CNP
Christo Nihil Præponere"A nada dar mais valor do que a Cristo"
Todos os direitos reservados a padrepauloricardo.org®
Buscando...

Digite pelo menos 2 caracteres para pesquisar

Em que sentido Jesus realizou a Lei e os Profetas?

Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo se cumpra.”

Texto do episódio
00

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 5, 17-19)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo se cumpra.
Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus”.

No Evangelho de hoje, Jesus afirma no Sermão da Montanha: “Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento.” (Mt 5, 17). 

É fundamental compreendermos corretamente esta passagem, porque há, de fato, uma diferença profunda entre Jesus e os profetas. Os profetas anunciavam e defendiam a Lei; Cristo a realizava em si mesmo, levando-a à sua plenitude. 

Mas o que significa “realizar” a Lei? No Antigo Testamento havia, essencialmente, três tipos de leis. Primeiro, a lei natural, inscrita na própria criação e expressa nos Dez Mandamentos. Essa não foi abolida, pois está inscrita na própria natureza das coisas, ou seja, não surgiu apenas como uma norma externa dada a Moisés. Ela já existia, sendo apenas revelada de modo mais claro ao povo. Além dela, havia as leis jurídicas — normas que organizavam a vida civil de Israel — e as leis rituais — ligadas ao culto, aos sacrifícios e às práticas religiosas próprias daquele tempo — que cessaram com Nosso Senhor.

Alguém poderia objetar: “Mas Jesus disse que não veio abolir”. Entretanto, há uma diferença entre destruir algo e levá-lo à sua realização. Pensemos na imagem do ovo: quando dele nasce o pintinho, não se pode dizer que o ovo foi simplesmente destruído; ele foi levado à sua finalidade e alcançou sua plenitude na vida que dele surgiu.

Assim aconteceu com a Lei do Antigo Testamento. Jesus não veio esmagá-la, nem descartá-la arbitrariamente, mas conduzi-la ao seu cumprimento. Todo aquele processo pedagógico, pelo qual Deus educou um povo ainda rude e marcado pela violência, preparava a chegada da plenitude dos tempos. E, em Cristo, manifestou-se uma nova Lei: a Lei da caridade.

Por isso, embora as antigas prescrições jurídicas e rituais já não estejam em vigor, não foram anuladas como algo inútil, mas superadas, porque alcançaram sua finalidade no amor perfeito revelado por Cristo. É o que o próprio Jesus declara na Última Ceia, conforme o Evangelho de São João: “Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (cf. Jo 13, 24). 

Desse modo, nesse amor pleno, perfeito e infinito, cumprem-se a Lei e os Profetas, e no Coração de Cristo, que ama o Pai e a cada um de nós até o extremo, a Lei encontra sua realização definitiva.

O que achou desse conteúdo?

Mais recentes
Mais antigos
Texto do episódio
Comentários dos alunos