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Bebê é sentenciado à morte por Tribunal Europeu dos “Direitos Humanos”
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Bebê é sentenciado à morte por Tribunal
Europeu dos “Direitos Humanos”

Bebê é sentenciado à morte por Tribunal Europeu dos “Direitos Humanos”

Descubra o que está por trás da sentença de morte do pequeno Charlie Gard, o bebê cuja vida e família foram simplesmente “atropeladas” pela decisão irrecorrível de um tribunal.

Matt Walsh,  The BlazeTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere29 de Junho de 2017
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Está-se passando no Reino Unido um caso terrível, ao qual os jornais aqui, de forma geral, não deram um pingo de atenção. Mas eles deveriam. Porque, se olharmos bem de perto, podemos enxergar nele o nosso futuro, bem como o nosso presente.

Charlie Gard é um bebê de apenas 10 meses com uma doença rara chamada "síndrome de depleção do DNA mitocondrial". Trata-se de uma condição genética gravíssima, que leva ao mal funcionamento dos órgãos, lesões cerebrais e outros sintomas. O hospital infantil Great Ormond Street, de Londres, sob cujos cuidados estava o garoto, declarou que não há mais nada a ser feito por ele e determinou que fossem desligados os aparelhos que o mantêm vivo. No parecer dos médicos, o menino deveria "morrer com dignidade", mas os pais, Chris Gard e Connie Yates, definitivamente não estão de acordo.

Este é o ponto mais importante a ser entendido: os pais não estão insistindo para que Charlie se mantenha ligado aos aparelhos. O que eles querem é tirá-lo do hospital e levá-lo aos Estados Unidos para ser submetido a uma forma de terapia experimental, e que um médico norte-americano já concordou em ministrar à criança. Chris e Connie conseguiram levantar mais de 1,6 milhão de libras para financiar este último e desesperado esforço para salvar a vida de seu filho. Tudo o que eles precisavam do hospital britânico era a liberação da criança aos cuidados dos pais — o que não parece ser um pedido assim tão absurdo. Eles deixariam o país, então, e tentariam a sorte com este tratamento no exterior: mesmo que fosse pequena a chance de isso dar certo, seria sem dúvida melhor do que simplesmente ficar sentado, assistindo ao seu filho morrer.

É aqui, então, que as coisas se tornam verdadeiramente insanas e barbáricas. O hospital se recusou a entregar Charlie de volta aos seus pais. A questão foi parar na Justiça e, finalmente, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos acaba de proibir os pais de levarem o seu filho para receber tratamento nos Estados Unidos. De acordo com a sentença, é um "direito humano" de Charlie expirar na sua cama de hospital em Londres; os pais não estão autorizados a tentar salvar a sua vida; faz parte "de seu maior interesse" simplesmente morrer.

Na Europa, a "morte com dignidade" sobrepõe-se a todos os direitos.

Na Europa, uma mãe pode matar o seu filho, mas não pode mantê-lo vivo.

Mais uma vez, trata-se de algo barbárico.

Tenho ouvido muitas pessoas racionalizando essa decisão demente com o argumento de que "os médicos entendem melhor" sobre o assunto. Isso pode muito bem ser relevante e verdadeiro em situações nas quais os familiares tentam forçar os médicos a tratamentos que eles, como profissionais, sabem que não funcionarão. Mas não é isso o que está acontecendo aqui. A única coisa que esses pais estão tentando "forçar" os médicos a fazer é liberar o seu filho, a fim de que ele possa ser levado a médicos diferentes, em um país diferente. Os médicos podem até ser a autoridade final a respeito de que medidas eles pessoalmente tomariam, mas não são a autoridade final sobre a vida em si mesma. Uma coisa é eles dizerem: "Eu não farei este tratamento"; outra bem diferente é eles sentenciarem: "Vocês não estão autorizados a pedir este tratamento a ninguém. A criança deve morrer." A primeira afirmativa é razoável; a segunda é bárbara e chama-se eutanásia.

