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A odisseia de uma mulher para vencer o seu vício em pornografia
Testemunhos

A odisseia de uma mulher para
vencer o seu vício em pornografia

A odisseia de uma mulher para vencer o seu vício em pornografia

O tsunami pornográfico não está devastando só os homens. Ele está arrastando mulheres também. E é esse o grande alerta de Jessica Harris.

Jonathon van Maren,  LifeSiteNews.comTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere29 de Março de 2017
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Finalmente as igrejas e a cultura estão acordando para o fato de que fomos atingidos por um tsunami, e que milhões de homens estão viciados em pornografia. Ela está destruindo casamentos. Está destruindo carreiras. Está destruindo almas.

Mas ainda há uma coisa sobre a qual ninguém está comentando: a pornografia está destruindo mulheres também. E não é só as estrelas pornô que são destruídas através do abuso e da violência nos sets de filmagem. Estou falando das centenas de milhares de mulheres que estão assistindo a pornografia, sem que ninguém reconheça o fato ou toque no assunto.

Por muito tempo eu tive curiosidade em descobrir quais eram as estatísticas. Em 2015, uma estimativa do site Covenant Eyes apontou que 76% das mulheres entre as idades de 18 a 30 viam pornografia pelo menos 1 vez por mês, enquanto 21% delas assistiam a pornografia várias vezes durante a semana. Mesmo assim, parecem ser poucas as mulheres que procuram ajuda ou admitem estar lutando contra o vício em pornografia. Já falei com centenas de homens, mas, quanto às mulheres, fui abordado por apenas três que me vieram contar suas histórias. Na verdade, muitas pessoas ficam até mesmo chocadas ao saber que existem mulheres que vêem pornografia.

Para saber mais sobre as histórias por trás das estatísticas, eu liguei para Jessica Harris. Ela cresceu em um ambiente religioso e conservador, e ia à igreja praticamente todos os domingos. Mesmo assim, Jessica assistiu a pornografia pela primeira vez aos 13 anos, e aquilo começou a destruí-la silenciosamente, nas sombras, onde ninguém a escutava, nem podia sequer compreendê-la. Afinal de contas, mulheres não vêem pornografia, é essa a ideia geral que se tem. Pornografia é coisa de homem, um pecado masculino. Rapazes precisam ser alertados para não caírem nessa armadilha, mulheres não, é o que pensa a maioria. Elas estão imunes a esse tipo de toxina. Porque são mulheres.

"Nunca nos foi dito nada acerca da pornografia. Jamais fomos alertadas sequer de que isso existia. Ao menos não as mulheres. Na minha família isso não era mencionado, ninguém falava desse assunto. Quando descobri aquele material, então, eu não tinha sequer uma palavra para descrevê-lo. Eu cresci em um ambiente de igreja, mas frequentava a escola pública. Pensei comigo: deve ser sobre isso que eles tanto comentam, devem ser essas as coisas a que eles assistem na Internet. Mas eu estava no ensino fundamental, começando o ensino médio, e eu não tinha uma categoria em que colocar aquilo, não tinha um contexto, não tinha nada."

Mas aquilo a deixou fascinada. E ela começou a assistir. A princípio, Harris pensou que talvez não houvesse mal algum; que, aliás, aquilo até lhe poderia ser útil de alguma forma.

"Eu realmente não achava que era um problema nos primeiros dois anos em que comecei a consumir esse material. Eu pensava: 'Não estou saindo e fazendo sexo de verdade com ninguém, então é seguro. Vou em frente com isto.' Não existia o risco de contrair doenças sexualmente transmissíveis, nem chance de engravidar. Não precisava me preocupar com aborto. Não precisava me preocupar com nada. Pornografia era algo totalmente seguro e, quando eu comecei, senti que podia ligar e desligar na hora em que quisesse, como se estivesse totalmente no controle da situação. Não senti a necessidade de contar para alguém até porque não achava necessariamente mau aquilo que eu estava fazendo. Aquela parecia ser uma forma segura de me expressar, de estar em sintonia com meus colegas na escola, de conversar sobre essas coisas e mostrar que eu sabia do que se tratava. Era uma forma de me sentir aceita e conectada."

Vícios, é claro, não podem jamais ser controlados. Eles sempre terminam controlando você: a menos que você se liberte antes… eles o destroem. Com o vício em pornografia não é diferente, e logo Jessica começou a se sentir arrastada para baixo. A pornografia começou a dominar a sua vida.

"Foi no final do ensino médio que aquilo realmente começou a fazer um grande estrago em minha vida", ela diz. "Era como se eu precisasse daquilo, então eu ficava acordada até tarde da noite… Comecei a ter dificuldades para manter a minha média na escola. Não conseguia dormir bem. Até nos dias em que eu não queria fazer aquilo, o meu corpo pedia mais. Eu dizia: 'Hoje não, hoje não, hoje não', e os meus pés caíam sobre o chão e caminhavam até o computador por conta própria — e eu odiava não estar mais no controle da situação."

Ela lutou para retomar o controle por todos os meios possíveis, e o desespero se transformou em pânico. A pornografia era poderosa. De fato, era mais poderosa do que ela poderia ter imaginado.

