| Categoria: Virgem Maria

Por que os católicos amam tanto Nossa Senhora?

Nós, católicos, realmente amamos muito Nossa Senhora, e temos muitas razões para isso.

Os católicos precisamos admitir: realmente, nós falamos muito de Nossa Senhora; realmente, nós rezamos muito a ela e somos (extremamente) devotos dos mistérios que envolvem a sua vida; realmente, as nossas casas estão cheias de imagens de Nossa Senhora; realmente, nós usamos todo tipo de adereços para mostrar que a amamos: terços, escapulários, broches, correntinhas, chaveiros, estampas... O que não nos faltam são sinais para demonstrarmos que, de fato, todo católico é mariano e a Igreja Católica está intimamente ligada à pessoa de Nossa Senhora.

Reconhecer isso é muito importante para mantermos um debate saudável e frutuoso com os protestantes. Quando eles nos acusam de "carregar nas tintas" com Maria, quando criticam as nossas procissões, ladainhas e novenas, quase sempre insinuando um "exagero" de nossa parte, não devemos ter medo de afirmar a nossa verdadeira identidade. Ao invés de ficarmos nos desculpando — como muitas vezes fazemos, respondendo às frases decoradas do adversário —, é preciso que estudemos com profundidade a nossa fé, para que estejamos em condições de dar a quem quer nos peça as razões de nossa devoção à Virgem Maria.

Mas voltemos ao nosso ponto inicial. Realmente, nós amamos muito Nossa Senhora. Mas isso tem uma razão de ser, que se chama Jesus Cristo. Quem quer que compreenda um pouco o mistério da pessoa de Cristo é incapaz de permanecer indiferente ou apático à Virgem Maria.

Antes de mais nada, é preciso que tenhamos em mente o que aconteceu naquele grande dia, narrado pelo Evangelho de São Lucas, quando o arcanjo Gabriel anunciou a Maria que ela seria a mãe de Jesus. Para entendermos bem o que se passou naquela data, vamos nos servir também de outros trechos das mesmas Escrituras, extraindo daí as conclusões necessárias para a nossa vida cristã.

Após a saudação, Gabriel revela a Maria algo extraordinário que irá acontecer: "Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus" (Lc 1, 31). A frase é impressiva porque, conforme Maria dirá mais adiante (cf. Lc 1, 34), ela não conhece homem algum, é virgem. Ora, que uma virgem conceba e dê à luz um filho, já é algo extraordinário. Mas coisa ainda maior do que isso está para ser revelada.

"Ele será grande — continua o anjo — e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim" (Lc 1, 32-33). O que São Lucas evangelista condensa na expressão "Filho do Altíssimo", São João o explica com detalhes no prólogo de seu Evangelho (cf. Jo 1, 1ss): "O Verbo se fez carne, e habitou entre nós", ele diz, o Verbo "que estava desde o princípio junto de Deus" e que "era Deus". Isso significa que Maria, sendo virgem, não seria mãe simplesmente de um homem, mas do próprio Deus encarnado.

Talvez já tenhamos passado muitas vezes por essa passagem dos Evangelhos — às vezes até sem lhe dar a devida atenção —, mas, agora, eu convido você a prestar mais atenção ao que está sendo dito pelo Autor Sagrado.

Antes mesmo que os fatos narrados na Bíblia acontecessem, as pessoas sabiam quem era Deus. Através das coisas que existem na natureza, elas eram capazes de perceber, com a sua razão, a existência de um criador, do que os filósofos anteriores a Cristo chamaram de "o ato puro" e "o primeiro motor imóvel". Os judeus, por sua vez, foram escolhidos por esse ente transcendente para receber algo a mais sobre a Sua identidade: aprenderam não somente que Deus existia e que era eterno e infinito, mas também que Ele era um ser pessoal, que amava as Suas criaturas e Se preocupava com elas, a ponto de Se comunicar com seres de carne e osso — os patriarcas e os profetas — para revelar a Sua vontade aos homens.

"Muitas vezes e de muitos modos Deus falou outrora aos nossos pais, pelos profetas", diz o autor da Carta aos Hebreus. "Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo" (Hb 1, 1-2). O que acontece no episódio da Anunciação é de uma grandeza absolutamente fora do comum: o Criador dos céus e da terra, não satisfeito em falar com os homens, quer tornar-se um deles; não contente em enviar mensageiros, deseja mandar ao mundo o Seu próprio Filho.

Que Ele "queira" e "deseje" fazer-se homem, no entanto, precisa ser bem entendido: como não existe "mudança de planos" em Deus, como Ele é "o mesmo ontem, hoje e sempre" (Hb 13, 8), o decreto pelo qual escolheu vir ao mundo não está inserido no tempo, é eterno; do mesmo modo, tampouco o meio e as circunstâncias que Ele escolheu para descer ao mundo estavam sujeitos a alguma hesitação. Por isso, também é possível dizer que Maria foi predestinada, desde sempre, a ser a mãe de Deus feito homem.

