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“Hoje eu retirei o meu DIU”
Testemunhos

“Hoje eu retirei o meu DIU”

“Hoje eu retirei o meu DIU”

Como um casal saiu da maior rede de abortos dos Estados Unidos para entrar no mundo fantástico da moral cristã e da Igreja Católica.

Doug Johnson,  The Guidin Star ProjectTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere19 de Maio de 2015
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Desde que minha esposa e eu começamos a namorar, ela sempre usou algum tipo de contracepção. Ela pulava de método em método, mudando com muita frequência. Usou de tudo, do anel ao injetável, do preservativo ao DIU (dispositivo intrauterino). Mesmo depois que nos casamos, tinha sempre algum tipo de "prevenção" no meio. Foi só depois que Abby deixou a Planned Parenthood e que fomos confrontados por novas informações sobre contracepção, que começamos a olhar um pouco mais a fundo para as nossas próprias responsabilidades reprodutivas. Ambos tínhamos caminhos diferentes para a nossa vida sem o controle de natalidade. Mas acabamos chegando a um acordo, e nunca esquecerei o momento em que Abby disse: "Hoje eu retirei o meu DIU".

Por oito anos minha esposa esteve envolvida na indústria de aborto e controle de natalidade, trabalhando na Planned Parenthood. Ela não só estava vendendo o produto, como também era uma cliente. Quando o assunto era controle de natalidade, eu deixava a decisão para ela. A Planned Parenthood e outras traficantes de pílulas adoram gritar: "É uma escolha da mulher!" Pois bem, esse era o dogma ao qual tínhamos aderido naquele momento. Eu pensava estar ajudando ao deixar que ela tomasse as decisões por ela – e, em última instância, por nossa família. É claro que eu estava chateado por não termos mais filhos, mas, naquela hora, a carreira dela parecia ser mais importante. Nós tínhamos um filho e isso parecia ser o suficiente.

Quando Abby finalmente deixou a Planned Parenthood em 2009, nós dois não tínhamos qualquer problema que fosse com anticoncepcionais. Iria levar algum tempo para que os nossos argumentos em defesa da contracepção fossem desmontados. Com a saída dela da Planned Parenthood, ambos deixamos de defender o aborto para nos tornarmos pró-vidas de carteirinha. Então, eu pensava que qualquer coisa era possível.

Tudo começa com a nossa recém-descoberta religião

Pessoas de várias crenças e ideias chegam de diferentes maneiras ao Planejamento Familiar Natural (NFP, em inglês). Muitos o utilizam porque é saudável e respeita o funcionamento natural do corpo da mulher. Abby e eu fomos apresentados ao NFP na igreja, e as nossas razões para usá-lo incluíam razões religiosas, além das relativas à saúde.

Considerando que quase todo novo amigo que fizemos depois da conversão de Abby era católico, não demorou muito para que começássemos a frequentar regularmente as Missas dominicais. E era exatamente ali onde precisávamos estar. Quem imaginou que poderíamos aprender sobre contracepção e um pouco de biologia reprodutiva indo à igreja? Depois de alguns meses assistindo regularmente à Missa, nós decidimos começar o Rito de Iniciação Cristã para Adultos (RCIA, em inglês). Queríamos ao menos aprender sobre a Igreja Católica e descobrir se fazer parte dela era o melhor para nós.

Em nossa primeira aula, deram-nos uma Bíblia, uma cópia do Catecismo e uma edição do livro "Teologia do Corpo para Iniciantes", de Christopher West.

Para mim, tudo começou com esse livro. Eu não tenho o costume de simplesmente pegar um livro e começar a ler. Mas, dessa vez, por alguma razão, eu o fiz. Não vou entrar em cada detalhe sobre o livro, que abrange um vasto material. Todavia, no momento em que terminei de ler, eu sabia que queria me tornar católico e estava 100% de acordo com o ensinamento católico sobre a contracepção. Tudo o que a Igreja ensinava simplesmente fazia todo o sentido para mim. Não foram só os aspectos religiosos que me chamaram a atenção. Eu estava mais impressionado em olhar o design natural dos nossos corpos e o que eles significavam. Nós fomos feitos para reproduzir. Isso requer um homem e uma mulher juntos no ato sexual. É verdade que o sexo faz sentir prazer e todas aquelas coisas boas, mas se você retira o seu propósito e reduz tudo ao orgasmo, ele se torna um ato bem egoísta, ao invés de ser um ato de amor do qual pode sair uma nova vida. A fim de que os nossos corpos e de que o sexo cumpram o seu propósito natural, a relação sexual deve ter, ao mesmo tempo, o prazer e a abertura à reprodução. Deixo Christopher West dizer isso melhor:

