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O espiritismo tem alguma coisa a ver com o Evangelho de Cristo?
Doutrina

O espiritismo tem alguma coisa
a ver com o Evangelho de Cristo?

O espiritismo tem alguma coisa a ver com o Evangelho de Cristo?

Da Santíssima Trindade à fé na Igreja, da divindade de Cristo ao juízo final, o espiritismo renuncia a praticamente todo o credo cristão. Em que consiste, pois, seu anunciado “cristianismo"?

Frei Boaventura Kloppenburg29 de Agosto de 2017
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No Brasil, o movimento criado por Allan Kardec (AK) é mantido e divulgado pela Federação Espírita Brasileira, fundada em 1884, que a propõe sistematicamente não apenas como "a religião", mas também como "espiritismo cristão" [...].

Embora o próprio AK jamais tenha usado esta expressão, tomada de J. B. Roustaing (1865), ofereceu-lhe, no entanto, um bom fundamento para isso quando proclamou que o espiritismo é a realização das promessas de Jesus Cristo acerca do Consolador e a apresentou como "a Terceira Revelação" [...]. Em O Evangelho segundo o espiritismo (cito agora a 90.ª ed., p. 59) escreve AK: "Assim como o Cristo disse: 'Não vim destruir a lei, porém cumpri-la', também o espiritismo diz: não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe execução. Nada ensina em contrário ao que ensinou o Cristo".

Semelhantes afirmações são comuns entre os espíritas e pode ser que sejam sinceras, mas mostram um desconhecimento profundo da doutrina do Evangelho segundo Mateus, Marcos, Lucas e João e segundo o ensinamento apostólico contido em suas cartas. O Reformador, órgão oficial do nosso kardecismo, de março de 1981, num artigo sobre a missão do Consolador (que seria o Espírito Santo segundo o Evangelho de São João), conclui: "É missão, pois, do espiritismo devolver ao cristianismo a sua pureza original, libertando-o dos dogmas e das idéias humanas nele introduzidas" (p. 85).

Veremos agora como se fez esta fundamental operação libertadora:

1) A revelação divina. — Para a generalidade dos cristãos de todos os tempos, sejam eles católicos, ortodoxos ou protestantes, os livros da Sagrada Escritura são divinamente inspirados. É um princípio inconcusso ("dogma") dos cristãos. No credo espírita de AK não entra este ponto fundamental. Jamais o afirma em nenhuma de suas obras. Mas com freqüência se compraz em mostrar o que ele considera absurdos e contradições da Bíblia. No órgão oficial da Federação Espírita Brasileira, Reformador, janeiro de 1953, p. 23, encontramos a posição bem definida dos nossos espíritas perante a Bíblia: "Do Velho Testamento já nos é recomendado somente o Decálogo e do Novo Testamento apenas a moral de Jesus; já consideramos de valor secundário, ou revogado e sem valor algum, mais de 90% do texto da Bíblia. Só vemos na Bíblia toda um livro respeitável pelo seu valor cultural, pela força que teve na formação cultural dos povos do Ocidente". [...]

Falando de escritos apostólicos do Novo Testamento, escreve AK: "Todos os escritos posteriores (aos Evangelhos), sem exclusão dos de S. Paulo, são apenas, e não podem deixar de ser, simples comentários ou apreciações, reflexos de opiniões pessoais, muitas vezes contraditórias que, em caso algum, podem ter a autoridade da narrativa dos que receberam diretamente do Mestre as instruções" ( Obras póstumas, 10.ª ed., p. 110). Esta posição negativa reaparece com freqüência na literatura espírita brasileira. Assim, por exemplo, Carlos Imbassahy, em À Margem do Espiritismo (2.ª ed.), esclarece que, "em matéria de escritura, os espíritas, no a que se referem, é tão unicamente aos Evangelhos. Não os apresentam, porém, como prova, senão como fonte de luz subsidiária, elemento de reforço" (p. 126). Pois "nem a Bíblia prova coisa nenhuma, nem temos a Bíblia como probante. O espiritismo não é um ramo do cristianismo como as demais seitas cristãs. Não assenta os seus princípios nas escrituras. Não rodopia junto à Bíblia. A nossa base é o ensino dos espíritos, daí o nome — espiritismo" (p. 219).

2) A doutrina sobre Deus. — Os conceitos de AK sobre a existência de Deus e seus atributos coincidem de fato com a doutrina cristã. Duas vezes, em seus escritos, AK se refere expressamente ao panteísmo, para rejeitá-lo ( O livro dos espíritos, 22.ª ed., p. 53; Obras póstumas, 10.ª ed., p. 179). E contra os panteístas chega a afirmar positivamente uma nítida distinção entre Deus e o Universo, acusando o panteísmo de "confundir o Criador com a criatura"; e, por isso, declara inequivocamente: "As obras de Deus não são o próprio Deus" (O livro dos espíritos, p. 54). Não obstante, por vezes tem expressões com sabor panteísta. Assim quando diz que "ignoramos" se a inteligência é uma "emanação da Divindade" (O livro dos espíritos, p. 56); ou quando o "fluido universal" toma qualidades panteístas; ou quando esclarece que os espíritos "se acham mergulhados no fluido divino" (cf. A gênese).

