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A prostituta barrada na porta da igreja
Santos & Mártires

A prostituta barrada na porta da igreja

A prostituta barrada na porta da igreja

“Mas quando eu pisei no limiar da porta, por onde todos entraram, fui impedida por uma força que não me deixou entrar... Era como se um destacamento de soldados estivesse lá de pé, se opondo à minha entrada.”

Equipe Christo Nihil Praeponere5 de Abril de 2019Tempo de leitura: 13 minutos
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É uma constante na arte sacra a figura de Santa Maria Egipcíaca, que viveu de 344 a 421. Sempre impressionaram os artistas sua vida de penitência no deserto e o episódio milagroso de sua última comunhão, recebida das mãos de um monge chamado Zózimo.

Foi a ele que esta santa contou toda a sua história, a qual chega até nós graças a um relato intitulado Vita Sanctae Mariae Aegyptiacae, Meretricis, atribuído a São Sofrônio de Jerusalém [1].

Quem tiver tempo, deve fazer a si mesmo o favor de ler inteiro este edificante relato. Não devem nos assustar os fatos miraculosos que rondam a vida dessa santa — e que a crítica moderna insiste em desacreditar —, pois prodígio algum que aconteceu em sua vida se compara à transformação que lhe aconteceu na alma. Lembremo-nos sempre que, como dizem Santo Agostinho e Santo Tomás [2], a justificação do ímpio é obra maior do que a criação do céu e da terra, pois estes passarão, mas a glória dos bem-aventurados no Céu não passará jamais.

Maria do Egito (seu lugar de nascimento) começa sua história contando como deixou a casa paterna, aos 12 anos, e foi para Alexandria, onde perdeu a virgindade e entregou-se à luxúria por cerca de 17 anos. “Eu era como um fogo de depravação pública”, ela confessa, “e não era por amor ao ganho. Frequentemente, quando eles desejavam pagar-me, eu recusava o dinheiro. Agia dessa maneira para fazer com que tantos homens quantos fosse possível desejassem possuir-me, fazendo de graça o que me dava prazer.” Ela se prostituía, portanto, não tanto por dinheiro, mas por um “desejo insaciável e uma paixão irreprimível por deitar-me na lama”.

Um dia, ela embarcou com inúmeros líbios e egípcios rumo a Jerusalém. Eram peregrinos que iam à Terra Santa para a festa da Exaltação da Santa Cruz. Ela ia movida não por desejo religioso, mas sim pela vontade de “ter mais amantes que pudessem satisfazer” suas paixões. Sem dinheiro e sem alimento, como se manteria Maria? “Eu tenho um corpo e, ao invés de pagar pela viagem, o porei à disposição”, ela dizia.

De fato, assim ela fez. Para dar a Zózimo uma ideia do abismo em que se achava, é com estas palavras que ela descreve sua viagem a Jerusalém:

Como poderei relatar o que aconteceu depois disso, ó homem de Deus? Que língua pode narrar, ou que ouvidos podem ouvir tudo o que aconteceu naquela embarcação durante a viagem? Como eu então forçava aqueles pobres moços, até mesmo contra a sua vontade! É inominável a turpíssima depravação que eu então lhes ensinei. Estou surpresa, Pai, de como o mar suportou as luxúrias da minha iniquidade, de como a terra não abriu suas mandíbulas e me arrojou viva no inferno, eu, que tantas almas havia prendido nas teias da morte.

Chegando à Terra Santa, Maria continuou “vivendo o mesmo tipo de vida, talvez até pior”: além dos rapazes que seduziu em alto mar, continuou a se entregar ainda “a muitos outros, tanto da cidade quanto estrangeiros que lá estavam”.

Já aqui essa história nos convida à meditação. Comecemos por constatar que, infelizmente, exemplos da vida pregressa como a de Santa Maria Egipcíaca não são muito difíceis de encontrar hoje em dia. Na verdade, eles estão a apenas um clique de distância. O que são, de fato, os sites de pornografia senão uma reunião, seleta e artificiosamente elaborada, dessas pessoas perdidas, entregues aos prazeres da carne e que “ensinam” a seus usuários todo tipo de depravação? E nossos homens, o que se tornaram senão frequentadores assíduos desses “prostíbulos virtuais”, sem os quais não conseguem mais passar e levar uma vida saudável?

Homens e mulheres afundados na lama da impureza, e não se sabe quem está mais sujo: eis a situação em que nos encontramos. Mas quantas dessas pessoas não morrem nesse estado? Esta, sim, é a maior tragédia de todas. Maria Egipcíaca recebeu de Deus a graça — como veremos — de se arrepender dos pecados que cometeu, levar uma vida de penitência e morrer em estado de amizade com Deus. Mas e nós, quanto tempo mais esperaremos para nos convertermos e mudarmos de vida? Até quando continuaremos a ignorar o Deus que nos procura e quer a nossa salvação?

A quem se encontra em estado de graça, não é menos forte a meditação a fazer: o que seríamos de nós, se tivéssemos partido deste mundo em pecado mortal? O que seria de nossa alma se naquela noite em que dormimos afastados de Deus, naquele dia em que lhe voltamos as costas (até prometendo para nós mesmos buscar a Confissão no dia seguinte), o que aconteceria se naquela hora fôssemos chamados para a prestação de contas que dá início à eternidade?

