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Por que vale a pena assistir de novo à “Paixão” de Mel Gibson
Espiritualidade

Por que vale a pena assistir
de novo à “Paixão” de Mel Gibson

Por que vale a pena assistir de novo à “Paixão” de Mel Gibson

A grandeza do filme “A Paixão de Cristo”, de 2004, dificilmente será superada, não só porque é uma produção católica, mas porque se trata de uma verdadeira obra de arte.

Equipe Christo Nihil Praeponere23 de Março de 2016Tempo de leitura: 9 minutos
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A festa da Páscoa ocupa o centro da identidade e da missão da Igreja e tem reflexos não só no interior de seus átrios, mas na própria sociedade que a circunda. Vários dos símbolos integrantes da cultura ocidental, como o crucifixo, possuem um profundo significado místico. Feriados de que hoje as pessoas se servem simplesmente para descansar e festejar, como o Carnaval e o próprio Corpus Christi, mudam de data todos os anos por uma razão religiosa: de meados de março até o começo de abril, os cristãos — e, no Brasil, especialmente os católicos — se preparam para lembrar o evento mais importante de suas vidas: a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, no período que é conhecido como Semana Santa.

Mesmo contando com uma data específica no calendário civil e religioso, os discípulos de Cristo são chamados a "fazer memória" da Paixão de seu Mestre sempre, e a razão disso se depreende do próprio significado desse evento: foi por esse fato histórico, ocorrido em Jerusalém, no ano 33 d.C., que a humanidade inteira foi salva de seus pecados e introduzida na própria vida divina. Com a "passagem" de Cristo da morte à ressurreição, todos os homens também são chamados a morrer para o pecado e para uma vida velha, e nascer, ressurgir, para uma vida nova de graça e santidade.

É essa a mensagem universal, contida nos Evangelhos, que é retratada pelo filme de 2004, The Passion of the Christ ("A Paixão de Cristo"), de Mel Gibson, ao qual vale a pena assistir novamente nesta Semana Santa. O filme começa, de fato, com a conhecida descrição de Isaías sobre o Servo Sofredor: "Ele foi ferido por causa de nossas transgressões, esmagado por causa de nossas iniquidades; por suas feridas somos curados" (Is 53, 5). Cristo não morreu por uma causa, não Se entregou simplesmente por uma "mensagem bonita" em que acreditava. Também os que morrem por razões humanas são capazes disso. Jesus de Nazaré morreu para salvar todos os homens e cada um deles em particular. Por esse motivo, a mensagem de "A Paixão de Cristo" toca a todas as pessoas, independentemente do clã a que pertençam.

Alguém pode perguntar o porquê da menção específica à "Paixão" de Mel Gibson, quando tantas outras obras artísticas retratam a vida de Jesus — desde as várias pinturas que hoje temos a um clique na Internet, passando pelos oratórios de Johann Sebastian Bach, até os filmes mais recentes ligados ao mesmo tema, como o lançamento Risen ("Ressurreição", no Brasil), com um foco nos episódios posteriores à Ressurreição. O que traz de novo, afinal, "A Paixão de Cristo"? Por que recomendar esse filme em especial — mesmo doze anos após o seu lançamento?

As respostas para essa pergunta são várias porque a produção de Mel Gibson é extraordinária em muitos sentidos: o realismo com que se representa o sofrimento de Cristo, o cuidado na escolha das personagens e na sua caracterização, o uso do aramaico e do latim para reproduzir os diálogos originais... Há muito sobre o que falar, tanto em relação aos bastidores quanto à exibição em si. Uma característica, no entanto, merece especial atenção: a "catolicidade" do filme, manifesta principalmente na alusão ao sacramento da Eucaristia e no destaque que é dado à figura de Nossa Senhora.

Cumpre falar, antes de qualquer coisa, da experiência pessoal com a fé católica que compartilham os principais envolvidos na produção cinematográfica.

Mel Gibson, o diretor, já falou em várias entrevistas sobre a sua identidade católica — ainda que muitos escândalos tenham obscurecido a sua reputação nos últimos anos. Jim Caviezel, que interpretou Jesus Cristo, revelou que comungava todos os dias antes das gravações. "Nós somos ambos católicos romanos", diz Caviezel, referindo-se a Mel. "Ele arrumou uma missa em latim para mim. Eu também recebia todo dia a comunhão eucarística antes de filmar".

As filmagens propriamente ditas constituíam uma verdadeira batalha espiritual, como confessa o protagonista (as perguntas vão em itálico e os negritos são nossos):

Como era o processo de maquiagem?
Nos períodos piores, demorava das 2h da manhã até as 10h. Precisava ficar curvado, e eles aplicavam a pele em mim. Era torturante, começou a me enfraquecer. Era difícil de engolir a comida, sentia frio o tempo todo, desloquei o ombro, lutei contra a hipotermia, sofri uma infecção no pulmão e uma pneumonia, tinha um corte de 35 centímetros nas minhas costas, esfolados e dores por causa das correntes, dores de cabeça severas e infecções na pele — e, um dia, fui atingido por um raio.