Já Leão Denis, outro patriarca do espiritismo, então membro da equipe de codificação da doutrina espírita, resvalou para um evidente monismo panteísta. Segundo seu modo de falar, "Deus é a grande alma universal, de que toda alma humana é uma centelha, uma irradiação. Cada um de nós possui, em estado latente, forças emanadas do divino foco" (assim em Cristianismo e Espiritismo, 5.ª ed., p. 246). Fala com freqüência de Deus como "divino foco", "supremo foco do bem e do belo", "o grande foco divino" etc. Também em outra obra sua, Depois da Morte, 6.ª ed., voltam expressões panteístas: "Deus é infinito e não pode ser individualizado; isto é, separado do mundo, nem subsistir à parte" (p. 114); ou: "o Ser supremo não existe fora do mundo, porque este é a sua parte integrante e essencial" (p. 124). Em vez do "Deus fantástico da Bíblia", ele quer o "Deus imanente, sempre presente no seio das coisas" (p. 213): "O universo não é mais essa criação, essa obra tirada do nada de que falam as religiões. É um organismo imenso animado de vida eterna" (p. 123); e em seguida explica que Deus está para o universo como a alma para o corpo: "O eu do universo é Deus" (p. 349).

3) A Santíssima Trindade. — Todos os cristãos, católicos, ortodoxos e protestantes, professam sua fé na Santíssima Trindade. É o mistério central da fé e mensagem cristã, desde os primórdios do cristianismo. Mas o credo espírita proposto por AK desconhece totalmente a Santíssima Trindade. A posição de AK, no conjunto de suas obras, é de absoluto e sistemático silêncio com relação a esta doutrina cristã. Seu silêncio era apenas oportunista. Na realidade, em seu sistema de pensamento não cabia este mistério cristão, não só porque para ele "absolutamente não há mistérios" ( Obras póstumas, p. 201), mas porque não há lugar para uma intensa vida divina intratrinitária, dado que, segundo AK, o Deus que não cria incessantemente, desde toda a eternidade, seria um Deus solitário e ocioso (cf. O livro dos espíritos, p. 56).

Mas se AK julgou mais oportuno não negar abertamente o mistério trinitário, seus seguidores não compartilham este ponto de vista. Já Leão Denis, em Cristianismo e Espiritismo, p. 74, abre sua crítica dos nossos principais dogmas com estas palavras: "Começa com a estranha concepção do Ser divino, que se resolve no mistério da Trindade". Depois explica: "A noção da Trindade, colhida numa lenda hindu que era a expressão de um símbolo, veio obscurecer e desnaturar essa alta idéia de Deus [...]. Essa concepção trinitária, tão incompreensível, oferecia, entretanto, grande vantagem às pretensões da Igreja. Permitia-lhe fazer de Jesus Cristo um Deus" (p. 75).

No Brasil, o espiritismo em peso ou desconhece ou nega a Santíssima Trindade.

4) A doutrina sobre Jesus. — Professam os cristãos que Jesus é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. A afirmação da divindade de Jesus é fundamental para a fé cristã. Mas este Jesus não entra no credo espírita formulado por AK. Ele nos deixou entre suas Obras Póstumas um "Estudo sobre a natureza de Cristo", de 41 páginas, todo ele tendenciosamente orientado para provar que Jesus não era Deus. Com este objetivo nega, sucessivamente, o valor dos milagres, das palavras de Jesus, da opinião dos Apóstolos e das profecias messiânicas.

Mas nos dias de AK surgiu um advogado de Bordéus chamado João Batista Roustaing, que teve seu primeiro contato com o espiritismo em 1861 e em 1865 publicou sua obra: Espiritismo Cristão ou Revelação da Revelação, em três volumes. Sua tese central: o corpo de Jesus não era real, de carne e osso, mas aparente e meramente fluídico. Repetia o docetismo do primeiro século cristão. Sua tese não foi aceita por AK. Mas no Brasil a Federação Espírita, desde sua fundação, propaga a obra de Roustaing. Bittencourt Sampaio, Sayão, Bezerra de Menezes, Guillon Ribeiro e outros conhecidos dirigentes da Federação Espírita são rusteinistas professos. Guillon Ribeiro, que foi presidente da Federação em 1920-1921 e de 1930 a 1943 e tradutor das obras de AK, compendiou a cristologia espírita no título que deu ao livro: Jesus, nem Deus nem homem, reeditado e divulgado pela Federação Espírita.