Pensemos nessas coisas e tenhamos sempre um coração agradecido a Deus por sua misericórdia nos ter atingido como atingiu esta sua filha, Santa Maria Egipcíaca. Mas deixemos que agora fale ela, sem interrupções, de como se deu o bonito milagre de sua conversão:

O dia sagrado da Exaltação da Cruz despontou, enquanto eu ainda estava à caça de jovens. Ao amanhecer, vi que todos corriam para a igreja. Então, corri com o resto deles. Quando a hora da sagrada elevação se aproximou eu estava tentando abrir caminho entre a multidão, que lutava para chegar às escadarias. Finalmente, com grande dificuldade, consegui ir me espremendo quase até às portas da igreja, de onde a vivificante árvore da Cruz estava sendo mostrada ao povo. Mas quando eu pisei no limiar da porta, por onde todos entraram, fui impedida por uma força que não me deixou entrar. Entretanto, completamente ignorada pela multidão, me encontrei sozinha no pórtico da igreja. Pensando que isto tivesse acontecido devido à minha fraqueza de mulher, comecei novamente a abrir caminho com os cotovelos no meio da multidão. Mas era em vão meu esforço. Novamente meus pés pisaram no limiar onde outros iam entrando na igreja, sem encontrar nenhum obstáculo. Eu somente parecia não ser aceita na igreja. Era como se um destacamento de soldados estivesse lá de pé, se opondo à minha entrada. Mais uma vez fui excluída pela mesma força poderosa e novamente fiquei no limiar.

Havendo tentado por três ou quatro vezes, finalmente me senti esgotada e não tendo mais forças para empurrar e ser empurrada, fui para o lado e permaneci num canto do pórtico. E então, com grande dificuldade, começou a despontar algo em mim e comecei a perceber a razão pela qual eu estava sendo impedida de ver a Cruz vivificante. A palavra da salvação gentilmente tocou os olhos do meu coração e revelou-me que era minha vida impura que fechava a entrada para mim. Comecei a chorar e lamentar e bater no meu peito e a suspirar das profundezas do meu coração. E assim permaneci chorando, quando vi acima, um ícone da Santíssima Mãe de Deus. E voltando para ela meus olhos do corpo e da alma eu disse: “Ó Senhora, Mãe de Deus, que deste à luz na carne a Deus, a Palavra; eu sei, ó quão bem eu sei, que não há nenhuma honra ou louvor para ti, quando alguém tão impura e depravada como eu olha para teu ícone, ó sempre Virgem, que mantiveste vosso corpo e alma na pureza. Certamente inspiro desprezo e desgosto ante tua pureza virginal. Mas já ouvi que Deus, que nasceu de ti, se tornou homem para chamar pecadores à conversão. Então, ajuda-me, pois não tenho outro auxílio. Ordena que os portais da igreja se abram para mim. Permite-me ver a venerável árvore na qual Ele que nasceu de ti, sofreu na carne e na qual Ele derramou seu preciosíssimo Sangue pela redenção dos pecadores e para mim, indigna como sou. Seja minha testemunha fiel diante de teu Filho que eu nunca mais corromperei meu corpo na impureza da fornicação, mas tão logo eu veja a árvore da Cruz, renunciarei ao mundo e às suas tentações e irei aonde quer que me conduzas.”

Assim falei e como se recobrasse nova esperança, com fé firme e sentindo alguma confiança na misericórdia da Mãe de Deus, deixei o lugar onde tinha ficado rezando. E fui novamente, misturada à multidão que fazia seu caminho dentro do templo. E ninguém parecia impedir-me, ninguém estorvou minha entrada na igreja. Fiquei possuída de tremor e estava quase à beira do delírio. Tendo chegado tão próximo das portas, o que eu não conseguira antes, como se a mesma força que me impedira agora abrisse caminho para mim, eu agora entrava sem dificuldade e me encontrei no lugar santo. E então vi a Cruz vivificante. Vi também os Mistérios de Deus e como o Senhor aceita o arrependimento. Jogando-me ao chão, adorei aquela terra santa e tremendo, beijei-a. Então saí da igreja e fui àquela que prometeu ser minha segurança, ao lugar onde eu selei meu voto. E dobrando meus joelhos diante da Virgem Mãe de Deus dirigi a ela estas palavras: “Ó amável Senhora, tu me mostraste teu grande amor por todos os homens. Glória a Deus, que aceita o arrependimento de pecadores através de ti. O que mais posso lembrar ou dizer, eu que sou tão pecadora? É hora para mim, ó Senhora, de cumprir meu voto, de acordo com o teu testemunho. Agora, conduz-me pela mão pelo caminho do arrependimento!”

E ao dizer estas palavras ouvi uma voz do alto: “Se tu atravessares o Jordão irás encontrar glorioso repouso”. Ouvindo esta voz e crendo que eram para mim, gritei para a Mãe de Deus: “Ó Senhora, Senhora, não me abandones!”

A história é bela e comovedora. Maria estava ainda afundada em seu pecado, à procura de mais pessoas a quem ensinar suas imoralidades, e Deus lhe mostrou — fortiter et suaviter, como só Ele é capaz — que sua vida desregrada precisava mudar.

“Santa Maria do Egito”, por José de Ribera.

Ela então caiu em si e recorreu a quem? A Maria, Mãe de Deus! Mas se foi Deus quem a fez despertar de seu sono de pecado, por que recorrer a outrem? Se é Ele que salva, por que dirigir-se a ela? Ora, muito simples — e Santa Isabel o intuiu no Evangelho (cf. Lc 1, 43), e os primeiros cristãos o entenderam ao compor a oração Sub tuum praesidium, e Maria do Egito demonstrou ter entendido o mesmo com sua súplica: assim como Deus quis desposar a humanidade na Encarnação servindo-se de Maria, Ele quer se unir a nossas almas também através dela.

Santo Tomás diz algo parecido ao comentar a passagem das bodas de Caná: observando que o evangelista diz primeiro: “achava-se ali a mãe de Jesus”, para só depois mencionar a presença de Cristo e de seus Apóstolos (cf. Jo 2, 2) na festa, o Aquinate afirma que “a bem-aventurada Virgem, mãe de Jesus, está presente nos matrimônios espirituais como aquela que une os esposos [nuptiarum consiliatrix], pois é por sua intercessão que as almas se unem a Cristo pela graça” [3].