Como aconteceu?
Nós estávamos num penhasco, nos preparando para rodar o Sermão da Montanha e fui atingido por um raio. As pessoas começaram a gritar e me contaram que eu tinha fogo nos dois lados da cabeça e uma luz em volta de mim. Foi assustador.

Quanto você esteve perto de não sobreviver?
Muito perto. Usar a coroa parece desconfortável. Era muito difícil. Tinha dores de cabeça porque os espinhos eram presos por um fio na minha cabeça, já que o vento era demais. E tinha de focar com meu olho fechado, o que me levou a terríveis dores de cabeça também.

Quais foram os efeitos em você?
Foi muito cansativo. Tinha de duas a três horas de sono por noite. Você começa a ficar louco e a entrar em pânico. Não conseguia respirar, estremecia, não tinha paciência. E tive essas dores de cabeça, que me atormentavam.

De quanta força física você precisava para ficar na cruz?
Tinha de ir à academia depois da filmagem porque ia ficar na cruz o dia todo naquela posição estranha. Precisava de força. Finalmente, quando estava na cruz, foi tão ruim que, na hora em que digo, "Senhor, por que me abandonaste?", eu realmente senti aquilo! No subtexto, estava falando: "Você obviamente não se importa se eu faço este filme ou não, quem sabe se você existe?". Mas posso dizer que, passando por tudo isso, compreendi muito profundamente que Ele existe. Eu o amo mais agora do que nunca.

Além da fé católica do diretor e do ator principal do filme, vale lembrar o milagre da "conversão de Judas", que aconteceu no decorrer das filmagens. O italiano Luca Lionello, que interpretou Judas Iscariotes, se converteu à Igreja após o filme, atribuindo à Paixão a sua mudança de vida. Ele era ateu.

É claro que nenhuma dessas características produz necessariamente um bom espetáculo — para tanto, demanda-se talento artístico, além da fé. Essas referências, todavia, põem à luz como que "a alma" do filme, que não consistiu apenas em reproduzir "a arte pela arte", mas em externar o profundo senso religioso de seus realizadores. Além da óbvia alusão ao Novo Testamento, sabe-se, por exemplo, que Gibson lançou mão de algumas mensagens de Nosso Senhor a uma beata católica — a religiosa alemã Anna Catharina Emmerich —, as quais, embora não obriguem à fé, ajudam muito na meditação dos sofrimentos do Redentor.

A "catolicidade" da trama é muito nítida, além disso, na íntima conexão que se dá entre a celebração da Última Ceia e a cena da crucificação. A associação desses dois episódios não vem da cabeça de Mel, mas da doutrina católica, que vê nos dois sacrifícios — o da Eucaristia e o da Cruz — essencialmente o mesmo sacrifício [1], pelo que, quando celebra a Santa Missa, o sacerdote renova a entrega única e definitiva de Cristo e dá a todos os que O comungam colher em suas vidas os frutos de Sua oblação. Por isso, quando comungamos, diz um santo da Igreja [2], é como se nos aproximássemos do próprio Cristo pendente na Cruz para beber do sangue que brota de Seu lado ferido pela lança.

Igualmente notável é o tratamento especial dado à Mãe do Redentor ao longo de toda a história. Alguns críticos de matriz protestante questionaram essa "obsessão" com Maria — as suas aparições seriam "exageradas" e incompatíveis com a narrativa evangélica.

Para nós, católicos, no entanto, não havia surpresa nenhuma: a mesma piedade que fez Mel Gibson mostrar a Virgem das Dores permanentemente ao lado de seu Filho, seja na Sua vida oculta, seja na Sua agonia, não só faz ecoar os Evangelhos (cf. Lc 2, 51; Jo 19, 25-27), como constitui a mesma devoção que desde sempre inspirou os cristãos a cantarem louvores à Mãe de Deus — como no famoso hino medieval Stabat Mater —, a retratarem o seu luto nas inúmeras obras a que se deu o nome de Pietà, e a meditar durante a Quaresma o belíssimo e emocionante encontro entre o Filho e a Sua Mãe na Via Crucis.

Os cristãos sempre veneraram Nossa Senhora com honras e títulos especialíssimos — vide o Concílio de Éfeso e os louvores que o próprio Lutero, fundador do protestantismo, teceu à Mãe de Deus. São os protestantes modernos que tentam "inventar a roda" e talhar um cristianismo à sua própria medida, sem nenhuma referência à Mãe de Jesus ou aos Seus amigos mais íntimos, que são os santos. Nesse sentido, a "Paixão" de Mel Gibson não é um filme mariano porque é exagerado, mas simplesmente porque é verossímil.

