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Ex-transexual desmascara “A Garota Dinamarquesa”
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Ex-transexual desmascara
“A Garota Dinamarquesa”

Ex-transexual desmascara “A Garota Dinamarquesa”

Estreando nos cinemas, “A Garota Dinamarquesa” retrata bem os problemas emocionais dos transgêneros, mas omite as consequências da cirurgia de transgenitalização e a necessidade de tratar os transtornos psicológicos que essas pessoas enfrentam.

Walt Heyer,  The Public DiscourseTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere17 de Fevereiro de 2016
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Por alguns momentos, era como se eu fosse obrigado a assistir a um daqueles intermináveis comerciais de TV. Quando as previsíveis frases de efeito chegariam ao fim?

A Garota Dinamarquesa está repleto de sentimentos fofinhos e emocionais, projetados para convencer heterossexuais "homofóbicos" ou "transfóbicos" de que as dolorosas reviravoltas da vida de um transgênero são realmente uma busca saudável e corajosa para abraçar o seu verdadeiro eu. O filme vem à tona com pontos de discussão familiares à agenda LGBT. Em um momento chave, o personagem principal exclama ser, finalmente, quem ele é.

Baseado no romance de mesmo nome de David Ebershoff e dirigido por Tom Hooper, A Garota Dinamarquesa conta a história de Lilli Elbe, um dos primeiros pacientes conhecidos a passar pela cirurgia de mudança de sexo. O filme estrela Eddie Redmayne no papel de Einar Wegener/Lilli Elbe, o transgênero que emerge mulher. Alicia Vikander interpreta Gerda, sua devotada esposa, que ama profundamente o seu marido e permanece fiel a ele durante todos os anos de sua decadência.

Ainda que bem encenado, o filme não passa de uma ferramenta de propaganda LGBT. É verdade que pessoas com transtorno de gênero estão sofrendo. O que o filme não conta é que, muito frequentemente, pacientes transgêneros continuam a sofrer mesmo depois da cirurgia, porque os seus problemas psicológicos permanecem sem tratamento. Sei disso por experiência própria, porque eu já fui uma mulher transgênero e me arrependo de minha cirurgia de mudança de sexo.

A trama. O filme é gravado na Dinamarca, nos anos 1920. Em suas primeiras aparições, Einar, o marido, é um artista estável, com algum sucesso no mundo da arte, e não exibe nenhum aparente distúrbio de gênero ou tendência homossexual. Gerda, também artista, é uma mulher atraente que ama o seu marido, mas que se esforça por ganhar reconhecimento em sua profissão. Eles parecem ser um casal normal de apaixonados.

As coisas começam a ficar estranhas quando Gerda precisa de uma modelo para terminar uma pintura. Ela pede a Einar que a ajude posando como mulher. Obviamente, é a primeira vez que Einar faz uma coisa do tipo, e ele precisa da ajuda da esposa para vestir as macias meias de náilon. Einar deixa os seus pés caírem nas pequenas e rendadas sandálias, e assume uma pose feminina para a pintura. Ele é um assistente relutante, mas amavelmente cede aos desejos de Gerda. Eles fazem isso como uma brincadeira, mas tudo acaba indo longe demais.

Gerda é levada pelo entusiasmo de Einar posando como uma mulher. Ela encoraja a recém-criada mulher, que eles jocosamente chamam de Lilli, a ser amável e bonita. Ao desenhá-lo, Gerda descobre sua paixão inexplorada pela arte e ele, por sua vez, fica fascinado por seus retratos como mulher. O gatilho foi puxado. Einar se apaixona pelo modo como ele aparece vestido de mulher. Isso não é transsexualismo, mas um fetiche sexual, impulsionado pela força e pelo entusiasmo que o incentivo de Gerda insuspeitamente despertou. Einar começa a se travestir às escondidas e a explorar o fascínio sexual de estar vestido com tecidos macios e sedosos.