Maria do Egito dá testemunho, no entanto, de que a intercessão de Nossa Senhora não só a uniu a Cristo, como a manteve firme nessa união. Depois de deixar aquela igreja em Jerusalém, atravessar o rio Jordão e chegar ao deserto (onde ela passou, como se sabe, o resto de seus dias), as batalhas que ela travou com o demônio foram intensas, e em todas elas foi a Mãe de Deus que a valeu:

Creia-me, Pai, por dezessete anos vivi nesse deserto lutando contra feras selvagens — desejos loucos e paixões. Quando ia me alimentar eu costumava lamentar a carne e o peixe que eu tinha em abundância no Egito. Lamentava também não ter vinho que eu apreciava tanto, pois eu bebia muito vinho quando vivia no mundo, enquanto aqui eu nada tinha, nem mesmo água. Queimava-me até sucumbir de sede. Um desejo atroz de canções libertinas também me perturbavam e me confundiam grandemente, levando-me quase a cantar canções satânicas, que eu tinha aprendido antes. Mas quando esses desejos me vinham, eu batia no peito e me recordava do voto que tinha feito antes de vir para o deserto. Em meus pensamentos voltava-me para o ícone da Mãe de Deus que me tinha recebido e a quem clamava na oração. Implorava-lhe para dar caça a esses pensamentos, diante dos quais minha alma estava sucumbindo. E depois de chorar por longo tempo e batendo no peito, eu costumava ver uma luz que parecia brilhar sobre mim de algum lugar. E depois da violenta tempestade finalmente vinha a paz.

E como posso dizer-lhe sobre os pensamentos que me instavam à fornicação, como posso expressá-los a ti, Pai? Um fogo inflamava meu miserável coração que parecia queimar-me completamente e me despertava uma sede de abraços. Tão logo esse desejo me surgia, eu jogava-me ao solo e molhava-o de lágrimas, como se visse diante de mim minha testemunha, que tinha me aparecido em minha desobediência e que parecia ameaçar punição para o castigo. E eu não me erguia do chão (algumas vezes ficava lá prostrada por um dia e uma noite), até que a calma e a doce luz descesse e me iluminasse e pusesse em fuga os pensamentos que me possuíram. Mas sempre eu voltava os olhos de minha mente para minha protetora, pedindo-lhe para estender seu auxílio a uma que estava afundando rápido nas dunas do deserto. E sempre a tive como meu socorro e aquela que aceitava meu arrependimento. E assim vivi por dezessete anos, entre constantes perigos. E desde então a Mãe de Deus me auxilia em tudo e me conduz como se pela mão fosse.

Santa Maria do Egito recebeu ainda, antes de morrer, uma visita especial de Jesus sacramentado: aquela que, por sua impureza, se vira impedida de entrar na casa de Deus, por sua penitência terminou “atraindo” o próprio Deus para o seu deserto.

Assim acaba sua história neste mundo, assim Santa Maria do Egito nasce para o Céu. Há uma porção de detalhes de sua biografia dos quais poderíamos extrair ainda um sem número de lições, mas deixemos isso para outra ocasião. Por ora, sirvamo-nos desse belo relato de conversão para meditarmos em nossa própria vida, no modo como Deus nos visitou para fazer-nos entrar em sua Igreja, e em como Ele nos chamou para fazer penitência no deserto desta vida.

Em primeiro lugar, alegremo-nos por tantas “portas fechadas” em nossa cara ao longo desta vida; bendigamos ao Senhor por todas as “desgraças” que nos sucederam, mas que se revelaram, ao fim e ao cabo, grandes instrumentos da Providência para a nossa salvação! A frase pode estar banalizada, mas, de fato, Deus nos fecha portas agora porque tem outras para nos abrir. Dizendo de outro modo, é melhor que nos sejam negadas certas coisas aqui, que soframos certas penas aqui, que nos sejam fechadas certas portas aqui, do que sermos barrados na entrada do Reino dos céus.

Mas se as palavras “penitência”, “deserto” e “sofrimento” nos parecem duras e nos fazem querer desanimar, não nos esqueçamos da grande paz e doçura que acompanham a entrega dos que amam a Deus — paz e doçura que os mundanos não encontram em seus pecados!

Com efeito, quem olhasse para Maria Egipcíaca prostituída, antes de seu encontro com Cristo crucificado, com que pena não veria, no fundo de seu olhar, o vazio angustiante de quem estava gastando todas as suas energias numa procura vã de felicidade! Aquela mulher sensual nunca imaginaria a reviravolta que aconteceria em sua vida… E, no entanto, se colocássemos lado a lado, no leito de morte, a Maria pecadora e a Maria penitente, e perguntássemos a uma e a outra se se arrependia da vida que tinha levado… a primeira certamente diria que sim — e daria tudo para voltar atrás e refazer-se —, mas a segunda com certeza responderia que não

Por quê? Porque Santa Maria do Egito, a Penitente, havia encontrado, no deserto com Deus, a paz que o mundo não pode dar (cf. Jo 14, 27). Dali ela seguiria rumo à Jerusalém celeste, sim; rumo à Terra Prometida do Céu, onde não há luto, nem lágrimas, nem dor, nem escuridão. Mas já aqui, através da fé, ela pôde experimentar um prelúdio de tudo isso — e de ter entregado sua vida ao Amor ela não poderia arrepender-se jamais [4].

Referências

  1. O texto latino completo pode ser consultado facilmente na Patrologia Latina, v. 73, col. 672-690, mas há uma tradução em português do relato no site ortodoxo Ecclesia.
  2. Cf. S. Th. I-II, q. 113, a. 9.
  3. Comentário ao Evangelho de São João, II, 1, n. 343.
  4. A frase: “Não! Não me arrependo de me ter entregue ao Amor!” faz parte do testamento de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face (cf. Últimos Colóquios, Caderno Amarelo, 30 set.).

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Ladainha do Espírito Santo
Oração

Ladainha do Espírito Santo

Ladainha do Espírito Santo

Repleta de invocações à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, esta conhecida ladainha é muito recomendável, especialmente para estes dias que precedem a grande festa de Pentecostes.

