Celebramos hoje, com muita alegria, a memória de Santa Clara de Assis, virgem. De início, já podemos nos perguntar: o que levou essa jovem a abandonar tudo para seguir ao Cristo pobre, inspirada pelo exemplo do “Poverello” de Assis, São Francisco? Para compreendermos a entrega da vida religiosa, é preciso entender que ela nasce, antes de tudo, de uma profunda experiência do amor de Cristo, como aconteceu com São Francisco.
Arrebatado pelo amor de Jesus, esse santo homem desejou correspondê-lo com toda a sua vida. Assim, numa sociedade em que a nobreza ainda exercia fascínio e a burguesia começava a depositar no dinheiro a esperança da felicidade, Francisco contemplou um mistério muito maior: o Deus de infinita majestade que se humilha e se faz pequeno por amor aos homens. À majestade divina, corresponde a simplicidade do Menino na manjedoura; à riqueza infinita de Deus, a pobreza dos trapos do presépio.
Esse amor, porém, não permaneceu restrito a ele. Seu testemunho contagiou muitos jovens de sua época, entre eles Santa Clara, que deixou tudo para responder ao chamado do Esposo, Jesus Cristo. Juntamente com suas irmãs, ela abraçou a vida de clausura, dedicando-se inteiramente à oração, à penitência e à oblação de amor.
Aos olhos do mundo, o enclausuramento das clarissas pode parecer triste: uma vida escondida, marcada pela penitência e pelo hábito simples e rude de burel. Entretanto, essa impressão nasce de quem ainda não conheceu a perfeita alegria, a qual consiste em reconhecer, pela fé, que somos infinitamente amados por um Deus que, por nós, fez-se pobre, humilhou-se e esvaziou-se a si mesmo. Diante de um amor tão grande, como não desejar amá-lo de volta? A alegria das clarissas, pois, está justamente em poder corresponder, ainda que de forma limitada, ao amor do Esposo.
Sem enxergar essa chama de amor que arde no coração de cada uma delas, dificilmente compreenderemos a escolha que fizeram. Sua vida não é movida pela tristeza da renúncia, mas pela alegria de terem sido escolhidas para responder ao Amor com amor.
Por isso, neste dia de Santa Clara de Assis, somos convidados a fazer festa — porque ela e suas filhas, ao longo dos séculos, continuam respondendo ao amor de Cristo. São Francisco, que tantas vezes chorava diante de Frei Leão, repetindo: “O Amor não é amado, o Amor não é amado”, certamente encontrou consolo ao saber que aquelas mulheres, escondidas na clausura, dedicavam toda a sua existência a amar de volta Aquele que primeiro nos amou sem reservas. Santa Clara de Assis, rogai por nós!



























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