Dita verossimilhança salta aos olhos, por exemplo, quando se assiste ao recém-lançado Risen ("Ressurreição"), do diretor Kevin Reynolds — aparentemente, uma tentativa de dar sequência à produção de Mel Gibson, mais restrita à narrativa da Paixão. No filme deste ano, de tendência assumidamente protestante, Nossa Senhora aparece tão somente na cena da crucificação, gritando histericamente no meio de uma multidão amorfa de pessoas. O retrato pode até não configurar propriamente um insulto, mas é de um reducionismo absurdo e revoltante. Tudo bem que o foco do filme tenha sido outro período da vida de Jesus — e, quanto a isso, talvez valha a pena escrever uma resenha especial sobre o filme inteiro —, mas nada justifica um tratamento tão frio e indiferente à Mãe de Deus, quando os próprios Evangelhos ressaltam a sua presença especial aos pés da Cruz, chegando mesmo a sustentar um diálogo com seu Filho (cf. Jo 19, 25-27). Aparentemente, para ignorar a Mãe de Deus, até mutilar indevidamente as Escrituras está valendo.

De qualquer modo, não é necessário servir-se de muitas comparações para concluir que a grandeza da "Paixão" de Mel Gibson dificilmente será superada. Não porque é uma produção católica, mas porque é uma verdadeira obra de arte — e, como toda arte autêntica, põe os seus admiradores em contato com o belo. Quando o tema da obra é o Verbo encarnado, então, ela vai elevada à enésima potência — ao infinito, melhor dizendo, de onde saiu o Cristo que padece por nós no Calvário.

Nesta Semana Santa, vale a pena assistir uma vez mais a The Passion of the Christ e redescobrir o grande mistério da nossa salvação. "De tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3, 16). Creia firmemente nisso e deixe que essa verdade transforme a sua vida.

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Por que é importante a virgindade perpétua de Maria?
Virgem Maria

Por que é importante
a virgindade perpétua de Maria?

Por que é importante a virgindade perpétua de Maria?

Atualmente, a virgindade perpétua de Nossa Senhora é negada pela maioria dos protestantes, embora a maior parte dos reformadores defendesse essa doutrina. Mas a mãe de Jesus foi realmente virgem ao longo de toda a sua vida? E por que isso importa?

Paul SenzTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere6 de Maio de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
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Um dos principais pontos de discórdia entre católicos e protestantes é a fé na Bem-aventurada Virgem Maria. A tradição católica de venerar a Mãe de Jesus e dogmas como a Imaculada Conceição e a Assunção são frequentemente contestados pelos protestantes. Atualmente, a virgindade perpétua de Maria é negada pela maioria dos protestantes, embora a maioria dos reformadores, alinhados à fé cristã universal de um milênio e meio antes, defendesse essa doutrina.

Mas Maria foi virgem por toda a vida? E por que isso importa?

Este não é um fórum para resumir as evidências que demonstram a virgindade perpétua de Maria. Esses argumentos já foram defendidos muitas vezes em respostas de apologistas católicos. Aqui, preocupamo-nos principalmente em saber por que é importante a resposta a essa questão.

A primeira razão pela qual a virgindade perpétua de Maria é importante é que se trata de uma verdade, não de opinião, e o fato é que a Igreja tem defendido infalivelmente essa doutrina desde os seus primeiros dias. Certamente, os Padres da Igreja, por exemplo, não defenderiam uma inverdade; afinal, veritas vos liberabit, “a verdade vos libertará” (Jo 8, 32). A virgindade perpétua de Maria raramente foi desafiada na história cristã. Até mesmo os principais reformadores protestantes reconheceram que a virgindade perpétua de Maria é ensinada nas Escrituras, e todos os Padres da Igreja a sustentaram como verdadeira.

Nomes de peso como Tertuliano, S. Atanásio, S. João Crisóstomo, S. Ambrósio e S. Agostinho argumentaram, com base nas Escrituras, que Maria permaneceu virgem por toda a vida. Isso era verdade para os cristãos em todo o mundo conhecido, latino e grego, do Oriente e do Ocidente. Orígenes de Alexandria, por exemplo, escreveu: “Não há filho de Maria, exceto Jesus, segundo a opinião dos que pensam corretamente sobre ela” (Comentário a João I 4). S. Jerônimo, o magnífico tradutor e erudito bíblico, afirmou claramente: acreditamos que Maria permaneceu virgem por toda a vida, porque lemos isso nas Escrituras (cf. Contra Helvídio 21).

O proto-evangelho de Tiago, embora não seja escritura canônica, é um importante documento histórico que nos diz muito sobre o que a Igreja primitiva acreditava. Escrito no século II d.C., não muito depois do fim da vida terrena de Maria, este documento faz um grande esforço para defender a virgindade perpétua de Maria. Na verdade, alguns estudiosos — incluindo Johannes Quasten, o grande estudioso da patrística do século XX — pensaram que esse era o objetivo principal do texto. Entre outras coisas, é do protoevangelium que colhemos a tradição segundo a qual Maria foi consagrada para o serviço no Templo quando jovem, o que significaria uma vida de virgindade perpétua. De fato, o texto indica que Maria foi confiada a José para que ele lhe protegesse a virgindade.