Equipe Christo Nihil Praeponere17 de Maio de 2021Tempo de leitura: 3 minutos
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Ainda que de uso privado, é muito tradicional esta ladainha em honra ao divino Espírito Santo. Por suas inúmeras invocações à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, ela costuma ser adicionada às novenas de Pentecostes. Para os que se consagram à Santíssima Virgem pelo método de S. Luís Maria Grignion de Montfort, trata-se de uma das orações preparatórias que se rezam ao longo de vários dias. 

Nestes dias que precedem a grande festa do Espírito Santo, é muito apropriada a sua recitação, individualmente ou em família.


Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós

Divino Espírito Santo, ouvi-nos.
Espírito Paráclito, atendei-nos

Deus Pai dos céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Espírito da verdade, tende piedade de nós.
Espírito da sabedoria, tende piedade de nós.
Espírito da inteligência, tende piedade de nós.
Espírito da fortaleza, tende piedade de nós.
Espírito da piedade, tende piedade de nós.
Espírito do bom conselho, tende piedade de nós.
Espírito da ciência, tende piedade de nós.
Espírito do santo temor, tende piedade de nós.
Espírito da caridade, tende piedade de nós.
Espírito da alegria, tende piedade de nós.
Espírito da paz, tende piedade de nós.
Espírito das virtudes, tende piedade de nós.
Espírito de toda a graça, tende piedade de nós.
Espírito da adoção dos filhos de Deus, tende piedade de nós.
Purificador das nossas almas, tende piedade de nós.
Santificador e guia da Igreja Católica, tende piedade de nós.
Distribuidor dos dons celestes, tende piedade de nós.
Conhecedor dos pensamentos e das intenções do coração, tende piedade de nós.
Doçura dos que começam a vos servir, tende piedade de nós.
Coroa dos perfeitos, tende piedade de nós.
Alegria dos anjos, tende piedade de nós.
Luz dos patriarcas, tende piedade de nós.
Inspiração dos profetas, tende piedade de nós.
Palavra e sabedoria dos apóstolos, tende piedade de nós.
Vitória dos mártires, tende piedade de nós.
Ciência dos confessores, tende piedade de nós.
Pureza das virgens, tende piedade de nós.
Unção de todos os santos, tende piedade de nós.

Sede-nos propício, perdoai-nos, Senhor.
Sede-nos propício, atendei-nos, Senhor

De todo o pecado, livrai-nos, Senhor.
De todas as tentações e ciladas do demônio, livrai-nos, Senhor.
De toda a presunção e desesperação, livrai-nos, Senhor.
Do ataque à verdade conhecida, livrai-nos, Senhor.
Da inveja da graça fraterna, livrai-nos, Senhor.
De toda a obstinação e impenitência, livrai-nos, Senhor.
De toda a negligência e tepor do espírito, livrai-nos, Senhor.
De toda a impureza da mente e do corpo, livrai-nos, Senhor.
De todas as heresias e erros, livrai-nos, Senhor.
De todo o mau espírito, livrai-nos, Senhor.
Da morte má e eterna, livrai-nos, Senhor.
Pela vossa eterna procedência do Pai e do Filho, livrai-nos, Senhor.
Pela milagrosa conceição do Filho de Deus, livrai-nos, Senhor.
Pela vossa descida sobre Jesus Cristo batizado, livrai-nos, Senhor.
Pela vossa santa aparição na transfiguração do Senhor, livrai-nos, Senhor.
Pela vossa vinda sobre os discípulos do Senhor, livrai-nos, Senhor.
No dia do juízo, livrai-nos, Senhor

Ainda que pecadores, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que nos perdoeis, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis vivificar e santificar todos os membros da Igreja, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis conceder-nos o dom da verdadeira piedade, devoção e oração, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis inspirar-nos sinceros afetos de misericórdia e de caridade, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis criar em nós um espírito novo e um coração puro, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis conceder-nos verdadeira paz e tranquilidade do coração, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis fazer-nos dignos e fortes, para suportar as perseguições pela justiça, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis confirmar-nos em vossa graça, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis receber-nos no número dos vossos eleitos, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis ouvir-nos, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Espírito de Deus, nós vos rogamos, ouvi-nos

Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, enviai-nos o Espírito Santo.
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, mandai-nos o Espírito prometido do Pai.
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, dai-nos o Espírito bom

Espírito Santo, ouvi-nos.
Espírito consolador, atendei-nos

℣. Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e tudo será criado,
℟. E renovareis a face da terra.

Oremos. Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

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5 razões pelas quais os cristãos são o inimigo público número um
Sociedade

5 razões pelas quais os cristãos
são o inimigo público número um

5 razões pelas quais os cristãos são o inimigo público número um

Qualquer ideologia é completamente incompatível com a religião cristã. Quando surge uma nova ideologia, somos nós que dizemos, coçando a cabeça: “Isso não está certo”. Somos aqueles que estão dispostos a dizer: “Se alguém prometer o céu na terra, não morda a isca”.

Jennifer Roback MorseTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere13 de Maio de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
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Irmãos em Cristo, já tiveram a impressão de que estamos na mira de todo tipo de grupo ideológico? Eu, sem dúvida, já tive. Pensei muito sobre isso, e acho que descobri um padrão que explica por que sempre temos problemas com “a mais recente, a maior e a derradeira moda ideológica”. 

Descobri esse padrão pela primeira vez em meu estudo sobre a revolução sexual. 

1.º passo: Alguém vende ao público um ideal utópico, um paraíso na terra, algo que parece atraente, mas completamente impossível. Até boas ideias e objetivos nobres podem ser corrompidos ao serem transformados em ideologias utópicas. Por exemplo, o sonho utópico dos comunistas é o paraíso dos trabalhadores da economia perfeita e da igualdade social. Ora, podemos eliminar parte da desigualdade, mas jamais teremos a perfeita igualdade em todas as dimensões. Isto é completamente impossível.

Alguns ambientalistas querem eliminar toda a poluição, todas as emissões de carbono. Impossível. Reduzir a poluição? Com certeza podemos fazer isso. Mas eliminá-la não é possível.