"Quando divorciamos o sexo de sua natural orientação a uma nova vida, o que resta para evitar que se justifiquem todos e quaisquer meios para atingir o clímax sexual? Quando esterilizamos o sexo, nós desorientamos essencialmente o ato. Ele não aponta mais para a necessidade do casamento e o crescimento de uma família. O nome do jogo se torna procurar libido para a própria satisfação e, então, a relação natural e vaginal é tratada como uma entre um milhão e uma formas de conseguir prazer sexual. Quando separamos o sexo de sua consequência mais natural, inevitavelmente perdemos a nossa bússola moral."

Então, ali estava eu, com uma perspectiva completamente nova sobre sexo, casamento, Igreja e vida em geral. Eu estava muito animado para destrinchar o ensinamento católico e aprender mais, mas meu próximo desafio seria fazer Abby pular a bordo do mesmo trem comigo. Essa era a prioridade número 1...

Mas, no fim das contas, isso nem foi um grande desafio. No primeiro domingo depois de terminada a leitura do livro, estávamos na Missa. Eu estava achando tudo bastante normal na celebração, mas, ao meu lado, no decorrer da liturgia, Abby passava por uma grande conversão e mudança de filosofia. Eu não sabia no momento, mas Abby passou a Missa inteira olhando todas as famílias e todas as crianças sentadas ao seu redor. Ela percebeu, então, que queria que a nossa família crescesse, e a única coisa que ela podia pensar era: "Eu preciso tirar esse DIU de dentro de mim!"

Naquela tarde, quando chegamos em casa após a Missa, Abby me disse que queria tirar o DIU. Minha primeira resposta foi: "Sério? Você tem certeza?" Abby: "Certeza absoluta. Eu quero isso fora de mim amanhã, o mais depressa possível."

Ótimo! Eu não ia mais precisar convencê-la a livrar-se do controle de natalidade. Ela chegou lá por conta própria. Chega a ser engraçado como nós tivemos estradas completamente diferentes para chegar exatamente ao mesmo destino. Estávamos ambos no mesmo barco e sequer sabíamos.

No dia seguinte, Abby telefonou para a sua médica e disse a ela que queria tirar o DIU. Eis como foi a conversa:

Abby: Oi. Eu preciso ter o meu DIU retirado hoje mesmo.
Recepcionista: Está tendo algum problema?
Abby: Não. Só preciso tirá-lo imediatamente.
Recepcionista: Ok, podemos ver você em três semanas.
Abby: Não, nada bom. Preciso falar com uma enfermeira.

Enfermeira: Oi. Você quer tirar o seu DIU?
Abby: Sim. Não estou tendo nenhum problema, mas preciso que ele seja tirado hoje.
Enfermeira: Bem, não temos nenhuma consulta disponível para hoje. Podemos ver você em algumas semanas.
Abby: Escute, eu sei como retirar essa coisa. Ou a médica tira isso hoje ou eu mesma tiro. Tem que ser hoje.
Enfermeira: Você pode vir à 1 da tarde hoje?
Abby: Vejo você, então.

Assim que Abby teve o DIU retirado, toda conversa que tínhamos sobre aumentar a nossa família era empolgante e uma grande injeção de ânimo em nosso matrimônio. Só a ideia de ter mais filhos já fez com que nos aproximássemos um do outro. O sexo se tornou cheio de significado. Nossa fé se tornou mais profunda. Não houve fogos de artifício ou uma festa para celebrar nossa decisão de abandonar a contracepção, mas posso dizer que isso colocou o nosso casamento em um belo caminho, em uma direção completamente nova.

O que aconteceu a partir disso...

As coisas não se tornaram mais fáceis depois que decidimos ter mais filhos. Uma vez retirado o DIU, passamos por um ano de infertilidade – menos do que muitos casais que sabíamos que usavam contraceptivos hormonais e de outros tipos. Nós aceitamos que talvez não teríamos mais filhos, embora fosse algo difícil de engolir. Mas, depois de muito trabalho entre Abby e sua médica, conseguimos conceber nosso segundo bebê... o primeiro de 3 bonitos garotos. Alex, Luke e Carter vieram um após o outro, em três anos consecutivos. Esses garotos são a prova para nós de que estar no plano de Deus e abertos à vida é a melhor vida para se viver. Agora, usamos o NFP (Planejamento Familiar Natural) e ele funciona muito bem para nós.

