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A língua incorrupta de Santo Antônio de Pádua
Santos & Mártires

A língua incorrupta de
Santo Antônio de Pádua

A língua incorrupta de Santo Antônio de Pádua

Quando exumaram o corpo de Santo Antônio, os habitantes de Pádua descobriram a sua língua incorrupta. Desde então, o órgão repousa em um relicário especial, de onde recebe a veneração de inúmeros devotos e peregrinos até hoje.

Equipe Christo Nihil Praeponere13 de Junho de 2016Tempo de leitura: 6 minutos
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Embora tenha nascido na cidade de Lisboa, em Portugal, Santo Antônio é normalmente referido com o nome do local em que morreu, a cidade de Pádua (Padova), na região nordeste da Itália. A sua morte se deu a 13 de junho de 1231, quando o santo contava com apenas 36 anos de idade.

Foi tão grande o luto que se mostrou por ocasião de seu falecimento, e tantos os milagres realizados, que o processo eclesiástico para verificar a sua santidade não chegou a durar sequer um ano: Santo Antônio de Pádua foi canonizado em 1232, por Gregório IX, o mesmo papa que o vira pregar e que lhe tinha dado o epíteto de "Arca do Testamento", pelo conhecimento notável que exibia das Sagradas Escrituras. "Se permitíssemos privar da devoção humana por mais tempo aquele que foi glorificado pelo Senhor, pareceria que de algum modo lhe tirávamos a honra e a glória que lhe eram devidas" [1], disse na ocasião o sucessor de São Pedro.

Nesse mesmo ano, os confrades do santo, ajudados pelos moradores de Pádua, começaram a erigir uma basílica em sua honra. Em 1263, seu corpo foi transferido para o lugar, na presença de São Boaventura, então superior dos franciscanos. Quando o sarcófago foi aberto, a língua do santo que tinha proclamado com tanta eloquência a Palavra de Deus foi encontrada perfeitamente intacta:

"Nessa altura, uma personalidade tão venerável como o senhor Boaventura [...] com todo o respeito pegou na língua do Santo em suas mãos, e comovido até às lágrimas, na presença de todos os circunstantes, dirigiu-se a essa relíquia com toda a devoção nestes termos: 'Ó língua bendita, que sempre glorificaste o Senhor e levaste os outros a glorificá-lo, agora nos é permitido avaliar como foram grandes os teus méritos perante Deus!' E beijando-a com ternura e piedade, determinou que fosse conservada à parte, com todas as honras, como era justo e conveniente." [2]

A língua do grande pregador foi então colocada em um relicário dourado, de onde até os dias de hoje recebe a veneração de inúmeros devotos e peregrinos.


Saiba o que a Igreja ensina a respeito da veneração de relíquias, assistindo a este episódio do programa "A Resposta Católica":


O corpo de Santo Antônio foi exumado ainda duas outras vezes: em 1350, quando o seu queixo e vários de seus ossos foram colocados em relicários próprios; e há poucos anos, em 1981, por ordem do Papa São João Paulo II, quando se descobriram incorruptas também as suas cordas vocais.

A incorrupção dessas duas partes de seu corpo não deixa dúvidas sobre qual era a maior virtude de Santo Antônio: a da pregação. "Esta virtude era nele tão resplandecente que não havia olhos que não a vissem" [3], diz um de seus biógrafos. Tantas almas levaram a Deus aquela língua e aquelas cordas vocais que, certa Quaresma, que ele tinha decidido dedicar "à pregação quotidiana e ao confessionário" [4], "quando refazia com o benefício do sono os seus membros fatigados, atreveu-se o diabo a apertar com violência a garganta do homem de Deus e, depois de a apertar, tentou sufocá-lo" — uma clara amostra do perigo que o demônio vislumbrava no uso de sua voz. Antônio, por sua vez, "depois de invocar o nome da gloriosa Virgem, imprimiu na fronte o sinal da santa cruz e, afugentado o inimigo do gênero humano, imediatamente experimentou alívio" [5].