Algumas pessoas do establishment da saúde pública querem eliminar todos os casos de Covid. Reduzir o número de casos? Com certeza. Eliminar todos? Impossível.

Naturalmente, a revolução sexual resume-se a criar um paraíso sexual na terra, onde cada adulto poderá ter as relações sexuais que quiser, e nenhum mal jamais ocorrerá. 

2.º passo: As mesmas pessoas que vendem a fantasia também vendem a si mesmas como a potencial classe salvadora que pode tornar esse sonho uma realidade. Bastaria…

3.º passo: Dar a elas poder suficiente. Fazer o impossível requer muito poder. Portanto, a autointitulada “classe salvadora” exige poder ilimitado para transformar em realidade a fantasia onírica. Mas, mesmo com muito poder, essas pessoas não podem fazer o impossível. Portanto, têm de encher a sociedade… 

4.º passo: De propaganda ilimitada, que mantém as pessoas convencidas de que o sonho é desejável e possível. Finalmente (e isso muito importante), a propaganda deve fazer com que a atenção das pessoas se volte para… 

5.º passo: A classe que serve de bode expiatório. O cenário onírico jamais se materializará. Portanto, a classe salvadora precisa culpar alguém. Todas as ideologias totalitárias tiveram uma classe que lhes servisse de bode expiatório. Os comunistas culparam os kulaks, os camponeses ricos e os criptocapitalistas. Os nazistas culparam os judeus. Os revolucionários sexuais tratam como bode expiatório os cristãos que se recusam a aceitar a cartilha. 

Qualquer ideologia é completamente incompatível com a religião cristã. Revisemos os cinco elementos para entender a razão disso.

“Mártires cristãos adentrando o anfiteatro”, de Léon-François Benouville.

1. Uma ideologia promete primeiro o céu na terra. Mas Jesus nunca nos prometeu o céu na terra. Na verdade, Ele prometeu que seríamos perseguidos e teríamos problemas. Ele nos disse: “Tome cada um a sua cruz e siga-me”. Disse que deveríamos abandonar nossas famílias, nossos pertences e nossas reputações, qualquer coisa que interfira na cruz. Jesus não promete o paraíso na terra. Promete o paraíso no céu

2. A ideologia forja a necessidade de uma classe salvadora que possa tornar real esse paraíso na terra. Jesus nos proíbe de buscar uma classe salvadora. Ele é o único salvador. A religião cristã nos proíbe especificamente de atribuir o título de “salvador” a qualquer um, exceto a Jesus.

3. A classe salvadora pode nos salvar, desde que lhe concedamos poder suficiente para realizar a tarefa impossível que nos determinaram. Como cristãos, não temos permissão para fazer esse acordo. Temos o dever de dar a Deus o que é de Deus e a César o que é de César. Não é preciso dizer que não temos permissão para conceder poder ilimitado às elites políticas ou tecnocráticas. Temos de ouvir com respeito os especialistas de qualquer área, mas não devemos a eles obediência cega. Na verdade, eles devem oferecer respostas respeitosas às nossas dúvidas e preocupações. Afinal de contas, os especialistas em saúde pública, na chamada educação sexual, em ciência climática ou em economia global são cidadãos comuns como todos nós.

Nós, cristãos, temos essa ideia maluca de que as pessoas que detêm o poder não podem fazer o que bem entendem, e isso nos torna ainda mais incômodos para as elites no poder. Quem detém o poder não pode fazer o que quiser. A história do cristianismo está literalmente repleta de corpos de pessoas que enfrentaram os detentores do poder. Mais do que qualquer outra coisa, isso fez com que os cristãos enfrentassem problemas com as classes dominantes ao longo da história.

4. As ideologias precisam de propaganda ilimitada. Sejamos claros: a propaganda é uma forma de engano. Quando uma ideologia confere a si mesma a permissão para enganar, a fim de alcançar o sonho pretendido, o fiel cristão deve opor-se. O cristianismo afirma que existe uma coisa chamada verdade, que pode ser descoberta por meio da razão e da revelação, e que todos têm a responsabilidade de viver na verdade

5. Finalmente, a ideologia precisa culpar alguém quando as coisas não saem como planejado. Mas a religião cristã nos proíbe especificamente de tratar as pessoas como bodes expiatórios. Por acreditarmos no pecado original, não esperamos poder livrar a espécie humana de todo mal, se nos livrarmos de tais ou quais pessoas más. Quando o assunto é pecado, estamos todos no mesmo barco. Como disse Solzhenitsyn numa frase que ficou famosa: “A linha que divide o bem e o mal existe no coração de cada ser humano”. Naturalmente, existem graus de delitos pessoais. Há sociedades melhores e piores, é claro. Mas, independentemente do progresso que se possa atingir, jamais alcançaremos a perfeição. A promessa de que algum dia, de algum modo, chegaremos à perfeição está preparando o nosso caminho para o fracasso e a decepção

São as pessoas de fé a pedra no caminho da ideologia da moda. Quando surge uma nova ideologia, somos nós que dizemos, coçando a cabeça: “Isso não está certo”. Somos aqueles que estão dispostos a dizer: “Se alguém prometer o céu na terra, não morda a isca. Se é algo que parece muito bom para ser verdade, provavelmente não é nem bom nem verdadeiro”. 

Por isso os cristãos são o inimigo público número um.

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O segredo de Fátima do qual ninguém fala
Virgem Maria

O segredo de Fátima
do qual ninguém fala

O segredo de Fátima do qual ninguém fala

Mais de cem anos depois das aparições de Fátima, é hora de olhar bem de perto para os dois primeiros segredos revelados por Nossa Senhora aos três pastorinhos, e dos quais, infelizmente, não queremos ouvir falar...