"Eu imprimia fotografias e ateava fogo nelas porque queria provar que era mais forte. Eu salvava imagens em disquetes — eles estavam em alta na época — e quebrava os discos ao meio de tanta raiva e frustração. Eu costumava usar uma tesoura também, porque eu queria provar que era mais forte. E quando isso não funcionava, eu começava a me machucar fisicamente. Se eu não conseguisse me segurar, se eu fosse para o computador e assistisse cinco horas de pornografia, ou o tempo que fosse enquanto eu estava em casa sozinha, eu ia até ao banheiro quando terminava e simplesmente batia a minha cabeça contra a banheira, de tão zangada que eu ficava. Eu pensava que, se conseguisse fazer aquilo doer, talvez eu conseguisse parar. Quando isso não funcionava, eu entrava no chuveiro escaldante até a minha pele ficar vermelha. Eu só queria que aquilo acabasse.

Quando eu finalmente decidi usar o Google e procurar ajuda para acabar com o vício da pornografia, mas vi que tudo era para homens, pela primeira vez me questionei o porquê daquilo. 'Espere um pouco', eu pensei, 'o que isto significa? Porque não existe nada para mulheres?' Depois comecei a procurar por mulheres em situação semelhante e não encontrei nada. Então eu meio que entrei em pânico porque, se não há ninguém para me ajudar, como eu vou sair dessa? Se não há ninguém falando sobre isso, se não há ninguém como eu, como vou sair disso?"

Para piorar, Jessica começou a ter uma sensação horrorosa: a de que ela era a única mulher com este problema. Só ela assistia a pornografia. Por isso não havia nenhum tipo de ajuda disponível — porque, aparentemente, ela era a única mulher que precisava daquilo! Em alguns sites antipornografia destinados para homens, ela leu como tudo aquilo era degradante e violento para as mulheres. O que há de errado comigo?, ela passou a se questionar. Quando partiu para a faculdade bíblica, o vício pornográfico acompanhou-a. Ali, ela pensava, certamente haveria ajuda para alguém como ela.

"Eu tinha rezado para que fosse pega, porque pensava que, se alguém tivesse recursos para ajudar, seriam pessoas como o reitor, ou algum funcionário da faculdade. Certamente eles já viram esse tipo de comportamento antes. Com certeza eu não sou a única mulher com este problema. Alguém vai me ajudar. Mas eu estava apavorada com a ideia de que fosse eu a iniciar essa conversa. Eu não queria entrar na sala da reitoria, me apresentar e dizer: 'Ah, e, por acaso, eu sou viciada em pornografia.'

Eu eventualmente fui pega algumas semanas depois de as aulas terem começado, e fui convocada a me apresentar na reitoria. Eles tinham o relatório com o histórico de Internet do meu login. Eles tinham imprimido tudo e sublinhado todos os sites que eram obviamente pornográficos. Naquela ocasião, eu já estava entregue a um tipo de pornografia muito obscura com fetiches depravados. Eu fui de coisas leves a coisas pesadíssimas, que até me assustavam quando eu assistia. Eles ficaram enojados e disseram: 'Isto é nojento. Isto é depravado. Quem vê essas coisas precisa de ajuda.' E eu estava pronta para assumir tudo, caso eles me perguntassem: 'Isso foi você?'. Mas isso não aconteceu. A conversa rapidamente evoluiu para: 'Bem, isso não foi você. Mulheres não têm estes problemas.' Eu fui repreendida por ter dado a senha do meu login para rapazes da faculdade. Eles pensaram que eu tinha dado a minha senha a uns amigos, para eles usarem como quisessem. Foi essa a minha acusação. Eles me fizeram assinar um contrato dizendo que eu jamais voltaria a dar a minha senha a alguém. Eu assinei, então, e voltei para o meu quarto."

Foi depois de deixar a sala da reitoria que Jessica finalmente desistiu. "Eu sentia que a única forma de conviver com aquilo, e comigo mesma, já que obviamente havia algo de muito errado comigo, era me juntar à indústria pornográfica, porque não fazia sentido eu ser a única mulher do mundo a me sentir assim", ela conta. "Obviamente devem existir outras, e essas outras devem ser as atrizes pornográficas, já que deve ser esse o motivo pelo qual elas escolheram essa profissão. Foi assim que pensei nessa profissão da indústria pornográfica. Esse foi o ponto a que cheguei. Fui do desejo de ser médica e tornar-me uma aluna nota 10 a uma pessoa que diz: 'Esqueça, não posso continuar vivendo assim, continuar fingindo que sou perfeita e que alcanço todos os objetivos almejados para ser bem sucedida enquanto me arrasto sozinha nessa situação. Se eu não consigo sair dessa, então a única maneira de lidar com isso é me juntando à indústria."

Harris resignou-se ao seu destino. Ela entrou em um relacionamento online com um rapaz e enviou-lhe fotos explícitas. Fez planos de se juntar à indústria pornográfica, onde ela achava que encontraria as únicas outras mulheres do mundo que a compreenderiam. Mas, como ela relata em seu site dedicado a ajudar mulheres e meninas que são viciadas em pornografia, algo mudou:

"No ano seguinte, depois de deixar aquela faculdade, eu estava em uma faculdade diferente, tentando viver a vida com este segredo horrível dentro de mim, e cogitando fortemente me juntar ao mundo pornô e acabar logo com tudo. Mas, durante uma reunião de mulheres no campus, um membro da equipe de reitoria tomou a palavra e disse, na frente de todos: ' Nós sabemos que algumas de vocês lutam contra o vício em pornografia, e nós vamos ajudá-las.' Aquele momento foi libertador. Pela primeira vez senti que não estava só, que minha luta não era anormal. Ainda existia esperança!