O termo médico para o comportamento exibido por Einar – um homem que se excita sexualmente com a ideia de ser ou tornar-se uma mulher – é autoginecofilia. Einar substitui o amor esponsal por sua mulher pelo amor de uma imagem no espelho e na tela de uma pintura.

A encenação atinge um novo nível quando, por alguma razão, Gerda incentiva o seu marido a acompanhá-la em uma exposição de arte caracterizado de mulher. Gerda põe uma peruca em Einar, aplica-lhe uma maquiagem e escolhe um conjunto. Ela ensina a ele como andar e se portar enquanto mulher. Na noite da festa, Gerda se diverte usando o disfarce de Einar para enganar os seus conhecidos, até que ela o flagra em um beijo romântico com um homossexual. Lilli está à solta e dando pulos de contentamento, até que Gerda finalmente percebe o que provocou.

Gerda não sabe o que fazer com Lilli, cujas aparições indesejadas e repentinas passam a ser cada vez mais frequentes. Ela se aproxima de um amigo de infância de Einar, de quem ele tinha perdido contato. Quando ela diz a Einar que seu amigo quer vê-lo, Einar conta-lhe sobre um antigo e esquecido incidente de sua juventude, quando seu amigo lhe deu um beijo por ele ser "muito bonito".

O filme segue a sua marcha inexorável, mostrando a gradual emergência de Lilli, o completo desaparecimento de Einar, bem como a angústia, a solidão e a frustração de sua esposa abandonada, que chora a perda do homem que era o seu marido. Ver a angústia de Gerda fez-me lembrar outro filme, Uma Mente Brilhante ("A Beautiful Mind"), no qual a esposa assiste, impotente, ao declínio de seu marido rumo ao colapso mental.

Walt Heyer.

Paralelos com a minha vida. As experiências de minha primeira infância evocaram em mim os mesmos desejos que despertaram dentro de Einar. No caso dele, a experiência que influenciou sua vida futura ocorreu com um colega de infância. No meu caso, eu tive uma avó que secretamente começou a me travestir quando eu tinha quatro anos de idade. Ela costurava vestidos especiais para que eu usasse e me dizia quão bonito eu ficava modelando para ela.

Como Einar, casei-me com uma mulher e vivi como homem. Como Einar, eu me travestia em segredo e eventualmente comecei a sair em público vestido de mulher. Também eu me senti energizado pela experiência. Depois de algum tempo, meu desejo de ser uma mulher cresceu forte e eu senti que não tinha escolha, a não ser tornar-me "Laura" (o nome da minha persona feminina), a fim de "ser quem eu realmente era". Como Lilli, eu quis matar minha identidade masculina para que Laura pudesse viver. Foi por isso que me submeti a uma transformação cirúrgica completa.

Lilli não teve a oportunidade de viver como uma mulher transgênero para comprovar se viver assim satisfaria as suas expectativas e serviria como caminho para ela encontrar a paz. Na vida real, Lilli Elbe morreu de uma infecção alguns dias depois da sua segunda operação de transgenitalização. Hoje, as técnicas cirúrgicas para transgêneros não oferecem grande risco de vida. Depois de me submeter a essa mesma cirurgia, eu vivi como transgênero por oito anos, vivendo e trabalhando por um tempo em San Francisco. Imediatamente após a cirurgia, eu exultava por ter finalmente feito a transição – mas o entusiasmo logo passou.

No decorrer do tempo, descobri que a vida como mulher não poderia me trazer a paz. Para minha surpresa, eu ainda alternava entre ser Walt e ser Laura, geralmente várias vezes em um dia. O que quer que me tivesse feito querer mudar minha identidade de gênero, não tinha sido solucionado com a cirurgia de mudança de sexo nem com a minha vida de mulher. Continuei, então, à procura de uma resposta.