Se não tivéssemos passado por esse um ano de infertilidade, eu não sei se teríamos estudado sobre o NFP. Não sei se teríamos aprendido tanto sobre fertilidade e a ordem natural do sexo. Durante esse período, também aprendemos muito mais sobre os outros efeitos colaterais do controle hormonal de nascimentos.

Como agora, em nosso casamento, nós não usamos nenhum produto químico ou látex. Nós temos uma relação sexual saudável, natural e aberta à vida. Ambos entendemos que a fertilidade dela é nossa e nós trabalhamos nisso juntos. A boa notícia é que o NFP nos aproximou enquanto casal. Nada jamais vai se intrometer entre minha esposa e eu em nosso leito de novo. Talvez os nossos filhos de 2 anos e 1 ano e meio, mas nada além disso!

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Você daria cocaína para o seu filho?
Educação

Você daria cocaína para o seu filho?

Você daria cocaína para o seu filho?

Você daria a seu filho de sete anos uma garrafa de vinho para ele beber? E sua filha de 12 anos, que acabou de entrar na adolescência, você por acaso lhe daria um punhado de cocaína?

Religión en LibertadTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere24 de Maio de 2018
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Você daria a seu filho de sete anos uma garrafa de vinho para ele beber? E sua filha de 12 anos, que acabou de entrar na adolescência, você por acaso lhe daria um punhado de cocaína?

A resposta para essas perguntas parece óbvia, mas é o que acontece muitas vezes, quando se entrega a crianças, sem nenhum tipo de restrição, tablets e smartphones.

É o que afirma Mandy Saligari, especialista em vícios, terapeuta e diretora de uma clínica de reabilitação em Londres, que tem se deparado, nos últimos anos, com uma enxurrada de casos de crianças e adolescentes viciados nessas novas tecnologias.

Há anos que numerosos especialistas em educação vem alertando para esses males, e que neuropsicólogos de prestígio vem avisando dos efeitos negativos que essas tecnologias produzem nas crianças, sem que suas advertências, no entanto, surtam grandes efeitos.

Mandy, assim como muitos outros especialistas, afirma que os pais não têm real consciência da gravidade que é os seus filhos passarem horas e horas diante de uma tela.

“Sempre digo às pessoas: quando você dá a seu filho um tablet ou um telefone, é como se você estivesse realmente lhe dando uma garrafa de vinho ou um punhado de cocaína”, disse Mandy, durante uma conferência educativa em Londres. Ela se perguntava, ao mesmo tempo, “por que prestamos muito menos atenção a essas coisas do que às drogas e ao álcool, quando uma coisa e outra trabalham com os mesmos impulsos cerebrais”.

Nacho Calderón, um prestigiado neuropsicólogo espanhol, assegura que “os celulares e tablets estão gerando déficit de atenção com hiperatividade. Indo aos casos mais extremos, chegaríamos, é claro, a problemas graves de conduta, de agressividade, de isolamento social, e de crianças que só sabem viver através de uma tela”.

Isso ficou patente em um pequeno experimento feito por Dolmio, uma marca britânica de alimentos, com o objetivo de promover as refeições em família. Sem querer, os produtores do comercial se depararam com algo aterrador.

Os protagonistas eram quatro famílias com filhos e o momento escolhido era a hora da refeição. Neste experimento o filho se encontrava sentado à mesa com seu tablet enquanto seus pais preparavam a comida. O objetivo era observar o que faria as crianças deixarem de olhar para a tela, enquanto a realidade ao redor delas fosse se transformando.

Mas a dependência das crianças era tal que elas haviam perdido o contato com o espaço e o tempo, bem como com a realidade de tudo à sua volta. Os pais começaram mudando os quadros e a decoração da sala sem que eles se dessem conta. Também passavam pela sala com objetos estranhos e com capacetes de vikings, por exemplo. Mas nada disso fazia seus filhos erguerem a cabeça.

O experimento foi mais além e seus pais foram trocados por outros adultos que simplesmente vestiam roupas da mesma cor. As crianças não notaram nada, apesar de eles se moverem de um lado para o outro. Inclusive seus irmãos foram trocados por outras crianças, que chegaram a se sentar à mesa com eles. Nem assim, porém, eles perceberam o que acontecia.

Só uma coisa fez com que eles levantassem os olhos: o momento em que se desligou a internet. As crianças tiveram então uma grande surpresa, ao notarem o que havia ocorrido.