No II Concílio de Constantinopla, de 553 d.C., Maria recebeu oficialmente o título de “sempre Virgem”. Um século depois, o Papa Martinho I esclareceu que, com isso, a Igreja quer dizer que Maria foi virgem antes, durante e depois do nascimento de Cristo (ante partum, in partu, et post partum). Este é um ponto crucial — o parto virginal é essencialmente incontestável entre os cristãos. É na questão de saber se Maria permaneceu virgem que muitos protestantes discordam da Igreja Católica.

Martinho Lutero, Ulrico Zuínglio, João Calvino (pelo menos no início da carreira) e outras primeiras figuras protestantes reconheceram que a virgindade perpétua de Maria é ensinada na Bíblia. Infelizmente, ao longo dos séculos desde a Reforma, seus descendentes teológicos se perderam nesse aspecto. Hoje, poucos protestantes reconhecem a verdade, muito menos a base bíblica, da virgindade perpétua de Maria.

Novamente, não estou tentando provar o caso aqui com um apelo a uma ampla variedade de autoridades. Ofereço esta breve pesquisa de história da Igreja sobre a questão para mostrar que a Igreja frequente e inequivocamente defendeu a doutrina como verdadeira, porque sua verdade é importante, ao passo que sua negação é um desenvolvimento relativamente recente na história da Igreja.

Em segundo lugar, a virgindade perpétua de Maria é importante porque sua verdade tem implicações importantes para todos nós, a saber: aponta para além de sua vida, para o mundo que está por vir, um mundo em que não haverá mais casamento e todos seremos como Maria foi. “Na ressurreição, os homens não terão mulheres nem as mulheres, maridos; mas serão como os anjos de Deus no céu” (Mt 22, 30), disse Jesus aos saduceus. A virgindade de Maria é uma prefiguração do céu, a recompensa para aqueles que dizem a Deus, com Maria: “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38).

Em terceiro, a virgindade perpétua de Maria é um dos muitos atributos que a tornam um belo símbolo da Igreja, como a Noiva virgem de Cristo e a Mãe fecunda dos cristãos. S. Ambrósio escreveu: “Apropriadamente, [Maria] é desposada mas Virgem, porque ela prefigura a Igreja imaculada mas casada. Uma Virgem concebeu do Espírito, uma Virgem dá à luz sem dores” (Sobre Lucas 2, 6-7).

Em quarto lugar, a virgindade perpétua de Maria diz muito sobre seu relacionamento com todos nós. Quando Cristo estava morrendo na cruz, disse a João: “Eis aí tua mãe”, e a Maria: “Mulher, eis aí teu filho” (Jo 19, 26-27). A Igreja sempre reconheceu nessa passagem não somente um filho preocupado com o cuidado da mãe depois de sua morte, mas também Cristo a entregar sua Mãe a cada um de nós. Ela também é nossa Mãe. Isso não faria sentido se Maria tivesse outros filhos, já que eles teriam sido encarregados de cuidar dela após a morte de Jesus. E isso deve importar para todos os cristãos.

Citando a Lumen Gentium, o Catecismo da Igreja Católica afirma que “o nascimento de Cristo ‘não diminuiu, antes consagrou a integridade virginal’ da sua Mãe” (§ 499). E este ponto merece destaque especial: o nascimento virginal não foi apenas um “truque”, um milagre usado para “empolgar” as pessoas, sinalizando que algo especial aconteceu. Foi um claro indício de que Maria foi consagrada (reservada, por seu fiat) para o serviço a Deus, conformando sua vontade com a de Deus. Ela foi separada por sua virgindade, e sua virgindade foi santificada por Nosso Senhor em seu nascimento.

O parto virginal e a virgindade perpétua de Maria são sinais da sua consagração total a Deus, de serviço sincero a Ele e de um abandono total à sua vontade. Ao longo dos séculos, cristãos de todos os matizes têm defendido essa doutrina, às vezes com veemência em face de oposições. O fato da sua virgindade perpétua é importante, porque Maria foi dada a todos nós como Mãe espiritual, símbolo da Igreja. Todos os cristãos fariam bem em se voltar para Nossa Senhora e ver, em sua virgindade perpétua, um sinal da Providência de Deus.

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Por que entrarei para um mosteiro em 2021?
Testemunhos

Por que entrarei
para um mosteiro em 2021?

Por que entrarei para um mosteiro em 2021?

Vivemos numa “época sem precedentes”. É por isso que, seguindo o precedente de São Bento, Santa Catarina e Santa Teresinha, entrarei para um mosteiro em 2021. Porque às vezes precisamos abandonar o mundo para amá-lo.

Gretchen ErlichmanTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere6 de Maio de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
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Vivemos numa “época sem precedentes”. Esta frase, repetida com tanta frequência, não apenas tomou as manchetes dos jornais e adornou os lábios de muitos apresentadores, mas também se tornou um mantra sempre presente em nossos encontros cotidianos. “Época sem precedentes” descreve o desconcertante conglomerado de caos político, tensões religiosas e uma sociedade conduzida por uma pandemia.

