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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 19, 13-15)

Naquele tempo, levaram crianças a Jesus, para que impusesse as mãos sobre elas e fizesse uma oração. Os discípulos, porém, as repreendiam. Então, Jesus disse: “Deixai as crianças e não as proibais de vir a mim, porque delas é o Reino dos Céus”. E depois de impor as mãos sobre elas, Jesus partiu dali.

Hoje, no calendário universal da Igreja, celebra-se a solenidade da Assunção da Virgem Maria. No Brasil, essa celebração é transferida para o domingo seguinte. Mesmo assim, neste sábado, queremos voltar o nosso olhar para a Virgem Santíssima, celebrando a sua memória votiva e já nos preparando para a grande solenidade que iremos celebrar amanhã.

Também iniciamos hoje, com a Assunção da Virgem Maria, a Quaresma de São Miguel, uma devoção introduzida por São Francisco de Assis, pela qual nos dedicamos a um período de oração e penitência, que é concluído com a festa de São Miguel Arcanjo.

É interessante contemplarmos essas duas figuras neste período, porque a Virgem Maria e São Miguel aparecem juntos no capítulo 12 do Apocalipse. Primeiro, é dito: “Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas. Estava grávida e gritava em dores de parto, atormentada para dar à luz” (Ap 12, 1-2). 

Aqui, a alusão à Assunção da Virgem Maria e à sua glória no Céu é evidente. Contudo, neste caso, nossa Mãe bendita simboliza não somente a si mesma, mas também a Igreja como um todo. Já a coroa de doze estrelas e as dores do parto nos recordam que a Virgem Santíssima não está ali somente dando à luz o seu Filho Jesus, mas também os membros da Igreja. Sim, pois nós sabemos pela Tradição que Nossa Senhora não teve dores do parto quando Jesus nasceu. Logo, no capítulo 12 do Apocalipse, ela sofre com essas dores porque está dando à luz os seus filhos, que somos nós.

Naquela visão celeste, gloriosa e bendita, ela é a Mãe que acompanha os seus filhos na luta contra “um grande Dragão, cor de fogo” (Ap 12, 3). Porém, “houve uma batalha no céu: Miguel e seus anjos guerrearam contra o Dragão. O Dragão lutou juntamente com os seus anjos, mas foi derrotado, e não se encontrou mais o seu lugar no céu” (Ap 12, 7-8).

Portanto, ao iniciarmos hoje a Quaresma de São Miguel — esse período devocional, não previsto pela liturgia, de penitência e de luta —, devemos ter consciência de que a nossa vida cristã, mesmo no Tempo Comum, é uma vida de combate. Entretanto, acompanhados pela Virgem Santíssima, que capitaneia esta luta, e por São Miguel, Príncipe das milícias celestes, nós não estamos sozinhos nessa batalha. E a vitória já está garantida: ela pertence a Deus. 

No entanto, essa vitória vai se realizando em nossas vidas em meio às dores do parto. Se Cristo veio ao mundo sem que sua Mãe experimentasse essas dores, nós, para sermos verdadeiramente formados como membros de seu Corpo, precisamos passar pelas dores próprias da luta e do caminho de santidade.

Abracemos, pois, a nossa Mãe Bendita e peçamos o auxílio dela e dos Santos Anjos. Assim, sustentados por essa ajuda do Céu, enfrentaremos com coragem esse combate, para que novos e santos membros sejam gerados para o Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo.

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