| Categoria: Sociedade

Qual o problema de ser “bela, recatada e do lar”? (II)

“Bela, recatada e do lar”. Algumas pessoas protestaram contra o nosso texto. E nós fazemos questão de responder.

Voltemos ao assunto da semana passada, quando as redes sociais protestaram em massa contra o perfil feminino formado pelo trinômio "bela, recatada e do lar".

Aparentemente, algumas leitoras não entenderam a proposta da matéria que postamos aqui. Por esse motivo, vamos apresentar agora uma nova reflexão, reforçando alguns pontos que talvez tenham ficado obscuros e trazendo à luz outros que não foram mencionados anteriormente.

Antes de qualquer coisa, é importante que as pessoas leiam o texto antes de tecerem as suas críticas. Surgiram por aqui pessoas falando de tudo — do luxo do casal Temer, da diferença de idade entre os dois, da revista Veja e até mesmo das primeiras damas que o Brasil já teve —, menos do foco do texto: a escolha de algumas mulheres pela modéstia e pelo cuidado do lar. É isso o que estava em jogo no artigo, e nós o clarificamos muito bem quando pedimos que os leitores abstraíssem "da figura de Marcela Temer, do conteúdo do artigo [de Veja] e de qualquer conotação política" que o assunto trouxesse consigo. Não nos interessa, sinceramente, o que a atual esposa de Michel Temer fez ou deixou de fazer. O nosso texto foi sobre a reação indignada de algumas mulheres (mormente as feministas) ao perfil feminino "bela, recatada e do lar", em uma tentativa de explicar o fenômeno que se observou nas redes sociais: mulheres aparecendo com gestos e trajes vulgares, ridicularizando a expressão e até fazendo paródias para inverter o seu significado.

Algumas coisas precisam ser explicadas, em primeiro lugar. Quando nos referimos, no outro texto, a "beleza", "recato", "pudor" e "família", estávamos falando de realidades objetivas, não de palavras "ao vento". Por que essa explicação é necessária? Porque desde o princípio nós partimos do pressuposto de que as pessoas sabem identificar o que é algo belo, o que é um comportamento recatado e o que é uma roupa modesta. Mas nós erramos. Infelizmente, as pessoas não sabem. Na verdade, a nossa época está convencida de que todas essas coisas não passam de "construções sociais": não existiria um padrão objetivo de beleza ou de moralidade, mas tão somente a vontade das pessoas humanas, as quais definiriam de modo arbitrário o que é bom, o que é belo e o que é justo. Esse pensamento não é de hoje: foi o que deu origem à arte moderna — a "arte" das formas geométricas abstratas e de significado insondável —, ao relativismo religioso — para o qual "todas as religiões são iguais", inclusive as que cultuam Satanás — e à crise da educação moderna — que, sem verdade objetiva em que se fundar, torna-se incapaz de transmitir valores sólidos às pessoas.

Essa mesma ideia é uma constante nos comentários de quem protestou contra o nosso artigo. Alguém comentou que o problema não é que as mulheres sejam "belas, recatadas e do lar", mas que isso seja estabelecido como "padrão de comportamento", porque, no fim das contas, "qualquer mulher pode ser o que ela quiser".

Primeiro, não é verdade que todas as pessoas aceitem bem o fato de uma mulher querer ser "recatada". Hoje, tão logo uma jovem comece a se vestir com roupas mais sóbrias e modestas, surge uma legião de todos os cantos para fazer zombaria, isso quando não são os de sua própria família a intervir com humilhações, acusações e até restrições vexatórias. Também não é verdade que todas as pessoas convivam tranquilamente com o fato de uma mulher querer ser "do lar". Quando uma mulher decide ficar em casa para ajudar o seu marido e cuidar dos próprios filhos, toda a sociedade se volta contra ela numa fúria infernal. Atualmente, é bem verdade, tudo está montado para que as mulheres sequer tenham a opção de ficar em casa. Parece consolidada em nossos tempos a "estranha ideia de que as mulheres são livres quando servem os seus empregadores, mas escravas quando ajudam os seus maridos".