Porém, são precisamente épocas como esta que estabelecem um precedente para vocações à vida contemplativa: o Império Romano desmoronava, enquanto S. Bento compunha sua regra monástica. O Grande Cisma do Ocidente atormentava o papado, enquanto S. Catarina de Siena fazia penitência pela regeneração da Igreja. As religiosas do Carmelo de Lisieux morriam de gripe asiática, enquanto S. Teresinha rezava pela saúde e regeneração da Europa.

Em poucos meses, seguirei esse precedente, deixando para trás a vida que conheço a fim de entrar como postulante entre as irmãs dominicanas contemplativas do Mosteiro de Nossa Senhora das Graças, em North Guilford, Connecticut. Para mim, essa parece ser a melhor resposta que posso dar ao nosso atual contexto social e à vida, em sentido mais amplo.

Mas talvez essa ideia não seja tão bem compreendida quanto eu esperava. Ao compartilhar essa intenção com outras pessoas, tenho recebido de amigos, familiares, conhecidos e estranhos um número cada vez maior de perguntas em tom de perplexidade, todas elas questionando minha decisão de entrar para um mosteiro. — Por que eu faria isso justamente agora? Por que eu gostaria que minha última experiência do “mundo” fosse a de uma sociedade conduzida por uma pandemia? Por que, em meio ao caos do ambiente político e religioso desta época, eu me trancaria num claustro? — Alguns sugerem que uma pessoa só faria tal escolha com o objetivo de fugir dos problemas do mundo. Outros veem nisso uma negação heróica das coisas “mundanas”. Essas respostas erram o alvo.

É justamente o desejo de me dedicar a esta “época sem precedentes” que fortalece minha determinação de buscar uma vida como religiosa dominicana contemplativa. Não entrarei num mosteiro para fugir do mundo nem para mostrar uma falsa piedade. Entrarei na vida religiosa a fim de seguir a minha vocação particular, através da qual poderei realizar mais perfeitamente minha missão como membro cristã da sociedade humana. Ao renunciar às coisas do mundo, uma religiosa afirma de modo radical a realidade do bem e do mal no mundo. Ao entrar para o claustro, ela se torna livre para penetrar com mais profundidade o sofrimento de um mundo que sofre. E, ao fechar os olhos na oração, ela é capaz de abrir seu coração para um mundo desesperadamente carente.

Um dos lemas da Ordem dos Pregadores é contemplare et contemplata aliis tradere (“contemplar e transmitir aos outros as coisas contempladas”). Depois de discernir pela primeira vez a respeito da vida contemplativa, não sabia ao certo como esse lema se manifestaria na vida de uma irmã de clausura. Hoje, compreendo que é por meio de uma vida contemplativa que me comprometerei de modo pleno e frutífero com um mundo sofredor. Por meio de uma vida de oração e penitência e afastada do mundo, uma irmã contemplativa está intimamente unida em solidariedade àqueles que sofrem no mundo. Esta solidariedade é definida pela oferta plena de si em prol de um bem muito maior do que ela mesma; é um derramamento de sua vida de oração e penitência pelo bem comum do mundo ao redor dela. É por meio desta solidariedade que ela cumpre sua vocação: contemplare et contemplata aliis tradere.    

O Papa S. João Paulo II afirma exatamente isso em sua carta apostólica Salvifici doloris:

É necessário, portanto, cultivar em si próprio esta sensibilidade do coração, que se demonstra na compaixão por quem sofre. Por vezes esta compaixão acaba por ser a única ou a principal expressão do nosso amor e da nossa solidariedade com o homem que sofre (...) Pode-se dizer mesmo que se dá a si próprio, o seu próprio “eu”, ao outro. Tocamos aqui um dos pontos-chave de toda a antropologia cristã. O homem “não pode encontrar a sua própria plenitude a não ser no dom sincero de si mesmo”. Bom Samaritano é o homem capaz, exatamente, de um tal dom de si mesmo (n. 28).

Toda pessoa é chamada a viver uma manifestação específica desse “sincero dom de si” por meio de sua vocação pessoal: os pais sacrificam o próprio conforto em prol dos filhos; os profissionais da saúde põem as próprias vidas na linha de frente em prol da saúde e do bem-estar dos outros; os membros do clero são obrigados a viver à altura do desafio de viver e pregar a verdade, não importa a que custo. Eu, junto com minhas futuras irmãs, sou chamada a participar de todos esses sofrimentos de modo sobrenatural, por meio do dom da vida contemplativa.

Religiosas contemplativas são chamadas a oferecer orações pela mãe exausta que não consegue rezar após uma noite em claro com seu filho; a fazer penitência pelo homem que está morrendo sozinho e precisa da graça da conversão; a ajoelhar-se diante do Santíssimo Sacramento e implorar pela paz em nossa nação e pela fertilidade da Igreja. Como religiosa, usarei minha vida para unir todos esses sofrimentos ao sofrimento de Cristo na cruz. Cristo fez-se homem e sacrificou sua vida humana pela salvação da humanidade. Dentro das muralhas do mosteiro, religiosas sacrificam suas próprias vidas humanas e as unem à de Cristo, levando assim toda a humanidade para Ele, e Ele para toda a humanidade.  