5) A doutrina sobre a redenção. — "É pelo sangue de Jesus Cristo que temos a redenção, a remissão dos pecados, segundo a riqueza de sua graça que ele derramou profusamente sobre nós", explicava São Paulo ( Ef 1, 7). Nossa redenção pela paixão, morte e ressurreição de Jesus é outra verdade fundamental da fé cristã. Nisso consiste propriamente a "boa nova" ou o "evangelho". Mas nem esta verdade tão central entra no credo espírita de AK. Segundo ele cada um deve ser seu próprio redentor através do sistema das reencarnações.

Por isso no espiritismo a soteriologia (ou doutrina sobre a redenção ou salvação do homem) é deslocada da cristologia para a antropologia. Leão Denis ( foto acima) o enuncia cruamente quando escreve: "Não, a missão de Cristo não era resgatar com o seu sangue os crimes da humanidade. O sangue, mesmo de um Deus, não seria capaz de resgatar ninguém. Cada qual deve resgatar-se a si mesmo, resgatar-se da ignorância e do mal. É o que os espíritos, aos milhares, afirmam em todos os pontos do mundo" ( Cristianismo e Espiritismo, p. 88). E o Reformador, órgão máximo da propaganda reencarnacionista no Brasil, ensina em seu número de outubro de 1955 (p. 236): "A salvação não se obtém por graça nem pelo sangue derramado por Jesus no madeiro", mas "a salvação é ponto de esforço individual que cada um emprega, na medida de suas forças".

Hippolyte Léon Denizard Rivail, o fundador do espiritismo.

Daí esta doutrina de AK: "Toda falta cometida, todo mal realizado é uma dívida contraída que deverá ser paga; se não for em uma existência, sê-lo-á na seguinte ou seguintes" ( O céu e o inferno, 16.ª ed., p. 88). Ele reconhece a necessidade e o valor do arrependimento; mas este arrependimento não basta ao pecador para obter o perdão divino. Segundo ele, a contrição é apenas o início da expiação e tem como conseqüência o desejo de "uma nova encarnação para se purificar" (O livro dos espíritos, p. 446). "O arrependimento concorre para a melhoria do espírito, mas ele tem que expiar o seu passado" (ibid., p. 448); "o arrependimento lhe apressa a reabilitação, mas não o absolve" (ibid., p. 450); "o arrependimento suaviza os travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contudo, pode anular o efeito, destruindo-lhe a causa. Do contrário, o perdão seria uma graça, não uma anulação" (O céu e o inferno, p. 90); e a graça é coisa que não existe porque "seria uma injustiça" (O evangelho segundo o espiritismo, 39.ª ed., p. 76).

No livro Roma e o Evangelho (5.ª ed.), o espírito de "Maria" dita estas palavras: "Jesus Cristo não podia, nem quis assumir todas as responsabilidades individuais, contraídas ou por contrair, emanadas dos pecados dos homens, e muito menos podia, pelo sacrifício da sua vida, remir a humanidade da pena de desterro a que fora condenada [...]. A redenção da humanidade não se firma, pois, nos méritos e sacrifícios de Jesus, e, sim, nas boas obras dos homens [...]. Que cegueira! Quanta aberração! Supor e afirmar que os sofrimentos e a morte do Justo foram ordenados do alto, em expiação dos pecados de todos, é a mais orgulhosa das blasfêmias contra a justiça do Eterno".

6) A doutrina sobre a Igreja. — "Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica." É a profissão cristã. Nem esta profissão entra no credo espírita. Com a negação da doutrina cristã sobre a redenção e santificação dos homens, contestam-se conseqüentemente também todos os meios instituídos por Jesus Cristo para a salvação e santificação.

  • A começar pelo Batismo. Jesus mandou aos Apóstolos ir pelo mundo inteiro, ensinar a todos tudo quanto ele lhes ordenara, batizando a todos "em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28, 19-20), esclarecendo: "Aquele que crer e for batizado será salvo; o que não crer será condenado" (Mc 16, 16). No Brasil, os espíritas, fiéis à doutrina codificada por AK, já não batizam nem fazem batizar seus filhos. Nem teria sentido. Pois é pelas reencarnações que os homens devem alcançar a perfeição.
  • Na última ceia Jesus instituiu a Eucaristia e ordenou aos Apóstolos: "Fazei isto em minha memória" (Lc 22, 19). Mas os espíritas não o fazem. Nem teria sentido. Pois, segundo eles, o mistério pascal não tem valor de sacrifício pelos pecados dos homens.
  • Jesus disse aos apóstolos: "Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados" (Jo 20, 23). Mas os espíritas não procuram receber o perdão divino que lhes é generosamente oferecido. Nem teria sentido. Pois somente mediante as reencarnações se alcança o perdão.
  • Jesus disse a Pedro: "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do reino dos céus e o que ligares na terra será ligado nos céus e o que desligares na terra será desligado nos céus" (Mt 16, 18-19). Mas os espíritas não dão nenhuma importância nem a Pedro e seus sucessores, nem à Igreja que Jesus dizia "sua", nem ao poder das chaves que o Senhor Jesus entregou ao chefe do colégio apostólico.
  • Jesus declarou aos Apóstolos: "Quem vos ouve a mim ouve, quem vos despreza a mim despreza, e quem me despreza, despreza aquele que me enviou" (Lc 10, 16). Para os espíritas tudo isso já está superado. Pois eles vão receber as orientações dos espíritos que baixam em seus centros.