Os anos desde então têm sido uma jornada contínua de liberdade. Tudo isso é muito mais do que simplesmente não assistir a pornografia. Tem a ver com cura interior, com a descoberta de uma vida sem ter que carregar o peso esmagador da vergonha e do medo."

Jessica Harris agora se compromete em oferecer a outras mulheres e garotas essa mesma experiência de liberdade — aquele momento em que alguém finalmente percebe que não está só, que outras pessoas o compreendem, e que existe um caminho para a libertação. Ela viaja por toda a América do Norte, contando a sua história em auditórios, uma história que se conecta com mulheres em situações semelhantes, as quais pensavam estar absolutamente sozinhas, até que alguém ficou diante delas e prometeu entendê-las. As pessoas precisam tomar consciência, ela diz, que as mulheres têm mais dificuldades em assumir esse problema:

"Os homens tendem a confessar o problema quando ele começa a ameaçar o seu relacionamento ou quando flagrados por suas esposas. Eles tendem a se abrir em relação ao assunto quando se cansam de esconder ou simplesmente porque querem desabafar, enquanto as mulheres sempre escolhem a direção oposta. Elas vão fazer o máximo para esconder, pois sentem-se muito envergonhadas e isso que fazem diz muito sobre quem elas são. Ao mesmo tempo elas tentam se desvencilhar da situação e separá-la de si mesmas. Chegam a criar outra personalidade, uma imagem de mulher perfeita que têm tudo sob controle, ao mesmo tempo em que tentam de verdade ser essas mulheres. Eu tenho mulheres que me escrevem, esposas de pastores, missionárias, líderes espirituais, freiras. São mulheres que tentam com todas as forças manter uma imagem de pessoas emocionalmente equilibradas e convencer-se de que: 'Não, você não precisa ser como a mulher do vídeo. Você vale mais que isso. Você não precisa ser assim.' Elas vivem navegando, portanto, entre essas vidas duplas que levam. Uma mulher não pede ajuda a menos que esteja à beira de um colapso, ou que a situação supere o medo de alguém descobri-la. Ou seja, ela só pede ajuda quando está dominada pelo terror absoluto. Com os homens, esse assunto tem mais a ver com uma modificação comportamental; com a mulher, no entanto, trata-se de uma crise de identidade. Ajudá-las significa salvá-las de ir para onde elas acham que estão indo enquanto pessoas."

E quanto às estatísticas do site Covenant Eyes, eu perguntei a Jessica, elas estão corretas? Ou estão um pouco exageradas?

" Geralmente eu calculo que metade do meu público de alguma maneira tenha sido exposta à pornografia", ela respondeu. "Eu diria que, em uma sala com 100 pessoas, pelo menos 50 já tiveram algum tipo de exposição. E outra coisa para lembrar a respeito das mulheres, também, é que nós temos um alcance maior do uso de pornografia. Algumas, por exemplo, entram na literatura erótica e aquilo se torna o estímulo sexual delas. Elas entram em sites eróticos não tão explícitos — coisa com a qual os homens já não se preocupam, eles pulam essa parte. Por outro lado, também pode haver mulheres lutando bastante com o pornô pesado."

Uma pergunta final: como as mulheres que não sabem aonde ir iniciam o caminho para a libertação? Como mulheres universitárias, a exemplo de Jessica Harris, podem romper com esse vício que as domina?

" A primeira coisa que lhes quero dizer é que elas não estão sós. É incrível, eu recebo emails e mais emails todas as semanas. Conheço mulheres sempre que vou dar uma palestra, e vejo que toda história, em certo ponto, é parecida com a minha. Sempre fico boquiaberta, mesmo quando estamos trabalhando com uma estatística de 20%, essas 20% sempre acham que são uma em seis bilhões, que são as únicas no mundo com aquelas dificuldades. Você não está sozinha, por isso não se martirize. Pare de achar que está só.

Você tem que destruir esse padrão duplo de vida. Você tem que se libertar, reconhecer o que está acontecendo. Sim, você pode ser uma exímia aluna, uma líder espiritual, mas você também é uma mulher que luta contra este vício, e não tenha medo de se conectar com pessoas que também sofrem deste mal para receber ajuda. O que eu descobri de maravilhoso, toda vez que conto a minha própria história ou encorajo outras garotas a darem o seu testemunho, é que, quando imaginamos que seremos cobertas de vergonha, o que acontece, na verdade, é uma efusão de graça. Tive moças que se libertaram contando para as colegas na faculdade o que as atormentava. E, para a surpresa delas, outras também revelavam ter problemas semelhantes e, no fim, elas acabavam criando grupos de apoio no campus. Isso tem acontecido em faculdades, em igrejas, com mulheres do meu trabalho, as quais eu simplesmente aconselhei, dizendo: 'Você tem que compartilhar isso com alguém.'"

