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“Rezem o Terço todos os dias”
Espiritualidade

“Rezem o Terço todos os dias”

“Rezem o Terço todos os dias”

Por que, entre tantas coisas que Nossa Senhora podia pedir durante suas aparições em Fátima, ela insistiu justamente na oração diária do Santo Rosário?

Irmã Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado23 de Novembro de 2017Tempo de leitura: 6 minutos
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A Irmã Lúcia responde a uma pergunta que lhe foi feita muitas vezes desde que Nossa Senhora lhe apareceu em Fátima: “Qual terá sido o motivo por que Nossa Senhora nos mandou rezar o Terço todos os dias, e não mandou ir todos os dias assistir e tomar parte na Santa Missa?”

Trata-se de uma pergunta que me tem sido feita muitas vezes, e à qual gostava de dar resposta agora. Certeza absoluta do porquê não a tenho, porque Nossa Senhora não o explicou e a mim também não me ocorreu de Lho perguntar. Digo, por isso, simplesmente o que me parece e me é dado compreender a este respeito. Na verdade, a interpretação do sentido da Mensagem deixo-a inteiramente livre à Santa Igreja, porque é a Ela que pertence e compete; por isso, humildemente e de boa vontade me submeto a tudo o que Ela disser e quiser corrigir, emendar ou declarar.

A respeito da pergunta acima feita, penso que Deus é Pai; e como Pai acomoda-se às necessidades e possibilidades dos Seus filhos. Ora, se Deus, por meio de Nossa Senhora, nos tivesse pedido para irmos todos os dias participar e comungar na Santa Missa, por certo haveria muitos a dizerem, com justo motivo, que não lhes era possível. Uns, por causa da distância que os separa da igreja mais próxima onde se celebra a Eucaristia; outros, porque não lho permitem as suas ocupações, os seus deveres de estado, o emprego, o seu estado de saúde, etc. Ao contrário, a oração do Terço é acessível a todos, pobres e ricos, sábios e ignorantes, grandes e pequenos.

Todas as pessoas de boa vontade podem e devem, diariamente, rezar o seu Terço. E para quê? Para nos pormos em contato com Deus, agradecer os Seus benefícios e pedir-Lhe as graças de que temos necessidade. É a oração que nos leva ao encontro familiar com Deus, como o filho que vai ter com o seu pai para lhe agradecer os benefícios recebidos, tratar com ele os seus assuntos particulares, receber a sua orientação, a sua ajuda, o seu apoio e a sua bênção.

Dado que todos temos necessidade de orar, Deus pede-nos, digamos como medida diária, uma oração que está ao nosso alcance: a oração do Terço, que tanto se pode fazer em comum como em particular, tanto na igreja diante do Santíssimo como no lar em família ou a sós, tanto pelo caminho quando de viagem como num tranqüilo passeio pelos campos. A mãe de família pode rezar enquanto embala o berço do filho pequenino ou trata do arranjo de casa. O nosso dia tem vinte e quatro horas… não será muito se reservarmos um quarto de hora para a vida espiritual, para o nosso trato íntimo e familiar com Deus!

Por outro lado, eu creio que, depois da oração litúrgica do Santo Sacrifício da Missa, a oração do santo Rosário ou Terço, pela origem e sublimidade das orações que o compõem e pelos mistérios da Redenção que recordamos e meditamos em cada dezena, é a oração mais agradável que podemos oferecer a Deus e de maior proveito para as nossas almas. Se assim não fosse, Nossa Senhora não o teria recomendado com tanta insistência.

Ao dizer Rosário ou Terço, não quero significar que Deus necessite que contemos as vezes que Lhe dirigimos as nossas súplicas, os nossos louvores ou agradecimentos. Certamente Deus não precisa que os contemos: n’Ele tudo está presente! Mas nós precisamos de os contar, para termos a consciência viva e certa dos nossos atos e sabermos com clareza se temos ou não cumprido o que nos propusemos oferecer a Deus cada dia, para preservarmos e aumentar o nosso trato de direta convivência com Deus, e, por esse meio, conservarmos e aumentarmos em nós a fé, a esperança e a caridade.

Direi ainda que, mesmo aquelas pessoas que têm possibilidade de tomar parte diariamente na Santa Missa, não devem, por isso, descuidar-se de rezar diariamente o seu Terço. Bem entendido que o tempo apropriado para a oração do Terço não é aquele em que toma parte na Santa Missa. Para estas pessoas, a oração do Terço pode considerar-se uma preparação para melhor participarem da Eucaristia, ou então como uma ação de graças pelo dia afora.