Para medir a qualidade da pregação de Santo Antônio, leve-se em conta o fato de que, às vezes, mesmo reunindo em um só lugar uma multidão de 30 mil pessoas, "nem sequer se ouvia um sinal de clamor ou murmúrio" enquanto ele falava. "Pelo contrário, num silêncio prolongado, como se fora um só homem, todos escutavam o orador com os ouvidos da mente e do corpo atentos" [6].

Mais importante do que isso, as palavras do frade realizavam na vida das pessoas o maior de todos os milagres, que é a conversão de coração. Depois que escutavam a sua pregação, eram tantos os homens e mulheres que corriam para o confessionário, que faltavam sacerdotes para atender tanta gente. Um frade franciscano anônimo, comentando os efeitos da pregação de Santo Antônio, diz o seguinte:

"Segundo a promessa de Cristo, os santos quase sempre dão dele testemunho duma forma muito mais sutil do que com a realização de prodígios visíveis. Por exemplo quando anunciam com convicção a Palavra de Deus, ou com a perfeição da própria vida mostram como se deve proceder, ou ainda quando, sem deixarem de atender as súplicas que lhes são dirigidas, realizam autênticos milagres noutra esfera mais elevada. Ao procederem assim, estão como a dar vista a cegos espirituais, permitindo-lhes descobrir a verdade; ou a desobstruir ouvidos de surdos, entupidos pela obstinação, possibilitando-lhes ouvir e obedecer aos mandamentos divinos. Da mesma forma estão a erguer às alturas das virtudes tantos trôpegos pela fatuidade de critérios e de ações; ou então a desembaraçar para uma salutar confissão certas bocas anteriormente caladas; ou a limpar leprosos da podridão contagiosa de algum mau hábito; ou a restituir tranquilidade e sossego a pessoas atormentadas pela crueldade diabólica; ou, enfim, a ressuscitar para uma vida espiritual presente e futura alguns a quem o veneno do pecado matara e fizera entrar em fétida putrefação.

Tudo isto são autênticos milagres, embora os descrentes e os materialistas não considerem tais eventos dignos de admiração em confronto com prodígios materiais. No entanto, se bem que para realizar quaisquer prodígios, tanto de ordem espiritual como material, tenha de intervir a mesma onipotência divina, aos olhos do Juiz misericordioso é muito mais importante converter um ímpio do seu pecado do que restituir-lhe a vida corporal." [7]

É isto o que se pode dizer, em resumo, da língua de Santo Antônio de Pádua: que operou milagres muito maiores que todos os outros que ele fez, seja em vida, seja depois de sua morte. Antônio, por certo, não pode ser tido como um santo "discreto": foi ele um verdadeiro taumaturgo, a ponto de haver nos livros relacionados à sua vida uma obra dedicada tão somente à narração de seus milagres. Mesmo assim, foram a sua língua e as suas cordas vocais, entre todos os membros de seu corpo, que experimentaram a incorrupção.

Com isso, Deus quer nos mostrar que, muito mais do que multiplicar pães, curar enfermos e ressuscitar defuntos, a grande obra dos santos, como Santo Antônio, é espiritual: levar as pessoas à conversão e à mudança de vida.

Fica para todos os devotos de Santo Antônio, portanto, esta importante lição deixada pelo próprio Cristo: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas as coisas vos serão dadas em acréscimo" ( Mt 6, 33). Em nossas orações a este grande santo e doutor da Igreja, peçamos o que verdadeiramente nos convém, entregando a Deus a decisão última de tudo. Ele sabe o que é melhor para nós, não é virando uma imagem de cabeça para baixo que vamos mudar a Sua vontade para a nossa vida.

Para falar a verdade, a oração não foi feita para mudar a vontade de Deus, mas a nossa. O que precisa ser virada de ponta-cabeça não é a imagem de Santo Antônio, mas a nossa vida.

