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O Escapulário de Nossa Senhora do Carmo
Virgem MariaEspiritualidade

O Escapulário de
Nossa Senhora do Carmo

O Escapulário de Nossa Senhora do Carmo

O que é o escapulário, como ele deve ser usado e qual o seu significado espiritual? Confira nesta matéria tudo o que você precisa saber sobre este antigo sacramental da Ordem de Nossa Senhora do Carmo.

Uma Monja Carmelita15 de Julho de 2017
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Voltando às origens...

A origem do escapulário de Nossa Senhora do Carmo está ligada a um difícil momento histórico da Ordem Carmelitana.

Os eremitas que viviam nas grutas do Monte Carmelo buscando, à semelhança de Maria, a intimidade com Deus no silêncio e na oração, viram-se obrigados a migrar, após a tomada da Terra Santa, para a Europa. Uma vez chegados no Ocidente, encontraram vários obstáculos para aí se estabelecerem. De um lado, os carmelitas tinham um estilo de vida bastante diferente das demais Ordens religiosas; de outro, a crise econômica pela qual passava então o continente europeu não os tornava benquistos, pois representavam mais alguém a compartilhar as pobres esmolas dos fiéis. O Carmelo corria até mesmo o risco de se extinguir.

Na época, era Superior Geral Frei Simão Stock [1]. A tradição nos conta que ele recorria à Maria sem cessar, com muito fervor, pedindo-lhe que manifestasse sua proteção aos carmelitas e que não deixasse morrer a Ordem que nascera para honrá-la e imitá-la. E a oração de São Simão Stock chegou ao coração materno de Nossa Senhora...

Segundo a tradição da Ordem e antigos testemunhos, no dia 16 de julho de 1251 — e é por isso que a Igreja celebra a festa de Nossa Senhora do Carmo neste dia do mês de julho —, a Virgem Maria apareceu a São Simão Stock e lhe entregou o escapulário dizendo: " O escapulário será para ti um privilégio, e quem morrer piedosamente revestido com ele será preservado do fim eterno".

Desde então, o escapulário passou a fazer parte integrante do hábito dos carmelitas.

Mas, o que se deve entender pelo termo "piedosamente" empregado pela Virgem Maria? Trata-se, é lógico, de levar uma vida cristã coerente, seguindo os mandamentos de Deus e da Igreja e, ainda, de cultivar com empenho a vida espiritual, buscando o contato mais íntimo com Deus mediante os sacramentos — sobretudo a Eucaristia e a Confissão — e a assídua oração. Em outros termos, usar piedosamente o escapulário significa não tê-lo meramente como um amuleto de sorte, um sinal protetor mágico que nos isenta de viver as exigências cristãs e nos garante a salvação eterna sem esforços de nossa pessoa.

Além disso, evidentemente, usar o escapulário implica na manifestação de um carinho especial pela Mãe de Deus. Se ela nos concede um sinal de proteção, nós, de nossa parte, também devemos lhe demonstrar uma profunda gratidão por esta predileção. É por isso que quem usa o escapulário tem o costume de fazer diariamente alguma prática mariana. Não há nada prescrito como obrigação; cada um escolhe a prática mariana que melhor lhe convier, conforme as próprias possibilidades. O importante é não deixar de dar mostras do amor e da gratidão à Virgem Maria que nos oferece sua proteção mediante o escapulário. Eis alguns exemplos: a recitação do terço, a visita a uma imagem de Nossa Senhora, pequenas mortificações, ou até mesmo a simples recitação de 3 Ave-Marias.

Mas o que é o escapulário?

Escapulário é uma peça de vestuário bastante comum na Idade Média. Tratava-se de duas longas tiras de pano — uma que pendia sobre o peito, outra que caía às costas — ligadas por largas alças, colocadas sobre os ombros. Daí procede seu nome. Escapulário vem da palavra latina scapula, que quer dizer "espáduas, ombros". Seria uma espécie de avental a ser vestido sobre a túnica para protegê-la durante o trabalho, para não sujá-la ou estragá-la.

Pintura de Nossa Senhora concedendo o escapulário a São Simão Stock.

Nossa Senhora, ao dar o escapulário para São Simão Stock, quis simbolizar a proteção que exerceria sobre todos os membros da Ordem. Os carmelitas, de sua parte, também viram no uso do escapulário uma maneira externa de manifestar a razão principal de suas vidas: revestirem-se das virtudes de Maria.

É este o fundamento da devoção ao escapulário: pedir a proteção de Maria e empenhar-se em imitar sua vida, procurando praticar as mesmas virtudes que ela praticou.