Um retrato fiel, até certo ponto. O filme retratou fielmente os problemas psicológicos e emocionais pelos quais passam os transgêneros, ilustrando o quanto é difícil diagnosticá-los e tratá-los. Fez um bom trabalho ao mostrar como a inquietação com a própria identidade sexual pode começar de um incidente aparentemente pequeno na infância e, então, evoluir na vida adulta para um severo mal-estar, que eventualmente conduz à cirurgia de transgenitalização.

O público acompanha Einar, desde o seu relutante crossdressing assistindo sua mulher com a pintura, passando por sua excitação com a ideia de tornar-se mulher, até a rejeição de sua identidade masculina e de seu casamento com Gerda. Lilli deseja fervorosamente a cirurgia, mesmo que isso arrisque a sua vida. Imediatamente após a operação, Lilli aparece verdadeiramente feliz com sua decisão.

Muitos transgêneros concordariam com isso pela sua experiência. Eu vi a mesma progressão acontecer na minha vida. Contudo, dado que Lilli morreu após a segunda cirurgia, o filme só pôde retratar os seus anseios pré-transição e o efeito imediato da cirurgia, não a realidade pós-transição a longo prazo. No meu caso, a transição prometia uma vida tranquila, mas depois que a euforia inicial se foi, só me restou o desespero. Até que eu determinasse parar de viver como Laura e fizesse o que fosse preciso para ser Walt, eu não tive paz. Estar aberto a reconstituir a minha masculinidade foi o que mudou tudo.

Quando recebi um diagnóstico adequado de minha dupla personalidade, o primeiro tratamento efetivo podia começar. Levou muitos anos, mas persisti com o tratamento para o transtorno dissociativo e meus desejos de ser mulher se dissolveram até desaparecerem completamente. Aprendi que a cirurgia de mudança de sexo não era necessária. Mas já era tarde. Meu corpo tinha sido irreversivelmente mutilado.

Eddie Redmayne interpreta "A Garota Dinamarquesa".

Desordens geram desordens. Geralmente, o diagnóstico de pacientes que se identificam como transgêneros é de "disforia de gênero". De acordo com o DSM-5 (a última edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), a doença é caracterizada por uma acentuada incongruência entre o gênero com que a pessoa se expressa e o seu sexo biológico, com a duração de pelo menos seis meses. Ainda que não se fale muito sobre isso, estudos mostram que a maioria dos pacientes transgêneros sofre, ao mesmo tempo, com outros transtornos de comorbidade.

São bem evidentes no filme os outros transtornos de Einar. No começo, vemos os primeiros sintomas de autoginecofilia: Einar se converte em objeto da própria afeição na identidade de Lilli. Depois de ser alimentada e incentivada por um tempo, a desordem evolui para uma obsessão narcísica de autogratificação à custa do relacionamento com a sua esposa.

Das pinturas de Gerda, o desejo que Einar tem de tornar-se uma mulher se transforma em obsessão. Suas novas e poderosas emoções mudam a visão que ele possui de si mesmo como homem. Eventualmente, Lilli se dissocia de Einar, e duas personae passam a existir juntas em uma só. O nome disso é transtorno dissociativo (ou dupla personalidade). Sem perceber, Lilli assume totalmente o controle da situação e transforma Einar na mulher das pinturas de Gerda.

Lilli diz que Einar está morto, que se foi. Essa declaração demonstra mais uma desordem do que propriamente a realidade, porque é Einar quem continua ali falando. Eu fiz declarações semelhantes sobre Walt. Disse que queria a morte dele e um velório adequado para ele, a fim de que Laura pudesse viver livre. Essa é uma mente perturbada falando. Como depois se constatou, eu também sofria de comorbidade.

Os produtores de A Garota Dinamarquesa estão claramente tentando vender a popular ideia de que, preso no corpo de Einar, o que viveu não foi senão uma mulher. Não se deixe enganar pela propaganda. Olhe um pouco mais de perto, e você verá uma série de desordens mentais mal entendidas e não diagnosticadas que levaram Einar a se tornar Lilli, uma mulher transgênero. Pessoas com transtorno de identidade de gênero não nasceram assim (não são "born this way"), elas se formam a partir das experiências à sua volta, que moldam as suas emoções e os seus desejos.