Assim que eu entrar no mosteiro, minha “janela” para o mundo consistirá numa pequena abertura na grade da capela onde está o ostensório com o Santíssimo Sacramento. Literalmente, verei o mundo exterior através de Cristo. Que expressão perfeita da vida religiosa que eu desejo buscar! G. K. Chesterton escreveu o seguinte: “O voto é para o homem o que o canto é para o pássaro ou o latido para o cão; é a voz pela qual ele é conhecido” (The Barbarism of Berlin). É na busca por uma vida com os votos de pobreza, castidade e obediência no interior das silenciosas muralhas do claustro que desejo ser escutada.

Por isso, estou seguindo o precedente de S. Bento, S. Catarina e S. Teresinha nesta “época sem precedentes” e entrarei para um mosteiro em 2021. Porque às vezes precisamos abandonar o mundo para amá-lo.

Notas

  • A fotografia acima, é da profissão da Irmã Maria Teresa do Sagrado Coração, religiosa dominicana no Mosteiro de Nossa Senhora do Rosário, em Summit, Nova Jersey. Créditos: Toni Greaves.

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Novena em honra a Nossa Senhora de Fátima
Oração

Novena em honra a
Nossa Senhora de Fátima

Novena em honra a Nossa Senhora de Fátima

No dia 13 de maio de 1917, a Santíssima Virgem Maria apareceu na cidade portuguesa de Fátima, deixando a todos os homens uma mensagem de salvação. Prepare-se para celebrar este acontecimento, rezando conosco esta novena.

Equipe Christo Nihil Praeponere3 de Maio de 2021Tempo de leitura: 7 minutos
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Esta novena em honra a Nossa Senhora de Fátima pode ser rezada a qualquer tempo, mas é particularmente recomendada nos nove dias que precedem a sua festa, isto é, de 4 a 12 de maio. 

O texto abaixo encontra-se em inúmeros lugares da internet, com pequenas variações de forma e conteúdo. Inclui uma oração litúrgica e outras que os próprios pastorinhos de Fátima aprenderam das aparições que receberam do céu. As demais são, também, muito belas e apropriadas, mas sua fonte é desconhecida. O trabalho de nossa equipe foi apenas no sentido de revisar e organizar o que encontramos.

Cada um é livre para adaptar a novena às próprias necessidades, acrescentando-lhe outras leituras e orações que aumentem a devoção. Pois as fórmulas a seguir não são “palavras mágicas”, que basta pronunciar para ver atendida a sua prece. Se a mente e o coração não acompanham nossas palavras, elas de nada servem; são como um “corpo sem alma”. 

Além disso, ao apresentarmos a Deus nossos pedidos, devemos sempre submetê-los à sua vontade. Pois, muitas vezes, o que imaginamos como uma graça para nós, pode não o ser de fato. Deus sabe mais e melhor o que convém a nós e à nossa eterna salvação.


Orações iniciais. — Ó meu Deus! Eu creio, adoro, espero e vos amo. Peço-vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não vos amam. Ó Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo! Eu vos adoro profundamente e vos ofereço o preciosíssimo corpo, sangue, alma e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido, e pelos méritos infinitos do seu Sacratíssimo Coração e do Imaculado Coração de Maria, peço-vos a conversão dos pobres pecadores.

Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente as que mais precisarem.

Ó Santíssima Virgem Maria, Rainha do Rosário e Mãe de Misericórdia, que vos dignastes manifestar em Fátima a ternura do vosso Imaculado Coração, trazendo-nos mensagens de salvação e paz, confiados em vossa misericórdia maternal e agradecidos das bondades de vosso amantíssimo Coração, viemos a vossos pés para render-vos o tributo de nossa veneração e amor. Concedei-nos as graças de que necessitamos para cumprir fielmente vossa mensagem de amor e as que vos pedimos nesta novena (pedir as graças), se forem elas para maior glória de Deus, honra vossa e proveito de nossas almas. Assim seja.

1.º dia — Penitência e reparação

Ó Santíssima Virgem Maria, Mãe dos pobres pecadores, que, aparecendo em Fátima, deixastes transparecer em vosso rosto celestial uma leve sombra de tristeza, para indicar a dor que causam os pecados dos homens, a quem, com maternal compaixão, exortastes a não afligir mais a vosso Filho com a culpa e a reparar os pecados com a mortificação e a penitência: dai-nos a graça de uma sincera dor dos pecados cometidos e a resolução generosa de reparar com obras de penitência e mortificação todas as ofensas contra o vosso divino Filho e o vosso Coração Imaculado. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

2.º dia — Santidade de vida

Ó Santíssima Virgem Maria, Mãe da divina graça, que, vestida de nívea brancura, aparecestes aos pastorinhos singelos e inocentes, ensinando-lhes assim o quanto devemos amar e procurar a inocência da alma, e que pedistes, por meio deles, a emenda dos costumes e a santidade de uma vida cristã perfeita: concedei-nos misericordiosamente a graça de saber apreciar a dignidade de nossa condição de cristãos e levar uma vida conforme as promessas batismais.

