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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 19, 45-48)

Naquele tempo, Jesus entrou no Templo e começou a expulsar os vendedores. E disse: “Está escrito: ‘Minha casa será casa de oração’. No entanto, vós fizestes dela um antro de ladrões”. Jesus ensinava todos os dias no Templo. Os sumos sacerdotes, os mestres da Lei e os notáveis do povo procuravam modo de matá-lo. Mas não sabiam o que fazer, porque o povo todo ficava fascinado quando ouvia Jesus falar.

1. A purgação do Templo (Mt 21, 12-17; Mc 11, 15-19; Lc 19, 45-48; cf. Jo 2, 13-17). — O Evangelho de hoje retrata o episódio da purgação do Templo de Jerusalém. É antiga entre os exegetas a discussão sobre se os evangelhos sinóticos e o de João se referem ou não à mesma cena. Parece ser mais provável a opinião negativa, já que as diferentes circunstâncias de tempo relatadas pelos autores sagrados indicam que se trata, sim, de episódios distintos. Além disso, alguns autores deduzem de Mc 11, 12 que a purgação do Templo teve lugar um dia após o domingo de ramos. No entanto, Mc 11, 12 refere-se apenas à maldição da figueira, e não à expulsão dos vendilhões. Por isso, parece mais razoável ater-se à ordem em que Mateus e Lucas narram os fatos. Sigamos aqui a narrativa de Mateus, que compõe a cena de forma mais completa, e vejamos por fim, à luz do Evangelho segundo Lucas, a doutrina espiritual que desse episódio podemos aprender.

V. 13. Jesus entrou no Templo e expulsou dali todos aqueles que se entregavam ao comércio. Derru­bou as mesas dos cambistas e os bancos dos negociantes de pombas. Por ocasião da solenidade da Páscoa, muita gente acorria ao Templo não para orar, mas pelo desejo de fazer negócio. Na parte exterior, ou seja, no chamado átrio dos gentios, havia uma espécie de empório onde se vendia aos peregrinos todo o necessário para os sacrifícios que ali tinham lugar: óleo, vinho, sal, touros, cabras, ovelhas, rolas e as outras vítimas prescritas pela Lei. Era comum também a presença de cambistas que trocavam o dinheiro profano que circulava nas províncias do Império pelo shekel hebraico, única moeda permitida no Templo. Jesus, vendo esses homens gananciosos a profanar a casa de seu Pai, encheu-se de ira divina e, com majestosa autoridade, fez um chicote de cordas (cf. Jo 2, 15) e expulsou dali os negociantes e trocadores de moedas.

E disse-lhes: “Está escrito: Minha casa é uma casa de oração”, isto é, dedicada a rezar e a prestar culto a Deus (cf. Is 56, 7), “mas vós fizestes dela um covil de ladrões” (cf. Jr 7, 11). Destas palavras talvez se possa concluir que os negociantes em questão eram também sacerdotes, pois eram eles os encarregados de servir o Templo e organizar o culto divino. João acrescenta que os discípulos se lembraram, quer durante estes acontecimentos, quer após a ascensão do Senhor, das seguintes palavras do salmista: O zelo da tua casa me consome (Sl 68, 10), que aludem claramente ao Messias.

V. 14-17. Jesus se porta com os os profanadores do Templo como justo juiz, ao passo que mostra aos miseráveis e humildes a doçura de seu benigníssimo Coração, curando os cegos e coxos que o procuram. Aqui irrompe uma vez mais a dissimulação de seus inimigos, que se revoltam ao ouvir o clamor dos meninos do Templo: Hosana ao filho de Davi! O evangelista não deixa claro se se trata de um grupo de meninos que costumava cantar no Templo ou das crianças que seguiam as multidões atraídas pela pregação de Cristo. Seja como for, o louvor destes inocentes põe às claras, diante das autoridades de Israel, a glória e o poder do Messias que ali estava. Por isso, Jesus responde à indignação e ao escândalo dos fariseus com um testemunho claro das Escrituras a respeito de sua natureza messiânica: Nunca lestes estas palavras: “Da boca dos meninos e das crianças de peito tirastes o vosso louvor”, isto é, recebestes a glória que vos é devida (Sl 8, 3) contra as contumélias de vossos adversários?

2. As lágrimas de Cristo. — Para entender mais a fundo a atitude enérgica com que Jesus, sempre manso e pacífico, expulsa os vendilhões do Templo, convém lembrar que o evangelista Lucas, antes de narrar a entrada de Cristo em Jerusalém, diz que o Senhor olhou para a cidade santa e, cheio de misericórdia, chorou sobre ela, dizendo: Se também tu, ao menos neste dia que te é dado, conhecesses o que te pode trazer a paz!… Mas não, isso está oculto aos teus olhos (Lc 19, 42). Nesse contexto, vê-se que a cólera de Cristo não é nem descontrole nem injustiça, pois às vezes é só pelo castigo, em forma de desgraças ou adversidade, que o coração do homem finalmente se abre ao amor e ao perdão que Deus está sempre disposto a oferecer. Por isso, se às vezes sentimos que o Senhor nos vergasta com um chicote de tristezas e aparentes “injustiças”, não percamos a esperança nem duvidemos de sua bondade, porque é nestas horas que Ele está mais presente, querendo que nos convertamos e, arrependidos de nossas infidelidades, saibamos reconhecer que só Ele, que castiga porque ama, nos pode trazer a paz. Não percamos o tempo de sua visita, ainda que em forma de provações, pois não sabemos se, perdendo aqui a oportunidade de converter-nos, a sua presença se tornará oculta aos nossos olhos até o dia do Juízo.

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