Prover real assistência psiquiátrica. Quando os créditos começaram a subir, virei-me à mulher de meia idade sentada ao meu lado e perguntei-lhe o que ela tinha achado do filme. "Parecia uma propaganda!", ela respondeu. "Vivo em uma vizinhança com pessoas que precisam de assistência psiquiátrica e que perambulam pelas ruas, e ninguém aparece para ajudá-las."

Em certo sentido, a mesma descrição se aplica aos transgêneros: eles precisam de uma verdadeira assistência psiquiátrica, mas geralmente não têm ninguém que os ajude. Mais de 60% dos pacientes com disforia de gênero sofrem com outros transtornos: desordens psicológicas ou psiquiátricas, como dupla personalidade; fetiches sexuais, como autoginecofilia; e transtornos de humor, como depressão. Em quase todos os casos, esses transtornos poderiam ser resolvidos sem nenhuma intervenção cirúrgica, se os pacientes recebessem tratamento adequado, incluindo psicoterapia e medicação.

Uma pesquisa de 2011 descobriu que 41% dos transgêneros reportam terem tentado suicídio ao menos uma vez na vida. Tristeza e suicídios foram notados pela primeira vez em 1979, pelo Dr. Charles Ihlenfeld, endocrinologista da clínica de Harry Benjamin, mundialmente conhecido por seu trabalho com transexualidade. Depois de seis anos ministrando terapias hormonais para 500 pacientes transgêneros, Dr. Ihlenfeld disse que 80% das pessoas que queriam cirurgia de mudança de sexo não deveriam tê-la. A razão? As elevadas taxas de suicídio na população de transgêneros que foi operada. Mais surpreendente ainda, Dr. Ihlenfeld afirmou que a cirurgia de transgenitalização nunca foi intentada como uma solução a longo prazo, mas apenas como um adiamento temporário.

Ainda que suas intenções possam ser boas, muitos ativistas LGBT terminam afastando os transgêneros da verdadeira ajuda de que eles precisam. Como os seus transtornos mentais não são tratados adequadamente, a tendência é que os índices de suicídio na população de transexuais continuem altos.

Em uma cena de A Garota Dinamarquesa, um especialista diagnostica Einar com esquizofrenia paranoide. Antes que o médico voltasse com uma equipe para interná-lo, Einar foge, como é compreensível, com medo do tratamento bárbaro que o esperava. No futuro, a atual prática de recomendar a transgenitalização para quem quer que esteja insatisfeito com o seu sexo biológico será vista como um método igualmente bárbaro. E eu espero ansiosamente por esse dia.

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Cristãos encurralados na Bolívia
Comunismo

Cristãos encurralados na Bolívia

Cristãos encurralados na Bolívia

Denúncia: com o novo Código Penal boliviano, pregadores cristãos serão proibidos de evangelizar nos país de Evo Morales. Mas na mídia, dentro e fora do Brasil, nada se fala.

Equipe Christo Nihil Praeponere18 de Janeiro de 2018
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Os cristãos estão encurralados na Bolívia. O novo Código Penal do país criminaliza com penas de 7 a 12 anos de prisão o recrutamento de pessoas para organizações religiosas ou de culto. Um verdadeiro atentado à liberdade religiosa. O que deveria constar das manchetes jornalísticas e chamadas televisivas, no entanto, só foi abordado até o momento pelo jornal Gazeta do Povo.

A íntegra da nova lei, promulgada no último mês de dezembro, encontra-se disponível na internet. O artigo em questão é o 88, inc. I, que criminaliza a trata de pessoas (em português, “tráfico”):

Será sancionada, com prisão de sete (7) a doze (12) anos e reparação econômica, a pessoa que, por si mesma ou através de terceiros, sequestrar, transportar, trasladar, privar de liberdade, acolher ou receber pessoas com alguns dos seguintes fins:

[...]