Santo Antônio de Lisboa e de Pádua,
rogai por nós!

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Faça um aluno!
Padre Paulo Ricardo

Faça um aluno!

Faça um aluno!

Ainda não é nosso aluno? Torne-se um! Mas, se já é nosso aluno, dê um passo a mais: traga outra pessoa para se tornar membro de nossa família apostólica!

Equipe Christo Nihil Praeponere12 de Abril de 2021Tempo de leitura: 1 minutos
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Com o vídeo a seguir, Padre Paulo Ricardo está lançando a campanha “Faça um aluno”.

É claro: se você ainda não é nosso aluno, isso significa que é você, em primeiro lugar, quem deve se tornar um membro de nossa família apostólica.

Mas, para aqueles que já assinam nossos cursos, este convite é para que dêem um passo a mais e tragam outras pessoas para fazer parte de nossa obra de evangelização. 

Nosso Senhor nos ensina, no Evangelho, que precisamos “ganhar” os nossos irmãos. Isto é, não basta que eu conheça a verdade: assim como os Apóstolos, depois de pescados por Cristo, se tornaram “pescadores de homens”, também eu, uma vez encontrado por Deus e reconciliado com Ele, preciso sair ao encontro dos que me rodeiam…

Na verdade, é quase automático, para quem se converte, esse ato de sair e anunciar a verdade conhecida. O coração de fato transformado por Deus não consegue manter em segredo a sua descoberta. Naturalmente ele sente a necessidade de contar aos outros o que lhe aconteceu, naturalmente ele sai de si; em outras palavras, todo cristão é um apóstolo.

O que acontece, não poucas vezes, é de não sabermos como conquistar o próximo para Cristo, talvez porque sintamos dificuldades em transmitir o que aprendemos, ou porque nos falte a habilidade para falar bem, persuadir o outro, explicar as coisas da fé.

E é por isso que queremos convidar você a usar o nosso site como um instrumento do seu apostolado. Todos os nossos cursos foram pensados justamente para isso, seja no sentido de despertar os que ainda dormem, seja com a ideia de dar solidez às conversões que já aconteceram.

Mas o mais belo de tudo isso é o que São Tiago ensina em sua Carta (5, 19-20): “Meus irmãos, se alguém fizer voltar ao bom caminho algum de vós que se afastou para longe da verdade, saiba: aquele que fizer um pecador retroceder do seu erro, salvará sua alma da morte e fará desaparecer uma multidão de pecados”. Ou seja, ao assistir uma outra pessoa na fé, você salva não só a alma dela, como ajuda a salvar a sua própria!

Por isso, o que você ainda está esperando? Faça um bem ao próximo e a si mesmo! Seja um apóstolo conosco e… “Faça um aluno”! 

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Deus, o vinho e as Sagradas Escrituras
Doutrina

Deus, o vinho
e as Sagradas Escrituras

Deus, o vinho e as Sagradas Escrituras

É muito comum que se celebrem ocasiões especiais com uma boa taça de vinho. Mas também a Bíblia está cheia de referências a essa bebida, principalmente no Evangelho, onde Jesus transforma a água em vinho e converte este líquido em seu próprio Sangue.

Mark HaasTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere10 de Abril de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
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Cresci numa casa em que o vinho era presença constante. Católico de berço, vi adultos tomarem vinho em diversas ocasiões, seja durante uma festa ou uma reunião. Em casa, partilhávamos uma abençoada taça de vinho para celebrar qualquer ocasião especial, como uma primeira comunhão, um aniversário de batismo etc. Alguns de meus amigos não católicos ficavam espantados de ver o espaço de nossa geladeira reservado aos vinhos. 

Qual o problema do vinho? As Sagradas Escrituras são claras: Deus ama o vinho!