Proclamando a nulidade dos sacramentos, quer AK que o espiritismo não tenha "nem culto, nem rito, nem templos" ( Obras póstumas, p. 235). E o Conselho Federativo Nacional dos espíritas, em sua reunião de 5 de julho de 1952, declarou, "por unanimidade, que o espiritismo é religião sem ritos, sem liturgia e sem sacramentos". Proclama-se assim a total inutilidade da Igreja, que será substituída pelo espiritismo. No livro Depois da Morte (p. 80), profetiza Leão Denis: "Chegará a ocasião em que o catolicismo, seus dogmas e práticas não serão mais do que vagas reminiscências quase apagadas da memória dos homens, como o são para nós os paganismos romanos e escandinavos".

Não seria difícil continuar a lista de negações. Assim, para dar apenas mais alguns exemplos, o espiritismo:

  • nega a criação da alma humana;
  • recusa a união substancial entre corpo e alma;
  • afirma que não há anjos e demônios;
  • repudia os privilégios de Maria Santíssima;
  • não admite o pecado original;
  • contesta a graça divina;
  • abandona toda a doutrina do sobrenatural;
  • rejeita a unicidade da vida humana terrestre;
  • ignora o juízo particular depois da morte;
  • não concede a existência do purgatório; ridiculariza o inferno; reprova a ressurreição da carne;
  • e desdenha o juízo final.

Em uma palavra: renuncia a todo o credo cristão. Em que consiste, pois, seu anunciado "cristianismo"? Tudo é simplesmente reduzido à aceitação de alguns princípios morais do Evangelho, tal como AK aprendera em sua juventude, no Instituto de Pestalozzi, em Yverdun, na Suíça. Seu manual "cristão" é unicamente O Evangelho segundo o Espiritismo, "com a explicação das máximas morais do Cristo em concordância com o espiritismo e suas aplicações às diversas circunstâncias da vida", que AK publicou em 1864.


Transcrito e levemente adaptado de "Espiritismo, orientação para os católicos", 9.ª ed., São Paulo: Loyola, 2014, pp. 26-32.

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Temperamento não é muleta!
Cursos

Temperamento não é muleta!

Temperamento não é muleta!

Não é porque você nasceu com esta ou aquela tendência que precisa ceder à sua natureza e levar a vida de qualquer modo. Temperamento não é muleta, nem licença para ser um mau caráter!

Equipe Christo Nihil Praeponere27 de Setembro de 2019
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Nós, seres humanos, estamos sempre arrumando uma desculpa, um “jeitinho” para justificar nossos defeitos e permanecer na cômoda mesmice de nossos maus hábitos…

Pois bem, se há algo em que nosso novo curso sobre “Os Quatro Temperamentos” quer ajudar você, é justamente a mudar isso. Assim como o Apóstolo disse: “Não vos conformeis com este mundo” (Rm 12, 2), este curso é para dizer a você: Não se conforme com seu temperamento! Não se conforme às más inclinações com que você nasceu! Lute — com a graça de Deus, é claro, mas lute — para transformar a própria têmpera!

Dizendo de modo mais claro e concreto: 

  • não é porque você nasceu mais propenso à cólera que pode ser mal educado e sair por aí dando coice nos outros; 
  • não é porque nasceu mais dado à melancolia que precisa ficar “chorando as pitangas” todo dia; 
  • não é porque nasceu mais inclinado à preguiça que não precisa “pegar no batente”; 
  • não é porque tende à inconstância que está fadado a sempre começar as coisas e nunca terminá-las… 

Porque temperamento não é muleta, nem licença para ser um mau caráter, e é essa a mensagem do novo teaser que estamos enviando a você, com mais trechos inéditos de nossas aulas. Assista:

Se você gostou e quer saber melhor como esse assunto é tratado dentro do sadio equilíbrio da espiritualidade cristã, inscreva-se agora mesmo em nossa lista exclusiva para este curso e receba todas as atualizações a respeito! “Porque é a partir desse conhecimento, do que é a minha tendência biológica, que eu vou construir o meu caráter”.

E anote em sua agenda: nosso lançamento será no dia 15 de outubro, memória de Santa Teresa de Jesus.

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Marido e mulher, vocês não pertencem a si mesmos!
Família

Marido e mulher,
vocês não pertencem a si mesmos!

Marido e mulher, vocês não pertencem a si mesmos!

Embora o sacramento do Matrimônio não imprima caráter em sentido estrito, o casal muda verdadeiramente: o alicerce deixa de ser o próprio eu e passar a ser o outro, deixa de ser o isolamento para ser a comunhão.