O bebê Charlie Gard, com seus pais.

Tenho visto algumas pessoas nas redes sociais qualificando o caso como "inimaginável" ou "incompreensível". Trata-se certamente de algo terrível, mas infelizmente não foge à minha compreensão nem excede os limites de minha capacidade imaginativa. Esses tipos de casos são inevitáveis na Europa e, a menos que aconteça uma mudança drástica no curso das coisas, em breve se tornarão comuns também deste lado do Atlântico. Já está tudo sendo cuidadosamente delineado nesse sentido. Basta levar em consideração os dois seguintes fatores.

Primeiro, é isso o que acontece quando os direitos dos pais são subordinados ao Estado.

Esse caso trouxe à tona algumas questões de relevância máxima. Quem deve deter a palavra final sobre uma criança? Devem ser os seus pais, ou um grupo de médicos, juízes e burocratas? Se os pais não têm precedência em uma situação que envolva a vida e a morte, que direito eles possuem? Se eu não tenho poder de decisão quando a vida de meu filho está em jogo, que raio de poder, então, realmente me cabe?

Na Europa, é assim que as coisas têm funcionado: um pai pode até ter alguma "jurisdição" sobre as menores minúcias da vida diária de seus filhos, mas, quando se trata das grandes questões — como eles serão educados, como devem levar a vida, em que devem acreditar, quando devem morrer —, é cada vez mais da alçada do Estado determiná-las. Como diz um especialista em "ética médica" de Oxford, os direitos dos pais estão "no coração" das decisões médicas mais importantes, mas "tudo tem limites". Chris e Connie aparentemente atingiram os "limites" de sua autoridade parental e, agora, devem resignar-se enquanto seu filho agoniza até a morte. São esses, observem bem, os tais "limites" a que querem constringir a família. Você é pai até um certo ponto, a partir do qual o relacionamento com seu filho não conta para absolutamente mais nada.

Segundo, é isso o que acontece quando a vida humana deixa de ser vista como algo sagrado.

Qual o problema em levar uma criança aos Estados Unidos para receber tratamento? Pode não funcionar, é claro, mas por que não tentar? Os pais conseguiram levantar dinheiro suficiente para pagar tudo, incluindo uma ambulância aérea para transportar o bebê até a unidade de tratamento. Ninguém está sendo excessivamente onerado aqui. Ninguém está sendo forçado a fazer algo que não queria fazer. Existe alguma coisa a perder?

Olha, respondeu o Tribunal, só não vale a pena o transtorno. Eles analisaram todas as variáveis, usando as suas várias formulações, e chegaram à conclusão de que não faz sentido passar por todo esse transtorno na pequena esperança de salvar a vida de um ser tão "insignificante". Sim, eles usaram a desculpa de que a criança está "sofrendo" — e eu tenho certeza que está —, mas isso não justifica proibir os pais de esgotarem todas as opções possíveis para aliviar o sofrimento do seu filho. Morrer não é um plano de tratamento para o sofrimento. Morrer é morrer. É a destruição da vida. Todos nós vamos experimentar a morte um dia, mas a sua inevitabilidade não anula o valor e a dignidade da vida humana.

Tudo isso se resume, no fim das contas, ao fato de que os poderes vigentes não vêem o valor fundamental da vida. É por isso que você escuta essas pessoas falarem mais frequentemente da "dignidade" da morte do que da dignidade da vida. Eles defendem com unhas e dentes o "direito" de morrer, mas dão de ombros para — quando não militam contra — o direito à vida. As leis na Europa refletem essa ênfase na morte ao invés da vida: lá se matam as crianças nos ventres e, depois que nascem, a eutanásia espera por elas (sejam doentes terminais ou não). Uma vez que o "direito de morrer" é colocado acima do direito à vida, a morte continua a ganhar terreno e a devorar cada vez mais pessoas. A morte é uma força destrutiva. A que pode mais ela conduzir, senão à aniquilação?