Segundo, qual o problema em estabelecer a modéstia e a vida familiar como "padrões" para as pessoas? Não estamos a todo momento recebendo influências de todas as partes? Os revolucionários da mídia, por exemplo, trabalharam duro para transformar a mentalidade e o comportamento do povo brasileiro com suas novelas e minisséries repletas de adultério e vazias de crianças. Em pouco tempo, as famílias reduziram o número de filhos e o índice de divórcios aumentou vertiginosamente. Onde estão os protestos contra esse tipo de influências? Por que não reagir contra as "imposições da mídia" quando os meios de comunicação são usados para destruir a família? Dois pesos e duas medidas?

Terceiro, não é verdade que "as pessoas podem fazer o que quiserem". A liberdade humana tem as suas balizas, algumas de natureza física — os seres humanos não podem voar nem fazer que os seus filhos venham através de ovos, por mais que queiram —, e outras de natureza moral. Algumas feministas podem até ser a favor da prostituição e da pornografia, por exemplo (que las hay, las hay), mas nem por isso os dois mundos deixam de ser destruidores e degradantes para as mulheres. Elas podem até se enveredar por esse caminho, mas as consequências sempre vêm, mais cedo ou mais tarde.

No âmbito humano, portanto, não existe apenas o poder, mas também o dever, e isso precisaria nos levar a refletir sinceramente sobre a questão de Deus, sobre a existência ou não de um Criador. Será mesmo que todas as coisas que temos não passam de "convenções sociais"? É tudo fruto da "vontade" humana ou existe uma razão divina inscrita na própria natureza da realidade? Será que as pessoas realmente podem fazer o que lhes "der na telha" ou existem leis transcendentes para orientar a nossa conduta e, sobretudo, para nos ajudar a encontrar a felicidade? É possível, enfim, manipular a natureza como bem entendemos ou nós recebemos as coisas de um Criador?

Saibamos olhar para as consequências dos nossos atos e, tendo examinado os frutos, seremos capazes de avaliar a árvore (cf. Mt 7, 16). As nossas mulheres estão mais felizes, depois que conquistaram a "autonomia" e a "independência" que tanto desejaram? Estão mais felizes com seus filhos únicos ou com seus cachorros de estimação? Estão mais realizadas com seus relacionamentos vazios, instáveis e sem perspectiva de futuro? Ou o feminismo as enganou?

Por outro lado, existe também a necessidade de um profundo exame de consciência por parte dos homens: dos homens que só sabem usar as mulheres, como quem usa um preservativo e o joga fora; dos homens que se entregam aos jogos e às bebidas, quase "obrigando" as suas esposas a saírem de casa; dos homens, por fim, que se ausentaram da educação de seus filhos — filhos que, por sua vez, vivem imersos no "universo paralelo" da pornografia e dos video games, crescendo sem nenhuma noção do que seja sacrifício, família ou paternidade.

A culpa da decadência da nossa civilização, obviamente, não é exclusiva deste ou daquele sexo, mas uma obra conjunta, assim como foi a queda no jardim do Éden (cf. Gn 3). Cabe lembrar, porém, que a troca de dedos em riste entre Adão e Eva não levou a lugar algum. Não se começa nenhum processo de reconstrução com acusações mútuas, mas com "acusações próprias", ou seja, com confissões. Todos erramos, mas, até que a morte nos procure e nos transporte para a nossa morada definitiva, há sempre um lugar na casa do Pai esperando o nosso arrependimento e a nossa mudança de vida. Foi o que Jesus de Nazaré veio pregar e trazer efetivamente à humanidade, através de Sua obra de redenção.

Por isso, homens e mulheres: convertam-se! É esse o grande apelo que deve ser feito, para além de qualquer polêmica, necessária ou desnecessária. "O Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido" (Lc 19, 10).

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

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