Não sei bem, mas do pouco conhecimento que tenho do trato direto com as pessoas em geral, vejo que é muito limitado o número das almas verdadeiramente contemplativas que mantêm e conservam um trato de íntima familiaridade com Deus que as prepare dignamente para a recepção de Cristo, na Eucaristia. Assim, também para estas, se torna necessária a oração vocal, o mais possível meditada, ponderada e refletida, como o deve ser o Terço.

Irmã Lúcia, diante de uma imagem do Imaculado Coração de Maria.

Há muitas e belas orações que bem podem servir de preparação para receber Cristo na Eucaristia e para manter o nosso trato familiar de íntima união com Deus. Mas não me parece que encontremos alguma mais que se possa indicar e que melhor sirva para todos em geral, como a oração do Terço ou Rosário. Por exemplo, a oração da Liturgia das Horas é maravilhosa, mas não creio que possa ser acessível a todos, nem que alguns dos salmos recitados possam ser bem compreendidos por todos em geral. É que requer uma certa instrução e preparação que a muitos não se pode pedir.

Talvez por todos estes motivos e outros que nós não conhecemos, Deus, que é Pai e compreende melhor do que nós as necessidades dos Seus filhos, quis pedir a reza diária do Terço condescendendo até ao nível simples e comum de todos nós para nos facilitar o caminho do acesso a Ele.

Enfim, tendo presente o que nos tem dito, sobre a oração do Rosário ou Terço, o Magistério da Igreja ao longo dos anos e o que Deus, por meio da Sua Mensagem, tanto nos recomenda, podemos pensar que aquela é a fórmula de oração vocal que a todos, em geral, mais nos convém, e da qual devemos ter sumo apreço e na qual devemos pôr o melhor empenho para nunca a deixar. Porque melhor do que ninguém, sabem Deus e Nossa Senhora aquilo que mais nos convém e de que temos mais necessidade. E será um meio poderoso para nos ajudar a conservar a fé, a esperança e a caridade.

Mesmo para as pessoas que não sabem ou não são capazes de recolher o espírito a meditar, o simples ato de tomar as contas na mão para rezar é já um lembrar-se de Deus, e o mencionar em cada dezena um mistério da vida de Cristo é já recordá-los, e esta recordação deixará acesa nas almas a terna luz da fé que sustenta a mecha que ainda fumega, não permitindo assim que se extinga de todo.

Pelo contrário, os que abandonam a oração do Terço e não tomam diariamente parte no Santo Sacrifício da Missa, nada têm que os sustente, acabando por se perderem no materialismo da vida terrena.

Assim, o Rosário ou Terço é a oração que Deus, por meio da Sua Igreja e de Nossa Senhora, nos tem recomendado com maior insistência para todos em geral, como caminho e porta de salvação: “Rezem o Terço todos os dias” (Nossa Senhora, 13 de Maio de 1917).

Referências

  • Retirado do livro “Apelos da Mensagem de Fátima”, Fátima, Secretariado dos Pastorinhos, 2000, pp. 115-124.

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Ladainha do Espírito Santo
Oração

Ladainha do Espírito Santo

Ladainha do Espírito Santo

Repleta de invocações à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, esta conhecida ladainha é muito recomendável, especialmente para estes dias que precedem a grande festa de Pentecostes.

Equipe Christo Nihil Praeponere17 de Maio de 2021Tempo de leitura: 3 minutos
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Ainda que de uso privado, é muito tradicional esta ladainha em honra ao divino Espírito Santo. Por suas inúmeras invocações à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, ela costuma ser adicionada às novenas de Pentecostes. Para os que se consagram à Santíssima Virgem pelo método de S. Luís Maria Grignion de Montfort, trata-se de uma das orações preparatórias que se rezam ao longo de vários dias. 

Nestes dias que precedem a grande festa do Espírito Santo, é muito apropriada a sua recitação, individualmente ou em família.


Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós

Divino Espírito Santo, ouvi-nos.
Espírito Paráclito, atendei-nos

Deus Pai dos céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Espírito da verdade, tende piedade de nós.
Espírito da sabedoria, tende piedade de nós.
Espírito da inteligência, tende piedade de nós.
Espírito da fortaleza, tende piedade de nós.
Espírito da piedade, tende piedade de nós.
Espírito do bom conselho, tende piedade de nós.
Espírito da ciência, tende piedade de nós.
Espírito do santo temor, tende piedade de nós.
Espírito da caridade, tende piedade de nós.
Espírito da alegria, tende piedade de nós.
Espírito da paz, tende piedade de nós.
Espírito das virtudes, tende piedade de nós.
Espírito de toda a graça, tende piedade de nós.
Espírito da adoção dos filhos de Deus, tende piedade de nós.
Purificador das nossas almas, tende piedade de nós.
Santificador e guia da Igreja Católica, tende piedade de nós.
Distribuidor dos dons celestes, tende piedade de nós.
Conhecedor dos pensamentos e das intenções do coração, tende piedade de nós.
Doçura dos que começam a vos servir, tende piedade de nós.
Coroa dos perfeitos, tende piedade de nós.
Alegria dos anjos, tende piedade de nós.
Luz dos patriarcas, tende piedade de nós.
Inspiração dos profetas, tende piedade de nós.
Palavra e sabedoria dos apóstolos, tende piedade de nós.
Vitória dos mártires, tende piedade de nós.
Ciência dos confessores, tende piedade de nós.
Pureza das virgens, tende piedade de nós.
Unção de todos os santos, tende piedade de nós.

