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O que São José nos ensina com seu silêncio?
Santos & Mártires

O que São José nos
ensina com seu silêncio?

O que São José nos ensina com seu silêncio?

“Quem não encontrar mestre que lhe ensine oração, tome ao glorioso São José por mestre e não errará no caminho.”

Equipe Christo Nihil Praeponere15 de Março de 2018Tempo de leitura: 5 minutos
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“Quem não encontrar mestre que lhe ensine oração, tome a este glorioso Santo por mestre e não errará no caminho” [1]: isso é Santa Teresa d’Ávila, grande doutora da Igreja, falando de São José, pai virginal de Jesus.

Comecemos por procurar entender o que significa a recomendação desta santa, de ter São José como “mestre de oração”. Se nos fosse dado o conselho de ouvir talvez um apóstolo, cujos atos estão pormenorizadamente narrados na Bíblia; ou ler os escritos de um santo doutor, como Agostinho ou Afonso de Ligório, pouca dificuldade teríamos em aceitá-lo. Afinal de contas, é ofício do mestre ensinar, seja oralmente, como fizeram os primeiros discípulos de Cristo, seja por escrito, como fizeram tantos outros depois deles.

De São José, no entanto, se é possível aprender com alguns dos poucos atos de sua vida relatados nos Evangelhos (cf. Mt 1, 16.18-24; 13, 55; Lc 2, 41-51; 3, 23), de sua boca não temos nenhuma palavra, nem uma sequer, que nos tenha chegado ao conhecimento. Trata-se, sem dúvida, de uma das personagens mais importantes do Novo Testamento, mas também uma das quais mais pouco se fala.

Por isso, outra conclusão não podemos tirar das palavras de Santa Teresa, a não ser que São José, diferentemente da maioria dos mestres, tem algo a ensinar-nos não tanto com suas palavras, mas justamente com seu silêncio.

Esse silêncio de que queremos falar, porém, não é tanto a ausência de palavras, ou um “simples mutismo”, como se manter-se de boca fechada fosse, por si só, prova e indicativo de virtude. O silêncio de São José só nos ensina se considerarmos a grandeza do mistério que o circunda.

Nas palavras do pe. Federico Suárez Verdeguer, em “José, esposo de Maria”:

José encontra-se perante um mistério de um Deus feito homem, de uma Virgem que concebe sem obra de varão, e de uma eleição — a que Deus fez dele — para velar o mistério e proteger os seus protagonistas. Que ia ele dizer ante semelhante prodígio, um homem simples, um artesão de uma aldeia perdida num canto do Império, ao ver-se não somente espectador do mais maravilhoso sucesso ocorrido desde a criação do mundo mas implicado nele, por um particular desígnio de Deus?

Não se fala quando se está imerso na contemplação do divino, quando a grandeza do que se está a contemplar é tal que qualquer palavra se torna trivial, uma vez que o acontecimento ultrapassa completamente a pessoa e o que ela pode dizer. [2]

Para ilustrar esta verdade, de que “não se fala quando se está imerso na contemplação do divino”, tomemos como exemplo negativo a reação de São Pedro à Transfiguração do Senhor, narrada há poucos dias na liturgia. Diante do mistério de Jesus Cristo glorioso, com as roupas brancas e resplandecentes, e com Elias e Moisés a conversar com Ele, Pedro faz ao Senhor um comentário totalmente despropositado: “Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias.”

“São José e o Menino Jesus”, Escola de Sevilha, século XVII.

É claro que nada do que está na Bíblia foi escrito e chegou até nós em vão. Mas que Pedro “nem sabia o que estava dizendo” é o próprio evangelista São Lucas quem o declara (9, 33).

Disso aprendemos que, diante de um acontecimento que “ultrapassa completamente a pessoa e o que ela pode dizer”, melhor resposta não há do que silenciar-se, deter-se diante do que se está a contemplar e guardar o que se tem diante dos olhos bem no fundo do coração: Secretum meum mihi, “o meu segredo para mim” (Is 24, 16 na Vulgata).