Joseph PronechenTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere12 de Maio de 2021Tempo de leitura: 9 minutos
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Por que a maioria das pessoas ignora os dois primeiros segredos revelados por Nossa Senhora em Fátima num mês de julho, há 104 anos? O primeiro é sobre o inferno. Queremos realmente prestar atenção nele? A resposta parece ser não. A resposta se opõe ao caminho que o mundo tem seguido, particularmente nos últimos anos.

O primeiro segredo. — Em julho de 1941, a Irmã Lúcia revelou os dois primeiros segredos em suas Memórias, escritas sob orientação de seu bispo. Ela escreveu: “O segredo é composto de três partes distintas, duas das quais revelarei agora. A primeira parte é a visão do inferno”. 

Lúcia prosseguiu com a descrição:

Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de fogo que parecia estar debaixo da terra. Mergulhados nesse fogo, os demônios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas, com forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saíam juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faúlhas nos grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor. Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes e negros. 

Eis uma visão horripilante para qualquer um!

Ao relembrar o episódio, Lúcia explicou: 

Esta vista foi um momento, e graças à nossa boa Mãe do Céu, que antes nos tinha prevenido com a promessa de nos levar para o Céu (na primeira aparição)! Se assim não fosse, creio que teríamos morrido de susto e pavor. Em seguida, levantamos os olhos para Nossa Senhora que nos disse com bondade e tristeza: ‘Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores; para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção a Meu Imaculado Coração.’” 

Naquele mesmo instante Nossa Senhora deu a solução, o caminho seguro para evitar o fogo eterno.

Embora queiramos nos concentrar nessa parte do primeiro segredo, vejamos o que Nossa Senhora continuou dizendo naquela ocasião.

Ela prosseguiu: 

Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar. Mas, se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite, alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai a punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre.

Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia a Meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a Meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja; os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas, por fim o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz. 

Embora hoje muitas pessoas não queiram “assustar” adultos com a ideia de “inferno” ou com a palavra, Nosso Senhor não teve vergonha de usá-la (basta verificar os Evangelhos) e tampouco sua Mãe, tudo para o nosso bem e para o triunfo final: chegar ao Céu.

Lembre-se que esses videntes eram crianças na época. Lúcia tinha 10 anos, São Francisco, 9, e Santa Jacinta, 7.

Mais tarde no convento, Lúcia escreveu o seguinte ao seu bispo: “Até as pessoas devotas às vezes têm medo de falar com as crianças sobre o inferno para que não fiquem amedrontadas, mas Deus não hesitou em mostrá-lo a três crianças [...] bem sabendo que elas ficariam horrorizadas a ponto de (eu ousaria dizer) terem ficado paralisadas de medo.” Porém, quantos adultos ainda nunca ouviram falar sobre o inferno?

Santa Jacinta responde. — A pequena Jacinta ficou tão abalada e emocionada, que respondeu imediatamente. 

Tenho tanta pena dos pecadores! Se eu pudesse mostrar o inferno a eles!”, exclamou. Ela se agarrava a Lúcia e dizia: “Eu vou para o Céu; mas tu que ficas cá, se Nossa Senhora te deixar, diz a toda a gente como é o inferno, para que não façam mais pecados e não vão para lá.” 

Em outras ocasiões, depois de refletir por um tempo, ela dizia: “Tanta gente a cair no inferno, tanta gente no inferno!”

Para tranquilizá-la, Lúcia dizia: “Não tenhas medo; tu vais para o Céu.”

“Pois vou”, dizia com paz, “mas eu queria que toda aquela gente para lá fosse também!”

Ela obedeceria ao pedido feito por Nossa Senhora para ajudar a converter os pecadores e salvá-los do inferno. Por exemplo, embora estivesse muito doente, ainda assistia à Missa durante a semana. Quando Lúcia a exortou: “Jacinta, não venhas; tu não podes”, sua prima respondeu: “Não importa. Vou pelos pecadores que nem ao domingo vão.” 

Lúcia acreditava que Deus havia dado à sua jovem prima uma graça especial para isso por meio do Imaculado Coração de Maria. Jacinta “olhara para o inferno e vira a ruína das almas que para lá vão”. Muitas vezes se sentava no chão e, pensativa, exclamava: “O inferno! o inferno! que pena eu tenho das almas que vão para o inferno! E as pessoas lá vivas a arder como a lenha no fogo!”

Quando Lúcia a via muitas vezes mergulhada em alguma reflexão e lhe perguntava sobre o que estava pensando, Jacinta frequentemente respondia: “Nessa guerra que há-de vir, tem tanta gente que há-de morrer e ir para o inferno. Que pena! Se deixassem de ofender a Deus, nem vinha a guerra, nem iam para o inferno!”

Jacinta dizia que os pecados da carne são os que mais ofendem a Deus

Porém, para salvar os pecadores, Jacinta sempre fazia algo por causa dos temores que sentia por eles. Ela ajoelhava e rezava a oração que Nossa Senhora havia ensinado às crianças: “Ó, meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente as que mais precisarem.”

Lúcia relatou como Jacinta permanecia de joelhos por longos períodos, dizendo a mesma oração repetidas vezes.

Quando rezavam o Rosário, as crianças nunca se esqueciam de incluir depois de cada dezena a oração que Nossa Senhora também quer que rezemos após cada dezena. 

Muito tempo depois, numa carta escrita em 1941, Lúcia afirmou ao bispo: “Agora, Ex.mo e Rev.mo Senhor Bispo, já V. Ex.cia Rev.ma compreenderá por que a mim me ficou a impressão de que as últimas palavras desta oração se referiam às almas que se encontram em maior perigo ou mais iminente de condenação.”

Jacinta mostrava ter grande compaixão ao dizer (referindo-se a um pecador em particular): “Temos que rezar e oferecer sacrifícios a Nosso Senhor, para que o converta e não vá para o inferno, coitadinho!”

Ela motivava sua prima e o irmão dela, Francisco, a rezar pelos pecadores junto com ela. “Temos de rezar muito para salvar as almas do inferno!”, repetia. “Tantas almas vão para lá! Tantas!”