Os protestantes não aceitam que se chame Maria de "Mãe de Deus", mas a coisa é muitíssimo clara: ela o é! Como criatura humana, obviamente, ela não deu origem à natureza divina, mas gerou a carne humana de Cristo, que está hipostaticamente unida à Segunda Pessoa da Santíssima Trindade — e isso é suficiente para que a chamemos de "Mãe de Deus". Se não pudermos fazê-lo, tampouco poderemos dizer que temos uma mãe, afinal, nem mesmo as nossas mães nos deram tudo o que somos. Os seres humanos somos formados de corpo e alma e os nossos pais dão origem apenas à nossa parte material (nossa alma espiritual é criada diretamente por Deus). Mesmo assim, quando perguntam o nome da mãe de alguma pessoa, ninguém fica fazendo estas distinções: "Ele não tem mãe, só o corpo dele, o resto veio de Deus". Se alguém perguntasse de quem Jesus era filho, igualmente, mesmo quem acreditasse em Sua divindade não perderia tempo nessas minúcias. Basta tomar como exemplo Santa Isabel, que, à visita de Maria, não hesitou em chamá-la de "Mãe do meu Senhor" (μήτηρ τοῦ Κυρίου μου, no original grego) (Lc 1, 43).

De qualquer modo, ainda que os protestantes não reconheçam o dogma da maternidade divina de Nossa Senhora, tal como proclamada no antiquíssimo Concílio de Éfeso, em 431, isso não muda os fatos narrados no Evangelho de São Lucas: que Deus, saindo da eternidade, escolhe Maria como instrumento para entrar na história dos homens e salvá-los.

Isso, por si só, explica dois outros importantes versículos do mesmo Evangelho.

O primeiro é a saudação do anjo Gabriel a Maria, chamando-a de "cheia de graça" (Lc 1, 28). Essa plenitude de graça, que é a santidade de Maria, foi concedida a ela por Deus justamente por causa de sua maternidade divina, como reconheceu o Papa Pio IX, ao proclamar o dogma da Imaculada Conceição: "A beatíssima Virgem Maria (…), em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original" [1]. A expressão "Salvador do gênero humano" é importante porque mostra que também Maria, sendo criatura humana, precisou ser salva. Isso não está em questão, pois é ela mesma quem canta, em seu Magnificat: "Meu espírito exulta em Deus, meu Salvador" (Lc 1, 47). A salvação de que gozou a Santíssima Virgem, no entanto, não foi como a ação restituidora e atrasada de um remédio, mas como a ação protetora e preservante de uma vacina.

O segundo versículo é a afirmação contida no mesmo cântico mariano, de que "todas as gerações, de agora em diante, me chamarão feliz, porque o Poderoso fez para mim coisas grandiosas" (Lc 1, 48-49) — coisas grandiosas, poderíamos dizer, que não foram operadas na vida de nenhuma outra criatura; coisas grandiosas e de uma ordem absolutamente superior a quaisquer benefícios que Deus conceda aos homens; "maravilhas", diz uma outra tradução, que fazem a Igreja venerá-la acima de todos os anjos e santos do Céu, com culto especial, como explica Santo Tomás de Aquino:

"Como a Virgem bem-aventurada é uma simples criatura racional, não lhe é devida uma adoração de latria, mas unicamente uma veneração de dulia; de forma mais eminente, contudo, do que às outras criaturas, por ser a mãe de Deus. Por isso, se diz que lhe é devido não um culto de dulia qualquer, mas de hiperdulia." [2]

Chega a ser um insulto, portanto, dizer (ou até mesmo insinuar) que Maria foi uma mulher qualquer — insulto esse que não atinge apenas a Virgem Maria, mas a própria Pessoa Trinitária do Filho, que por um decreto eterno a escolheu e a honrou como Sua mãe. O fato de Maria estar intimamente ligada ao mistério da união hipostática reveste-a de uma dignidade sublime, maior do que a de todos os santos e santas do Céu… juntos! A que outra mulher, de fato, Deus enviou um anjo do Céu para comunicar que ela seria mãe de Seu Filho? A quem mais é possível chamar de "mãe do meu Senhor", como declarou Santa Isabel a Maria? Em que personagem bíblica ou mesmo da história humana Deus realizou uma obra tão estupenda quanto esta?

Essas são, portanto, as verdadeiras perguntas que precisam ser respondidas.

Não adianta abrir Êxodo 20 e acusar, com o dedo da outra mão em riste, que católicos são idólatras porque "fazem imagens", porque, tomando ao pé da letra o texto bíblico, toda fotografia é uma imagem: para cumprir o preceito divino, de acordo com a exegese iconoclasta, álbuns de família precisariam ser rasgados e fotos de perfil do Facebook deletados — sem falar da arca da aliança, enfeitada de querubins por ordem do mesmo Deus que deu as tábuas da Lei a Moisés (cf. Ex 25, 18).

O que Deus proíbe desde sempre é que se preste culto de adoração à criatura em vez do Criador; tanto não impede, porém, a honra e a veneração às criaturas à medida em que participam de Seu senhorio, que Ele manda, na mesma passagem de Êxodo 20, que os homens honrem os seus pais, sob a promessa recompensatória de uma longa vida sobre a terra (cf. Ex 20, 12).

Jesus de Nazaré, a propósito, modelo perfeito de obediência à Lei, é retratado também por São Lucas sendo submisso aos seus pais (cf. Lc 2, 51). O próprio Jesus honrou Maria Santíssima. Se Ele o fez — e o faz até hoje, pois não deixou de ser seu filho —, tampouco nós deixaremos de amá-la.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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Referências

  1. Papa Pio XI, Bula Ineffabilis Deus, de 8 de dezembro de 1854 (DH 2803).
  2. Suma Teológica, III, q. 25, a. 5.

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