Nós na América não estamos tão mal a este ponto, mas chegaremos lá. Só nos Estados Unidos, já matamos centenas de milhares de crianças no ventre de suas mães, e frequentemente falamos com admiração de pessoas que tomaram a "corajosa" decisão de cometer suicídio. Também nós, em muitas situações, infelizmente colocamos a autoridade do Estado acima dos direitos dos pais. Nosso sistema educacional está construído sobre essa filosofia.

Por isso, eu repito, tudo já está sendo delineado. Prepare-se para o que há de vir. E reze por esses pais que estão perdendo a alma de seu filho para o Estado Leviatã.

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“Rezem o Terço todos os dias”
Espiritualidade

“Rezem o Terço todos os dias”

“Rezem o Terço todos os dias”

Por que, entre tantas coisas que Nossa Senhora podia pedir durante suas aparições em Fátima, ela insistiu justamente na oração diária do Santo Rosário?
Irmã Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado,  Senza Pagare23 de Novembro de 2017
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A Irmã Lúcia responde a uma pergunta que lhe foi feita muitas vezes desde que Nossa Senhora lhe apareceu em Fátima: “Qual terá sido o motivo por que Nossa Senhora nos mandou rezar o Terço todos os dias, e não mandou ir todos os dias assistir e tomar parte na Santa Missa?”

Trata-se de uma pergunta que me tem sido feita muitas vezes, e à qual gostava de dar resposta agora. Certeza absoluta do porquê não a tenho, porque Nossa Senhora não o explicou e a mim também não me ocorreu de Lho perguntar. Digo, por isso, simplesmente o que me parece e me é dado compreender a este respeito. Na verdade, a interpretação do sentido da Mensagem deixo-a inteiramente livre à Santa Igreja, porque é a Ela que pertence e compete; por isso, humildemente e de boa vontade me submeto a tudo o que Ela disser e quiser corrigir, emendar ou declarar.

A respeito da pergunta acima feita, penso que Deus é Pai; e como Pai acomoda-se às necessidades e possibilidades dos Seus filhos. Ora, se Deus, por meio de Nossa Senhora, nos tivesse pedido para irmos todos os dias participar e comungar na Santa Missa, por certo haveria muitos a dizerem, com justo motivo, que não lhes era possível. Uns, por causa da distância que os separa da igreja mais próxima onde se celebra a Eucaristia; outros, porque não lho permitem as suas ocupações, os seus deveres de estado, o emprego, o seu estado de saúde, etc. Ao contrário, a oração do Terço é acessível a todos, pobres e ricos, sábios e ignorantes, grandes e pequenos.

Todas as pessoas de boa vontade podem e devem, diariamente, rezar o seu Terço. E para quê? Para nos pormos em contato com Deus, agradecer os Seus benefícios e pedir-Lhe as graças de que temos necessidade. É a oração que nos leva ao encontro familiar com Deus, como o filho que vai ter com o seu pai para lhe agradecer os benefícios recebidos, tratar com ele os seus assuntos particulares, receber a sua orientação, a sua ajuda, o seu apoio e a sua bênção.

Dado que todos temos necessidade de orar, Deus pede-nos, digamos como medida diária, uma oração que está ao nosso alcance: a oração do Terço, que tanto se pode fazer em comum como em particular, tanto na igreja diante do Santíssimo como no lar em família ou a sós, tanto pelo caminho quando de viagem como num tranqüilo passeio pelos campos. A mãe de família pode rezar enquanto embala o berço do filho pequenino ou trata do arranjo de casa. O nosso dia tem vinte e quatro horas… não será muito se reservarmos um quarto de hora para a vida espiritual, para o nosso trato íntimo e familiar com Deus!