Sede-nos propício, perdoai-nos, Senhor.
Sede-nos propício, atendei-nos, Senhor

De todo o pecado, livrai-nos, Senhor.
De todas as tentações e ciladas do demônio, livrai-nos, Senhor.
De toda a presunção e desesperação, livrai-nos, Senhor.
Do ataque à verdade conhecida, livrai-nos, Senhor.
Da inveja da graça fraterna, livrai-nos, Senhor.
De toda a obstinação e impenitência, livrai-nos, Senhor.
De toda a negligência e tepor do espírito, livrai-nos, Senhor.
De toda a impureza da mente e do corpo, livrai-nos, Senhor.
De todas as heresias e erros, livrai-nos, Senhor.
De todo o mau espírito, livrai-nos, Senhor.
Da morte má e eterna, livrai-nos, Senhor.
Pela vossa eterna procedência do Pai e do Filho, livrai-nos, Senhor.
Pela milagrosa conceição do Filho de Deus, livrai-nos, Senhor.
Pela vossa descida sobre Jesus Cristo batizado, livrai-nos, Senhor.
Pela vossa santa aparição na transfiguração do Senhor, livrai-nos, Senhor.
Pela vossa vinda sobre os discípulos do Senhor, livrai-nos, Senhor.
No dia do juízo, livrai-nos, Senhor

Ainda que pecadores, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que nos perdoeis, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis vivificar e santificar todos os membros da Igreja, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis conceder-nos o dom da verdadeira piedade, devoção e oração, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis inspirar-nos sinceros afetos de misericórdia e de caridade, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis criar em nós um espírito novo e um coração puro, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis conceder-nos verdadeira paz e tranquilidade do coração, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis fazer-nos dignos e fortes, para suportar as perseguições pela justiça, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis confirmar-nos em vossa graça, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis receber-nos no número dos vossos eleitos, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis ouvir-nos, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Espírito de Deus, nós vos rogamos, ouvi-nos

Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, enviai-nos o Espírito Santo.
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, mandai-nos o Espírito prometido do Pai.
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, dai-nos o Espírito bom

Espírito Santo, ouvi-nos.
Espírito consolador, atendei-nos

℣. Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e tudo será criado,
℟. E renovareis a face da terra.

Oremos. Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

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5 razões pelas quais os cristãos são o inimigo público número um
Sociedade

5 razões pelas quais os cristãos
são o inimigo público número um

5 razões pelas quais os cristãos são o inimigo público número um

Qualquer ideologia é completamente incompatível com a religião cristã. Quando surge uma nova ideologia, somos nós que dizemos, coçando a cabeça: “Isso não está certo”. Somos aqueles que estão dispostos a dizer: “Se alguém prometer o céu na terra, não morda a isca”.

Jennifer Roback MorseTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere13 de Maio de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
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Irmãos em Cristo, já tiveram a impressão de que estamos na mira de todo tipo de grupo ideológico? Eu, sem dúvida, já tive. Pensei muito sobre isso, e acho que descobri um padrão que explica por que sempre temos problemas com “a mais recente, a maior e a derradeira moda ideológica”. 

Descobri esse padrão pela primeira vez em meu estudo sobre a revolução sexual. 

1.º passo: Alguém vende ao público um ideal utópico, um paraíso na terra, algo que parece atraente, mas completamente impossível. Até boas ideias e objetivos nobres podem ser corrompidos ao serem transformados em ideologias utópicas. Por exemplo, o sonho utópico dos comunistas é o paraíso dos trabalhadores da economia perfeita e da igualdade social. Ora, podemos eliminar parte da desigualdade, mas jamais teremos a perfeita igualdade em todas as dimensões. Isto é completamente impossível.

Alguns ambientalistas querem eliminar toda a poluição, todas as emissões de carbono. Impossível. Reduzir a poluição? Com certeza podemos fazer isso. Mas eliminá-la não é possível.

Algumas pessoas do establishment da saúde pública querem eliminar todos os casos de Covid. Reduzir o número de casos? Com certeza. Eliminar todos? Impossível.

Naturalmente, a revolução sexual resume-se a criar um paraíso sexual na terra, onde cada adulto poderá ter as relações sexuais que quiser, e nenhum mal jamais ocorrerá. 