Mas esse é apenas um exemplo recente do que está acontecendo em tantos lares onde as telas já constituem como que uma “extensão” das mãos de crianças e adolescentes. As cifras são arrepiantes.

Mandy recorda que inúmeras crianças de 13 anos são tratadas por vício em tecnologia digital e que dois terços dos britânicos entre 12 e 15 anos não conseguem ter um equilíbrio entre o tempo em que estão em frente a esses dispositivos e outras atividades.

Vícios são “um padrão de comportamento que pode se manifestar de diferentes maneiras”.

Quando pensam em vícios — adverte essa especialista —, o pensamento dos pais se dirige a coisas específicas ou a determinados tipos de substância, mas, na realidade, a dependência é “um padrão de comportamento que pode se manifestar de diferentes maneiras”.

Um problema ligado a esse é o aumento no número de menores de idade que enviam e receberam imagens pornográficas, ou que acessam conteúdos impróprios para sua idade a partir dos dispositivos que têm em mãos.

Mandy afirma que dois terços dos pacientes de sua clínica têm entre 16 e 20 anos, um “aumento dramático” em relação a 10 anos atrás. “Muitas de minhas pacientes são meninas de 13 e 14 anos, envolvidas com os chamados nudes, e descrevendo-os como coisas ‘completamente normais’.”

Segundo sua experiência, muitas dessas meninas acreditam que enviar uma foto de si mesmas nuas a alguém, através de um telefone, é algo “normal”, desde que o pai ou um adulto não descubra o que está acontecendo.

Por essa razão, muitos especialistas como ela estão de acordo em que deve existir um maior controle dos pais nessa matéria. 40% dos pais de filhos entre 12 e 15 anos confessam que acham difícil controlar o tempo que seus filhos passam diante desses dispositivos. O resultado é que, mesmo morando sob o mesmo teto que seus pais, as crianças e adolescentes de hoje recebem estímulos e influência de uma porção de pessoas e lugares, menos daqueles que os geraram e que realmente os deveriam educar.

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Existe “cura gay”?
Doutrina

Existe “cura gay”?

Existe “cura gay”?

“A ‘cura gay’ não é aquilo que muitas vezes as pessoas pensam”. Uma resposta firme, equilibrada e católica para a delicada questão da homossexualidade.

Equipe Christo Nihil Praeponere23 de Maio de 2018
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É bastante conhecida a orientação da Igreja às pessoas que sentem atração pelo mesmo sexo. O Catecismo da Igreja Católica diz, em seu parágrafo 2359, que:

As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.

O que muitas vezes se pergunta é se a Igreja não estaria exigindo demais dos homossexuais, pedindo-lhes que vivam a castidade. Não seria um fardo demasiado pesado para se carregar? Por que não “liberar” simplesmente que essas pessoas vivam seus desejos e “abrir” a doutrina da Igreja a esse tipo de situação?

Essas perguntas dizem respeito à realidade de “um número não negligenciável de homens e de mulheres”, que “apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas” (Catecismo, § 2358). Por isso, exigem uma resposta elaborada, minuciosa e profunda — justamente o que Padre Paulo Ricardo faz neste breve vídeo, extraído de nosso episódio ao vivo “Masturbação: nunca mais”.

Trocando em miúdos o que explica o padre, temos o seguinte.

Em primeiro lugar, “é perfeitamente possível ser feliz sem praticar sexo”. A frase pode escandalizar a muitos, mas é isso mesmo. As pessoas só pensam o contrário porque ficaram cegas, obstinadas no pecado, e não querem ouvir nada que aponte o erro de seus maus hábitos:

A imoralidade desenfreada que reina no mundo de hoje é uma das causas principalíssimas — a mais importante depois da propaganda materialista e ateia — da descristianização cada vez maior da sociedade moderna. O mesmo Cristo nos avisa no Evangelho que “todo o que pratica o mal odeia a luz” (Jo 3, 20). Não há nada que cegue tanto como a obstinação no pecado. [1]

Muita gente confunde, além disso, “felicidade” com “prazer”. Enquanto esta é uma sensação principalmente animal, a primeira experiência só pode ser feita pelos seres humanos, detentores que são de uma alma imortal.

A doutrina católica é clara em indicar que a suma felicidade de nossa vida consiste em conhecer e amar a Deus. Todo o resto, portanto, deve subordinar-se a isso. Se estamos fazendo o contrário, somos nós quem devemos mudar, não a Igreja. São os homens que precisam converter-se a Deus, mudar a própria mentalidade e vida, e conformá-los à vontade divina. Propor o contrário seria paganizar a religião e colocá-la a serviço de nossos interesses.