Por outro lado, eu creio que, depois da oração litúrgica do Santo Sacrifício da Missa, a oração do santo Rosário ou Terço, pela origem e sublimidade das orações que o compõem e pelos mistérios da Redenção que recordamos e meditamos em cada dezena, é a oração mais agradável que podemos oferecer a Deus e de maior proveito para as nossas almas. Se assim não fosse, Nossa Senhora não o teria recomendado com tanta insistência.

Ao dizer Rosário ou Terço, não quero significar que Deus necessite que contemos as vezes que Lhe dirigimos as nossas súplicas, os nossos louvores ou agradecimentos. Certamente Deus não precisa que os contemos: n’Ele tudo está presente! Mas nós precisamos de os contar, para termos a consciência viva e certa dos nossos atos e sabermos com clareza se temos ou não cumprido o que nos propusemos oferecer a Deus cada dia, para preservarmos e aumentar o nosso trato de direta convivência com Deus, e, por esse meio, conservarmos e aumentarmos em nós a fé, a esperança e a caridade.

Direi ainda que, mesmo aquelas pessoas que têm possibilidade de tomar parte diariamente na Santa Missa, não devem, por isso, descuidar-se de rezar diariamente o seu Terço. Bem entendido que o tempo apropriado para a oração do Terço não é aquele em que toma parte na Santa Missa. Para estas pessoas, a oração do Terço pode considerar-se uma preparação para melhor participarem da Eucaristia, ou então como uma ação de graças pelo dia afora.

Não sei bem, mas do pouco conhecimento que tenho do trato direto com as pessoas em geral, vejo que é muito limitado o número das almas verdadeiramente contemplativas que mantêm e conservam um trato de íntima familiaridade com Deus que as prepare dignamente para a recepção de Cristo, na Eucaristia. Assim, também para estas, se torna necessária a oração vocal, o mais possível meditada, ponderada e refletida, como o deve ser o Terço.

Irmã Lúcia, diante de uma imagem do Imaculado Coração de Maria.

Há muitas e belas orações que bem podem servir de preparação para receber Cristo na Eucaristia e para manter o nosso trato familiar de íntima união com Deus. Mas não me parece que encontremos alguma mais que se possa indicar e que melhor sirva para todos em geral, como a oração do Terço ou Rosário. Por exemplo, a oração da Liturgia das Horas é maravilhosa, mas não creio que possa ser acessível a todos, nem que alguns dos salmos recitados possam ser bem compreendidos por todos em geral. É que requer uma certa instrução e preparação que a muitos não se pode pedir.

Talvez por todos estes motivos e outros que nós não conhecemos, Deus, que é Pai e compreende melhor do que nós as necessidades dos Seus filhos, quis pedir a reza diária do Terço condescendendo até ao nível simples e comum de todos nós para nos facilitar o caminho do acesso a Ele.

Enfim, tendo presente o que nos tem dito, sobre a oração do Rosário ou Terço, o Magistério da Igreja ao longo dos anos e o que Deus, por meio da Sua Mensagem, tanto nos recomenda, podemos pensar que aquela é a fórmula de oração vocal que a todos, em geral, mais nos convém, e da qual devemos ter sumo apreço e na qual devemos pôr o melhor empenho para nunca a deixar. Porque melhor do que ninguém, sabem Deus e Nossa Senhora aquilo que mais nos convém e de que temos mais necessidade. E será um meio poderoso para nos ajudar a conservar a fé, a esperança e a caridade.

Mesmo para as pessoas que não sabem ou não são capazes de recolher o espírito a meditar, o simples ato de tomar as contas na mão para rezar é já um lembrar-se de Deus, e o mencionar em cada dezena um mistério da vida de Cristo é já recordá-los, e esta recordação deixará acesa nas almas a terna luz da fé que sustenta a mecha que ainda fumega, não permitindo assim que se extinga de todo.

Pelo contrário, os que abandonam a oração do Terço e não tomam diariamente parte no Santo Sacrifício da Missa, nada têm que os sustente, acabando por se perderem no materialismo da vida terrena.