São Pedro naturalmente mudaria muito depois deste episódio no monte Tabor. Ao longo de sua vida apostólica, até o martírio, ele certamente ainda pararia muitas vezes para meditar sobre aquele grande milagre que havia presenciado. São José, no entanto, desde o começo fez aquilo que os Apóstolos só começariam a fazer de fato em Pentecostes. Ele, a exemplo de Maria de Nazaré, guardava todas as coisas de Deus em seu coração (cf. Lc 2, 19). Ele, a exemplo de Maria de Betânia, tinha escolhido a melhor parte (cf. Lc 10, 42). Daí a conveniência de lhe chamarmos “mestre de oração”: com seu silêncio, S. José aponta-nos para o grande “porteiro da vida interior” [3], sem o qual é absolutamente impossível ter intimidade com Deus.

“Enxame de banalidades”

Para haver verdadeiro e frutuoso silêncio em nossas vidas, no entanto, não basta que procuremos nos recolher um momento ou outro de nosso dia, voltando depois a incontáveis barulhos e agitações voluntárias. “Não há nada que perturbe tanto a clara visão da alma como a turbulência provocada pelas preocupações triviais e pelo enxame de banalidades que atraem a nossa atenção e que tornam o homem tão ligeiro como inconstante” [4].

Enxame de banalidades” nada mais é do que aquele zumbido que nos atazana o dia inteiro, comprometendo até mesmo a nossa vida de oração; aquele monte de informações jogadas ao mesmo tempo nas redes sociais e que vamos absorvendo superficialmente de tudo um pouco, sem nos aprofundarmos em nada; aquele punhado de notícias que nos mantêm aparentemente “atualizados” mas que nos vão tornando espiritualmente defasados, mornos, imprestáveis.

Talvez esteja na hora de nos retirarmos um pouco mais do mundo frenético da internet e nos recolhermos no santuário de nossa alma, onde Deus habita e quer falar conosco. Este é o único conhecimento verdadeiramente necessário; todos os outros, por mais elevados que pareçam, não passam de “vaidade das vaidades” (Ecle 1, 2). “Todos os homens naturalmente desejam saber”, diz a Imitação de Cristo. “Mas para que serve a ciência sem o temor de Deus?” E ainda: “É preferível o humilde camponês que serve a Deus ao orgulhoso filósofo que observa os movimentos dos céus” [5].

Quem melhor pode representar este “humilde camponês” que São José, o artesão simples e recolhido de Nazaré? Peçamos a ele aquilo que nos recomendava Santa Teresa d’Ávila: que ele seja “mestre de oração” para nós. Prefiramos perder tudo, morrer completamente para o mundo, se for preciso, ser ignorados por todas as pessoas, longe do “enxame de banalidades” de que está cheia a internet, contanto que vivamos para Deus. “Que os homens jamais falem de nós, contanto que Jesus Cristo fale um dia.” [6]


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Referências

  1. Santa Teresa de Jesus, Livro da Vida, c. VI, n. 8.
  2. Federico Suarez, José, Esposo de Maria. Lisboa: Rei dos Livros, 1986, pp. 23-24.
  3. São Josemaria Escrivá, Caminho, 281.
  4. Federico Suarez, José, Esposo de Maria. Lisboa: Rei dos Livros, 1986, p. 25.
  5. Imitação de Cristo, l. 1, c. II, n. 1.
  6. Jacques B. Bossuet, Panegírico de São José (1659). In: Panegíricos (trad. de Pe. Clementino Contente). 1.ª ed. Rio de Janeiro: Castela, 2013.

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Novena em honra a Nossa Senhora de Fátima
Oração

Novena em honra a
Nossa Senhora de Fátima

Novena em honra a Nossa Senhora de Fátima

No dia 13 de maio de 1917, a Santíssima Virgem Maria apareceu na cidade portuguesa de Fátima, deixando a todos os homens uma mensagem de salvação. Prepare-se para celebrar este acontecimento, rezando conosco esta novena.

Equipe Christo Nihil Praeponere3 de Maio de 2021Tempo de leitura: 7 minutos
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Esta novena em honra a Nossa Senhora de Fátima pode ser rezada a qualquer tempo, mas é particularmente recomendada nos nove dias que precedem a sua festa, isto é, de 4 a 12 de maio. 

O texto abaixo encontra-se em inúmeros lugares da internet, com pequenas variações de forma e conteúdo. Inclui uma oração litúrgica e outras que os próprios pastorinhos de Fátima aprenderam das aparições que receberam do céu. As demais são, também, muito belas e apropriadas, mas sua fonte é desconhecida. O trabalho de nossa equipe foi apenas no sentido de revisar e organizar o que encontramos.