No Antigo Testamento, o vinho é usado como símbolo poderoso. Ele representa a sabedoria (cf. Pr 9, 1-5; Eclo 17-21), a Lei e as bodas (cf. Ct 1, 2ss; 4, 10; 5, 1; 7, 2). O profeta Isaías fala de uma reunião de todos os povos para um “festim de vinhos”, no qual Deus irá salvá-los (cf. Is 25, 6-9). O profeta Amós prediz os dias em que Deus restaurará o reino de Davi e “o vinho correrá pelas montanhas e todas as colinas derreterão” (Am 9, 13).

As bodas em Caná.

Jesus usa vinho ao longo de todo o Evangelho. Seu primeiro milagre ocorreu durante as famosas bodas de Caná. Jesus e sua Mãe foram à festa, mas o noivo ficou sem vinho que servir aos convidados. Hoje, ficar sem ter o que servir em uma festa ou reunião pode ser uma frustração ou um inconveniente menor, tanto para o anfitrião quanto para os convidados. Mas, na antiga tradição judaica, ficar sem vinho durante uma festa de bodas teria sido uma gafe catastrófica, capaz de destruir a posição social da família na comunidade. 

Maria percebe a iminente calamidade e diz a Jesus: “Eles não têm vinho” (Jo 2, 3). A afirmação desencadeia o primeiro milagre público de seu Filho. Maria vê as necessidades das pessoas e intercede por elas. Depois de uma breve conversa com Nosso Senhor, Maria diz aos servos: “Fazei tudo o que ele vos disser” (Jo 2, 5). A interação entre Maria e Jesus é muito similar à doutrina católica sobre a oração de intercessão mariana. Assim como os convidados das bodas, nós recorremos a Maria com nossas orações. Maria, por sua vez, as apresenta diretamente a Deus com esperanças de bênçãos abundantes. Nosso Senhor Jesus Cristo, que não se deixa vencer em generosidade (cf. 2Cor 8, 2), abençoa então as nossas vidas com transbordante generosidade. 

Depois de ouvir a intercessão de sua Mãe, Jesus acolhe com benevolência a solicitação. Quando Deus deseja fazer vinho, Ele o faz em abundância. As talhas de pedra usadas no ritual judaico comportariam entre 20 e 30 galões de água (cf. Jo 2, 6). Ao todo, Jesus encheu milagrosamente 120 galões de vinho! Sabemos que aquele era o vinho mais saboroso e fermentado:

Logo que o chefe dos serventes provou da água tornada vinho, não sabendo de onde era (se bem que o soubessem os serventes, pois tinham tirado a água), chamou o noivo e disse-lhe: “É costume servir primeiro o vinho bom e, depois, quando os convidados já estão quase embriagados, servir o menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora” (Jo 2, 9-10).

Jesus produziu o melhor vinho, um vinho celestial, para que durasse até o final da festa.

Isso, obviamente, não equivale a dizer que a Bíblia admita a embriaguez. Pelo contrário, as Escrituras são claras ao apontar que sempre se deve evitar bebida em excesso. Depois de fazer vinho, Noé logo ficou bêbado e caiu (um paralelo com Adão), perpetuando o ciclo de falhas humanas que perdura em todo o Velho Testamento (cf. Gn 9, 21). No Novo Testamento, S. Paulo alerta sobre o uso de bebida em excesso (cf. 1Tm 3, 8; 1Cor 5, 11). É melhor beber vinho com moderação: “Sede sóbrios e vigiai” (1Pd 5, 8).

Em preparação para a morte de Cristo, o vinho mostra-se um símbolo relevante para dirigir nossa atenção à crucifixão. Consideremos a comparação tipológica entre a Páscoa judaica, no Livro do Êxodo, e a Paixão do Senhor, nos Evangelhos. Depois de salvar os israelitas dos grilhões da escravidão, Moisés foi instruído por Deus a celebrar uma ceia perpétua seguindo instruções bastante específicas: Deus diz a Moisés que sacrifique um cordeiro de um ano de idade, puro, sem mácula nem qualquer osso quebrado. Deus lhe diz então que colete o sangue do cordeiro em uma tigela e pinte os batentes das portas dos israelitas com ele, usando para isso um feixe de hissopo (cf. Ex 12, 21ss). Esse momento histórico foi entronizado na tradição judaica com a celebração anual da Páscoa. 

