A missão do homem na família costuma ser caricaturada sob o rótulo de “patriarcado opressor”, como se a liderança masculina fosse essencialmente domínio e abuso. Essa leitura ignora o núcleo da proposta cristã, segundo a qual a autoridade do marido se define pelo amor sacrificial, nas palavras de São Paulo que vimos meditando: “Maridos, amai vossas esposas como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela” (Ef 5, 25). O problema de fundo não está na missão recebida, mas na incapacidade prática que muitos temos de levá-la a cabo.
O exemplo histórico dos homens do Titanic — como vimos anteriormente — demonstra, não obstante, que se trata de uma possibilidade bastante real. Mesmo sem serem santos, demonstraram um amor racional de dileção (dilectio), escolhendo conscientemente o bem maior e priorizando mulheres e crianças, ainda que isso implicasse a própria morte. Esse tipo de amor não é mero sentimento, mas decisão orientada pela razão. A pergunta decisiva é, pois, como tornar esse amor não só efetivo, mas um hábito na vida cotidiana.
1. Amor de amizade: virtude estável
Pois bem, Santo Tomás de Aquino distingue o ato de amar (diligere) da amizade como...