Assim, o Rosário ou Terço é a oração que Deus, por meio da Sua Igreja e de Nossa Senhora, nos tem recomendado com maior insistência para todos em geral, como caminho e porta de salvação: “Rezem o Terço todos os dias” (Nossa Senhora, 13 de Maio de 1917).

Referências

  • Retirado do livro “Apelos da Mensagem de Fátima”, Fátima, Secretariado dos Pastorinhos, 2000, pp. 115-124.

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Como responder ao “Apocalipse” da Rede Record?
Protestantismo

Como responder
ao “Apocalipse” da Rede Record?

Como responder ao “Apocalipse” da Rede Record?

Desde 1517 até o “Apocalipse” da Record, os ataques à Igreja Católica constituem, praticamente, a razão de ser do protestantismo. Mas e nós, católicos, o que devemos fazer quanto a isso?

Equipe Christo Nihil Praeponere23 de Novembro de 2017
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“Apocalipse”, a nova novela da Rede Record, acaba de retratar o Papa como um falso profeta.

A acusação encontra-se nas entrelinhas, mas as referências à Igreja Católica são inequívocas. O personagem Stefano Nicolazi é ninguém menos que o Anticristo e vive em Roma, com direito a tiara papal, seguranças parecidíssimos com a Guarda Suíça Pontifícia e uma sacada ao fundo muito semelhante à da Basílica de São Pedro. Para bom entendedor, é o suficiente.

O quadro todo, evidentemente, não é construído “do nada”. Há muito tempo a imagem da Igreja Católica como a “besta”, a “grande Babilônia” ou a “prostituta” do último livro da Bíblia povoa o imaginário das pessoas, especialmente dos protestantes. É inclusive ao pai do protestantismo, Martinho Lutero, que remontam os mais célebres insultos já dirigidos ao Papa e aos católicos: “Eu não estou certo se o papa é o Anticristo ou seu apóstolo” [1], escreveu o ex-monge em 1519; para ele, a Igreja de Roma não passava de “uma licenciosa espelunca de ladrões, o mais impudente dos lupanares, o reino do pecado, da morte e do inferno” [2].

O ator Flávio Galvão, interpretando Stefano Nicolazi.

Assim é mais ou menos o tom com que os protestantes sempre se dirigiram aos católicos, desde 1517 até o momento presente. O protesto contra a Igreja da qual se separaram é, praticamente, a sua razão de existir.

De nossa parte, porém, o que devemos fazer? Como responder a esses ataques?

No Facebook, uma página católica pediu aos católicos que boicotassem “Apocalipse” —, tendo o cuidado de observar que, para um bom católico, melhor seria boicotar, na verdade, toda e qualquer telenovela. Trata-se de uma iniciativa válida, sem dúvida, mas que não é suficiente. Afinal de contas, com ou sem “Apocalipse”, ligados ou não na Record, mais dia ou menos dia os católicos terão de se confrontar com desafios muito semelhantes ao apresentado por essa novela, seja em um círculo de amigos, seja no ambiente de trabalho, seja dentro de suas próprias casas. Será então o momento de dar aos que nos são próximos a “razão de nossa esperança” (cf. 1Pd 3, 15). E nesta hora não podemos recuar, muito menos falhar.

Cumpre dizer, no entanto, em primeiríssimo lugar, que não é oportuno sair por aí discutindo assuntos de fé com todo o mundo. A bem da verdade, das muitas pessoas que se aproximam de nós acusando a Igreja Católica disto e daquilo, falando mal do Papa, da Virgem Maria e dos santos, podem-se contar nos dedos aquelas que realmente querem entabular uma conversa séria. No mais das vezes, o intuito de agressões desse tipo — feitas gratuitamente, muitas vezes — é a polêmica pura e simples, sem esperança alguma de mudança da outra parte, nem a mínima intenção de buscar a verdade. Nestes casos, a melhor coisa a fazer é ignorar, dar uma meia-volta e deixar o protestador falando sozinho.