Em segundo lugar, “a ‘cura gay’ não é aquilo que muitas vezes as pessoas pensam”. Como a expressão “cura gay” já gerou muitos mal entendidos, expliquemos o que queremos dizer com ela. Se existe uma “cura gay”, ela não consiste em fazer uma pessoa, que tem atração pelo mesmo sexo, sentir-se atraída pelo sexo oposto. Uma cura da sexualidade humana que se queira “integral” precisa colocar em relevo, sempre, o sexo compatível com a santidade: para quem deseja seguir a Cristo, o ato sexual só pode ser realizado dentro do Matrimônio e de um modo que não se feche à transmissão da vida.

O porquê desse ensinamento da Igreja poderia ser tranquilamente destrinchado tanto racionalmente quanto a partir da Revelação divina. Mas isso nos levaria longe demais. O que importa saber, à luz disso, é que o modo como nossa sociedade, de modo geral, vem vivendo a sexualidade, precisa ser profundamente transformado. Não são apenas os homossexuais, portanto, que precisam de curar-se. Um casal de namorados que se relaciona antes de casar-se, um cônjuge que trai a própria esposa, um jovem que vive afundado na masturbação e na pornografia, todos precisam ter a própria sexualidade curada. A Igreja não é homofóbica. O seu convite à castidade estende-se a todos os seus filhos, indiscriminadamente.

Por fim, “o celibato é o tempero da moral sexual”. Convidar as pessoas à castidade pode significar muitas vezes, até para pessoas casadas, uma renúncia, provisória ou definitiva, ao ato conjugal. Por isso, falar de celibato não pode ser um “bicho de sete cabeças” — como parece ser em muitos ambientes, de Igreja até! Por trás de uma omissão a esse respeito está escondida muitas vezes a ideia de que é impossível ser feliz e realizar-se sem sexo. Ou seja, estamos reduzindo a doutrina moral da Igreja aos postulados da revolução sexual.

A pergunta que precisamos nos fazer, ao fim e ao cabo, é se acreditamos mais em Freud ou em Jesus Cristo; se damos mais crédito ao que assistimos na televisão ou ao que lemos e ouvimos da Palavra de Deus. Só se tivermos fé no que nos ensina a Igreja, afinal, poderemos cumprir o que ela — não em seu próprio nome, mas em nome de Cristo — nos manda. Como diz G. K. Chesterton, “não é que o ideal cristão tenha sido tentado e considerado imperfeito; ele foi considerado difícil sem nem mesmo ser tentado” [2].

Tentemos, pois! O que está em jogo é a nossa realização neste mundo — e a nossa eterna salvação no outro.

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Os falecidos não podem nos trazer mensagens do além?
Doutrina

Os falecidos não podem
nos trazer mensagens do além?

Os falecidos não podem nos trazer mensagens do além?

Para sabermos o que acontece depois da morte, não necessitamos perturbar o repouso dos falecidos. Deus escolheu outro caminho para nos instruir sobre o sentido da vida e o destino eterno que teremos.

Frei Boaventura Kloppenburg22 de Maio de 2018
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Não é permitido, como já vimos, evocar as almas de pessoas que já morreram, prática muito comum no espiritismo. Mas por que tão rigorosa interdição, afinal? Não poderíamos ser positivamente ajudados pela instrução dos falecidos? Ou quererá Deus deixar-nos na ignorância acerca dos acontecimentos depois da morte?

O próprio Jesus nos deu a resposta na parábola do pobre Lázaro e do rico epulão (cf. Lc 16, 19-31). Ambos morrem e são julgados, cada um de acordo com a vida que levou nesta terra. Lázaro “foi levado pelos anjos ao seio de Abraão”, isto é, ao céu. O rico avarento é condenado ao inferno.

A diferença entre os dois, depois da morte, é grande. O falecido rico gozador implora: “Pai Abraão, tem piedade de mim e manda que Lázaro molhe a ponta do dedo para me refrescar a língua, pois estou torturado nesta chama”. Mas a separação entre ambos é definitiva e a comunicação, impossível. A resposta do céu é clara e dura: “Entre vós e nós existe um grande abismo, de modo que aqueles que quiserem passar daqui para junto de vós não o podem, nem tampouco atravessarem os de lá até nós” (v. 26).

“A alma de Lázaro levada para junto de Abraão”, Mestre de James IV da Escócia.