É interessante notar que nessa antiga refeição pascal eram servidos quatro cálices de vinho, que representavam a libertação dos israelitas da escravidão [1]: 

  1. O cálice da santificação: Eu vos farei sair
  2. O cálice da libertação: Eu vos resgatarei
  3. O cálice da redenção: Eu vos redimirei
  4. O cálice do louvor: Eu vos tomarei como meu povo (cf. Ex 6, 6-7).

Um quinto cálice era reservado a Elias, na esperança de que ele os visitasse durante a celebração. Dessa taça não se bebia.

Avancemos rapidamente até Nosso Senhor Jesus Cristo, que João Batista disse ser “o Cordeiro de Deus” (Jo 1, 29). Jesus, o novo Cordeiro sacrificial, celebrou a Páscoa judaica com seus discípulos na Santa Ceia:

Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: “Tomai e comei, isto é o meu corpo”. Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: “Bebei dele todos, porque isto é o meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados. Digo-vos: doravante não beberei mais desse fruto da vinha até o dia em que o beberei de novo convosco no Reino de meu Pai” (Mt 26, 26-29).

Jesus declara que não beberá o último cálice de vinho até que o Reino de seu Pai esteja completo.

No dia seguinte, durante sua Paixão, Jesus se recusa a tomar qualquer vinho: “Deram-lhe de beber vinho misturado com fel. Ele provou, mas se recusou a beber” (Mt 27, 34). Jesus então é elevado na Cruz, e lhe oferecem vinho de novo:

Em seguida, sabendo Jesus que tudo estava consumado, para se cumprir plenamente a Escritura, disse: “Tenho sede”. Havia ali um vaso cheio de vinagre. Os soldados encheram de vinagre uma esponja e, fixando-a numa vara de hissopo, chegaram-lhe à boca (Jo 19, 28-29).

Depois de finalmente receber o vinho numa vara de hissopo, Jesus disse: τετέλεσται (tetélestai), “está consumado”. O que estava consumado? Na noite anterior, Jesus omitira o quarto cálice da ceia pascal, transformando-o na ceia pascal da Nova Aliança: a Sagrada Eucaristia. Nosso Senhor e Salvador bebe agora da taça final, que estava reservada a Elias. Numa interpretação bastante convincente, o dr. Scott Hahn, estudioso bíblico católico, sugere que a nova celebração pascal termina quando Jesus recebe o vinho na Cruz. Cristo recebe o cálice final, que consuma a Nova Aliança. O cálice final está agora à disposição de todos os que recorrem a Ele na Santa Eucaristia. 

O plano de salvação de Deus é apresentado por meio do consumo físico de pão e de vinho. Que nós possamos eternamente “comer e beber e encontrar satisfação em todo o nosso trabalho, pois esse é o dom de Deus” (Ecle 3, 13).

Notas

  1. “À primeira vista, o vinho pode não parecer tão essencial ao seder quanto, digamos, o cordeiro ou o pão ázimo. Na verdade, ele não aparece nas rubricas prescritas pela Torá. Os historiadores acreditam que os quatro cálices de vinho foram acrescentados depois a fim de sublinhar o sentido festivo do banquete — ‘vinho para alegrar o coração do homem’ (Sl 104, 15).” (Scott Hahn. The Fourth Cup. New York: Image, 2008, pp. 107-108. A nota e a tradução são nossas.)

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Como ser ou escolher um bom padrinho de batismo?
Espiritualidade

Como ser ou escolher
um bom padrinho de batismo?

Como ser ou escolher um bom padrinho de batismo?