Se a pessoa com quem falamos parece sincera, no entanto, e mostra-se aberta a um diálogo honesto, tudo muda de figura. E é a estes, não aos gritalhões, que devemos estar preparados para responder, como diz a Escritura (cf. 1Pd 3, 15): nossas palavras são aos que nos pedem as razões de nossa esperança, ao fim e ao cabo, e não aos que as calcam aos pés.

Mas, para que nossas palavras produzam algum efeito em quem as escuta, a que professamos precisa ocupar o devido lugar em nossas vidas, o lugar mais importante, ao ponto de a alimentarmos continuamente, sem descanso, com um estudo sério das verdades de nossa fé, uma leitura atenta do Catecismo da Igreja Católica, um hábito sadio de fazer leituras piedosas etc. Sim, porque as primeiras pessoas que precisam se convencer da razoabilidade e autenticidade da fé da Igreja... somos nós mesmos!

E, neste terreno, um mea culpa se faz necessário, porque quantos de nossos católicos o são realmente por convicção, e não apenas de nome? Quantas pessoas batizadas na Igreja Católica não se filiaram nos últimos anos a igrejas protestantes, comprovando o ditado que diz: “Católico ignorante, futuro protestante”? Quem não conhece a fundo sua fé, que resistência poderá oferecer quando a vir atacada? Nenhuma! Essa é a grande verdade.

Por isso, de nada vai adiantar nos revoltarmos com os inimigos de fora, se nós mesmos não fizermos, por assim dizer, a nossa “lição de casa”; se nós mesmos, que muitas vezes dizemos não “arredar o pé” da Igreja Católica, apesar disso não procurarmos conhecer o que ela é, não acreditarmos totalmente no que ela prega e, mais ainda, não nos esforçarmos por viver o que ela ensina!

Nesse sentido, a vida dos santos da chamada “Contrarreforma” oferece-nos um exemplo luminoso: São Felipe Néri, São Carlos Borromeu, São Pio V, Santa Joana de Chantal. São biografias que valeria a pena conhecer, imitar e difundir em tempos como os nossos. A um grupo que vê a Igreja Católica como “o reino do pecado, da morte e do inferno” — para usar a expressão de Lutero —, nenhum testemunho pode ser melhor que o da santidade de vida.

A frase pode já estar batida, mas é exata: palavras comovem, exemplos arrastam. Se verdadeiramente nos esforçássemos por ser de Cristo, por ter um trato íntimo e constante com Ele através da vida de oração, se procurássemos tratar os outros com o mesmo zelo e piedade com que comungamos Jesus Eucarístico — se é que andamos comungando bem, também! —, que diferença não faríamos no mundo que nos rodeia! Com que olhos nossos irmãos protestantes nos veriam — e com eles, tantos outros que não conhecem a Cristo e a Igreja que Ele fundou!

Seja este, portanto, o nosso propósito. Ao “Apocalipse” protestante da Record oponhamos o verdadeiro “Apocalipse”: aquele dos “vestidos com túnicas brancas”; que “lavaram e branquearam as suas vestes no sangue do Cordeiro”; que “estão diante do trono de Deus e lhe prestam culto, dia e noite, no seu santuário” (cf. Ap 7, 13ss). Unidos a estes homens e mulheres marcados com o sinal da fé, alcançaremos, enfim, o que Deus deseja de cada um de nós: a santidade!