O tsunami pornográfico não está arrastando apenas homens e crianças. Ele está levando mulheres também, e muitas delas estão se afogando porque ninguém tem consciência sequer de que elas estão na água, ninguém é capaz de escutar os seus gritos de socorro. Nós vemos as estatísticas, mas não conseguimos ver os rostos por trás delas. Mas, finalmente, uma mulher decidiu colocar uma história por detrás das estatísticas. A história de Jessica Harris é poderosa, sua mensagem é essencial e seus conselhos são necessários. Faria bem se todos ouvíssemos. A sua história é um coro para muitas que não encontraram a sua voz, e que ainda procuram trilhar o caminho da liberdade.

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Você daria cocaína para o seu filho?
Educação

Você daria cocaína para o seu filho?

Você daria cocaína para o seu filho?

Você daria a seu filho de sete anos uma garrafa de vinho para ele beber? E sua filha de 12 anos, que acabou de entrar na adolescência, você por acaso lhe daria um punhado de cocaína?

Religión en LibertadTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere24 de Maio de 2018
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Você daria a seu filho de sete anos uma garrafa de vinho para ele beber? E sua filha de 12 anos, que acabou de entrar na adolescência, você por acaso lhe daria um punhado de cocaína?

A resposta para essas perguntas parece óbvia, mas é o que acontece muitas vezes, quando se entrega a crianças, sem nenhum tipo de restrição, tablets e smartphones.

É o que afirma Mandy Saligari, especialista em vícios, terapeuta e diretora de uma clínica de reabilitação em Londres, que tem se deparado, nos últimos anos, com uma enxurrada de casos de crianças e adolescentes viciados nessas novas tecnologias.

Há anos que numerosos especialistas em educação vem alertando para esses males, e que neuropsicólogos de prestígio vem avisando dos efeitos negativos que essas tecnologias produzem nas crianças, sem que suas advertências, no entanto, surtam grandes efeitos.

Mandy, assim como muitos outros especialistas, afirma que os pais não têm real consciência da gravidade que é os seus filhos passarem horas e horas diante de uma tela.

“Sempre digo às pessoas: quando você dá a seu filho um tablet ou um telefone, é como se você estivesse realmente lhe dando uma garrafa de vinho ou um punhado de cocaína”, disse Mandy, durante uma conferência educativa em Londres. Ela se perguntava, ao mesmo tempo, “por que prestamos muito menos atenção a essas coisas do que às drogas e ao álcool, quando uma coisa e outra trabalham com os mesmos impulsos cerebrais”.

Nacho Calderón, um prestigiado neuropsicólogo espanhol, assegura que “os celulares e tablets estão gerando déficit de atenção com hiperatividade. Indo aos casos mais extremos, chegaríamos, é claro, a problemas graves de conduta, de agressividade, de isolamento social, e de crianças que só sabem viver através de uma tela”.

Isso ficou patente em um pequeno experimento feito por Dolmio, uma marca britânica de alimentos, com o objetivo de promover as refeições em família. Sem querer, os produtores do comercial se depararam com algo aterrador.

Os protagonistas eram quatro famílias com filhos e o momento escolhido era a hora da refeição. Neste experimento o filho se encontrava sentado à mesa com seu tablet enquanto seus pais preparavam a comida. O objetivo era observar o que faria as crianças deixarem de olhar para a tela, enquanto a realidade ao redor delas fosse se transformando.

Mas a dependência das crianças era tal que elas haviam perdido o contato com o espaço e o tempo, bem como com a realidade de tudo à sua volta. Os pais começaram mudando os quadros e a decoração da sala sem que eles se dessem conta. Também passavam pela sala com objetos estranhos e com capacetes de vikings, por exemplo. Mas nada disso fazia seus filhos erguerem a cabeça.

O experimento foi mais além e seus pais foram trocados por outros adultos que simplesmente vestiam roupas da mesma cor. As crianças não notaram nada, apesar de eles se moverem de um lado para o outro. Inclusive seus irmãos foram trocados por outras crianças, que chegaram a se sentar à mesa com eles. Nem assim, porém, eles perceberam o que acontecia.

Só uma coisa fez com que eles levantassem os olhos: o momento em que se desligou a internet. As crianças tiveram então uma grande surpresa, ao notarem o que havia ocorrido.

Mas esse é apenas um exemplo recente do que está acontecendo em tantos lares onde as telas já constituem como que uma “extensão” das mãos de crianças e adolescentes. As cifras são arrepiantes.

Mandy recorda que inúmeras crianças de 13 anos são tratadas por vício em tecnologia digital e que dois terços dos britânicos entre 12 e 15 anos não conseguem ter um equilíbrio entre o tempo em que estão em frente a esses dispositivos e outras atividades.

Vícios são “um padrão de comportamento que pode se manifestar de diferentes maneiras”.

Quando pensam em vícios — adverte essa especialista —, o pensamento dos pais se dirige a coisas específicas ou a determinados tipos de substância, mas, na realidade, a dependência é “um padrão de comportamento que pode se manifestar de diferentes maneiras”.

Um problema ligado a esse é o aumento no número de menores de idade que enviam e receberam imagens pornográficas, ou que acessam conteúdos impróprios para sua idade a partir dos dispositivos que têm em mãos.

Mandy afirma que dois terços dos pacientes de sua clínica têm entre 16 e 20 anos, um “aumento dramático” em relação a 10 anos atrás. “Muitas de minhas pacientes são meninas de 13 e 14 anos, envolvidas com os chamados nudes, e descrevendo-os como coisas ‘completamente normais’.”