Cada um é livre para adaptar a novena às próprias necessidades, acrescentando-lhe outras leituras e orações que aumentem a devoção. Pois as fórmulas a seguir não são “palavras mágicas”, que basta pronunciar para ver atendida a sua prece. Se a mente e o coração não acompanham nossas palavras, elas de nada servem; são como um “corpo sem alma”. 

Além disso, ao apresentarmos a Deus nossos pedidos, devemos sempre submetê-los à sua vontade. Pois, muitas vezes, o que imaginamos como uma graça para nós, pode não o ser de fato. Deus sabe mais e melhor o que convém a nós e à nossa eterna salvação.


Orações iniciais. — Ó meu Deus! Eu creio, adoro, espero e vos amo. Peço-vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não vos amam. Ó Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo! Eu vos adoro profundamente e vos ofereço o preciosíssimo corpo, sangue, alma e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido, e pelos méritos infinitos do seu Sacratíssimo Coração e do Imaculado Coração de Maria, peço-vos a conversão dos pobres pecadores.

Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente as que mais precisarem.

Ó Santíssima Virgem Maria, Rainha do Rosário e Mãe de Misericórdia, que vos dignastes manifestar em Fátima a ternura do vosso Imaculado Coração, trazendo-nos mensagens de salvação e paz, confiados em vossa misericórdia maternal e agradecidos das bondades de vosso amantíssimo Coração, viemos a vossos pés para render-vos o tributo de nossa veneração e amor. Concedei-nos as graças de que necessitamos para cumprir fielmente vossa mensagem de amor e as que vos pedimos nesta novena (pedir as graças), se forem elas para maior glória de Deus, honra vossa e proveito de nossas almas. Assim seja.

1.º dia — Penitência e reparação

Ó Santíssima Virgem Maria, Mãe dos pobres pecadores, que, aparecendo em Fátima, deixastes transparecer em vosso rosto celestial uma leve sombra de tristeza, para indicar a dor que causam os pecados dos homens, a quem, com maternal compaixão, exortastes a não afligir mais a vosso Filho com a culpa e a reparar os pecados com a mortificação e a penitência: dai-nos a graça de uma sincera dor dos pecados cometidos e a resolução generosa de reparar com obras de penitência e mortificação todas as ofensas contra o vosso divino Filho e o vosso Coração Imaculado. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

2.º dia — Santidade de vida

Ó Santíssima Virgem Maria, Mãe da divina graça, que, vestida de nívea brancura, aparecestes aos pastorinhos singelos e inocentes, ensinando-lhes assim o quanto devemos amar e procurar a inocência da alma, e que pedistes, por meio deles, a emenda dos costumes e a santidade de uma vida cristã perfeita: concedei-nos misericordiosamente a graça de saber apreciar a dignidade de nossa condição de cristãos e levar uma vida conforme as promessas batismais.

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

3.º dia — Amor à oração

Ó Santíssima Virgem Maria, Vaso insigne de devoção, que aparecestes em Fátima tendo pendente de vossas mãos o santo Rosário e que insistentemente repetias: “Orai, orai muito” para conseguir findar, por meio da oração, os males que nos ameaçam: concedei-nos o dom e o espírito de oração, a graça de sermos fiéis no cumprimento do grande preceito de orar, fazendo-o todos os dias, para assim observar bem os santos Mandamentos, vencer as tentações e chegar ao conhecimento e ao amor de Jesus Cristo nesta vida e à união feliz com Ele na outra. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

4.º dia — Amor à Igreja

Ó Santíssima Virgem Maria, Rainha da Igreja, que exortastes os pastorinhos de Fátima a rogar pelo Papa e infundistes em suas almas sinceras uma grande veneração e amor por ele, como Vigário de vosso Filho e seu representante na Terra, infundi também em nós o espírito de veneração e docilidade à autoridade do Romano Pontífice, de adesão inquebrantável aos seus ensinamentos e, nele e com ele, um grande amor e respeito a todos os ministros da Santa Igreja, por meio dos quais participamos da vida da graça nos sacramentos. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