Ela seguia a recomendação de Nossa Senhora de Fátima para usar a prática da mortificação: “Rezai, rezai muito, e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno, por não haver quem se sacrifique e peça por elas.”

Quando Jacinta ficava especialmente preocupada, seu irmão Francisco lhe dizia: “Não penses tanto no inferno! Pensa antes em Nosso Senhor e Nossa Senhora. Eu não penso nele, para não ter medo.”

Naturalmente, ela não temia por si, mas pelos pecadores. Esta era sua atitude constante: “Perdoa-lhes, meu Jesus, e converte-os. Decerto não sabem que, com isto, ofendem a Deus. Que pena, meu Jesus! Eu rezo por eles…”. E imediatamente repetia a oração que Nossa Senhora ensinara: “Ó meu Jesus, perdoai-nos…”.

Sabemos que outro santo levou tudo isso a sério. Dom Paolo Carta, bispo italiano, recordando as solicitações de Nossa Senhora de Fátima, disse: “A ansiedade materna do Imaculado Coração de Maria pelas almas que vão para o inferno invadiu de forma profunda e completa o coração do Padre Pio, que fez de sua vida inteira um grande sacrifício a Nosso Senhor para afastar as almas da condenação eterna.”

O bispo observa que, em Fátima, Nossa Senhora pediu particularmente a récita do Rosário. “E quem poderia contar as horas que Padre Pio passou em oração pela conversão e salvação dos pecadores?”

Havia também a devoção dos cinco primeiros sábados, que deveríamos “praticar por toda a vida pelo bem de nossa alma e das almas dos nossos próximos também. Nossa Senhora nos disse que almas estão se perdendo no inferno porque não havia ninguém que fizesse reparação por seus pecados. Ela implora que façamos isso por eles. Como podemos negar-lhe isso?”

O presidente internacional do World Apostolate of Fatima, Américo Pablo Lopez-Ortiz, revelou que os videntes de Fátima descobriram “o infinito oceano de amor e misericórdia que é Deus”, e por meio do coração de Maria descobriram “a infinita misericórdia de Deus com os pobres pecadores e a terrível ameaça que enfrentam: a existência do inferno, criado para aqueles que por orgulho não aceitam a misericórdia de Deus”. 

O autor e escultor Pe. Thomas McGlynn, que esteve em Fátima, acreditava no seguinte: “A enormidade da rebelião da humanidade contra Deus e a infinita aversão de Deus ao pecado formam o fundamento da mensagem de Fátima. Então, Ele dá esperança ao pecador ao revelar que aceitará o arrependimento feito por meio do Imaculado Coração de Maria. Fátima manifesta os mais incompreendidos dos atributos divinos: justiça e misericórdia.” Nossa Senhora “veio para nos dizer como não ir para o inferno!”

Mas quantos escutam Nossa Senhora?

A Irmã Lúcia e São João Paulo II.

Esperança de evitar o inferno. — Depois de revelar o primeiro segredo, Lúcia revelou a seu bispo o segundo, que diz respeito a todos nós. O segundo segredo nos enche de esperança, porque mostra o caminho para o céu.

Lúcia escreveu: “A segunda parte diz respeito à devoção ao Imaculado Coração de Maria.”

Jacinta disse o seguinte a Lúcia: “Aquela Senhora disse que o Seu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá a Deus. Não gostas tanto? Eu gosto tanto do seu Coração! É tão bom!”

Quando Jacinta ia colher flores silvestres, cantava: “Doce Coração de Maria, sede a minha salvação! Imaculado Coração de Maria, converte os pecadores, livra as almas do inferno!

Lúcia disse ao bispo: “Nossa Senhora nos disse no segredo de julho que Deus queria estabelecer no mundo a devoção ao Imaculado Coração de Maria — estarei sempre convosco, e meu Imaculado Coração será vosso consolo e o caminho que vos levará a Deus. E Nossa Senhora garantiu: ‘No final, meu Imaculado Coração triunfará’”.

Isso fará com que mudemos de direção e tenhamos certeza de estar a caminho do céu.

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Rogações: o que são e por que resgatá-las?
Liturgia

Rogações: o que são
e por que resgatá-las?

Rogações: o que são e por que resgatá-las?

O que fazer diante de doenças, guerras ou desastres naturais? Os santos e a liturgia tradicional da Igreja têm a resposta! Saiba em que consistem as “Rogações” e como podemos pôr em prática, ainda hoje, esse costume da Igreja.

Equipe Christo Nihil Praeponere7 de Maio de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
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Não é novidade para ninguém que vivemos um tempo de descrença generalizada. Mas o que os cristãos faziam antigamente, ao confrontar fome, guerras, terremotos e desastres naturais em geral? Que resposta eles dariam, por exemplo, à atual pandemia do coronavírus?

Muito simples: eles se voltariam a Deus

Foi num ambiente de fé católica assim que nasceram as Rogações, “dias de oração, e antigamente também de jejum, instituídos pela Igreja para aplacar a ira de Deus sobre as transgressões dos homens, para pedir proteção em meio às calamidades e para obter uma boa e abundante colheita”.

Até a reforma litúrgica ocorrida após o Concílio Vaticano II, havia no calendário romano geral duas celebrações específicas nesse sentido. 

A primeira, chamada de “Ladainhas maiores” e regulada por S. Gregório Magno († 604), acontecia em 25 de abril, dia em que seria instituída, posteriormente, a festa de S. Marcos:

As Ladainhas maiores foram instituídas para cristianizar uma procissão pagã que todos os anos, a 25 de abril, saindo para lá dos muros de Roma, ia para o campo imolar um cordeiro em honra de Robigus, deus do gelo. Tornada cristã, a procissão acabava pela missa em S. Pedro. Tais como as Ladainhas menores ou Rogações, de data mais recente, estas orações públicas pedem a Deus que afaste os flagelos e espalhe a sua bênção sobre as colheitas [1].