Segundo sua experiência, muitas dessas meninas acreditam que enviar uma foto de si mesmas nuas a alguém, através de um telefone, é algo “normal”, desde que o pai ou um adulto não descubra o que está acontecendo.

Por essa razão, muitos especialistas como ela estão de acordo em que deve existir um maior controle dos pais nessa matéria. 40% dos pais de filhos entre 12 e 15 anos confessam que acham difícil controlar o tempo que seus filhos passam diante desses dispositivos. O resultado é que, mesmo morando sob o mesmo teto que seus pais, as crianças e adolescentes de hoje recebem estímulos e influência de uma porção de pessoas e lugares, menos daqueles que os geraram e que realmente os deveriam educar.

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Existe “cura gay”?
Doutrina

Existe “cura gay”?

Existe “cura gay”?

“A ‘cura gay’ não é aquilo que muitas vezes as pessoas pensam”. Uma resposta firme, equilibrada e católica para a delicada questão da homossexualidade.

Equipe Christo Nihil Praeponere23 de Maio de 2018
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É bastante conhecida a orientação da Igreja às pessoas que sentem atração pelo mesmo sexo. O Catecismo da Igreja Católica diz, em seu parágrafo 2359, que:

As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.

O que muitas vezes se pergunta é se a Igreja não estaria exigindo demais dos homossexuais, pedindo-lhes que vivam a castidade. Não seria um fardo demasiado pesado para se carregar? Por que não “liberar” simplesmente que essas pessoas vivam seus desejos e “abrir” a doutrina da Igreja a esse tipo de situação?

Essas perguntas dizem respeito à realidade de “um número não negligenciável de homens e de mulheres”, que “apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas” (Catecismo, § 2358). Por isso, exigem uma resposta elaborada, minuciosa e profunda — justamente o que Padre Paulo Ricardo faz neste breve vídeo, extraído de nosso episódio ao vivo “Masturbação: nunca mais”.

Trocando em miúdos o que explica o padre, temos o seguinte.

Em primeiro lugar, “é perfeitamente possível ser feliz sem praticar sexo”. A frase pode escandalizar a muitos, mas é isso mesmo. As pessoas só pensam o contrário porque ficaram cegas, obstinadas no pecado, e não querem ouvir nada que aponte o erro de seus maus hábitos:

A imoralidade desenfreada que reina no mundo de hoje é uma das causas principalíssimas — a mais importante depois da propaganda materialista e ateia — da descristianização cada vez maior da sociedade moderna. O mesmo Cristo nos avisa no Evangelho que “todo o que pratica o mal odeia a luz” (Jo 3, 20). Não há nada que cegue tanto como a obstinação no pecado. [1]

Muita gente confunde, além disso, “felicidade” com “prazer”. Enquanto esta é uma sensação principalmente animal, a primeira experiência só pode ser feita pelos seres humanos, detentores que são de uma alma imortal.

A doutrina católica é clara em indicar que a suma felicidade de nossa vida consiste em conhecer e amar a Deus. Todo o resto, portanto, deve subordinar-se a isso. Se estamos fazendo o contrário, somos nós quem devemos mudar, não a Igreja. São os homens que precisam converter-se a Deus, mudar a própria mentalidade e vida, e conformá-los à vontade divina. Propor o contrário seria paganizar a religião e colocá-la a serviço de nossos interesses.

Em segundo lugar, “a ‘cura gay’ não é aquilo que muitas vezes as pessoas pensam”. Como a expressão “cura gay” já gerou muitos mal entendidos, expliquemos o que queremos dizer com ela. Se existe uma “cura gay”, ela não consiste em fazer uma pessoa, que tem atração pelo mesmo sexo, sentir-se atraída pelo sexo oposto. Uma cura da sexualidade humana que se queira “integral” precisa colocar em relevo, sempre, o sexo compatível com a santidade: para quem deseja seguir a Cristo, o ato sexual só pode ser realizado dentro do Matrimônio e de um modo que não se feche à transmissão da vida.

O porquê desse ensinamento da Igreja poderia ser tranquilamente destrinchado tanto racionalmente quanto a partir da Revelação divina. Mas isso nos levaria longe demais. O que importa saber, à luz disso, é que o modo como nossa sociedade, de modo geral, vem vivendo a sexualidade, precisa ser profundamente transformado. Não são apenas os homossexuais, portanto, que precisam de curar-se. Um casal de namorados que se relaciona antes de casar-se, um cônjuge que trai a própria esposa, um jovem que vive afundado na masturbação e na pornografia, todos precisam ter a própria sexualidade curada. A Igreja não é homofóbica. O seu convite à castidade estende-se a todos os seus filhos, indiscriminadamente.

Por fim, “o celibato é o tempero da moral sexual”. Convidar as pessoas à castidade pode significar muitas vezes, até para pessoas casadas, uma renúncia, provisória ou definitiva, ao ato conjugal. Por isso, falar de celibato não pode ser um “bicho de sete cabeças” — como parece ser em muitos ambientes, de Igreja até! Por trás de uma omissão a esse respeito está escondida muitas vezes a ideia de que é impossível ser feliz e realizar-se sem sexo. Ou seja, estamos reduzindo a doutrina moral da Igreja aos postulados da revolução sexual.