Revestir-se de Maria

Maria, por ser a Mãe de Deus, foi preservada de toda mancha de pecado. Em sua vida, foi sempre agradável a Deus, tomando atitudes que eram conformes à vontade divina e praticando as virtudes com a máxima perfeição. Vejamos algumas delas:

  • Maria era uma alma de oração. Estava sempre atenta para escutar e acolher a Palavra de Deus; louvava o Senhor, cantando as maravilhas nela operadas; meditava em seu coração os fatos de sua vida.
  • Maria aceitava com amor a vontade de Deus. Deu à luz Jesus num estábulo; abandonou sua terra, fugindo para o Egito; aos pés da Cruz, vendo seu Filho morrer, renovou seu "sim" ao Pai.
  • Maria tinha um espírito apostólico. Abandonada ao plano da Redenção, soube unir-se à imolação de seu Filho e oferecer seu coração transpassado em beneficio da humanidade.
  • Maria praticava a caridade e era solícita para com todos. Foi em auxílio de sua prima Isabel, socorreu os noivos de Caná.
  • Maria vivia de fé e de esperança, pois acreditou nas palavras do Anjo, não duvidou que Jesus poderia mudar a água em vinho, esperava a ressurreição.
  • Maria tinha um coração eclesial. Amava a Igreja que seu Filho fundara e, por isso, rezou no Cenáculo à espera do Espírito Santo. Não só ficava em oração com os apóstolos, mas os amparava espiritualmente em suas missões na Igreja nascente.

E, olhando para o Evangelho, quantas coisas ainda poderiam ser lembradas!

O Escapulário se espalha pelo mundo

Muitos devotos de Nossa Senhora, conhecendo o simbolismo do escapulário expressaram o desejo de também trazê-lo consigo. Surgiu, assim, entre os carmelitas o costume de "impor" às pessoas que o quisessem um escapulário de dimensões reduzidas feito de pano marrom, por ser esta a cor do hábito carmelitano.

Estas pessoas ficariam espiritualmente unidas à família do Carmelo, mediante o empenho comum de levar uma vida semelhante à da Mãe de Deus. Assim, atualmente a família carmelitana é constituída não só dos frades e monjas, mas também de todos os leigos que se revestem do escapulário.

Com o passar dos anos, este costume foi aprovado pela Igreja e hoje é incentivado como autêntica devoção mariana.

Privilégio Sabatino?

Em meio às lendas e tradições da Ordem Carmelitana, narra-se outra aparição de Nossa Senhora ligada ao escapulário. Ela teria aparecido ao Papa João XXII e lhe teria dito: "A quem tiver usado piedosamente o meu escapulário durante a vida, eu, Mãe bondosa, descendo ao Purgatório no primeiro sábado após sua morte, livrá-lo-ei e o conduzirei ao monte santo da vida".

De fato, não existe uma documentação histórica a respeito dessa aparição da Virgem do Carmo, mas o importante é que tais palavras são substancialmente as mesmas dirigidas aos carmelitas por meio de São Simão Stock: a proteção de Maria nesta vida e a salvação eterna. Aqui, porém, a Nossa Senhora estende sua promessa a todos aqueles que, através do escapulário, estão unidos à família carmelitana.

Porque Nossa Senhora se referiu ao dia de sábado, convencionou-se chamar esta promessa de "privilégio sabatino". No entanto, é necessário esclarecer bem o significado deste termo.

Empregando a palavra sábado, a Virgem Maria usou de um recurso simbólico para manifestar sua intercessão em nosso favor. Se por acaso precisarmos passar pelo Purgatório antes de contemplar a face de Deus no Céu, Maria, qual Mãe bondosa — como ela mesma se denomina — virá em socorro de seus filhos, daqueles que na vida terrena manifestaram-lhe filial devoção com o uso do escapulário. É esta a razão pela qual ela diz que virá no "primeiro sábado" — sábado é o dia mariano —, entendendo com isso que usará de sua intercessão junto a Deus para abreviar o nosso tempo de Purgatório. Isso não significa, absolutamente, que virá no primeiro sábado após a morte da pessoa que usava o escapulário, contando os dias como nós o fazemos nesta terra. Deus é eterno; desconhece as dimensões do tempo e, para Ele, mil anos é a mesma coisa que um dia. Se tivermos que passar pelas purificações do Purgatório, nós ali permaneceremos tanto quanto nos for preciso para nos encontrarmos dignos de comparecer na presença do Deus Santo, mas saberemos que a Virgem Maria estará intercedendo por nós, a fim de que cumpramos esta etapa o mais breve possível e possamos ir ao Céu.

Podemos, então, dizer que o "privilégio sabatino" consiste na materna intercessão de Maria para abreviar o nosso tempo de Purgatório.

Como usar o escapulário

O escapulário deve ser usado constantemente, de dia e de noite. Quando, por alguma razão, seu uso se torne dificultoso, a Igreja dá a possibilidade de substituí-lo por uma medalha em que, na frente, esteja cunhada a imagem de Nossa Senhora do Carmo, e, atrás, a do Sagrado Coração de Jesus. É a medalha de Nossa Senhora do Carmo que, no lugar do escapulário, deve ser sempre carregada com a pessoa.