O falecido epulão insiste num pedido com filantrópica proposta: “Pai, eu te suplico, envia então Lázaro até a casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos; que ele os advirta, para que não venham eles também para este lugar de tormento”. Era uma sugestão que parecia muito boa. Estabelecer-se-ia um útil intercâmbio entre os do além, com seus novos conhecimentos, e os da terra, sempre necessitados de esclarecimento e orientação. No entanto, a resposta do céu é seca: “Eles têm Moisés e os Profetas; que os ouçam!” (v. 29).

Mas o proponente insiste, com uma justificação: “Não, pai Abraão, se alguém dentre os mortos for procurá-los, eles se converterão”. A razão parecia óbvia. É a solução proposta também pelos atuais movimentos espiritistas. Se é verdade que as almas dos falecidos sobrevivem conscientemente e que elas continuam solidárias conosco, afirmações que são corroboradas pela Bíblia e ensinadas pela Igreja Católica, por que não poderia o Criador escolher esta via para trazer revelações úteis do além? A resposta do céu, entretanto, segundo Jesus, é sem rodeios: “Se não escutam nem a Moisés nem aos Profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão” (v. 31).

É a rejeição pura e simples da via espiritista [1].

Deus certamente “quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2, 4). Ele não quer deixar-nos na ignorância. Mas o Criador dos homens escolheu outra via para instruí-los sobre o sentido da vida e o destino eterno. Na Constituição dogmática Dei Verbum, de 1965, o Concílio Vaticano II resume no n. 2 assim o plano divino da revelação:

Aprouve a Deus, em sua bondade e sabedoria, revelar-se a si mesmo e tomar conhecido o mistério de sua vontade (cf. Ef 1, 9), pelo qual os homens, por intermédio de Cristo, Verbo feito carne, e, no Espírito Santo, têm acesso ao Pai e se tornam participantes da natureza divina. Mediante esta revelação, portanto, o Deus invisível, levado por seu grande amor, fala aos homens como a amigos (cf. Ex 33, 11; Jo 15, 14-15), e com eles se entretém para os convidar à comunhão consigo e nela os receber.

Este plano de revelação se concretiza através de acontecimentos e palavras intimamente conexos entre si, de forma que as obras realizadas por Deus na história da salvação manifestam e corroboram os ensinamentos e as realidades significadas pelas palavras. Estas, por sua vez, proclamam as obras e elucidam o mistério nelas contido. No entanto, o conteúdo profundo da verdade, seja a respeito de Deus, seja da salvação do homem, se nos manifesta por meio dessa revelação em Cristo, que é ao mesmo tempo mediador e plenitude de toda a revelação.

Deste plano de revelação estão excluídos os falecidos. Depois de Moisés e dos Profetas, Deus nos enviou seu Filho, o Verbo eterno que ilumina todos os homens, para que habitasse entre os homens e lhes expusesse os segredos de Deus (cf. Jo 1, 1-18). Com Jesus recebemos a plenitude da revelação necessária para a nossa salvação.

  • Ele se apresenta a si mesmo com uma declaração solene: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14, 6).
  • Ele está “cheio de verdade” (Jo 1, 14).
  • “Nele se acham escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” (Cl 2, 3).
  • Ele é pessoalmente o anunciado e prometido Emanuel, Deus-com-os-homens. Ele é para nós como a nuvem luminosa do Êxodo: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8, 12).
  • Ele é a luz das gentes (cf. Lc 2, 32), o sol nascente que ilumina os que estão nas trevas (cf. Lc 1, 78s).
  • “Eu, a luz, vim ao mundo para que aquele que crê em mim não permaneça nas trevas” (Jo 12, 46).

Não necessitamos perturbar o repouso dos falecidos (cf. 1Sm 28, 15). O Concílio Vaticano II, na citada Constituição Dei Verbum (n. 4b), nos garante que “a economia cristã, como aliança nova e definitiva, jamais passará, e já não há que esperar nenhuma nova revelação pública antes da gloriosa manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. 1Tm 6, 14; Tt 2, 13)”.

Não haverá “terceira revelação”.

O espiritismo, que pretende ser precisamente esta “terceira revelação”, não só não entra nos planos de Deus Revelador, mas se opõe à economia divina.

Referências

  • Trecho extraído e levemente adaptado de “Espiritismo: Orientação para Católicos”. 9.ª ed., São Paulo: Loyola, 2014, pp. 54-56.