5.º dia — Maria, Saúde dos enfermos

Ó Santíssima Virgem Maria, Saúde dos enfermos e Amparo dos aflitos, que, movida pelo rogo dos pastorinhos, fizestes já curas em vossas aparições em Fátima e haveis convertido este lugar, santificado por vossa presença, em oficina de vossas misericórdias maternais em favor de todos os aflitos, ao vosso Coração maternal acudimos cheios de filial confiança, mostrando as enfermidades de nossas almas e as aflições e doenças todas de nossa vida: lançai sobre elas um olhar de compaixão e remediai-as com a ternura de vossas mãos, para que assim vos possamos servir e amar com todo o nosso coração e com todo o nosso ser. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

6.º dia — Maria, Refúgio dos pecadores

Ó Santíssima Virgem Maria, Refúgio dos pecadores, que ensinastes aos pastorinhos de Fátima a rogar incessantemente ao Senhor, para que os desgraçados não caiam nas penas eternas do inferno, e que manifestastes a um dos três que os pecados da carne são os que mais almas arrastam àquelas terríveis chamas: colocai em nossas almas um grande horror ao pecado e o temor santo da justiça divina; ao mesmo tempo, despertai em nós compaixão pelos pobres pecadores e um santo zelo para trabalhar, com nossas orações, exemplos e palavras, por sua conversão. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

7.º dia — Maria, Alívio das almas do purgatório

Ó Santíssima Virgem Maria, Rainha do purgatório, que ensinastes aos pastorinhos de Fátima a rogar a Deus pelas almas do purgatório, especialmente pelas mais abandonadas, encomendamos à inesgotável ternura de vosso maternal Coração todas as almas que padecem naquele lugar de purificação, em particular as de todos os nossos conhecidos e familiares e as mais abandonadas e necessitadas. Aliviai suas penas e levai-as prontas à região da luz e da paz, para ali cantarem perpetuamente vossas misericórdias.

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

8.º dia — Maria, Rainha do Rosário

Ó Santíssima Virgem Maria, que em vossa última aparição vos destes a conhecer como Rainha do santíssimo Rosário e em todas as aparições recomendastes a récita dessa devoção como remédio mais seguro e eficaz para todos os males e calamidades que nos afligem, tanto de alma quanto de corpo, tanto públicas quanto privadas: colocai em nossas almas uma profunda estima pelos mistérios de nossa Redenção, que se comemoram na récita do Rosário, para assim vivermos sempre de seus frutos. Concedei-nos a graça de sermos sempre fiéis à prática de rezá-lo diariamente, para vos honrarmos a vós, acompanhando vossas alegrias, dores e glórias, e assim merecermos vossa maternal proteção e assistência em todos os momentos da vida, mais especialmente na hora da morte.

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

9.º dia — Imaculado Coração de Maria

Ó Santíssima Virgem Maria, nossa Mãe dulcíssima, que escolhestes os pastorinhos de Fátima para mostrar ao mundo as ternuras de vosso Coração misericordioso e lhes propusestes a devoção a ele como o meio pelo qual Deus quer dar a paz ao mundo, como o caminho para levar as almas a Ele e como penhor supremo de salvação: fazei, ó Coração da mais terna das mães, que possamos compreender vossa mensagem de amor e misericórdia, que a abracemos com filial adesão e que a pratiquemos sempre com fervor. Assim seja vosso Coração nosso refúgio, nossa esperança e o caminho que nos conduz ao amor e à união com vosso filho Jesus. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

Oração final. — Ó Deus, cujo Filho unigênito, por sua vida, morte e ressurreição, nos mereceu as recompensas da salvação eterna: concedei-nos, nós vos pedimos, que, recordando pelo santíssimo Rosário estes mistérios da bem-aventurada Virgem Maria, imitemos o que encerram e obtenhamos o que prometem. Pelo mesmo Jesus Cristo, Senhor nosso. Amém.

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PL contra ativismo judicial pode ser aprovado amanhã!
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PL contra ativismo judicial
pode ser aprovado amanhã!

PL contra ativismo judicial pode ser aprovado amanhã!

O Projeto de Lei 4754/2016, que tipifica como crime de responsabilidade, passível de impeachment, a usurpação de competência do Poder Legislativo ou Executivo pelos ministros do STF, está pautado para votação nesta terça-feira, 4 de maio.

Equipe Christo Nihil Praeponere3 de Maio de 2021Tempo de leitura: 3 minutos
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O Projeto de Lei 4754/2016, que tipifica como crime de responsabilidade passível de impeachment a usurpação de competência do Poder Legislativo ou do Poder Executivo por parte dos ministros do Supremo Tribunal Federal, está pautado para ser votado nesta terça-feira na Comissão de Constitucionalidade e Justiça da Câmara dos Deputados.