Se você foi convidado a ser padrinho, ou está à procura de um para o seu filho, lembre-se: este é um papel que deve ser levado muito a sério. As ações de um bom padrinho podem fazer, de fato, uma diferença eterna na nossa vida e na de nossos filhos.

Woodeene Koenig-BrickerTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere7 de Abril de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
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Ser padrinho é uma daquelas honras e responsabilidades, não tão bem compreendidas, que alguns de nós somos chamados a assumir em nome de crianças, da família e de amigos. Embora possamos estar dispostos, nem sempre sabemos o que significa ser padrinho.

O papel do padrinho se desenvolveu a partir do catecumenato da Igreja primitiva. Sua função era garantir que uma pessoa estivesse pronta para receber os três sacramentos de iniciação — Batismo, Eucaristia e Confirmação — e, depois, ajudá-la a viver a vida cristã. Foi no início da Idade Média, quando o batismo de crianças se estabeleceu firmemente, que se popularizou o termo patrinus, ou “padrinho”; na Igreja antiga, essas pessoas também eram chamadas de sponsores, offerentes, susceptores e fidejussores — termos latinos que significam, em suma, “patronos” ou “testemunhas” [1].

A Igreja primitiva sabia que um padrinho tinha uma função prática bem definida; hoje, porém, ser padrinho é visto muitas vezes como uma honra cerimonial (por exemplo, quando Bono Vox, da banda de rock U2, foi nomeado “padrinho” dos gêmeos de Brad Pitt e Angelina Jolie, crianças que provavelmente jamais verão o interior de uma igreja, muito menos serão batizadas ou confirmadas). O padrinho é visto ora como uma fada madrinha da vida real, que serve para dar presentes em ocasiões especiais, ora como uma espécie de tutor civil, encarregado de assumir a educação da criança no caso de os pais biológicos morrerem.

Na verdade, nada disso tem a ver com a função real de um padrinho. Essencialmente, um padrinho é quem ajuda e auxilia no desenvolvimento espiritual de uma criança (às vezes de um adulto convertido que é uma “criança” na fé). Como diz o Código de Direito Canônico: “Dê-se, quanto possível, ao batizando um padrinho, cuja missão é assistir na iniciação cristã ao adulto batizado, e, conjuntamente com os pais, apresentar ao batismo a criança a batizar e esforçar-se por que o batizado viva uma vida cristã consentânea com o batismo e cumpra fielmente as obrigações que lhe são inerentes” (Cân. 872).

Certos requisitos e responsabilidades com relação aos padrinhos devem ser cumpridos de acordo com a lei da Igreja [2], mas ainda permanece uma pergunta prática: o que faz um bom padrinho?

“O Batismo”, de Pietro Longhi.

Em primeiro lugar, um padrinho deve ser uma pessoa de fé profunda. Sua responsabilidade é ajudar a desenvolver e estabelecer a fé no afilhado. Por isso, é essencial que ele entenda a doutrina católica e viva a fé diariamente, de maneira pessoal e profunda. Você não pode transmitir aquilo em que não acredita total e completamente. Não basta conhecer a fé; um padrinho deve vivê-la. Isso significa ter o hábito de assistir à Missa aos domingos e observar as leis da Igreja. Mas significa também ser comprometido com o próprio crescimento espiritual, de maneira contínua através do estudo, da oração, dos sacramentos e das obras de misericórdia corporais e espirituais.

Um bom padrinho também está, na medida do possível, envolvido positivamente na contínua experiência de fé do afilhado. Isso não significa apenas estar fisicamente presente no batismo ou na confirmação, mas assumir um papel tão ativo quanto na preparação para a primeira confissão e a primeira comunhão, bem como, mais tarde, para o matrimônio ou as Ordens sagradas. Isso significará, no mais das vezes, um encorajamento, um apoio ou um entusiasmo ao próprio afilhado; nos casos, porém, em que os pais não puderem ou não levarem o filho à catequese, ou não o acompanharem na preparação para os sacramentos, os padrinhos precisam estar dispostos a intervir de maneira mais incisiva.