Da primeira vez que se recebe o escapulário, é necessário apresentá-lo ao sacerdote, a fim de que ele o abençoe e o imponha. Por ser confeccionado com tecido, o escapulário desgasta-se facilmente. Uma vez gasto, basta trocá-lo por outro, não sendo, então, mais preciso recorrer ao sacerdote.

Muitas pessoas se perguntam como se desfazerem do escapulário velho. Dado que se trata de um sacramental [2] e, portanto, um objeto religioso que recebeu uma bênção, o ideal seria queimá-lo de modo que ele se deteriorasse completamente. Se, por qualquer motivo, isso se apresentar difícil, pode-se enterrá-lo de maneira que, com o tempo, a umidade da terra venha a apodrecê-lo, causando sua decomposição. Se nada disso for possível, o ideal é entregá-lo a uma igreja onde o sacristão se encarregará de desfazer-se dele.

O escapulário e as indulgências

É também interessante lembrar que o uso do escapulário permite aos fiéis lucrarem algumas indulgências:

  • Indulgência parcial – O uso piedoso do escapulário ou da medalha (por exemplo: um pensamento, uma lembrança, um olhar, toque ou beijo etc.), além de favorecer a união com Maria Santíssima e com Deus, obtém uma indulgência parcial, cujo valor aumenta na proporção das disposições de piedade e fervor da pessoa.
  • Indulgência plenária – Pode-se lucrá-la no dia em que se recebe pela primeira vez o escapulário, na festa de Nossa Senhora do Carmo (16 de julho), de Santa Teresa de Ávila (15 de outubro), de São João da Cruz (14 de dezembro), de Santo Elias (20 de julho), de Santa Teresinha do Menino Jesus (1º de outubro), de todos os santos carmelitas (14 de novembro) e de São Simão Stock (16 de maio). Para lucrar tais indulgências plenárias, são exigidas as seguintes condições:
    • Confissão, Comunhão eucarística, oração pelo Sumo Pontífice (por exemplo: um Pai-nosso e uma Ave-Maria);
    • propósito firme de querer observar os compromissos da associação do escapulário.

Que ao usar o escapulário, enfim, você não só se sinta protegido pela Virgem Maria, mas, sobretudo, cresça na imitação de suas virtudes.

Notas

  1. São Simão Stock nasceu na Inglaterra, no Condado de Kent, em 1165. Aos 12 anos de idade, desejou a vida consagrada a Deus, mas seus pais não o permitiram. Apesar desta oposição, partiu para a solidão, escolhendo por habitação a concavidade do tronco de uma árvore. É deste fato que lhe advém o nome Stock, que significa "tronco". Mais tarde, abandonou a solidão e, completando seus estudos, foi ordenado sacerdote carmelita. Em 1245, foi eleito Geral. Faleceu em 16 de maio de 1265, tendo passado toda a sua vida no serviço à Santíssima Virgem.
  2. Chamamos de sacramentais os sinais sagrados instituídos pela Igreja, cujo objetivo é preparar os homens para receber o fruto dos sacramentos e santificar as diferentes circunstâncias da vida (CIC 1667).

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Você daria cocaína para o seu filho?
Educação

Você daria cocaína para o seu filho?

Você daria cocaína para o seu filho?

Você daria a seu filho de sete anos uma garrafa de vinho para ele beber? E sua filha de 12 anos, que acabou de entrar na adolescência, você por acaso lhe daria um punhado de cocaína?

Religión en LibertadTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere24 de Maio de 2018
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Você daria a seu filho de sete anos uma garrafa de vinho para ele beber? E sua filha de 12 anos, que acabou de entrar na adolescência, você por acaso lhe daria um punhado de cocaína?

A resposta para essas perguntas parece óbvia, mas é o que acontece muitas vezes, quando se entrega a crianças, sem nenhum tipo de restrição, tablets e smartphones.

É o que afirma Mandy Saligari, especialista em vícios, terapeuta e diretora de uma clínica de reabilitação em Londres, que tem se deparado, nos últimos anos, com uma enxurrada de casos de crianças e adolescentes viciados nessas novas tecnologias.

Há anos que numerosos especialistas em educação vem alertando para esses males, e que neuropsicólogos de prestígio vem avisando dos efeitos negativos que essas tecnologias produzem nas crianças, sem que suas advertências, no entanto, surtam grandes efeitos.

Mandy, assim como muitos outros especialistas, afirma que os pais não têm real consciência da gravidade que é os seus filhos passarem horas e horas diante de uma tela.

“Sempre digo às pessoas: quando você dá a seu filho um tablet ou um telefone, é como se você estivesse realmente lhe dando uma garrafa de vinho ou um punhado de cocaína”, disse Mandy, durante uma conferência educativa em Londres. Ela se perguntava, ao mesmo tempo, “por que prestamos muito menos atenção a essas coisas do que às drogas e ao álcool, quando uma coisa e outra trabalham com os mesmos impulsos cerebrais”.