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Perseguida e infiltrada: o drama da Igreja Ortodoxa na Rússia comunista
Comunismo

Perseguida e infiltrada: o drama
da Igreja Ortodoxa na Rússia comunista

Perseguida e infiltrada: o drama da Igreja Ortodoxa na Rússia comunista

A Revolução de Outubro não só massacrou gerações de cristãos ortodoxos, mas corrompeu a espiritualidade dos russos, transformando-os em meros serviçais do Estado.
Pe. Raymond J. de Souza,  Catholic HeraldTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere22 de Novembro de 2017
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O significado espiritual da Revolução de Outubro — que, segundo nosso calendário atual, aconteceu em novembro de 1917 — tem sido maciçamente visto pelos católicos com as lentes das aparições de Fátima, ocorridas no mesmo ano. Fátima, por sua vez, lida através da vida de São João Paulo II, tem levado os católicos a verem o desafio comunista do século XX como uma época de grande perseguição, mas também de grande heroísmo, que culminou no triunfo final do humanismo cristão.

A visão a partir da Rússia, no entanto, é um pouco diferente. Se para João Paulo II o término da Primeira Grande Guerra representou o retorno da independência da Polônia e o renascimento da liberdade polonesa — com o heroísmo católico exercendo um papel proeminente nisso —, para os conterrâneos de Dostoiévski e Tolstói, o fim do conflito culminou no fim da liberdade russa. Por isso, se nos detemos a olhar a história desse período tão somente com as lentes de Fátima e de João Paulo II, corremos o risco de fechar os olhos a um dos principais dramas religiosos de nossa época: o aniquilamento da Igreja Ortodoxa pela Revolução de Outubro.

A perseguição da Igreja Ortodoxa Russa — de longe, o maior dos patriarcados da Igreja Ortodoxa — foi total e brutal. Os números são surpreendentes. Mais de 100 mil padres ortodoxos russos foram assassinados, com alguns crucificados dentro de suas próprias igrejas. Uma Igreja que tinha mais de 300 bispos em 1917 foi reduzida a um punhado até meados da Segunda Guerra Mundial. Tão feroz foi o totalitarismo ateu de Lênin e Stalin que a possibilidade de uma “igreja das catacumbas” foi praticamente descartada. Um regime preparado para matar milhões de seus próprios cidadãos por motivos ideológicos não deixava aos ortodoxos nenhuma condição de resistência, nem lugar onde pudessem se esconder.

A Igreja Ortodoxa Russa foi praticamente liquidada e chegou perto de desaparecer. Até que, como uma grande surpresa da história, uma chance lhe foi dada por conta da invasão de Hitler à Rússia. Stalin, decidido a concentrar todas as energias nacionais contra a ameaça nazista, reconstruiu a Igreja Ortodoxa Russa, mas agora como um braço do Estado comunista. Os ortodoxos russos sobreviveriam, mas somente como um escritório corrompido do governo.

Então, em 1946, o Patriarcado de Moscou, filiado ao Estado, consentiu na supressão e no saque da Igreja Greco-Católica Ucraniana, fazendo dos católicos ucranianos a maior comunidade ilegal de cristãos do mundo. Tratou-se de uma traição histórica de uma fiel comunidade cristã por seus supostos irmãos na fé.

O sínodo (sobor, em língua eslava) ilegal de 1946 foi um sinal do que estava por vir. Qualquer um que aspirasse à liderança da Igreja Ortodoxa Russa — especialmente padres que tinham de estudar fora — devia fazer parte da KGB, a polícia secreta. Várias gerações de líderes ortodoxos foram forçadas a ser colaboradoras passivas do regime. A Igreja Ortodoxa Russa, com sua longa tradição milenar, foi destruída e substituída.

Mesmo um quarto de século depois da dissolução do partido comunista e da própria União Soviética, a restauração da Igreja Ortodoxa permanece sendo um desafio. Ainda não surgiu uma liderança livre dos laços históricos com a KGB. O pacto do atual Patriarcado de Moscou com o regime de Vladimir Putin — evidente, sobretudo, nas agressões de Putin à Ucrânia — é um claro sinal de que a reconstituição stalinista da Igreja ainda tem de ser superada. Mesmo hoje, o Patriarcado de Moscou não pode rejeitar sua participação no sínodo de supressão na Ucrânia, em 1946.

