CNP
Christo Nihil Præponere"A nada dar mais valor do que a Cristo"
Todos os direitos reservados a padrepauloricardo.org®
Buscando...

Digite pelo menos 2 caracteres para pesquisar

A eleição divina e a inveja dos não eleitos

Deus concede a cada um de seus filhos aquilo que lhe convém. Sem injustiças nem igualitarismos, o Senhor nos faz diferentes para que aprendamos a depender e a precisar uns dos outros. Por isso, o cristão deve lutar contra os mais leves sinais de inveja, raiz dos piores males e pecados.

Texto do episódio
01

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 21, 33-43.45-46)

Naquele tempo, dirigindo-se Jesus aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo, disse-lhes: “Escutai esta outra parábola: Certo proprietário plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, fez nela um lagar para esmagar as uvas e construiu uma torre de guarda. Depois arrendou-a a vinhateiros, e viajou para o estrangeiro. Quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos vinhateiros para receber seus frutos.
Os vinhateiros, porém, agarraram os empregados, espancaram a um, mataram a outro, e ao terceiro apedrejaram. O proprietário mandou de novo outros empregados, em maior número do que os primeiros. Mas eles os trataram da mesma forma. Finalmente, o proprietário, enviou-lhes o seu filho, pensando: ‘Ao meu filho eles vão respeitar’.
Os vinhateiros, porém, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro. Vinde, vamos matá-lo e tomar posse da sua herança!’ Então agarraram o filho, jogaram-no para fora da vinha e o mataram. Pois bem, quando o dono da vinha voltar, que fará com esses vinhateiros?”
Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “Com certeza mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo certo”.
Então Jesus lhes disse: “Vós nunca lestes nas Escrituras: ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; isto foi feito pelo Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos’? Por isso eu vos digo: o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos”.
Os sumos sacerdotes e fariseus ouviram as parábolas de Jesus, e compreenderam que estava falando deles. Procuraram prendê-lo, mas ficaram com medo das multidões, pois elas consideravam Jesus um profeta.

No Evangelho de hoje, Jesus nos apresenta a parábola dos vinhateiros homicidas, que matam o herdeiro da vinha — uma clara referência à sua própria Paixão. A vinha representa o povo de Israel, e os vinhateiros, os chefes do povo. Ao final, Jesus conclui com a frase: “A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular” (Mt 21, 42).

Diante dessa parábola, aparece uma dinâmica profundamente contraditória: de um lado, a eleição divina — Deus escolhe quem será a pedra angular — e, de outro, a atitude invejosa daqueles que rejeitam o eleito e desejam tomar o seu lugar, dizendo como os vinhateiros: “Este é o herdeiro. Vinde, vamos matá-lo e tomar posse da sua herança!” (Mt 21, 38).

Essa tensão percorre toda a história da salvação. Desde Abel, escolhido por Deus e morto pela inveja de Caim; passando por José do Egito, também eleito para salvar o seu povo e perseguido pelos próprios irmãos; até chegar a Jesus, o eleito por excelência, rejeitado e morto.

Mas essa realidade remonta ainda mais longe: à própria origem da revolta dos anjos. Segundo a Tradição, quando Deus revelou aos anjos o seu plano — de que deveriam servir o Verbo encarnado, Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem —, alguns não aceitaram essa eleição — não compreenderam como um ser humano, em sua fragilidade, poderia ocupar tal lugar. Foi a inveja que levou Satanás e seus anjos, então, à rebelião contra Deus.

Assim, a inveja diante da eleição divina torna-se um drama que atravessa toda a história. Deus distribui dons diferentes a cada pessoa, chamando cada um para uma missão particular. Aquilo que Ele concede a um, não concede a outro, e vice-versa, justamente para que todos dependam uns dos outros e formem um corpo harmonioso.

Como no corpo humano, nem todos os membros têm a mesma função: alguns veem, outros ouvem, outros trabalham com as mãos. Do mesmo modo, na Igreja, cada um recebe dons diversos para o bem comum. Jesus é a Cabeça desse Corpo, e sem Ele o Corpo perde sua identidade.

Por isso, devemos louvar a Deus por ter enviado ao mundo o seu Filho eleito, superior a nós em todas as virtudes, embora igual a nós na humanidade. Ele não é objeto de inveja, mas dom precioso para a nossa salvação.

O Evangelho nos adverte a não repetirmos o erro de Satanás, dos vinhateiros homicidas e dos chefes do povo que mataram Jesus por inveja. Invejar os dons dos outros é, de certo modo, rejeitar o próprio Cristo. Ao contrário, o caminho de Deus é reconhecer a eleição divina e alegrar-se com os dons concedidos aos irmãos, pois todos são chamados a colaborar para a edificação do mesmo Corpo místico.

O que achou desse conteúdo?

Mais recentes
Mais antigos
Texto do episódio
Comentários dos alunos