11. Recrutamento de pessoas para sua participação em conflitos armados ou em organizações religiosas ou de culto.

A advogada e professora Janaína Paschoal foi entrevistada pelo jornal Gazeta do Povo e qualificou esse dispositivo do novo Código Penal boliviano como “assustador” e “inaceitável”:

Ainda que não se utilize expressamente a terminologia da criminalização da religião, é óbvio que é isso o que o dispositivo está fazendo, porque inclusive equipara o exercício da religião à luta armada [...].

Uma vez entrando em vigor este Código, os líderes religiosos de quaisquer confissões — é importante que isso seja dito — passarão a ser presos. E as pessoas que professem as fés (sic), sejam elas quais forem, também passarão a ser presas, porque o dispositivo é extremamente aberto e fica evidente que está havendo uma criminalização. Isso é inaceitável, não só à luz das Constituições nacionais, mas à luz de todos os tratados internacionais. É o caso de denunciar, sim, aos tribunais internacionais. Ainda não tem uma lesão efetiva aos direitos fundamentais desses indivíduos, mas a própria edição dessa lei já constitui uma lesão.

É importante destacar que, embora o artigo em questão não especifique credo nenhum, em um país com maioria esmagadora de cristãos — um censo recente feito na Bolívia fala de 78% de católicos e 19% de protestantes —, não há dúvida de que o alvo pretendido por esta lei iníqua não é outro senão o cristianismo.

Os cristãos, por sua vez, captaram bem a mensagem do texto legal, como se pode ver nos vídeos abaixo:

Será talvez necessário explicitar qual a ideologia por trás desse atentado à liberdade religiosa? Por que Evo Morales pretende mandar à cadeia bispos, sacerdotes e pastores simplesmente por pregarem o Evangelho?

Uma comparação feita pelo sítio católico espanhol Actuall talvez nos ajude a entender melhor a natureza do problema. O que está acontecendo hoje na Bolívia se parece muito com atitudes tomadas por ditadores como Mao Tsé-Tung e Stálin, ambos comunistas. Não sem razão Evo Morales pertence a um partido denominado Movimiento al Socialismo e, à semelhança de outra ditadura da América Latina, pretende prolongar-se indefinidamente no poder. Qualquer semelhança não é mera coincidência. Regimes comunistas nunca conseguiram conviver bem com a liberdade religiosa, muito menos com a religião cristã.

Esse mesmo Código Penal contém muitos outros absurdos — que estão levando inúmeros jovens bolivianos às ruas —, mas isso talvez fosse oportunidade para uma outra matéria. O que interessa saber, por ora, é que a perseguição ao cristianismo, já fortíssima em determinadas partes do mundo, agora começa a se expandir também para a América Latina, em países que fazem fronteiras com o nosso.

É evidente que ninguém está falando de decapitações e crucificações, como acontece em países islâmicos, mas o que se passa aqui, ao nosso lado, já é aterrorizante o suficiente e, como sabemos, é assim que as perseguições escancaradas e as grandes matanças começam.

Os cristãos estão sendo encurralados na Bolívia. Mas, curiosamente — alguns diriam —, tragicamente — dizemos nós —, nos meios de comunicação ninguém fala absolutamente nada.

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O caminho para a verdadeira felicidade começa em Nossa Senhora
Virgem Maria

O caminho para a verdadeira
felicidade começa em Nossa Senhora

O caminho para a verdadeira felicidade começa em Nossa Senhora

A devoção à Virgem Maria está no coração do cristianismo. Isso se deve ao fato de que o próprio Deus quis ter uma mãe para si, tornando a maternidade um conceito profundamente relacionado à cristandade.