O grande sonho de união entre católicos e ortodoxos é um dos acontecimentos imprevistos após a Revolução de Outubro. Enquanto as relações formais entre Roma e Constantinopla são excepcionalmente calorosas, a Rússia continua a ser o centro demográfico dos ortodoxos. Não pode haver nenhum movimento em direção à grande união sem que ocorra algum movimento em Moscou.

São João Paulo II falou da Igreja respirando com “ambos os pulmões” em referência ao Ocidente e ao Oriente, ao latim e ao grego, a Roma e a Constantinopla, aos católicos e aos ortodoxos. O pulmão oriental foi severamente comprometido em 1917 e a Cristandade não será plenamente ela mesma até que essa ferida quase mortal seja sanada — cura esta que será o trabalho de gerações.

Na Ucrânia, na Polônia e em qualquer lugar no império do mal, o totalitarismo ateu soviético podia ser enfrentado, em parte, com um ato de resistência nacional: havia, afinal de contas, um poder invasor impondo ideias estrangeiras. Os russos nunca tiveram esse recurso; seus tiranos eram eles próprios. Enquanto o massacre de corpos na Rússia foi vasto, a corrupção da alma russa foi profunda. Foi isso o que começou em outubro de 1917 e, até o presente momento, ainda não foi superado.

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Nesta hora não se pode mentir!
Espiritualidade

Nesta hora não se pode mentir!

Nesta hora não se pode mentir!

Nesta hora tremenda não se mente. A desilusão das coisas terrenas e a eternidade que se aproxima obrigam o homem a ser sincero.
Mons. Ascânio Brandão21 de Novembro de 2017
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A hora da verdade, sabes qual é? A hora da morte. Nesta hora tremenda não se mente. A desilusão das coisas terrenas, a eternidade que se aproxima obrigam o homem a ser sincero. Nesta hora muito ímpio chamou por Deus. A morte ensina muita coisa que não se quis aprender na vida. E é triste ir aprender só na hora extrema o que se devia ter já aprendido em vida, para evitar tanto pecado, tanta vaidade e orgulho, tanta maldade!

Enquanto a vida corre bem na fartura, na prosperidade, muitos vivem longe de Deus e até se esquecem que têm alma. E como desejam pecar, negam a existência do próprio Deus. Assim dizia Joseph de Maistre: Ninguém deixou de crer em Deus se não teve primeiro necessidade de desejar que Deus não existisse.

A hora da morte, porém, diz a verdade. Nos Estados Unidos, caiu enferma a filha de um general conhecido pela sua impiedade e ódio à Religião.

— Meu pai, diz a moça, estou para morrer! Diga-me, por favor, devo crer no que me ensinou o senhor, isto é, que Deus não existe e não há céu nem inferno, ou no que me ensinou minha saudosa mãe que fora tão piedosa e santa?

O general ficou silencioso e triste. Refletiu uns instantes e disse à filha entre soluços: — Minha filha! não creias no que te ensinei, mas no que te ensinou tua mãe. Nesta hora não se pode mentir!

“La muerte del niño”, de Lorenzo Albarrán Sánchez.

Sim, realmente, a hora da morte é a hora da verdade.

Quanta coisa que nossa vaidade, nosso orgulho e o demônio nos punham diante dos olhos, numa sedução louca, não se desvanece na hora extrema! Hora da verdade, hora das realidades!

A vela que se coloca na mão do agonizante, ilumina muitas almas e lhes diz muitas verdades que durante toda a vida não quiseram ver, nem delas ouvir falar. Mas que adianta compreender estas verdades quando já não há mais tempo e é preciso partir? Não nos iludamos com a mentira do pecado, e pensemos na hora da verdade!

Referências

  • Transcrito e levemente adaptado de Meu ponto de meditação, Taubaté: Editora SCJ, 1941, p. 28s.

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