A pergunta que precisamos nos fazer, ao fim e ao cabo, é se acreditamos mais em Freud ou em Jesus Cristo; se damos mais crédito ao que assistimos na televisão ou ao que lemos e ouvimos da Palavra de Deus. Só se tivermos fé no que nos ensina a Igreja, afinal, poderemos cumprir o que ela — não em seu próprio nome, mas em nome de Cristo — nos manda. Como diz G. K. Chesterton, “não é que o ideal cristão tenha sido tentado e considerado imperfeito; ele foi considerado difícil sem nem mesmo ser tentado” [2].

Tentemos, pois! O que está em jogo é a nossa realização neste mundo — e a nossa eterna salvação no outro.

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Os falecidos não podem nos trazer mensagens do além?
Doutrina

Os falecidos não podem
nos trazer mensagens do além?

Os falecidos não podem nos trazer mensagens do além?

Para sabermos o que acontece depois da morte, não necessitamos perturbar o repouso dos falecidos. Deus escolheu outro caminho para nos instruir sobre o sentido da vida e o destino eterno que teremos.

Frei Boaventura Kloppenburg22 de Maio de 2018
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Não é permitido, como já vimos, evocar as almas de pessoas que já morreram, prática muito comum no espiritismo. Mas por que tão rigorosa interdição, afinal? Não poderíamos ser positivamente ajudados pela instrução dos falecidos? Ou quererá Deus deixar-nos na ignorância acerca dos acontecimentos depois da morte?

O próprio Jesus nos deu a resposta na parábola do pobre Lázaro e do rico epulão (cf. Lc 16, 19-31). Ambos morrem e são julgados, cada um de acordo com a vida que levou nesta terra. Lázaro “foi levado pelos anjos ao seio de Abraão”, isto é, ao céu. O rico avarento é condenado ao inferno.

A diferença entre os dois, depois da morte, é grande. O falecido rico gozador implora: “Pai Abraão, tem piedade de mim e manda que Lázaro molhe a ponta do dedo para me refrescar a língua, pois estou torturado nesta chama”. Mas a separação entre ambos é definitiva e a comunicação, impossível. A resposta do céu é clara e dura: “Entre vós e nós existe um grande abismo, de modo que aqueles que quiserem passar daqui para junto de vós não o podem, nem tampouco atravessarem os de lá até nós” (v. 26).

“A alma de Lázaro levada para junto de Abraão”, Mestre de James IV da Escócia.

O falecido epulão insiste num pedido com filantrópica proposta: “Pai, eu te suplico, envia então Lázaro até a casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos; que ele os advirta, para que não venham eles também para este lugar de tormento”. Era uma sugestão que parecia muito boa. Estabelecer-se-ia um útil intercâmbio entre os do além, com seus novos conhecimentos, e os da terra, sempre necessitados de esclarecimento e orientação. No entanto, a resposta do céu é seca: “Eles têm Moisés e os Profetas; que os ouçam!” (v. 29).

Mas o proponente insiste, com uma justificação: “Não, pai Abraão, se alguém dentre os mortos for procurá-los, eles se converterão”. A razão parecia óbvia. É a solução proposta também pelos atuais movimentos espiritistas. Se é verdade que as almas dos falecidos sobrevivem conscientemente e que elas continuam solidárias conosco, afirmações que são corroboradas pela Bíblia e ensinadas pela Igreja Católica, por que não poderia o Criador escolher esta via para trazer revelações úteis do além? A resposta do céu, entretanto, segundo Jesus, é sem rodeios: “Se não escutam nem a Moisés nem aos Profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão” (v. 31).

É a rejeição pura e simples da via espiritista [1].

Deus certamente “quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2, 4). Ele não quer deixar-nos na ignorância. Mas o Criador dos homens escolheu outra via para instruí-los sobre o sentido da vida e o destino eterno. Na Constituição dogmática Dei Verbum, de 1965, o Concílio Vaticano II resume no n. 2 assim o plano divino da revelação:

Aprouve a Deus, em sua bondade e sabedoria, revelar-se a si mesmo e tomar conhecido o mistério de sua vontade (cf. Ef 1, 9), pelo qual os homens, por intermédio de Cristo, Verbo feito carne, e, no Espírito Santo, têm acesso ao Pai e se tornam participantes da natureza divina. Mediante esta revelação, portanto, o Deus invisível, levado por seu grande amor, fala aos homens como a amigos (cf. Ex 33, 11; Jo 15, 14-15), e com eles se entretém para os convidar à comunhão consigo e nela os receber.

Este plano de revelação se concretiza através de acontecimentos e palavras intimamente conexos entre si, de forma que as obras realizadas por Deus na história da salvação manifestam e corroboram os ensinamentos e as realidades significadas pelas palavras. Estas, por sua vez, proclamam as obras e elucidam o mistério nelas contido. No entanto, o conteúdo profundo da verdade, seja a respeito de Deus, seja da salvação do homem, se nos manifesta por meio dessa revelação em Cristo, que é ao mesmo tempo mediador e plenitude de toda a revelação.

Deste plano de revelação estão excluídos os falecidos. Depois de Moisés e dos Profetas, Deus nos enviou seu Filho, o Verbo eterno que ilumina todos os homens, para que habitasse entre os homens e lhes expusesse os segredos de Deus (cf. Jo 1, 1-18). Com Jesus recebemos a plenitude da revelação necessária para a nossa salvação.