Francis Phillips,  Catholic HeraldTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere18 de Janeiro de 2018
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Diz um antigo provérbio francês que “Deus amou tanto as mães que desejou ter uma também”. Há nisto um sentido tão sublime quanto humano. Quando penso em Nossa Senhora, não penso em seus títulos gloriosos ou nos impecáveis argumentos teológicos que os baseiam; vejo simplesmente uma Mãe. Enquanto Mãe de Deus e, portanto, Mãe da Igreja, Maria confere à fé cristã uma dimensão materna muito atraente, já que ela mesma foi total e belamente humana.

Nenhuma outra religião possui um ícone mais carinhoso do que ela. Anos atrás, em visita a uma exposição de arte asteca, fui surpreendido por sua violência latente e pelo fato de que o conceito “mãe e filho” não pertencia ao universo de referência dos astecas. Isso me fez lembrar o quanto esse conceito está profundamente relacionado à nossa civilização cristã. Prova disso são as grandes catedrais góticas a Maria, além das várias pinturas que a retratam.

Vislumbres da misteriosa força exercida pela personalidade de Nossa Senhora podem ser encontrados em “Regina Coeli: Artes e Artigos sobre a Virgem Maria”, do Pe. Michael Morris, um livro que reúne alguns de seus comentários mensais para a revista Magnificat. De acordo com ele, durante os séculos em que a arte religiosa dominou e floresceu no Ocidente, Nossa Senhora parece ter sido pintada tanto ou até mais mais do que seu divino Filho. Sua beleza espiritual, sua ternura maternal, sua nobreza de estado e conduta têm inspirado artistas a dar o máximo de si.

A Imaculada Conceição de Velázquez.

Não só isso. Nossa Senhora inspirou também devoções populares. De fato, a Arte com maiúscula não teria sentido sem o amor dos fiéis comuns à Virgem Santíssima. Em um de seus artigos, Pe. Morris descreve a Imaculada Conceição do pintor espanhol Velázquez. Morris afirma que, durante a Contra-Reforma na Espanha, havia um grande entusiasmo popular por esse privilégio mariano. Quando o Papa Pio V alinhou-se à defesa scotista da Imaculada Conceição, declarando como “menos piedosa” a opinião tomista segundo a qual Maria não teria sido concebida sem pecado, mas santificada no ventre, dispararam-se fogos de artifícios, dançaram-se carnavais, jogaram-se torneios e touradas por todo o país.

Na última noite do ano (ou nas vésperas da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, como dizemos os católicos), o som dos fogos reverberou por todo o meu bairro. É incrível que na sociedade de hoje os fogos ainda sejam usados para celebrar uma obscura, ao menos em aparência, crença católica; o espírito de fé que animou os espanhóis do século XVII, afinal, já acabou.

Em seu livro, Pe. Morris menciona ainda a presença de S. Bárbara na Madona Sistina, de Rafael. Acredita-se que S. Bárbara, aprisionada em uma torre pelo pai, um pagão, tenha dado origem à fábula de Rapunzel. J. R. R. Tolkien, citado no livro do Pe. Morris, disse certa vez: “Toda minha percepção de beleza, tanto em majestade quanto em simplicidade, é fundada em Nossa Senhora”. A boa notícia é que, graças ao consentimento dela para se tornar Mãe de Deus, todos podemos, como na história de Rapunzel, “viver felizes para sempre”.

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Os livros de fantasia podem nos fazer mal?
Doutrina

Os livros de fantasia
podem nos fazer mal?

Os livros de fantasia podem nos fazer mal?

“A fantasia pode, é claro, ser levada ao excesso”, e é o próprio Tolkien, autor de “O Senhor dos Anéis”, quem o reconhece. “Mas de que coisa humana neste mundo caído isso não é verdade?”