Nacho Calderón, um prestigiado neuropsicólogo espanhol, assegura que “os celulares e tablets estão gerando déficit de atenção com hiperatividade. Indo aos casos mais extremos, chegaríamos, é claro, a problemas graves de conduta, de agressividade, de isolamento social, e de crianças que só sabem viver através de uma tela”.

Isso ficou patente em um pequeno experimento feito por Dolmio, uma marca britânica de alimentos, com o objetivo de promover as refeições em família. Sem querer, os produtores do comercial se depararam com algo aterrador.

Os protagonistas eram quatro famílias com filhos e o momento escolhido era a hora da refeição. Neste experimento o filho se encontrava sentado à mesa com seu tablet enquanto seus pais preparavam a comida. O objetivo era observar o que faria as crianças deixarem de olhar para a tela, enquanto a realidade ao redor delas fosse se transformando.

Mas a dependência das crianças era tal que elas haviam perdido o contato com o espaço e o tempo, bem como com a realidade de tudo à sua volta. Os pais começaram mudando os quadros e a decoração da sala sem que eles se dessem conta. Também passavam pela sala com objetos estranhos e com capacetes de vikings, por exemplo. Mas nada disso fazia seus filhos erguerem a cabeça.

O experimento foi mais além e seus pais foram trocados por outros adultos que simplesmente vestiam roupas da mesma cor. As crianças não notaram nada, apesar de eles se moverem de um lado para o outro. Inclusive seus irmãos foram trocados por outras crianças, que chegaram a se sentar à mesa com eles. Nem assim, porém, eles perceberam o que acontecia.

Só uma coisa fez com que eles levantassem os olhos: o momento em que se desligou a internet. As crianças tiveram então uma grande surpresa, ao notarem o que havia ocorrido.

Mas esse é apenas um exemplo recente do que está acontecendo em tantos lares onde as telas já constituem como que uma “extensão” das mãos de crianças e adolescentes. As cifras são arrepiantes.

Mandy recorda que inúmeras crianças de 13 anos são tratadas por vício em tecnologia digital e que dois terços dos britânicos entre 12 e 15 anos não conseguem ter um equilíbrio entre o tempo em que estão em frente a esses dispositivos e outras atividades.

Vícios são “um padrão de comportamento que pode se manifestar de diferentes maneiras”.

Quando pensam em vícios — adverte essa especialista —, o pensamento dos pais se dirige a coisas específicas ou a determinados tipos de substância, mas, na realidade, a dependência é “um padrão de comportamento que pode se manifestar de diferentes maneiras”.

Um problema ligado a esse é o aumento no número de menores de idade que enviam e receberam imagens pornográficas, ou que acessam conteúdos impróprios para sua idade a partir dos dispositivos que têm em mãos.

Mandy afirma que dois terços dos pacientes de sua clínica têm entre 16 e 20 anos, um “aumento dramático” em relação a 10 anos atrás. “Muitas de minhas pacientes são meninas de 13 e 14 anos, envolvidas com os chamados nudes, e descrevendo-os como coisas ‘completamente normais’.”

Segundo sua experiência, muitas dessas meninas acreditam que enviar uma foto de si mesmas nuas a alguém, através de um telefone, é algo “normal”, desde que o pai ou um adulto não descubra o que está acontecendo.

Por essa razão, muitos especialistas como ela estão de acordo em que deve existir um maior controle dos pais nessa matéria. 40% dos pais de filhos entre 12 e 15 anos confessam que acham difícil controlar o tempo que seus filhos passam diante desses dispositivos. O resultado é que, mesmo morando sob o mesmo teto que seus pais, as crianças e adolescentes de hoje recebem estímulos e influência de uma porção de pessoas e lugares, menos daqueles que os geraram e que realmente os deveriam educar.

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Existe “cura gay”?
Doutrina

Existe “cura gay”?

Existe “cura gay”?

“A ‘cura gay’ não é aquilo que muitas vezes as pessoas pensam”. Uma resposta firme, equilibrada e católica para a delicada questão da homossexualidade.

Equipe Christo Nihil Praeponere23 de Maio de 2018
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É bastante conhecida a orientação da Igreja às pessoas que sentem atração pelo mesmo sexo. O Catecismo da Igreja Católica diz, em seu parágrafo 2359, que:

As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.

O que muitas vezes se pergunta é se a Igreja não estaria exigindo demais dos homossexuais, pedindo-lhes que vivam a castidade. Não seria um fardo demasiado pesado para se carregar? Por que não “liberar” simplesmente que essas pessoas vivam seus desejos e “abrir” a doutrina da Igreja a esse tipo de situação?

Essas perguntas dizem respeito à realidade de “um número não negligenciável de homens e de mulheres”, que “apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas” (Catecismo, § 2358). Por isso, exigem uma resposta elaborada, minuciosa e profunda — justamente o que Padre Paulo Ricardo faz neste breve vídeo, extraído de nosso episódio ao vivo “Masturbação: nunca mais”.