Notas

  1. O que dizer, então, das aparições de almas do Purgatório, as quais já relatamos aqui em algumas oportunidades? Elas devem ser entendidas como milagres, permissões extraordinárias de Deus. “Quem negará a Deus todo-poderoso”, afinal, “a capacidade de enviar-nos seus mensageiros? Quando Deus manda, a iniciativa é sua; e a conseqüente manifestação do além toma para nós um caráter espontâneo. Bem outra é a situação quando a iniciativa é nossa, querendo nós provocar alguma conversação com entidade do além.”

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Se você usa camisinha, este texto é para você
Doutrina

Se você usa camisinha,
este texto é para você

Se você usa camisinha, este texto é para você

O tempo provou onde a sabedoria está. É hora de admitir o óbvio. Se você tem o costume de usar camisinha, pílulas e outros métodos contraceptivos, este texto é para você.

Mons. Charles Pope,  Community in MissionTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere22 de Maio de 2018
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Para falar sobre assédio e abuso sexual em nossa cultura, nós faríamos muito bem em avaliar o quanto a “mentalidade contraceptiva” contribuiu para muitos dos problemas que estamos enfrentando hoje.

De acordo com essa visão de mundo, não haveria qualquer conexão necessária entre sexo e geração de filhos: o que Deus uniu… foi arbitrariamente separado. Isso levou a uma enorme confusão quanto à natureza e ao fim da intimidade sexual, bem como quanto ao que sejam Matrimônio e família. Muitos tratam o sexo de maneira frívola e leviana; pensam erroneamente que o sexo pode ser vivido sem consequências; e, como temos visto em notícias recentes, muitos homens já não veem as mulheres como esposas, mães e pessoas que devem ser respeitadas, mas como objetos a ser explorados.

Duas gerações se passaram desde a publicação da corajosa e profética encíclica Humanae Vitae, a qual manteve a antiga condenação da Igreja ao uso da contracepção artificial. E talvez nenhum outro ensinamento da Igreja provoque tanto escárnio (mesmo entre os católicos) quanto esse sobre a regulação da natalidade. “Absurdo!”, dizem alguns. “Fora de cogitação!”, meneiam a cabeça. “Ridículo!”, fazem troça. “Você só pode estar brincando!”

Mas o tempo cuidou de provar onde estava a sabedoria (cf. Mt 11, 16-19). Cerca de cinquenta anos após a aceitação generalizada da contracepção, como nós estamos? Talvez seja melhor rever algumas das “promessas” que os defensores da contracepção fizeram e, então, fazer um paralelo com algumas das profecias do Beato Papa Paulo VI. Revisemos os registros e tomemos nota de quais foram, afinal, os “frutos” da contracepção.

As promessas dos defensores da contracepção eram:

  • Casamentos mais felizes e menos divórcios, porque os casais seriam capazes de ter tantas relações quanto quisessem sem o “medo” da gravidez.
  • Menor número de abortos porque haveria bem menos casos de gravidez “indesejada”.
  • Maior dignidade para as mulheres porque elas não estariam mais “presas” a seus sistemas reprodutivos.
  • Uma promessa mais recente: redução das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e da AIDS.

As preocupações e previsões do Papa Paulo VI, no n. 17 da Humanae Vitae, eram as seguintes:

Considerem, antes de mais, o caminho amplo e fácil que tais métodos abririam à infidelidade conjugal e à degradação da moralidade.

Não é preciso ter muita experiência para conhecer a fraqueza humana e para compreender que os homens — os jovens especialmente, tão vulneráveis neste ponto — precisam de estímulo para serem fiéis à lei moral e não se lhes deve proporcionar qualquer meio fácil para eles eludirem a sua observância.

É ainda de recear que o homem, habituando-se ao uso das práticas anticoncepcionais, acabe por perder o respeito pela mulher e, sem se preocupar mais com o equilíbrio físico e psicológico dela, chegue a considerá-la como simples instrumento de prazer egoísta e não mais como a sua companheira, respeitada e amada.

Pense-se ainda seriamente na arma perigosa que se viria a pôr nas mãos de autoridades públicas, pouco preocupadas com exigências morais. Quem poderia reprovar a um governo o fato de ele aplicar à solução dos problemas da coletividade aquilo que viesse a ser reconhecido como lícito aos cônjuges para a solução de um problema familiar? Quem impediria os governantes de favorecerem e até mesmo de imporem às suas populações, se o julgassem necessário, o método de contracepção que eles reputassem mais eficaz?

Quem estava, pois, com a razão? O mundo ou a Igreja? Vamos considerar alguns dados.

