Buscando...

Digite pelo menos 2 caracteres para pesquisar

A figueira estéril e a fome de Jesus

Cristo aproxima-se da figueira procurando frutos, mas encontra apenas folhas. Existe no Coração de Jesus uma fome de amor, que não se contenta com práticas exteriores vazias, mas deseja encontrar em nós frutos verdadeiros de entrega, fidelidade e caridade.

Texto do episódio
37

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos
(Mc 11, 11-26)

Tendo sido aclamado pela multidão, Jesus entrou, no Templo, em Jerusalém, e observou tudo. Mas, como já era tarde, saiu para Betânia com os doze. No dia seguinte, quando saíam de Betânia, Jesus teve fome. De longe, ele viu uma figueira coberta de folhas e foi até lá ver se encontrava algum fruto. Quando chegou perto, encontrou somente folhas, pois não era tempo de figos. Então Jesus disse à figueira: “Que ninguém mais coma de teus frutos”. E os discípulos escutaram o que ele disse.
Chegaram a Jerusalém. Jesus entrou no Templo e começou a expulsar os que vendiam e os que compravam no Templo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos vendedores de pombas. Ele não deixava ninguém carregar nada através do Templo. E ensinava o povo, dizendo: “Não está escrito: 'Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos?'. No entanto, vós fizestes dela uma toca de ladrões”. Os sumos sacerdotes e os mestres da Lei ouviram isso e começaram a procurar uma maneira de o matar. Mas tinham medo de Jesus, porque a multidão estava maravilhada com o ensinamento dele. Ao entardecer, Jesus e os discípulos saíram da cidade. Na manhã seguinte, quando passavam, Jesus e os discípulos viram que a figueira tinha secado até a raiz. Pedro lembrou-se e disse a Jesus: “Olha, Mestre: a figueira que amaldiçoaste secou”. Jesus lhes disse: “Tende fé em Deus. Em verdade vos digo, se alguém disser a esta montanha: 'Levanta-te e atira-te no mar', e não duvidar no seu coração, mas acreditar que isso vai acontecer, assim acontecerá. Por isso vos digo, tudo o que pedirdes na oração, acreditai que já o recebestes, e assim será. Quando estiverdes rezando, perdoai tudo o que tiverdes contra alguém, para que vosso Pai que está nos céus também perdoe os vossos pecados”.

Meus queridos irmãos e irmãs, o Evangelho de hoje nos coloca às portas da Páscoa, no momento em que, depois de entrar triunfalmente em Jerusalém e ser aclamado pelo povo, Jesus sente fome. 

Esse detalhe do Evangelho é significativo. Nós, seres humanos, comunicamo-nos por meio de palavras e gestos. Deus, porém, é o Senhor da história e fala também através dos acontecimentos. Logo, quando Cristo sente fome, isso não é apenas uma necessidade física comum, mas o próprio Deus feito homem manifestando algo muito mais profundo.

Assim como, no Evangelho de São João, Jesus sente sede do amor das almas, aqui Ele sente fome e vai ao encontro de uma figueira à procura de frutos. Humanamente falando, a expectativa de Nosso Senhor parece absurda. Era primavera — sabemos disso porque é o tempo da Páscoa —, e uma figueira, após perder suas folhas no inverno, ainda não poderia produzir frutos. No entanto, Cristo se aproxima da árvore esperando encontrar nela aquilo que ela deveria oferecer.

A figueira representa simbolicamente a casa de Israel, o povo do Antigo Testamento que, apesar da observância exterior da Lei, havia se afastado daquilo que era o seu centro: o amor. Jesus, portanto, tinha fome de atos de amor e, sabendo que o mesmo povo que o aclamava gritando: “Hosana ao Filho de Davi!” seria também aquele que, pouco tempo depois, clamaria: “Crucifica-o!”, Ele amaldiçoa a figueira e declara que ninguém mais colheria frutos dela. 

À primeira vista, esse gesto pode parecer severo ou até injusto. Mas, na verdade, trata-se de um ato pedagógico e cheio de caridade para conosco, no qual Cristo está nos ensinando algo essencial: Deus tem fome do amor humano e não se contenta com uma religião reduzida a práticas exteriores vazias.

Nesse contexto, o Evangelho não se dirige apenas ao povo judeu do Antigo Testamento, mas também a nós, cristãos. Quantas vezes vivemos uma religiosidade baseada apenas em pequenas observâncias, regras exteriores e devoções mecânicas, enquanto o nosso coração permanece distante do verdadeiro amor a Deus? Há pessoas que transformam a vida espiritual numa espécie de lista de tarefas a serem cumpridas para ficar livre de Deus. E, inconscientemente, vivem como se quisessem “resolver logo as coisas com Deus” para depois seguirem a própria vida longe d’Ele. Mas ninguém será verdadeiramente feliz longe de Deus. 

É evidente que o problema não está nas devoções. A Igreja sempre valorizou profundamente as práticas de piedade. O problema são as práticas vazias, superficiais e estéreis, aquilo que Santa Teresa d’Ávila chamava de “devoções tolas” em seu livro “Caminho de Perfeição”: “De devoções tolas, livre-nos Deus nesta casa”.

O Evangelho de hoje, pois, nos convida justamente a sair dessa esterilidade espiritual. Jesus se aproxima de nós procurando frutos verdadeiros: fé viva, entrega sincera, amor autêntico e coração convertido. Por isso, quando nos aproximarmos da Eucaristia, desejemos profundamente nos unir a Cristo, lembrando sempre de que, ao mesmo tempo, Ele também tem fome do nosso amor, de nossa fidelidade e de nosso coração.

O que achou desse conteúdo?

Mais recentes
Mais antigos
Acesse sua conta
Informe seu e-mail para continuar.
Use seis ou mais caracteres com uma combinação de letras e números
Erro ao criar a conta. Por favor, tente novamente.
Verifique seus dados e tente novamente.
Use seis ou mais caracteres com uma combinação de letras e números
Verifique seus dados e tente novamente.
Boas-vindas!
Desejamos um ótimo aprendizado.
Texto do episódio
Comentários dos alunos

Junte-se a nós!

Receba novos artigos, vídeos e lançamentos de cursos diretamente em seu e-mail.