Trocando em miúdos o que explica o padre, temos o seguinte.

Em primeiro lugar, “é perfeitamente possível ser feliz sem praticar sexo”. A frase pode escandalizar a muitos, mas é isso mesmo. As pessoas só pensam o contrário porque ficaram cegas, obstinadas no pecado, e não querem ouvir nada que aponte o erro de seus maus hábitos:

A imoralidade desenfreada que reina no mundo de hoje é uma das causas principalíssimas — a mais importante depois da propaganda materialista e ateia — da descristianização cada vez maior da sociedade moderna. O mesmo Cristo nos avisa no Evangelho que “todo o que pratica o mal odeia a luz” (Jo 3, 20). Não há nada que cegue tanto como a obstinação no pecado. [1]

Muita gente confunde, além disso, “felicidade” com “prazer”. Enquanto esta é uma sensação principalmente animal, a primeira experiência só pode ser feita pelos seres humanos, detentores que são de uma alma imortal.

A doutrina católica é clara em indicar que a suma felicidade de nossa vida consiste em conhecer e amar a Deus. Todo o resto, portanto, deve subordinar-se a isso. Se estamos fazendo o contrário, somos nós quem devemos mudar, não a Igreja. São os homens que precisam converter-se a Deus, mudar a própria mentalidade e vida, e conformá-los à vontade divina. Propor o contrário seria paganizar a religião e colocá-la a serviço de nossos interesses.

Em segundo lugar, “a ‘cura gay’ não é aquilo que muitas vezes as pessoas pensam”. Como a expressão “cura gay” já gerou muitos mal entendidos, expliquemos o que queremos dizer com ela. Se existe uma “cura gay”, ela não consiste em fazer uma pessoa, que tem atração pelo mesmo sexo, sentir-se atraída pelo sexo oposto. Uma cura da sexualidade humana que se queira “integral” precisa colocar em relevo, sempre, o sexo compatível com a santidade: para quem deseja seguir a Cristo, o ato sexual só pode ser realizado dentro do Matrimônio e de um modo que não se feche à transmissão da vida.

O porquê desse ensinamento da Igreja poderia ser tranquilamente destrinchado tanto racionalmente quanto a partir da Revelação divina. Mas isso nos levaria longe demais. O que importa saber, à luz disso, é que o modo como nossa sociedade, de modo geral, vem vivendo a sexualidade, precisa ser profundamente transformado. Não são apenas os homossexuais, portanto, que precisam de curar-se. Um casal de namorados que se relaciona antes de casar-se, um cônjuge que trai a própria esposa, um jovem que vive afundado na masturbação e na pornografia, todos precisam ter a própria sexualidade curada. A Igreja não é homofóbica. O seu convite à castidade estende-se a todos os seus filhos, indiscriminadamente.

Por fim, “o celibato é o tempero da moral sexual”. Convidar as pessoas à castidade pode significar muitas vezes, até para pessoas casadas, uma renúncia, provisória ou definitiva, ao ato conjugal. Por isso, falar de celibato não pode ser um “bicho de sete cabeças” — como parece ser em muitos ambientes, de Igreja até! Por trás de uma omissão a esse respeito está escondida muitas vezes a ideia de que é impossível ser feliz e realizar-se sem sexo. Ou seja, estamos reduzindo a doutrina moral da Igreja aos postulados da revolução sexual.

A pergunta que precisamos nos fazer, ao fim e ao cabo, é se acreditamos mais em Freud ou em Jesus Cristo; se damos mais crédito ao que assistimos na televisão ou ao que lemos e ouvimos da Palavra de Deus. Só se tivermos fé no que nos ensina a Igreja, afinal, poderemos cumprir o que ela — não em seu próprio nome, mas em nome de Cristo — nos manda. Como diz G. K. Chesterton, “não é que o ideal cristão tenha sido tentado e considerado imperfeito; ele foi considerado difícil sem nem mesmo ser tentado” [2].

Tentemos, pois! O que está em jogo é a nossa realização neste mundo — e a nossa eterna salvação no outro.

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Os falecidos não podem nos trazer mensagens do além?
Doutrina

Os falecidos não podem
nos trazer mensagens do além?

Os falecidos não podem nos trazer mensagens do além?

Para sabermos o que acontece depois da morte, não necessitamos perturbar o repouso dos falecidos. Deus escolheu outro caminho para nos instruir sobre o sentido da vida e o destino eterno que teremos.

Frei Boaventura Kloppenburg22 de Maio de 2018
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Não é permitido, como já vimos, evocar as almas de pessoas que já morreram, prática muito comum no espiritismo. Mas por que tão rigorosa interdição, afinal? Não poderíamos ser positivamente ajudados pela instrução dos falecidos? Ou quererá Deus deixar-nos na ignorância acerca dos acontecimentos depois da morte?