Equipe Christo Nihil Praeponere17 de Janeiro de 2018
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O curso ao qual Padre Paulo Ricardo está dando andamento sobre “O Senhor dos Anéis dá ocasião de respondermos a alguns questionamentos importantes. Em nossa primeira transmissão ao vivo, uma dúvida anônima, que é certamente a de muitas pessoas, versava o seguinte:

Para aquelas pessoas que não perceberam e não sabem desta chave de leitura cristã de “O Senhor dos Anéis”, até que ponto mergulhar nesse mundo fictício contribuiria para seu desenvolvimento espiritual cristão? E como um mundo mágico desta natureza e que encanta, poderia não abrir os corações dos jovens para uma nova filosofia de vida mágica, de mistérios e poderes ocultos, nesta sociedade do “tudo, menos Deus”?

A preocupação deste aluno podia muito bem ser a de um pai ou de um educador. Existe por parte de muitos formadores o receio de que essa imersão na literatura fantástica acabe conduzindo crianças e adolescentes ao mundo do ocultismo.

A preocupação, reconheçamos, tem sua razão de ser. Tolkien iniciou, de fato, todo um gênero literário, que ficou bastante famoso e que se tornou uma verdadeira indústria de livros, mas isso não significa que tudo quanto saia da pena de escritores de fantasia seja belo, bom e justo.

A esta indagação, no entanto, o próprio J. R. R. Tolkien respondeu, certa vez, do seguinte modo:

A Fantasia pode, é claro, ser levada ao excesso. Pode ser malfeita. Pode ser posta a serviço de fins maus. Pode mesmo iludir as mentes das quais veio. Mas de que coisa humana neste mundo caído isso não é verdade? Os homens conceberam não apenas elfos, mas imaginaram deuses, e os adoraram, adoraram mesmo aqueles mais deformados pelo próprio mal de seus autores. Mas eles fizeram falsos deuses com outros materiais: suas idéias, suas bandeiras, seus dinheiros; até suas ciências e suas teorias sociais e econômicas exigiram sacrifício humano. Abusus non tollit usum. A Fantasia permanece um direito humano; criamos na nossa medida e ao nosso modo derivativo, porque fomos criados: e não apenas criados, mas criados à imagem e semelhança de um Criador. [1]

Esperamos que essa resposta esclarecedora, vinda do próprio “senhor da fantasia”, ajude nossos alunos e visitantes a entenderem que histórias de ficção não são más em si mesmas, assim como não é mau o facão que um açougueiro pode usar tanto para cortar carne quanto para matar alguém, assim como não é mau o álcool do vinho que Cristo deu aos convidados das bodas de Caná (cf. Jo 2, 1-11).

Não, o abuso que muitos fazem de determinadas coisas não as torna ruins. Continuamos devendo usar de modo sensato os bens que Deus colocou à nossa disposição. Sem os endeusarmos. Sem os demonizarmos indevidamente. “Idolatria se comete”, afinal, “não somente pela instituição de falsos deuses, mas também, pela instituição de falsos demônios; fazendo os homens temerem a guerra e o álcool, ou a lei econômica, quando eles devem temer a corrupção espiritual e a covardia” [2].

Referências

  1. J. R. R. Tolkien. Sobre histórias de fadas (trad. de Ronald Kyrmse). São Paulo: Conrad Editora do Brasil, 2006, p. 63.
  2. G. K. Chesterton. In: Illustrated London News, 11 set. 1909.

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Tolkien e os católicos inteligentes
Igreja Católica

Tolkien e os católicos inteligentes

Tolkien e os católicos inteligentes

O catolicismo é o pai da alta cultura e não há religião no mundo que tenha entre os seus adeptos mentes tão brilhantes, que souberam converter estudo em oração, como a Igreja Católica.

Equipe Christo Nihil Praeponere12 de Janeiro de 2018
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Quando C. S. Lewis conheceu J. R. R. Tolkien durante uma reunião na Universidade de Oxford, a 11 de maio de 1926, o autor de As Crônicas de Nárnia ainda era agnóstico e não considerava o cristianismo puro e simples. Ao contrário, Lewis desprezava a religião e, para ele, parecia absurdo que Tolkien fosse um homem tão inteligente e, ao mesmo tempo, um católico devoto.