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

3.º dia — Amor à oração

Ó Santíssima Virgem Maria, Vaso insigne de devoção, que aparecestes em Fátima tendo pendente de vossas mãos o santo Rosário e que insistentemente repetias: “Orai, orai muito” para conseguir findar, por meio da oração, os males que nos ameaçam: concedei-nos o dom e o espírito de oração, a graça de sermos fiéis no cumprimento do grande preceito de orar, fazendo-o todos os dias, para assim observar bem os santos Mandamentos, vencer as tentações e chegar ao conhecimento e ao amor de Jesus Cristo nesta vida e à união feliz com Ele na outra. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

4.º dia — Amor à Igreja

Ó Santíssima Virgem Maria, Rainha da Igreja, que exortastes os pastorinhos de Fátima a rogar pelo Papa e infundistes em suas almas sinceras uma grande veneração e amor por ele, como Vigário de vosso Filho e seu representante na Terra, infundi também em nós o espírito de veneração e docilidade à autoridade do Romano Pontífice, de adesão inquebrantável aos seus ensinamentos e, nele e com ele, um grande amor e respeito a todos os ministros da Santa Igreja, por meio dos quais participamos da vida da graça nos sacramentos. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

5.º dia — Maria, Saúde dos enfermos

Ó Santíssima Virgem Maria, Saúde dos enfermos e Amparo dos aflitos, que, movida pelo rogo dos pastorinhos, fizestes já curas em vossas aparições em Fátima e haveis convertido este lugar, santificado por vossa presença, em oficina de vossas misericórdias maternais em favor de todos os aflitos, ao vosso Coração maternal acudimos cheios de filial confiança, mostrando as enfermidades de nossas almas e as aflições e doenças todas de nossa vida: lançai sobre elas um olhar de compaixão e remediai-as com a ternura de vossas mãos, para que assim vos possamos servir e amar com todo o nosso coração e com todo o nosso ser. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

6.º dia — Maria, Refúgio dos pecadores

Ó Santíssima Virgem Maria, Refúgio dos pecadores, que ensinastes aos pastorinhos de Fátima a rogar incessantemente ao Senhor, para que os desgraçados não caiam nas penas eternas do inferno, e que manifestastes a um dos três que os pecados da carne são os que mais almas arrastam àquelas terríveis chamas: colocai em nossas almas um grande horror ao pecado e o temor santo da justiça divina; ao mesmo tempo, despertai em nós compaixão pelos pobres pecadores e um santo zelo para trabalhar, com nossas orações, exemplos e palavras, por sua conversão. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

7.º dia — Maria, Alívio das almas do purgatório

Ó Santíssima Virgem Maria, Rainha do purgatório, que ensinastes aos pastorinhos de Fátima a rogar a Deus pelas almas do purgatório, especialmente pelas mais abandonadas, encomendamos à inesgotável ternura de vosso maternal Coração todas as almas que padecem naquele lugar de purificação, em particular as de todos os nossos conhecidos e familiares e as mais abandonadas e necessitadas. Aliviai suas penas e levai-as prontas à região da luz e da paz, para ali cantarem perpetuamente vossas misericórdias.

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

8.º dia — Maria, Rainha do Rosário

Ó Santíssima Virgem Maria, que em vossa última aparição vos destes a conhecer como Rainha do santíssimo Rosário e em todas as aparições recomendastes a récita dessa devoção como remédio mais seguro e eficaz para todos os males e calamidades que nos afligem, tanto de alma quanto de corpo, tanto públicas quanto privadas: colocai em nossas almas uma profunda estima pelos mistérios de nossa Redenção, que se comemoram na récita do Rosário, para assim vivermos sempre de seus frutos. Concedei-nos a graça de sermos sempre fiéis à prática de rezá-lo diariamente, para vos honrarmos a vós, acompanhando vossas alegrias, dores e glórias, e assim merecermos vossa maternal proteção e assistência em todos os momentos da vida, mais especialmente na hora da morte.

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

9.º dia — Imaculado Coração de Maria

Ó Santíssima Virgem Maria, nossa Mãe dulcíssima, que escolhestes os pastorinhos de Fátima para mostrar ao mundo as ternuras de vosso Coração misericordioso e lhes propusestes a devoção a ele como o meio pelo qual Deus quer dar a paz ao mundo, como o caminho para levar as almas a Ele e como penhor supremo de salvação: fazei, ó Coração da mais terna das mães, que possamos compreender vossa mensagem de amor e misericórdia, que a abracemos com filial adesão e que a pratiquemos sempre com fervor. Assim seja vosso Coração nosso refúgio, nossa esperança e o caminho que nos conduz ao amor e à união com vosso filho Jesus. 

Reza-se uma dezena de Ave-Marias em saudação a Nossa Senhora de Fátima e a oração final abaixo.