O próprio Jesus nos deu a resposta na parábola do pobre Lázaro e do rico epulão (cf. Lc 16, 19-31). Ambos morrem e são julgados, cada um de acordo com a vida que levou nesta terra. Lázaro “foi levado pelos anjos ao seio de Abraão”, isto é, ao céu. O rico avarento é condenado ao inferno.

A diferença entre os dois, depois da morte, é grande. O falecido rico gozador implora: “Pai Abraão, tem piedade de mim e manda que Lázaro molhe a ponta do dedo para me refrescar a língua, pois estou torturado nesta chama”. Mas a separação entre ambos é definitiva e a comunicação, impossível. A resposta do céu é clara e dura: “Entre vós e nós existe um grande abismo, de modo que aqueles que quiserem passar daqui para junto de vós não o podem, nem tampouco atravessarem os de lá até nós” (v. 26).

“A alma de Lázaro levada para junto de Abraão”, Mestre de James IV da Escócia.

O falecido epulão insiste num pedido com filantrópica proposta: “Pai, eu te suplico, envia então Lázaro até a casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos; que ele os advirta, para que não venham eles também para este lugar de tormento”. Era uma sugestão que parecia muito boa. Estabelecer-se-ia um útil intercâmbio entre os do além, com seus novos conhecimentos, e os da terra, sempre necessitados de esclarecimento e orientação. No entanto, a resposta do céu é seca: “Eles têm Moisés e os Profetas; que os ouçam!” (v. 29).

Mas o proponente insiste, com uma justificação: “Não, pai Abraão, se alguém dentre os mortos for procurá-los, eles se converterão”. A razão parecia óbvia. É a solução proposta também pelos atuais movimentos espiritistas. Se é verdade que as almas dos falecidos sobrevivem conscientemente e que elas continuam solidárias conosco, afirmações que são corroboradas pela Bíblia e ensinadas pela Igreja Católica, por que não poderia o Criador escolher esta via para trazer revelações úteis do além? A resposta do céu, entretanto, segundo Jesus, é sem rodeios: “Se não escutam nem a Moisés nem aos Profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão” (v. 31).

É a rejeição pura e simples da via espiritista [1].

Deus certamente “quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2, 4). Ele não quer deixar-nos na ignorância. Mas o Criador dos homens escolheu outra via para instruí-los sobre o sentido da vida e o destino eterno. Na Constituição dogmática Dei Verbum, de 1965, o Concílio Vaticano II resume no n. 2 assim o plano divino da revelação:

Aprouve a Deus, em sua bondade e sabedoria, revelar-se a si mesmo e tomar conhecido o mistério de sua vontade (cf. Ef 1, 9), pelo qual os homens, por intermédio de Cristo, Verbo feito carne, e, no Espírito Santo, têm acesso ao Pai e se tornam participantes da natureza divina. Mediante esta revelação, portanto, o Deus invisível, levado por seu grande amor, fala aos homens como a amigos (cf. Ex 33, 11; Jo 15, 14-15), e com eles se entretém para os convidar à comunhão consigo e nela os receber.

Este plano de revelação se concretiza através de acontecimentos e palavras intimamente conexos entre si, de forma que as obras realizadas por Deus na história da salvação manifestam e corroboram os ensinamentos e as realidades significadas pelas palavras. Estas, por sua vez, proclamam as obras e elucidam o mistério nelas contido. No entanto, o conteúdo profundo da verdade, seja a respeito de Deus, seja da salvação do homem, se nos manifesta por meio dessa revelação em Cristo, que é ao mesmo tempo mediador e plenitude de toda a revelação.

Deste plano de revelação estão excluídos os falecidos. Depois de Moisés e dos Profetas, Deus nos enviou seu Filho, o Verbo eterno que ilumina todos os homens, para que habitasse entre os homens e lhes expusesse os segredos de Deus (cf. Jo 1, 1-18). Com Jesus recebemos a plenitude da revelação necessária para a nossa salvação.

  • Ele se apresenta a si mesmo com uma declaração solene: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14, 6).
  • Ele está “cheio de verdade” (Jo 1, 14).
  • “Nele se acham escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” (Cl 2, 3).
  • Ele é pessoalmente o anunciado e prometido Emanuel, Deus-com-os-homens. Ele é para nós como a nuvem luminosa do Êxodo: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8, 12).
  • Ele é a luz das gentes (cf. Lc 2, 32), o sol nascente que ilumina os que estão nas trevas (cf. Lc 1, 78s).
  • “Eu, a luz, vim ao mundo para que aquele que crê em mim não permaneça nas trevas” (Jo 12, 46).

Não necessitamos perturbar o repouso dos falecidos (cf. 1Sm 28, 15). O Concílio Vaticano II, na citada Constituição Dei Verbum (n. 4b), nos garante que “a economia cristã, como aliança nova e definitiva, jamais passará, e já não há que esperar nenhuma nova revelação pública antes da gloriosa manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. 1Tm 6, 14; Tt 2, 13)”.