2.º passo: As mesmas pessoas que vendem a fantasia também vendem a si mesmas como a potencial classe salvadora que pode tornar esse sonho uma realidade. Bastaria…

3.º passo: Dar a elas poder suficiente. Fazer o impossível requer muito poder. Portanto, a autointitulada “classe salvadora” exige poder ilimitado para transformar em realidade a fantasia onírica. Mas, mesmo com muito poder, essas pessoas não podem fazer o impossível. Portanto, têm de encher a sociedade… 

4.º passo: De propaganda ilimitada, que mantém as pessoas convencidas de que o sonho é desejável e possível. Finalmente (e isso muito importante), a propaganda deve fazer com que a atenção das pessoas se volte para… 

5.º passo: A classe que serve de bode expiatório. O cenário onírico jamais se materializará. Portanto, a classe salvadora precisa culpar alguém. Todas as ideologias totalitárias tiveram uma classe que lhes servisse de bode expiatório. Os comunistas culparam os kulaks, os camponeses ricos e os criptocapitalistas. Os nazistas culparam os judeus. Os revolucionários sexuais tratam como bode expiatório os cristãos que se recusam a aceitar a cartilha. 

Qualquer ideologia é completamente incompatível com a religião cristã. Revisemos os cinco elementos para entender a razão disso.

“Mártires cristãos adentrando o anfiteatro”, de Léon-François Benouville.

1. Uma ideologia promete primeiro o céu na terra. Mas Jesus nunca nos prometeu o céu na terra. Na verdade, Ele prometeu que seríamos perseguidos e teríamos problemas. Ele nos disse: “Tome cada um a sua cruz e siga-me”. Disse que deveríamos abandonar nossas famílias, nossos pertences e nossas reputações, qualquer coisa que interfira na cruz. Jesus não promete o paraíso na terra. Promete o paraíso no céu

2. A ideologia forja a necessidade de uma classe salvadora que possa tornar real esse paraíso na terra. Jesus nos proíbe de buscar uma classe salvadora. Ele é o único salvador. A religião cristã nos proíbe especificamente de atribuir o título de “salvador” a qualquer um, exceto a Jesus.

3. A classe salvadora pode nos salvar, desde que lhe concedamos poder suficiente para realizar a tarefa impossível que nos determinaram. Como cristãos, não temos permissão para fazer esse acordo. Temos o dever de dar a Deus o que é de Deus e a César o que é de César. Não é preciso dizer que não temos permissão para conceder poder ilimitado às elites políticas ou tecnocráticas. Temos de ouvir com respeito os especialistas de qualquer área, mas não devemos a eles obediência cega. Na verdade, eles devem oferecer respostas respeitosas às nossas dúvidas e preocupações. Afinal de contas, os especialistas em saúde pública, na chamada educação sexual, em ciência climática ou em economia global são cidadãos comuns como todos nós.

Nós, cristãos, temos essa ideia maluca de que as pessoas que detêm o poder não podem fazer o que bem entendem, e isso nos torna ainda mais incômodos para as elites no poder. Quem detém o poder não pode fazer o que quiser. A história do cristianismo está literalmente repleta de corpos de pessoas que enfrentaram os detentores do poder. Mais do que qualquer outra coisa, isso fez com que os cristãos enfrentassem problemas com as classes dominantes ao longo da história.

4. As ideologias precisam de propaganda ilimitada. Sejamos claros: a propaganda é uma forma de engano. Quando uma ideologia confere a si mesma a permissão para enganar, a fim de alcançar o sonho pretendido, o fiel cristão deve opor-se. O cristianismo afirma que existe uma coisa chamada verdade, que pode ser descoberta por meio da razão e da revelação, e que todos têm a responsabilidade de viver na verdade

5. Finalmente, a ideologia precisa culpar alguém quando as coisas não saem como planejado. Mas a religião cristã nos proíbe especificamente de tratar as pessoas como bodes expiatórios. Por acreditarmos no pecado original, não esperamos poder livrar a espécie humana de todo mal, se nos livrarmos de tais ou quais pessoas más. Quando o assunto é pecado, estamos todos no mesmo barco. Como disse Solzhenitsyn numa frase que ficou famosa: “A linha que divide o bem e o mal existe no coração de cada ser humano”. Naturalmente, existem graus de delitos pessoais. Há sociedades melhores e piores, é claro. Mas, independentemente do progresso que se possa atingir, jamais alcançaremos a perfeição. A promessa de que algum dia, de algum modo, chegaremos à perfeição está preparando o nosso caminho para o fracasso e a decepção

São as pessoas de fé a pedra no caminho da ideologia da moda. Quando surge uma nova ideologia, somos nós que dizemos, coçando a cabeça: “Isso não está certo”. Somos aqueles que estão dispostos a dizer: “Se alguém prometer o céu na terra, não morda a isca. Se é algo que parece muito bom para ser verdade, provavelmente não é nem bom nem verdadeiro”. 