À medida que as crianças crescem, comemorar o dia do batismo e/ou da confirmação com uma ligação, uma visita, um cartão ou um presente apropriado pode ajudar a manter intactos esses laços espirituais. Em suma, um bom padrinho caminha ao longo de toda a jornada da com o afilhado, não apenas em seus primeiros passos ou nas comemorações.

Um padrinho pode ser particularmente valioso ao oferecer uma referência segura para discutir dúvidas e resolver perguntas, sobretudo quando os afilhados chegam à adolescência. Os pais, naturalmente, ficam nervosos quando os filhos começam a questionar os ensinamentos da Igreja em temas morais. Um padrinho pode ser a pessoa que ouvirá e falará sobre tais questões, emocionalmente pesadas, sem entrar na defensiva ou na ofensiva. Os adolescentes podem achar mais fácil discutir com outra pessoa assuntos como a doutrina da Igreja sobre o sexo fora do casamento, a contracepção, a homossexualidade etc., embora questões sobre a divindade de Jesus, o significado da salvação e a importância de ser católico sejam também pontos importantes de discussão com um padrinho.

Outra área em que um bom padrinho pode fazer a diferença é na exposição aos sacramentais e às práticas devocionais. Embora não seja necessário sobrecarregar os afilhados com quinquilharias religiosas, garantir que eles tenham um Rosário digno, uma medalha do santo padroeiro, uma Bíblia católica e um crucifixo é certamente um dever importante dos padrinhos.

O mesmo se aplica às devoções. Garantir que os afilhados saibam rezar o Rosário, dizer as estações da Via-Sacra e conhecer os santos, as novenas e as práticas sazonais de piedade, como a coroa do Advento, são outras maneiras de os padrinhos serem proativos na vida dos afilhados, sem correr o risco de serem invasivos.

Obviamente, tudo isso supõe que o padrinho more perto o bastante do afilhado, a ponto de poder estar presente com certa regularidade, o que nem sempre é o caso na sociedade móvel de hoje. É por isso que o ato mais importante de um padrinho em favor do afilhado é a oração regular e constante. Como disse o poeta Alfred Tennyson: “Mais coisas são feitas pela oração do que este mundo pode sonhar”. Embora seja verdade que os pais são os principais mestres na fé, os padrinhos podem fazer uma enorme diferença em como essa fé lança raízes, ao encomendarem na oração os seus afilhados.

Se você for convidado a ser padrinho (ou estiver pensando em escolher um), lembre-se de que esse papel deve ser levado a sério, pois as ações de um bom padrinho podem fazer, de fato, uma diferença eterna na vida de uma criança.

Notas

  1. Este parágrafo foi adaptado para explicar com mais clareza a origem da função dos padrinhos. Sua complementação foi retirada de: William Fanning, “Baptism”. The Catholic Encyclopedia, 1907.
  2. A esse respeito, ler o que diz o Código de Direito Canônico, Cân. 874, § 1: “Para alguém poder assumir o múnus de padrinho requer-se que: 1.º seja designado pelo próprio batizando ou pelos pais ou por quem faz as vezes destes ou, na falta deles, pelo pároco ou ministro, e possua aptidão e intenção de desempenhar este múnus; 2.º tenha completado dezesseis anos de idade, a não ser que outra idade tenha sido determinada pelo Bispo diocesano, ou ao pároco ou ao ministro por justa causa pareça dever admitir-se exceção; 3.º seja católico, confirmado e já tenha recebido a santíssima Eucaristia, e leve uma vida consentânea com a fé e o múnus que vai desempenhar; 4.º não esteja abrangido por nenhuma pena canônica legitimamente aplicada ou declarada; 5.º não seja o pai ou a mãe do batizando.”