A segunda, denominada “Ladainhas menores” e prescrita para toda a Igreja por Leão III († 816), acontecia ao longo de três dias — a segunda, terça e quarta-feiras precedentes à festa da Ascensão do Senhor [2]:

Por motivo de calamidades públicas, que, no século V, flagelaram a diocese de Viena, no Delfinado, S. Mamerto estabeleceu uma procissão solene de penitência, nos dias que precedem a festa da Ascensão. Uma prescrição do concílio de Orleans, de 511, espalhou este uso em toda a França. Não tardou a estender-se à Igreja universal. Sem deixar de implorar as bênçãos de Deus para toda a Igreja, as Rogações tornaram-se, atualmente, uma prece para obter a bênção de Deus para as colheitas.

O canto das ladainhas dos santos levou a dar a estes dias de preces públicas a designação de dias de rogações; mas, porque em Roma existia já uma procissão semelhante, no dia 25 de abril, as Rogações começaram a denominar-se Ladainhas menores, e a procissão de 25 de abril, Ladainhas maiores [3].

Em ambas as celebrações, o sacerdote vestia o violáceo penitencial, cantava-se a Ladainha de Todos os Santos e realizava-se uma procissão logo após a primeira invocação de Nossa Senhora. Se necessário, repetia-se a ladainha e se cantavam alguns dos salmos penitenciais ou graduais. Depois, rezava-se a Missa votiva das Rogações, com textos próprios que ressaltavam principalmente a eficácia de nossas orações, quando feitas com humildade, confiança e perseverança. A Epístola, por exemplo, tomada de S. Tiago, ensinava que 

a oração fervorosa do justo pode muito. Elias era um homem sujeito ao sofrimento como nós: orou com instância, para que não chovesse sobre a terra, e durante três anos e seis meses não choveu. Depois, orou de novo, e o céu deu chuva, e a terra os seus frutos (Tg 5, 16s). 

O Evangelho, por sua vez, narrava a parábola do amigo inoportuno e concluía com a célebre ordem de Nosso Senhor: “Pedi e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á” (Lc 11, 9).

Mas o que aconteceu com esses dias especiais de súplica na Igreja? 

“Bênção dos campos de trigo em Artois”, por Jules Breton.

Infelizmente, no Novus Ordo, eles sumiram do mapa. A exemplo das Quatro Têmporas, porém — sobre a qual já falamos aqui —, tampouco as Rogações foram abolidas. O Cerimonial dos Bispos prevê a sua celebração: “Nas rogações e nas quatro têmporas a Igreja costuma orar ao Senhor pelas várias necessidades dos homens, sobretudo pelos frutos da terra e pelos trabalhos dos homens e render-lhe publicamente ação de graças” (n. 381). E o Missal Romano, em suas “Normas universais para o ano litúrgico”, prescreve: “Para que as Rogações e as Quatro Têmporas do ano possam adaptar-se às diversas necessidades dos lugares e dos fiéis, convém que as Conferências Episcopais determinem o tempo e o modo como devem ser celebradas”. 

No Brasil, a CNBB decidiu, durante Assembleia Geral, em 1971, “que a regulamentação da celebração das Têmporas e Rogações fique a critério das Comissões Episcopais Regionais”. Como não se tem notícia de nenhuma previsão nesse sentido, só restou aos católicos uma forma de celebrar esses dias: privadamente

Fica pois a sugestão para o dia 25 de abril e os outros três que antecedem a Ascensão do Senhor (neste ano de 2021, trata-se dos dias 10, 11 e 12 de maio). Em casa, nestas datas, além da récita do santo Terço e das devoções habituais em família, é possível acrescentar a Ladainha de Todos os Santos e a oração de um ou mais salmos penitenciais — e as intenções das orações podem ser tantas quantas são as necessidades dos homens: desde os problemas particulares de cada pessoa e família até a crise sanitária e política que estamos vivendo a nível mundial. O importante é usar esse tempo para intensificar as nossas orações, sabendo que Deus quer derramar graças abundantes sobre nós.

Os paramentos violáceos que se usavam nestes dias, em pleno Tempo de Páscoa, também podem ser para nós um sadio lembrete de que, neste mundo, não podemos dispensar por completo a prática da mortificação. Pois “o vosso adversário, o diabo, rodeia como um leão a rugir, procurando a quem devorar” (1Pd 5, 8). Se o inimigo de nossa alma não descansa nem nos festivos dias de Páscoa, tampouco nós podemos descuidar da grande obra de nossa salvação eterna. Por isso, se possível, não deixemos de oferecer nesses dias, também, alguma penitência a Deus.

É claro que, para os fiéis que assistem à Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano — agora amplamente disseminada, graças ao Summorum Pontificum, do Papa Bento XVI —, as Rogações continuam a ser uma realidade litúrgica viva, um elemento importante do culto público da Igreja. Para a maioria de nós, porém, fica a esperança de que, num futuro não muito distante, tradições como essa sejam resgatadas e ganhem de novo lugar de honra na liturgia católica.

Lembremo-nos da história: essas preces públicas e procissões penitenciais começaram humildes e despretensiosas, numa e outra diocese, e a Providência cuidou do resto. Quem sabe se não é a partir de iniciativas pequenas, em nossas famílias e paróquias, que as Rogações voltarão a ser praticadas em toda a Igreja — alcançando também agora, como antes, os favores do céu?

Notas

  1. Missal Romano Quotidiano, por D. Gaspar Lefebvre e os Monges Beneditinos de S. André. Trad. dos Monges Beneditinos de Singeverga. Bruges: Biblica, 1963, p. 1040.
  2. Lembrando que, assim como Jesus subiu aos céus quarenta dias após ressuscitar, na liturgia, a Ascensão do Senhor também é celebrada quarenta dias após a Páscoa da Ressurreição, ou seja, na quinta-feira da 6.ª Semana da Páscoa. No Brasil, essa festa é transferida para o domingo seguinte, sobrepondo-se ao 7.º Domingo da Páscoa. 
  3. Missal Romano Quotidiano, p. 521s.

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