Por isso os cristãos são o inimigo público número um.

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O segredo de Fátima do qual ninguém fala
Virgem Maria

O segredo de Fátima
do qual ninguém fala

O segredo de Fátima do qual ninguém fala

Mais de cem anos depois das aparições de Fátima, é hora de olhar bem de perto para os dois primeiros segredos revelados por Nossa Senhora aos três pastorinhos, e dos quais, infelizmente, não queremos ouvir falar...

Joseph PronechenTradução: Equipe Christo Nihil Praeponere12 de Maio de 2021Tempo de leitura: 9 minutos
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Por que a maioria das pessoas ignora os dois primeiros segredos revelados por Nossa Senhora em Fátima num mês de julho, há 104 anos? O primeiro é sobre o inferno. Queremos realmente prestar atenção nele? A resposta parece ser não. A resposta se opõe ao caminho que o mundo tem seguido, particularmente nos últimos anos.

O primeiro segredo. — Em julho de 1941, a Irmã Lúcia revelou os dois primeiros segredos em suas Memórias, escritas sob orientação de seu bispo. Ela escreveu: “O segredo é composto de três partes distintas, duas das quais revelarei agora. A primeira parte é a visão do inferno”. 

Lúcia prosseguiu com a descrição:

Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de fogo que parecia estar debaixo da terra. Mergulhados nesse fogo, os demônios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas, com forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saíam juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faúlhas nos grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor. Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes e negros. 

Eis uma visão horripilante para qualquer um!

Ao relembrar o episódio, Lúcia explicou: 

Esta vista foi um momento, e graças à nossa boa Mãe do Céu, que antes nos tinha prevenido com a promessa de nos levar para o Céu (na primeira aparição)! Se assim não fosse, creio que teríamos morrido de susto e pavor. Em seguida, levantamos os olhos para Nossa Senhora que nos disse com bondade e tristeza: ‘Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores; para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção a Meu Imaculado Coração.’” 

Naquele mesmo instante Nossa Senhora deu a solução, o caminho seguro para evitar o fogo eterno.

Embora queiramos nos concentrar nessa parte do primeiro segredo, vejamos o que Nossa Senhora continuou dizendo naquela ocasião.

Ela prosseguiu: 

Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar. Mas, se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite, alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai a punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre.

Para a impedir, virei pedir a consagração da Rússia a Meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a Meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja; os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas, por fim o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz. 

Embora hoje muitas pessoas não queiram “assustar” adultos com a ideia de “inferno” ou com a palavra, Nosso Senhor não teve vergonha de usá-la (basta verificar os Evangelhos) e tampouco sua Mãe, tudo para o nosso bem e para o triunfo final: chegar ao Céu.

Lembre-se que esses videntes eram crianças na época. Lúcia tinha 10 anos, São Francisco, 9, e Santa Jacinta, 7.

Mais tarde no convento, Lúcia escreveu o seguinte ao seu bispo: “Até as pessoas devotas às vezes têm medo de falar com as crianças sobre o inferno para que não fiquem amedrontadas, mas Deus não hesitou em mostrá-lo a três crianças [...] bem sabendo que elas ficariam horrorizadas a ponto de (eu ousaria dizer) terem ficado paralisadas de medo.” Porém, quantos adultos ainda nunca ouviram falar sobre o inferno?

Santa Jacinta responde. — A pequena Jacinta ficou tão abalada e emocionada, que respondeu imediatamente. 

Tenho tanta pena dos pecadores! Se eu pudesse mostrar o inferno a eles!”, exclamou. Ela se agarrava a Lúcia e dizia: “Eu vou para o Céu; mas tu que ficas cá, se Nossa Senhora te deixar, diz a toda a gente como é o inferno, para que não façam mais pecados e não vão para lá.” 

Em outras ocasiões, depois de refletir por um tempo, ela dizia: “Tanta gente a cair no inferno, tanta gente no inferno!”

Para tranquilizá-la, Lúcia dizia: “Não tenhas medo; tu vais para o Céu.”

“Pois vou”, dizia com paz, “mas eu queria que toda aquela gente para lá fosse também!”

Ela obedeceria ao pedido feito por Nossa Senhora para ajudar a converter os pecadores e salvá-los do inferno. Por exemplo, embora estivesse muito doente, ainda assistia à Missa durante a semana. Quando Lúcia a exortou: “Jacinta, não venhas; tu não podes”, sua prima respondeu: “Não importa. Vou pelos pecadores que nem ao domingo vão.” 