A previsão é que, contrariamente a situações anteriores e diante do novo ambiente político, o projeto tenha grande probabilidade de ser aprovado. A manifestação dos cidadãos pode ser o fator decisivo

Os ministros do Supremo Tribunal Federal têm abusado de suas competências para legislar e modificar a Constituição. Os abusos são tão constantes e notórios que não é necessário enumerá-los. A menos que não se crie a legislação adequada para que os poderes Executivo e Legislativo possam defender-se destes abusos, o STF poderá proximamente impor o ensino obrigatório da ideologia de gênero para todo o sistema escolar e aprovar o aborto totalmente livre no país. 

O PL 4754/2016 não irá remediar o problema, mas é o pressuposto jurídico para que os verdadeiros remédios possam ser elaborados. O ativismo judicial é crime gravíssimo, mas antes que se possam elaborar medidas legislativas contra qualquer crime, o próprio crime tem de ser tipificado e reconhecido como tal pela lei. É isto o que faz o PL 4754/2016. 

A justificativa deste Projeto de Lei é simples e curta, consistindo apenas de um único parágrafo: 

A Constituição atribui competências específicas a cada um dos três poderes, exigindo que estes zelem pela preservação das mesmas. A Lei 1079/1950, que define os crimes de responsabilidade, é pródiga ao listar os crimes de responsabilidade do Presidente da República e dos Ministros de Estado, mas lacônica ao fazer o mesmo com os membros do judiciário. Sem dúvida este fato se deve ao modo exemplar como os juízes têm desempenhado suas funções em nosso país. Sabe-se, entretanto, que a doutrina jurídica recente tem realizado diversas tentativas para justificar o ativismo judiciário, algo praticamente inexistente em nosso país nos anos 50, época em que foi promulgada a lei que define os crimes de responsabilidade. Este ativismo, se aceito como doutrina pela comunidade jurídica, fará com que o Poder Judiciário possa usurpar a competência legislativa do Congresso. Não existem atualmente, por outro lado, normas jurídicas que estabeleçam como, diante desta eventualidade, esta casa poderia zelar pela preservação de suas competências. De onde decorre a importância da aprovação deste projeto.

O PL 4754 é, portanto, bastante simples. Ele só explicita o que é pressuposto da própria Constituição: que os três poderes são independentes e um não pode se imiscuir nas competências do outro.

Pedimos, pois, a todos os que receberem esta mensagem, que telefonem, enviem e-mails e se comuniquem com os deputados da Comissão de Justiça e Constitucionalidade da Câmara através de suas redes sociais, para que votem favoravelmente à matéria pautada. Abaixo se encontram: 

No momento de se comunicar com os deputados, sejam eles quais forem, seja educado ao extremo, mas firme e claro na expressão de suas posições. Mais importante do que o e-mail é telefonar de viva voz e manifestar-se nas redes sociais.

Ligue primeiro para os deputados de seu estado e identifique-se como cidadão desta unidade da federação. Você é eleitor deles, eles representam você, e lhe darão mais atenção se for do mesmo estado. Em seguida, ligue também para os deputados dos demais estados. É muito importante explicar claramente aos assessores dos deputados a importância do PL 4754/2016. 

Estamos em uma democracia, e não numa monarquia ou aristocracia. Insistam em comunicar-se e fazer com que mais pessoas entrem em contato. Não deixem a tarefa apenas para autoridades e especialistas. Isso vai fazer toda a diferença. 

Ao deixar sua mensagem, não copie e cole. Não faça nada padronizado. Use suas próprias palavras. Seja você mesmo. Mostre que o que você diz é a expressão de sua própria cidadania, e não da dos outros. Não delegue suas obrigações políticas aos outros.

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Santo Tomás, as redes sociais e os pecados de injúria
Espiritualidade

Santo Tomás,
as redes sociais e os pecados de injúria

Santo Tomás, as redes sociais e os pecados de injúria

Mais de sete séculos atrás, Santo Tomás entendeu algo que nós, em grande parte, esquecemos: a injúria pode ter um efeito sério e duradouro sobre a vida das pessoas. Uma palavra dita facilmente se esquece, mas uma palavra impressa perdura — às vezes para sempre.

John ClarkTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere30 de Abril de 2021Tempo de leitura: 3 minutos
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Nos últimos meses, os gigantes da mídia social Facebook e Twitter adotaram políticas de censura ainda mais restritivas. Entre muitos católicos, há uma indignação palpável a essas ações corporativas. Isso é compreensível. Afinal, a liberdade de expressão é tida como um direito fundamental por grande parte das nações ocidentais [1].

Mas existe um problema subjacente muito mais preocupante: nos últimos anos, nós, católicos, temos usado essas plataformas de mídia social para cometer uma multidão de pecados.

É fácil ficar furioso com os crimes de outra pessoa, mas de uma coisa podemos ter certeza: quando você estiver diante do tribunal de Cristo, não será questionado sobre as políticas corporativas do Facebook ou do Twitter. Você será questionado se, pessoalmente, se envolveu em pecados como xingamentos, zombaria, mentira, fofoca, calúnia ou difamação.

Alguns de nós, católicos, parecem nunca ter considerado esse fato. Muitos parecem acreditar que as postagens do Facebook não estão sujeitas a escrutínio moral, mesmo que essas postagens violem a justiça e a caridade, mesmo que possam ser lidas por todo o mundo.

Qual será nossa defesa? Diremos que nossos pecados foram meramente publicados no Facebook, em vez de comunicados de forma audível — e que isso, de alguma forma, nos absolve de qualquer transgressão?

Mais de sete séculos atrás, Santo Tomás de Aquino abordou este tema na Suma Teológica em uma questão sobre a injúria (II-II 72), que “comporta desonra de uma pessoa” e ocorre “quando se leva algo contrário à honra de alguém ao seu conhecimento e de outras pessoas” (a. 1). Tomás de Aquino argumenta que “a injúria será maior se os defeitos são revelados diante de muitos” [2].

O Catecismo da Igreja Católica faz eco ao Aquinate quando ensina que uma declaração pública falsa sobre os outros, por exemplo, “assume uma gravidade particular” (§ 2476). A lógica é simples e correta: a calúnia particular fala aos que estão ao alcance da voz; a calúnia pública fala ao mundo inteiro.

Com frequência, esses pecados são de natureza objetivamente grave. Como Tomás declara sem rodeios, “a injúria é pecado mortal” (a. 2). Em termos de gravidade moral, a postagem de comentários difamatórios pode ser colocado lado a lado com o consumo de pornografia. Vale a pena considerar esse fato antes de clicar no botão “publicar”.

O Aquinate entendeu algo que nós, em grande parte, esquecemos: esses pecados podem ter um efeito sério e duradouro. Uma palavra falada pode ser facilmente esquecida, mas uma palavra impressa perdura — às vezes permanentemente.

É uma lição que aprendi da maneira mais difícil.

Anos atrás, confessei sacramentalmente o pecado de difamação e perguntei ao padre como poderia fazer a reparação. Ele explicou que aí estava o problema. Quando você rouba dinheiro, explicou ele, pode devolver o dinheiro. Mas quando você rouba a reputação de alguém (a sua “honra”, diria Santo Tomás), isso é muito mais difícil de reparar. Fui absolvido, mas meu trabalho estava apenas começando.

A partir do momento que saí do confessionário, comecei a trabalhar para realizar essa tarefa de reconciliação. No processo, aprendi que devolver uma reputação geralmente requer muita paciência, criatividade e perdão. Mas há certa beleza e esperança na restituição, e o processo ajuda a nos curar de nossos pecados.

Publico isso hoje como um lembrete para mim e para todos os que lutam contra esses pecados da “liberdade de expressão”; mas também como uma advertência aos que nunca consideraram a seriedade desses pecados. A facilidade e o ímpeto com que nos insultamos e castigamos uns aos outros é arrepiante

Portanto, quando ouvirmos que o Facebook tem censurado a liberdade de expressão, talvez isso nos inspire a realizar algo que deveríamos fazer o tempo todo: censurar a nós mesmos.