Em primeiro lugar, a taxa de divórcios não diminuiu; disparou. Nos Estados Unidos, a taxa de divórcios subiu na década de 1970 e depois até quase 50% dos casamentos estavam em crise. Nos últimos anos, o número de divórcios caiu ligeiramente, mas isso só deve ao fato de que cada vez menos pessoas querem se casar, preferindo, ao invés, coabitar ou relacionar-se em uma espécie de monogamia em série, pulando de um relacionamento para outro. A taxa geral de divórcio atualmente paira na faixa de 40%.

Os defensores da contracepção hoje reclamam que o divórcio é um assunto complicado, o que certamente é verdade, mas eles não podem ficar dos dois lados: primeiro dizem que a contracepção será uma solução “simples” para tornar os casamentos mais felizes e, depois, quando percebem tão drasticamente que estão errados, reclamam que o divórcio é complicado. O Papa Paulo VI, por outro lado, previu a maré difícil para o casamento com o advento da contracepção; parece que ele estava certo.

Em segundo lugar, a taxa de abortos não diminuiu; disparou também. Em poucos anos, a pressão para tornar o aborto mais acessível levou à sua legalização em 1973, nos Estados Unidos. Já está provado que os contraceptivos, longe de diminuírem a taxa de abortos, na verdade, só a fizeram aumentar. Como os contraceptivos costumam falhar, o aborto tem se tornado o último recurso para os casais que não querem ter filhos.

Além disso, como previu o Papa, a imoralidade sexual foi amplamente disseminada; e também isso tem levado a altas taxas de aborto. É difícil comparar os índices de promiscuidade entre as épocas porque as pessoas não costumam contar a verdade quando perguntadas sobre essas coisas. Mas alguém precisa ser muito míope para não perceber o aumento vertiginoso da promiscuidade aberta, da coabitação, da pornografia e de outras imoralidades. Todos esses maus comportamentos, que se tornaram mais comuns pelos contraceptivos, também alimentaram as taxas de aborto. Mais um ponto em que a previsão do Papa e da Igreja se mostrou certa.

Consideremos, em terceiro lugar, a dignidade da mulher. Trata-se de algo difícil de estimar, porque cada pessoa tem seus próprios critérios para medi-la. As mulheres têm, de fato, grandes oportunidades profissionais hoje, mas será essa realmente a fonte da dignidade de uma pessoa?

A dignidade de alguém certamente envolve mais que suas capacidades econômicas. Infelizmente, a maternidade foi para o banco de trás na cultura popular e, como o Papa previu, as mulheres foram hipersexualizadas também. Sua dignidade como mães e esposas foi posta de lado e substituída pelo prazer sexual que elas oferecem aos homens.

Muitos homens modernos, não mais obrigados ao casamento para terem satisfação sexual, usam e abusam das mulheres. Eles simplesmente “pegam o que querem” e muitas delas parecem dispostas a lhes fornecer isso livremente. Neste cenário, os homens “vencem”. As mulheres ainda são frequentemente infectadas por DSTs e abandonadas com seus filhos, os quais têm de assistir e educar sozinhas. E, quanto mais ficam velhas e “menos atraentes” para os homens, mais sozinhas ficam. Eu não estou muito certo de que isso seja dignidade.

Teriam as mulheres realmente se beneficiado com essa nova moralidade que a contracepção ajudou a inaugurar? Aparentemente, o Papa estava certo mais uma vez.

Em quarto lugar, o que dizer da contracepção como fator que previne e reduz as DSTs ou a AIDS? Novamente, uma grande decepção. As DSTs não foram prevenidas nem diminuíram. A taxa de infecções disparou entre os anos 1970 e 1980. A AIDS, que surgiu neste mesmo período, continua a apresentar taxas terrivelmente altas. Onde está a libertação prometida?

Os contraceptivos previnem muito pouco. O que eles fazem, na verdade, é encorajar a propagação dessas doenças, pois promovem o mau comportamento que as causa. Aqui, também, a Igreja estava certa e o mundo, errado.

O tempo cuidou de mostrar, portanto, onde estava a sabedoria. O que aprendemos ao longo destas décadas de contracepção? Primeiro, que é um grande erro acreditar em suas promessas; os contraceptivos só tornaram as coisas piores do que já estavam. Maus comportamentos têm sido estimulados e todas as consequências ruins decorrentes disso estão vindo à tona.

Por outro lado, a maioria das pessoas parece desinteressada nesses dados. Os corações se tornaram entorpecidos e as inteligências se encontram adormecidas. Apesar disso, espero que você considere com cuidado essas informações, compartilhando-as com outras pessoas. O tempo provou onde a sabedoria está. É hora de admitir o óbvio.

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