O eixo da formação moral cristã não é a moral de regras externas, mas a transformação de si mediante as virtudes, hábitos operativos bons que moldam o sujeito, por assim dizer, desde dentro.
Por isso, retornamos constantemente ao tema do amor, como se girássemos em torno da mesma verdade fundamental: a exortação de São Paulo em Efésios 5, segundo a qual o homem é chamado a amar a esposa como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela. Eis o fundamento da liderança masculina no seio da família.
1. Amor e realização humana
A autodoação que se espera do batizado não é destruição, mas realização. Assim como a lagarta, ao tornar-se borboleta, realiza o que ela mesma potencialmente já é, o homem se realiza ao amar. De fato, todo ente alcança a própria plenitude quando realiza aquilo para o qual foi criado: o olho em ver, o ouvido em ouvir, a inteligência em conhecer a verdade, a vontade em amar o bem. Amar não é um apêndice, externo e opcional, à vida humana, mas a sua própria realização.
2. Filáucia e desordem do amor
O drama introduzido pelo pecado original consiste na desordem interior que encerra o homem em si mesmo. Em vez de amar como...