Lúcia acreditava que Deus havia dado à sua jovem prima uma graça especial para isso por meio do Imaculado Coração de Maria. Jacinta “olhara para o inferno e vira a ruína das almas que para lá vão”. Muitas vezes se sentava no chão e, pensativa, exclamava: “O inferno! o inferno! que pena eu tenho das almas que vão para o inferno! E as pessoas lá vivas a arder como a lenha no fogo!”

Quando Lúcia a via muitas vezes mergulhada em alguma reflexão e lhe perguntava sobre o que estava pensando, Jacinta frequentemente respondia: “Nessa guerra que há-de vir, tem tanta gente que há-de morrer e ir para o inferno. Que pena! Se deixassem de ofender a Deus, nem vinha a guerra, nem iam para o inferno!”

Jacinta dizia que os pecados da carne são os que mais ofendem a Deus

Porém, para salvar os pecadores, Jacinta sempre fazia algo por causa dos temores que sentia por eles. Ela ajoelhava e rezava a oração que Nossa Senhora havia ensinado às crianças: “Ó, meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente as que mais precisarem.”

Lúcia relatou como Jacinta permanecia de joelhos por longos períodos, dizendo a mesma oração repetidas vezes.

Quando rezavam o Rosário, as crianças nunca se esqueciam de incluir depois de cada dezena a oração que Nossa Senhora também quer que rezemos após cada dezena. 

Muito tempo depois, numa carta escrita em 1941, Lúcia afirmou ao bispo: “Agora, Ex.mo e Rev.mo Senhor Bispo, já V. Ex.cia Rev.ma compreenderá por que a mim me ficou a impressão de que as últimas palavras desta oração se referiam às almas que se encontram em maior perigo ou mais iminente de condenação.”

Jacinta mostrava ter grande compaixão ao dizer (referindo-se a um pecador em particular): “Temos que rezar e oferecer sacrifícios a Nosso Senhor, para que o converta e não vá para o inferno, coitadinho!”

Ela motivava sua prima e o irmão dela, Francisco, a rezar pelos pecadores junto com ela. “Temos de rezar muito para salvar as almas do inferno!”, repetia. “Tantas almas vão para lá! Tantas!”

Ela seguia a recomendação de Nossa Senhora de Fátima para usar a prática da mortificação: “Rezai, rezai muito, e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno, por não haver quem se sacrifique e peça por elas.”

Quando Jacinta ficava especialmente preocupada, seu irmão Francisco lhe dizia: “Não penses tanto no inferno! Pensa antes em Nosso Senhor e Nossa Senhora. Eu não penso nele, para não ter medo.”

Naturalmente, ela não temia por si, mas pelos pecadores. Esta era sua atitude constante: “Perdoa-lhes, meu Jesus, e converte-os. Decerto não sabem que, com isto, ofendem a Deus. Que pena, meu Jesus! Eu rezo por eles…”. E imediatamente repetia a oração que Nossa Senhora ensinara: “Ó meu Jesus, perdoai-nos…”.

Sabemos que outro santo levou tudo isso a sério. Dom Paolo Carta, bispo italiano, recordando as solicitações de Nossa Senhora de Fátima, disse: “A ansiedade materna do Imaculado Coração de Maria pelas almas que vão para o inferno invadiu de forma profunda e completa o coração do Padre Pio, que fez de sua vida inteira um grande sacrifício a Nosso Senhor para afastar as almas da condenação eterna.”

O bispo observa que, em Fátima, Nossa Senhora pediu particularmente a récita do Rosário. “E quem poderia contar as horas que Padre Pio passou em oração pela conversão e salvação dos pecadores?”

Havia também a devoção dos cinco primeiros sábados, que deveríamos “praticar por toda a vida pelo bem de nossa alma e das almas dos nossos próximos também. Nossa Senhora nos disse que almas estão se perdendo no inferno porque não havia ninguém que fizesse reparação por seus pecados. Ela implora que façamos isso por eles. Como podemos negar-lhe isso?”

O presidente internacional do World Apostolate of Fatima, Américo Pablo Lopez-Ortiz, revelou que os videntes de Fátima descobriram “o infinito oceano de amor e misericórdia que é Deus”, e por meio do coração de Maria descobriram “a infinita misericórdia de Deus com os pobres pecadores e a terrível ameaça que enfrentam: a existência do inferno, criado para aqueles que por orgulho não aceitam a misericórdia de Deus”. 

O autor e escultor Pe. Thomas McGlynn, que esteve em Fátima, acreditava no seguinte: “A enormidade da rebelião da humanidade contra Deus e a infinita aversão de Deus ao pecado formam o fundamento da mensagem de Fátima. Então, Ele dá esperança ao pecador ao revelar que aceitará o arrependimento feito por meio do Imaculado Coração de Maria. Fátima manifesta os mais incompreendidos dos atributos divinos: justiça e misericórdia.” Nossa Senhora “veio para nos dizer como não ir para o inferno!”