Não haverá “terceira revelação”.

O espiritismo, que pretende ser precisamente esta “terceira revelação”, não só não entra nos planos de Deus Revelador, mas se opõe à economia divina.

Referências

  • Trecho extraído e levemente adaptado de “Espiritismo: Orientação para Católicos”. 9.ª ed., São Paulo: Loyola, 2014, pp. 54-56.

Notas

  1. O que dizer, então, das aparições de almas do Purgatório, as quais já relatamos aqui em algumas oportunidades? Elas devem ser entendidas como milagres, permissões extraordinárias de Deus. “Quem negará a Deus todo-poderoso”, afinal, “a capacidade de enviar-nos seus mensageiros? Quando Deus manda, a iniciativa é sua; e a conseqüente manifestação do além toma para nós um caráter espontâneo. Bem outra é a situação quando a iniciativa é nossa, querendo nós provocar alguma conversação com entidade do além.”

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Se você usa camisinha, este texto é para você
Doutrina

Se você usa camisinha,
este texto é para você

Se você usa camisinha, este texto é para você

O tempo provou onde a sabedoria está. É hora de admitir o óbvio. Se você tem o costume de usar camisinha, pílulas e outros métodos contraceptivos, este texto é para você.

Mons. Charles Pope,  Community in MissionTradução:  Equipe Christo Nihil Praeponere22 de Maio de 2018
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Para falar sobre assédio e abuso sexual em nossa cultura, nós faríamos muito bem em avaliar o quanto a “mentalidade contraceptiva” contribuiu para muitos dos problemas que estamos enfrentando hoje.

De acordo com essa visão de mundo, não haveria qualquer conexão necessária entre sexo e geração de filhos: o que Deus uniu… foi arbitrariamente separado. Isso levou a uma enorme confusão quanto à natureza e ao fim da intimidade sexual, bem como quanto ao que sejam Matrimônio e família. Muitos tratam o sexo de maneira frívola e leviana; pensam erroneamente que o sexo pode ser vivido sem consequências; e, como temos visto em notícias recentes, muitos homens já não veem as mulheres como esposas, mães e pessoas que devem ser respeitadas, mas como objetos a ser explorados.

Duas gerações se passaram desde a publicação da corajosa e profética encíclica Humanae Vitae, a qual manteve a antiga condenação da Igreja ao uso da contracepção artificial. E talvez nenhum outro ensinamento da Igreja provoque tanto escárnio (mesmo entre os católicos) quanto esse sobre a regulação da natalidade. “Absurdo!”, dizem alguns. “Fora de cogitação!”, meneiam a cabeça. “Ridículo!”, fazem troça. “Você só pode estar brincando!”

Mas o tempo cuidou de provar onde estava a sabedoria (cf. Mt 11, 16-19). Cerca de cinquenta anos após a aceitação generalizada da contracepção, como nós estamos? Talvez seja melhor rever algumas das “promessas” que os defensores da contracepção fizeram e, então, fazer um paralelo com algumas das profecias do Beato Papa Paulo VI. Revisemos os registros e tomemos nota de quais foram, afinal, os “frutos” da contracepção.

As promessas dos defensores da contracepção eram:

  • Casamentos mais felizes e menos divórcios, porque os casais seriam capazes de ter tantas relações quanto quisessem sem o “medo” da gravidez.
  • Menor número de abortos porque haveria bem menos casos de gravidez “indesejada”.
  • Maior dignidade para as mulheres porque elas não estariam mais “presas” a seus sistemas reprodutivos.
  • Uma promessa mais recente: redução das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e da AIDS.

As preocupações e previsões do Papa Paulo VI, no n. 17 da Humanae Vitae, eram as seguintes:

Considerem, antes de mais, o caminho amplo e fácil que tais métodos abririam à infidelidade conjugal e à degradação da moralidade.

Não é preciso ter muita experiência para conhecer a fraqueza humana e para compreender que os homens — os jovens especialmente, tão vulneráveis neste ponto — precisam de estímulo para serem fiéis à lei moral e não se lhes deve proporcionar qualquer meio fácil para eles eludirem a sua observância.

É ainda de recear que o homem, habituando-se ao uso das práticas anticoncepcionais, acabe por perder o respeito pela mulher e, sem se preocupar mais com o equilíbrio físico e psicológico dela, chegue a considerá-la como simples instrumento de prazer egoísta e não mais como a sua companheira, respeitada e amada.

Pense-se ainda seriamente na arma perigosa que se viria a pôr nas mãos de autoridades públicas, pouco preocupadas com exigências morais. Quem poderia reprovar a um governo o fato de ele aplicar à solução dos problemas da coletividade aquilo que viesse a ser reconhecido como lícito aos cônjuges para a solução de um problema familiar? Quem impediria os governantes de favorecerem e até mesmo de imporem às suas populações, se o julgassem necessário, o método de contracepção que eles reputassem mais eficaz?