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Por que Jesus morreu na casa dos trinta?
Doutrina

Por que Jesus
morreu na casa dos trinta?

Por que Jesus morreu na casa dos trinta?

Deus não faz nada de modo arbitrário. Por isso, até mesmo detalhes aparentemente menores nas Escrituras têm algo a nos ensinar. Por que, então, Jesus morreu com trinta e poucos anos, e não antes nem depois?

Mons. Charles PopeTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere29 de Março de 2021Tempo de leitura: 2 minutos
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Por que Cristo morreu com trinta e poucos anos, e não mais velho? Isso daria a Ele mais tempo para ensinar e estabelecer a Igreja. Santo Tomás de Aquino respondeu a essa questão da seguinte maneira:

Deve-se dizer que Cristo quis sofrer em idade jovem por três razões. Primeiro, para que nisto manifestasse mais sua caridade, pois deu sua vida por nós quando estava no estado mais perfeito. Segundo, porque não convinha que nele aparecesse <nenhuma> deficiência [diminutio] de natureza, como tampouco doença, como acima foi dito. Terceiro, para que, morrendo e ressuscitando em idade jovem, Cristo mostrasse em si mesmo, por antecipação, a qualidade dos que hão de ressuscitar. Daí que se diga em Ef 4, 13: “Até que cheguemos todos juntos à unidade na fé e no conhecimento do Filho de Deus, ao estado de adultos, à estatura de Cristo em sua plenitude” (STh III 46, 9 ad 4).

Especulações como essas parecem puramente arbitrárias. Outros consideram o raciocínio uma justificação post hoc: Cristo morreu aos 33 anos, então vamos inventar algo para tentar explicá-lo.

O raciocínio de S. Tomás, porém, não se baseia em meras especulações. Há premissas para o seu raciocínio.

Primeiro, está a premissa de que Deus não faz nada arbitrariamente, e fazemos bem em admitir que até mesmo detalhes aparentemente menores nas Escrituras (como, por exemplo, a hora do dia) têm algo a nos ensinar.

Outra premissa é baseada na natureza da perfeição. A perfeição pode ser prejudicada por excesso ou insuficiência. Considere o caso da idade: um jovem pode não ter maturidade física e intelectual (nesse caso, a juventude é uma “insuficiência” de idade); mas chega um momento em que a idade se torna problemática em outra direção, à medida que o tempo afeta o corpo, e a mente torna-se menos perspicaz (nesse caso, a velhice é um “excesso” de idade). Assim, há um período de tempo em que a idade está na faixa “perfeita”: não é prejudicada nem por excesso nem por insuficiência.

Na época de S. Tomás, os trinta anos eram considerados a época da perfeição. Pode-se dizer que ainda é assim, embora pareça que levamos muito mais tempo para atingir a maturidade intelectual e emocional nos dias de hoje.

S. Tomás observa que, porque Jesus morreu no auge da vida, o sacrifício foi maior. Sua aparente falta de doenças e imperfeições físicas também aumentou a dimensão de seu sacrifício. Isso nos serve de exemplo. Devemos oferecer a Deus em sacrifício aquilo que temos de melhor, não apenas os nossos trapos ou coisas das quais poderíamos dizer: “Isso serve”. O Senhor uma vez lamentou, por meio do profeta Malaquias:

Se ofereceis em sacrifício um animal cego, não haverá mal algum nisto? E, se trazeis um animal coxo e doente, não vedes mal algum nisto? Vai, pois, oferecê-lo ao teu governador; crês que lhe agradarias, que ele receberia bem? — diz o Senhor dos exércitos (Ml 1, 8).

Portanto, o que para alguns pode parecer um simples detalhe (a idade de Jesus), na verdade proporciona ensinamentos importantes para a alma perspicaz. Cristo deu tudo de si, o melhor e o fez quando estava no auge da vida. Nós também somos chamados a crescer em perfeição.

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