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148. A virtude da benevolência

Querer bem ao próximo é parte integrante da vida cristã. De fato, o amor que leva Deus a se entregar como propiciação pelos nossos pecados nos estimula a ver no próximo, justo ou pecador, um verdadeiro tesouro pelo qual Cristo, cheio de misericórdia, derramou o próprio sangue.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt
5, 20-26)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus.

Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: 'Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal'. Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo; quem disser ao seu irmão: 'Patife!' será condenado pelo tribunal; quem chamar o irmão de 'tolo' será condenado ao fogo do inferno.

Portanto, quando tu estiveres levando a tua oferta para o altar, e ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta ali diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão. Só então vai apresentar a tua oferta.

Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu serás jogado na prisão. Em verdade eu te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo".

No Evangelho desta 6.ª-feira, Jesus nos fala a respeito dos pecados contra a virtude da benevolência. "Todo aquele que se encoleriza com seu irmão", ensina Nosso Senhor, "será réu em juízo". Até da mais leve ofensa — "Patife!" — terão os homens de dar conta diante do tribunal do Cordeiro (cf. Mt 12, 36). Ora, não será demasiado severa esta palavra de Cristo? Como pode Aquele cujo fardo é leve (cf. Mt 11, 30) condenar-nos ao fogo eterno por uma falta à primeira vista sem muita importância? Para compreendermos esta aparente "dureza", devemos ter presente que, sob a Nova e eterna Aliança, a Lei de Deus está contida em dois grandes mandamentos: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento" (Mt 22, 37) e "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mt 22, 39). De fato, se Cristo nos amou até o fim (cf. Jo 13, 1), a ponto de entregar-se à morte, para que nele tivéssemos a vida (cf. 1Jo 4, 9), assim também nós devemos amar-nos uns aos outros como à nossa própria alma (cf. 1Sm 18, 1), desejando a salvação a todos, porque todos são chamados a participar dos frutos da única e mesma Redenção.

Com efeito, o amor com que o Senhor nos amou e se entregou como propiciação pelos nossos pecados (cf. 1Jo 4, 10) nos impele — antes, quase exige — que queiramos aos outros o mesmo bem que Deus deseja para nós, a salvação eterna. Nisto consiste, pois, a benevolência cristã: querer a todo custo que o nosso irmão, por quem Cristo derramou o próprio sangue, vá para o Céu. Esse zelo pela salvação das almas, se por um lado nos proíbe de desejar o mal a quem quer que seja, por outro lado nos impõe a grave responsabilidade de repreendermos, quando for necessário, aqueles que vemos caminhar para o abismo ou transgredir os direitos de Deus. Foi esse mesmo e ardente zelo que levou Jesus a expulsar do Templo, em meio a açoites e reprimendas, vendilhões e cambiadores: "Fizestes da minha casa um covil de ladrões e salteadores!" (cf. Mc 11, 17; Lc 19, 46). Trata-se aqui de uma justa e santa cólera, que quer reconduzir ao caminho da verdade e da justiça os que, transviados, preferem as bolotas dos porcos ao bezerro cevado da casa do Pai (cf. Lc 15, 16.23).

Que a Virgem Maria, Auxílio dos cristãos, nos ajude a ter esse olhar benevolente e compassivo para com todos. Que a nossa Mãe do Céu, com o seu exemplo de paciência e entrega a Deus, nos inspire a suportar-nos e perdoar-nos mutuamente (cf. Col 3, 13), assim como Deus, paciente e misericordioso, suporta com amor as nossas tantas desobediências e infidelidades. Aproveitemos este tempo quaresmal para exercitarmos também a virtude da clemência, para que a ninguém ofendamos e a todos desejemos a eterna bem-aventurança.

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