O preconceito de Lewis contra o cristianismo — e particularmente contra a Igreja Católica — era algo bastante comum naquela época, sobretudo entre intelectuais ingleses. Famosos foram os debates entre H. G. Wells e G. K. Chesterton acerca da razoabilidade do credo cristão e de como a ortodoxia católica está na vanguarda das ciências e da filosofia. Embora o Iluminismo tenha espalhado uma visão obscurantista da cristandade, o fato é que a Igreja Católica fundou a civilização ocidental e lançou as bases do progresso científico atual.

C. S. Lewis, o autor de “As Crônicas de Nárnia”.

A versão iluminista da história prevaleceu, entretanto, fazendo com que o cristianismo fosse visto como uma tolice. Para Lewis, esse preconceito só desapareceu pela proximidade com Tolkien, que jamais se envergonhou da própria fé nem tentou se adequar a discursos laicistas para manter-se na universidade. Tolkien falava abertamente da Igreja em suas conferências, demonstrando, com argumentos e eloquência, por que a doutrina de Jesus Cristo é a verdadeira religião.

A vida intelectual de J. R. R. Tolkien é uma pedra de tropeço para quem não acredita em fé e razão. Desde muito cedo, o autor de O Senhor dos Anéis demonstrou habilidades para a carreira acadêmica, e sua mãe, Mabel, fez o possível para assegurar-lhe uma educação decente, que o capacitasse para a entrada na universidade. Quando, mais tarde, Tolkien teve de escolher entre a paixão e os estudos, aceitou o sacrifício de ficar três anos longe da namorada, Edith Bratt, para conseguir dedicar-se à faculdade.

Na academia, Tolkien logo se destacou pela qualidade de suas aulas e pela simplicidade com que tratava os demais professores e estudantes. “Havia um senso de civilização, uma lucidez cativante e uma sofisticação”, disse um de seus alunos, o escritor Desmond Albrow, sobre as lições do professor. Na verdade, Tolkien encarnava as suas leituras de maneira exuberante, como se estivesse em um teatro, levando a plateia a viver os dramas dos personagens. Era algo memorável.

É claro que toda essa vivacidade não passaria despercebida aos olhos de Lewis, que, diante daquele “estranho paradoxo” — um católico inteligente?! —, acabou obrigado a questionar-se sobre os fundamentos do cristianismo. Tolkien, aliás, sentiu-se particularmente responsável pela conversão do amigo, motivo pelo qual se reuniram várias vezes em pubs, para longas tertúlias sobre a autenticidade da vida de Cristo. Lewis, enfim, descobriu que Jesus não era apenas uma lenda do passado, mas uma Pessoa viva que transformou as verdades dos mitos em carne e História.

O caso de J. R. R. Tolkien não é um ponto fora da curva na história da Igreja, mas apenas um entre tantos na longa tradição cristã, que vai de Agostinho e Tomás de Aquino a nomes mais recentes como G. K. Chesterton, Edith Stein, Léon Bloy e Dietrich von Hildebrand. No Brasil do século XX, por exemplo, merecem destaque padre Leonel Franca e Gustavo Corção, que produziram obras de grande proveito intelectual e religioso.

Todos levaram a sério o que São Josemaria Escrivá ensinava acerca do estudo: “Se tens de servir a Deus com a tua inteligência, para ti estudar é uma obrigação grave” (Caminho, n. 336). Ademais, os católicos estão obrigados ao estudo porque por ele, diz Santo Tomás, “o homem aproxima-se o mais possível da semelhança de Deus, o qual fez todas as coisas sabiamente” (Suma Contra os Gentios, II, 1).

Não é surpresa alguma, portanto, que entre os intelectuais mais importantes da sociedade estejam católicos piedosos. C. S. Lewis teve a chance de descobrir isso de uma maneira excepcional. De fato, o catolicismo é o pai da alta cultura e não há religião no mundo que tenha entre os seus adeptos mentes tão brilhantes, que souberam converter estudo em oração, como a Igreja Católica.

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