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A pergunta desconcertante de Jesus

Às margens do lago da Galileia, Jesus dirige a Pedro — e a cada um de nós — a pergunta que desnuda o coração humano: “Tu me amas?”. E, diante da própria fraqueza, o homem descobre que somente o amor de Deus pode torná-lo capaz de amar de volta.

Texto do episódio
218

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 21, 15-19)

Jesus manifestou-se aos seus discípulos e, depois de comerem, perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Jesus disse: “Apascenta os meus cordeiros”.
E disse de novo a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro disse: “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo”. Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas”. Pela terceira vez, perguntou a Pedro: “Simão, filho de João, tu me amas?” Pedro ficou triste, porque Jesus perguntou três vezes se ele o amava. Respondeu: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo”. Jesus disse-lhe: “Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: quando eras jovem, tu te cingias e ias para onde querias. Quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir”.
Jesus disse isso, significando com que morte Pedro iria glorificar a Deus. E acrescentou: “Segue-me”.

O Evangelho de hoje nos leva à beira do lago da Galileia, onde Jesus, num diálogo íntimo com São Pedro, faz uma pergunta decisiva: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” (Jo 21, 15). 

Essa é uma pergunta difícil de responder. Deus nos pede amor porque, se Ele não nos pedisse nada, isso significaria que Ele não nos ama. Logo, quando o Senhor pede que nós o amemos, Ele está justamente manifestando o quanto se importa conosco e nos ama. Afinal, Deus nos dá justamente o que está pedindo de nós: Ele pede o nosso amor e, ao mesmo tempo, concede-nos a capacidade de amar.

Por isso, ao perguntar a Pedro: “Tu me amas?” (Jo 21, 15); ao pedir à samaritana: “Dá-me de beber” (Jo 4, 7); ao exclamar na Cruz: “Tenho sede” (Jo 19, 28), Jesus espera o nosso amor. Entretanto, quando olhamos para dentro de nós, percebemos que não somos capazes de amar.

Aqui, é interessante notarmos a evolução de São Pedro. Na Última Ceia, ele fez juras de fidelidade a Jesus: “Senhor, por que não posso seguir-te agora? Darei a minha vida por ti!”. Mas Cristo olha para seu discípulo e responde: “Darás a tua vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: o galo não cantará antes que me tenhas negado três vezes” (Jo 13, 37-38). Nosso Senhor conhece o coração humano e sabe o quanto ainda somos incapazes de amá-lo verdadeiramente. 

Quantas vezes a nossa oração não é parecida com a oração presunçosa de Pedro na Última Ceia, quando dizemos: “Senhor, eu darei tudo por Vós!”? E então, no momento decisivo, nós o negamos de forma vergonhosa e dolorosa? 

Porém, depois de experimentar a própria fraqueza, Pedro mudou e respondeu humildemente: “Senhor, Tu sabes tudo”. Ele já não confia mais em si mesmo; antes, compreende que precisa ser ferido pelo amor de Deus e, ao mesmo tempo, curado por esse mesmo amor, como se dissesse: “Dá-me, Senhor, a capacidade de amar de volta. Porque, se depender apenas de mim, enquanto pedes de beber e enquanto dizes ‘Tenho sede’, a única coisa que serei capaz de te oferecer será vinagre, como os algozes te deram na Cruz”.

“Tu me amas?” (Jo 21, 15). Que pergunta profunda é essa, que radiografa o nosso coração e nos deixa completamente nus diante de Deus! E aqui está a beleza da alma que deseja ser esposa de Cristo. Diferentemente da lógica do mundo, que tenta atrair através das aparências, a esposa de Cristo o atrai quando se desnuda espiritualmente; quando abandona as máscaras, as maquiagens e as falsas seguranças, e apresenta-se pobre, paupérrima e despojada diante do olhar de Deus. Então, nesse momento em que a alma reconhece sinceramente sua incapacidade de amar, Cristo se compadece dela e concede-lhe justamente um coração que ama. Como dizia Santo Agostinho: “Dá o que pedes e pede então o que quiseres”; ou ainda: “Dá o amor que pedes de mim e pede o amor que quiseres”.

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