Peter KwasniewskiTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere25 de Setembro de 2019
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A linguagem tradicional de “direitos” ou “débitos” no Matrimônio foi muito criticada  antes e durante a realização do Concílio Vaticano II, e quase desapareceu do vocabulário católico. No entanto, é necessário analisá-la novamente. Porque é importante reconhecer, especialmente numa época de confusão a respeito da indissolubilidade matrimonial, que no momento em que nasce o vínculo conjugal algo de cada um dos cônjuges pertence, por direito, ao outro, e não apenas a si mesmo.

Vejamos os votos contraídos no Matrimônio: “Eu, N., recebo-te por minha esposa (meu esposo) a ti, N., e prometo ser-te fiel...”. A troca de consentimentos não é um contrato limitado e revogável: ao contrário, ele é livre, irrevogável e desinteressado, pois um se entrega ao cuidado do outro. Eu deixo de ser “dono do meu nariz”, pois agora pertenço à outra pessoa. Em certo sentido, torno-me propriedade do meu cônjuge. Os esposos podem reivindicar coisas um do outro, porque cada um deles tem um direito verdadeiro e definitivo sobre o outro. Esse é precisamente o significado do voto, diferentemente de acordos, contratos, pactos, parcerias ou “casos”.

Vale a pena fazer uma comparação com os votos religiosos. A mulher que entra para a vida religiosa, como costumamos dizer, faz um voto irrevogável e incondicional de se casar espiritualmente com Nosso Senhor Jesus Cristo. Por sua vez, o homem que entra para a vida religiosa promete pôr-se plenamente à disposição e a serviço dEle. Não se trata de um mero passatempo, mas da consagração de toda a vida a outra pessoa.

Por isso, tanto o Matrimônio como a vida religiosa exigem uma preparação séria, um propósito lúcido, esforço e oração constantes para que haja perseverança e um desejo pleno de aceitar o fardo do outro “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença”, nas épocas de esplendor e nas noites escuras. 

Você não pertence a si mesmo” — é esse o clamor que sai da boca do Apóstolo (1Cor 6, 19). Marido e mulher, vocês não pertencem a si mesmos, pertencem um ao outro e, portanto, devem tudo um ao outro. Esse débito se estende de forma natural, espontânea e apropriada aos filhos, por quem os pais são responsáveis e de quem recebem as bênçãos da alegria, do apoio e do sofrimento, ou seja, trata-se de uma verdadeira participação no mistério pascal de Cristo. De modos distintos, os membros da família pertencem uns aos outros. Nenhum deles pertence a si mesmo. 

Você não pertence a si mesmo. Contraímos uma dívida eterna com Deus pelo simples fato de termos sido criados do nada por sua vontade benéfica e sábia. Devemos a Ele nosso próprio ser, porque Ele nos fez para ser, Ele nos dá o “ato de ser”, a fonte de nossa personalidade, a energia dinâmica que nos transforma em seres reais, e não meramente possíveis. Como se isso não bastasse, Ele nos salva: “Fostes comprados por um alto preço” (1Cor 6, 20).   

O Matrimônio é análogo à Criação e Redenção. Deus remodela os esposos como marido e mulher através dos votos feitos livremente por eles e, num mistério que envolve o uno e o múltiplo, o passado e a eternidade, o exercício da vontade individual de cada um dá origem à união amorosa de duas vidas. Por meio dos votos o relacionamento (ou seja, sua mútua dependência) vai da possibilidade à realidade: ele se torna algo real, e não apenas uma ideia ou desejo. 

Embora o sacramento do Matrimônio não imprima caráter em sentido estrito, o casal muda verdadeiramente: o alicerce deixa de ser o próprio eu e passar a ser o outro, deixa de ser o isolamento para ser a comunhão. Os cônjuges estabelecem uma nova relação, enraizada na razão e na vontade, e por meio da qual são novamente criados no Reino de Deus e neste mundo. Essa relação é tão íntima que somente a morte (literalmente, o desaparecimento de um dos esposos) lhe pode estabelecer um limite temporal. Na medida, porém, em que a alma santificada de uma pessoa leva consigo tudo o que ela fez em sua vocação para a glória de Deus, o vínculo entre os esposos pode continuar no céu, não da forma como existe na terra (cf. Mc 12, 25), mas num estado transfigurado de perfeita e elevada união, que foi imperfeitamente alcançado nesta vida. 

O que foi dito acima ajuda a explicar por que a união física entre homem e mulher só faz sentido no contexto matrimonial. Ela é tradicionalmente chamada “ato conjugal” (ou nupcial) por ser o ato por que se paga, de modo simbólico e real, a dívida espiritual dos votos. É imagem passageira de um compromisso duradouro, evidência momentânea da intenção de amar e servir por toda a vida. 