Notas

  1. No texto original, o autor fala só dos Estados Unidos, mas hoje a liberdade de expressão é tida como um direito fundamental na maior parte do mundo. Observe-se que não está em discussão, neste artigo, a oportunidade de manter irrestrita, em nossos dias, esse tipo de liberdade. É fato que, nos tempos em que ainda havia Estados católicos, a Igreja instruía as autoridades civis a não permitir a livre difusão do erro, sob pena de as sociedades se tornarem justamente o que se tornaram hoje. As circunstâncias em que vivemos, porém, são o exato oposto disso: o poder político e os meios de comunicação em geral se encontram nas mãos de pessoas ruins, e são elas que, agora, censuram os bons (N.T.).
  2. Tanto no original latino quanto nas traduções portuguesas mais conhecidas da Suma, o vocábulo mais comum usado nessa questão é “contumélia”. Por ser uma palavra pouco conhecida, preferimos substituí-la por “injúria” (N.T.).

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Cinco orações a São José
Oração

Cinco orações a São José

Cinco orações a São José

Conheça cinco orações tradicionais a São José para recitar em diversas circunstâncias e alcançar, por intercessão do Patriarca da Sagrada Família, nosso pai e senhor, muitas e inestimáveis graças da parte de Deus.

Wilhelm NakatenusTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere29 de Abril de 2021Tempo de leitura: 2 minutos
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1. Para eleger São José como padroeiro. — Ó São José, fiel guardião e pai nutrício do meu Redentor Jesus Cristo, castíssimo esposo da Mãe de Deus! Eu, _______, vos escolho hoje como meu padroeiro e advogado singular e proponho firmemente nunca vos abandonar nem permitir que qualquer pessoa faça algo contra a vossa honra. Peço-vos, pois, suplicante, que vos digneis me acolher como vosso protegido perpétuo, instruir nas dúvidas, consolar nas adversidades e, por fim, defender e proteger na hora da morte. Amém.

2. Para alcançar, por intercessão de São José, a graça de comungar piedosamente. —  Ó santíssimo José, que grande graça vos foi concedida por Deus, porque não somente vistes, mas também tomastes entre os braços com paterno afeto ao seu Filho unigênito na carne (a quem tantos reis em vão quiseram ver)! Oxalá eu, inflamado por este vosso exemplo e ajudado por vosso patrocínio, receba ao meu Senhor e Redentor Jesus Cristo com igual afeto de amor e reverência no santíssimo Sacramento do Altar, de modo que mereça recebê-lo depois para sempre no céu. Amém.

3. Para alcançar a companhia e a direção de São José nos caminhos desta vida. — Ó São José, que como pai e mentor conduzistes fielmente a Jesus Cristo na infância e na juventude por todos os caminhos da peregrinação humana, assisti-me também a mim, eu vos peço, na peregrinação de minha vida como companheiro e guia, e não permitais nunca que eu me desvie do caminho dos Mandamentos de Deus. Sede nas adversidades proteção, nas provações consolo, até que eu finalmente chegue à terra dos vivos, onde convosco e vossa santíssima esposa, Maria, e com todos os santos exultarei para sempre em meu Deus, Jesus Cristo. Amém.

4. Para alcançar qualquer graça pela intercessão de São José. — Ó São José, a quem Jesus nesta terra sujeitou-se e prontamente obedeceu, e a quem tratou sempre com singular reverência e amor! Como Ele nos céus, onde agora são recompensados os vossos méritos, vos irá negar alguma coisa? Orai por mim, ó São José, e alcançai-me antes de tudo a graça de detestar seriamente e fugir a todos os pecados, especialmente a estes: _______; de emendar para melhor minha vida; de me dedicar constantemente ao exercício das virtudes, especialmente destas: _______; e de me ver livre destas tentações: _______, das ocasiões de pecados, que podem pôr minha alma em perigo de condenação, e desta aflição e miséria: _______, a não ser que isto se oponha à vontade divina e à minha salvação. Em tudo isso, em todas as outras coisas, porém, submeto-me e confio-me à providência e disposição divinas e à vossa paterna proteção, ó São José. Amém.

5. Para alcançar uma morte feliz. — Ó São José, que nos suavíssimos braços de Jesus, vosso protegido, e de vossa santíssima esposa, Maria, migrastes desta vida, socorrei-me, ó santo pai, com Jesus e Maria, sobretudo quando a morte vier pôr fim à minha vida; e alcançai-me (é a única coisa que vos peço) o consolo de expirar nos mesmos braços santíssimos de Jesus e de Maria. Em vossas mãos, na vida e na morte, entrego o meu espírito, Jesus, Maria e José. Amém.

Referências

  • Estas orações foram extraídas do célebre livro devocional Coeleste Palmetum (7. ed., 1879, pp. 296-297) e traduzidas do latim por nossa equipe.

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