Mas quantos escutam Nossa Senhora?

A Irmã Lúcia e São João Paulo II.

Esperança de evitar o inferno. — Depois de revelar o primeiro segredo, Lúcia revelou a seu bispo o segundo, que diz respeito a todos nós. O segundo segredo nos enche de esperança, porque mostra o caminho para o céu.

Lúcia escreveu: “A segunda parte diz respeito à devoção ao Imaculado Coração de Maria.”

Jacinta disse o seguinte a Lúcia: “Aquela Senhora disse que o Seu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá a Deus. Não gostas tanto? Eu gosto tanto do seu Coração! É tão bom!”

Quando Jacinta ia colher flores silvestres, cantava: “Doce Coração de Maria, sede a minha salvação! Imaculado Coração de Maria, converte os pecadores, livra as almas do inferno!

Lúcia disse ao bispo: “Nossa Senhora nos disse no segredo de julho que Deus queria estabelecer no mundo a devoção ao Imaculado Coração de Maria — estarei sempre convosco, e meu Imaculado Coração será vosso consolo e o caminho que vos levará a Deus. E Nossa Senhora garantiu: ‘No final, meu Imaculado Coração triunfará’”.

Isso fará com que mudemos de direção e tenhamos certeza de estar a caminho do céu.

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Rogações: o que são e por que resgatá-las?
Liturgia

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e por que resgatá-las?

Rogações: o que são e por que resgatá-las?

O que fazer diante de doenças, guerras ou desastres naturais? Os santos e a liturgia tradicional da Igreja têm a resposta! Saiba em que consistem as “Rogações” e como podemos pôr em prática, ainda hoje, esse costume da Igreja.

Equipe Christo Nihil Praeponere7 de Maio de 2021Tempo de leitura: 5 minutos
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Não é novidade para ninguém que vivemos um tempo de descrença generalizada. Mas o que os cristãos faziam antigamente, ao confrontar fome, guerras, terremotos e desastres naturais em geral? Que resposta eles dariam, por exemplo, à atual pandemia do coronavírus?

Muito simples: eles se voltariam a Deus

Foi num ambiente de fé católica assim que nasceram as Rogações, “dias de oração, e antigamente também de jejum, instituídos pela Igreja para aplacar a ira de Deus sobre as transgressões dos homens, para pedir proteção em meio às calamidades e para obter uma boa e abundante colheita”.

Até a reforma litúrgica ocorrida após o Concílio Vaticano II, havia no calendário romano geral duas celebrações específicas nesse sentido. 

A primeira, chamada de “Ladainhas maiores” e regulada por S. Gregório Magno († 604), acontecia em 25 de abril, dia em que seria instituída, posteriormente, a festa de S. Marcos:

As Ladainhas maiores foram instituídas para cristianizar uma procissão pagã que todos os anos, a 25 de abril, saindo para lá dos muros de Roma, ia para o campo imolar um cordeiro em honra de Robigus, deus do gelo. Tornada cristã, a procissão acabava pela missa em S. Pedro. Tais como as Ladainhas menores ou Rogações, de data mais recente, estas orações públicas pedem a Deus que afaste os flagelos e espalhe a sua bênção sobre as colheitas [1].

A segunda, denominada “Ladainhas menores” e prescrita para toda a Igreja por Leão III († 816), acontecia ao longo de três dias — a segunda, terça e quarta-feiras precedentes à festa da Ascensão do Senhor [2]:

Por motivo de calamidades públicas, que, no século V, flagelaram a diocese de Viena, no Delfinado, S. Mamerto estabeleceu uma procissão solene de penitência, nos dias que precedem a festa da Ascensão. Uma prescrição do concílio de Orleans, de 511, espalhou este uso em toda a França. Não tardou a estender-se à Igreja universal. Sem deixar de implorar as bênçãos de Deus para toda a Igreja, as Rogações tornaram-se, atualmente, uma prece para obter a bênção de Deus para as colheitas.

O canto das ladainhas dos santos levou a dar a estes dias de preces públicas a designação de dias de rogações; mas, porque em Roma existia já uma procissão semelhante, no dia 25 de abril, as Rogações começaram a denominar-se Ladainhas menores, e a procissão de 25 de abril, Ladainhas maiores [3].

