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1253. Têm mérito as nossas boas obras?

É de fé que, se estamos em graça, podemos merecer por nossas boas obras não só o aumento da graça, mas também a vida eterna e o aumento da glória, porque Deus, de quem tudo recebemos, permite que o que são dons seus sejam também méritos para nós.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 25, 14-30)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: ”Um homem ia viajar para o estrangeiro. Chamou seus empregados e lhes entregou seus bens. A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro, um; a cada qual de acordo com a sua capacidade. Em seguida viajou. O empregado que havia recebido cinco talentos saiu logo, trabalhou com eles, e lucrou outros cinco. Do mesmo modo, o que havia recebido dois lucrou outros dois. Mas aquele que havia recebido um só, saiu, cavou um buraco na terra, e escondeu o dinheiro do seu patrão. Depois de muito tempo, o patrão voltou e foi acertar contas com os empregados. O empregado que havia recebido cinco talentos entregou-lhe mais cinco, dizendo: ‘Senhor, tu me entregaste cinco talentos. Aqui estão mais cinco que lucrei’. O patrão lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’ Chegou também o que havia recebido dois talentos, e disse: ‘Senhor, tu me entregaste dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei’. O patrão lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’ Por fim, chegou aquele que havia recebido um talento, e disse: ‘Senhor, sei que és um homem severo, pois colhes onde não plantaste e ceifas onde não semeaste. Por isso fiquei com medo e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence’. O patrão lhe respondeu: ‘Servo mau e preguiçoso! Tu sabias que eu colho onde não plantei e que ceifo onde não semeei? Então devias ter depositado meu dinheiro no banco, para que, ao voltar, eu recebesse com juros o que me pertence’. Em seguida, o patrão ordenou: ‘Tirai dele o talento e dai-o àquele que tem dez! Porque a todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. Quanto a este servo inútil, jogai-o lá fora, na escuridão. Ali haverá choro e ranger de dentes!’”

No Evangelho de hoje, o Senhor nos conta a parábola dos talentos, um ensinamento profundíssimo sobre a doutrina do mérito sobrenatural, que, devido talvez a certa influência protestante, é hoje desconhecida, quando não desprezada por muitos fiéis. Trata-se, porém, de um elemento extremamente importante da vida espiritual. Contra ela se levantou Lutero, cinco século atrás, sob o pretexto de que tudo é graça, razão por que as boas obras do justo seriam dons de Deus, a ponto de não serem nunca, sob título algum, meritórias do aumento da graça e da vida eterna (cf. Concílio de Trento, Sessão 6.ª, de 13 jan. 1547, Decreto sobre a justificação, Cân. 32: DH 1582). Respondeu-lhe a Igreja que, de fato, tudo é graça, inclusive a graça de merecermos. E a razão disso é que Jesus Cristo, “como a cabeça aos membros (cf. Ef 4, 15) e a videira aos sarmentos (cf. Jo 5,15), transmite continuamente a sua força àqueles que são justificados, força que sempre precede, acompanha e segue as suas boas obras e sem a qual estas não poderiam, de modo algum, agradar a Deus e ser meritórias” (Concílio de Trento, loc. cit., cap. 16: DH 1546). Por isso, se podemos merecer algo por nossas obras, é porque participamos dos méritos de Cristo, e é pela graça divina, que precede, acompanha e segue as nossas ações, que podem estas ter algum valor em ordem à vida eterna. Nós, com efeito, nada podemos fazer, somente com nossas forças naturais, que seja meritório diante de Deus. É apenas este que, ao curar-nos do pecado pela graça sanante e infundir-nos a graça santificante, dá às nossas boas obras o procederem da mesma graça e da caridade sobrenatural que a acompanha sempre. “Desse modo, nem se exalta a nossa justiça como se viesse de nós (cf. 2Cor 3, 5), nem se ignora ou se recusa a justiça de Deus […],  cuja bondade para com todos é tão grande que Ele quer que o que são seus dons se torne méritos” para nós (Concílio de Trento, loc. cit., cap. 16: DH 1548). Assim sendo, podemos ter a firme certeza de que, se estamos em graça de Deus e agimos por amor a Ele, têm as nossas boas obras um valor inestimável, que o Senhor mesmo faz valer novas graças, a vida eterna e o aumento da glória, sem que, por isso, possamos jamais confiar ou gloriar-nos em nós mesmos, porque é Cristo, só, que dá valor às obras a que Ele mesmo prometeu dar recompensa (cf. Mt 10, 42; Mc 9, 41). Rendamos, pois, graça a Deus, por ter-se dignado confiar a nós os seus santos talentos, dando-nos assim a oportunidade de cooperar com Ele na obra da nossa salvação, porque o que nos redimiu sem nós não quer premiar-nos sem nós: “Cada um receberá seu louvor de Deus” (1Cor 4, 4s), que “retribuirá a cada um segundo as suas obras” (Rm 2, 6).

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