  • Ele se apresenta a si mesmo com uma declaração solene: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14, 6).
  • Ele está “cheio de verdade” (Jo 1, 14).
  • “Nele se acham escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” (Cl 2, 3).
  • Ele é pessoalmente o anunciado e prometido Emanuel, Deus-com-os-homens. Ele é para nós como a nuvem luminosa do Êxodo: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8, 12).
  • Ele é a luz das gentes (cf. Lc 2, 32), o sol nascente que ilumina os que estão nas trevas (cf. Lc 1, 78s).
  • “Eu, a luz, vim ao mundo para que aquele que crê em mim não permaneça nas trevas” (Jo 12, 46).

Não necessitamos perturbar o repouso dos falecidos (cf. 1Sm 28, 15). O Concílio Vaticano II, na citada Constituição Dei Verbum (n. 4b), nos garante que “a economia cristã, como aliança nova e definitiva, jamais passará, e já não há que esperar nenhuma nova revelação pública antes da gloriosa manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. 1Tm 6, 14; Tt 2, 13)”.

Não haverá “terceira revelação”.

O espiritismo, que pretende ser precisamente esta “terceira revelação”, não só não entra nos planos de Deus Revelador, mas se opõe à economia divina.

Referências

  • Trecho extraído e levemente adaptado de “Espiritismo: Orientação para Católicos”. 9.ª ed., São Paulo: Loyola, 2014, pp. 54-56.

Notas

  1. O que dizer, então, das aparições de almas do Purgatório, as quais já relatamos aqui em algumas oportunidades? Elas devem ser entendidas como milagres, permissões extraordinárias de Deus. “Quem negará a Deus todo-poderoso”, afinal, “a capacidade de enviar-nos seus mensageiros? Quando Deus manda, a iniciativa é sua; e a conseqüente manifestação do além toma para nós um caráter espontâneo. Bem outra é a situação quando a iniciativa é nossa, querendo nós provocar alguma conversação com entidade do além.”

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Se você usa camisinha, este texto é para você
Doutrina

Se você usa camisinha,
este texto é para você

Se você usa camisinha, este texto é para você

O tempo provou onde a sabedoria está. É hora de admitir o óbvio. Se você tem o costume de usar camisinha, pílulas e outros métodos contraceptivos, este texto é para você.

Mons. Charles Pope,  Community in MissionTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere22 de Maio de 2018
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Para falar sobre assédio e abuso sexual em nossa cultura, nós faríamos muito bem em avaliar o quanto a “mentalidade contraceptiva” contribuiu para muitos dos problemas que estamos enfrentando hoje.

De acordo com essa visão de mundo, não haveria qualquer conexão necessária entre sexo e geração de filhos: o que Deus uniu… foi arbitrariamente separado. Isso levou a uma enorme confusão quanto à natureza e ao fim da intimidade sexual, bem como quanto ao que sejam Matrimônio e família. Muitos tratam o sexo de maneira frívola e leviana; pensam erroneamente que o sexo pode ser vivido sem consequências; e, como temos visto em notícias recentes, muitos homens já não veem as mulheres como esposas, mães e pessoas que devem ser respeitadas, mas como objetos a ser explorados.

Duas gerações se passaram desde a publicação da corajosa e profética encíclica Humanae Vitae, a qual manteve a antiga condenação da Igreja ao uso da contracepção artificial. E talvez nenhum outro ensinamento da Igreja provoque tanto escárnio (mesmo entre os católicos) quanto esse sobre a regulação da natalidade. “Absurdo!”, dizem alguns. “Fora de cogitação!”, meneiam a cabeça. “Ridículo!”, fazem troça. “Você só pode estar brincando!”

Mas o tempo cuidou de provar onde estava a sabedoria (cf. Mt 11, 16-19). Cerca de cinquenta anos após a aceitação generalizada da contracepção, como nós estamos? Talvez seja melhor rever algumas das “promessas” que os defensores da contracepção fizeram e, então, fazer um paralelo com algumas das profecias do Beato Papa Paulo VI. Revisemos os registros e tomemos nota de quais foram, afinal, os “frutos” da contracepção.

As promessas dos defensores da contracepção eram:

  • Casamentos mais felizes e menos divórcios, porque os casais seriam capazes de ter tantas relações quanto quisessem sem o “medo” da gravidez.
  • Menor número de abortos porque haveria bem menos casos de gravidez “indesejada”.
  • Maior dignidade para as mulheres porque elas não estariam mais “presas” a seus sistemas reprodutivos.
  • Uma promessa mais recente: redução das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e da AIDS.

As preocupações e previsões do Papa Paulo VI, no n. 17 da Humanae Vitae, eram as seguintes:

Considerem, antes de mais, o caminho amplo e fácil que tais métodos abririam à infidelidade conjugal e à degradação da moralidade.

Não é preciso ter muita experiência para conhecer a fraqueza humana e para compreender que os homens — os jovens especialmente, tão vulneráveis neste ponto — precisam de estímulo para serem fiéis à lei moral e não se lhes deve proporcionar qualquer meio fácil para eles eludirem a sua observância.

É ainda de recear que o homem, habituando-se ao uso das práticas anticoncepcionais, acabe por perder o respeito pela mulher e, sem se preocupar mais com o equilíbrio físico e psicológico dela, chegue a considerá-la como simples instrumento de prazer egoísta e não mais como a sua companheira, respeitada e amada.

