Igreja, a responsável por impor verdadeiros limites aos poderes deste mundo. É porque, quando Deus "deixa de existir", por assim dizer, tudo se torna permitido, para usar uma famosa expressão de Dostoiévski. Sem uma voz soberana transcendente a reger os homens, as vozes dos monarcas deste mundo se tornam a última e definitiva palavra; são os seus caprichos e gostos pessoais que passam a valer, muitas vezes em detrimento da própria realidade das coisas. Os regimes totalitários que mandaram multidões a campos de concentração no século passado são prova contundente dessa verdade. Assim como o déspota que quer ver todo um povo substituindo o nascimento de Deus feito homem pela veneração da própria avó.

Ter pessoas de fé religiosa na vida pública não é o problema, portanto, mas a solução. São essas pessoas, zelosas pela lei natural e inspiradas pelos valores do Evangelho, que nos irão livrar da "ditadura laica" e ateísta que já acontece em muitos lugares do mundo, dentre os quais a Coreia do Norte. São os cristãos na vida pública que, tais como fermentos na massa, manterão o Natal em nossos calendários e a sanidade em nossas legislações, a despeito dos tiranetes vermelhos que ainda hoje desejam, seguindo os passos do sanguinário rei Herodes, tomar o lugar de Deus.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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