Em ambas as celebrações, o sacerdote vestia o violáceo penitencial, cantava-se a Ladainha de Todos os Santos e realizava-se uma procissão logo após a primeira invocação de Nossa Senhora. Se necessário, repetia-se a ladainha e se cantavam alguns dos salmos penitenciais ou graduais. Depois, rezava-se a Missa votiva das Rogações, com textos próprios que ressaltavam principalmente a eficácia de nossas orações, quando feitas com humildade, confiança e perseverança. A Epístola, por exemplo, tomada de S. Tiago, ensinava que 

a oração fervorosa do justo pode muito. Elias era um homem sujeito ao sofrimento como nós: orou com instância, para que não chovesse sobre a terra, e durante três anos e seis meses não choveu. Depois, orou de novo, e o céu deu chuva, e a terra os seus frutos (Tg 5, 16s). 

O Evangelho, por sua vez, narrava a parábola do amigo inoportuno e concluía com a célebre ordem de Nosso Senhor: “Pedi e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á” (Lc 11, 9).

Mas o que aconteceu com esses dias especiais de súplica na Igreja? 

“Bênção dos campos de trigo em Artois”, por Jules Breton.

Infelizmente, no Novus Ordo, eles sumiram do mapa. A exemplo das Quatro Têmporas, porém — sobre a qual já falamos aqui —, tampouco as Rogações foram abolidas. O Cerimonial dos Bispos prevê a sua celebração: “Nas rogações e nas quatro têmporas a Igreja costuma orar ao Senhor pelas várias necessidades dos homens, sobretudo pelos frutos da terra e pelos trabalhos dos homens e render-lhe publicamente ação de graças” (n. 381). E o Missal Romano, em suas “Normas universais para o ano litúrgico”, prescreve: “Para que as Rogações e as Quatro Têmporas do ano possam adaptar-se às diversas necessidades dos lugares e dos fiéis, convém que as Conferências Episcopais determinem o tempo e o modo como devem ser celebradas”. 

No Brasil, a CNBB decidiu, durante Assembleia Geral, em 1971, “que a regulamentação da celebração das Têmporas e Rogações fique a critério das Comissões Episcopais Regionais”. Como não se tem notícia de nenhuma previsão nesse sentido, só restou aos católicos uma forma de celebrar esses dias: privadamente

Fica pois a sugestão para o dia 25 de abril e os outros três que antecedem a Ascensão do Senhor (neste ano de 2021, trata-se dos dias 10, 11 e 12 de maio). Em casa, nestas datas, além da récita do santo Terço e das devoções habituais em família, é possível acrescentar a Ladainha de Todos os Santos e a oração de um ou mais salmos penitenciais — e as intenções das orações podem ser tantas quantas são as necessidades dos homens: desde os problemas particulares de cada pessoa e família até a crise sanitária e política que estamos vivendo a nível mundial. O importante é usar esse tempo para intensificar as nossas orações, sabendo que Deus quer derramar graças abundantes sobre nós.

Os paramentos violáceos que se usavam nestes dias, em pleno Tempo de Páscoa, também podem ser para nós um sadio lembrete de que, neste mundo, não podemos dispensar por completo a prática da mortificação. Pois “o vosso adversário, o diabo, rodeia como um leão a rugir, procurando a quem devorar” (1Pd 5, 8). Se o inimigo de nossa alma não descansa nem nos festivos dias de Páscoa, tampouco nós podemos descuidar da grande obra de nossa salvação eterna. Por isso, se possível, não deixemos de oferecer nesses dias, também, alguma penitência a Deus.

É claro que, para os fiéis que assistem à Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano — agora amplamente disseminada, graças ao Summorum Pontificum, do Papa Bento XVI —, as Rogações continuam a ser uma realidade litúrgica viva, um elemento importante do culto público da Igreja. Para a maioria de nós, porém, fica a esperança de que, num futuro não muito distante, tradições como essa sejam resgatadas e ganhem de novo lugar de honra na liturgia católica.

Lembremo-nos da história: essas preces públicas e procissões penitenciais começaram humildes e despretensiosas, numa e outra diocese, e a Providência cuidou do resto. Quem sabe se não é a partir de iniciativas pequenas, em nossas famílias e paróquias, que as Rogações voltarão a ser praticadas em toda a Igreja — alcançando também agora, como antes, os favores do céu?

Notas

  1. Missal Romano Quotidiano, por D. Gaspar Lefebvre e os Monges Beneditinos de S. André. Trad. dos Monges Beneditinos de Singeverga. Bruges: Biblica, 1963, p. 1040.
  2. Lembrando que, assim como Jesus subiu aos céus quarenta dias após ressuscitar, na liturgia, a Ascensão do Senhor também é celebrada quarenta dias após a Páscoa da Ressurreição, ou seja, na quinta-feira da 6.ª Semana da Páscoa. No Brasil, essa festa é transferida para o domingo seguinte, sobrepondo-se ao 7.º Domingo da Páscoa. 
  3. Missal Romano Quotidiano, p. 521s.

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