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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 21, 20-28)

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, ficai sabendo que a sua destruição está próxima. Então, os que estiverem na Judéia, devem fugir para as montanhas; os que estiverem no meio da cidade, devem afastar-se; os que estiverem no campo, não entrem na cidade. Pois esses dias são de vingança, para que se cumpra tudo o que dizem as Escrituras.

Infelizes das mulheres grávidas e daquelas que estiverem amamentando naqueles dias, pois haverá uma grande calamidade na terra e ira contra este povo. Serão mortos pela espada e levados presos para todas as nações, e Jerusalém será pisada pelos infiéis, até que o tempo dos pagãos se complete. Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, as nações ficarão angustiadas, com pavor do barulho do mar e das ondas. Os homens vão desmaiar de medo, só em pensar no que vai acontecer ao mundo, porque as forças do céu serão abaladas. Então eles verão o Filho do Homem, vindo numa nuvem com grande poder e glória. Quando estas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima”.

No Evangelho de hoje, Cristo prenuncia o assédio e a ruína de Jerusalém. Este vaticínio, além de seu sentido histórico, cumprido à letra no ano 70 da nossa era, possui também um significado místico-espiritual, na medida em que a cidade santa de Jerusalém é símbolo da Igreja Católica. Embora a Igreja, ao contrário da antiga capital judaica, não vá nunca ser destruída, segundo a promessa do seu Fundador (cf. Mt 16, 18; 28, 16-10; Jo 14, 15-16), ela deve, sim, ser perseguida e assediada pelos inimigos do nome cristão ao longo dos séculos. No entanto, como toda cidade bem edificada, a Igreja pode ser hostilizada de duas maneiras diferentes: ou externa ou internamente. a) Externamente, assediam a Igreja os que a cercam de fora, perseguindo-a de todos os modos possíveis (calúnias, ameaças, violências, injustiças, detrações, humilhações etc.). b) Internamente, combatem-na os que, desde dentro, buscam atingir e fragilizar os seus fundamentos (difusão de erros e falsas doutrinas, perpetração de escândalos, corrupções de toda sorte etc.). E isto em nada nos deve escandalizar, uma vez que a santidade da Igreja não é incompatível com a existência de pecadores, e às vezes de grandes traidores, em seu seio. A Igreja, com efeito, é santa com santidade ontológica, derivada da santidade daquele que é sua Cabeça e pedra angular (cf. At 3, 14; 1Pd 1, 18-19; 2, 22-24; Tg 5, 6; 1Jo 2, 1; 3, 5; 2Cor 5, 21; Hb 4, 15; 7, 26 etc.). Sabemos, além disso, que o fato de uma pessoa estar dentro da Igreja, seja como leigo, sacerdote ou religioso, não significa, necessariamente, que ela seja membro real do Corpo de Cristo. Como ensinou o Papa Pio VI na constituição “Auctorem fidei”, ao condenar como heréticos os erros do Sínodo de Pistóia, para ser membro da Igreja é necessário, como mínimo, preservar a fé e a obediência à sagrada hierarquia, ainda que se tenha cometido algum pecado mortal, de maneira que uma pessoa que, por heresia ou apostasia, perdeu o dom da fé sobrenatural deixa ipso facto de ser membro atual da Igreja para sê-lo apenas em potência [1]. E não há dúvida de que há muitos hoje em dia que se encontram neste estado lastimável e, às vezes sem darem conta, permanecem nas estruturas eclesiásticas fazendo mais mal do que bem à saúde do Corpo de Cristo. Mas não nos desesperemos, pois já o previra Nosso Senhor, ao dizer da cidade santa: “Jerusalém será pisada pelos infiéis, até que o tempo dos pagãos se complete”. A nós nos cabe ser fiéis, aceitando docilmente tudo o que crê e ensina a Santa Igreja Católica e vivendo conforme a sua salutar doutrina, e rezar pela purificação deste Corpo místico, animados pela esperança que o mesmo Senhor nos dá neste dia: “Quando estas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima”.

Referências

  1. Cf. Antonio R. Marín, Jesucristo y la vida cristiana. Madrid: BAC, 1961, p. 95, n. 92; F. Vizmanos e I. Ruidor, Teología fundamental para seglares. Madrid: BAC, 1963, pp. 883-884, nn. 782-783.
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