Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 11, 27-28)
Naquele tempo, enquanto Jesus falava, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e lhe disse: ‘Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram’. Jesus respondeu: ‘Muito mais felizes são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática’.
No Evangelho de hoje, vemos uma mulher dirigindo a Jesus um louvor à Virgem Maria “Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram” (Lc 11, 27). Jesus, então, corrige-a, dizendo: “Muito mais felizes são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática” (Lc 11, 28).
O que este Evangelho nos ensina a respeito da Virgem Maria? Em primeiro lugar, recordemos que estamos num sábado, dia em que a Igreja honra a Virgem Santíssima e no qual podemos refletir o fato de que ela foi muito mais feliz por ter concebido o Messias no coração do que por tê-lo concebido no ventre. Afinal, de nada adiantaria Maria ter dado à luz nosso Salvador se ela não tivesse um coração que escutasse a Palavra de Deus. Eis o primado da vida espiritual sobre a realidade física e carnal.
No Antigo Testamento, Deus escolheu o povo judeu, formado pelos descendentes de Abraão. A pertença a esse povo estava ligada não somente à religião, mas também à origem familiar. Com Jesus, porém, essa realidade é ampliada, cumprindo-se a profecia de que Abraão teria “uma descendência numerosa como as estrelas do Céu” (cf. Gn 15, 5). Esta já não seria apenas física, genética ou de sangue, mas uma descendência da fé. Por isso, chamamos Abraão de “nosso pai na fé”: porque ele foi o primeiro a acreditar.
Embora Abraão tenha sido o primeiro a crer em Deus, não foi ele quem teve a maior fé. De todos os santos e santas da história da salvação, a maior fé pertenceu à Virgem Santíssima. Maria foi a agraciada, escolhida por Deus e, desde o ventre materno, recebeu uma quantidade de graça maior do que a de todos os santos e anjos juntos. Assim, ela foi crescendo espiritualmente, de fé em fé, até que finalmente o Anjo Gabriel a visitou.
Vemos, então, o ato de fé de Nossa Senhora ao acolher a Palavra de Deus e gerar Cristo em seu coração. Como Santo Agostinho nos recorda: “Antes de conceber no ventre, ela concebeu na alma”. Esta, pois, é a grandeza da Virgem Maria.
Entretanto, seu ato de fé estende-se ao heroísmo de acompanhar o próprio Filho no sacrifício do Calvário. Jesus ofereceu no Calvário o sacrifício perfeitíssimo, mas havia algo que Ele não podia oferecer: o sacrifício da fé. Isso porque Jesus sendo Deus, obviamente, não precisa ter fé.
Desse modo, a fé daquela que ouviu a Palavra de Deus e disse: “Faça-se” (Lc 1, 38), chegou à sua expressão mais extraordinária no sacrifício do Calvário. Que ela, neste sábado, queira nos agraciar, dando-nos uma fé como a sua, para que também nós possamos louvar a Deus e acolher a sua Palavra com um coração inteiramente disposto a colocá-la em prática.



