Esse ato perde o sentido quando não há comunhão de almas alicerçada num voto. Fora do casamento, o ato se autodestrói, pois ignora sua elevada finalidade e se torna ou um ritual niilista, do qual se cansam até as pessoas mais inteligentes e artísticas, ou um ato animal sem qualquer valor pessoal. Isso acontece porque a união física digna de duas pessoas humanas só pode ocorrer se for realizada primeiro no campo espiritual por meio de votos solenes, pelos quais homem e mulher se concedem mutuamente o direito exclusivo que um pode exercer sobre o outro. É assim que se entregam um ao outro. Qualquer outra coisa além disso é autocontraditória, medíocre mesmo, algo a que Nietzsche chamou “meio a meio”.

Nietzsche também dizia que o coração do homem e da mulher tem um profundo desejo de eternidade. Nossos corações desejam o Todo, e não descansarão até obtê-lo. O Matrimônio é um todo espiritual, um bem comum feito de partes intrínsecas: marido e mulher. Se o todo for removido, as partes se dissolvem, assim como a mão perde sua essência quando separada do corpo, pois em tal circunstância ela só pode ser chamada “mão” de modo equívoco. Se o todo for danificado ou eliminado, as partes perecerão, assim como o homem morre quando cortado ao meio ou o corpo se corrompe quando dele se separa a alma. 

O voto nupcial representa a união de dois espíritos, cuja graça, paz, alegria e caridade podem ser reforçadas pela união física. A beleza do ato interno (duas pessoas unidas por um voto) redunda na beleza do externo (duas pessoas numa só carne); a veracidade do ato interno contém e aprofunda a veracidade do externo; a bondade do ato interno purifica e ilumina o externo. Essa é outra forma verdadeira de dizer: “O que Deus uniu o homem não separe”.

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É possível o retorno à inocência?
Sociedade

É possível o retorno à inocência?

É possível o retorno à inocência?

Com a contínua banalização do vício na modernidade, a ideia de preservar ou recuperar a inocência pode parecer um tanto irrelevante. Mas seria impossível fazê-lo? Ou, ao contrário, não é esse o único caminho para Deus?

Auguste MeyratTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere (adaptado)20 de Setembro de 2019
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Com a contínua banalização do vício na modernidade, a ideia de preservar ou recuperar a inocência parece um tanto irrelevante. Hoje, apenas alguns pais (geralmente mórmons ou católicos tradicionais) levam a sério a inocência de sua família e fazem o possível para proteger os filhos da corrupção reinante em todas as formas de mídia e ambientes. Eles educam em casa, restringem ou proíbem o tempo de televisão e  procuram limitar as companhias e amizades de seus filhos.

Na maioria dos casos, seus vizinhos mais progressistas os ridicularizam como loucos e fariseus modernos, principalmente quando veem seus filhos alimentando a fé e vivendo prudentemente, enquanto os seus próprios caem em todos os pântanos morais imagináveis.

Diante de tal êxito, pode-se perguntar por que mais pessoas não seguem essas famílias saudáveis em vez de zombar delas. Algumas o fazem, e isso explica por que as comunidades religiosas ortodoxas mais tradicionais estão crescendo rapidamente, enquanto as liberais continuam a decair de forma vertiginosa. Outros não o fazem porque não compreenderam o que realmente significa inocência. Com demasiada frequência, ela é entendida em termo negativos: não ser exposto a más influências, não observar ou conhecer o mal, não ter maus pensamentos ou cometer ações más etc. Se as pessoas veem a inocência como um conjunto de “não-experiências”, os que a ela se opõem podem tratá-la como algo que denota ignorância, ingenuidade e até insensibilidade.

A consequência dessa redefinição é clara, especialmente nas escolas, no entretenimento e na vida familiar. Na escola, as crianças são sistematicamente escandalizadas em relação à sua fé, aos seus relacionamentos e à sua própria identidade. Elas aprendem cedo a equiparar religião com superstição, amor com utilidade e o “eu” com características acidentais. Os alunos que praticam sua fé, evitam o sexo e renunciam ao status de “vítima” são considerados estranhos e atraem o desprezo universal. Por outro lado, os estudantes “de gênero fluido”, com muitos parceiros e sem religião, são cada vez mais celebrados e admirados.

No entretenimento, as crianças veem o bem e o mal relativizados, com o vilão muitas vezes interpretando o herói, e virtudes como a bravura e a honestidade sendo dissolvidas em desprezo, incompetência e superficialidade. Pode até ser que os telespectadores mais jovens aprendam a ser gentis com as pessoas, mas o que eles costumam aprender com mais frequência é a tirar sarro dos outros, esquecer suas boas maneiras e agir como palhaços.

Além de absorver a imoralidade desse entretenimento, o ato de consumir passivamente imagens e sons, na tela, atrai as crianças para o vício. Não há melhor maneira de tirar a inocência de uma geração inteira do que transformá-los em viciados.

É claro que a escola e o entretenimento não teriam tanto efeito sobre a inocência dos jovens se os adultos estivessem em guarda. Mas, infelizmente, a maioria dos adultos abandonou o posto, deixando suas casas um caos e as crianças se virando por si mesmas. Incentivados por uma propaganda onipresente, eles têm cada vez menos escrúpulos em submeter seus filhos à corrupção. Assim, as crianças passam os primeiros anos de formação em lares onde abuso, palavrões e mentiras são algo comum.