Quem estava, pois, com a razão? O mundo ou a Igreja? Vamos considerar alguns dados.

Em primeiro lugar, a taxa de divórcios não diminuiu; disparou. Nos Estados Unidos, a taxa de divórcios subiu na década de 1970 e depois até quase 50% dos casamentos estavam em crise. Nos últimos anos, o número de divórcios caiu ligeiramente, mas isso só deve ao fato de que cada vez menos pessoas querem se casar, preferindo, ao invés, coabitar ou relacionar-se em uma espécie de monogamia em série, pulando de um relacionamento para outro. A taxa geral de divórcio atualmente paira na faixa de 40%.

Os defensores da contracepção hoje reclamam que o divórcio é um assunto complicado, o que certamente é verdade, mas eles não podem ficar dos dois lados: primeiro dizem que a contracepção será uma solução “simples” para tornar os casamentos mais felizes e, depois, quando percebem tão drasticamente que estão errados, reclamam que o divórcio é complicado. O Papa Paulo VI, por outro lado, previu a maré difícil para o casamento com o advento da contracepção; parece que ele estava certo.

Em segundo lugar, a taxa de abortos não diminuiu; disparou também. Em poucos anos, a pressão para tornar o aborto mais acessível levou à sua legalização em 1973, nos Estados Unidos. Já está provado que os contraceptivos, longe de diminuírem a taxa de abortos, na verdade, só a fizeram aumentar. Como os contraceptivos costumam falhar, o aborto tem se tornado o último recurso para os casais que não querem ter filhos.

Além disso, como previu o Papa, a imoralidade sexual foi amplamente disseminada; e também isso tem levado a altas taxas de aborto. É difícil comparar os índices de promiscuidade entre as épocas porque as pessoas não costumam contar a verdade quando perguntadas sobre essas coisas. Mas alguém precisa ser muito míope para não perceber o aumento vertiginoso da promiscuidade aberta, da coabitação, da pornografia e de outras imoralidades. Todos esses maus comportamentos, que se tornaram mais comuns pelos contraceptivos, também alimentaram as taxas de aborto. Mais um ponto em que a previsão do Papa e da Igreja se mostrou certa.

Consideremos, em terceiro lugar, a dignidade da mulher. Trata-se de algo difícil de estimar, porque cada pessoa tem seus próprios critérios para medi-la. As mulheres têm, de fato, grandes oportunidades profissionais hoje, mas será essa realmente a fonte da dignidade de uma pessoa?

A dignidade de alguém certamente envolve mais que suas capacidades econômicas. Infelizmente, a maternidade foi para o banco de trás na cultura popular e, como o Papa previu, as mulheres foram hipersexualizadas também. Sua dignidade como mães e esposas foi posta de lado e substituída pelo prazer sexual que elas oferecem aos homens.

Muitos homens modernos, não mais obrigados ao casamento para terem satisfação sexual, usam e abusam das mulheres. Eles simplesmente “pegam o que querem” e muitas delas parecem dispostas a lhes fornecer isso livremente. Neste cenário, os homens “vencem”. As mulheres ainda são frequentemente infectadas por DSTs e abandonadas com seus filhos, os quais têm de assistir e educar sozinhas. E, quanto mais ficam velhas e “menos atraentes” para os homens, mais sozinhas ficam. Eu não estou muito certo de que isso seja dignidade.

Teriam as mulheres realmente se beneficiado com essa nova moralidade que a contracepção ajudou a inaugurar? Aparentemente, o Papa estava certo mais uma vez.

Em quarto lugar, o que dizer da contracepção como fator que previne e reduz as DSTs ou a AIDS? Novamente, uma grande decepção. As DSTs não foram prevenidas nem diminuíram. A taxa de infecções disparou entre os anos 1970 e 1980. A AIDS, que surgiu neste mesmo período, continua a apresentar taxas terrivelmente altas. Onde está a libertação prometida?

Os contraceptivos previnem muito pouco. O que eles fazem, na verdade, é encorajar a propagação dessas doenças, pois promovem o mau comportamento que as causa. Aqui, também, a Igreja estava certa e o mundo, errado.

O tempo cuidou de mostrar, portanto, onde estava a sabedoria. O que aprendemos ao longo destas décadas de contracepção? Primeiro, que é um grande erro acreditar em suas promessas; os contraceptivos só tornaram as coisas piores do que já estavam. Maus comportamentos têm sido estimulados e todas as consequências ruins decorrentes disso estão vindo à tona.

Por outro lado, a maioria das pessoas parece desinteressada nesses dados. Os corações se tornaram entorpecidos e as inteligências se encontram adormecidas. Apesar disso, espero que você considere com cuidado essas informações, compartilhando-as com outras pessoas. O tempo provou onde a sabedoria está. É hora de admitir o óbvio.

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