Pense-se ainda seriamente na arma perigosa que se viria a pôr nas mãos de autoridades públicas, pouco preocupadas com exigências morais. Quem poderia reprovar a um governo o fato de ele aplicar à solução dos problemas da coletividade aquilo que viesse a ser reconhecido como lícito aos cônjuges para a solução de um problema familiar? Quem impediria os governantes de favorecerem e até mesmo de imporem às suas populações, se o julgassem necessário, o método de contracepção que eles reputassem mais eficaz?

Quem estava, pois, com a razão? O mundo ou a Igreja? Vamos considerar alguns dados.

Em primeiro lugar, a taxa de divórcios não diminuiu; disparou. Nos Estados Unidos, a taxa de divórcios subiu na década de 1970 e depois até quase 50% dos casamentos estavam em crise. Nos últimos anos, o número de divórcios caiu ligeiramente, mas isso só deve ao fato de que cada vez menos pessoas querem se casar, preferindo, ao invés, coabitar ou relacionar-se em uma espécie de monogamia em série, pulando de um relacionamento para outro. A taxa geral de divórcio atualmente paira na faixa de 40%.

Os defensores da contracepção hoje reclamam que o divórcio é um assunto complicado, o que certamente é verdade, mas eles não podem ficar dos dois lados: primeiro dizem que a contracepção será uma solução “simples” para tornar os casamentos mais felizes e, depois, quando percebem tão drasticamente que estão errados, reclamam que o divórcio é complicado. O Papa Paulo VI, por outro lado, previu a maré difícil para o casamento com o advento da contracepção; parece que ele estava certo.

Em segundo lugar, a taxa de abortos não diminuiu; disparou também. Em poucos anos, a pressão para tornar o aborto mais acessível levou à sua legalização em 1973, nos Estados Unidos. Já está provado que os contraceptivos, longe de diminuírem a taxa de abortos, na verdade, só a fizeram aumentar. Como os contraceptivos costumam falhar, o aborto tem se tornado o último recurso para os casais que não querem ter filhos.

Além disso, como previu o Papa, a imoralidade sexual foi amplamente disseminada; e também isso tem levado a altas taxas de aborto. É difícil comparar os índices de promiscuidade entre as épocas porque as pessoas não costumam contar a verdade quando perguntadas sobre essas coisas. Mas alguém precisa ser muito míope para não perceber o aumento vertiginoso da promiscuidade aberta, da coabitação, da pornografia e de outras imoralidades. Todos esses maus comportamentos, que se tornaram mais comuns pelos contraceptivos, também alimentaram as taxas de aborto. Mais um ponto em que a previsão do Papa e da Igreja se mostrou certa.

Consideremos, em terceiro lugar, a dignidade da mulher. Trata-se de algo difícil de estimar, porque cada pessoa tem seus próprios critérios para medi-la. As mulheres têm, de fato, grandes oportunidades profissionais hoje, mas será essa realmente a fonte da dignidade de uma pessoa?

A dignidade de alguém certamente envolve mais que suas capacidades econômicas. Infelizmente, a maternidade foi para o banco de trás na cultura popular e, como o Papa previu, as mulheres foram hipersexualizadas também. Sua dignidade como mães e esposas foi posta de lado e substituída pelo prazer sexual que elas oferecem aos homens.

Muitos homens modernos, não mais obrigados ao casamento para terem satisfação sexual, usam e abusam das mulheres. Eles simplesmente “pegam o que querem” e muitas delas parecem dispostas a lhes fornecer isso livremente. Neste cenário, os homens “vencem”. As mulheres ainda são frequentemente infectadas por DSTs e abandonadas com seus filhos, os quais têm de assistir e educar sozinhas. E, quanto mais ficam velhas e “menos atraentes” para os homens, mais sozinhas ficam. Eu não estou muito certo de que isso seja dignidade.

Teriam as mulheres realmente se beneficiado com essa nova moralidade que a contracepção ajudou a inaugurar? Aparentemente, o Papa estava certo mais uma vez.

Em quarto lugar, o que dizer da contracepção como fator que previne e reduz as DSTs ou a AIDS? Novamente, uma grande decepção. As DSTs não foram prevenidas nem diminuíram. A taxa de infecções disparou entre os anos 1970 e 1980. A AIDS, que surgiu neste mesmo período, continua a apresentar taxas terrivelmente altas. Onde está a libertação prometida?

Os contraceptivos previnem muito pouco. O que eles fazem, na verdade, é encorajar a propagação dessas doenças, pois promovem o mau comportamento que as causa. Aqui, também, a Igreja estava certa e o mundo, errado.

O tempo cuidou de mostrar, portanto, onde estava a sabedoria. O que aprendemos ao longo destas décadas de contracepção? Primeiro, que é um grande erro acreditar em suas promessas; os contraceptivos só tornaram as coisas piores do que já estavam. Maus comportamentos têm sido estimulados e todas as consequências ruins decorrentes disso estão vindo à tona.

Por outro lado, a maioria das pessoas parece desinteressada nesses dados. Os corações se tornaram entorpecidos e as inteligências se encontram adormecidas. Apesar disso, espero que você considere com cuidado essas informações, compartilhando-as com outras pessoas. O tempo provou onde a sabedoria está. É hora de admitir o óbvio.

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