Essa extinção da inocência continua, perigosa, até a idade adulta. Colocados em uma ladeira escorregadia e achando que nada mais têm a perder, a maioria dos adultos continua perdendo ainda mais a inocência. Seu lazer, educação e vida doméstica se tornam ainda mais escandalosos e destrutivos, a ponto de males extremos como o aborto, a eutanásia e a perseguição religiosa começarem a ser tratados como opções desejáveis para revolucionar a cultura.

Essa situação deixa duas opções para o indivíduo que ainda acredita na inocência: lutar ou fugir. A curto prazo, aqueles que escolherem a última opção podem ser mais eficazes em lidar com esse movimento espiral de decadência moral, mas isso não acontecerá a longo prazo. A tão criticada “Opção Beneditina” poderia funcionar em uma sociedade feudal descentralizada, que é o que a Europa se tornou após a queda do Império Romano. Mas não pode funcionar em países modernos, onde um governo autoritário tem os meios e o apoio para simplesmente proibir ideias e práticas contrárias à sua ideologia. Por exemplo: as leis do Canadá que anulam a autoridade dos pais para pressionar a doutrinação LGBT, ou as leis draconianas da Alemanha contra o ensino em casa, indicam qual será o destino final das famílias que tentarem se afastar da corrupta cultura secular da nossa época.

Em vez disso, a melhor opção para preservar a inocência é combater a corrupção predominante. O primeiro passo requer recuperar a definição adequada de inocência. Muito mais do que uma mera falta de experiências negativas, a inocência é uma confiança em realidades superiores — como a Verdade, a Bondade e a Beleza. É inocente a pessoa que acredita na verdade da revelação de Deus, na bondade dos amigos e familiares, na beleza da Criação e da imaginação. Essa pessoa tem uma visão transcendente do mundo e é capaz de enxergar para além de si mesma. Ela não reduz toda a experiência a fenômenos materiais aleatórios, mas encontra significado em tudo e em todos. 

Por terem menos experiências que as levariam a duvidar das realidades mais elevadas, as crianças são naturalmente mais inocentes. No Sermão da Montanha, Cristo, a própria encarnação da inocência, claramente quer preservar essa qualidade nos jovens e recuperá-la nos velhos: “Em verdade vos digo: se não vos transformardes e vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos Céus” (Mt 18, 3). Jesus não ordena que os adultos abandonem suas responsabilidades ou seus conhecimentos, como ele deixa claro três versículos depois (cf. Mt 18, 6), mas exorta a manterem sua inocência e confiança em Deus.

Felizmente, apenas conhecer ou experimentar algo feio, mau ou falso não leva necessariamente as pessoas a perderem a inocência, embora isso certo aconteça se não tivermos cuidado. Dostoiévski ilustra essa situação com os protagonistas de Crime e Castigo. Na esperança de provar a teoria de que indivíduos verdadeiramente iluminados podem dispensar a moralidade, o protagonista Raskólnikov comete um duplo homicídio, perdendo a inocência no sentido não apenas jurídico, mas também espiritual. A miséria por ele experimentada não provém da culpa por tirar a vida de um inocente, mas da decisão de desistir da Verdade, da Bondade e da Beleza pela falsa sensação de poder resultante do pecado.

Em contraste direto, a personagem Sônia preservou a inocência. Ela brilha como um anjo, apesar de experimentar males muito piores como prostituta, apoiando o pai alcoólatra, com uma mãe histérica e irmãos pequenos e indefesos. Nas conversas entre os dois, Sônia é inocente, afirmando sua confiança em Deus e em seu amor, enquanto Raskólnikov se sente qualificado para lhe dizer o quão errada e ingênua ela é, ainda que ele mesmo nunca se dê conta da própria estupidez, ao cometer um crime pela simples razão de justificar uma hipotética moral adolescente.

Em vez de evitar Raskólnikov para manter sua pureza, Sônia pacientemente o confronta sobre seu crime e o desafia ao arrependimento. Nesse sentido, ela reflete os santos que brandiram sua inocência diante da corrupção. Eles entenderam que isso era mais persuasivo do que qualquer argumento. São Paulo conquistou mais convertidos na Grécia com sua inocência do que os maiores filósofos fizeram com seus diálogos e tratados. O próprio Santo Agostinho se converteu não por sua educação retórico-filosófica, mas por causa dos exemplos morais de sua mãe Santa Mônica e de seu mentor, Santo Ambrósio. São Bernardo de Claraval superou o lógico e célebre Pedro Abelardo (numa época em que havia pessoas assim) mais pelo poder de suas convicções do que por seu brilhantismo. São João Paulo II, um gênio por mérito próprio, dedicou sua vida a Deus depois de testemunhar a fé inabalável do pai, a quem considerou como seu “primeiro seminário”. Nada disso exclui a necessidade da razão; indica, porém, que esta é muito mais convincente quando associada à inocência.