Oração final. — Ó Deus, cujo Filho unigênito, por sua vida, morte e ressurreição, nos mereceu as recompensas da salvação eterna: concedei-nos, nós vos pedimos, que, recordando pelo santíssimo Rosário estes mistérios da bem-aventurada Virgem Maria, imitemos o que encerram e obtenhamos o que prometem. Pelo mesmo Jesus Cristo, Senhor nosso. Amém.

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PL contra ativismo judicial pode ser aprovado amanhã!
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PL contra ativismo judicial
pode ser aprovado amanhã!

PL contra ativismo judicial pode ser aprovado amanhã!

O Projeto de Lei 4754/2016, que tipifica como crime de responsabilidade, passível de impeachment, a usurpação de competência do Poder Legislativo ou Executivo pelos ministros do STF, está pautado para votação nesta terça-feira, 4 de maio.

Equipe Christo Nihil Praeponere3 de Maio de 2021Tempo de leitura: 3 minutos
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O Projeto de Lei 4754/2016, que tipifica como crime de responsabilidade passível de impeachment a usurpação de competência do Poder Legislativo ou do Poder Executivo por parte dos ministros do Supremo Tribunal Federal, está pautado para ser votado nesta terça-feira na Comissão de Constitucionalidade e Justiça da Câmara dos Deputados.

A previsão é que, contrariamente a situações anteriores e diante do novo ambiente político, o projeto tenha grande probabilidade de ser aprovado. A manifestação dos cidadãos pode ser o fator decisivo

Os ministros do Supremo Tribunal Federal têm abusado de suas competências para legislar e modificar a Constituição. Os abusos são tão constantes e notórios que não é necessário enumerá-los. A menos que não se crie a legislação adequada para que os poderes Executivo e Legislativo possam defender-se destes abusos, o STF poderá proximamente impor o ensino obrigatório da ideologia de gênero para todo o sistema escolar e aprovar o aborto totalmente livre no país. 

O PL 4754/2016 não irá remediar o problema, mas é o pressuposto jurídico para que os verdadeiros remédios possam ser elaborados. O ativismo judicial é crime gravíssimo, mas antes que se possam elaborar medidas legislativas contra qualquer crime, o próprio crime tem de ser tipificado e reconhecido como tal pela lei. É isto o que faz o PL 4754/2016. 

A justificativa deste Projeto de Lei é simples e curta, consistindo apenas de um único parágrafo: 

A Constituição atribui competências específicas a cada um dos três poderes, exigindo que estes zelem pela preservação das mesmas. A Lei 1079/1950, que define os crimes de responsabilidade, é pródiga ao listar os crimes de responsabilidade do Presidente da República e dos Ministros de Estado, mas lacônica ao fazer o mesmo com os membros do judiciário. Sem dúvida este fato se deve ao modo exemplar como os juízes têm desempenhado suas funções em nosso país. Sabe-se, entretanto, que a doutrina jurídica recente tem realizado diversas tentativas para justificar o ativismo judiciário, algo praticamente inexistente em nosso país nos anos 50, época em que foi promulgada a lei que define os crimes de responsabilidade. Este ativismo, se aceito como doutrina pela comunidade jurídica, fará com que o Poder Judiciário possa usurpar a competência legislativa do Congresso. Não existem atualmente, por outro lado, normas jurídicas que estabeleçam como, diante desta eventualidade, esta casa poderia zelar pela preservação de suas competências. De onde decorre a importância da aprovação deste projeto.

O PL 4754 é, portanto, bastante simples. Ele só explicita o que é pressuposto da própria Constituição: que os três poderes são independentes e um não pode se imiscuir nas competências do outro.

Pedimos, pois, a todos os que receberem esta mensagem, que telefonem, enviem e-mails e se comuniquem com os deputados da Comissão de Justiça e Constitucionalidade da Câmara através de suas redes sociais, para que votem favoravelmente à matéria pautada. Abaixo se encontram: 

No momento de se comunicar com os deputados, sejam eles quais forem, seja educado ao extremo, mas firme e claro na expressão de suas posições. Mais importante do que o e-mail é telefonar de viva voz e manifestar-se nas redes sociais.

Ligue primeiro para os deputados de seu estado e identifique-se como cidadão desta unidade da federação. Você é eleitor deles, eles representam você, e lhe darão mais atenção se for do mesmo estado. Em seguida, ligue também para os deputados dos demais estados. É muito importante explicar claramente aos assessores dos deputados a importância do PL 4754/2016. 

Estamos em uma democracia, e não numa monarquia ou aristocracia. Insistam em comunicar-se e fazer com que mais pessoas entrem em contato. Não deixem a tarefa apenas para autoridades e especialistas. Isso vai fazer toda a diferença. 

Ao deixar sua mensagem, não copie e cole. Não faça nada padronizado. Use suas próprias palavras. Seja você mesmo. Mostre que o que você diz é a expressão de sua própria cidadania, e não da dos outros. Não delegue suas obrigações políticas aos outros.

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