Além de provar o poder da inocência, esses exemplos do passado demonstram que ela constitui o remédio concreto para um presente já fadigado. Obviamente, os que preservaram sua inocência devem torná-la um modelo para os outros. Eles podem esperar retaliações, mas pelo menos as pessoas notarão e talvez até venham a tomar consciência mais profunda dos efeitos encantadores da inocência.

O que é menos óbvio nesses exemplos, mas ainda assim imprescindível, é a necessidade subsequente do afastamento do mundo. A inocência impulsiona os homens para o céu; a corrupção os afasta. A pessoa deixa de confiar na Verdade, na Bondade e na Beleza quando passa tempo ouvindo mentiras, sucumbindo ao vício e se rendendo à autossuficiência. Portanto, o homem deve se afastar dessas influências.

Tal mudança acontece para Raskólnikov quando ele passa anos em uma prisão siberiana, antes de finalmente se arrepender. São Paulo escolheu viver no anonimato por três anos após sua conversão, antes de iniciar seu apostolado em Antioquia. Após sua conversão, Santo Agostinho se afastou permanentemente do mundo e de todos os seus prazeres e, praticamente, formou sua própria Ordem religiosa. São Bernardo ingressou na comunidade monástica mais rígida da França de sua época, e São João Paulo II perdeu o sono para passar mais horas em oração. Para todos esses homens, foi o afastamento do mundo que permitiu à inocência criar raízes e florescer. Eles pareciam haver entendido que, sem essa separação, a inocência continuaria sendo um ideal distante que induziria mais a remorsos do que à mudança de vida.

Na era da informação, esse afastamento se tornou cada vez mais difícil, à medida que novos dispositivos preenchem todos os espaços da vida; e inventores e psicólogos desonestos incorporam “tecnologia persuasiva” para destruir a possibilidade de autocontrole das pessoas. Por esse motivo, é necessário ter um propósito de mudar os próprios hábitos e reordenar as prioridades da vida. O tempo gasto anteriormente na televisão e nas mídias sociais pode ser preenchido com oração, trabalho, estudo e momentos de convivência. Se tal mudança puder ser sustentada sem recaídas, surgirão momentos de inocência em que a pessoa perceberá, e se revoltará, com o profano; e exaltará o belo, cheia de gratidão pelas muitas bênçãos presentes no mundo ao seu redor.

Para muitas pessoas que perderam sua inocência, a percepção de que ela pode ser resgatada é uma ocasião de grande alívio, e até de emancipação. Elas não precisam mais se desesperar por terem se afastado da inocência, nem continuar fingindo que estavam melhor por tê-la perdido. Em vez disso, elas podem ser encorajadas pela possibilidade de se tornarem inocentes novamente, protegendo a inocência de outrem e confrontando as forças que trazem à nossa sociedade essa tão sufocante corrupção. Por fim, um retorno à inocência através do afastamento do mundo é a única maneira de amar verdadeiramente ao próximo e aos inimigos, sem se perder e permitir o pecado. É a única maneira de combater os escândalos sem ser escandalizado. Mais importante ainda, é o único caminho para Deus.

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O melhor temperamento é…
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O melhor temperamento é…

O melhor temperamento é…

Como nascemos todos com o pecado original, não existe um temperamento melhor do que o outro. É preciso aproveitar as qualidades da própria “compleição”, trabalhar as suas debilidades e, sobretudo, crescer na graça de Deus.

Equipe Christo Nihil Praeponere19 de Setembro de 2019
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Não é porque somos filhos de Adão e desenvolvemos certos maus hábitos ao longo dos anos que precisamos envelhecer no mal e fazer dele um projeto de vida. O temperamento que recebemos “não é uma resignação”. Deus nos deu uma “compleição” específica, mas é no trabalho e na purificação dela que está a nossa santificação.

Além disso, coléricos ou sanguíneos, fleumáticos ou melancólicos, todos somos herdeiros do pecado original. Por isso, no estado em que nos encontramos, não existe um temperamento melhor do que o outro. É preciso aproveitar as próprias qualidades, sanar as próprias debilidades e, sobretudo, procurar crescer na graça de Deus, que nos eleva acima de nossa natureza decaída.

Tudo isso é só para dizer que nós já estamos trabalhando na produção do curso “Os Quatro Temperamentos” e, abaixo, você confere um pouco do que espera por você em outubro, aqui no site do Padre Paulo Ricardo:

Como você pode ver na própria abordagem do vídeo, nosso curso não é um “manual” de cunho psicológico sobre os temperamentos. Para nosso apostolado, o importante mesmo é ver onde esse assunto se encaixa no caminho da santidade

Se por um lado não se deve superestimar a sua importância, como se fôssemos “animais” e estivéssemos confinados aos limites do que a natureza nos impôs, nem por isso os temperamentos devem ser subestimados, como se não passassem de uma “teoria ultrapassada”, sem nada a acrescentar à nossa vida de virtudes e de busca de Deus.

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